Mensagem da Parashá

Dois tipos diferentes de Trabalho Divino

Nossa Parashá nos conta sobre a gravidez da segunda matriarca do nosso povo, Rifka. Rifká rezou muito para engravidar, sua reza foi atendida e ela engravidou de gêmeos.

 

Dizem nossos Sábios que quando ela passava ao lado da Yeshivá onde Shem, o filho de Noa’h ensinava Torá, a criança se movia dentro dela como se quisesse correr para fora. O mesmo acontecia quando ela passava ao lado da Yeshivá de Ever, bisneto de Shem.

 

Mas quando ela passava perto de alguma idolatria, a criança também queria correr para fora, o que a colocou em desespero e ela começou a se questionar se valeu a pena ter rezado para engravidar

 

A Yeshivá de Shem e a Yeshivá de Ever

 

Diz o Rambam que Shem, o filho de Noa’h, e seu bisneto Ever, faziam parte das poucas pessoas que já tinham o conhecimento Divino antes de Avraham Avinu

 

Naquela época, Shem e Ever tinham duas Yeshivot em Beer Sheva e ensinavam lá a Torá de acordo com o nível de conhecimento deles

 

Segundo a Hassidut, a Torá que Shem ensinava tinha um aspecto de Torá escrita e a Torá que Ever ensinava tinha um aspecto de Torá Oral.

 

Mais futuramente, nosso último patriarca, Yaacov, estudaria quatorze anos nessas duas Yeshivot

 

Porque Rifká foi se consultar com Shem e Ever e não com Itzhak?

 

Rifká estava no desespero, e mesmo sabendo que seu marido Itzhak tinha um conhecimento Divino maior do que Shem e Ever sendo que estudou diretamente com Avraham Avinu, mesmo assim ela foi se consultar com Shem e com Ever porque ela tinha pressionando tanto Itzhak para rezar para que ela engravidasse e D’us atendeu a reza dele até mesmo antes de ter atendido a reza dela, agora ela não poderia dizer para ele que estava arrependida de ter rezado

 

A resposta Divina

 

A revelação Divina pairou sobre Shem e Ever e eles revelaram para ela que ela carregava dois povos na sua barriga, um iria se desviar para o bem e o outro para o mal

 

A Guemará nos conta que quarenta dias antes da formação do feto, o anjo responsável pela gravidez recebe de  D’us todos os detalhes sobre essa criança que vai nascer.

 

Quase tudo é determinado lá de cima, e isso é chamado de Mazal. Já está pré-determinado se essa pessoa vai ser rico ou pobre, inteligente ou ignorante, etc etc etc.

 

A única coisa que depende somente de nós é se alguém vai ser Tzadik ou Rashá. Ou seja, se ele vai para o bom caminho ou para o mal caminho

 

Então, como pode ser que Shem e Ever aparentemente já sabiam que um dos filhos dela vai ser bom e o outro não? E ainda mais, eles já tinham essa inclinação dentro da própria barriga da mae até antes mesmo de nascerem sendo que o yetzer a rá que é a nossa má enclinação só entra na criança depois que ela nasce.

 

Dois tipos de Almas, dos trabalhos diferentes

 

O Rebe explica que D’us tem um prazer muito grande do nosso refinamento pessoal, do nosso ”Trabalho Divino”.

 

Mas como por exemplo, no nosso mundo material existe um prazer em se comer um docinho e um prazer em se comer um salgadinho, lá encima existe um prazer muito grande quando fazemos uma coisa boa, e D’us também fica muito feliz quando nos controlamos e deixamos de fazer uma coisa ruim.

 

Existem Almas que desceram para esse mundo para fazer coisas boas que ainda não tinham tido tempo de fazê-las na reencarnação anterior. Eles já nascem com uma boa inclinação que vai ajudá-los a fazer essas coisas boas na prática, como no caso de Yaakov que na barriga da sua mãe já queria sair para as Yeshivot de Shem e Ever, e depois que cresceu foi estudar lá durante quatorze anos. Vamos chamar o trabalho.

 

Existem Almas que desceram para esse mundo somente para se controlar e não fazerem coisas ruins que provavelmente fizeram na reencarnação anterior e agora desceram para esse mundo para consertar o que fizeram de errado.

 

Elas já nascem com uma má inclinação, sendo que esse é o trabalho Divino delas, de controlar essa má inclinação para se refinar, como no caso de Essav que na barriga da sua mãe já tinha essa inclinação para a idolatria e queria sair para ela. Vamos chamar o trabalho Divino dele de salgadinhos.

 

E assim também somos nós. Tem quem nasce com uma boa inclinação e o seu esforço é para fazer mais e mais coisas boas e tem quem nasce com uma má inclinação e o seu esforço é só para se controlar e não fazer coisas ruins.

 

E cada um de nós é julgado lá encima de acordo com o trabalho Divino que nasceu para fazer.

 

Muitas vezes ficamos desanimados por não termos nascido em uma comunidade judaica religiosa, e pelo motivo de termos nascido em uma família laica em um país como o Brasil.

 

Quando deixamos de trabalhar no Shabat, começamos a rezar em uma Sinagoga e participar de aulas de Torá, sentimos que não conseguimos acompanhar o ritmo desses que nasceram em uma família religiosa e estudam Torá desde os três anos de idade. Mas o contrário é o certo!

 

Mesmo sendo mais fácil comer em qualquer lugar, nos controlamos e optamos por comer kasher.

 

Mesmo que o nosso negócio aparentemente poderia render mais se estivéssemos trabalhando no Shabat e nas festas judaicas, mesmo assim nos controlamos e não trabalhamos no Shabat e festas judaicas.

 

Mesmo que no nosso ambiente estamos expostos à uma sociedade que não segue a Torá, nos controlamos e abrimos mão de muitos prazeres desse mundo para seguir a Torá.

 

E mesmo se um belo dia nos compararmos à uma família religiosa do Brooklyn e sofrermos em ver a facilidade que eles tem quando entram em um supermercado onde tudo é kasher e barato enquanto nós perdemos tanto tempo para verificar cada produto no supermercado se está na lista de produtos kasher ou não…

 

E depois, o pouco tempo que sobra para estudar Torá perdemos para tentar traduzir as palavras para o português, e as vezes não conseguimos acompanhar as rezas por não lermos um hebraico fluente.

 

Mesmo assim não se preocupe! Provavelmente nosso trabalho é “salgadinhos” e temos que ter orgulho disso, mesmo que por causa disso não conseguimos ser como uma família do Brooklyn.

