Como se relacionar com um D’us infinito

 

Como se relacionar com um D’us Infinito?

 

Muitas pessoas, inclusive as com alto grau de moralidade, têm uma determinada noção sobre as “coisas pequenas” da vida – os detalhes do cotidiano e os atos menores que todo ser humano realiza, com regularidade.

 

E podemos perguntar: “Você acredita que D’us realmente se preocupa com esses detalhes pequenos?

 

Você acredita que D’us se importa com o que acontece na intimidade de nosso lar, nossa cozinha e nosso trabalho?”

 

O conceito de “pequenas coisas” obviamente é muito subjetivo: o que uma pessoa considera “pequeno” ou “grande” depende do ambiente cultural e social da pessoa.

 

Contudo, ainda que as pessoas costumem discordar sobre o que é importante e o que não o é, podemos generalizar que a maioria dos seres humanos acredita que, na vida, as “coisas grandes” importam, mas as “coisas pequenas” não importam tanto, e talvez até não importam nada.

 

Os pequenos detalhes que as pessoas costumam deixar de lado não são, necessariamente, coisas às quais se opõem, em princípio.

 

Os pequenos detalhes podem também ser coisas que causam indiferença, na pessoa, ou mesmo que elas considerem benéficas; contudo, não são especialmente importantes.

 

Em muitos casos, a atitude de não se preocupar com as “pequenas coisas” na vida pode apenas ser uma fachada para a preguiça.

 

Mas a questão se D’us se importa ou não com os pequenos detalhes é uma pergunta válida e deve ser feita.

 

De fato, essa pergunta está no centro do que trata a festa de Rosh a Shaná quando o Tribunal Celestial examina o “arquivo” de cada ser humano e o julga, segundo seus atos.

 

A reza de Rosh a Shaná nos conta que D’us examina e julga todos os nossos atos.

 

Mas, por que razão o Todo Poderoso deveria se importar com nossas ações cotidianas, os pequenos detalhes, bons ou maus, da vida?

 

Pode-se argumentar que D’us poderia se importar com o que é notícia, guerras e terrorismo, uma pandemia mundial, eleições em Israel, eventos que afetam a vida de milhões ou bilhões de pessoas.

 

Mas por que Ele deveria se importar se um único indivíduo come kasher?

 

Por que Ele deveria se preocupar se a pessoa diz uma Benção antes de comer alguma coisa, cumpre os mandamentos do Shabat, ouve o toque do Shofar em Rosh a Shaná ou come na Sucá durante a festa de Sucot?

 

Por que Ele deveria se importar se uma pessoa jejua ou não em Yom Kipur?

 

Afinal, D’us é o Senhor do universo, onde planetas e estrelas, movimentam-se como meros pontinhos dentro de uma infinidade de galáxias.

 

Cada um de nós, na Terra, é apenas um indivíduo entre bilhões de outros, e mesmo o planeta e a galáxia onde habitamos são minúsculos se comparados ao restante do universo.

 

Dentro de nossa estrutura, muito limitada, nossa família, amigos e talvez nossa comunidade, cada um de nós pode ser importante.

 

Mas quando olhamos para o mundo a partir de uma perspectiva mais ampla de tempo e espaço, nossas atividades diárias e mesmo nossa própria existência parecem insignificantes.

 

Portanto, não faz sentido crer que o dono do Universo pudesse ou devesse se importar com cada um de nós e com os pequenos detalhes de nossa vida, nossos pequenos atos, bons ou ruins.

 

Essa pergunta é igualmente válida em relação às nossas rezas. Quando uma pessoa reza para D’us, quais as chances de ser ouvido?

 

A pergunta se D’us presta atenção a cada pessoa, e especialmente aos detalhes de sua vida, é um problema fundamental e profundo.

 

Muitos optam por ignorar essa pergunta, enquanto outros agem como se não houvesse respostas à ela.

 

Em quase todos os casos, a origem dessa pergunta e toda a confusão que ela gera é a imagem infantil de D’us que os adultos geralmente “pintam” para as crianças e que acaba permanecendo conosco mesmo depois de crescermos.

 

Essa imagem infantil de D’us é alguém com uma longa barba branca, sentado em algum lugar dos Céus, milhares de quilômetros acima de nós, com relâmpagos em uma mão e um saco de balas na outra.

 

Quando adultos, muitos de nós substituem essa imagem, compreendendo que é infantil e até uma blasfêmia, com a ideia de que D’us é como o diretor de uma grande empresa.

 

Em grandes empresas, um funcionário mediano tem pouco ou nenhum contato com o diretor. Os funcionários são apenas uma pequena peça em uma grande engrenagem.

 

O funcionário teria de fazer algo extraordinariamente bom ou ruim para ter a atenção do diretor.

 

Na falta de qualquer dos dois cenários, é provável que o diretor nunca vá a ter contato com o funcionário, mesmo que este trabalhe para ele.

 

À medida que subimos a cadeia hierárquica, esse padrão é amplificado.

 

Por exemplo, o Primeiro Ministro de Israel é responsável pela segurança e bem-estar de todos os cidadãos do país, ainda que não os conheça pessoalmente e nem se importe com a vida pessoal deles.

 

Quando um cidadão escreve uma carta ao Primeiro Ministro, é algum secretário quem responde.

 

Talvez apenas pessoas muito famosas, excepcionais, recebam às vezes uma resposta pessoal. E pode-se entender a razão para ser assim.

 

Se o Primeiro Ministro fosse responder a cada uma das cartas que lhe são enviadas, não teria tempo nem forças para executar seu trabalho.

 

Os Chefes de Estado desempenham um papel vital e têm o poder de impactar a vida de milhões de pessoas. No entanto, até eles funcionam dentro de uma esfera limitada de poder e influência, comparada ao universo inteiro.

 

Evidentemente, nenhum deles pode ser comparado a D’us, Criador e Mestre de tudo o que existe.

 

Mas pode-se concluir que se um Chefe de Estado não pode relacionar-se com os cidadãos de seu país individualmente, e muito menos preocupar-se com os detalhes da vida de cada um, imaginem o quanto mais essa ideia se aplica a D’us, o responsável não apenas por nosso planeta, mas por todo o universo.

 

Se um Chefe de Estado é inacessível aos cidadãos, como pode o Senhor de todo o universo estar acessível a cada um de nós?

