Yom Kipur

 

Para o horário de acendimento das velas de Yom kipur, acesse ao site

https://www.myzmanim.com/search.aspx

Procure nele a opção de idioma português e digite o nome da sua cidade

O acendimento das velas só tem validade a partir do horário judaico chamado de

Plag a Min’ha”

que é uma hora e quinze minutos antes do pôr do Sol.

 

Antes do Yom Kipur costumamos pedir desculpas para todos aqueles à quem magoamos 

 

כִּֽי־בַיּ֥וֹם הַזֶּ֛ה יְכַפֵּ֥ר עֲלֵיכֶ֖ם לְטַהֵ֣ר אֶתְכֶ֑ם מִכֹּל֙ חַטֹּ֣אתֵיכֶ֔ם לִפְנֵ֥י ה’ תִּטְהָֽרוּ׃

 

Yom Kipur, o dia do Kipur

 

O que é permitido fazer e não fazer no Yom Kipur

 

As Leis de Yom Kipur são as mesmas que Shabat com exceção de cinco coisas:

No Yom Kipur é proibido comer e beber, tomar banho, passar cremes, colocar sapato de couro e ter relações conjugais.

A principal característica do idioma hebraico é a de que quando duas palavras tem a mesma “raiz” elas estão sempre ligadas ao assunto central daquela raiz.

A palavra “Kipur” compartilha a mesma raiz hebraica da palavra ‘Kaporet’ que é a cobertura da Arca da Aliança.

Essas duas palavras estão fortemente conectadas, não apenas gramaticalmente, mas principalmente espiritualmente.

A Arca da Aliança foi colocada no lugar mais sagrado do Templo, o ‘Santo dos Santos’ que era estritamente proibido de entrar, exceto pelo Sumo Sacerdote e apenas no dia mais sagrado do calendário judaico, no ‘Yom Kipur’.

A cobertura da Arca da Aliança que foi feita de ouro maciço era chamada de ‘Kaporet’ que literalmente significa “cobertura”.

O conceito de “cobertura” em hebraico clássico pode ser entendido também de forma abstrata como “cobrir nossas transgressões”, ou seja, cobrir nossas más ações.

Precisamente como o nome do dia mais sagrado do calendário judaico: “Yom Kipur”. {יום כיפור}, o dia em que Hashem (D’us) cobre as nossas transgressões.


יְכַפֵּר עֲלֵיכֶם לְטַהֵר

 

O versículo que fala sobre Yom Kipur usa duas linguagens diferentes, cobrir e purificar, nos mostrando que a Teshuvá, o arrependimento que temos pelas coisas ruins que fizemos, pode tanto  “cobrir” essas coisas ruins fazendo com que o tribunal Divino as veja como “casos encerrados” e enterrados na nossa história, ou transformá-las em Mitzvot puras e reluzentes.

Quando nos arrependemos das coisas ruins que fizemos por medo dos castigos que podemos receber como consequência delas, conseguimos “enterrar” as nossas más ações

Elas continuam lá, mas já não vamos receber o castigo “medida por medida” que deveríamos receber por elas.

E isso por causa do nosso arrependimento, mesmo tendo sido ele um arrependimento egoísta, pensando em nós próprios e não no sofrimento que causamos para D’us por tê-los feito.

Um arrependimento que tivemos não por causa do mal que fizemos, mas por causa do medo de perder dinheiro ou saúde por termos feito as coisas erradas, ou até por medo do gehinon que é o inferno judaico limitado para doze meses, mas no qual uma hora é comparada a 70 anos dos maiores sofrimentos nesse mundo.

E tudo isso está ligado à linguagem “cobrir” do versículo. Nossas más ações continuam lá, mas apenas mudaram de Status. Nosso arrependimento as transformou de intencionais para não intencionais.

O que fizemos de propósito foi transformado pelo nosso arrependimento em algo que fizemos sem querer.

Mas quando nosso arrependimento é causado pelo remorso que sentimos por termos causado para D’us todo o sofrimento que causamos lá em cima quando nos comportamos errado, nesse caso nossas transgressões se tornam o motivo da nossa Teshuvá.

E no lugar de se tornarem “transgressões cobertas” devido ao nosso arrependimento e recebendo por meio dele o Status de “feitas sem querer”, elas  se tornam parte do mandamento Divino da Teshuvá. Elas se transformam em Mitzvá, e aí recai sobre elas a segunda linguagem do versículo: ”Purificar”.

E sendo que no Yom kipur acontece a revelação do nível mais elevado da nossa Alma, o nível chamado de Ye’hidá” que é o único nível da nossa Alma que não tem lado impuro paralelo à ele, nesse dia temos a facilidade de transformar nossas transgressões em Mitzvót.

 

 

Cada um de nós é um Cohen Gadol

 

Na época do Beit Hamikdash, do Templo Sagrado de Jerusalém, o dia de Yom Kipur consistia em um ritual oficiado pelo Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote.

No dia mais sagrado do ano, o Cohen Gadol, que era homem mais santo do nosso povo, entrava no Kodesh a Kodashim que era o lugar mais sagrado do Beit a Mikdash, do Templo Sagrado de Jerusalém, e os pecados do nosso povo eram limpos por meio desse ritual.

Com a destruição do Segundo Beit a Mikdash e o exílio do nosso povo, a vida judaica mudou e com ela o Yom Kipur.

Já não existia um Beit a Mikdash e nem um Cohen Gadol.

Não haviam mais nem os sacrifícios e nem o bode expiatório que serviam para limpar os pecados do povo de Israel.

Quando o Primeiro Beit a Mikdash foi destruído pelos babilônios, durante 70 anos não tínhamos nem o Beit a Mikdash e nem o Cohen Gadol.

Mas nossos profetas, especialmente o profeta Yermiahu (Jeremias) tinham dado esperança ao nosso povo.

O profeta Yermiahu não só profetizou a destruição, mas profetizou também o nosso retorno à Terra de Santa depois de 70 anos.

Mas quando o Segundo Beit a Mikdash (o Segundo Templo) foi destruído, não havia nenhuma profecia de que seria reconstruído em breve, como no caso do primeiro Beit a Mikdash.

A derrota da revolta de Bar Ko’hva confirmou a profundidade da crise.

O Povo Judeu novamente entrou no exílio e dessa vez sem nenhuma garantia de um breve retorno.

O que seria do dia mais sagrado do ano judaico sem Beit a Mikdash e sem Cohen Gadol?

No meio dessa crise profunda, o grande Sábio do nosso povo, Rabi Akiva, nos ensinou que, na ausência do Beit a Mikdash e do Cohen Gadol, não sobrou para nós nenhuma opção a não ser a de nos dirigirmos diretamente à D’us com muito amor e carinho.

E através de uma combinação de Teshuvá que é o nosso retorno à conduta certa, por meio das nossas rezas e das nossas boas ações, conseguimos fazer a limpeza, purificação e retificação de todas as nossas transgressões.

Cada Sinagoga se transformaria em um pequeno Beit a Mikdash e cada um e uma de nós em um pequeno Cohen Gadol.

Nossas rezas substituem os sacrifícios e os serviços realizados em Yom Kipur quando o Beit a Mikdash existia.

Essa responsabilidade religiosa assumida por cada um de nós afetou e transformou nosso povo de maneira extraordinária.

Na antiguidade, nosso povo era retratado como um povo infiel e rebelde, que praticava a idolatria e violava os mandamentos da Torá sempre levando grandes advertências dos profetas.

Depois da destruição do segundo Beit a Mikdash, quando fomos expulsos da Terra Santa, nos tornamos o povo mais fiel de todos os povos.

Nos tornamos a única nação a manter sua identidade religiosa durante dois milênios.

Apesar das grandes adversidades, apesar dos incentivos para abandonar o judaísmo, da perseguição e do sofrimento que suportamos, resistimos à assimilação e nos recusamos a se converter a outras religiões.

Nós, que na antiguidade cometemos idolatria e renegamos a Torá, na inquisição fizemos o contrário.

Demos preferência a tortura e a morte para não trair D’us e renunciarmos ao judaísmo e à nossa identidade judaica.

Como isso aconteceu? Como o Povo Judeu transformou a tragédia espiritual em triunfo?

Aconteceu porque na ausência de um Beit a Mikdash e de um Cohen Gadol, a responsabilidade por se comunicar intimamente com D’us e alcançar a purificação dos pecados, recaiu sobre cada um de nós.

 

Yom Kipur em nossos dias

 

Na ausência do Beit Hamikdash e do Cohen Gadol, no dia de Yom Kipur todas as sinagogas se tornam um Mikdash Me’at, um pequeno Santuário, e cada um de nós deve assumir a missão do Cohen Gadol.

Na época do Beit a Mikdash, em Yom Kipur, as pessoas apenas observavam, enquanto o Cohen Gadol, o Sumo Sacerdote, desempenhava um serviço físico extremamente pesado.

Hoje em dia, na ausência do Templo e do Cohen Gadol, não podemos ficar em casa, dormir ou ir à sinagoga e apenas apreciar os serviços religiosos.

Nós, também, precisamos realizar um trabalho que exija muito de nós, fisicamente, emocionalmente e espiritualmente.

Apesar da fome e do cansaço, temos que dar o melhor de nós e rezar tanto, tão bem e com tanta sinceridade quanto possível, para obter a purificação das nossas transgressões e a desculpa para o nosso povo. A purificação de todas as nossas transgressões.

No Yom Kipur, cada um de nós, mesmo que não seja Cohen, deve desempenhar a missão do Cohen Gadol, levando em seus ombros o destino e o bem-estar do Povo de Israel.

E esse é um dos motivos de nos vestirmos de branco em Yom Kipur, por ser uma lembrança às roupas brancas do Cohen Gadol usadas antes de ele entrar no Kodesh a Kodashim, na parte mais sagrada do Beit a Mikdash.

Se você não tem essa roupa branca que chamamos de “kitel”, é o suficiente vestir uma camisa branca e colocar o Talit encima dela. Mulheres não precisam nem do “Kitel” e nem do Talit.

Durante os Dez Dias de Teshuvá, que se iniciam em Rosh a Shaná e terminam em Yom Kipur, chamamos D’us de Avinu Malkenu que quer dizer nosso Pai, nosso Rei.

Durante esses dias, D’us atua tanto como um monarca que julga seus súditos quanto como um pai que desculpa e abraça seus filhos com muito amor e carinho.

Em Yom Kipur, que é o auge do período mais sagrado do nosso calendário, cada um de nós também assume dois papéis:

1- O de Sumo Sacerdote que é um líder espiritual, que destemidamente se aproxima do Rei para defender e interceder por seu povo

2- O de filho, que volta a casa para visitar seu Pai e sua família.

Em Yom Kipur, quando um judeu volta para Casa, para seu Pai Celestial, para sua verdadeira identidade, para sua fé e a seu povo, ele se lembra quem ele é e o que deve fazer em sua vida.

O tema universal de Yom Kipur é que se o ser humano optar por transcender suas aparentes limitações, não haverá limite para sua ascensão.

Rabi Akiva, o grande Sábio de Israel, foi aquele que democratizou a santidade judaica

Seu pai se converteu ao judaísmo, ele próprio só retornou ao judaísmo aos 40 anos de idade e com tudo isso se tornou o maior Mestre do Talmud e o responsável por ter salvo a Torá do esquecimento.

Rabi Akiva atingiu um nível espiritual jamais atingido por qualquer Cohen Gadol. Rabi Akiva foi condenado a morte pelos romanos. Morreu em meio de grandes torturas em um grande “Kidush Ashem”, santificação do nome de D’us, no dia de Yom Kipur, o dia mais sagrado do ano.

As lições de Yom Kipur são eternas e se aplicam em todos os lugares, em todas as gerações e à vida de cada um de nós.

 

 

Yom Kipur, o dia no qual D’us nos limpa das coisas ruins que fizemos, é o dia mais sagrado no calendário judaico, o dia em que o Povo Judeu volta para casa.

Trata-se de um dia de jejum, introspecção e autoanálise, durante o qual confessamos nossos pecados e rezamos por um ano bom e doce.

O poder do Yom Kipur sobre o Povo Judeu sempre foi imenso.

Nesse dia, as sinagogas ficam mais cheias do que em qualquer outro dia do ano e o ambiente nelas é solene e majestoso.

E como se cada um de nós tivesse uma audiência particular com D’us. Por um lado, Yom Kipur é um dia de julgamento, por outro, como ensina a Guemará, é o dia mais alegre do ano, um dia de anistia Divina e proximidade com D’us.

Yom Kipur, o último dos dez Dias de Arrependimento, que se iniciam em Rosh a Shaná, é o mais propício do ano para sermos perdoados pelos pecados cometidos contra o Todo Poderoso e contra nossa própria Alma.

Yom Kipur exige muito de nós,  física, emocional e espiritualmente.

Além de jejuar, passamos praticamente o dia todo rezando.

Nesse dia, não podemos comer nem beber, usar sapatos de couro, tomar banho, usar loções, cremes ou perfumes nem manter relações conjugais.

No Dia do Perdão devemos transcender o mundo físico e suas limitações. Devemos nos comportar como Anjos, mesmo passando o dia admitindo nossas falhas e nossas fraquezas.

Yom Kipur é um dia de lágrimas e de alegria, Lamentamos nossos erros e celebramos a infinita bondade Divina.

Essa é umas das ideias mais belas e importantes que o judaísmo ensinou ao mundo: a de que D’us perdoa. Yom Kipur é o dia do perdão supremo.

 

כָּל נִדְרֵי Kol Nidrei

 

O Dia do Perdão se inicia com o famoso ritual do Kol Nidrei, a “anulação dos votos”, lido ao pôr-do-sol, antes da reza da noite.

Essa declaração introduz solenemente o dia mais sagrado do ano, dando o tom para Yom Kipur.

Kol Nidrei significa “todos os votos”. As palavras lidas não constituem uma reza nem uma súplica, mas uma simples fórmula legal de anulação prévia de quaisquer votos, juramentos ou promessas que possamos vir a fazer a D’us no ano vindouro.

Muitos de nós às vezes fazem declarações ou outras coisas que são considerados “votos” pela Torá.

Por não percebermos que, de fato, fizeramos um voto, e sem prestar a atenção para a gravidade do não cumprimento do que prometeramos, podemos acabar fazendo uma transgressão.

O objetivo do Kol Nidrei é tornar nulos e sem efeito de forma retroativa, qualquer voto ou promessa feita entre nós e D’us.

A anulação dos votos é um ritual importante na Lei Judaica, mas mesmo assim se trata de um mandamento técnico.

Por que abre o dia mais sagrado do ano? Por que a música que arrebata o coração? E por que nos emociona e nos instila um respeito que derrete a alma?