 

Ou seja, se Essav tivesse se controlado ele nunca teria tido tempo de ser como Yaakov, mas seria tão importante quanto, como diz a Guemará sobre o versículo no qual Shem responde para Rifká, “dois povos na sua barriga”, diz a Guemará que pelo fato da palavra “goiim” (povos) estar escrita no Sefer Torá como “geiim” (nobres) ela está indicando os dois maiores nobres da nossa história que foram Rabi Yehuda a Nassi e o imperador romano Antoninus que se converteu ao judaísmo.

 

Com certeza Antoninus estava ocupado em se comportar de acordo com a Torá dentro das condições que D’us deu para ele e não tinha como ser igual à Rabi Yehuda a Nassi, mesmo assim a Guemará compara um ao outro.

 

Dois tipos diferentes de trabalho Divino que no final chegam de duas formas diferentes ao mesmo lugar.

 

Rabino Gloiber

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Eliézer, o primeiro Shlia’h

Eliézer, o primeiro Shlia’h

 

Eliézer nos conceitos de hoje seria chamado de “o secretário de Avraham”.

 

Eliézer era o primeiro emissário da história judaica.

 

Ele era um descendente de Canaã que foi amaldiçoado por Noa’h, e quando cumpriu a missão para a qual Avraham o enviou, ele se transforma de amaldiçoado em abençoado.

 

E até o próprio Lavan, o grande feiticeiro descobre isso e diz :- “Venha abençoado por D’us”.

 

Aprendemos com Eliézer o que é um Shlia’h, um emissário.

 

Avraham mandou Eliézer para Haran na Síria procurar uma esposa para Itzhak na família de Avraham.

 

Eliézer tinha uma filha e ele gostaria muito que ela fosse a esposa de Itzhak, e mesmo assim ele se dedicou totalmente à sua missão, mesmo que pessoalmente tinha tudo a perder por causa disso.

 

Daqui aprendemos o que é um Shlia’h, um emissário.

 

O Shlia’h é alguém que absolutamente não considera sua própria opinião, mas considera somente a opinião de quem o mandou,

 

Mesmo que essa missão vai trazer um grande benefício para quem mandou e um grande prejuízo para quem foi mandado, como no caso de Eliézer que queria casar sua própria filha com Itzhak.

 

Mesmo assim, a tal ponto ele não considera a si próprio em relação à quem o mandou, que cumpre a sua missão com tanto entusiasmo e está tão envolvido nela que esquece de si próprio e sente como se ele próprio fosse quem o enviou.

 

O principal problema na nossa geração é a falta de conhecimento em relação aos assuntos judaicos, e o Rebe mandou à nós, seus emissários, irmos aos cantos mais distantes do mundo para ensinar o judaísmo ao nosso povo.

 

Em 1978 quando estudava na Yeshivá de Kfar Habad em Israel, um dos meus professores era um grande Tzadik, uma pessoa muito elevada.  O nome dele era rav Mendel Futerfas.

 

Entre os grandes feitos dele estava o fato de ele ter passado dez anos em uma prisão soviética na Sibéria.

 

Certa vez ele nos disse:- nossa comunidade é como adubo orgânico (fezes de vaca).

 

A característica do adubo orgânico é que, quando ele está armazenado em um lugar só , ninguém aguenta o cheiro, mas depois que ele se espalha pelo campo ele faz todo aquele campo florescer.

 

E assim ele nos explicou, que quando nos espalharmos pelo mundo vamos fazer o mundo florescer, mas por enquanto ainda não tínhamos nos espalhado pelo mundo…

 

E esse é o aspecto que nós, os emissários da última Shli’hut, temos em comum com Eliezer, o primeiro Shlia’h.

 

Por causa da sua extrema dedicação , Eliezer conseguiu tirar a si e a sua família da maldição de Noa’h que era algo aparentemente irreversível, e se transformar à si e à toda a sua família em abençoados por D’us.

 

Nós, os Shlu’him da última geração, também. Saímos da classificação que o rav Mendel disse que éramos antes e estamos fazendo o mundo Judaico florecer…

 

Rabino Gloiber

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Corpo e Alma

E foram os dias de Sarah….

 

O livro do Zohar , clássico da Kabala , explica que a história da vida de Sarah na Torá simboliza a decida da nossa Alma, que é apelidada de Avraham, para o nosso corpo, que é apelidado de Sarah.

 

A Alma Divina chamada de “Neshamá” é uma parte de D’us. Essa Alma é você .

 

Você , que desceu do céu para vencer uma corrida de obstáculos cheia de desafios que chamamos de vida e cumprir as Mitzvót, comandos Divinos, para ganhar por próprio mérito um “baixo paraíso” no qual uma hora eqüivale a setenta anos dos maiores prazeres nesse mundo, ou até um alto paraíso, onde uma hora eqüivale a setenta anos no baixo paraíso, como prêmio por ter feito o trabalho Divino nesse mundo.

 

A Neshamá é pura e linda , cada ano que passa fica mais refinada e reluzente por meio do cumprimento das Mitzvót.

 

Poderíamos dizer como exemplo que cada ano que passa , enquanto o corpo fica mais velho a Neshamá fica “mais jovem”.

 

O elo entre a Neshamá e o corpo é a alma animal na qual a Neshamá se reveste para acionar o corpo.

 

Essa alma animal é uma alma espiritual do nível deste mundo de Assiá .

 

Sendo que o corpo é somente equipamento com suas limitações e defeitos e a alma animal é só o software do corpo, tendo “vontades” próprias que são somente os interesses do animal racional, o primeiro desafio que temos a enfrentar (com jeitinho para não quebrar o equipamento nem seu software mas sim transformá-lo em aliado ao nosso objetivo) é focar a alma animal e o corpo nos interesses da Alma Divina que é você.

 

O primeiro obstáculo são os interesses do corpo que por instinto vai tentar usar a Neshamá para incrementar seus prazeres causando o fracasso da descida dela para esse mundo .

 

Vamos ter que domá-lo ajudando-o pouco a pouco a deixar de ser animal , mas sem overtraining , tomando o devido cuidado para ele não quebrar mas sim usar seu entusiasmo animal a nosso favor.

 

A Alma Divina tem um complemento para fazer a vontade Divina que é chamado de Yetzer a Tov que é a nossa boa inclinação.

 

A alma animal tem um complemento para fazer as vontades do corpo , esse instinto é chamado Yetzer a rá que é a nossa má inclinação.