 

Aqueles que imaginam D’us como um líder muito poderoso julgam que assim fazendo estão expressando profundo respeito pelo Altíssimo.

 

Será que D’us não tem nada melhor a fazer do que intrometer-se nos mínimos detalhes da vida de cada ser humano. Pois mesmo um pai, o quanto ele sabe da vida de seus filhos, o quanto isso o preocupa?

 

São tantos os mínimos detalhes sobre coisas que desconhecemos totalmente. De modo geral, os seres humanos se preocupam com o que é grande e ao pensar na vastidão do universo, imaginam que D’us, que é incomparavelmente mais importante do que o ser humano mais poderoso, certamente não tem como preocupar-se com detalhes.

 

Mas quando dizemos que D’us não está interessado ou envolvido com detalhes – com as “coisas pequenas” que fazemos ou deixamos de fazer, na realidade, estamos imaginando o Altíssimo de acordo com as nossas medidas. Independentemente do quão aumentemos a concepção Divina, continua sendo a nossa concepção, a nossa medida.

 

Podemos ver D’us como sendo particularmente importante. No entanto, por maior que seja a nossa concepção de D’us, continua sendo uma projeção muitíssimas vezes aumentada de nossa figura humana finita.

 

Em nossas rezas e Bênçãos, nos referimos a D’us como Mele’h a Olam, Rei do Mundo.

 

E, de fato, o reinado Divino é um dos principais temas de Rosh a Shaná. Contudo, precisamos ter cuidado para não interpretar erroneamente essa metáfora.

 

Há uma diferença fundamental entre D’us e qualquer ser humano, por mais importante e poderoso que seja um Chefe de Estado, ou até mesmo um rei.

 

A razão para um Chefe de Estado não estar a par das preocupações diárias dos cidadãos de seu país é por ele ter uma mente limitada, além de tempo e energia limitados.

 

Independentemente de quão talentoso e cheio de energia seja, há um limite no que ele consegue fazer em um dia limitado a 24 horas. Por essa razão, ele precisa saber fazer suas escolhas.

 

O líder de um país, ou qualquer pessoa que esteja no alto de uma cadeia hierárquica, só consegue concentrar-se em questões macro, no que é mais importante.

 

Ele não se pode dar ao luxo de dedicar seu tempo e sua mente a detalhes pequenos, senão seu funcionamento será prejudicado.

 

Qualquer líder, até o mais capaz e batalhador, deve delegar os assuntos importantes a seus ministros ou pessoas de confiança, sozinho não consegue fazer tudo.

 

No entanto, diferentemente de Chefes de Estado, D’us é Infinito.

 

A infinitude é um conceito difícil de ser entendido, mesmo na Matemática.

 

O infinito não tem limites: é ilimitado o número de detalhes que pode conter.

 

Além disso, uma constatação matemática básica prova que em relação ao infinito, qualquer outro número é zero e qualquer outro tamanho é igual.

 

Um ou um trilhão, se comparados com o infinito, são exatamente iguais a zero.

 

Sob o ponto de vista teológico, o fato de que D’us é Infinito significa que para Ele, todos os detalhes são iguais em importância ou falta de importância, independentemente de seu tamanho.

 

Comparada ao Infinito, uma galáxia, com todas as suas estrelas, é exatamente igual às menores partículas de um átomo.

 

Assim sendo, não faz sentido algum que D’us se preocupe com o que ocorre em uma galáxia e não com o que ocorre a um tufo de grama.

 

Comparado a D’us Infinito, sua magnitude é exatamente igual.

 

Se D’us se preocupa com todo o universo, que, por maior que seja, é finito e limitado, pode-se dizer que todas as suas partes mais ínfimas têm igual importância para Ele.

 

O conceito de que, para um D’us Infinito, não há o grande e o pequeno, é um dos temas das rezas de Rosh a Shaná, quando o hazan repete a reza de Mussaf, ele fala um trecho que afirma que D’us “trata na igual medida o grande e o pequeno”.

 

Essa é uma das maneiras de expressar a ideia de que as diferenças entre grande e pequeno, importante e sem importância, são insignificantes para Aquele que é Infinito, que está além de todas as limitações, Aquele para Quem as limitações nada representam.

 

De forma semelhante, diz o Tehilim 139: “Você está no meu íntimo e me conheces totalmente. Você sabe quando me sento ou levanto e antecipa o meu pensamento onde quer que eu esteja.

 

Você está comigo quando estou dormindo ou no caminho, e conhece todos os meus passos…. Se eu subisse para o céu, lá eu Te encontraria, e se descesse às profundezas, também lá você estaria”.

 

Esse Tehilim indica que D’us sabe em tempo real onde estamos e tudo o que fazemos, e que para Ele, os Céus e as profundezas, o distante e o próximo, a escuridão e a luz, é tudo igual.

 

Rabi Avraham Ibn Ezra (1089-1164) – um dos maiores poetas e filósofos da Idade Média – escreveu que esse Tehilim é o mais importante de todos.

 

O Tehilim 113, o primeiro do Hallel, expressa uma ideia similar. Por um lado, declara: “Muito acima de todas as nações está o Eterno, e acima dos céus Sua glória”.

 

A noção de que D’us está acima e além de tudo é indiscutível: não pode haver semelhança ou comparação entre D’us e Suas criações.

 

Mas, o Tehilim continua: “Quem é como o Eterno, nosso D’us, que está nas Alturas e vê o que se passa nos Céus e na Terra?”.

 

O que esse Tehilim nos diz é que, por mais elevado que seja D’us, Ele está ciente de tudo o que acontece no Céu e na Terra.

 

Porque se D’us se encontrasse apenas no Céu, aqui na Terra e especialmente na privacidade do nosso lar e do nosso trabalho, poderíamos fazer o que bem quisermos.

 

Se fosse verdade que D’us se encontra apenas no Céu e se preocupa apenas com as questões macro do universo, nós poderíamos facilmente fazer pequenas coisas erradas, “por trás de suas costas”, de forma escondida, pois esse grande D’us, que é tão ocupado com as coisas importantes, pode não me ouvir e consequentemente não me repreender.

 

Mas esse Tehilim desfaz, em pedacinhos, a ilusão de que D’us é grande demais para estar ciente e envolvido nos detalhes mínimos do universo.

 

O Tehilim nos diz que D’us cuida dos Céus e da Terra. O Infinito está em toda parte. Portanto, Céu e Terra são iguais para Ele.

