Ki Tissá

ב”ה

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h, e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

Ki Tissá

 

Nossa Parashá nos conta que AShem (D’us) disse para Moshe que quando ele precisar contar o nosso povo, cada pessoa deve dar um “resgate” de si próprio para AShem quando forem contados, e dessa maneira eles não terão uma epidemia por terem sido contados.

 

A Parashá continua nos contando que cada um deveria dar meio shekel para essa contagem.

 

Ou seja, o dinheiro seria contado no lugar das pessoas, e assim se saberia quantas pessoas estavam lá sem precisar contá-las.

 

Rashi explica que o “olho mau” é a revelação da “Sitra Ahara”, do “outro lado”, ou seja, o lado ruim, tem domínio sobre o que é contado e as epidemias vem para as pessoas contadas por causa desse motivo, como aconteceu na época do rei David.

A explicação do Zohar

O Zohar nos explica que a Bênção Divina não paira sobre uma coisa contada medida ou pesada, e por isso foi pedido o “resgate” em dinheiro de cada pessoa que deveria ser contada, e o que foi contado foi o dinheiro do “resgate” e não as pessoas.

Pergunta o Zohar: Porque a morte paira sobre o que foi contado? E ele próprio responde que isso acontece pelo motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que é contado, medido ou pesado.

E sendo que a Bênção Divina abandona o que é contado, o “outro lado” paira sobre aquilo e por isso tem o poder de prejudicar.

Ou seja, quando cada um deu meio shekel, não foi um “prejuízo” para ele, mas um “prejuízo” no lugar dele. Ele perdeu meio shekel mas salvou a própria vida.

Diz o Zohar que o motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que foi contado é porque a “Sitra Ahara” que é o que apelidamos de “olho mau” tem domínio sobre o que foi contado, e se a Bênção Divina estivesse lá a “Sitra Ahara” teria a capacidade de usufruir dela, e por isso AShem é obrigado a tirar de lá a sua Benção quando a contagem acontece.

Ou seja, se a Bênção Divina caísse nas mãos da “Sitra Ahara”, seria como fazer uma bomba atômica e dar de presente para o inimigo.

O motivo de a “Sitra Ahara” , essa estrutura espiritual negativa que é chamada também de “olho mau”, ter acesso ao que foi contado medido ou pesado, é pelo fato de a contagem do número do peso ou do tamanho causar uma separação, e tudo o que é separado abre um acesso à “Sitra Ahara”.

Antes de algo ser contado, medido ou pesado, ele faz parte do “tudo”, e no “tudo” existe a Benção, porque o “tudo” está unido à raiz e fonte da Bênção, e de lá desce a vitalidade para todos.

Ou seja, no lado bom tudo é unido e no lado ruim todo é separado. O lado bom é infinito e ilimitado e o lado ruim é a fonte dos limites, limite de número de tamanho de peso e etc.

O exílio do Egito foi o nosso maior sofrimento e a palavra Egito, Mitzraim em hebraico, tem como raiz a palavra metzarim que quer dizer limitações.

Sendo assim, na hora em que algo é contado, medido ou pesado, é oficializada a separação daquilo em relação ao “todo” do qual fazia parte, e essa separação dá acesso à “Sitra Ahara”.

Mas antes disso acontece a saída da Benção Divina para que a “Sitra Ahara” não tenha acesso à ela.

Essa é a regra cabalística em relação a tudo o que é contado, medido ou pesado.

Mas quando Moshe fez todas as contas das doações do Mishkan e de tudo o que foi feito com essas doações, essa regra não se aplicou, sendo que Moshe está ligado ao mundo de Atzilut, o mundo oculto, e a “Sitra Ahara” como vimos só tem acesso ao que é revelado por meio da contagem pesagem ou medida.

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Aprendemos na nossa Parashá que quando quisermos contar nosso povo, não devemos contá-lo de maneira convencional porque isso pode atrair coisas negativas, como vimos posteriormente na época do Rei David que após a contagem do povo muitas pessoas faleceram por uma epidemia que surgiu repentinamente.

Na nossa Parashá AShem pede para cada uma das pessoas que serão contadas doarem meio “Shekel”, e a conta dessas moedas vai nos mostrar o número de pessoas que foram contadas sem precisarmos contá-las de verdade. Esse assunto se aplica aos nossos tempos também e a qualquer quantidade de pessoas judias.

Quando não há uma extrema necessidade de contar as pessoas, podemos contar, como por exemplo dez pessoas para a reza, por meio de um versículo que tem dez palavras, dizendo cada palavra olhando para uma pessoa diferente.

Quando há necessidade de contar, como no caso de um ônibus levando crianças para a escola, contamos as camisas das crianças, e não as próprias crianças. Há muitas formas de saber quantas pessoas estão em um lugar sem precisar contá-las. Então, vamos usar a nossa criatividade!

Tudo isso foi dito quando contamos por meio de palavras enão recai sobre as contagens que fazemos por meio de pensamento.

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Quando trabalhamos simplesmente para termos mais bens materiais, estamos “separando para nós”.

Mas quando trabalhamos para AShem e tudo o que temos vemos como equipamento para o trabalho Divino, estamos ligados à raiz, e a Bênção Divina recai sobre tudo o que fazemos.

Como a Tzedaká transforma todo o nosso trabalho em Mitzvá
Não teríamos como fazer uma doação de parte do nosso dinheiro sem ter o dinheiro para fazê-la, e para ter esse dinheiro precisamos viajar até o trabalho, nos dedicar à ele de corpo e Alma, perder nele as melhores horas do dia e os melhores anos da nossa vida.
Mas quando damos uma parte desse dinheiro para a Tzedaká, sendo que ele é a consequência do nosso trabalho, todo nosso trabalho se transforma em Mitzvá. Ele se torna a parte principal desta Mitzvá, sem ele a Mitzvá não teria como acontecer.

Por isso nossa Torá chama a doação de “elevação”, nos mostrando que essa Mitzvá eleva todo o nosso trabalho, incluindo o tempo perdido para ir até ele e também para voltar dele, sendo que ele é a parte principal da Mitzvá da Tzedaká.

Então quando terminamos o nosso trabalho e voltamos para casa, podemos dizer confiantes que o dia inteiro estávamos fazendo uma Mitzvá. Por meio da Tzedaká todo o nosso trabalho se transforma em Mitzvá, todo o nosso trabalho se torna a Mitzvá da Tzedaká.