 

O Zoar nos conta que todas as noites quando vamos dormir , nossa alma sobe e se apresenta ao tribunal Divino, “os juízes da competição”. Ela é julgada por essa etapa da “corrida” . Se ela vence ela volta de manhã para continuar competindo.

 

Ela é julgada de duas formas diferentes. O julgamento das ações positivas não é como o das negativas.

 

Ela não é julgada pelas coisas negativas que vai fazer mas somente pelas que já fez.

 

O julgamento das ações positivas é diferente, ela recebe um prêmio pelo que já fez e também é favorecida pelo que vai fazer.

 

Assim ela volta feliz e renovada de manhã para o corpo mesmo sem que seus atos atuais justifiquem isso.

 

Quando ela sobe , um espírito impuro paira sobre o corpo. Quando ela volta , esse espírito impuro foge mas ainda fica ligado a nossos dedos, por isso fazemos Netilat Yadaim , lavamos as mãos de manhã intercaladamente para tirá-lo. Acordamos felizes por termos vencido a etapa do dia e agradecemos à Hashem dizendo “Modé Ani…”

 

O Zoar nos conta que os dias da nossa vida estão vinculados à sete Sefirot compostas de dez. Ou seja , Hessed , Guevura , Tiferet , Netza’h , Hod , Issod e Mal’hut , cada uma com todas as Dez Sefirót incluindo ela novamente em segundo plano Incluindo as “Três Primeiras” que são a Ho’hmá , a Biná e a Daat.

 

Por isso diz o rei David no Tehilim :- “Os dias da nossa vida são setenta anos” , ou seja , sete sefirot compostas de dez , e quando chegamos ao último nível e já não temos mais onde nos apoiar , então começa nossa decadência .

 

Ou seja , o tempo da nossa corrida de obstáculos é cronometrado !

 

O rei David fala sobre uma pessoa normal , mas quem aproveitou os setenta anos para subir de nível a nível e se tornou um Tzadik ou uma TZADEKET , como no caso de Sarah , se conecta a Sefirá que está acima das sete , ou seja , a Biná que engloba as três primeiras , e lá não tem declinação e limite para a vida porque lá já existe o vínculo ao infinito .

 

Por isso está escrito :- “Vai’hiu hayei Sarah” , uma linguagem de “ser”, foram dias verdadeiros sem declinação. Também a palavra “esses” foram os dias da vida de Avraham se refere ao mesmo assunto.

 

E se perguntarmos :- Por quê essa mesma linguagem é usada para os dias de Ishmael ? O motivo é simples , porque  Ishmael voltou para o bom caminho, ele fez Teshuvá!

 

O Zoar nos conta que Ketora, a segunda esposa de Avraham era a própria Agar, a mãe de Ishmael. Ela fez Teshuvá e até mudou de nome para expressar a veracidade da sua mudança de comportamento.

 

O fato de a Torá nos contar a história de Sarah e o Zoar nos revelar os segredos que estão por trás dela , vem nos indicar que “As atitudes dos patriarcas são um exemplo para os filhos”.

 

À cada um de nós foram dadas as forças necessárias para chegarmos à etapa final dessa corrida de obstáculos e vencermos. Mas temos que fazer isso sem overtraining, sem fundir o motor para tentar chegar mais rápido e por outro lado também não ficarmos parados com medo de ter uma distensão.

 

Mas a cada dia fazer as Mitzvot daquele dia com muita alegria amor e carinho , e o principal : Saber que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem ,  e que D’us está o tempo todo na nossa torcida levando a gente pela mão , nos ajudando a ultrapassar cada obstáculo e pronto para comemorar a nossa vitória com a Gueulá verdadeira e completa por meio do Mashia’h em breve em nossos dias de verdade !

 

 

Rabino Gloiber

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Hayei Sarah

 

 

Nossa Parashá nos conta sobre o falecimento de Sarah, a primeira matriarca do nosso povo, e todos os fatos ligados à esse acontecimento.

 

Avraham se empenhou ao máximo para comprar um túmulo para Sarah no campo aonde estavam enterrados Adam e Havá.

 

Ele negociou com os habitantes locais e acabou pagando uma fortuna por esse campo aonde ficava a caverna com os túmulos de Adam e Havá que fica em Hebron.

 

Avraham enterrou Sarah, chorou por ela e logo após enviou Eliézer para Haran na Síria para trazer de lá uma esposa para Itzhak.

 

De vez enquanto aparecem no Sefer Torá letras grandes ou pequenas nos indicando um assunto profundo que se encontra por trás dessa escrita. Nossa Parashá é um desses locais.

 

A letra “כ” da palavra “ולבכותה” que quer dizer “e chorar por ela” aparece pequena, e assim ela deve ser escrita no Sefer Torá.

 

A explicação para isso é que ele chorou pouco. Todos os comentaristas concordam que a explicação para isso é que ele não chorou muito, e as divergências são somente em relação ao motivo de ele ter chorado pouco.

 

Quando analisamos o perfil do nosso patriarca Avraham vemos uma coisa muito interessante.

 

Ele sempre está olhando para frente, como diz o versículo: “Avraham estava velho, vinha com os dias”. Aparentemente uma linguagem estranha.

 

Mas uma linguagem que nos indica que cada dia dele foi aproveitado para o trabalho Divino.

 

Ou seja, chorar é passado e Avraham vivia o presente, vivia o trabalho Divino de cada dia.

 

Está escrito que as atitudes dos patriarcas são uma sinalização para nós, seus descendentes.

 

Aprendemos com Avraham a direcionar nossa energia para as coisas positivas que devemos fazer, e mesmo quando existem todos os bons motivos do mundo para chorar, não devemos chorar muito.

 

Devemos direcionar as nossas energias para o lado positivo, e fazer tudo com muito entusiasmo e muita alegria.

 

Principalmente na nossa geração em que a tristeza é um gatilho para a depressão que é a doença mais badalada dos tempos modernos com todas as suas consequências destrutivas. Então, vamos ficar sempre alegres, só temos a ganhar 🥰

 

 

Rabino Gloiber

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Vayerá

 

Vayerá

 

Nosso primeiro patriarca é conhecido por todos nós como Avraham Avinu. A palavra Avinu quer dizer “nosso pai”, ou seja, o pai do nosso povo, nosso patriarca.

 

Na Torá Avraham Avinu é chamado de Yvri, transliterado como hebreu e nosso povo de “o povo hebreu”. O significado dessa palavra é “alguém que vem da outra margem do rio”.