 

Comparado a D’us Infinito, uma criatura pequena não é menos importante que um Anjo no Céu.

 

Mas para nós, criaturas pequenas e limitadas que somos, há uma diferença tremenda entre uma galáxia e um átomo. Para D’us, essa diferença e todas as demais são insignificantes.

 

Em outras palavras, a capacidade de ver todos os detalhes é parte da Infinitude: constitui uma das definições de ser Infinito.

 

Assim como nada é grande demais para D’us, nada é pequeno demais para Ele.

 

Nada é insignificante ou pequeno demais para passar despercebido, pois D’us tem uma visão plenamente abrangente, que contém tudo que se possa imaginar.

 

Assim sendo, acreditar que algo é tão insignificante que pode escapar da atenção Divina é um absurdo total.

 

Continua….

 

Quando o universo faz aniversário ? 🎁 🎂

O Aniversário do Universo

 

Rosh a Shaná, considerado o aniversário do Universo, é na realidade o sexto dia da Criação do mundo, quando D’us criou o primeiro homem, Adam a Rishon que foi o objetivo de toda a Criação.

 

O Ano Novo judaico é um momento de Julgamento Divino.

 

Durante os dois dias dessa festividade, D’us inicia o processo de julgamento do mundo que continua até o final da festa de Sucot que determinará o destino de cada ser humano durante o ano que se inicia.

 

Nossos Sábios dão vários exemplos para transmitir a ideia de que a Corte Celestial julga todos os seres humanos em Rosh a Shaná .

 

Um desses exemplos descreve como o “arquivo” de cada pessoa é levado perante D’us.

 

Falando de forma metafórica, D’us “abre” esses arquivos, lê e analisa seu conteúdo e, então, faz seu julgamento, decidindo o destino de cada pessoa para o próximo ano.

 

Em Rosh a Shaná , o destino do mundo e de cada um de nós está pendurado na balança.

 

E se estamos infelizes com a situação em que se encontra o mundo, temos de agir em Rosh a  Shaná da maneira como o Juiz Supremo espera que nos comportemos.

 

Rosh a Shaná não é, apenas, um momento em que todos os povos e o mundo inteiro são julgados, coletivamente, para o novo ano.

 

Como deixa claro a reza de Mussaf de Rosh a Shaná , o Julgamento Divino é individual.

 

O Tribunal Celestial julga os atos, bons ou ruins, que cada um de nós cometeu no ano que se encerra.

 

O julgamento das ações positivas não é como o das negativas.

 

Você não é julgado pelas coisas negativas que vai fazer mas somente pelas que já fez.

 

O julgamento das ações positivas é diferente, você recebe um prêmio pelo que já fez e também é favorecido pelo que vai fazer.

 

Mas a ideia de que D’us julga cada um de nós individualmente, e que Ele sabe todos os nossos pensamentos, palavras e atos, nos traz uma pergunta :

 

Estará D’us de fato interessado nos atos de cada ser humano? Serão nossas palavras – inclusive nossas orações – e nossas ações diárias dignas de Sua atenção?

 

continua…….

Se tudo o que vamos receber esse ano já está decretado em Rosh a Shaná, por que a vida é tão difícil?

O Rav Berel Volf Kazevnikov de Yekatrineslav costumava perguntar:

 

Por que é tão difícil para um judeu ter parnassá?

 

Ou seja, porque o aspecto financeiro da nossa vida é sempre tão difícil?

 

A Guemará nos conta que o milagre que tem que AShem tem que fazer para que cada um de nós tenhamos com o que viver é tão difícil quanto o milagre da abertura do Mar Vermelho!

 

Mas a Guemará também diz que tudo o que precisamos durante todo o ano já é decretado em Rosh a Shaná.

 

Se já está decretado que vamos receber  por que é tão difícil de recebermos a ponto de precisarmos de um milagre nível abertura do mar vermelho?

 

E ele respondeu:

 

Quando os oceanos e os mares foram estabelecidos no terceiro dia da criação, o Criador fez uma estipulação com o anjo designado sobre eles:

 

Que quando os Filhos de Israel chegassem ao Mar Vermelho, ele separaria suas águas.

 

Mas quando os Filhos de Israel finalmente chegaram, o Mar Vermelho inicialmente esse anjo se recusou a abrir o mar. D’us perguntou ao anjo nomeado: “Por que o mar não está se dividindo?”

 

O anjo respondeu: “Vai se partir. Assim que os Filhos de Israel chegarem lá, ele se dividirá. ”

 

Veja, o anjo tinha visto todas as Almas judias enquanto elas estavam no céu.

 

Mas agora, essas eram as Almas judias depois que desceram a este mundo e suportaram a opressão e a humilhação do exílio e da escravidão.

 

Então D’us teve que explicar ao anjo que essas eram as mesmas Almas.

 

Mas explicar a um anjo o que o exílio e a opressão podem fazer a uma Alma é muito difícil.

 

Da mesma forma, quando somos julgados em Rosh a Shaná , todos os anjos designados para a distribuição das Bênçãos divinas e abundância são instruídos a “encher o nosso prato”  todos os dias do ano.

 

Mas quando chega a hora de essas Bênçãos fluírem, os anjos afirmam que a pessoa que viram em Rosh a Shaná não se encontra em nenhum lugar.

 

E então D’us tem que explicar àqueles anjos que você  é o mesmo que eles viram de pé na sinagoga quando o Shofar foi tocado no dia sagrado de Rosh a Shaná.

 

Acontece que você teve que sair para o mundo e trabalhar para viver.

 

E isso é algo muito difícil: explicar a um anjo o que trabalhar para viver em um mundo físico pode fazer a uma Alma divina.

 

Temos que viver em dois mundos ao mesmo tempo, e conectar esses dois mundos.

 

Esse é o nosso trabalho neste mundo:

 

Nos agarrar firmemente a essa essência de nossa Alma em sua origem e trazê-la para baixo para refinar todas as atividades humanas que os fazemos durante todo o ano. Para tornar todas as coisas sagradas.

 

E por isso que é tão vital que durante os Dez Dias de Teshuvá, de Rosh a Shaná a Yom Kipur, trazer toda a nossa inspiração para os detalhes práticos da nossa vida judaica, que aparentemente são pequenos detalhes.