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Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu desceu do monte Sinai com as “Tábuas da Lei”, em hebraico: Luhot Habrit.

A Guemará nos conta que essas Luhot eram dois quadrados de pedra de 48cm de comprimento, 48cm de altura e 24cm de largura ” ou seja , elas eram quadradas.

Em muitos casos elas aparecem arredondadas em cima, fato que não tem nada a ver com a nossa cultura judaica mas tem origem na cultura cristã.

Ou seja, os primeiros livros judaicos impressos após o século 15 foram impressos em gráficas de cristãos, a maioria delas na Itália.

As gráficas costumavam colocar um enfeite na página inicial, e sabendo que estavam imprimindo um livro religioso judaico, colocaram desenhos das “Tábuas da Lei” feitos por artistas de arte sacra cristã como por exemplo Michelangelo, no século 16, que era famoso na época.

Naquela época, a tecnologia de impressão recém descoberta baixava tanto o preço dos livros, que antes eram escritos a mão, que ninguém se importou com os desenhos dos enfeites, contanto que tivessem os livros impressos em hebraico.

Tempos depois, Judeus que nunca tiveram contato com arte sacra cristã acharam que, sendo que este desenho está em um livro judaico antigo, com certeza ele tem uma origem judaica.

E assim essas “Tábuas arredondadas” foram copiadas em todas as sinagogas, lapidadas na parede e no “Aron Hakodesh” que é o armário onde se guarda o Sefer Torá, bordadas na cortina do Aron Hakodesh, no “Meíl” que é o manto do Sefer Torá e na cobertura da “Bimá” que é a mesa na sinagoga onde se lê o Sefer Torá.

Sendo que essas Tábuas redondas estavam em livros e sinagogas antigas, com o tempo todos se acostumaram com elas e acharam que com certeza elas eram um símbolo judaico puro.

Até chegar o Rebe de Lubavitch e revelar essa história para nós, fazendo com que até o rabinato de Israel mudasse seu símbolo, de “Luhot” redondas para “Luhot” quadradas. Então, vamos tirar essas “Tábuas redondas” da nossa cultura!

Milagres revelados demonstrando a presença Divina entre nós

Alguns milagres aconteciam com essas Luhot. A escrita ultrapassava de lado a lado, mas aparecia do lado de trás e do lado da frente da mesma maneira, e as partes internas das letras que não tinham ligação com suas laterais ficavam paradas no ar no meio delas.

Quando Moshe Rabeinu estava nos trazendo as “Luhot”, o povo tinha sido induzido pela “erev rav” a fazer um “bezerro de ouro”, uma idolatria.

Moshe Rabeinu estava descendo do monte Sinai com as “Luhot”, e ao ouvir a festa da idolatria as “Luhot” caíram das suas mãos e se quebraram.

Depois que Moshe conseguiu resolver a situação e a idolatria parou, pediu para AShem desculpar o povo de Israel pelo acontecido, nos ensinando que o principal da Teshuvá é parar de fazer a coisa ruim e a próxima etapa é pedir desculpas por tê-la feita.

AShem revelou para Moshe uma mina de safira que, por incrível que pareça, estava embaixo da terra dentro da tenda de Moshe.

AShem pediu para Moshe lapidar duas “Luhot” como as anteriores e subir novamente ao monte Sinai. No Yom Kipur Moshe desceu com as segundas Luhot.

As novas “Luhot” foram guardadas dentro das “Arca da Aliança” junto com todos os pedaços das primeiras “Luhot” e acompanharam nosso povo até a destruição do primeiro Beit a Mikdash, quando foram escondidas nos túneis que construiu o Rei Salomão, e vão ser reveladas novamente quando Mashiach chegar.

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O bezerro de ouro

Nossa Parashá nos conta que depois da entrega da Torá no Monte Sinai, Moshe Rabeinu avisou o povo de Israel que iria subir novamente ao Monte Sinai e ficar lá quarenta dias e quarenta noites.

Quando ele deu esse aviso já tinha passado uma parte do dia, e por isso ele não considerou o dia em que subiu como sendo o primeiro dos quarenta dias. O povo contou os quarenta dias incluindo o dia em que Moshe subiu, e por isso, depois de 39 dias eles acharam que chegou o dia de ele descer.

Existe um anjo chamado de “Satan” que em hebraico quer dizer “desviador”. Esse anjo é comparado a um fiscal do governo que entra em uma loja, compra uma coisa barata e diz que não precisa de nota fiscal. Depois disso manda um relatório para o tribunal de contas acusando o dono da loja de não ter dado essa nota fiscal.

Assim também trabalha o Satan, desce e nos seduz a transgredir um Mandamento Divino, e depois disso sobe e nos acusa no tribunal Divino. Delata a transgressão que fizemos mesmo tendo sido causada por ele.

O método de trabalho dele é simples. Quando AShem (D’us) criou Adam (Adão) e Havá (Eva), o Satan “baixou” na cobra, e todo o tempo que ele estava nela ela falava, era esperta e inteligente. Depois que ele saiu dela, ela voltou a ser o animal irracional que era desde o começo.

Caso fosse perguntado à ele porque ele falou para Havá comer a fruta proibida, ele responderia:- AShem pediu para não comer aquela fruta e uma “cobra” falou para comer, à quem eles deveriam escutar?

O tribunal Divino dá um limite para ele. Sempre que há uma revelação Divina, o Satan pode fazer alguma coisa paralela somente até aquele mesmo nível de revelação para que haja o livre arbítrio, nos dando a possibilidade de optar entre fazer o que AShem (D’us) pediu ou fazer o que a cobra pediu.

Ou seja, se o túmulo de um Tzadik foi aberto depois de centenas de anos do seu falecimento e o corpo dele estava intacto como se estivesse vivo, o mesmo tem que acontecer com o túmulo de um sacerdote da idolatria, para podermos ter o livre arbítrio para escolher entre AShem (D’us) e a idolatria.

Sendo que a revelação Divina que aconteceu com a entrega da Torá nos tirou esse livre arbítrio, porque vimos uma revelação Divina eternamente incontestável, agora chegou a vez do Satan fazer a revelação dele para podermos escolher entre AShem e a cobra.