 

O conceito “Judeu” só surge a partir do filho de Yaakov chamado de Yehudá, transliterado como “Judá”. Yehudá deu origem à tribo de Judá que são chamados de judeus.

 

Mas de maneira genérica, costumamos chamar todo o nosso povo de “o povo judeu” porquê a palavra judeu, ou Yehudi em hebraico, vem da palavra hodaá, que significa reconhecer e expressar gratidão.

 

A essência do Judaísmo é definida explicitamente nesta palavra, e por isso, até o próprio Avraham Avinu que foi o bisavô de Yehudá e faleceu bem antes de ele nascer, é chamado de “o primeiro Judeu” .

 

O motivo de ele ser considerado o primeiro judeu, é pelo fato de D’us ter feito com ele uma aliança e ter pedido para ele fazer o Brit Milá, a circuncisão. A partir dessa hora ele se tornou o nosso primeiro patriarca, o primeiro Judeu da História.

 

 

A tenda de Avraham

 

Avraham tinha uma tenda enorme no deserto, bem maior do que uma tenda de circo de hoje em dia.

 

Por ela ser tão grande, ele fez uma porta de entrada em cada um dos seus lados, para que as pessoas não precisassem “dar a volta no quarteirão” para encontrar a porta. Ele recebia nela todo dia muitas e muitas pessoas.

 

Avraham dava para essas pessoas uma “Tzedaká” (uma doação) material, ou seja, comida e bebida do bom e do melhor.

 

Ele também dava para eles uma Tzedaká espiritual. Ou seja, ensinava essas pessoas a deixarem a idolatria e rezarem somente para D’us.

 

 

Os Três Anjos

 

Nossa Parashá nos conta que três dias depois de Avraham Avinu ter feito o Brit Milá, a circuncisão, ele estava muito fraco.

 

Hashem D’us fez aquele dia ficar um dia muito quente para que ninguém viesse para a tenda de Avraham e ele pudesse descansar um pouquinho.

 

Mas no lugar de ficar deitado descansando, ele se esforçou e sentou na porta da tenda olhando para todos os lados procurando pessoas para convidar.

 

Ele ficou muito preocupado pelo fato de ninguém estar na região para que ele pudesse convidar para a sua tenda e fazer para essas pessoas uma bondade material, dando para elas comida e bebida, e também uma bondade espiritual, ensinando elas a agradecer à D’us pelo que receberam.

 

Para consolar Avraham, D’us enviou para ele três hóspedes.

 

O Zoar nos conta que esse três hóspedes apareceram em forma de três árabes, mas na verdade eles eram os Anjos Mihael, Gravriel e Refael, que entrando na dimensão do nosso mundo criaram para si próprios corpos de pessoas desse mundo.

 

 

Os Anjos

Os Anjos são criaturas espirituais que estão continuamente ligados à D’us. O lugar onde eles se encontram é nos mundos de Briá, Yetzirá e na dimensão espiritual do mundo de Assiá.

 

Anjos e Anjas

 

Existem Anjos e Anjas, tanto do lado puro quanto do lado impuro, mas as interações reveladas que aconteceram entre nós e os Anjos do lado puro, geralmente foram com os Anjos e não com as Anjas.

 

Por outro lado, o Zohar nos conta que Adam (Adão), o primeiro homem, depois de ter acusado Havá (Eva) de ter causado a desgraça dele, se separou de Havá por 130 anos, e durante todo esse tempo teve relações conjugais com duas anjas do lado impuro que se materializavam para ter essas relações com ele.

 

Uma dessas anjas do lado impuro é chamada de “Li” (não falamos o nome inteiro dela para não atrair a coisa ruim). Ela é a “esposa”, ou seja, o aspecto feminino, do anjo da morte.

 

Adam também teve relações conjugais com outra anja do lado impuro que era chamada de “Na” (também nesse caso não falamos o nome inteiro dela para não atrair a coisa ruim). O Zoar nos conta que “Na” é a “mãe” dos demônios.

 

O que é um Anjo?

 

A tradução da palavra Mala’h, traduzida para o português como anjo, na verdade significa mensageiro. Os Anjos são chamados de mensageiros porque o trabalho deles inclui também trazer a fartura e abundância Divina para os mundos e também realizar diferentes missões.

 

As criaturas Divinas do mundo de Atzilut e dos mundos acima do mundo de Atzilut, não sentem a própria existência, sendo que esses mundos estão tão unidos à D’us a ponto de não poderem ser chamados de mundos.

 

O exemplo para isso é o brilho do Sol antes de se separar do Sol e chegar à Terra. Mesmo ele estando existindo lá no Sol da mesma maneira que ele vai existir aqui na Terra, lá no Sol ele não tem como ser chamado de brilho porque lá ele ainda é o próprio Sol.

 

As criaturas do mundo de Atzilut são chamados de Neetzalim, e lá é o Paraíso dos grandes Tzadikim que o nível espiritual deles é chamado de “Merkavá”, “A Carruagem Divina”.

 

Esse exemplo nos indica que eles são como uma carruagem em relação ao seu condutor. No nosso mundo eles sempre representaram a vontade Divina e não a própria vontade, e por isso chegaram à esse nível de Paraíso tão elevado que é o mundo de Atzilut.

 

Eles receberam o título de “Merkavá” porque eles chegaram a um nível de união com D’us que é comparado a uma carruagem em relação à quem está dirigindo ela. Ou seja, a única vontade deles é a vontade Divina.

 

Nesse nível estão nossos patriarcas Avraham, Itzhak e Yaakov, e também nossas matriarcas, Sarah, Rifka, Rahel e Leah. Lá também se encontram Moshe Rabeinu e os Tzadikim que chegaram a esse nível tão elevado. Rabi  Shimon bar Yo’hái nos contou no Zoar que somente um ou dois Tzadikim (pessoas altamente elevadas) em cada geração conseguem chegar à esse nível, de tão elevado que ele é.

 

No caso da geração do nosso patriarca Yaakov foram três. Yaakov e suas esposas,  Rahel e Leá.

 

 

A origem dos Anjos

 

Nos mundos de Briá, Yetzirá e Assiá, em contraste ao mundo de Atzilut,  já existe uma separação entre D’us e a criação.

 

As criaturas desses mundos já tem opinião própria, mesmo estando totalmente submissas à D’us.