 

Como por exemplo, colocar uma Mezuzá kasher em uma porta de sua casa que ainda está faltando.  Colocar uma caixinha de Tzedaká em seu local de trabalho. Falar uma bênção em voz alta antes de comer.

 

Aparentemente são pequenas coisas, fáceis de cair pela porta quando você sai daqueles dias de reza e volta para o trabalho nesse mundo.

 

Mas quando você se lembra de fazer essas pequenas coisas você está nomeando AShem (D’us) como o Rei do universo.

 

Elas são a assinatura Divina na criação do mundo que também é o tema de todo este universo, o objetivo pelo qual foi criado.

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você 🌻

www.RabinoGloiber.org

A Parashá da Minha Vida 🌻 Nitzavim – Vayele’h

Nitzavim

 

Parashat Nitzavim, é sempre lida no Shabat antes de Rosh a Shaná  porque o Shabat envolve espiritualmente os dias posteriores e Rosh a Shaná  é o dia do julgamento no qual todas as Neshamot, as nossas Almas, se apresentam na frente de AShem.

 

Nossa Parashá cita diferentes níveis de pessoas, como os presidentes das tribos, lenhadores e aguadeiros.

 

Nos indicando que tanto os presidentes das tribos que representam as pessoas mais importantes, quanto o lenhador e o aguadeiro, que representam as pessoas menos importantes são julgados juntos com total igualdade

 

E o motivo para isso é que somos comparados à um corpo onde cabeça e pés se completam, nenhuma parte pode faltar, e cada uma é julgada de acordo com a sua função.

 

O dia de Rosh a Shaná  foi escolhido por D’us para ser o aniversário da criação do mundo.

 

O mundo foi criado em seis dias e cada um deles é o dia da criação do mundo, mas o sexto dia que é o dia no qual o homem foi criado, foi escolhido para ser o aniversário do mundo porque o ser humano é o objetivo da criação.

 

Porque então D’us falou para os anjos façamos o homem se somos mais importantes que os anjos?

 

Diz o Midrash que foi para nos ensinar a importância da humildade.

 

Se até D’us quando fez o homem compartilhou essa informação com os anjos porque eles teriam ligação com essa nova criatura, quanto mais nós devemos nos comportar com humildade.

 

Um dos vínculos que encontramos entre nós e os anjos é o chamado “Tribunal Divino”. Ele é composto de anjos e Neshamot de Tzadikim.

 

Quando fazemos uma coisa boa criamos naquele tribunal um anjo à nosso favor, quando fazemos algo ruim criamos um anjo contra nós. Consequentemente o Tribunal Divino de cada um de nós é personalizado.

 

Diferente das outras “religiões” onde a divindade faz o que quer, no judaísmo, antes de D’us nos criar ele já tinha criado o tribunal Divino que fiscaliza nossas ações usando a Torá como referencial, e por mais que D’us seja a essência do bem, ele não pode ser tirano com esse tribunal e obrigá-los a mudar um decreto à nosso favor sem um motivo que justifique isso.

 

Rezando por nós próprios

 

Sendo assim, como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

 

Rabi Yossef Albo que viveu na Espanha no ano de 1400 nos explica que quando nos arrependemos do que fizemos e rezamos, nos tornamos pessoas melhores e aquele decreto que tinha sido feito para uma pessoa pior perde o efeito porque essa pessoa pior deixou de existir, e para a pessoa melhor que você ficou agora é feito um decreto melhor.

 

Rezando por outras pessoas

 

O Baal Shem Tov tinha um mestre que descia do céu para ensinar à ele Torá.

 

Esse mestre era o profeta Ahia a Shiloni que viveu na época do Rei Salomão e foi posteriormente o mestre de Eliahu a Naví.

 

Disse o Baal Shem Tov que o profeta Ahia revelou para ele que a Sefirá chamada Mal’hut é chamada de din, decreto rígido, e a raíz dos dinim é a sefirá chamada de Biná.

 

Por meio da reza elevamos o “din” até a Biná e lá adoçamos ele, ou seja, mudamos o DNA dele na sua fonte e transformamos ele em bondade.

 

Quando rezamos por outra pessoa ligamos ela a essa raiz espiritual, à Biná, e lá ela já é outra pessoa.

 

Então vamos aproveitar o Rosh a Shaná  e rezar bastante para que nós e todos os que estão ligados à nós tenhamos um ano bom e doce e que Mashia’h chegue já!

 

Vaiele’h

 

Encontramos na nossa Parashá um dos cinco versículos que são exceção de regra na leitura da Torá.

 

Sendo que o Sefer Torá não tem pontos, nos baseamos nos sinais de música chamados de Teamim que vem desde a época de Moshe Rabeinu para saber onde começa ou acaba o versículo .

 

O motivo de precisarmos saber isso é porque não podemos dizer meio versículo quando há nele o nome de AShem para não falarmos o nome de D’us em vão.

 

Sendo assim nos baseamos no sinal de música chamado etna’hta que representa um ponto e vírgula, ou no sinal sof passuk que representa um ponto final, para sabermos aonde o versículo termina.

 

A Guemará em Yoma nos conta que o grande Sábio Issi ben Yehuda nos ensinou que cinco versículos na Torá inteira saem dessa regra. Um deles está na nossa Parashá .

 

O versículo diz:- “E disse D’us à Moshe, você se deita com seus pais e levanta esse povo e…..etc. (Nesse versículo AShem comunica à Moshe que esse é o dia da morte dele).

 

O ponto e vírgula, chamado de etna’hta, se encontra na palavra “seus pais”, aparentemente determinando que lá termina o assunto (mas que nesse caso não vai determinar por causa da exceção de regra).

 

Dizem nossos sábios na Guemará em Sanedrin que desse nosso versículo :- “Você se deita com os seus pais e levanta”, ultrapassando o ponto e vírgula, aprendemos a ressurreição dos mortos pela Torá escrita .

 

O Ari Zal nos explica que, sendo que esse versículo não tem determinação e se aplica tanto ao antes do etna’hta (Moshe) e ao depois (esse povo) , que tanto Moshe quanto esse povo se reencarnam e se tornam à última geração.

 

Diz o Ari ZaL, que Moshe Rabeinu e toda sua geração eram a “Dór Deá”, a geração do conhecimento, e a raíz das almas deles era o lado oculto da Sefirat Daat que é chamado no “Etz Haim” de “Leáh”.