A resposta está no mais profundo significado de Kol Nidrei.

Seu propósito não é apenas anular votos, proibições e juramentos sobre o que faremos no ano que está entrando, mas também sobre quem somos.

No decorrer do ano,  podemos jurar que verdadeiramente conhecemos a nós próprios, termos certeza de quem somos e do que queremos e não queremos.

Quando chega Yom Kipur,  vamos para a sinagoga e um novo “Eu” emerge, ao menos por um dia.

Ao perceber que estamos diante do Infinito, quando nossa Alma é acesa pela santidade do dia e transportada ao Alto pela melodia de Kol Nidrei, percebemos que, de fato, não nos conhecíamos tão profundamente.

Repentinamente entendemos que tínhamos jurado ser alguém que na verdade não éramos, tínhamos prometido  fazer coisas que não são dignas de fazermos, tínhamos rejeitado e proibido para nós próprios coisas que devíamos ter abraçado.

Em Yom Kipur, o judeu pode ter uma visão do Mundo da Verdade. Ele percebe, ainda que por um único dia, o real significado da vida! Que o que sua essência realmente deseja é retornar à sua origem, para fazer parte da unicidade de D’us.

Quando um judeu está na sinagoga na véspera de Yom Kipur e ouve a melodia de Kol Nidrei, ele sente emergir uma nova identidade, uma identidade que ele pode ter ocultado, inclusive de si mesmo, durante todos os dias do ano que terminou.

Assim sendo, ele proclama: “Nidrana lo nidrei”: “Meus votos não são votos”; “V’essarana lo essarei”: “E minhas proibições não são proibições”; “Ush’vuatana lo shevuot”: “E meus juramentos não são juramentos”.

Kol Nidrei toca o coração de todos os judeus, fazendo-os tremer, pois essa oração liberta sua alma das ilusões de um mundo que desafia e confunde a Alma judia e oculta seu Divino Criador.

Kol Nidrei é a abertura mais adequada para Yom Kipur, o dia no qual os judeus voltam para seu verdadeiro “Eu” e se recordam, ao menos por um dia, que sua verdadeira identidade é uma Alma que arde sedenta da Luz Infinita.

Há outra razão para o Kol Nidrei anunciar o dia mais sagrado para os judeus, o fato de seu tema ser o mesmo que o de Yom Kipur,  o retorno do judeu a seu verdadeiro lar.

Acredita-se que essa oração se tenha originado quando os judeus espanhóis estavam sendo forçados a renunciar à sua fé e a se converterem.

Muitos deles optaram por publicamente abandonar o judaísmo em vez de enfrentar a tortura e a morte, mas permaneceram judeus em segredo.

Em Yom Kipur, Dia do Perdão, eles se reuniam e rezavam para ter o seu voto de conversão à idolatria anulado.

Isso explica por que se faz uma declaração imediatamente antes do início da recitação do Kol Nidrei, em que se dá permissão “pela autoridade da Corte Celestial e da Corte Terrestre” para que os “transgressores” unam-se à congregação em oração.

Isso era lido para anular a ordem de excomunhão dos judeus que, durante o ano, tivessem abandonado o judaísmo.

Assim sendo, Kol Nidrei é a abertura dos portões da inclusão judaica, que permite que retornem à Casa todos aqueles que se afastaram de D’us, da Torá e do Povo Judeu.

Retornar à Casa, à D’us, à Torá, ao Povo de Israel, é o tema principal do Dia do Perdão.

A palavra hebraica Teshuvá, literalmente, a palavra significa “retorno”. Teshuvá não é um simples lamento por nossos erros e pecados, mas uma reconstituição de nossos passos de volta à Casa.

Nossas transgressões significam “deslocamento”  do lado bom para o lado ruim, e a  consequência de cruzar fronteiras do lado bom para o lado ruim é o exílio.

Adão e Eva foram exilados do Jardim do Éden, o Povo Judeu foi exilado de sua Terra.

Uma transgressão é um ato que está fora de lugar, deslocado, e que transgride fronteiras estabelecidas.

A característica mais marcante da transgressão é o sentir-se perdido, alheio a D’us, não conhecendo seu próprio lugar na Terra e sentindo-se espiritualmente confuso.

Teshuvá significa encontrar seu caminho de volta a Casa. Significa voltar às suas origens, ao lugar onde realmente pertencemos.

Em Yom Kipur, as sinagogas ficam repletas de judeus que raramente aparecem.

Durante o ano, ainda que de forma menos dramática do que a de seus antepassados medievais, eles se comportaram como judeus ocultos .

É possível que tenham se esquecido de D’us, de seu judaísmo e de sua identidade judaica; eles podem ter usado máscaras e portado outras identidades.

Mas Yom Kipur lhes dá a oportunidade de redescobrir quem de fato são e encontrar seu caminho de volta a Casa.

Essa é uma das razões para o Kol Nidrei ser a abertura do dia mais solene do ano. Isso porque nesse dia mais santificado do ano, aqui na Terra proclamamos, e os Céus fazem o eco da nossa proclamação, que todos os judeus, mesmo os mais sérios transgressores, mesmo aqueles que se afastaram muito do caminho do judaísmo, são bem vindos de volta a Casa.

Após ter feito tal declaração, que nos une como se fôssemos uma única pessoa, nossas Almas são elevadas pela música do Kol Nidrei, que proclama em nome de cada um de nós: é isto o que verdadeiramente sou e é a este lugar que pertenço: entre meu povo, devotado ao judaísmo e na presença de meu D’us.

E se durante o próximo ano, se novamente eu me deixar levar pela desatenção e pela dúvida, desde já anulo todos os meus votos, proibições e juramentos que mascarem minha verdadeira identidade e me desviem para o mau caminho.

Kol Nidrei nos ensina que Yom Kipur é muito mais do que um dia de jejum e oração, no qual somos perdoados pelos pecados que cometemos contra D’us.

É uma oportunidade para o autoconhecimento.

Yom Kipur é o dia em que mais sentimos que nosso Pai Celestial, que constantemente anseia por nós, está intimando-nos a voltar a Casa.

 

🌻🌻🌻🌻🌻🌻

INTRODUÇÃO AO VIDUI

por Rabino Efraim Birbojm

Yom Kipur, o “Dia do Perdão”, é um dos dias mais sagrados para o povo judeu.

Espiritualmente, representa o dia em que D’us está mais propício a aceitar o nosso arrependimento e a nos perdoar, pois foi justamente neste dia que Ele perdoou o povo judeu pelo terrível pecado do bezerro de ouro.

É um dia de rezas e jejum e, pelo fato de estarmos neste dia afastados de todos os prazeres materiais, nos elevamos e nos assemelhamos aos anjos. O Talmud (Taanit 26b) afirma que Yom Kipur, por este aspecto de limpeza e purificação, é um dos dias mais alegres do ano para o povo judeu.

Porém, o serviço de Yom Kipur não se resume a apenas dizer palavras que não entendemos, sem Kavaná (intenção) e concentração, enquanto pensamos no trabalho da faculdade ou no projeto do escritório.

O coração é a parte do corpo que está mais suscetível às más inclinações e, portanto, é exatamente onde temos que trabalhar para que possamos realmente nos tornar pessoas melhores.

Yom Kipur é um dia de Teshuvá (retorno ao caminho correto). Como ensinam nossos sábios, a Teshuvá é composta por três partes: o arrependimento sincero, o Vidui (confissão) e o comprometimento a não voltarmos a errar.

Entendemos o arrependimento e o comprometimento de não voltar a errar, mas para que serve o Vidui? Se D’us já conhece todas as nossas transgressões, por que é necessário confessá-las em Yom Kipur?

A resposta é que o ser humano tem a tendência de pensar que nunca comete erros.

É difícil assumirmos nossas falhas, pois isso fere a nossa autoestima. Preferimos tentar sempre justificar nossos erros ou colocar a culpa nos outros, até mesmo de forma subconsciente. Com isso, podemos viver uma vida inteira da maneira equivocada sem nos dar conta.

É por isso que o Vidui (confissão) é tão importante no processo de Teshuvá. O Vidui nos ajuda a abrirmos o nosso coração, em uma reflexão verdadeira e sincera sobre nossos erros com D’us e com o próximo.

É o momento da pessoa ser honesta com D’us e, principalmente, consigo mesma. O Vidui nos ajuda a despertar do nosso “sono” espiritual e a quebrar a nossa insensibilidade e o nosso orgulho.

Além disso, a fala transforma ideias e emoções em coisas mais reais e palpáveis, nos ajudando a encarar nossos desafios. Ao confessar os erros que nos desviaram do nosso objetivo, nós estamos dando um importante passo para redirecionar nossas vidas.

A possibilidade dos nossos erros serem apagados como se nunca tivéssemos transgredido é um grande milagre e uma grande bondade de D’us.

Quando Ele vê que realmente queremos voltar aos caminhos corretos, Ele remove as impurezas dos nossos corações e nos ajuda a voltar. Apesar das portas da Teshuvá nunca se fecharem, em Yom Kipur elas estão completamente abertas.

Portanto, Yom Kipur é um presente de D’us, pois é o dia em que podemos dizer para D’us “Sim, erramos, assumimos, mas queremos e podemos mudar”. Em Sua misericórdia, D’us nos responde: “Todo aquele que vem se purificar, o purificam Min Hashamaim (do Céu)”.

Que possamos aproveitar este presente para purificarmos nossos corações.

Rabino Efraim Birbojm 

Diretor – Shaarei Biná Brasil

Acesse ao link abaixo para baixar e imprimir o Vidui antes do Yom Kipur

https://1drv.ms/w/s!Aq-RCsi2dwMepXO3I8Y0tubqjeuf

 

 

As melhores dicas de rabinos de Israel para ter um “jejum quase sem sede e sem fome”

Para você sobreviver ao Yom Kipur e passar o jejum com segurança e facilidade.

 

No dia da véspera de kipur (hoje) desde manhã até o início do jejum, você deve beber água a cada hora ou mais, porque é assim  que o corpo recebe líquidos dosados e absorve / hidrata até atingir o estado de saturação.

Se você beber ao longo  do dia, não há necessidade de beber uma quantidade maior antes do jejum.

Antes da última refeição antes do jejum, é importante comer uma 

*colher de mel* porque o mel faz com que os líquidos do corpo sejam preservados e não excretados rapidamente, para que até a tarde  do dia seguinte, você não sinta muita sede.

No último drink após a refeição antes do jejum , tome uma bebida amarga, como um chá forte ou amargo ou pouca  cerveja branca. 

Porque terminando a refeição com uma bebida amarga, a sede é saciada, e durante a noite você não sentirá sede .

O rabino Weisel acrescenta uma dica e observação:

Beber muito logo após a refeição, e minutos antes do início do jejum , por falta de tempo – é quase ineficaz, causa rápida digestão e perda dos componentes alimentares e minerais essenciais para o corpo. Isso faz que sejam excretados  em pouco tempo e é uma pena. 

Para reduzir pelo menos as possibilidades, é desejável planejar com antecedência terminar de comer uma hora antes do jejum e não beber *logo  depois de comer* por cerca de vinte minutos a meia hora, como alerta o Rambam.

Você deve planejar deixar  tempo  suficiente antes do jejum para poder beber lentamente, com calma, começando cerca de meia hora depois de comer.

Assim você se hidratará com  mais eficácia.

Com relação aos *tipos dos  alimentos da refeição final* antes o jejum o Rabino Weisel escreve :

Além da comida habitual, seria  recomendável comer *bastante cenoura*, também pode ser cozida.

A cenoura demora para ser digerida ,e dá sensação de satisfação ,assim você  não sente fome.

Comer de 5 a 8 amêndoas antes do jejum também dá uma sensação de saciedade, até serem digeridas já passará o jejum .

(Se você puder mergulhá-los em água quente na noite anterior e retirar a pele marrom, ótimo).

Rabinos Sefaradim recomendam que você deve se munir de folhas de hortelã, arruda, alecrim, canela e cravo da índia, falar a Brahá Borê Minei Bessamim antes da reza e cheirar essas folhas cada vez que você sentir sede, fome ou uma levíssima tontura. Uma respiração forte em cada narina irá acalmá-lo imediatamente. Para tontura você pode também agarrar com força a pele acima do nariz, entre os olhos, pressionar por alguns segundos, e a tontura vai passar.

Yamim Noraim nas Sefirót

 

 

Os Dez Dias de Teshuvá que estamos vivenciando agora são dez dias feitos especialmente para nos aproximarmos de D’us, são conhecidos como “Yamim Noraim”, “Os Dias Temíveis”.

Eles se iniciaram em Rosh a Shaná e vão terminar no final do Yom Kipur, esses dias são um período de extrema importância no ciclo do ano judaico.

A Guemará nos conta que durante esses dez dias, D’us julga o destino do mundo inteiro.

Julga cada um de nós individualmente e todos nós coletivamente.

Nesses dias D’us determina o destino do mundo para o ano inteiro que apenas começou.

Por isso, nosso comportamento durante os Yamim Noraim é muito importante .

Não é coincidência o fato de esse período consistir de dez dias, porque esse número tem um significado profundo no Judaísmo.

D’us criou o mundo por meio de Dez Expressões, que se sincronizam com os Dez Mandamentos que são a raíz das 613 Mitzvót da Torá.

No lado oculto da Torá representado pela Hassidut e pela Kabalá, aprendemos que D’us cria e mantém o mundo existindo a cada instante por meio de dez emanações diferentes conhecidas como as Dez Sefirot.

Essas emanações Divinas constituem a interface mediante a qual D’us Infinito se relaciona com Sua Criação finita .

As Dez Sefirót correspondem às Dez Expressões pelas quais D’us criou o Universo e continua criando a cada instante.

Ou seja, se D’us para de “falar” essas “palavras” o mundo desaparece retroativamente e sem deixar vestígios, como se nunca tivesse existido antes.

As Dez Sefirót são divididas em duas categorias: as intelectuais e as emocionais.

As três primeiras são as Sefirot intelectuais que são a Ho’hmá (Sabedoria), Biná (Compreensão) e Da’at (conscientização).

As sete Sefirót emocionais são a Hessed (Bondade), Guevurá (Força), Tiferet (Harmonia), Netza’h (Vitória), Hod (Esplendor), Yessod (Fundamento) e Mal’hut (Soberania).

Há uma 11ª Sefirá, chamada de Keter (Coroa), que fica acima das outras dez.

Mesmo assim as Dez Sefirót são Dez e não onze porque quando a Kéter se revela a Daat se oculta e vice-versa.

O Ari a Kadosh nos conta que os Dez Dias de Teshuvá são associados com todas as 11 Sefirot, inclusive a Keter e a Da’at simultaneamente, sem que uma precise se ocultar quando a outra se revela.