 

Por isso, mesmo não tendo o “livre arbítrio”, eles são passíveis de fazerem um erro de avaliação, e por esse motivo Moshe Rabeinu não aceitou que um Anjo dirigisse o nosso povo no deserto no lugar de D’us.

 

São nesses mundos de Briá, Yetzirá e Assiá que existem os Anjos, e não acima deles.

 

Os Anjos foram criados a partir da queda das “luzes” na “quebra dos receptáculos” que foi um fenômeno espiritual que aconteceu no mundo chamado de “Olam a Tohu” que se encontra acima de Atzilut.

 

Essas “luzes caídas” receberam uma característica de “partes separadas”, e mesmo estando a “raiz” delas ainda ligada ao mundo do “Tohu”, por causa da descida que tiveram, as criaturas originárias delas sentem sua própria existência, mesmo estando totalmente submissas à D’us devido a grandeza da revelação Divina que acontece nesses mundos.

 

A “Merkavá”, a “Carruagem Divina”

 

Os Anjos são divididos em categorias chamadas de “acampamentos”.

 

Os profetas Yeshaiahu (Isaías) e Yehezkel (Ezequiel) receberam uma profecia metafórica onde eles descrevem a “Merkavá“, a “Carruagem Divina”. Essa” Merkavá” não tem nada a ver com o  “nível Merkavá” que foi o nível espiritual que atingiram nossas matriarcas e nossos patriarcas, mas se trata de outro conceito com o mesmo nome.

 

O profeta Yeshaiahu chegou ao nível de “mundo da Briá”, e a “Merkavá”, “Carruagem Divina” que ele descreve, é a origem dos Anjos do mundo de Briá que são criados lá a partir das “luzes caídas” do mundo do Tou.

 

A “face do leão” da Merkavá

 

A “face do leão” da Mercavá, da “carruagem Divina” é a origem dos Anjos ligados à Sefirá chamada de Hessed (bondade).

 

Eles têm como raiz a quebra do receptáculo da Sefirá chamada de Hessed do mundo de Tou.

 

Sendo que eles são originários da Hessed, o trabalho Divino deles é sempre na categoria de amor.

 

 

A “face do boi” da Merkavá

 

A “face do boi” da “carruagem Divina” é a origem dos Anjos ligados à Sefirá chamada de Guevurá (severidade, dureza)

 

Eles tem como raíz a quebra dos receptáculos da Sefirá chamada de Guevura do mundo de Tou.

 

Sendo que eles são originários da Guevurá, o trabalho Divino deles é sempre na categoria de temor, ou seja, reverência.

 

O Rambam enumera dez categorias de anjos, mas a Hassidut explica que elas são ramificações de três categorias principais que são:

 

Os “Serafim”

 

Os “Serafim”, traduzido como “Anjos incandescentes”, são os Anjos do mundo de Briá.

 

A palavra “Serafim” é o plural da palavra “Saraf” que quer dizer “incandescente”.

 

Os Serafim são os Anjos do mundo da Briá. O trabalho Divino dos Serafim consiste na compreensão intelectual de D’us que por meio dela eles chegam ao nível de entusiasmo “incandescente” no trabalho Divino, e por isso são chamados de Serafim. Ou seja, Anjos “incandescentes”.

 

Os Serafim são uma criação por si só e de estrutura completa de dez Sefirot, tendo como primeira raiz o “Kav” que é o começo do “Seder a Ishtalshelut, “a ordem de desencadeamento” que dá origem aos mundos espirituais.

 

Foi para esses Anjos que D’us falou “vamos fazer o homem a nossa imagem e semelhança”. Essa “imagem e semelhança” são as Dez Sefirót lá em cima e não tem nenhuma ligação à imagem e semelhança material, sendo que o espiritual e o material são duas dimensões totalmente opostas uma da outra.

 

Araíz do nosso corpo material é o”grande Tzimtzum” que é a fonte dos receptáculos enquanto que a raíz da nossa Alma é o “Kav” que é a fonte das “Luzes”. A partir do primeiro Tzimtzum começa um paralelismo entre luzes e receptáculos. O nosso corpo material é o “receptáculo” da nossa Alma que é a “Luz”, e ela, nossa Alma, está ligada às Dez Sefirót.

 

Os Anjos Mihael, Refael e Gavriel que vieram “visitar” nosso patriarca Avraham eram Serafim, ou seja, Anjos do primeiro escalão.

 

Hayot a Kodesh

Os Anjos chamados de “Hayot a Kodesh”, traduzido como “animais santos”, são os Anjos do mundo de Yetzirá.

 

O trabalho Divino dos Hayot a Kodesh acontece por meio do entusiasmo que eles tem por própria natureza, e não pelo entendimento intelectual, e por isso são chamados de Hayot “animais”, sendo que o animal age por instinto e não por compreensão.

 

Ofanim

 

Ofanim é o plural de Ofan, que quer dizer roda e também eixo. Esse é o nome dos anjos que estão na dimensão espiritual do nosso mundo material, no lado espiritual do nosso mundo, o mundo de Assiá.

 

O trabalho Divino deles consiste apenas em reconhecimento, contemplação e submissão à distância, e por isso são chamados de “Ofanim” que são as rodas e os eixos da Merkavá, da “carruagem Divina”.

 

Sendo que eles são os anjos do mundo de Assiá, eles fazem o último “repasse” da abundância da décima das Dez Sefirót que é chamada de Mal’hut, do mundo superior para o mundo material.

 

Cada etapa desse “repasse” consiste na transformação dessa abundância da dimensão na qual ela é recebida para a dimensão para a qual ela é repassada.

 

Ou seja, a Sefirá chamada de Mal’hut recebe a fartura e a abundância do conjunto de seis Sefirót chamado de Zeir Anpin (a pequena face) e rebaixa essa abundância para a dimensão espiritual do mundo material.

 

Esses Anjos do mundo de Assiá vão personalizar essa abundância repassando ela individualmente e de forma material para cada criatura, de acordo com o que foi decretado para ela lá em cima.

 

Por isso, esses anjos dizem “Bendita é a glória de D’us desde o seu lugar”, que significa a continuação da abundância Divina para o mundo de baixo que é o nosso mundo, o lado material do mundo de Assiá.

 

 

Rabino Gloiber
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Os Três Anjos

🌻Os Três Anjos🌻

 

Nossa Parashá nos conta que depois de ter feito o Brit Milá, nosso patriarca Avraham recebe a visita de três anjos que desceram para esse mundo em forma humana.