 

A geração paralela chamada “erev rav” também tinha a raíz na Daat, mas era afetada pela mistura do bem e do mal nesse mundo.

 

Na última geração, Moshe Rabeinu se reencarna e se torna Mashia’h, e a geração dele também se reencarna e se tornam a geração do Mashia’h .

 

Até a “erev rav” também se reencarna por também ser “dór deá” e à ela se refere o final do versículo que diz:- “esse povo vai se levantar e ….(……)”.

 

O sinal dessa última geração, diz o Ari ZaL, é o fato de as mulheres mandarem nos maridos.

 

O motivo para isso é porque na reencarnação anterior, no deserto, os maridos deram os anéis para fazer o bezerro de ouro, e as mulheres não quiseram dar.

 

Por isso, na reencarnação daquela geração elas mandam neles. (Chegamos à conclusão que essa geração é a nossa!!!)

 

Diz o Maguid de Mezritch que uma característica da”dór deá” é que o assunto principal deles era o conhecimento que se expressa pela fala, e eles não tinham a característica da ação.

 

Até o próprio Moshe, para abrir o mar vermelho levantou o cajado mas não bateu no mar.

 

Quando Moshe chegou perto da Terra Santa na qual o trabalho principal seria a ação expressada pelo cumprimento das Mitzvot, AShem disse para ele falar para a pedra para que saia dela água para todo o nosso povo que chegava a milhões de pessoas.

 

Mas Moshe bateu na pedra para começar o trabalho da próxima geração que seria a ação.

 

AShem queria que Moshe falasse com a pedra para elevar a próxima geração, a geração da ação, ao nível elevado da geração de Moshe que era a geração do conhecimento, a geração da fala.

 

Toda aquela geração com Moshe Rabeinu e a “erev rav” tiveram que falecer no deserto, e esse é o trabalho de Moshe: voltar como Mashia’h e elevar toda a “geração do conhecimento”, incluindo a erev rav, por meio do estudo Torá e o cumprimento das Mitzvót, “fala e ação” .

 

O Rebe de Lubavitch disse que essa geração somos nós

 

 

Rabino Gloiber

Sempre rezando por você

כתיבה וחתימה טובה לשנה טובה ומתוקה

Hay Elul

Bom dia pessoas maravilhosas 🌻🥰

 

Hoje é dia 18 de Elul, conhecido como Hai Elul.

 

Nesse dia nasceram duas grandes luminárias do nosso povo, o Baal Shem Tov (1698), fundador do movimento Hassídico, e o Alter Rebe, Rabi Shneur Zalman de Liadi (1745), fundador do movimento Habad.

 

Esses dois líderes trouxeram nova vitalidade ao Judaísmo, enfatizando tanto a devoção e a alegria no serviço a D’us quanto a profundidade do estudo da Torá.

 

Por isso, Hai Elul é lembrado como o dia em que uma luz especial foi acrescentada ao mundo, preparando o Povo Judeu para uma nova era com inspiração renovada.

 

Hai Elul e a Emuná

 

A palavra hebraica para fé, Emuná, pertence à mesma raíz que a palavra hebraica imun, que significa “treinamento”.

 

Ou seja, para desenvolver a fé precisamos fazer exercícios diários treinando nosso cérebro para pensar da maneira correta, alinhando diariamente nossos à Emuná.

 

Porque a natureza do nosso corpo é a de sempre tentar escapar para raciocínios e pontos de vista mais acomodados e que exijam menos concentração.

 

O Baal Shem Tov trouxe a vitalidade da emuná para todas as dimensões de nossas vidas, revelando o potencial que existe em cada um de nós para mantermos um relacionamento dinâmico contínuo com D’us.

 

Ele nos ensinou um modo de vida que nos permite expressar nosso poder espiritual infinito.

 

Seus ensinamentos nos colocaram no nível do versículo dito pelo profeta Habakuk: “O Tzadik vai viver na Emuná, porque os ensinamentos do Baal Shem Tov fazem da fé uma força vibrante que abrange todas as dimensões do nosso comportamento.

 

A qualidade única da fé é que ela permite uma conexão com D’us que transcende os limites do intelecto.

 

Mas essa vantagem ainda tem um limite, porque a dimensão espiritual na qual vivemos por meio da fé é muito mais elevada do que seu nível da nossa consciência.

 

Atingimos uma dimensão da Alma que transcende os limites da nossa identidade, surge um espaço vazio entre o potencial infinito possibilitado pela fé e nossa mente que é limitada pelos limites do nosso corpo material.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe nos permitem preencher esse espaço, porque ele nos ensina como trazer nossos potenciais espirituais que transcendem o intelecto para o nível da nossa compreensão.

 

O Alter Rebe nos ensina como introduzir a emuná que transcende as categorias intelectuais para dentro do nosso intelecto por meio de uma metodologia chamada de Habad.

 

Esta palavra é um acrônimo formado pelas iniciais das palavras hebraicas, Ho’hmá, Biná e Daat; literalmente, “sabedoria, entendimento e conscientização”.

 

A Habilidade de Tomar a Iniciativa

 

Quando você desenvolve um relacionamento consciente com D’us, você vive esse relacionamento na vida real, no dia a dia.

 

Enquanto seu Trabalho Divino estiver centrado apenas na fé, você depende da inspiração, um estado em que a Alma desperta.

 

Mas quando vamos de acordo com os ensinamentos do Alter Rebe conseguimos aos poucos chegar ao controle dos nossos pensamentos e podemos usar nossas mentes conforme desejamos.

 

Assim nossa fé fica direcionada pelo nosso intelecto, e podemos tomar a iniciativa de nosso crescimento espiritual.

 

Ou seja, como disse o Rebe Anterior, “O Baal Shem Tov revelou que devemos servir a D’us, e o Alter Rebe revelou como devemos servir a D’us”.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe tem como objetivo equipar cada um de nós com a energia vital interior revelada pelo Baal Shem Tov mesmo que esse potencial espiritual esteja fundamentalmente além do alcance do ser humano.

 

A palavra Elul é formada pelas iniciais das palavras “Eu sou do meu Amado” se referindo a você que toma a iniciativa de intensificar o relacionamento de amor que você compartilha com AShem.

 

Esse amor recebe maior expressão quando você faz o Trabalho Divino por sua própria iniciativa.

 

E cada um de nós pode chegar a isso por meio dos ensinamentos do Alter Rebe.