Cada um dos Dez Dias de Teshuvá é associado com uma Sefirá diferente, começando com a Keter.

Mas Yom Kipur, que é um dia tão especial no ciclo do ano judaico, é associado com as duas últimas Sefirót, a Yessod e a Mal’hut.

Na Árvore da Vida que é o conjunto das Dez Sefirót, a Kéter é a primeira Sefirá.

Kéter representa a “Vontade Divina”, e o lado interno da Kéter e o “Desejo Divino” de criar o universo.

Essa Sefirá atua como a origem de todas as forças criativas. A Kéter ocupa uma posição singular como “intermediária” entre o Infinito (Ein Sof) e o finito.

Representa o ponto de transição onde o potencial ilimitado de D’us começa a se expressar.

A Sefirá de Kéter é simbolizada pela coroa que se encontra acima da cabeça.

Ao mesmo tempo ela está conectada ao corpo que é representado pelas Dez Sefirot, e ao mesmo tempo ela não faz parte dele.

A Kéter se revela no primeiro dia de Rosh a Shaná porque ela representa a “Vontade Divina”, o potencial para novos começos, refletindo o significado de Rosh a Shaná como o início do ano judaico.

Em cada Rosh a Shaná se revela o ato original da Criação Divina: ano após ano, nessa data, D’us decide se renovará o mundo para um novo ano de existência.

Por isso, o primeiro dia de Rosh a Shaná é profundamente conectado com a Sefirá de Kéter, simbolizando a “Vontade Divina” de que o mundo exista.

Em Rosh a Shaná, a missão do Povo Judeu é reafirmar a soberania Divina coroando D’us como Rei, confirmando Sua autoridade suprema e Seu contínuo papel na sustentação do Universo.

Fazendo assim asseguramos que D’us renove Seu compromisso com a Criação para o ano que entrou.

O potencial do ano inteiro está contido em Rosh a Shaná, particularmente em seu primeiro dia, fazendo com que seja o dia mais influente do ano, com o poder de influenciar todos os demais.

Outra clara conexão entre a Sefirá de Kéter e Rosh a Shaná se expressa por meio do principal mandamento dessa data: ouvir o toque do Shofar, que simboliza a coroação de D’us como Rei e nossa aceitação de Sua soberania, e esse é o tema principal nas rezas de Rosh Hashaná, o nosso reconhecimento de que D’us é o Rei do Universo.

A Sefirá de Kéter precede todas as demais Sefirot, porque representa o desejo e a vontade.

Por isso, nossos desejos e vontades que são manifestações de Keter da nossa Alma Divina e também da nossa alma animal, dão origem a nossos pensamentos e emoções, que acabam se traduzindo em palavras e atos.

Sendo assim, o primeiro dia de Rosh Hashaná é um momento para reflexão em relação à nossa vida e nossos planos para o ano que se inicia.

É o melhor dia do ano para se decidir que tipo de mundo queremos criar para nós mesmos.

Em Rosh a Shaná, utilizar a Sefirá de Keter da nossa Alma de forma adequada significa alinhar-nos com a Vontade Divina e traçar objetivos que contribuam para a contínua renovação e melhora de nós mesmos e do mundo.

Rosh a Shaná é uma festa religiosa de dois dias, tanto na Diáspora como na Terra de Israel.

O Ari a Kadosh nos conta que a Ho’hmá é a Sefirá predominante no segundo dia de Rosh Hashaná.

Traduzida como “Sabedoria”, Ho’hmá é a segunda Sefirá na Árvore da Vida que representa o conjunto das dez Sefirót, localizada à direita, no topo.

Sendo que esse esquema das Sefirót chamado de árvore da vida é uma árvore de cabeça para baixo, a Ho’hmá faz parte das três raízes, e ela é representada pela raíz que se encontra no lado direito.

Ho’hmá constitui o início do processo intelectual, no qual as ideias são concebidas em seu estado bruto, sem forma.

Essa Sefirá é associada à criatividade, originalidade, inspiração e capacidade de ver as coisas de forma diferente.

A Ho’hmá é o canal pelo qual a Sabedoria Divina flui para o mundo.

É o ponto inicial onde a Infinita Luz Divina começa a assumir forma, representando a Sabedoria Divina transmitida por meio da Torá.

A Guemará nos ensina que sabedoria significa a capacidade de avaliar adequadamente as consequências dos nossos atos.

No segundo dia de Rosh a Shaná, nos consentramos na sabedoria que guia nossa vida.

A Ho’hmá é a sabedoria necessária para fazer as escolhas certas e realizar esses objetivos. Intenções nobres precisam ser acompanhadas por sabedoria a fim de que os resultados sejam positivos. Isto porque, sem a capacidade de escolher com sabedoria e prever as consequências de nossos atos, até as melhores intenções podem nos levar a resultados negativos.

Ao integrar os atributos de Keter e Ho’hmá durante os dois dias de Rosh a Shaná, podemos fincar uma base forte e inspiradora para o ano que nos espera, assegurando que nossas aspirações estejam fundamentadas em sabedoria e visão.

Rabi Yitzhak Luria, o Ari a Kadosh, nos ensinou que o terceiro dia dos dez dias de Teshuvá é associado à Sefirá de Biná, traduzida por “Compreensão”.

Situada do lado esquerdo da Árvore da Vida, Biná fica diretamente oposta à Ho’hmá.

Lembrando que esse esquema é uma árvore de cabeça para baixo e a Biná é a raíz da esquerda.

Enquanto a Ho’hmá representa o clarão inicial de ideias puras e disformes, associadas à inspiração, criatividade e originalidade, Biná é a Sefirá que processa ideias, transformando-as em conceitos estruturados.

Biná categoriza, define e formata ideias. Essa Sefirá envolve análise lógica e a capacidade de diferenciar e criar ordem a partir do caos inicial das ideias e pensamentos disformes.

Em um nível pessoal, Biná nos leva a uma reflexão profunda, uma análise ponderada e à capacidade de nos autoconhecermos.

Desempenhando um papel fundamental no estudo da Torá, representa a compreensão necessária para analisar textos e entender suas complexidades, especialmente as discussões talmúdicas.

No terceiro dia dos Yamim Noraim, nos concentramos na Sefirá de Biná, refletindo sobre as lições que aprendemos no ano que acabou de transcorrer.

Essa reflexão requer que desenvolvamos um plano específico e bem elaborado para o futuro.

Biná assegura que a sabedoria que adquirimos não seja meramente teórica, mas que possa ser aplicada de forma prática para aperfeiçoar nossas ações e decisões.

Enquanto Ho’hmá provê a visão geral do que queremos alcançar, Biná nos possibilita mapear os passos necessários para realizar nossos objetivos.

Com o fortalecimento de nosso atributo de Biná, podemos transformar a inspiração gerada por Ho’hmá em um caminho claro à nossa frente, assegurando que nossas aspirações sejam avaliadas por uma análise criteriosa.

A Sefirá de Biná é essencial para o crescimento intelectual e o desenvolvimento espiritual, e nos ajuda a receber o novo ano com clareza e propósito.

Da’at, traduzida como “conscientização”, é a terceira Sefirá intelectual na Árvore da Vida, a raíz do meio.

Às vezes é incluída entre as dez Sefirot, e outras vezes é excluída em favor de Keter.

Da’at representa a síntese e internalização de Ho’hmá (Sabedoria) e Biná (Compreensão).

Enquanto Ho’hmá fornece a ideia inicial e Biná a desenvolve em um conceito estruturado, é em Da’at que esse conhecimento é internalizado, transformando a compreensão intelectual em uma experiência vívida.

Da’at é o conhecimento “consciente” ou “aplicado”. Por exemplo, é por meio da Sefirá de Da’at que uma discussão talmúdica se transforma em Lei Judaica.

Da’at representa a integração e aplicação do conhecimento, transformando a compreensão intelectual em sabedoria prática.

Além disso, por ser a última Sefirá intelectual, Da’at conecta Ho’hmá e Biná com os atributos emocionais (as sete Sefirot de baixo, criando uma ponte entre intelecto e emoção.

De acordo com o Ari a Kadosh, a Sefirá de Da’at predomina no quarto dia dos Dez Dias de Teshuvá.

Assim sendo, esse dia é o momento ideal para transformar inspiração e discernimento em mudanças comportamentais.

As reflexões adquiridas com a sabedoria inicial de Ho’hmá e a compreensão analítica de Biná são internalizadas através de Da’at, permitindo que nos aproximemos de D’us de uma maneira mais significativa.

Ao integrar as qualidades de Da’at em nossa vida, podemos transformar nossas auto análises em planos práticos, assegurando que nossos empenhos estejam baseados em sabedoria e inteligência.

Essa síntese de conhecimentos nos permite chegar ao novo ano com clareza, propósito e uma renovada conexão com D’us.

Hessed, traduzida como “Bondade”, é a primeira Sefirá emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado direito, abaixo de Ho’hmá.

Hessed é a doação incondicional, bondade ilimitada e um total altruísmo, independente dos méritos de quem a iria receber.

Essa Sefirá incorpora o impulso de dar sem esperar nada em troca, refletindo o fluxo infinito e irrestrito de bondade Divina.

Hessed enfatiza a importância da generosidade e disposição em ajudar os outros, espelhando o atributo Divino de doação infinita.

Em termos práticos, Hessed incentiva atos de bondade e amor. Envolve oferecer-se a ajudar os outros, impactando positivamente o mundo e sendo aberto e receptivo aos outros.

Durante os Dez Dias de Teshuvá, buscamos o perdão Divino às nossas transgressões, confiando que, em Sua bondade, D’us nos perdoe.

Quando buscamos a bondade Divina, a Torá nos ordena despertar o Hessed Divino demonstrando generosidade com os outros.

Assim sendo, nossos Sábios nos ensinam a aumentar significativamente nossas ações de Tzedaká (donativos) e Guemilut Hassadim (atos de bondade) durante esse período.

O quinto dia dos Yamim Noraim é associado com a Sefirá de Hessed.

Nesse dia devemos principalmente refletir sobre o Atributo de Bondade existente em nós mesmos, empenhando-nos em ser mais abertos, demonstrando mais amor e praticando generosidade com os outros.

Essa reflexão deve ir além das intenções gerais, fazendo com que possamos identificar áreas específicas onde possamos doar mais de nós mesmos.

A Sefirá de Hessed nos ensina que todos os seres humanos, independentemente das circunstâncias, têm algo a dar, e têm a capacidade de ajudar os demais

O 6º Dia é a Guevurá, traduzida como “Força” ou “Severidade”, é a segunda Sefirá emocional. Localiza-se no lado esquerdo da Árvore da Vida, diretamente oposta à hessed.

Também chamada de Din (Julgamento ou Lei), é o oposto de hessed.

Enquanto a Hessed representa expansão e uma ilimitada generosidade, a Guevurá personifica restrição, disciplina e julgamento.

Essas duas forças são contraditórias: hessed representa a doação livre e espontânea, enquanto Guevurá impõe limites, aplicando leis e assegurando a justiça.

Diferentemente de hessed, que é aberta e expansiva, Guevurá é fechada e restritiva.

Essa Sefirá é o sinônimo de disciplina, controle e a capacidade de fazer distinções e aplicar limites.

Pode ser associada também à coragem, justiça e força interior, manifestando-se, também, como reverência ou temor.

O equilíbrio entre hessed e Guevurá é crucial para criar harmonia e ordem. Sem Guevurá, a sociedade seria caótica e sem lei.

Por outro lado, uma sociedade governada apenas por Guevurá e despida de hessed seria cruel e  egoísta .

Quando as pessoas expressam a Sefirá de Guevurá com sabedoria e retidão, elas agem com justiça, ética, integridade e força interior.

Guevurá é essencial para manter a ordem e a disciplina.

De modo espiritual, essa Sefirá promove o desenvolvimento da resiliência interna e de uma vida segundo a lei e a justiça, assegurando que nossas ações sejam corretas e justas.

Durante os Dez Dias de Teshuvá que é um período de intensa reflexão e arrependimento pelos erros cometidos, a Guevurá desempenha um papel fundamental na autotransformação, incentivando um rigoroso autoexame e um julgamento honesto  de nossas ações e nosso comportamento.

A Guevurá também ajuda as pessoas a desenvolverem a força para controlar seus impulsos e desejos que é um fator essencial para uma mudança duradoura e um crescimento espiritual.

No 6º dia dos Yamim Noraim, associado à Guevurá, devemos refletir sobre as áreas de nosso comportamento em que necessitamos mais disciplina.

Devemos otimizar nossa força interior para fazer melhores escolhas, praticar o comedimento e estabelecer limites que nos permitam resistir a tentações.

O 7º Dia é Tiferet (Harmonia, Compaixão, Beleza)

Tiferet – a terceira Sefirá emocional – é traduzida de várias maneiras: “Beleza”, “Harmonia”, “Misericórdia” e “Compaixão”.

Posicionada no centro da Árvore da Vida, Tiferet serve como a força integrativa que harmoniza as energias opostas de hessed (expansão) e Guevurá (restrição).

Um erro comum é pensar que Tiferet seja apenas um meio termo entre hessed e Guevurá.

Como por exemplo, pensar que Tiferet é fazer meio favor para quem precisa enquanto que hessed seria fazer o favor inteiro, e a Guevurá não faria favores.

Tiferet é mais do que um simples meio-termo. Essa Sefirá se concentra no que é mais benéfico para os outros.

Por exemplo, a chuva é essencial para a vida na Terra, mas se chovesse sem parar (hessed Divino), o mundo ficaria inundado e destruído. Por outro lado, se nunca chovesse (Guevurá Divina), haveria uma seca e toda a vida na Terra pereceria.

D’us age com Tiferet quando manda a quantidade ideal de chuva no momento e local adequados.

As pessoas agem com Tiferet quando pensam nos outros e agem com compaixão e misericórdia, refletindo uma abordagem equilibrada aoamor e disciplina.

Tiferet representa a capacidade de ter empatia, o que é definido como beleza pelo fato de se originar da mistura harmoniosa de vários elementos diferentes.

Em outras palavras, agimos com Tiferet quando nossas ações são ditadas não por nossos sentimentos, sejam eles hessed ou Guevurá – mas sim pelo que é melhor para o outro.

Espiritualmente, Tiferet representa a aspiração de refletir a harmonia e beleza Divinas em nossos atos e nosso caráter.

Essa Sefirá estimula a vida de uma forma que harmonize forças conflitantes dentro de cada um de nós, promovendo o equilíbrio nos relacionamentos.

O sétimo dia dentre os Dez Dias de Teshuvá está associado à Tiferet.