E da mesma maneira que na entrega da Torá, Moshe Rabeinu teve uma participação fundamental, AShem falou os primeiros dois Mandamentos e o povo pediu para Moshe ouvir de AShem os outros oito Mandamentos e repassar para eles.

Agora chegou a vez do Satan e os representantes dele que naquele momento que eram os feiticeiros da “Erev Rav”.

Agora no lugar de escolher entre AShem e a cobra vamos ter que escolher entre AShem e um bezerrinho feito de ouro.

O plano “diabólico”

No começo o Satan fez uma revelação visual. Todos viram no “céu” uma “visão” do “enterro” de Moshe. E como acontece muitas vezes de pessoas verem discos voadores mas nunca conseguirem pegar um desses “marcianos” com as mãos, assim também aconteceu nesse caso.

O Satan mostrou o “enterro de Moshe” acontecendo no Céu, bem longe de alguém que quisesse ir lá para ver se é de verdade ou não.

Aí chegou a equipe dos feiticeiros da “Erev Rav” que fizeram a declaração oficial de que Moshe Rabeinu faleceu e a religião judaica terminou, agora a nova religião vai ser uma estátua, continuação da religião do Egito, país da “Erev Rav”.

E da mesma forma que os cristãos colocaram um “antigo testamento” no cristianismo para dizer que a idolatria deles é nada mais nada menos do que o nosso D’us que nos tirou do Egito, dando assim legitimidade à idolatria deles, assim também a “Erev Rav” precisou de Aharon para ser o Cohen da idolatria e dizer que esse bezerro de ouro é aquele D’us que tirou os judeus do Egito.

Depois de ver os setenta anciãos serem assassinados pela “Erev rav” por não concordarem em fazer idolatria, e depois de ver Hur, o filho de Miriam, também ser assassinado por não concordar em fazer idolatria, Aharon chegou a conclusão de que se matarem ele também, nosso povo estará perdido nas mãos da “Erev rav” e será levado de volta para o Egito sem que o faraó precise fazer o mínimo esforço.

O plano de Aharon

Quando Moshe Rabeinu subiu ao Monte Sinai, Aharon Hacohen e Hur, o filho de Miriam, ficaram responsáveis pelo nosso povo. Aharon Hacohen viu que Hur foi assassinado pela Erev Rav e que não conseguiria impedir a Erev Rav de fazer a idolatria batendo de frente com eles, então planejou sabotar a Erev Rav por dentro.

Ele pediu para os homens trazerem os brincos de ouro das mulheres para fazer a estátua. Ele sabia que as mulheres não iriam doar seus brincos para a idolatria, e assim a Erev Rav iria perder a moral.

E ele tinha razão! As mulheres se recusaram a apoiar a idolatria. Até aqui o plano de Aharon deu certo, mas o que Aharon não esperava que acontecesse foi exatamente o que aconteceu. Os homens arrancaram os brincos das mulheres a força e os trouxeram para fazer a estátua

Diz o Ari Zal que a geração do Mashia’h é a reencarnação da geração que saiu do Egito e morreu no deserto, e o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, e por isso essa geração vai ser uma geração de intelectuais a exemplo da geração do deserto que estudou Torá durante quarenta anos.

E a principal característica dessa geração, diz o Ari Zal, vai ser o fato de todas as mulheres mandarem em todos os maridos. E o motivo para isso é o fato de elas terem ido contra a idolatria e os homens terem arrancado delas os brincos a força para doarem para a idolatria. O Rebe diz que essa geração somos nós! Precisamos de mais sinais para sabermos que estamos na geração da Gueulá?

O “yetser hará” da idolatria

A cobra falou para Havá que D’us se tornou D’us porque comeu a fruta da Etz Hadaat, e se eles comessem essa fruta eles também virariam D’us. Eles comeram a fruta proibida para se tornarem D’us, fazendo de si próprios uma idolatria.

Por causa disso, a Alma Divina de Adam Harishon se impurificou e recebeu o que chamamos de “yetzer hará” (mau instinto) da idolatria.

Ou seja, sendo que a raiz da Alma de cada um de nós no seu DNA é a Alma Divina do Adam Harishon, sendo assim todos tinham na própria natureza a vontade de fazer idolatria por causa da auto idolatria de Adam Harishon.

Por isso o povo de Israel foi cúmplice da Erev Rav no bezerro de ouro, e por isso durante 790 anos, desde o falecimento de Josué até a destruição do primeiro Beit a Mikdash o principal problema do nosso povo foi a idolatria.

A Guemará nos conta que os “Anshei Knesset Hagdolá”, que eram os Sábios e profetas que viveram entre a destruição do primeiro Beit a Mikdash e a construção do segundo Beit a Mikdash, fizeram um jejum de três dias e três noites direto, e no final desse jejum pediram na Tefilá para que nesse mérito o “yetzer hará” da idolatria fosse anulado.

Nesse momento caiu um bilhetinho do céu com a palavra “Emet” confirmando essa anulação.

Tem quem diz que foram quarenta jejuns e tem quem diz que eles não precisaram fazer nenhum jejum, mas simplesmente o fato de eles terem instituído as Bênçãos matinais, as rezas que fazemos todos já deu à eles o direito de fazer esse pedido, e essa é a opinião do Hatam Sofer que foi um grande Tzadik que viveu na Hungria há duzentos anos atrás.

E sendo que por meio disso aconteceu novamente o mesmo desequilíbrio espiritual que tinha acontecido com a entrega da Torá, ou seja, o livre arbítrio desequilibrou, AShem (D’us) teve que reduzir a revelação Divina que acontecia por meio dos profetas para rrequilibrar novamente o livre arbítrio no mundo.

E por isso, a partir daquele momento não temos mais yetzer hará para fazer idolatria, mas também não temos mais profetas.

Conclusão:

Vamos rezar com muita alegria e pedir para AShem fazer com que a nossa Gueulá aconteça imediatamente, só temos a ganhar!

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

 

 

A Parashá da minha vida 🌻 Tetzavê


TETZAVÊ

 

Nossa Parashá começa com as palavras: “e você vai ordenar”. Essa linguagem não é usual na Torá, sendo que nesse caso esse “e” está adicionando alguém junto à Moshe Rabeinu.

 

Às vezes vemos na Torá que Moshe Rabeinu está falando em uma linguagem, como se fosse AShem (D’us) falando, e não ele. Diz o Zohar que nesse caso é a própria She’hiná (Presença Divina) falando por meio das cordas vocais de Moshe.