 

A vitalidade que Hai Elul nos traz aumenta as bênçãos que receberemos no próximo ano novo, assegurando a todos uma Ketivá Ve’Hatimá Tová, com cada um de nós inscrito para um ano bom e doce, incluindo a maior de todas as bênçãos que é a nossa Gueulá .

 

A vitalidade transmitida por esse dia de Hai Elul e seu efeito total em nosso Trabalho Divino também se reflete no fato de que esta data é o primeiro dos doze dias finais do ano.

 

O Rebe anterior, Rabi Yossef Yitzhak Shneerson nos contou que esses dias são muito especiais porque em cada um desses doze dias, somos capazes de compensar qualquer falta em nosso Trabalho Divino correspondente a cada mês do ano.

 

A vinda do Mashia’h é uma consequência direta da importância espiritual de Hai Elul, porque é uma data diretamente ligada à divulgação das fontes dos ensinamentos do Baal Shem Tov que trará a vinda do Mashia’h, como vocês podem ver na carta que o Baal Shem Tov escreveu para o seu cunhado Rabi Guershon Kitover sobre a subida que ele teve aos mundos superiores há trezentos anos atrás.

 

Ketivá Ve’Hatimá Tová Leshaná Tová UMetuká

 

Rabino Gloiber

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Como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

Parashat Nitzavim, é sempre lida no Shabat antes de Rosh a Shaná porque o Shabat envolve espiritualmente os dias posteriores e Rosh a Shaná é o dia do julgamento no qual todas as Neshamot, as nossas Almas, se apresentam na frente de AShem.

 

Nossa Parashá cita diferentes níveis de pessoas como os presidentes das tribos, lenhadores e aguadeiros, nos indicando que tanto os presidentes das tribos que representam as pessoas mais importantes quanto o lenhador e o aguadeiro, que representam as pessoas menos importantes são julgados juntos com total igualdade sendo que somos comparados à um corpo onde cabeça e pés se completam, nenhuma parte pode faltar e cada uma é julgada de acordo com a sua função.

 

O dia de Rosh a Shaná foi escolhido por D’us para ser o aniversário da criação do mundo.

 

O mundo foi criado em seis dias e cada um deles é o dia da criação do mundo, mas o sexto dia que é o dia no qual o homem foi criado, foi escolhido para ser o aniversário do mundo porque o ser humano é o objetivo da criação.

 

Porque então D’us falou para os anjos “Vamos fazer o homem a nossa imagem e semelhança“ (que não é imagem ou semelhança física mas é uma referência às Dez Sefirót) se somos mais importantes que os anjos?

 

Diz o Midrash que foi para nos ensinar a importância da humildade.

 

Se até D’us quando fez o homem compartilhou essa informação com os anjos porque eles teriam que interagir com essa nova criatura, quanto mais nós devemos nos comportar com humildade.

 

Um dos vínculos que encontramos entre nós e os anjos é o chamado “Tribunal Divino”. Ele é composto de anjos e Neshamot de Tzadikim.

 

Quando fazemos uma coisa boa criamos naquele tribunal um anjo à nosso favor, quando fazemos algo ruim criamos um anjo contra nós. Consequentemente o Tribunal Divino de cada um de nós é personalizado.

 

Diferente das outras “religiões” onde a divindade faz o que quer, no judaísmo, antes de D’us nos criar ele já tinha criado o tribunal Divino que fiscaliza nossas ações usando a Torá como referencial, e por mais que D’us seja a essência do bem, ele não pode ser tirano com esse tribunal e obrigá-los a mudar um decreto à nosso favor sem um motivo que justifique isso.

 

Sendo assim, como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?

 

Rezando por nós próprios

 

Rabi Yossef Albo que viveu na Espanha no ano de 1400 nos explica que quando nos arrependemos do que fizemos e rezamos, nos tornamos pessoas melhores.

 

Sendo que nos tornamos “outra pessoa”, aquele decreto que tinha sido feito para uma pessoa pior perde o efeito porque essa pessoa pior deixou de existir, e para a pessoa melhor que você ficou agora é feito um decreto melhor.

 

Rezando por outras pessoas

 

O Baal Shem Tov tinha um mestre que descia do céu para ensinar à ele Torá.

 

Esse mestre era o profeta Ahia a Shiloní que viveu na época do Rei Salomão e foi posteriormente o mestre de Eliahu a Naví.

 

Disse o Baal Shem Tov que o profeta Ahia revelou para ele que a Sefirá chamada Mal’hut é chamada de din, decreto rígido, e a raíz dos dinim é a sefirá chamada Bina.

 

Por meio da reza elevamos o “din” até a biná e lá adoçamos ele, ou seja, mudamos o DNA dele na sua fonte e transformamos ele em bondade.

 

Quando rezamos por outra pessoa ligamos ela a essa raiz espiritual, à Biná, e lá ela já é outra pessoa.

 

Então vamos aproveitar o Rosh a Shaná e rezar bastante para que nós e todos os que estão ligados à nós tenhamos um ano bom e doce e que Mashia’h chegue já!

 

 

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continua…..

Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida 🌻 Ki Tavô

 

Nossa Parashá conta sobre bençãos e maldições.

 

Sabemos que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , então o que são essas maldições?

 

Rabi Shneor Zalman fazia pessoalmente a leitura do Sefer Torá em Liozna, na Rússia.

 

Uma vez ele não estava na cidade, e outra pessoa leu exatamente essa Parashá, Ki Tavô.

 

O filho de Rabi Shneor Zalman, que se chamava Dov Ber, ficou tão angustiado quando ouviu as maldições, que passou mal o mês inteiro, e quase que não pôde jejuar no Yom Kipur por causa disso.

 

Quando perguntaram para ele: por que nos anos anteriores ele não passou mal?

 

Ele respondeu: -Quando meu pai lia, não se ouvia nenhuma maldição!

 

Quando esse filho cresceu e se tornou o Rebe da cidade de Lubavitch na Rússia, ele deu a seguinte explicação:

 

“Dentro de todo acontecimento infeliz, está revestida uma bondade enorme.

 

Tudo o que D’us faz é para o bem, e não existe mal que desce lá de cima, e por isso se faz uma benção sobre um acontecimento infeliz, da mesma maneira que se faz uma benção sobre um acontecimento feliz.