 

Diz o Zohar que nesse caso foram necessários três anjos diferentes. O motivo para isso é que o anjo não tem como fazer algo que não está na sua categoria, e aqui deveriam acontecer coisas de três categorias diferentes.

 

A palavra מלאך, anjo em hebraico, quer dizer enviado. Ou seja, ele é enviado para um assunto específico e não para outro.

 

Diz o Zohar que esses três anjos que vieram visitar Avraham tem como essência três Sefirot diferentes.

 

Em outras palavras, eles não tem como ser enviados para um assunto que não tem a ver com a essência deles, com a Sefirá à qual eles pertencem.

 

O Zohar nos conta que esses três anjos eram Mihael, Gavriel e Refael que se revestiram no “ar” e desceram para esse mundo em forma de pessoas.

 

O anjo Mihael é o responsável pelo “lado direito”, a Sefirá dele é Hessed e todas as coisas boas, todas as bençãos que vem das Sefirot do lado direito foram entregues na sua mão.

 

Nesse caso ele foi enviado para oficializar o que D’us prometeu na Parashá anterior, que Sarah vai ter um filho.

 

O anjo Gavriel é o responsável pelo “lado esquerdo” e a Sefirá dele é a Guevurá. Ele é responsável pelas punições que acontecem no mundo. Ele foi enviado para destruir Sodoma e Gomorra.

 

O Anjo Refael é o “responsável pelas curas” e a Sefirá dele é a Tiferet. Ele veio curar Avraham do Brit milá.

 

Como vimos, o anjo Mihael veio para Sarah, Refael para Avraham e Gavriel para Sodoma e Gomorra. Então, o que o anjo Gavriel estava fazendo na tenda de Avraham?

 

E ainda mais, os anjos perguntam para Avraham “Aonde está Sarah sua esposa”. Será que os anjos não sabiam que ela estava na tenda? Como pode ser que até Mihael, que veio especificamente para ela, não sabia aonde ela estava?

 

Diz o Zohar que o anjo só sabe deste mundo o que é revelado para ele. Nesse caso, por motivo Divino, nem o anjo Mihael que veio comunicar à Sarah que ela vai ter um filho sabia aonde ela estava e foi obrigado a pergutar para Avraham.

 

Se ele veio somente para ela, porque não foi revelado para ele onde ela estava?

 

E ainda mais, da linguagem do versículo entendemos que os outros anjos, que não foram enviados para ela, também perguntaram aonde ela está.

 

Se cada anjo atua somente na sua categoria, porque os outros anjos também tinham que perguntar por ela se eles não tinham nenhuma missão direcionada a ela?

 

🌻A inacreditável resposta de Avraham🌻

 

Avraham responde para eles que Sarah está na tenda. Rashi explica que Avraham usou essa linguagem para determinar que ela tem pudor e por isso não está aqui com eles. Ou seja, nem um copo de água ela vai trazer para eles porque ela é uma mulher e eles são homens.

 

Na próxima Parashá, quando Eliezer vai procurar uma esposa para Itzhak, pede para D’us que a jovem a qual ele pedir um copo de água e ela der água para ele e também para todos os seus camelos será a esposa de Itzhak, a nora de Avraham.

 

Rashi explica que, sendo que ela é generosa, essa é a prova de que ela é adequada para entrar na família de Avraham.

 

Ou seja, se ela não desse o copo de água para Eliezer que era um homem, não se casaria com Itzhak.

 

Como pode ser que aqui na nossa Parashá Avraham se comporta de uma maneira exatamente contrária ao seu próprio perfil!

 

E mais, quando o anjo Gavriel vai destruir Sodoma e Gomorra, o anjo Refael vai com ele. O motivo que a Torá dá é de que Hashem se lembrou de Avraham para salvar Lot, e portanto o anjo Refael vai com a Anjo Gavriel sendo que salvar e curar estão na mesma categoria.

 

🌻Lot, Rut e o Rei David🌻

 

Diz o Zohar que a diferença entre Noa’h, Avraham e Moshe Rabeinu é que Noa’h não rezou por ninguém, Avraham rezou somente pelos Tzadikim e Moshe Rabeinu rezou por todos.

 

De acordo com o Zohar, Avraham não rezou por Lot para não dizerem que Lot por ser parente dele, mesmo não sendo Tzadik foi salvo pela reza de Avraham.

 

Como pode a Torá dizer que Lot foi salvo no mérito de Avraham se Avraham rezou do pelos Tzadikim e explicitamente não rezou por Lot ?

 

Na Parashá anterior vimos que Avraham arriscou a própria vida e a vida das pessoas que o ajudaram para salvar Lot dos quatro reis que o tinham prendido.

 

Nessa ocasião Avraham não pediu para Lot voltar a morar com ele e não cobrou dele um comportamento melhor. O único interesse de Avraham era de que Lot continuasse vivo.

 

🌻A explicação do Guerer Rebe🌻

 

Rabi Itzhak Meir Alter foi o primeiro Rebe da cidade de Gur na Polônia, há 150 anos atrás. Aquela cidadezinha originalmente era um centro religioso católico.

 

Em 1859 quando o Rebe Itzhak Meir assumiu o rabinato dos Hassidim de Kotzk, mudou-se para a cidade de Gur e a chamou de “Guer”, que em Hebraico quer dizer “convertido”.

 

Ou seja, aquela cidade que fazia parte de um roteiro de peregrinação católica se converteu em um grande centro Judaico, atraindo para si uma verdadeira peregrinação de judeus de todos os cantos da Polônia.

 

Rebe Itzhak Meir explicou que Avraham salvou Lot dos quatro reis porque de Lot sairia Rut e dela sairia o Rei David.

 

Diz o Ari Zal que na Alma de Lot estavam as Almas de Rut e do rei David.

 

O Ari Zal nos revelou que Avraham Avinu era uma reencarnação do nível ”Nefesh” de Aão, o primeiro homem.

 

O Midrash nos conta que D’us mostrou para o primeiro homem cada geração e os judeus mais destacados dela. Quando chegou ao Rei David, Adam se entusiasmou, mas D’us revelou à ele que o Rei David seria um aborto.

 

Ouvindo isso, Adam, o primeiro homem, deu 70 anos da própria vida para o Rei David. Ou seja, Avraham tinha um vínculo de Alma com a Alma do Rei David que estava em Lot e por isso tinha que salvá-lo.

 

E agora que o anjo Gavriel foi enviado para destruir Sodoma e Gomorra novamente Avraham teria que salvá-lo.