Essa Sefirá nos ensina a levar os outros em conta em nossas decisões, guiando-nos a não agir de forma impensada, com uma bondade irresponsável ou com uma severidade cruel, mas sim com a consideração do que é melhor para o outro.

Ao integrar adequadamente a Sefirá de Tiferet em nossa vida, podemos viver em harmonia com as outras pessoas e com D’us.

Tiferet evita os extremos que podem resultar de um hessed descontrolada e de um excesso de Guevurá.

Tiferet nos estimula a tomar decisões equilibradas, refletindo uma harmoniosa mistura de bondade e disciplina.

O 8º Dia é Netza’h, traduzido como “Eternidade” ou “Vitória” que é a quarta Sefirá emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado direito, abaixo de hessed.

Netza’h representa ambição, persistência e a vontade de superar obstáculos.

Essa Sefirá se manifesta por meio da busca proativa de objetivos e a determinação de atingi-los, mesmo diante de obstáculos.

Em nível pessoal, Netza’h alimenta o compromisso com nossos objetivos, enquanto espiritualmente inspira perseverança e luta para conseguir realizações espirituais.

Juntamente com a Sefirá de Hod, sua contraparte na Árvore da Vida, Netza’h canaliza as energias das Sefirot superiores para serem aplicadas na prática.

As pessoas com um Netza’h forte possuem uma determinação inabalável, levando suas tarefas a serem completadas, independentemente de quanto tempo levar.

Dedicam o tempo que for necessário anos ou até toda uma vida para realizar um objetivo de grande significado.

Por outro lado, na falta de Netza’h, a determinação vacila e os obstáculos se tornam sufocantes.

Quem tem um Netza’h fraco, geralmente acha difícil perseverar, rendendo-se facilmente diante dos desafios.

Segundo o Arizal, o 8º dos Dez Dias de Teshuvá está associado com Netza’h. Essa Sefirá estimula que o ser humano tenha objetivos espirituais de longo prazo.

Netza’h ajuda as pessoas a terem um planejamento e a se comprometerem com o crescimento sustentável, simbolizando a vitória sobre os traços, hábitos e inclinações negativas.

Netza’h representa o triunfo do “eu superior” sobre o “eu inferior”, dando às pessoas a coragem e a força para fazer mudanças significativas, por mais difícil que isso seja.

A reflexão para esse dia é considerar os objetivos e aspirações de longo prazo, assegurando que sejam saudáveis, nobres e alinhados com a Vontade Divina.

Todos nós devemos pensar em como vencer os desafios com uma determinação completa, usando a força de Netza’h para persistir na busca do crescimento pessoal e espiritual.

O 9º Dia é Hod (Glória, Esplendor)

A Sefirá de Hod, traduzida como “Glória” ou “Esplendor”, é a quinta emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado esquerdo, diretamente oposta à Netza’h.

Hod representa humildade, aceitação, gratidão e foco, a capacidade de canalizar energia de maneira direta e com propósito.

Netza’h incorpora ambição, determinação e a vontade de conquistar os objetivos, ao passo que Hod serve como contrapeso, introduzindo humildade e foco.

Essa Sefirá assegura que a vitória de Netza’h seja equilibrada, evitando que se torne caótica ou excessivamente dominante.

Ao invés de agir impulsivamente com pura determinação (Netza’h), Hod refina essa energia direcionando-a com intenção e atenção plena.

Como Hod é localizada no lado esquerdo da Árvore da Vida, essa Sefirá se alinha com outras Sefirot restritivas, como Biná e Guevurá.

Tais Sefirot contrabalançam a natureza expansiva de suas contrapartes à direita, como hochmá, hessed e Netza’h.

Assim como Biná refina e estrutura o fluxo criativo de hochmá, e Guevurá impõe os limites necessários sobre hessed, Hod atua como uma contenção para canalizar a energia descontrolada de Netza’h.

Esta Sefirá pode impulsionar a ambição e a determinação, mas todo o empenho pode se tornar caótico e improdutivo sem o foco de Hod. Enquanto a Sefirá de Netza’h representa a energia fluída, semelhante à luz amplamente disseminada do Sol, pode-se comparar Hod com um raio de luz, semelhante a um laser.

Netza’h pode impulsionar determinação, mas os esforços podem tornar-se improdutivos sem o foco de Hod.

Os indivíduos mais eficazes têm Netza’h e Hod fortes. Combinando energia e foco, eles se dedicam a seus objetivos enquanto mantêm uma atenção concentrada. Netza’h dá início à ação e mantém a persistência, ao passo que Hod a refina com focada atenção.

O 9º dia dos Yamim Noraim, o dia antes de Yom Kipur, é associadoà Hod.

Essa Sefirá ajuda as pessoas a estarem presentes e a manterem a atenção plena.

Ao integrar Hod em nossa vida, asseguramos que nossos esforços sejam bem dirigidos e tenham um propósito, levando a um crescimento duradouro em todas as áreas de nossa vida.

10º Dia – Yom Kipur – Yessod (Alicerce e Conexão) e Mal’hut (Reino e Reinado)

Yom Kipur, dia singular no calendário judaico, é a conclusão e culminação dos Dez Dias de Teshuvá.

Uma das singularidades desse dia é que, como ensinou o Ari a Kadosh, há duas Sefirot associadas a ele: Yessod e Mal’hut.

Yessod, que significa “Alicerce”, localiza-se no centro da Árvore da Vida, abaixo de Tiferet.

A Sefirá de Yessod é ligada à conexão e a relacionamentos. Como Tiferet – que se concentra em harmonia e equilíbrio –, Yessod enfatiza a importância de formar e manter conexões significativas e saudáveis.

Essa Sefirá funciona como o elo que une todas as Sefirot acima, canalizando suas energias em uma única expressão, coesa e unificada.

As pessoas que têm um forte Yessod são, em geral, carismáticas e conseguem atrair e se conectar, naturalmente, com os demais, assim como um orador consegue cativar seus ouvintes sem grandes esforços.

A energia de Yessod, no entanto, é mais do que magnetismo. Trata de construir e manter relacionamentos saudáveis e duradouros.

Sendo o dia do ano em que nossa alma está mais próxima a D’us, Yom Kipur nos oferece a oportunidade mais favorável para fortalecer nossa conexão e nosso relacionamento com o Eterno.

O Dia da Expiação é também quando buscamos e oferecemos perdão, ávidos por reparar e renovar nossos relacionamentos com os demais.

Yessod nos ensina que tais conexões, com D’us e com as pessoas, são a base para uma vida significativa e gratificante.

Yom Kipur também é profundamente conectado com a Sefirá de Mal’hut, a última na Árvore da Vida. Traduzida, geralmente, como “Reinado” ou “Soberania”, Mal’hut representa as manifestações físicas da Vontade Divina (a Sefirá de Keter).

Mal’hut transforma conceitos espirituais abstratos em realidade concreta.

A Sefirá de Mal’hut também é associada à She’hiná, que é o nível de revelação Divina que paira dentro da Criação.

Os Dez Dias de Teshuvá – de Rosh a Shaná a Yom Kipur, constituem uma jornada espiritual que começa com o reconhecimento da Vontade Divina (Keter)e culmina com sua manifestação no mundo físico (Mal’hut).

Em Rosh a Shaná , nos conectamos com a Sefirá de Keter, que simboliza a Vontade Divina em seu nível mais alto e abstrato.

No entanto, é em Yom Kipur, quando predomina Mal’hut, que tais intenções são trazidas à realidade.

Assim, os Yamim Noraim, os dias mais influentes do ano judaico, constituem um período de fortalecimento espiritual e reparação das Sefirot.

Quando Yom Kipur chega, o objetivo é termos internalizado as virtudes de cada Sefirá, para que possamos manifestá-las em nossa vida diária.

Em Rosh a Shaná, coroamos D’us, proclamamos D’us como o Rei Supremo (Keter), preparando o mundo para o reinado Divino.

Yom Kipur é o dia em que expressamos essa proclamação, alinhando nossa vida à Vontade Divina e reconhecendo Seu reinado (Mal’hut) em nossas ações.

O caminho pela Árvore da Vida, de Keter a Mal’hut, representa a materialização das ideias espirituais mais elevadas no mundo físico.

Ao unir Keter e Mal’hut, buscamos viver em harmonia com o propósito Divino, criando uma integração entre os mundos espiritual e material.

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

https://rabinogloiber.org

 

Yamim Noraim nas Sefirót

Rabi Yitzhak Luria, o Ari a Kadosh, nos ensinou que o terceiro dia dos dez dias de Teshuvá é associado à Sefirá de Biná, traduzida por “Compreensão”.

 

Situada do lado esquerdo da Árvore da Vida, Biná fica diretamente oposta à Ho’hmá.

 

Lembrando que esse esquema é uma árvore de cabeça para baixo e a Biná é a raíz da esquerda.

 

Enquanto a Ho’hmá representa o clarão inicial de ideias puras e disformes, associadas à inspiração, criatividade e originalidade, Biná é a Sefirá que processa ideias, transformando-as em conceitos estruturados.

 

Biná categoriza, define e formata ideias. Essa Sefirá envolve análise lógica e a capacidade de diferenciar e criar ordem a partir do caos inicial das ideias e pensamentos disformes.

 

Em um nível pessoal, Biná nos leva a uma reflexão profunda, uma análise ponderada e à capacidade de nos autoconhecermos.

 

Desempenhando um papel fundamental no estudo da Torá, representa a compreensão necessária para analisar textos e entender suas complexidades, especialmente as discussões talmúdicas.

 

No terceiro dia dos Yamim Noraim, nos concentramos na Sefirá de Biná, refletindo sobre as lições que aprendemos no ano que acabou de transcorrer.

 

Essa reflexão requer que desenvolvamos um plano específico e bem elaborado para o futuro.

 

Biná assegura que a sabedoria que adquirimos não seja meramente teórica, mas que possa ser aplicada de forma prática para aperfeiçoar nossas ações e decisões.

 

Enquanto Ho’hmá provê a visão geral do que queremos alcançar, Biná nos possibilita mapear os passos necessários para realizar nossos objetivos.

 

Com o fortalecimento de nosso atributo de Biná, podemos transformar a inspiração gerada por Ho’hmá em um caminho claro à nossa frente, assegurando que nossas aspirações sejam avaliadas por uma análise criteriosa.

 

A Sefirá de Biná é essencial para o crescimento intelectual e o desenvolvimento espiritual, e nos ajuda a receber o novo ano com clareza e propósito.

 

Da’at, traduzida como “conscientização”, é a terceira Sefirá intelectual na Árvore da Vida, a raíz do meio.

 

Às vezes é incluída entre as dez Sefirot, e outras vezes é excluída em favor de Keter.

 

Da’at representa a síntese e internalização de Ho’hmá (Sabedoria) e Biná (Compreensão).

 

Enquanto Ho’hmá fornece a ideia inicial e Biná a desenvolve em um conceito estruturado, é em Da’at que esse conhecimento é internalizado, transformando a compreensão intelectual em uma experiência vívida.

 

Da’at é o conhecimento “consciente” ou “aplicado”. Por exemplo, é por meio da Sefirá de Da’at que uma discussão talmúdica se transforma em Lei Judaica.

 

Da’at representa a integração e aplicação do conhecimento, transformando a compreensão intelectual em sabedoria prática.

 

Além disso, por ser a última Sefirá intelectual, Da’at conecta Ho’hmá e Biná com os atributos emocionais (as sete Sefirot de baixo, criando uma ponte entre intelecto e emoção.

 

De acordo com o Ari a Kadosh, a Sefirá de Da’at predomina no quarto dia dos Dez Dias de Teshuvá.

 

Assim sendo, esse dia é o momento ideal para transformar inspiração e discernimento em mudanças comportamentais.

 

As reflexões adquiridas com a sabedoria inicial de Ho’hmá e a compreensão analítica de Biná são internalizadas através de Da’at, permitindo que nos aproximemos de D’us de uma maneira mais significativa.

 

Ao integrar as qualidades de Da’at em nossa vida, podemos transformar nossas auto análises em planos práticos, assegurando que nossos empenhos estejam baseados em sabedoria e inteligência.

 

Essa síntese de conhecimentos nos permite chegar ao novo ano com clareza, propósito e uma renovada conexão com D’us.

 

Hessed, traduzida como “Bondade”, é a primeira Sefirá emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado direito, abaixo de Ho’hmá.

 

Hessed é a doação incondicional, bondade ilimitada e um total altruísmo, independente dos méritos de quem a iria receber.

 

Essa Sefirá incorpora o impulso de dar sem esperar nada em troca, refletindo o fluxo infinito e irrestrito de bondade Divina.

 

Hessed enfatiza a importância da generosidade e disposição em ajudar os outros, espelhando o atributo Divino de doação infinita.

 

Em termos práticos, Hessed incentiva atos de bondade e amor. Envolve oferecer-se a ajudar os outros, impactando positivamente o mundo e sendo aberto e receptivo aos outros.

 

Durante os Dez Dias de Teshuvá, buscamos o perdão Divino às nossas transgressões, confiando que, em Sua bondade, D’us nos perdoe.

 

Quando buscamos a bondade Divina, a Torá nos ordena despertar o Hessed Divino demonstrando generosidade com os outros.

 

Assim sendo, nossos Sábios nos ensinam a aumentar significativamente nossas ações de Tzedaká (donativos) e Guemilut Hassadim (atos de bondade) durante esse período.

 

O quinto dia dos Yamim Noraim é associado com a Sefirá de Hessed.

 

Nesse dia devemos principalmente refletir sobre o Atributo de Bondade existente em nós mesmos, empenhando-nos em ser mais abertos, demonstrando mais amor e praticando generosidade com os outros.

 

Essa reflexão deve ir além das intenções gerais, fazendo com que possamos identificar áreas específicas onde possamos doar mais de nós mesmos.

 

A Sefirá de Hessed nos ensina que todos os seres humanos, independentemente das circunstâncias, têm algo a dar, e têm a capacidade de ajudar os demais

 

6º Dia – Guevurá (Força)

Guevurá, traduzida como “Força” ou “Severidade”, é a segunda Sefirá emocional. Localiza-se no lado esquerdo da Árvore da Vida, diretamente oposta à hessed.

 

Também chamada de Din (Julgamento ou Lei), é o oposto de hessed.

 

Enquanto a Hessed representa expansão e uma ilimitada generosidade, a Guevurá personifica restrição, disciplina e julgamento.

 

Essas duas forças são contraditórias: hessed representa a doação livre e espontânea, enquanto Guevurá impõe limites, aplicando leis e assegurando a justiça.

 

Diferentemente de hessed, que é aberta e expansiva, Guevurá é fechada e restritiva.