 

Quando termina esse aspecto negativo, automaticamente se revela o bem, que estava oculto nele, sendo muito superior a uma bondade revelada.

 

Como ouvi do meu pai, Rabi Shneor Zalman, sobre a raiz do assunto das maldições da Torá, que no final elas se transformam em “super bençãos” devido à grande intensidade da bondade oculta nelas, que se revela quando termina esse revestimento de “extrema rigidez”.

 

O Baal Shem Tov deu sobre isso um exemplo de uma pessoa que fez algo contra um Rei muito bondoso e poderoso.

 

Essa pessoa foi condenada pelo tribunal, mas no lugar disso o Rei pediu para darem a ele, um cargo no governo, e depois ir promovendo ele cada vez para um cargo mais alto e mais próximo ao Rei.

 

Quanto mais essa pessoa subia e se aproximava do Rei, mais ela ficava com vergonha do que havia feito.

 

À medida que ela ia percebendo a força e o poder do Rei, bem como a grande bondade dele, com que usava todo o seu poder, para auxiliar as pessoas, mais ele sofria vendo a honra que todos davam ao Rei por causa disso e antes ele tinha feito o contrário.

 

No final ela chegou à conclusão de que não existia castigo pior do que esse.

 

Porque se tivesse sido condenado à morte não sofreria tanto com esses remorsos.

 

O Rei vendo que essa pessoa se arrependeu do seu comportamento, e voltou a se comportar certo, o desculpou totalmente.

 

Esse Rei é AShem e essa pessoa somos nós!

 

A maldição não precisa ser necessariamente uma tragédia para fazermos teshuvá, mas podemos cumprir essas maldições dessa forma também, por meio do remorso que sentimos por termos feito a coisa errada.

 

Por isso está escrito:-“E será quando vier para você a benção e a maldição , você vai colocar no seu coração (se conscientizar) etc”

 

A benção, nesse caso, pode ser considerada uma maldição por nos trazer esse remorso, devido à nossa conscientização.

 

Conclusão:

 

O acontecimento infeliz, é um bem oculto de uma intensidade tão grande, que não tem como ele descer para esse mundo, de uma forma revelada e por isso ele desce com um revestimento de maldição.

 

Por isso, devemos estar sempre alegres, mesmo que aparentemente as coisas não estejam como deveriam estar.

 

Devemos ter a fé total de que quando esse revestimento terminar, e o bem oculto se revelar, veremos que valeu a pena ter tido um “pouquinho” de paciência para depois usufruir de uma bondade, que não teríamos como chegar a ela de outra maneira.

 

O desencadeamento das Sefirót é primeiro Hessed, a qual é a bondade, depois Guevurá que é a rigidez, e depois Tiféret que é a bondade intensa que não sai dela nenhuma Guevurá.

 

Para chegarmos a essa bondade intensa, obrigatoriamente temos que passar por um pouquinho de guevurá.

 

Mas logo chegará o Mashia’h, e aí será só bondade, intensa e revelada eternamente!

 

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Ciclo do ano Judaico

Por que o Shofar e feito com um chifre de Carneiro e por que tocamos o Shofar em Rosh a Shaná

 

Por que o Shofar é feito com um chifre de Carneiro?

 

Nosso patriarca Itzhak estava pronto para ser um sacrifício para D’us, mas no último instante foi substituído por um carneiro.

 

Os animais, inclusive o carneiro e a ovelha, foram criados no sexto dia da criação antes de Adão e Eva terem sido criados.

 

Mas aquele Carneiro que foi sacrificado no lugar de Itzhak tinha sido criado separadamente depois de toda a criação.

 

Diferente de todos os animais que foram criados macho e fêmea, aquele Carneiro foi criado sozinho.

 

Ele foi criado no sexto dia da criação do mundo,  depois do pôr do sol mas antes da saída das estrelas, e tudo o que foi criado nesse horário é meio material e meio espiritual.

 

Por isso, mesmo ele tendo sido sacrificado, queimado, seu chifre esquerdo se tornou o Shofar da entrega da Torá, seu chifre direito vai ser o Shofar da Gueulá e os seus tendões, ou seja, seus nervos, se tornaram as dez cordas da harpa do rei David que tinha dez notas musicais diferentes.

 

O Shofar e feito de um chifre de Carneiro, porque se os nossos méritos não são suficientes para termos um ano bom e doce, quando ouvimos o toque do Shofar em Rosh a Shaná lembramos à D’us de quem somos filhos.

 

Lembramos à D’us que nosso patriarca, Avraham, estava pronto para sacrificar o próprio filho, e nosso patriarca Itzhak que era o filho, estava pronto para ser sacrificado.

 

Se o mérito deles já é o suficiente para termos um ano bom e doce, quanto mais se tivermos um pouquinho de remorso pelas coisas ruins que fizemos e acrescentarmos no estudo da Torá e no cumprimento das Mitzvót!

 

As palavras de nossos profetas que nos despertam para a Teshuvá, para voltarmos ao caminho certo, são ouvidas como um toque de Shofar e quando ouvimos o toque do Shofar.

 

nos lembramos delas e voltamos para o bom caminho.

 

Quando nossos inimigos destruíram o Beit a Mikdash eles tocaram trombetas, quando tocamos o shofar em Rosh a Shaná, aceleramos a descida do nosso terceiro Beit a Mikdash que vai descer pronto do Céu

 

O Shofar nos acorda das nossas obsessões pelas coisas desse mundo material e nos lembra que nós não somos o nosso corpo mas sim a nossa Alma .

 

É como um alerta: nos inspira temor lembrando que este é o Dia de nosso julgamento.

 

O Rambam nos ensinou que a mensagem do Shofar, é:

 

“Acordem do seu sono e faça a revisão geral do seu comportamento.

 

Se lembre do seu Criador e volte  para ele.

 

Não seja daqueles que saem da realidade e começam a perseguir sombras ou esbanjam anos buscando coisas vãs que não lhes trazem proveito.

 

Abandone os caminhos errados e os maus pensamentos e volte para D’us.

 

Esta é a função mais importante dos sons do Shofar: inspirar a Alma e provocar vibrações extraordinárias no coração, ativando o sentimento do arrependimento e humildade.

 

O despertar de nosso sono

 

O som do shofar é como o toque de uma trombeta nos  despertando do nosso sono.