 

Diz Rabi Itzhak Meir, o Guerer Rebe, que o que aconteceu na tenda de Avraham foi o julgamento de Lot.

 

Ou seja, Lot por si só não teria o mérito de ser salvo, mas dele sairia Rut a Moabita que se converteu ao judaísmo e dela saiu o Rei David.

 

A Torá proibe um Moabita, mesmo convertido, de se casar com uma mulher Judia.

 

A própria Torá traz o motivo para isso, de que eles não levaram pão e água ao nosso povo quando eles saíram do Egito.

 

Quando Avraham responde que Sarah está na tenda, ou seja, que a mulher por motivos de pudor não deve levar pão e água para os homens e nem para mulheres, ou seja, Sarah está na tenda e não é bonito para a filha do Rei se expor, Avraham está determinando que Rut, por ser mulher, não se enquadra dentro do decreto da Torá que proíbe o casamento com Moabitas, e consequentemente o Rei David que saiu dela pôde ser o Rei de Israel ungido pelo profeta Shmuel.

 

O anjo Gavriel estava lá somente para ouvir isso. Ouvindo isso ele foi obrigado a abrir espaço ao anjo Refael para salvar Lot, e quando Refael passava com a família de Lot, Gabriel ia destruindo atrás dele.

 

Quando Avraham viu que Gavriel estava indo para Sodoma acompanhado de Refael não precisou mais rezar por Lot, sendo que a salvação dele estava garantida.

 

 

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Mensagem da Parashá

Fazendo contra a vontade Divina achando que essa é a vontade Divina

 

Fazendo contra a vontade Divina achando que essa é a vontade Divina

 

Nossos Sábios nos ensinaram que tudo o que D’us criou não é perfeito, nem os anjos e quanto mais nós, e portanto podem fazer erros de avaliação.

 

Os anjos Gabriel e Refael, dois dos três que vieram visitar Avraham, revelaram a ele que iriam destruir Sodoma e Gomorra. Assim eles causaram uma discussão entre Avraham e D’us.

 

Chegando em Sodoma disseram que eles próprios vieram destruir a cidade (e não D’us) e assim fizeram contra a vontade Divina achando que isso era a vontade Divina, e por isso levaram uma “suspensão”, e só puderam voltar aos céus na época de Yaakov.

 

Daqui vemos que muita coisa que fazemos errado não é por maldade, mas sim por que avaliamos errado por não sermos perfeitos.

 

Daqui aprendemos que temos sempre que avaliar e reavaliar o que fazemos e o que falamos, sempre levando em conta que talvez estamos avaliando errado e a dor que podemos causar ao próximo poderá ser irreversível.

 

Temos que aplicar o benefício da dúvida, dúvida que fizemos um erro de avaliação, sempre a favor do nosso próximo, por isso temos que julgar todos sempre pelo lado bom e nunca fazer coisas que possam magoar alguém, portanto devemos estar sempre olhando para todos com bons olhos.

 

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Mensagem da Parashá

O acordo entre os animais divididos

Na Parashá anterior D’us faz um acordo com Noa’h de que não vai mandar novamente um dilúvio para toda a humanidade. O sinal desse acordo é o Arco-íris.

 

O motivo desse acordo ter sido necessário é para que, caso a humanidade se comporte novamente como a geração que causou o dilúvio, mesmo assim não haverá mais dilúvio, mas se não tivesse o acordo haveria novamente um dilúvio.

 

O acordo entre os animais divididos

 

Nossa Parashá nos conta que D’us tinha prometido para Avraham que seus descendentes iriam herdar a terra onde ele se encontrava. D’us pede para oficializar isso por meio de um acordo.

 

Esse acordo foi feito exatamente da mesma forma que os reis daquela época faziam acordos de cooperação militar entre duas nações, passando entre animais divididos para oficializar o acordo.

 

E assim D’us pede para Avraham passar entre os animais divididos e o acordo começa.

 

Avrahamadormece profundamente e tem uma revelação profética que consiste nos detalhes desse pacto que está acontecendo.

 

D’us diz para Avraham que seus descendentes serão escravizados e sofrerão por quatrocentos anos em uma terra estranha. O povo que os afligirá será sentenciado e eles sairão de lá com grandes riquezas.

 

É revelado para Avraham que ele vai ter o mérito de falecer em paz e cheio de satisfação, ou seja, isso não vai acontecer enquanto ele estiver vivo.

 

D’us revela para ele que a quarta geração dos seus descendentes voltarão para essa terra porque só então as transgressões dos povos dessa terra chegarão ao limite que justifique o final da permanência deles lá.

 

Depois que isso foi revelado para Avraham, fumaça e fogo passaram entre os animais divididos para concluir o pacto.

 

Logo após, a Torá nos traz os detalhes desse acordo entre D’us e Avraham determinando as fronteiras da terra que é dada à Avraham por meio desse acordo, com as palavras “para a sua descendência eu dei”, determinando que por meio desse acordo nos foi dada a terra que antes D’us tinha somente dito que iria dar.

 

A partir desse acordo recebemos irreversívelmente essa terra todo o tempo que estivéssemos sobre ela.

 

Rabi Moshe ben Na’hman, também chamado de Ramban, foi um grande Tzadik que viveu na Espanha há 800 anos atrás.

 

Ele explicou que quando Avraham chegou à terra prometida, D’us disse à ele: -“Para os seus descendentes eu vou dar essa terra”, e não deu detalhes sobre as fronteiras dela.

 

Poderíamosentender desse versículo que se tratava somente dos lugares que D’us mostrou para Avraham, que andou até Sh”hem chamado também de Elon Moré.

 

Depois disso, diz o Ramban, quando aumentaram os méritos de Avraham naquela terra, D’us aumentou a promessa dizendo:- “Levante os seus olhos e veja o norte, o sul, o oriente e o ocidente”, mostrando para ele os pontos cardeais e indicando com isso que também o espaço que está além da sua visão será dado à sua descendência.

 

Naquela segunda promessa D’us acrescentou que vai dar essa terra para a sua descendência para sempre, e que a descendência dele seria tão numerosa como o pó da terra.

 

Agora, no acordo que foi feito entre as partes dos animais, na terceira vez que D’us fala com ele sobre a terra que vai ser dada.

 

As fronteiras dessa terra que D’us prometeu para Avraham  começam  no rio Eufrates, chamado de Prat em hebraico.

 

Este rio é um dos principais da Ásia Ocidental, fluindo pela Turquia, Síria e atravessando o Iraque, onde se une ao rio Tigre antes de desaguar no Golfo Pérsico.

