Nossa Parashá nos conta sobre as pragas que AShem mandou aos egípcios para nos tirar de lá.
Muitas vezes AShem diz para Moshe Rabeinu que vai endurecer o coração do faraó, o que nos dá a impressão de que o “coitadinho” do faraó não é mais o culpado de nos segurar no Egito sendo que AShem endureceu o coração dele, aparentemente tirando dele o livre arbítrio
Mas o contrário é o certo, AShem endureceu o coração do faraó para que ele pudesse optar em nos deixar sair da escravidão por própria opção, com seu próprio livre arbítrio!
Poderíamos perguntar : Como pode o fato de AShem ter endurecido o coração do faraó fazer com que ele chegue à um verdadeiro livre arbítrio, e para que esse livre arbítrio é tão importante?
A primeira pergunta é fácil de responder
A praga fez com que o faraó ficasse intimidado e ele poderia deixar o povo de Israel sair do Egito não por causa que AShem pediu, mas por estar amedrontado
Para que isso não aconteça, AShem dá para ele uma coragem anormal para equilibrar o medo que a praga causou, e assim ele vai poder dar a própria opinião, por livre arbítrio, sem ser intimidado pela pressão da praga
Mas o que importa para nós se o faraó vai fazer teshuvá, se arrepender de nos ter escravizado, e nos deixar sair do Egito por livre e espontânea vontade? Para nós o suficiente é que ele nos deixe sair
E ainda mais, o motivo que AShem dá para Moshe de endurecer o coração do faraó é para aumentar o número de pragas para termos o que contar para os nossos filhos no futuro
Aparentemente para nós isso não seria necessário, sendo que os milagres que sucederam a saída do Egito como o “poço de Miriam que nos acompanhou durante quarenta anos no deserto provendo água para milhões de pessoas durante todo esse tempo, a comida que caiu do céu e as nuvens que nos protegeram do clima e dos perigos do deserto foram milagres muito maiores do que o granizo que caiu no Egito ou os animais selvagens que o infestaram, e aparentemente já teríamos o que contar para os nossos filhos sem precisar das pragas do Egito
E se AShem fez isso para os egípcios verem a grandeza Divina, com certeza ele teria melhores meios de mostrar sua grandeza do que por meio de pragas.
A explicação do Rav Ovadia Sforno
Rabi Ovadia Sforno foi um grande Tzadik que nasceu e viveu na Itália há 500 anos atrás
Ele nos contou que tanto a última praga, quando morreram os primogênitos do Egito, quanto o milagre de o mar ter se fechado sobre os egípcios uma semana depois, foram o castigo que eles levaram pelo que nos fizeram.
Isso é a regra Divina chamada de “midá knegued midá”, medida contra medida, colocada na prática
Vemos isso também nas palavras de Ytró que quando ouviu sobre a saída do Egito e a abertura do mar vermelho disse que “de acordo com o que eles fizeram eles receberam”
Nenhum rei consegue fazer atrocidades se não tem um povo inteiro que o apóie, e o castigo deles por terem participado do projeto do faraó foi perder os filhos na praga dos primogênitos que recaiu sobre todos os egípcios, e os que persistiram no erro e correram atrás de nós depois que já tínhamos saído morreram afogados no mar vermelho
Mas as outras pragas, diz o Rav Ovadia Sforno, não foram o castigo deles mas sim fenômenos colossais que vieram como sinais de que se eles não fizessem teshuvá o castigo iria chegar
Esses “avisos” aconteceram porque AShem não deseja a morte de uma pessoa por pior que ela seja, mas sim que ela faça Teshuvá, se arrependa das suas maldades
E até no caso dos egípcios, AShem não fechou para eles em nenhum aspecto os caminhos da Teshuvá verdadeira, e se eles fossem espertos e voltassem para AShem por amor à sua bondade e temor à sua grandeza, o castigo decretado para eles não aconteceria
Essa é a Teshuvá que chega até o “Trono Divino”, voltar para AShem por amor à sua bondade e temor à sua grandeza, ela é a que nos salva e nos dá afinidade com AShem.