 

Essa Sefirá é o sinônimo de disciplina, controle e a capacidade de fazer distinções e aplicar limites.

 

Pode ser associada também à coragem, justiça e força interior, manifestando-se, também, como reverência ou temor.

 

O equilíbrio entre hessed e Guevurá é crucial para criar harmonia e ordem. Sem Guevurá, a sociedade seria caótica e sem lei.

 

Por outro lado, uma sociedade governada apenas por Guevurá e despida de hessed seria cruel e  egoísta .

 

Quando as pessoas expressam a Sefirá de Guevurá com sabedoria e retidão, elas agem com justiça, ética, integridade e força interior.

 

Guevurá é essencial para manter a ordem e a disciplina.

 

De modo espiritual, essa Sefirá promove o desenvolvimento da resiliência interna e de uma vida segundo a lei e a justiça, assegurando que nossas ações sejam corretas e justas.

 

Durante os Dez Dias de Teshuvá que é um período de intensa reflexão e arrependimento pelos erros cometidos, a Guevurá desempenha um papel fundamental na autotransformação, incentivando um rigoroso autoexame e um julgamento honesto  de nossas ações e nosso comportamento.

 

A Guevurá também ajuda as pessoas a desenvolverem a força para controlar seus impulsos e desejos que é um fator essencial para uma mudança duradoura e um crescimento espiritual.

No 6º dia dos Yamim Noraim, associado à Guevurá, devemos refletir sobre as áreas de nosso comportamento em que necessitamos mais disciplina.

 

Devemos otimizar nossa força interior para fazer melhores escolhas, praticar o comedimento e estabelecer limites que nos permitam resistir a tentações.

 

7º Dia – Tiferet (Harmonia, Compaixão, Beleza)

 

Tiferet – a terceira Sefirá emocional – é traduzida de várias maneiras: “Beleza”, “Harmonia”, “Misericórdia” e “Compaixão”.

 

Posicionada no centro da Árvore da Vida, Tiferet serve como a força integrativa que harmoniza as energias opostas de hessed (expansão) e Guevurá (restrição).

 

Um erro comum é pensar que Tiferet seja apenas um meio termo entre hessed e Guevurá.

 

Como por exemplo, pensar que Tiferet é fazer meio favor para quem precisa enquanto que hessed seria fazer o favor inteiro, e a Guevurá não faria favores.

 

Tiferet é mais do que um simples meio-termo. Essa Sefirá se concentra no que é mais benéfico para os outros.

 

Por exemplo, a chuva é essencial para a vida na Terra, mas se chovesse sem parar (hessed Divino), o mundo ficaria inundado e destruído. Por outro lado, se nunca chovesse (Guevurá Divina), haveria uma seca e toda a vida na Terra pereceria.

 

D’us age com Tiferet quando manda a quantidade ideal de chuva no momento e local adequados.

 

As pessoas agem com Tiferet quando pensam nos outros e agem com compaixão e misericórdia, refletindo uma abordagem equilibrada aoamor e disciplina.

 

Tiferet representa a capacidade de ter empatia, o que é definido como beleza pelo fato de se originar da mistura harmoniosa de vários elementos diferentes.

 

Em outras palavras, agimos com Tiferet quando nossas ações são ditadas não por nossos sentimentos, sejam eles hessed ou Guevurá – mas sim pelo que é melhor para o outro.

 

Espiritualmente, Tiferet representa a aspiração de refletir a harmonia e beleza Divinas em nossos atos e nosso caráter.

 

Essa Sefirá estimula a vida de uma forma que harmonize forças conflitantes dentro de cada um de nós, promovendo o equilíbrio nos relacionamentos.

 

O sétimo dia dentre os Dez Dias de Teshuvá está associado à Tiferet.

 

Essa Sefirá nos ensina a levar os outros em conta em nossas decisões, guiando-nos a não agir de forma impensada, com uma bondade irresponsável ou com uma severidade cruel, mas sim com a consideração do que é melhor para o outro.

 

Ao integrar adequadamente a Sefirá de Tiferet em nossa vida, podemos viver em harmonia com as outras pessoas e com D’us.

 

Tiferet evita os extremos que podem resultar de um hessed descontrolada e de um excesso de Guevurá.

 

Tiferet nos estimula a tomar decisões equilibradas, refletindo uma harmoniosa mistura de bondade e disciplina.

 

8º Dia – Netza’h (Eternidade, Vitória)

 

Netza’h, traduzido como “Eternidade” ou “Vitória”, é a quarta Sefirá emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado direito, abaixo de hessed.

 

Netza’h representa ambição, persistência e a vontade de superar obstáculos.

 

Essa Sefirá se manifesta por meio da busca proativa de objetivos e a determinação de atingi-los, mesmo diante de obstáculos.

 

Em nível pessoal, Netza’h alimenta o compromisso com nossos objetivos, enquanto espiritualmente inspira perseverança e luta para conseguir realizações espirituais.

Juntamente com a Sefirá de Hod, sua contraparte na Árvore da Vida, Netza’h canaliza as energias das Sefirot superiores para serem aplicadas na prática.

 

As pessoas com um Netza’h forte possuem uma determinação inabalável, levando suas tarefas a serem completadas, independentemente de quanto tempo levar.

 

Dedicam o tempo que for necessário anos ou até toda uma vida para realizar um objetivo de grande significado.

 

Por outro lado, na falta de Netza’h, a determinação vacila e os obstáculos se tornam sufocantes.

 

Quem tem um Netza’h fraco, geralmente acha difícil perseverar, rendendo-se facilmente diante dos desafios.

 

Segundo o Arizal, o 8º dos Dez Dias de Teshuvá está associado com Netza’h. Essa Sefirá estimula que o ser humano tenha objetivos espirituais de longo prazo.

 

Netza’h ajuda as pessoas a terem um planejamento e a se comprometerem com o crescimento sustentável, simbolizando a vitória sobre os traços, hábitos e inclinações negativas.

 

Netza’h representa o triunfo do “eu superior” sobre o “eu inferior”, dando às pessoas a coragem e a força para fazer mudanças significativas, por mais difícil que isso seja.

 

A reflexão para esse dia é considerar os objetivos e aspirações de longo prazo, assegurando que sejam saudáveis, nobres e alinhados com a Vontade Divina.

 

Todos nós devemos pensar em como vencer os desafios com uma determinação completa, usando a força de Netza’h para persistir na busca do crescimento pessoal e espiritual.

 

9º Dia – Hod (Glória, Esplendor)

 

A Sefirá de Hod, traduzida como “Glória” ou “Esplendor”, é a quinta emocional na Árvore da Vida, posicionada do lado esquerdo, diretamente oposta à Netza’h. Hod representa humildade, aceitação, gratidão e foco, a capacidade de canalizar energia de maneira direta e com propósito.

 

Netza’h incorpora ambição, determinação e a vontade de conquistar os objetivos, ao passo que Hod serve como contrapeso, introduzindo humildade e foco.

 

Essa Sefirá assegura que a vitória de Netza’h seja equilibrada, evitando que se torne caótica ou excessivamente dominante.

 

Ao invés de agir impulsivamente com pura determinação (Netza’h), Hod refina essa energia direcionando-a com intenção e atenção plena.

 

Como Hod é localizada no lado esquerdo da Árvore da Vida, essa Sefirá se alinha com outras Sefirot restritivas, como Biná e Guevurá.

 

Tais Sefirot contrabalançam a natureza expansiva de suas contrapartes à direita, como hochmá, hessed e Netza’h.

 

Assim como Biná refina e estrutura o fluxo criativo de hochmá, e Guevurá impõe os limites necessários sobre hessed, Hod atua como uma contenção para canalizar a energia descontrolada de Netza’h.

 

Esta Sefirá pode impulsionar a ambição e a determinação, mas todo o empenho pode se tornar caótico e improdutivo sem o foco de Hod. Enquanto a Sefirá de Netza’h representa a energia fluída, semelhante à luz amplamente disseminada do Sol, pode-se comparar Hod com um raio de luz, semelhante a um laser.

 

Netza’h pode impulsionar determinação, mas os esforços podem tornar-se improdutivos sem o foco de Hod.

 

Os indivíduos mais eficazes têm Netza’h e Hod fortes. Combinando energia e foco, eles se dedicam a seus objetivos enquanto mantêm uma atenção concentrada. Netza’h dá início à ação e mantém a persistência, ao passo que Hod a refina com focada atenção.

 

O 9º dia dos Yamim Noraim, o dia antes de Yom Kipur, é associadoà Hod.

 

Essa Sefirá ajuda as pessoas a estarem presentes e a manterem a atenção plena.

 

Ao integrar Hod em nossa vida, asseguramos que nossos esforços sejam bem dirigidos e tenham um propósito, levando a um crescimento duradouro em todas as áreas de nossa vida.

 

10º Dia – Yom Kipur – Yessod (Alicerce e Conexão) e Mal’hut (Reino e Reinado)

 

Yom Kipur, dia singular no calendário judaico, é a conclusão e culminação dos Dez Dias de Teshuvá.

 

Uma das singularidades desse dia é que, como ensinou o Ari a Kadosh, há duas Sefirot associadas a ele: Yessod e Mal’hut.

 

Yessod, que significa “Alicerce”, localiza-se no centro da Árvore da Vida, abaixo de Tiferet.

 

A Sefirá de Yessod é ligada à conexão e a relacionamentos. Como Tiferet – que se concentra em harmonia e equilíbrio –, Yessod enfatiza a importância de formar e manter conexões significativas e saudáveis.

 

Essa Sefirá funciona como o elo que une todas as Sefirot acima, canalizando suas energias em uma única expressão, coesa e unificada.

As pessoas que têm um forte Yessod são, em geral, carismáticas e conseguem atrair e se conectar, naturalmente, com os demais, assim como um orador consegue cativar seus ouvintes sem grandes esforços.

 

A energia de Yessod, no entanto, é mais do que magnetismo. Trata de construir e manter relacionamentos saudáveis e duradouros.

 

Sendo o dia do ano em que nossa alma está mais próxima a D’us, Yom Kipur nos oferece a oportunidade mais favorável para fortalecer nossa conexão e nosso relacionamento com o Eterno.

 

O Dia da Expiação é também quando buscamos e oferecemos perdão, ávidos por reparar e renovar nossos relacionamentos com os demais.

 

Yessod nos ensina que tais conexões, com D’us e com as pessoas, são a base para uma vida significativa e gratificante.

Yom Kipur também é profundamente conectado com a Sefirá de Mal’hut, a última na Árvore da Vida. Traduzida, geralmente, como “Reinado” ou “Soberania”, Mal’hut representa as manifestações físicas da Vontade Divina (a Sefirá de Keter).

 

Mal’hut transforma conceitos espirituais abstratos em realidade concreta.

 

A Sefirá de Mal’hut também é associada à She’hiná, que é o nível de revelação Divina que paira dentro da Criação.

Os Dez Dias de Teshuvá – de Rosh a Shaná a Yom Kipur, constituem uma jornada espiritual que começa com o reconhecimento da Vontade Divina (Keter)e culmina com sua manifestação no mundo físico (Mal’hut).

 

Em Rosh a Shaná , nos conectamos com a Sefirá de Keter, que simboliza a Vontade Divina em seu nível mais alto e abstrato.

 

No entanto, é em Yom Kipur, quando predomina Mal’hut, que tais intenções são trazidas à realidade.

 

Assim, os Yamim Noraim, os dias mais influentes do ano judaico, constituem um período de fortalecimento espiritual e reparação das Sefirot.

 

Quando Yom Kipur chega, o objetivo é termos internalizado as virtudes de cada Sefirá, para que possamos manifestá-las em nossa vida diária.

 

Em Rosh a Shaná, coroamos D’us, proclamamos D’us como o Rei Supremo (Keter), preparando o mundo para o reinado Divino.

 

Yom Kipur é o dia em que expressamos essa proclamação, alinhando nossa vida à Vontade Divina e reconhecendo Seu reinado (Mal’hut) em nossas ações.

 

O caminho pela Árvore da Vida, de Keter a Mal’hut, representa a materialização das ideias espirituais mais elevadas no mundo físico.

 

Ao unir Keter e Mal’hut, buscamos viver em harmonia com o propósito Divino, criando uma integração entre os mundos espiritual e material.

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGliiber.org

https://rabinogloiber.org

O que aprendemos com o Tzom Guedália ?

Tzom Guedália

3 de Tishrei (jejum de Guedália)

O dia seguinte a Rosh a Shaná marca o Jejum de Guedaliá. O jejum começa ao alvorecer e termina ao cair da noite.

Lembrando que se alguém não nasceu de uma mãe judia ou ainda não se converteu ao judaísmo, não precisa fazer esses jejuns.

Meu pedido pessoal para todos os nossos queridos amigos da ONG é de que vocês não façam os jejuns derabanan antes da conversão, nem voluntariamente.

Mas recomendo trocar esse jejum por Tzedaká, que no caso de alguém que ainda não se converteu ao judaísmo esse é um jejum voluntário, e o Alter Rebe explica no Tanya que todos os jejuns voluntários descritos pelo Ari Zal não devem ser feitos na prática mas devem ser trocados por Tzedaká no valor de três refeições que naquela época eram 18 rublos poloneses.

O objetivo do jejum não é a aflição, mas o arrependimento, e o jejum é apenas um meio para esse fim.

Por isso devemos fazer um check-up espiritual nesse dia, examinar nossas ações nos dias de jejum, e consertar o que precisa ser consertado

Qual é o significado desse jejum, e por que ocorre durante os dias intermediários entre Rosh a Shaná e Yom Kipur?

A história de Guedaliá

Após a destruição do Primeiro Templo há 2.500 anos, a maioria do povo judeu foi exilada para a Babilônia.

O conquistador, Nabucodonosor, terminou por facilitar algumas de suas restrições mais severas e permitiu que alguns judeus permanecessem na Terra de Israel.

Ele chegou a designar um judeu Tzadik, chamado Guedaliá, para administrar o território.

Aos poucos, mais judeus que tinham escapado dos horrores da guerra para os países vizinhos começaram a voltar aos seus lares em Israel.

Guedaliá era realista sobre as limitações da soberania judaica. Ele compreendia que para sua auto-preservação, os judeus em Israel precisavam cooperar plenamente com a nação que tinha conquistado o seu país.

Porém esta política de subserviência era intolerável para alguns judeus. Um homem chamado Yishmael ben Netaniah, motivado pela inveja e influência estrangeira, promoveu um levante para ignorar o Rei da Babilônia.

Em 3 de Tishrei, Yishmael traiçoeiramente assassinou Guedaliá e muitos outros judeus e babilônios que se encontravam com ele.