 

A fronteira passa por Israel e chega até o Rio do Egito que é a parte do rio Nilo que passa dentro do Egito.

 

Cada um dos dez povos que morava dentro dessas fronteiras foi citado para não deixar nenhuma dúvida sobre essa demarcação.

 

O motivo do acordo entre os animais divididos

 

A necessidade de ter sido feito um acordo foi para que caso nosso comportamento não fosse adequado, isso já não poderia mudar a determinação Divina em relação à herdarmos a terra de Israel desde o rio Eufrates em toda a extensão até o rio Nilo na extensão dele dentro do Egito. Como vemos em relação ao acordo que D’us fez com Noa’h, que mesmo as pessoas se comportando novamente como na época do dilúvio não haverá outro dilúvio por causa daquele acordo, essa mesma regra recai sobre nós.

 

Ou seja, dentro dessa demarcação há espaço para um povo só, o povo de Israel.

 

 

 

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Mensagem da Parashá

O Pacto da Brit Milá

https://youtu.be/J0GtIXHQTz4

 

O pacto do Brit Milá

 

No final da nossa Parashá, quando D’us pede para Avraham fazer o Brit Milá, faz com ele mais um pacto.

 

Esse pacto vem acrescentar que essa terra é nossa eternamente, caso ela seja conquistada por outros povos mesmo assim ela continuará sendo nossa e voltaremos à herdá-la.

 

D’us também acrescenta que ele vai ser sempre o nosso D’us e que ele pessoalmente vai nos dirigir, e não seremos dirigidos por intermediários como os astros ou os anjos responsáveis pelos setenta povos.

 

Assim Avraham se torna o primeiro judeu, diretamente ligado à D’us, sem intermediários.

 

Porque D’us teve que acrescentar nesse pacto feito no Brit Milá que essa terra, de acordo com essas fronteiras citadas no pacto anterior entre o rio Prates e o rio do Egito e que são bem maiores do que o estado de Israel de hoje, será nossa herança eterna?

 

A regra da Torá é de que quando um povo conquista uma terra ela passa a ser dele, como no caso de Si’hon rei dos emoreus que conquistou parte de Moav.

 

Naquele caso, mesmo que para nós seria proibido conquistar uma parte de Moav porque D’us deu a terra de Moav aos filhos de Lot e fomos proibidos pela Torá de conquistá-la, quando Sihon à conquistou, ela deixou de pertencer à Moav e passou a pertencer aos emoreus, e por isso nos foi permitido conquistar essa terra de Si’hon.

 

Quando a Torá traz uma regra geral, para algo sair dessa regra a própria Torá tem que trazer um versículo determinando essa exceção.

 

E por isso foi necessário esse pacto do Brit Milá, para tirar a nossa terra dessa regra geral e torná-la uma exceção de regra.

 

Ou seja, mesmo que hoje existem outros países nesses lugares que D’us deu à nós, descendentes de Avraham, mesmo assim essa terra não deixou de ser nossa e no futuro nós a herdaremos.

 

Por isso na primeira vez o versículo diz:- “para a sua descendência eu vou dar”. Uma linguagem que indica uma coisa que ainda vai acontecer.

 

Também na segunda vez que D’us promete a terra à Avraham é usada essa mesma linguagem, porque até aquele momento ela não tinha sido totalmente dada.

 

Na terceira vez, na hora do pacto entre as partes dos animais, D’us diz:- “Para a sua descendência eu dei”, determinando que está fazendo um pacto sobre a terra que já nos foi dada.

 

Na hora da Brit Milá, quando D’us diz sobre a terra prometida “para herança eterna”, ele usa o termo “dei para você” em relação ao futuro.

 

Ou seja, ela continua sendo nossa mesmo quando não está nas nossas mãos, mesmo quando está conquistada por outros povos, mesmo assim ela continua nossa.

 

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Galut Ishmael, o exílio entre os árabes 

Galut Ishmael, o exílio entre os árabes 

 

Rabi Yehuda no Zoar diz que não existe uma Galut tão difícil como a Galut Ishmael.

 

Quando D’us acrescentou a letra H nos nomes de Avraham e Sarah e revelou para Avraham que ele vai ter um filho com Sarah, Avraham pediu para D’us para que Ishmael viva com temor Divino.

 

Ou seja, ele pediu para que Ishmael fosse o seu sucessor.

 

D’us não concordou com isso mas revelou para ele que ele vai ter um filho com a Sarah, esse filho vai se chamar Itzhak, e ele vai dar continuidade ao pacto feito entre D’us e Avraham.

 

Mas por causa do pedido de Avraham D’us concordou em fazer de Ishmael um grande povo, mas deixou claro que a continuação do pacto Divino é com Itzhak que vai nascer de Sarah nessa época no próximo ano.

 

Diz o Zoar que pelo motivo de Avraham ter pedido por Ishmael e Ishmael ter feito o Brit Milá antes de Itzhak nascer, o anjo responsável pelo povo de Ishmael pediu para D’us durante quatrocentos anos para que os descendentes de Ishmael fossem comparados à nós no mundo superior.

 

O que fez D’us? Afastou o povo de Ishmael lá de cima como tinha sido determinado desde o começo, mas para compensar isso deu a parte deles aqui embaixo na Terra Santa por causa do Brit Milá deles.

 

Disse o Zoar aproximadamente no ano 150 da era comum, que futuramente os árabes irão dominar a Terra Santa por muito tempo quando ele estiver vazia, como o Brit Milá deles é vazio e sem perfeição, e eles vão impedir o povo de Israel à voltar para o seu lugar até terminar o mérito do povo de Ishmael.

 

Quem na época do Zoar na qual Israel fazia parte de um império romano europeu, com equipamentos extremamente avançados em relação aos árabes, quem poderia imaginar naquela época que no ano 636 aqueles árabes conquistariam Israel e estariam lá até agora?

 

Com certeza na época do Zoar todos achavam que isso era uma metáfora ou coisa parecida.

 

Ninguém imaginaria uma autonomia árabe na própria Judéia que era o principal da nossa civilização incluindo os túmulos dos nossos patriarcas e matriarcas e que por isso somos chamados de judeus. Em resumo, esse é o Galut Ishmael existe de verdade, aqui e agora, hoje em nossos dias.

 

Então vamos fazer tudo o que podemos trazer o Mashia’h e esse Galut Ishmael terminar imediatamente.

 

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