Mas mesmo se eles fizessem uma Teshuvá mais simples, como escravos em relação ao dono, não por amor à sua bondade e temor à sua grandeza mas somente por temor ao castigo que poderiam receber, até isso já seria bom
E por isso, diz o Rav Ovadia Sforno, sendo que AShem deseja a Teshuvá dos malfeitores e não a sua morte, Hashem aumentou o número de pragas endurecendo o coração do faraó para que os egípcios fizessem Teshuvá vendo a expressão da grandeza e bondade Divina por meio desses fenômenos colossais atemorizadores, como está escrito “para mostrar à você a minha força”
E junto com isso a intenção Divina era para nós também vermos o que aconteceu lá e despertarmos o nosso temor.
E esse é o motivo que AShem dá para Moshe de endurecer o coração do faraó para termos o que contar aos nossos filhos no futuro
Ou seja, para nós que vimos o que aconteceu com eles contarmos aos nossos filhos que tudo isso fará AShem com uma pessoa para trazê-lo de volta ao bom caminho, e quando vemos que alguma coisa desse gênero está acontecendo conosco, temos que ser espertos e rapidamente reavaliar nosso comportamento e fazer Teshuvá para não chegar até o final como aconteceu para eles
Em resumo, se Hashem não endurecesse o coração do faraó ele sem dúvida nos deixaria sair.
Não por motivo de ter feito Teshuvá, de ter se arrependido de, mesmo consciente da grandeza e bondade Divina, ter atuado contra a vontade Divina.
Mas por motivo de não conseguir mais suportar o sofrimento da praga, e isso claro, não seria considerado uma Teshuvá
Mas se o faraó quisesse se submeter à AShem e voltar para ele por meio da Teshuvá, nada o impediria.
Ou seja, o endurecimento do seu coração não tirou dele o livre arbítrio e ele poderia optar por fazer teshuvá a qualquer momento
Hashem endureceu o coração do faraó para ele se esforçar em aguentar as pragas e não deixar nosso povo sair de lá simplesmente por causa delas, porque por meio delas os egípcios iriam reconhecer a grandeza e bondade Divina e fazer alguma teshuvá verdadeira
Aviso antes das pragas
Moshe Rabeinu avisava o faraó antes da praga chegar, mas em três casos ele não avisou com antecedência
1- Quando Aharon transformou o pó da terra do Egito em piolhos
2- Quando Moshe jogou as cinzas na frente do faraó e elas se transformaram em uma epidemia bulhosa
3- Quando Moshe inclinou sua mão aos céus e trouxe a praga da escuridão
O motivo para isso é que as nove pragas que serviram como sinais (porque a décima foi castigo) são divididas em três grupos:
1- sangue, rãns e piolhos foram sinais que aconteceram por meio dos dois elementos minerais pesados, a terra e a água
2- feras, epidemia animal e epidemia geral foram sinais que aconteceram por meio dos animais
3- granizo, gafanhotos e escuridão foram sinais que aconteceram por meio do espaço aéreo
A cada duas pragas de cada categoria Moshe avisava com antecedência e a terceira acontecia sem aviso prévio
No começo da terceira categoria de pragas que foram os sinais que aconteceram no espaço aéreo do Egito, Moshe avisa o faraó que dessa vez AShem vai mandar todas as pragas ao “coração” do faraó, da sua corte e do seu povo.
Essa expressão nos indica que as pragas das duas primeiras categorias, quando terminaram o medo passou
Mas essas, dessa próxima categoria vão deixar eles traumatizados para o resto da vida.
Cada uma dessas próximas pragas vai ficar no coração, no sentimento de cada um, o medo de cada uma delas vai continuar também depois de elas passarem
Como vemos, até aqui AShem vai revelando para eles gradativamente seu poder dentro da natureza, cada vez com mais intensidade.
Mas em relação ao sobrenatural AShem só mostrou isso para eles no mar vermelho quando se revelam coisas como o Anjo de AShem , a coluna de nuvem e a coluna de fogo, que a realidade dessas coisas era totalmente sobrenatural
Rabi Ovadia Sforno nasceu em cesena, uma cidadezinha bem pequenininha no norte da Itália, e teve que se mudar de lá por causa dos anti-semitas.
Fora o fato de ter sido um grande erudito da Torá , também estudou medicina
Morou em Roma em uma época em que ao mesmo tempo que Portugal e Espanha passavam pelo pico da inquisição em Roma não só que o Papa tinha afeto pelos judeus mas até deixou editar lá o Talmud e deu aos judeus de Roma direitos de cidadania iguais aos não judeus.
No final ele teve que deixar Roma por motivos financeiros e depois de ter morado em várias cidades da Itália mudou-se para Bologna e de lá divulgou seus conhecimentos para
todo o mundo
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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