 

Às vezes Moshe discute com AShem (D’us), e pede para Ele desculpar o nosso povo. Diz o Zohar que nesse caso, Moshe é Moshe e não AShem falando por meio das cordas vocais de Moshe.

 

O Zohar nos conta, que a linguagem da nossa Parashá está nos indicando que nesse caso AShem e Moshe estão falando juntos.

 

Não é AShem sozinho falando por meio das cordas vocais de Moshe, e nem Moshe sozinho fazendo um pedido para AShem, mas os dois falando juntos.

 

Rabi Hiya no Zohar nos conta que todo lugar na Torá que está escrito “e você” está nos indicando que a presença Divina está com ele. Ou seja, este “e” vem nos indicar “alguém e você”, e esse “alguém” é AShem (D’us).

 

Rabi Itzhak no Zohar nos explica que essa linguagem aparece para nos indicar que nesse caso a luz de cima e a luz de baixo se unem se tornando uma só.

 

Moshe Rabeinu cumpriu a missão de repassar ao povo de Israel, os assuntos relacionados à construção do Mishkan, mas, na prática, cada um teve a inspiração Divina causada por essa sincronização entre o mundo de cima e o mundo de baixo.

 

Cada um dos “Sábios de coração” que trabalharam com a construção do Mishkan, e de todos os seus artefatos, fizeram o que precisava ser feito mesmo nos mínimos detalhes que Moshe Rabeinu não chegou a repassar.

 

E fizeram tudo tão perfeito a ponto de ele próprio se espantar com o fato de tudo ter sido feito como AShem havia mostrado para ele no Monte Sinai, e não para eles.

 

Mais a frente, o Zohar nos conta como esse fenômeno espiritual acontece com cada um de nós.

 

אי איהו קיימא בנהירו דאנפין מתתא, כדין הכי נהרין ליה מעילא, ואי איהו קיימא בעציבו, יהבין ליה דינא בקבליה

Diz o Zohar que “se estamos com um sorriso aqui embaixo, assim somos iluminados lá de cima”. Em outros termos, AShem (D’us) nos dá motivo para ficarmos alegres de verdade.

 

Mas se estamos tristes aqui embaixo (mesmo tendo um motivo justo para ficarmos tristes), trazemos para nós as severidades “lá de cima”.

וּמִמַּעַל לָרָקִיעַ אֲשֶׁר עַל רֹאשָׁם כְּמַרְאֵה אֶבֶן סַפִּיר דְּמוּת כִּסֵּא וְעַל דְּמוּת הַכִּסֵּא דְּמוּת כְּמַרְאֵה אָדָם עָלָיו מִלְמָעְלָה

O Alter Rebe nos traz uma explicação do Maguid de Mezritch sobre o versículo em Yehezkel que diz: “sobre a aparência do trono, uma aparência como a aparência humana”. Diz o Maguid, que isso quer dizer que como nos comportamos aqui em baixo, causamos a revelação Divina lá em cima. Isto significa que, a revelação Divina acontece para nós como a nossa aparência naquele momento.

 

A descrição do profeta Yehezkel sobre a revelação Divina ser comparada à aparência da pessoa, não é uma coisa material, sendo que AShem está acima dos conceitos materiais e não tem nenhuma comparação com o material. Mas a intenção é de que a revelação Divina que está sobre o trono reflete espiritualmente nossa aparência aqui em baixo.

 

Se estamos tristes, mesmo por motivos justos, a revelação Divina em relação a nós é Guevurá. Mas se estamos alegres, a revelação Divina em relação a nós é a Hessed, (bondade) e aí todos os milagres acontecem.

 

וְאַתָּה תְּצַוֵּה אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל

Nossa Parashá começa com as palavras “e você”. Em Parashat Bereshit, AShem diz aos Anjos “façamos o homem”, e depois AShem faz o ser humano sem a mínima participação desses Anjos.

 

AShem não precisou falar para os Anjos “façamos um boi ou façamos um cavalo, então por que no caso da criação do ser humano AShem convidou os Anjos para participarem dela mesmo que no final eles não participaram?

 

Um dos motivos para isso, é para consolar os Anjos, sendo que até aquele momento eles eram as criaturas mais elevadas e agora seria criado o ser humano que seria superior aos Anjos. Assim dizendo, AShem teve que dizer para eles “façamos o homem” para dar um consolo a eles.

 

Outro motivo para isso, é porque os Anjos teriam várias responsabilidades em relação a nós, e por humildade Divina Hashem deu uma satisfação para eles, antes de nos criar, oferecendo a eles, até mesmo uma participação na nossa criação.

 

Na nossa Parashá, a intenção Divina na expressão “e você” é dizer “nós”, por que o versículo já não diz explicitamente “nós”, no mesmo estilo do versículo que fala sobre a criação do homem?

 

Porque aqui na nossa Parashá o “você”, é a pessoa principal desse versículo, e AShem aparece como secundário indicado indiretamente por um simples “e”. Nessa mesma Parashá o Zohar traz uma regra profunda que por meio dela podemos entender claramente todos esses porquês.

 

Diz o Zohar que o mundo de baixo está sincronizado com o mundo de cima, e está sempre dependendo dele para receber de lá tudo o que nosso mundo precisa. Mas tudo o que receberemos dependerá de nós, e não do mundo de cima.

 

Se aqui nesse mundo estamos com um sorriso no rosto, alegres e felizes, recebemos um sorriso lá de cima, e não precisamos mais nos preocupar com nada, porque somos queridos no mundo de cima e todos os nossos problemas serão resolvidos com muito amor e carinho.

 

Por isso, diz o Zohar, está escrito no Tehilim que devemos servir à D’us com alegria, porque a alegria da pessoa traz para ela outra alegria superior.

 

Isto é, quando você está triste, você desperta o lado esquerdo do mundo superior, o lado da guevurá (severidade), e atrai para você todos esses “dinim”, todos os decretos ruins que vem retificar a sua Alma da pior maneira possível e consequentemente a mais dolorosa.

 

Quando você se esforça e fica alegre, mesmo não tendo o mínimo motivo para isso, você desperta o lado direito no mundo superior, o lado da Hessed (a bondade Divina), e AShem te dá verdadeiros motivos para ficar alegre. Todos os seus problemas são resolvidos com muito amor e carinho, e você recebe todos os motivos do mundo para ser feliz.