Após o assassinato de Guedaliá, os judeus temiam uma reação do Rei da Babilônia. Pensaram em fugir ao Egito para se salvarem.

Mas como o Egito era uma sociedade moralmente corrupta, os judeus estavam num dilema, era a ameaça física contra o perigo espiritual.

Eles foram ao Profeta Yirmiyáhu, que se encontrava lá em luto, para pedir conselhos.

Durante uma semana inteira, Yirmiyáhu implorou a D’us por uma resposta. Finalmente, em Yom Kipur, ele teve um retorno.

Yirmiyáhu chamou os judeus e disse a eles para permanecerem em Israel, e tudo daria certo.

D’us estava planejando fazer com que os babilônios não prejudicassem os judeus, e que em breve, todos os judeus exilados teriam permissão de voltar para a terra de Israel .

Mas, Yirmiyáhu avisou que se os judeus decidissem ir para o Egito, a espada da qual eles estavam correndo os mataria lá.

Infelizmente, as palavras do Profeta não causaram efeito, e o povo se recusou a acreditar.

Todos os judeus que ainda estavam em Israel naquela época fugiram para o Egito.

Chegaram a seqüestrar Yirmiyáhu e levá-lo com eles! Agora a destruição estava completa; a Terra de Israel ficou completamente estéril.

É fácil prever o que aconteceu em seguida. Alguns anos depois, a Babilônia conquistou o Egito e dezenas de milhares de exilados judeus foram completamente dizimados.

O único sobrevivente deste massacre foi Yirmiyáhu, sua profecia tinha se provado tristemente verdadeira.

O evento inicial – o assassinato de Guedaliá – tem sido comparado à destruição do Templo Sagrado, porque custou vidas judaicas e foi o fim da colonização judaica em Israel durante muitos anos.

Por isso nossos Profetas declararam que o aniversário dessa tragédia deveria ser um dia de jejum. É o terceiro dia de Tishrei, imediatamente depois de Rosh a Shaná .

Lições do Jejum

O povo judeu tinha caído a um de seus níveis mais baixos na História. O Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém, tinha sido destruído, a maioria dos judeus tinha sido exilada, e tudo parecia desesperador.

Mas D’us mudou esta situação desesperada e fez com que o Tzadik Guedaliá fosse nomeado pelo governo da Babilônia como responsável pela terra de Israel. Mas Guedaliá foi assassinado e toda a esperança se perdeu.

Foi a essa altura que Yirmiyáhu rezou, pedindo a D’us alguma visão e certeza. Isso foi durante os 10 dias entre Rosh a Shaná e Yom Kipur.

Esta história é relembrada para nos ensinar uma importante mensagem para os dias de hoje:

Não importa a situação que você está , sempre dá para fazer Teshuvá, voltar para o caminho certo e AShem (D’us) vai te desculpar .

Os judeus que foram pedir conselho a Yirmiyáhu tinham certeza de que D’us iria dar a resposta que eles desejavam ouvir.

Portanto, quando D’us respondeu de modo diferente do que eles queriam, eles se rebelaram. Eles não eram pessoas ruins, o que aconteceu?

O problema deles era que mesmo que eles naquele momento dependiam totalmente da vontade dos babilônios, isso para eles não importava tanto. O que eles não queriam é depender da vontade de AShem (D’us).

Aprendemos daqui que se apegar a D’us significa estar junto com ele o tempo todo e fazer o que ele está pedindo para fazermos , não somente quando isso coincide com aquilo que nós desejamos fazer.

Uma boa regra na vida, quando estamos em uma situação difícil, é perguntar a si mesmo: “O que o Rebe faria se estivesse no meu lugar ? O que AShem (D’us) me aconselharia a fazer nessa situação ?

 

Como se relacionar com um D’us infinito

 

Como se relacionar com um D’us Infinito?

 

Muitas pessoas, inclusive as com alto grau de moralidade, têm uma determinada noção sobre as “coisas pequenas” da vida – os detalhes do cotidiano e os atos menores que todo ser humano realiza, com regularidade.

 

E podemos perguntar: “Você acredita que D’us realmente se preocupa com esses detalhes pequenos?

 

Você acredita que D’us se importa com o que acontece na intimidade de nosso lar, nossa cozinha e nosso trabalho?”

 

O conceito de “pequenas coisas” obviamente é muito subjetivo: o que uma pessoa considera “pequeno” ou “grande” depende do ambiente cultural e social da pessoa.

 

Contudo, ainda que as pessoas costumem discordar sobre o que é importante e o que não o é, podemos generalizar que a maioria dos seres humanos acredita que, na vida, as “coisas grandes” importam, mas as “coisas pequenas” não importam tanto, e talvez até não importam nada.

 

Os pequenos detalhes que as pessoas costumam deixar de lado não são, necessariamente, coisas às quais se opõem, em princípio.

 

Os pequenos detalhes podem também ser coisas que causam indiferença, na pessoa, ou mesmo que elas considerem benéficas; contudo, não são especialmente importantes.

 

Em muitos casos, a atitude de não se preocupar com as “pequenas coisas” na vida pode apenas ser uma fachada para a preguiça.

 

Mas a questão se D’us se importa ou não com os pequenos detalhes é uma pergunta válida e deve ser feita.

 

De fato, essa pergunta está no centro do que trata a festa de Rosh a Shaná quando o Tribunal Celestial examina o “arquivo” de cada ser humano e o julga, segundo seus atos.

 

A reza de Rosh a Shaná nos conta que D’us examina e julga todos os nossos atos.

 

Mas, por que razão o Todo Poderoso deveria se importar com nossas ações cotidianas, os pequenos detalhes, bons ou maus, da vida?

 

Pode-se argumentar que D’us poderia se importar com o que é notícia, guerras e terrorismo, uma pandemia mundial, eleições em Israel, eventos que afetam a vida de milhões ou bilhões de pessoas.

 

Mas por que Ele deveria se importar se um único indivíduo come kasher?

 

Por que Ele deveria se preocupar se a pessoa diz uma Benção antes de comer alguma coisa, cumpre os mandamentos do Shabat, ouve o toque do Shofar em Rosh a Shaná ou come na Sucá durante a festa de Sucot?

 

Por que Ele deveria se importar se uma pessoa jejua ou não em Yom Kipur?

 

Afinal, D’us é o Senhor do universo, onde planetas e estrelas, movimentam-se como meros pontinhos dentro de uma infinidade de galáxias.

 

Cada um de nós, na Terra, é apenas um indivíduo entre bilhões de outros, e mesmo o planeta e a galáxia onde habitamos são minúsculos se comparados ao restante do universo.

 

Dentro de nossa estrutura, muito limitada, nossa família, amigos e talvez nossa comunidade, cada um de nós pode ser importante.

 

Mas quando olhamos para o mundo a partir de uma perspectiva mais ampla de tempo e espaço, nossas atividades diárias e mesmo nossa própria existência parecem insignificantes.

 

Portanto, não faz sentido crer que o dono do Universo pudesse ou devesse se importar com cada um de nós e com os pequenos detalhes de nossa vida, nossos pequenos atos, bons ou ruins.

 

Essa pergunta é igualmente válida em relação às nossas rezas. Quando uma pessoa reza para D’us, quais as chances de ser ouvido?

 

A pergunta se D’us presta atenção a cada pessoa, e especialmente aos detalhes de sua vida, é um problema fundamental e profundo.

 

Muitos optam por ignorar essa pergunta, enquanto outros agem como se não houvesse respostas à ela.

 

Em quase todos os casos, a origem dessa pergunta e toda a confusão que ela gera é a imagem infantil de D’us que os adultos geralmente “pintam” para as crianças e que acaba permanecendo conosco mesmo depois de crescermos.

 

Essa imagem infantil de D’us é alguém com uma longa barba branca, sentado em algum lugar dos Céus, milhares de quilômetros acima de nós, com relâmpagos em uma mão e um saco de balas na outra.

 

Quando adultos, muitos de nós substituem essa imagem, compreendendo que é infantil e até uma blasfêmia, com a ideia de que D’us é como o diretor de uma grande empresa.

 

Em grandes empresas, um funcionário mediano tem pouco ou nenhum contato com o diretor. Os funcionários são apenas uma pequena peça em uma grande engrenagem.

 

O funcionário teria de fazer algo extraordinariamente bom ou ruim para ter a atenção do diretor.

 

Na falta de qualquer dos dois cenários, é provável que o diretor nunca vá a ter contato com o funcionário, mesmo que este trabalhe para ele.

 

À medida que subimos a cadeia hierárquica, esse padrão é amplificado.

 

Por exemplo, o Primeiro Ministro de Israel é responsável pela segurança e bem-estar de todos os cidadãos do país, ainda que não os conheça pessoalmente e nem se importe com a vida pessoal deles.

 

Quando um cidadão escreve uma carta ao Primeiro Ministro, é algum secretário quem responde.

 

Talvez apenas pessoas muito famosas, excepcionais, recebam às vezes uma resposta pessoal. E pode-se entender a razão para ser assim.

 

Se o Primeiro Ministro fosse responder a cada uma das cartas que lhe são enviadas, não teria tempo nem forças para executar seu trabalho.

 

Os Chefes de Estado desempenham um papel vital e têm o poder de impactar a vida de milhões de pessoas. No entanto, até eles funcionam dentro de uma esfera limitada de poder e influência, comparada ao universo inteiro.

 

Evidentemente, nenhum deles pode ser comparado a D’us, Criador e Mestre de tudo o que existe.

 

Mas pode-se concluir que se um Chefe de Estado não pode relacionar-se com os cidadãos de seu país individualmente, e muito menos preocupar-se com os detalhes da vida de cada um, imaginem o quanto mais essa ideia se aplica a D’us, o responsável não apenas por nosso planeta, mas por todo o universo.

 

Se um Chefe de Estado é inacessível aos cidadãos, como pode o Senhor de todo o universo estar acessível a cada um de nós?

 

Aqueles que imaginam D’us como um líder muito poderoso julgam que assim fazendo estão expressando profundo respeito pelo Altíssimo.

 

Será que D’us não tem nada melhor a fazer do que intrometer-se nos mínimos detalhes da vida de cada ser humano. Pois mesmo um pai, o quanto ele sabe da vida de seus filhos, o quanto isso o preocupa?

 

São tantos os mínimos detalhes sobre coisas que desconhecemos totalmente. De modo geral, os seres humanos se preocupam com o que é grande e ao pensar na vastidão do universo, imaginam que D’us, que é incomparavelmente mais importante do que o ser humano mais poderoso, certamente não tem como preocupar-se com detalhes.

 

Mas quando dizemos que D’us não está interessado ou envolvido com detalhes – com as “coisas pequenas” que fazemos ou deixamos de fazer, na realidade, estamos imaginando o Altíssimo de acordo com as nossas medidas. Independentemente do quão aumentemos a concepção Divina, continua sendo a nossa concepção, a nossa medida.

 

Podemos ver D’us como sendo particularmente importante. No entanto, por maior que seja a nossa concepção de D’us, continua sendo uma projeção muitíssimas vezes aumentada de nossa figura humana finita.

 

Em nossas rezas e Bênçãos, nos referimos a D’us como Mele’h a Olam, Rei do Mundo.

 

E, de fato, o reinado Divino é um dos principais temas de Rosh a Shaná. Contudo, precisamos ter cuidado para não interpretar erroneamente essa metáfora.

 

Há uma diferença fundamental entre D’us e qualquer ser humano, por mais importante e poderoso que seja um Chefe de Estado, ou até mesmo um rei.

 

A razão para um Chefe de Estado não estar a par das preocupações diárias dos cidadãos de seu país é por ele ter uma mente limitada, além de tempo e energia limitados.

 

Independentemente de quão talentoso e cheio de energia seja, há um limite no que ele consegue fazer em um dia limitado a 24 horas. Por essa razão, ele precisa saber fazer suas escolhas.

 

O líder de um país, ou qualquer pessoa que esteja no alto de uma cadeia hierárquica, só consegue concentrar-se em questões macro, no que é mais importante.

 

Ele não se pode dar ao luxo de dedicar seu tempo e sua mente a detalhes pequenos, senão seu funcionamento será prejudicado.

 

Qualquer líder, até o mais capaz e batalhador, deve delegar os assuntos importantes a seus ministros ou pessoas de confiança, sozinho não consegue fazer tudo.

 

No entanto, diferentemente de Chefes de Estado, D’us é Infinito.

 

A infinitude é um conceito difícil de ser entendido, mesmo na Matemática.

 

O infinito não tem limites: é ilimitado o número de detalhes que pode conter.

 

Além disso, uma constatação matemática básica prova que em relação ao infinito, qualquer outro número é zero e qualquer outro tamanho é igual.

 

Um ou um trilhão, se comparados com o infinito, são exatamente iguais a zero.

 

Sob o ponto de vista teológico, o fato de que D’us é Infinito significa que para Ele, todos os detalhes são iguais em importância ou falta de importância, independentemente de seu tamanho.

 

Comparada ao Infinito, uma galáxia, com todas as suas estrelas, é exatamente igual às menores partículas de um átomo.

 

Assim sendo, não faz sentido algum que D’us se preocupe com o que ocorre em uma galáxia e não com o que ocorre a um tufo de grama.

 

Comparado a D’us Infinito, sua magnitude é exatamente igual.

 

Se D’us se preocupa com todo o universo, que, por maior que seja, é finito e limitado, pode-se dizer que todas as suas partes mais ínfimas têm igual importância para Ele.

 

O conceito de que, para um D’us Infinito, não há o grande e o pequeno, é um dos temas das rezas de Rosh a Shaná, quando o hazan repete a reza de Mussaf, ele fala um trecho que afirma que D’us “trata na igual medida o grande e o pequeno”.

 

Essa é uma das maneiras de expressar a ideia de que as diferenças entre grande e pequeno, importante e sem importância, são insignificantes para Aquele que é Infinito, que está além de todas as limitações, Aquele para Quem as limitações nada representam.

 

De forma semelhante, diz o Tehilim 139: “Você está no meu íntimo e me conheces totalmente. Você sabe quando me sento ou levanto e antecipa o meu pensamento onde quer que eu esteja.

 

Você está comigo quando estou dormindo ou no caminho, e conhece todos os meus passos…. Se eu subisse para o céu, lá eu Te encontraria, e se descesse às profundezas, também lá você estaria”.

 

Esse Tehilim indica que D’us sabe em tempo real onde estamos e tudo o que fazemos, e que para Ele, os Céus e as profundezas, o distante e o próximo, a escuridão e a luz, é tudo igual.

 

Rabi Avraham Ibn Ezra (1089-1164) – um dos maiores poetas e filósofos da Idade Média – escreveu que esse Tehilim é o mais importante de todos.