 

Estamos tão atarefados com os interesses do dia a dia – escola, trabalho, diversão – que tendemos a ficar indiferentes ao nosso verdadeiro objetivo na vida, como se estivéssemos imersos em sono profundo.

 

Rosh a Shaná, o ano novo ano judaico, nos desperta para planejarmos o cumprimento de Mitzvot e o estudo de Torá para o ano que se inicia.

 

Quando um novo rei começa a governar, é feita uma proclamação, acompanhada por toques de trombeta.

 

A cada ano, naquele dia, seu governo é novamente proclamado, também com o som da trombeta.

 

A Criação do Mundo foi completada em Rosh a Shaná, e o reinado de D’us começou no mundo.

 

A cada ano neste dia, proclamamos novamente Seu governo com o toque do Shofar.

 

Quando um rei (na época do Rav Saadia Gaon) emite um decreto um sinal de aviso é anunciado por meio do toque da trombeta representado pelo toque do Shofar.

 

Os Dez Dias de Teshuvá, dez dias de retorno à D’us começam com Rosh a Shaná e a mensagem deles é: Vamos nos “Aperfeiçoar”, e quando este decreto é emitido, o Shofar é tocado.

 

Quando recebemos a Torá no Monte Sinai, o som do Shofar foi ouvido por todos.

 

Neste dia de Rosh a Shaná nós assumimos novamente uma vida de acordo com a Torá, lembrada pelo toque do Shofar no Monte Sinai.

 

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O lado bom da coisa ruim

 

Nossa Parashá nos conta sobre bênçãos e maldições. Sabemos que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem, então o que são essas maldições?

 

Rabi Shneior Zalman fazia pessoalmente a leitura do Sefer Torá em Liozna. Um Shabat, quando as maldições seriam lidas naquela Parashá, ele não estava na cidade e outra pessoa leu no lugar dele.

 

O filho do Rabi Shneior Zalman que se chamava Dov Ber ficou tão angustiado quando ouviu a leitura das maldições que passou mal o mês inteiro.Quando descobriram que o motivo de ele estar passando mal foi por ter ouvido as maldições perguntaram à ele :-Todo ano você ouve essa Parashá, o que aconteceu agora?

 

: – Quando meu pai lia, respondeu ele, não se ouvia nenhuma maldição!

 

Quando esse filho cresceu e se tornou o segundo Rebe de Chabad e o primeiro Rebe da cidade de Lubavitch, revelou à todos o motivo de existirem essas maldições na Torá e explicou isso da seguinte maneira:

 

Dentro de todo acontecimento infeliz está revestida uma bondade Divina enorme, portanto tudo que D’us faz é para o bem e não existe mal que desce lá de cima, e por isso se faz uma bênção sobre um acontecimento infeliz da mesma maneira que se faz uma bênção sobre um acontecimento feliz.

 

Quando termina o aspecto negativo do acontecimento infeliz, ou seja, depois que ele passaa, automaticamente se revela o bem que estava oculto nele que é muito superior à uma bondade normal revelada, mas essa bondade maior só surge como consequência do acontecimento infeliz, como ouvi do meu pai, Rabi Shneior Zalman, sobre a raiz do assunto das maldições da Torá que, no final elas se transformam em “super bênçãos” por causa da grande intensidade da bondade oculta nelas que se revela quando termina esse revestimento de extrema rigidez

 

Então, muita calma nessa hora, você só tem a ganhar 🥰

 

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Ciclo do ano Judaico

Por que tocamos o Shofar de três formas diferentes?

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Rosh a Shaná, o ano novo judaico de 5787 começa ao pôr do sol de sexta feira dia 11 de setembro e termina na saída das estrelas de domingo dia 13 de setembro de 2026

 

Esse ano o primeiro dia de Rosh a Shaná vai ser Shabat e no Shabat não tocamos o Shofar. No Domingo 13/09/2026 tocamos o Shofar durante o dia.

 

O toque do Shofar é composto por três tipos de toques diferentes.

O primeiro toque é chamado Tekiá que é um toque de nove segundos sem interrupção.

 

O segundo toque é chamado de Shevarim que são três toques de três segundos cada um que parecem como três suspiros.

 

O terceiro toque é chamado Truá que são nove toques de um segundo cada um, que se parecem como soluços breves.

 

O que os Toques do Shofar representam?

A Tekiá nos lembra que já fomos um todo. Cada um de nós nasceu inteiro.

 

Os Shevarim nos lembram que conforme vamos crescendo vamos quebrando, nos tornamos fragmentados, dispersos, provocando suspiros existenciais.

 

A Truá nos lembra que nossas vidas foram abaladas e quebradas em pedaços através de várias experiências negativas, e por isso estamos chorando consciente ou inconscientemente.

Mas o que fazemos depois de cada vez que tocamos a Truá?

 

Tocamos a Tekiá novamente.

 

Isso nos lembra que podemos ser restaurados novamente à integridade.

 

Tekiá Guedolá toca os sons dispersos…

 

Os locais onde estamos colados juntos são locais onde a luz de AShem (D’us) pode entrar.

 

Depois de tocarmos todos os toques do shofar, chegamos à Tekiá Guedolá.

 

Atingimos o nível de Tekiá Guedolá, “a grande Tekiá”, um toque que dura enquanto quem toca o Shofar tiver fôlego, um toque muito mais longo do que o toque inicial que iniciou o ciclo.

 

A Guemará nos conta que um vaso de barro pode receber tumá que é a impureza espiritual, através do contato com determinadas substâncias impuras.

Se um recipiente de barro se torna impuro, a maneira de deixá-lo novamente puro, é quebrá-lo e então colar os pedacinhos juntos novamente.

 

Através da quebra do recipiente sua integridade é restaurada, ele se torna puro novamente.

 

Nós também somos feitos de barro, como a Torá nos conta que “D’us criou o ser humano da terra.”

 

Quando aceitamos nossa própria fragilidade, nossa própria vulnerabilidade, chegamos a conclusão de que estamos totalmente quebrados, nos tornamos capazes de uma integridade mais profunda e mais poderosa que aquela que conhecíamos antes.

 

A Tekiá Guedolá é o último dia toques do Shofar porque ela reúne em um só toque todos os toques que estavam dispersos.

 

Nossos pedacinhos, agora colados juntos, são locais onde a luz de D’us pode entrar.

 

E esse nível tão elevado só vem para nós depois de termos passado por essa quebra em pequenos pedacinhos.

 

 

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