 

Nesse processo, sua Alma é purificada de maneira positiva. AShem te dá muito dinheiro para dar para a Tzedaká, você consegue fazer muitos favores para muitas pessoas, e purifica a sua Alma dessa maneira sem precisar sofrer. Mas isso não dependerá lá de cima, mas sim de você.

 

E por isso nossa Parashá coloca a palavra você como principal, e a revelação Divina em segundo plano como algo que te acompanha, e você determina para qual direção ela vai te acompanhar. Você decidirá se AShem vai se revelar para você como um pai ou como um rei, e isso dependerá somente de você.

 

Conclusão: Fique sempre alegre, não importa a situação. Você só tem a ganhar!

 

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AS ROUPAS DO COHEN GADOL

 

Muitos segredos se ocultam por trás dessas roupas, como por exemplo o pedido Divino de colocar dentro do Hoshen (peitoral sacerdotal) o Urim e o Tumim.

 

E nas doze pedras preciosas encaixadas no Hoshen estavam gravados os nomes dos doze filhos de Yaakov, patriarcas das treze tribos de Israel (no lugar dos nomes de Efraim e Menashe estava o nome de Yossef). Por trás das pedras preciosas, dentro do Hoshen, estavam o Urim e o Tumim.

 

Quando surgia uma pergunta de importância pública, como uma dúvida relativa à estratégia de guerra, ou outro assunto público importante, que necessitava de uma resposta Divina explícita, ela era perguntada em frente ao Cohen Gadol que vestia o Hoshen.

 

Nessa hora, por causa do Urim e Tumim, um milagre acontecia com as letras dos nomes lapidados nas pedras preciosas.

 

Rabi Yohanan na Guemará em Yoma diz que um conjunto de letras se destacava e o Cohen Gadol montava com elas palavras por meio de Rua’h aKodesh (Inspiração Divina). Reish Lakish diz que as letras se moviam milagrosamente e montavam palavras.

 

O Ramban, Rabi Moshê ben Na’hman explica que as letras se iluminavam para o Cohen Gadol, e assim elas se ressaltavam.

 

Urim e Tumim

 

Rashi esclarece que o Urim e o Tumim são o Nome explícito de AShem escrito e colocado dentro das dobras do Hoshen.

 

E por meio dele, as palavras Hoshen se tornavam perfeitas e iluminadas, e por causa desse Nome de AShem que estava nele, o Hoshen é chamado de Hoshen Mishpat (peitoral do juízo).

 

Porque por meio dessa escrita, as perguntas eram milagrosamente julgadas e as respostas do Hoshen eram explícitas determinando se fazer ou não fazer o que foi perguntado.

 

Urim

 

O Ari Zal explica que o Urim era o Nome de AShem conhecido como Nome “Mem Beit”, letra Mem e letra Beit do alfabeto hebraico cujo valor numérico delas juntas é 42.

 

Esse nome é chamado de “Mem Beit” por ser composto pelas iniciais de cada uma das 42 palavras da reza cabalística “Ana Bekoa’h”.

 

Tumim

 

O Ari Zal explica que o Tumim era o Nome de AShem conhecido como “Ain Beit” (72) que é assim chamado por ser o valor numérico do “Milui” (preenchimento) do nome de AShem de quatro letras conhecido como Tetragrama.

 

Quer dizer, o nome de cada letra é escrito literalmente e o resultado do valor numérico das letras que compõem os nomes das quatro letras é 72.

 

Quando o Cohen Gadol estava no Mishkan ou no primeiro Beit  a Mikdash, esses Nomes se encontravam dentro do Hoshen. Diz o Ari Zal que não era possível fazer perguntas dessa forma a não ser dentro do Beit  a Mikdash ou do Mishkan.

 

E por isso o Hoshen de Aviatar, o Cohen que fugiu da cidade de Nov que foi atacada por Shaul e se uniu à David antes de ele ser o rei de Israel, não tinha o Urim e Tumim. Ou seja, David recebia respostas Divinas do Hoshen de Aviatar por meio do Rua’h aKodesh do próprio David, e não por causa do Urim e Tumim.

 

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AS ROUPAS DOS COHANIM

OS SACERDOTES DO NOSSO POVO

 

Rabi Anani bar Sasson na Guemará nos conta que essas roupas tinham uma característica espiritual muito interessante: elas faziam a reparação das nossas transgressões.

 

Sendo que D’us é a essência do bem, e a natureza de quem é bom, é fazer o bem, quando tomamos a decisão de não fazer mais uma coisa ruim, e nos arrependemos de tê-la feito, ele nos dá várias oportunidades de retificação para não precisarmos chegar à “medida por medida”.

 

Ou seja, para não precisarmos passar por um sofrimento relativo ao mal que fizemos.

 

Um exemplo disso é o Shabat que serve como reparação para a transgressão da idolatria.

 

Imagine um judeu que volta da Índia depois de ter rezado para todas as milhares de estátuas que tem lá, ter feito oferendas para as estátuas e etc.

 

E no final essa pessoa se arrepende de toda a idolatria que fez, e vai perguntar ao Rabino, o que fazer para retificar toda a idolatria que praticou.

 

:- Rabino, diz a pessoa, eu acabei de voltar de uma peregrinação religiosa de um ano na Índia. Não teve uma estátua que eu não me prostrei na frente dela, que não rezei, ou fiz uma oferenda para ela. Mas agora estou profundamente arrependido de ter feito isso. Como faço para consertar o que fiz? Vou sentar em um formigueiro?

 

:- D’us nos livre, responde o Rabino. Você vai consertar isso da seguinte maneira:

 

Compre uma roupa muito bonita para Shabat, faça quatro Halot (pães para Shabat), compre um peixe bem grande, tire as escamas e prepare ele bem gostoso para Shabat.

 

Compre dois quilos de uva e faça um suco de uva bem gostoso para o kidush. Faça muitas saladinhas e sobremesa, comemore o Shabat com a sua família com muita alegria, e essa é a sua retificação!

 

:- Mas Rabino, exclama o homem espantado, isso parece mais um prêmio do que um castigo!

 

:- Você decidiu que não vai mais fazer idolatria? Pergunta o Rabino, se arrependeu do que fez? Agora tem dois jeitos de retificar, um muito bom e o outro muito ruim. Qual você escolhe?