 

O Tehilim 113, o primeiro do Hallel, expressa uma ideia similar. Por um lado, declara: “Muito acima de todas as nações está o Eterno, e acima dos céus Sua glória”.

 

A noção de que D’us está acima e além de tudo é indiscutível: não pode haver semelhança ou comparação entre D’us e Suas criações.

 

Mas, o Tehilim continua: “Quem é como o Eterno, nosso D’us, que está nas Alturas e vê o que se passa nos Céus e na Terra?”.

 

O que esse Tehilim nos diz é que, por mais elevado que seja D’us, Ele está ciente de tudo o que acontece no Céu e na Terra.

 

Porque se D’us se encontrasse apenas no Céu, aqui na Terra e especialmente na privacidade do nosso lar e do nosso trabalho, poderíamos fazer o que bem quisermos.

 

Se fosse verdade que D’us se encontra apenas no Céu e se preocupa apenas com as questões macro do universo, nós poderíamos facilmente fazer pequenas coisas erradas, “por trás de suas costas”, de forma escondida, pois esse grande D’us, que é tão ocupado com as coisas importantes, pode não me ouvir e consequentemente não me repreender.

 

Mas esse Tehilim desfaz, em pedacinhos, a ilusão de que D’us é grande demais para estar ciente e envolvido nos detalhes mínimos do universo.

 

O Tehilim nos diz que D’us cuida dos Céus e da Terra. O Infinito está em toda parte. Portanto, Céu e Terra são iguais para Ele.

 

Comparado a D’us Infinito, uma criatura pequena não é menos importante que um Anjo no Céu.

 

Mas para nós, criaturas pequenas e limitadas que somos, há uma diferença tremenda entre uma galáxia e um átomo. Para D’us, essa diferença e todas as demais são insignificantes.

 

Em outras palavras, a capacidade de ver todos os detalhes é parte da Infinitude: constitui uma das definições de ser Infinito.

 

Assim como nada é grande demais para D’us, nada é pequeno demais para Ele.

 

Nada é insignificante ou pequeno demais para passar despercebido, pois D’us tem uma visão plenamente abrangente, que contém tudo que se possa imaginar.

 

Assim sendo, acreditar que algo é tão insignificante que pode escapar da atenção Divina é um absurdo total.

 

Continua….

 

Quando o universo faz aniversário ? 🎁 🎂

O Aniversário do Universo

 

Rosh a Shaná, considerado o aniversário do Universo, é na realidade o sexto dia da Criação do mundo, quando D’us criou o primeiro homem, Adam a Rishon que foi o objetivo de toda a Criação.

 

O Ano Novo judaico é um momento de Julgamento Divino.

 

Durante os dois dias dessa festividade, D’us inicia o processo de julgamento do mundo que continua até o final da festa de Sucot que determinará o destino de cada ser humano durante o ano que se inicia.

 

Nossos Sábios dão vários exemplos para transmitir a ideia de que a Corte Celestial julga todos os seres humanos em Rosh a Shaná .

 

Um desses exemplos descreve como o “arquivo” de cada pessoa é levado perante D’us.

 

Falando de forma metafórica, D’us “abre” esses arquivos, lê e analisa seu conteúdo e, então, faz seu julgamento, decidindo o destino de cada pessoa para o próximo ano.

 

Em Rosh a Shaná , o destino do mundo e de cada um de nós está pendurado na balança.

 

E se estamos infelizes com a situação em que se encontra o mundo, temos de agir em Rosh a  Shaná da maneira como o Juiz Supremo espera que nos comportemos.

 

Rosh a Shaná não é, apenas, um momento em que todos os povos e o mundo inteiro são julgados, coletivamente, para o novo ano.

 

Como deixa claro a reza de Mussaf de Rosh a Shaná , o Julgamento Divino é individual.

 

O Tribunal Celestial julga os atos, bons ou ruins, que cada um de nós cometeu no ano que se encerra.

 

O julgamento das ações positivas não é como o das negativas.

 

Você não é julgado pelas coisas negativas que vai fazer mas somente pelas que já fez.

 

O julgamento das ações positivas é diferente, você recebe um prêmio pelo que já fez e também é favorecido pelo que vai fazer.

 

Mas a ideia de que D’us julga cada um de nós individualmente, e que Ele sabe todos os nossos pensamentos, palavras e atos, nos traz uma pergunta :

 

Estará D’us de fato interessado nos atos de cada ser humano? Serão nossas palavras – inclusive nossas orações – e nossas ações diárias dignas de Sua atenção?

 

continua…….

Se tudo o que vamos receber esse ano já está decretado em Rosh a Shaná, por que a vida é tão difícil?

O Rav Berel Volf Kazevnikov de Yekatrineslav costumava perguntar:

 

Por que é tão difícil para um judeu ter parnassá?

 

Ou seja, porque o aspecto financeiro da nossa vida é sempre tão difícil?

 

A Guemará nos conta que o milagre que tem que AShem tem que fazer para que cada um de nós tenhamos com o que viver é tão difícil quanto o milagre da abertura do Mar Vermelho!

 

Mas a Guemará também diz que tudo o que precisamos durante todo o ano já é decretado em Rosh a Shaná.

 

Se já está decretado que vamos receber  por que é tão difícil de recebermos a ponto de precisarmos de um milagre nível abertura do mar vermelho?

 

E ele respondeu:

 

Quando os oceanos e os mares foram estabelecidos no terceiro dia da criação, o Criador fez uma estipulação com o anjo designado sobre eles:

 

Que quando os Filhos de Israel chegassem ao Mar Vermelho, ele separaria suas águas.

 

Mas quando os Filhos de Israel finalmente chegaram, o Mar Vermelho inicialmente esse anjo se recusou a abrir o mar. D’us perguntou ao anjo nomeado: “Por que o mar não está se dividindo?”

 

O anjo respondeu: “Vai se partir. Assim que os Filhos de Israel chegarem lá, ele se dividirá. ”

 

Veja, o anjo tinha visto todas as Almas judias enquanto elas estavam no céu.

 

Mas agora, essas eram as Almas judias depois que desceram a este mundo e suportaram a opressão e a humilhação do exílio e da escravidão.

 

Então D’us teve que explicar ao anjo que essas eram as mesmas Almas.

 

Mas explicar a um anjo o que o exílio e a opressão podem fazer a uma Alma é muito difícil.

 

Da mesma forma, quando somos julgados em Rosh a Shaná , todos os anjos designados para a distribuição das Bênçãos divinas e abundância são instruídos a “encher o nosso prato”  todos os dias do ano.

 

Mas quando chega a hora de essas Bênçãos fluírem, os anjos afirmam que a pessoa que viram em Rosh a Shaná não se encontra em nenhum lugar.

 

E então D’us tem que explicar àqueles anjos que você  é o mesmo que eles viram de pé na sinagoga quando o Shofar foi tocado no dia sagrado de Rosh a Shaná.

 

Acontece que você teve que sair para o mundo e trabalhar para viver.

 

E isso é algo muito difícil: explicar a um anjo o que trabalhar para viver em um mundo físico pode fazer a uma Alma divina.

 

Temos que viver em dois mundos ao mesmo tempo, e conectar esses dois mundos.

 

Esse é o nosso trabalho neste mundo:

 

Nos agarrar firmemente a essa essência de nossa Alma em sua origem e trazê-la para baixo para refinar todas as atividades humanas que os fazemos durante todo o ano. Para tornar todas as coisas sagradas.

 

E por isso que é tão vital que durante os Dez Dias de Teshuvá, de Rosh a Shaná a Yom Kipur, trazer toda a nossa inspiração para os detalhes práticos da nossa vida judaica, que aparentemente são pequenos detalhes.

 

Como por exemplo, colocar uma Mezuzá kasher em uma porta de sua casa que ainda está faltando.  Colocar uma caixinha de Tzedaká em seu local de trabalho. Falar uma bênção em voz alta antes de comer.

 

Aparentemente são pequenas coisas, fáceis de cair pela porta quando você sai daqueles dias de reza e volta para o trabalho nesse mundo.

 

Mas quando você se lembra de fazer essas pequenas coisas você está nomeando AShem (D’us) como o Rei do universo.

 

Elas são a assinatura Divina na criação do mundo que também é o tema de todo este universo, o objetivo pelo qual foi criado.

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você 🌻

www.RabinoGloiber.org

Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida 🌻 Nitzavim – Vayele’h

Nitzavim

 

Parashat Nitzavim, é sempre lida no Shabat antes de Rosh a Shaná  porque o Shabat envolve espiritualmente os dias posteriores e Rosh a Shaná  é o dia do julgamento no qual todas as Neshamot, as nossas Almas, se apresentam na frente de AShem.

 

Nossa Parashá cita diferentes níveis de pessoas, como os presidentes das tribos, lenhadores e aguadeiros.

 

Nos indicando que tanto os presidentes das tribos que representam as pessoas mais importantes, quanto o lenhador e o aguadeiro, que representam as pessoas menos importantes são julgados juntos com total igualdade

 

E o motivo para isso é que somos comparados à um corpo onde cabeça e pés se completam, nenhuma parte pode faltar, e cada uma é julgada de acordo com a sua função.

 

O dia de Rosh a Shaná  foi escolhido por D’us para ser o aniversário da criação do mundo.

 

O mundo foi criado em seis dias e cada um deles é o dia da criação do mundo, mas o sexto dia que é o dia no qual o homem foi criado, foi escolhido para ser o aniversário do mundo porque o ser humano é o objetivo da criação.

 

Porque então D’us falou para os anjos façamos o homem se somos mais importantes que os anjos?

 

Diz o Midrash que foi para nos ensinar a importância da humildade.

 

Se até D’us quando fez o homem compartilhou essa informação com os anjos porque eles teriam ligação com essa nova criatura, quanto mais nós devemos nos comportar com humildade.

 

Um dos vínculos que encontramos entre nós e os anjos é o chamado “Tribunal Divino”. Ele é composto de anjos e Neshamot de Tzadikim.

 

Quando fazemos uma coisa boa criamos naquele tribunal um anjo à nosso favor, quando fazemos algo ruim criamos um anjo contra nós. Consequentemente o Tribunal Divino de cada um de nós é personalizado.

 

Diferente das outras “religiões” onde a divindade faz o que quer, no judaísmo, antes de D’us nos criar ele já tinha criado o tribunal Divino que fiscaliza nossas ações usando a Torá como referencial, e por mais que D’us seja a essência do bem, ele não pode ser tirano com esse tribunal e obrigá-los a mudar um decreto à nosso favor sem um motivo que justifique isso.

 

Rezando por nós próprios

 

Sendo assim, como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

 

Rabi Yossef Albo que viveu na Espanha no ano de 1400 nos explica que quando nos arrependemos do que fizemos e rezamos, nos tornamos pessoas melhores e aquele decreto que tinha sido feito para uma pessoa pior perde o efeito porque essa pessoa pior deixou de existir, e para a pessoa melhor que você ficou agora é feito um decreto melhor.

 

Rezando por outras pessoas

 

O Baal Shem Tov tinha um mestre que descia do céu para ensinar à ele Torá.

 

Esse mestre era o profeta Ahia a Shiloni que viveu na época do Rei Salomão e foi posteriormente o mestre de Eliahu a Naví.

 

Disse o Baal Shem Tov que o profeta Ahia revelou para ele que a Sefirá chamada Mal’hut é chamada de din, decreto rígido, e a raíz dos dinim é a sefirá chamada de Biná.

 

Por meio da reza elevamos o “din” até a Biná e lá adoçamos ele, ou seja, mudamos o DNA dele na sua fonte e transformamos ele em bondade.

 

Quando rezamos por outra pessoa ligamos ela a essa raiz espiritual, à Biná, e lá ela já é outra pessoa.

 

Então vamos aproveitar o Rosh a Shaná  e rezar bastante para que nós e todos os que estão ligados à nós tenhamos um ano bom e doce e que Mashia’h chegue já!

 

Vaiele’h

 

Encontramos na nossa Parashá um dos cinco versículos que são exceção de regra na leitura da Torá.

 

Sendo que o Sefer Torá não tem pontos, nos baseamos nos sinais de música chamados de Teamim que vem desde a época de Moshe Rabeinu para saber onde começa ou acaba o versículo .

 

O motivo de precisarmos saber isso é porque não podemos dizer meio versículo quando há nele o nome de AShem para não falarmos o nome de D’us em vão.

 

Sendo assim nos baseamos no sinal de música chamado etna’hta que representa um ponto e vírgula, ou no sinal sof passuk que representa um ponto final, para sabermos aonde o versículo termina.

 

A Guemará em Yoma nos conta que o grande Sábio Issi ben Yehuda nos ensinou que cinco versículos na Torá inteira saem dessa regra. Um deles está na nossa Parashá .

 

O versículo diz:- “E disse D’us à Moshe, você se deita com seus pais e levanta esse povo e…..etc. (Nesse versículo AShem comunica à Moshe que esse é o dia da morte dele).

 

O ponto e vírgula, chamado de etna’hta, se encontra na palavra “seus pais”, aparentemente determinando que lá termina o assunto (mas que nesse caso não vai determinar por causa da exceção de regra).

 

Dizem nossos sábios na Guemará em Sanedrin que desse nosso versículo :- “Você se deita com os seus pais e levanta”, ultrapassando o ponto e vírgula, aprendemos a ressurreição dos mortos pela Torá escrita .

 

O Ari Zal nos explica que, sendo que esse versículo não tem determinação e se aplica tanto ao antes do etna’hta (Moshe) e ao depois (esse povo) , que tanto Moshe quanto esse povo se reencarnam e se tornam à última geração.

 

Diz o Ari ZaL, que Moshe Rabeinu e toda sua geração eram a “Dór Deá”, a geração do conhecimento, e a raíz das almas deles era o lado oculto da Sefirat Daat que é chamado no “Etz Haim” de “Leáh”.

 

A geração paralela chamada “erev rav” também tinha a raíz na Daat, mas era afetada pela mistura do bem e do mal nesse mundo.

 

Na última geração, Moshe Rabeinu se reencarna e se torna Mashia’h, e a geração dele também se reencarna e se tornam a geração do Mashia’h .

 

Até a “erev rav” também se reencarna por também ser “dór deá” e à ela se refere o final do versículo que diz:- “esse povo vai se levantar e ….(……)”.

 

O sinal dessa última geração, diz o Ari ZaL, é o fato de as mulheres mandarem nos maridos.

 

O motivo para isso é porque na reencarnação anterior, no deserto, os maridos deram os anéis para fazer o bezerro de ouro, e as mulheres não quiseram dar.

 

Por isso, na reencarnação daquela geração elas mandam neles. (Chegamos à conclusão que essa geração é a nossa!!!)

 

Diz o Maguid de Mezritch que uma característica da”dór deá” é que o assunto principal deles era o conhecimento que se expressa pela fala, e eles não tinham a característica da ação.

 

Até o próprio Moshe, para abrir o mar vermelho levantou o cajado mas não bateu no mar.

 

Quando Moshe chegou perto da Terra Santa na qual o trabalho principal seria a ação expressada pelo cumprimento das Mitzvot, AShem disse para ele falar para a pedra para que saia dela água para todo o nosso povo que chegava a milhões de pessoas.

 

Mas Moshe bateu na pedra para começar o trabalho da próxima geração que seria a ação.

 

AShem queria que Moshe falasse com a pedra para elevar a próxima geração, a geração da ação, ao nível elevado da geração de Moshe que era a geração do conhecimento, a geração da fala.

 

Toda aquela geração com Moshe Rabeinu e a “erev rav” tiveram que falecer no deserto, e esse é o trabalho de Moshe: voltar como Mashia’h e elevar toda a “geração do conhecimento”, incluindo a erev rav, por meio do estudo Torá e o cumprimento das Mitzvót, “fala e ação” .

 

O Rebe de Lubavitch disse que essa geração somos nós

 

 

Rabino Gloiber

Sempre rezando por você

כתיבה וחתימה טובה לשנה טובה ומתוקה

www.RabinoGloiber.org

Hay Elul

Bom dia pessoas maravilhosas 🌻🥰

 

Hoje é dia 18 de Elul, conhecido como Hai Elul.

 

Nesse dia nasceram duas grandes luminárias do nosso povo, o Baal Shem Tov (1698), fundador do movimento Hassídico, e o Alter Rebe, Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745), fundador do movimento Habad.

 

Esses dois líderes trouxeram nova vitalidade ao Judaísmo, enfatizando tanto a devoção e a alegria no serviço a D’us quanto a profundidade do estudo da Torá.

 

Por isso, Hai Elul é lembrado como o dia em que uma luz especial foi acrescentada ao mundo, preparando o Povo Judeu para uma nova era com inspiração renovada.

 

Hai Elul e a Emuná

 

A palavra hebraica para fé, Emuná, pertence à mesma raíz que a palavra hebraica imun, que significa “treinamento”.

 

Ou seja, para desenvolver a fé precisamos fazer exercícios diários treinando nosso cérebro para pensar da maneira correta, alinhando diariamente nossos à Emuná.

 

Porque a natureza do nosso corpo é a de sempre tentar escapar para raciocínios e pontos de vista mais acomodados e que exijam menos concentração.

 

O Baal Shem Tov trouxe a vitalidade da emuná para todas as dimensões de nossas vidas, revelando o potencial que existe em cada um de nós para mantermos um relacionamento dinâmico contínuo com D’us.

 

Ele nos ensinou um modo de vida que nos permite expressar nosso poder espiritual infinito.

 

Seus ensinamentos nos colocaram no nível do versículo dito pelo profeta Habakuk: “O Tzadik vai viver na Emuná, porque os ensinamentos do Baal Shem Tov fazem da fé uma força vibrante que abrange todas as dimensões do nosso comportamento.

 

A qualidade única da fé é que ela permite uma conexão com D’us que transcende os limites do intelecto.

 

Mas essa vantagem ainda tem um limite, porque a dimensão espiritual na qual vivemos por meio da fé é muito mais elevada do que seu nível da nossa consciência.

 

Atingimos uma dimensão da Alma que transcende os limites da nossa identidade, surge um espaço vazio entre o potencial infinito possibilitado pela fé e nossa mente que é limitada pelos limites do nosso corpo material.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe nos permitem preencher esse espaço, porque ele nos ensina como trazer nossos potenciais espirituais que transcendem o intelecto para o nível da nossa compreensão.

 

O Alter Rebe nos ensina como introduzir a emuná que transcende as categorias intelectuais para dentro do nosso intelecto por meio de uma metodologia chamada de Habad.

 

Esta palavra é um acrônimo formado pelas iniciais das palavras hebraicas, Ho’hmá, Biná e Daat; literalmente, “sabedoria, entendimento e conscientização”.

 

A Habilidade de Tomar a Iniciativa

 

Quando você desenvolve um relacionamento consciente com D’us, você vive esse relacionamento na vida real, no dia a dia.

 

Enquanto seu Trabalho Divino estiver centrado apenas na fé, você depende da inspiração, um estado em que a Alma desperta.

 

Mas quando vamos de acordo com os ensinamentos do Alter Rebe conseguimos aos poucos chegar ao controle dos nossos pensamentos e podemos usar nossas mentes conforme desejamos.

 

Assim nossa fé fica direcionada pelo nosso intelecto, e podemos tomar a iniciativa de nosso crescimento espiritual.

 

Ou seja, como disse o Rebe Anterior, “O Baal Shem Tov revelou que devemos servir a D’us, e o Alter Rebe revelou como devemos servir a D’us”.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe tem como objetivo equipar cada um de nós com a energia vital interior revelada pelo Baal Shem Tov mesmo que esse potencial espiritual esteja fundamentalmente além do alcance do ser humano.

 

A palavra Elul é formada pelas iniciais das palavras “Eu sou do meu Amado” se referindo a você que toma a iniciativa de intensificar o relacionamento de amor que você compartilha com AShem.

 

Esse amor recebe maior expressão quando você faz o Trabalho Divino por sua própria iniciativa.

 

E cada um de nós pode chegar a isso por meio dos ensinamentos do Alter Rebe.

 

A vitalidade que Hai Elul nos traz aumenta as bênçãos que receberemos no próximo ano novo, assegurando a todos uma Ketivá Ve’Hatimá Tová, com cada um de nós inscrito para um ano bom e doce, incluindo a maior de todas as bênçãos que é a nossa Gueulá .

 

A vitalidade transmitida por esse dia de Hai Elul e seu efeito total em nosso Trabalho Divino também se reflete no fato de que esta data é o primeiro dos doze dias finais do ano.

 

O Rebe anterior, Rabi Yossef Yitzhak Shneerson nos contou que esses dias são muito especiais porque em cada um desses doze dias, somos capazes de compensar qualquer falta em nosso Trabalho Divino correspondente a cada mês do ano.

 

A vinda do Mashia’h é uma consequência direta da importância espiritual de Hai Elul, porque é uma data diretamente ligada à divulgação das fontes dos ensinamentos do Baal Shem Tov que trará a vinda do Mashia’h, como vocês podem ver na carta que o Baal Shem Tov escreveu para o seu cunhado Rabi Guershon Kitover sobre a subida que ele teve aos mundos superiores há trezentos anos atrás.

 

Ketivá Ve’Hatimá Tová Leshaná Tová UMetuká

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

Ciclo do ano Judaico

Como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

Parashat Nitzavim, é sempre lida no Shabat antes de Rosh a Shaná porque o Shabat envolve espiritualmente os dias posteriores e Rosh a Shaná é o dia do julgamento no qual todas as Neshamot, as nossas Almas, se apresentam na frente de AShem.

 

Nossa Parashá cita diferentes níveis de pessoas como os presidentes das tribos, lenhadores e aguadeiros, nos indicando que tanto os presidentes das tribos que representam as pessoas mais importantes quanto o lenhador e o aguadeiro, que representam as pessoas menos importantes são julgados juntos com total igualdade sendo que somos comparados à um corpo onde cabeça e pés se completam, nenhuma parte pode faltar e cada uma é julgada de acordo com a sua função.

 

O dia de Rosh a Shaná foi escolhido por D’us para ser o aniversário da criação do mundo.

 

O mundo foi criado em seis dias e cada um deles é o dia da criação do mundo, mas o sexto dia que é o dia no qual o homem foi criado, foi escolhido para ser o aniversário do mundo porque o ser humano é o objetivo da criação.

 

Porque então D’us falou para os anjos “Vamos fazer o homem a nossa imagem e semelhança“ (que não é imagem ou semelhança física mas é uma referência às Dez Sefirót) se somos mais importantes que os anjos?

 

Diz o Midrash que foi para nos ensinar a importância da humildade.

 

Se até D’us quando fez o homem compartilhou essa informação com os anjos porque eles teriam que interagir com essa nova criatura, quanto mais nós devemos nos comportar com humildade.

 

Um dos vínculos que encontramos entre nós e os anjos é o chamado “Tribunal Divino”. Ele é composto de anjos e Neshamot de Tzadikim.

 

Quando fazemos uma coisa boa criamos naquele tribunal um anjo à nosso favor, quando fazemos algo ruim criamos um anjo contra nós. Consequentemente o Tribunal Divino de cada um de nós é personalizado.

 

Diferente das outras “religiões” onde a divindade faz o que quer, no judaísmo, antes de D’us nos criar ele já tinha criado o tribunal Divino que fiscaliza nossas ações usando a Torá como referencial, e por mais que D’us seja a essência do bem, ele não pode ser tirano com esse tribunal e obrigá-los a mudar um decreto à nosso favor sem um motivo que justifique isso.

 

Sendo assim, como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

 

Rezando por nós próprios

 

Rabi Yossef Albo que viveu na Espanha no ano de 1400 nos explica que quando nos arrependemos do que fizemos e rezamos, nos tornamos pessoas melhores.

 

Sendo que nos tornamos “outra pessoa”, aquele decreto que tinha sido feito para uma pessoa pior perde o efeito porque essa pessoa pior deixou de existir, e para a pessoa melhor que você ficou agora é feito um decreto melhor.

 

Rezando por outras pessoas

 

O Baal Shem Tov tinha um mestre que descia do céu para ensinar à ele Torá.

 

Esse mestre era o profeta Ahia a Shiloní que viveu na época do Rei Salomão e foi posteriormente o mestre de Eliahu a Naví.

 

Disse o Baal Shem Tov que o profeta Ahia revelou para ele que a Sefirá chamada Mal’hut é chamada de din, decreto rígido, e a raíz dos dinim é a sefirá chamada Bina.

 

Por meio da reza elevamos o “din” até a biná e lá adoçamos ele, ou seja, mudamos o DNA dele na sua fonte e transformamos ele em bondade.

 

Quando rezamos por outra pessoa ligamos ela a essa raiz espiritual, à Biná, e lá ela já é outra pessoa.

 

Então vamos aproveitar o Rosh a Shaná e rezar bastante para que nós e todos os que estão ligados à nós tenhamos um ano bom e doce e que Mashia’h chegue já!

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

 

continua…..

Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida 🌻 Ki Tavô

 

Nossa Parashá conta sobre bençãos e maldições.

 

Sabemos que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , então o que são essas maldições?

 

Rabi Shneor Zalman fazia pessoalmente a leitura do Sefer Torá em Liozna, na Rússia.

 

Uma vez ele não estava na cidade, e outra pessoa leu exatamente essa Parashá, Ki Tavô.

 

O filho de Rabi Shneor Zalman, que se chamava Dov Ber, ficou tão angustiado quando ouviu as maldições, que passou mal o mês inteiro, e quase que não pôde jejuar no Yom Kipur por causa disso.

 

Quando perguntaram para ele: por que nos anos anteriores ele não passou mal?

 

Ele respondeu: -Quando meu pai lia, não se ouvia nenhuma maldição!

 

Quando esse filho cresceu e se tornou o Rebe da cidade de Lubavitch na Rússia, ele deu a seguinte explicação:

 

“Dentro de todo acontecimento infeliz, está revestida uma bondade enorme.

 

Tudo o que D’us faz é para o bem, e não existe mal que desce lá de cima, e por isso se faz uma benção sobre um acontecimento infeliz, da mesma maneira que se faz uma benção sobre um acontecimento feliz.

 

Quando termina esse aspecto negativo, automaticamente se revela o bem, que estava oculto nele, sendo muito superior a uma bondade revelada.

 

Como ouvi do meu pai, Rabi Shneor Zalman, sobre a raiz do assunto das maldições da Torá, que no final elas se transformam em “super bençãos” devido à grande intensidade da bondade oculta nelas, que se revela quando termina esse revestimento de “extrema rigidez”.

 

O Baal Shem Tov deu sobre isso um exemplo de uma pessoa que fez algo contra um Rei muito bondoso e poderoso.

 

Essa pessoa foi condenada pelo tribunal, mas no lugar disso o Rei pediu para darem a ele, um cargo no governo, e depois ir promovendo ele cada vez para um cargo mais alto e mais próximo ao Rei.

 

Quanto mais essa pessoa subia e se aproximava do Rei, mais ela ficava com vergonha do que havia feito.

 

À medida que ela ia percebendo a força e o poder do Rei, bem como a grande bondade dele, com que usava todo o seu poder, para auxiliar as pessoas, mais ele sofria vendo a honra que todos davam ao Rei por causa disso e antes ele tinha feito o contrário.

 

No final ela chegou à conclusão de que não existia castigo pior do que esse.

 

Porque se tivesse sido condenado à morte não sofreria tanto com esses remorsos.

 

O Rei vendo que essa pessoa se arrependeu do seu comportamento, e voltou a se comportar certo, o desculpou totalmente.

 

Esse Rei é AShem e essa pessoa somos nós!

 

A maldição não precisa ser necessariamente uma tragédia para fazermos teshuvá, mas podemos cumprir essas maldições dessa forma também, por meio do remorso que sentimos por termos feito a coisa errada.

 

Por isso está escrito:-“E será quando vier para você a benção e a maldição , você vai colocar no seu coração (se conscientizar) etc”

 

A benção, nesse caso, pode ser considerada uma maldição por nos trazer esse remorso, devido à nossa conscientização.

 

Conclusão:

 

O acontecimento infeliz, é um bem oculto de uma intensidade tão grande, que não tem como ele descer para esse mundo, de uma forma revelada e por isso ele desce com um revestimento de maldição.

 

Por isso, devemos estar sempre alegres, mesmo que aparentemente as coisas não estejam como deveriam estar.

 

Devemos ter a fé total de que quando esse revestimento terminar, e o bem oculto se revelar, veremos que valeu a pena ter tido um “pouquinho” de paciência para depois usufruir de uma bondade, que não teríamos como chegar a ela de outra maneira.

 

O desencadeamento das Sefirót é primeiro Hessed, a qual é a bondade, depois Guevurá que é a rigidez, e depois Tiféret que é a bondade intensa que não sai dela nenhuma Guevurá.

 

Para chegarmos a essa bondade intensa, obrigatoriamente temos que passar por um pouquinho de guevurá.

 

Mas logo chegará o Mashia’h, e aí será só bondade, intensa e revelada eternamente!

 

Rabino Gloiber
Sempre rezando por você
כתיבה וחתימה טובה לשנה טובה ומתוקה