 

Como nesse exemplo verídico em relação à idolatria, assim também acontece com todas as transgressões da Torá.

 

Previamente temos de tomar a decisão de não fazer a coisa ruim novamente e se arrepender de tê-la feito. Assim, o que sobra é retificar o que fizemos.

 

Se não retificamos de maneira positiva, essa pendência continua.

 

E quando chega o limite, D’us nos livre, somos retificados contra a nossa vontade, e de maneira negativa, “medida por medida”. Ou seja, o que fizemos de errado conosco.

 

Rabi Anani nos conta que no livro de Vaykrá a Torá fala sobre os Korbanot, os sacrifícios de animais, e logo em seguida fala sobre as roupas dos Cohanim.

 

Nos indicando que da mesma maneira que os Korbanot vem para retificar as nossas transgressões, dessa mesma maneira as roupas dos Cohanim retificam as nossas transgressões.

 

Quando essas roupas eram usadas pelo Cohen Gadol no Mishkan que era um Templo móvel, e posteriormente no Beit a Mikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, cada uma delas reparava um tipo de transgressão diferente.
Cada roupa com a sua função:

 

●    Ktonet – a túnica do Cohen Gadol, retificava os assassinatos.

 

●    Mi’hnassaim – a calça do Cohen Gadol, retificava as relações ilícitas.

 

●    Mitznefet – o turbante do Cohen Gadol, retificava a prepotência.

 

●    Avnet – o cinturão do Cohen Gadol, retificava os maus pensamentos.

 

●    Hoshen – a jóia de doze pedras preciosas que o Cohen Gadol tinha sobre o peito, retificava os erros de legislação.

 

●    Efod – o avental do Cohen Gadol, retificava a idolatria.

 

●    Meil – o manto do Cohen Gadol, retificava a difamação.

 

●    Tzitz – como uma tiara de ouro sobre a testa do Cohen Gadol, retificava a arrogância.

 

 

A explicação do “Rosh”

 

Rabeinu Asher bem Yehiel, conhecido como “o Rosh”, nasceu em Colônia na Alemanha antiga aproximadamente no ano de 1250.

 

O Rosh era descendente do grande rabino, Rabi Eliezer bem Nathan, conhecido como o Raaban. Um dos seus oito filhos foi Rabi Yaacov Baal Haturim, autor do Arba’ah Turim, famoso código de lei judaica.

 

Seu principal professor foi o grande Rabi Meir de Rothenburg que naquela época vivia em Worms na Alemanha antiga. Naquela época o Rosh também trabalhava com empréstimos e a situação financeira dele era muito boa.

 

Quando Rabi Meir de Rothenburg foi preso pelo governo, que queria extorquir a comunidade judaica, o Rosh quis pagar uma fiança astronômica exigida por eles para libertá-lo, mas Rabi Meir recusou, com medo de que isso servisse de incentivo para a prisão de outros rabinos.

 

Após isso, o Rosh assumiu a posição do rabino Meir em Worms. Porém, foi obrigado a emigrar para a França e depois para Toledo na Espanha, onde se tornou o Rabino da cidade por recomendação de Rabi Shlomo ben Aderet conhecido como Rashba.

 

Rabeinu Asher faleceu em Toledo no ano de 1328. Ele trouxe o espírito Talmúdico rigoroso e estreito da Alemanha antiga para a Espanha antiga.

 

Em um dos seus comentários sobre a Guemará, o Rosh explica que as roupas do Cohen Gadol não conseguiram retificar as transgressões de idolatria, assassinatos e relações ilícitas na época do primeiro Beit a Mikdash. E o Beit  a Mikdash foi destruído e nosso povo exilado para a Babilônia por causa dessas transgressões.

 

O motivo para isso, explica o Rosh, é que eles não fizeram Teshuvá. Não se arrependeram das atrocidades que tinham feito e não tomaram a decisão de não fazê-las novamente.

 

Mas se tivessem feito Teshuvá, as roupas do Cohen Gadol retificariam as transgressões, o Beit  a Mikdash não seria destruído e nosso povo não seria exilado.

 

 

 
Shabat Shalom!

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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Ki Tissá

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h, e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

Ki Tissá

Nossa Parashá nos conta que AShem (D’us) disse para Moshe que quando ele precisar contar o nosso povo, cada pessoa deve dar um “resgate” de si próprio para AShem quando forem contados, e dessa maneira eles não terão uma epidemia por terem sido contados.

A Parashá continua nos contando que cada um deveria dar meio shekel para essa contagem.

Ou seja, o dinheiro seria contado no lugar das pessoas, e assim se saberia quantas pessoas estavam lá sem precisar contá-las.

Rashi explica que o “olho mau” é a revelação da “Sitra Ahara”, do “outro lado”, ou seja, o lado ruim, tem domínio sobre o que é contado e as epidemias vem para as pessoas contadas por causa desse motivo, como aconteceu na época do rei David.

A explicação do Zohar

O Zohar nos explica que a Bênção Divina não paira sobre uma coisa contada medida ou pesada, e por isso foi pedido o “resgate” em dinheiro de cada pessoa que deveria ser contada, e o que foi contado foi o dinheiro do “resgate” e não as pessoas.

Pergunta o Zohar: Porque a morte paira sobre o que foi contado? E ele próprio responde que isso acontece pelo motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que é contado, medido ou pesado.

E sendo que a Bênção Divina abandona o que é contado, o “outro lado” paira sobre aquilo e por isso tem o poder de prejudicar.

Ou seja, quando cada um deu meio shekel, não foi um “prejuízo” para ele, mas um “prejuízo” no lugar dele. Ele perdeu meio shekel mas salvou a própria vida.

Diz o Zohar que o motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que foi contado é porque a “Sitra Ahara” que é o que apelidamos de “olho mau” tem domínio sobre o que foi contado, e se a Bênção Divina estivesse lá a “Sitra Ahara” teria a capacidade de usufruir dela, e por isso AShem é obrigado a tirar de lá a sua Benção quando a contagem acontece.

Ou seja, se a Bênção Divina caísse nas mãos da “Sitra Ahara”, seria como fazer uma bomba atômica e dar de presente para o inimigo.

O motivo de a “Sitra Ahara” , essa estrutura espiritual negativa que é chamada também de “olho mau”, ter acesso ao que foi contado medido ou pesado, é pelo fato de a contagem do número do peso ou do tamanho causar uma separação, e tudo o que é separado abre um acesso à “Sitra Ahara”.

Antes de algo ser contado, medido ou pesado, ele faz parte do “tudo”, e no “tudo” existe a Benção, porque o “tudo” está unido à raiz e fonte da Bênção, e de lá desce a vitalidade para todos.

Ou seja, no lado bom tudo é unido e no lado ruim todo é separado. O lado bom é infinito e ilimitado e o lado ruim é a fonte dos limites, limite de número de tamanho de peso e etc.

O exílio do Egito foi o nosso maior sofrimento e a palavra Egito, Mitzraim em hebraico, tem como raiz a palavra metzarim que quer dizer limitações.

Sendo assim, na hora em que algo é contado, medido ou pesado, é oficializada a separação daquilo em relação ao “todo” do qual fazia parte, e essa separação dá acesso à “Sitra Ahara”.

Mas antes disso acontece a saída da Benção Divina para que a “Sitra Ahara” não tenha acesso à ela.

Essa é a regra cabalística em relação a tudo o que é contado, medido ou pesado.

Mas quando Moshe fez todas as contas das doações do Mishkan e de tudo o que foi feito com essas doações, essa regra não se aplicou, sendo que Moshe está ligado ao mundo de Atzilut, o mundo oculto, e a “Sitra Ahara” como vimos só tem acesso ao que é revelado por meio da contagem pesagem ou medida.

🌻🌻🌻

Aprendemos na nossa Parashá que quando quisermos contar nosso povo, não devemos contá-lo de maneira convencional porque isso pode atrair coisas negativas, como vimos posteriormente na época do Rei David que após a contagem do povo muitas pessoas faleceram por uma epidemia que surgiu repentinamente.

Na nossa Parashá AShem pede para cada uma das pessoas que serão contadas doarem meio “Shekel”, e a conta dessas moedas vai nos mostrar o número de pessoas que foram contadas sem precisarmos contá-las de verdade. Esse assunto se aplica aos nossos tempos também e a qualquer quantidade de pessoas judias.

Quando não há uma extrema necessidade de contar as pessoas, podemos contar, como por exemplo dez pessoas para a reza, por meio de um  versículo que tem dez palavras, dizendo cada palavra olhando para uma pessoa diferente.

Quando há necessidade de contar, como no caso de um ônibus levando crianças para a escola, contamos as camisas das crianças, e não as próprias crianças. Há muitas formas de saber quantas pessoas estão em um lugar sem precisar contá-las. Então, vamos usar a nossa criatividade!

Tudo isso foi dito quando contamos por meio de palavras enão recai sobre as contagens que fazemos por meio de pensamento.

🌻🌻🌻

Quando trabalhamos simplesmente para termos mais bens materiais, estamos “separando para nós”.

Mas quando trabalhamos para AShem e tudo o que temos vemos como equipamento para o trabalho Divino, estamos ligados à raiz, e a Bênção Divina recai sobre tudo o que fazemos.

Como a Tzedaká transforma todo o nosso trabalho em Mitzvá
Não teríamos como fazer uma doação de parte do nosso dinheiro sem ter o dinheiro para fazê-la, e para ter esse dinheiro precisamos viajar até o trabalho, nos dedicar à ele de corpo e Alma, perder nele as melhores horas do dia e os melhores anos da nossa vida.
Mas quando damos uma parte desse dinheiro para a Tzedaká, sendo que ele é a consequência do nosso trabalho, todo nosso trabalho se transforma em Mitzvá. Ele se torna a parte principal desta Mitzvá, sem ele a Mitzvá não teria como acontecer.

Por isso nossa Torá chama a doação de “elevação”, nos mostrando que essa Mitzvá eleva todo o nosso trabalho, incluindo o tempo perdido para ir até ele e também para voltar dele, sendo que ele é a parte principal da Mitzvá da Tzedaká.

Então quando terminamos o nosso trabalho e voltamos para casa, podemos dizer confiantes que o dia inteiro estávamos fazendo uma Mitzvá. Por meio da Tzedaká todo o nosso trabalho se transforma em Mitzvá, todo o nosso trabalho se torna a Mitzvá da Tzedaká.

🌻🌻🌻🌻🌻

Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu desceu do monte Sinai com as “Tábuas da Lei”, em hebraico: Luhot Habrit.

A Guemará nos conta que essas Luhot eram dois quadrados de pedra de 48cm de comprimento, 48cm de altura e 24cm de largura ” ou seja , elas eram quadradas.

Em muitos casos elas aparecem arredondadas em cima, fato que não tem nada a ver com a nossa cultura judaica mas tem origem na cultura cristã.

Ou seja, os primeiros livros judaicos impressos após o século 15 foram impressos em gráficas de cristãos, a maioria delas na Itália.

As gráficas costumavam colocar um enfeite na página inicial, e sabendo que estavam imprimindo um livro religioso judaico, colocaram desenhos das “Tábuas da Lei” feitos por artistas de arte sacra cristã como por exemplo Michelangelo, no século 16, que era famoso na época.

Naquela época, a tecnologia de impressão recém descoberta baixava tanto o preço dos livros, que antes eram escritos a mão, que ninguém se importou com os desenhos dos enfeites, contanto que tivessem os livros impressos em hebraico.

Tempos depois, Judeus que nunca tiveram contato com arte sacra cristã acharam que, sendo que este desenho está em um livro judaico antigo, com certeza ele tem uma origem judaica.

E assim essas “Tábuas arredondadas” foram copiadas em todas as sinagogas, lapidadas na parede e no “Aron Hakodesh” que é o armário onde se guarda o Sefer Torá, bordadas na cortina do Aron Hakodesh, no “Meíl” que é o manto do Sefer Torá e na cobertura da “Bimá” que é a mesa na sinagoga onde se lê o Sefer Torá.

Sendo que essas Tábuas redondas estavam em livros e sinagogas antigas, com o tempo todos se acostumaram com elas e acharam que com certeza elas eram um símbolo judaico puro.

Até chegar o Rebe de Lubavitch e revelar essa história para nós, fazendo com que até o rabinato de Israel mudasse seu símbolo, de “Luhot” redondas para “Luhot” quadradas. Então, vamos tirar essas “Tábuas redondas” da nossa cultura!

Milagres revelados demonstrando a presença Divina entre nós

Alguns milagres aconteciam com essas Luhot. A escrita ultrapassava de lado a lado, mas aparecia do lado de trás e do lado da frente da mesma maneira, e as partes internas das letras que não tinham ligação com suas laterais ficavam paradas no ar no meio delas.

Quando Moshe Rabeinu estava nos trazendo as “Luhot”, o povo tinha sido induzido pela “erev rav” a fazer um “bezerro de ouro”, uma idolatria.

Moshe Rabeinu estava descendo do monte Sinai com as “Luhot”, e ao ouvir a festa da idolatria as “Luhot” caíram das suas mãos e se quebraram.

Depois que Moshe conseguiu resolver a situação e a idolatria parou, pediu para AShem desculpar o povo de Israel pelo acontecido, nos ensinando que o principal da Teshuvá é parar de fazer a coisa ruim e a próxima etapa é pedir desculpas por tê-la feita.

AShem revelou para Moshe uma mina de safira que, por incrível que pareça, estava embaixo da terra dentro da tenda de Moshe.

AShem pediu para Moshe lapidar duas “Luhot” como as anteriores e subir novamente ao monte Sinai. No Yom Kipur Moshe desceu com as segundas Luhot.

As novas “Luhot” foram guardadas dentro das “Arca da Aliança” junto com todos os pedaços das primeiras “Luhot” e acompanharam nosso povo até a destruição do primeiro Beit a Mikdash, quando foram escondidas nos túneis que construiu o Rei Salomão, e vão ser reveladas novamente quando Mashiach chegar.

🌻🌻🌻

O bezerro de ouro

Nossa Parashá nos conta que depois da entrega da Torá no Monte Sinai, Moshe Rabeinu avisou o povo de Israel que iria subir novamente ao Monte Sinai e ficar lá quarenta dias e quarenta noites.

Quando ele deu esse aviso já tinha passado uma parte do dia, e por isso ele não considerou o dia em que subiu como sendo o primeiro dos quarenta dias. O povo contou os quarenta dias incluindo o dia em que Moshe subiu, e por isso, depois de 39 dias eles acharam que chegou o dia de ele descer.

Existe um anjo chamado de “Satan” que em hebraico quer dizer “desviador”. Esse anjo é comparado a um fiscal do governo que entra em uma loja, compra uma coisa barata e diz que não precisa de nota fiscal. Depois disso manda um relatório para o tribunal de contas acusando o dono da loja de não ter dado essa nota fiscal.

Assim também trabalha o Satan, desce e nos seduz a transgredir um Mandamento Divino, e depois disso sobe e nos acusa no tribunal Divino. Delata a transgressão que fizemos mesmo tendo sido causada por ele.

O método de trabalho dele é simples. Quando AShem (D’us) criou Adam (Adão) e Havá (Eva), o Satan “baixou” na cobra, e todo o tempo que ele estava nela ela falava, era esperta e inteligente. Depois que ele saiu dela, ela voltou a ser o animal irracional que era desde o começo.

Caso fosse perguntado à ele porque ele falou para Havá comer a fruta proibida, ele responderia:- AShem pediu para não comer aquela fruta e uma “cobra” falou para comer, à quem eles deveriam escutar?

O tribunal Divino dá um limite para ele. Sempre que há uma revelação Divina, o Satan pode fazer alguma coisa paralela somente até aquele mesmo nível de revelação para que haja o livre arbítrio, nos dando a possibilidade de optar entre fazer o que AShem (D’us) pediu ou fazer o que a cobra pediu.

Ou seja, se o túmulo de um Tzadik foi aberto depois de centenas de anos do seu falecimento e o corpo dele estava intacto como se estivesse vivo, o mesmo tem que acontecer com o túmulo de um sacerdote da idolatria, para podermos ter o livre arbítrio para escolher entre AShem (D’us) e a idolatria.

Sendo que a revelação Divina que aconteceu com a entrega da Torá nos tirou esse livre arbítrio, porque vimos uma revelação Divina eternamente incontestável, agora chegou a vez do Satan fazer a revelação dele para podermos escolher entre AShem e a cobra.

E da mesma maneira que na entrega da Torá, Moshe Rabeinu teve uma participação fundamental, AShem falou os primeiros dois Mandamentos e o povo pediu para Moshe ouvir de AShem os outros oito Mandamentos e repassar para eles.

Agora chegou a vez do Satan e os representantes dele que naquele momento que eram os feiticeiros da “Erev Rav”.

Agora no lugar de escolher entre AShem e a cobra vamos ter que escolher entre AShem e um bezerrinho feito de ouro.

O plano “diabólico”

No começo o Satan fez uma revelação visual. Todos viram no “céu” uma “visão” do “enterro” de Moshe. E como acontece muitas vezes de pessoas verem discos voadores mas nunca conseguirem pegar um desses “marcianos” com as mãos, assim também aconteceu nesse caso.

O Satan mostrou o “enterro de Moshe” acontecendo no Céu, bem longe de alguém que quisesse ir lá para ver se é de verdade ou não.

Aí chegou a equipe dos feiticeiros da “Erev Rav” que fizeram a declaração oficial de que Moshe Rabeinu faleceu e a religião judaica terminou, agora a nova religião vai ser uma estátua, continuação da religião do Egito, país da “Erev Rav”.

E da mesma forma que os cristãos colocaram um “antigo testamento” no cristianismo para dizer que a idolatria deles é nada mais nada menos do que o nosso D’us que nos tirou do Egito, dando assim legitimidade à idolatria deles, assim também a “Erev Rav” precisou de Aharon para ser o Cohen da idolatria e dizer que esse bezerro de ouro é aquele D’us que tirou os judeus do Egito.

Depois de ver os setenta anciãos serem assassinados pela “Erev rav” por não concordarem em fazer idolatria, e depois de ver Hur, o filho de Miriam, também ser assassinado por não concordar em fazer idolatria, Aharon chegou a conclusão de que se matarem ele também, nosso povo estará perdido nas mãos da “Erev rav” e será levado de volta para o Egito sem que o faraó precise fazer o mínimo esforço.

O plano de Aharon

Quando Moshe Rabeinu subiu ao Monte Sinai, Aharon Hacohen e Hur, o filho de Miriam, ficaram responsáveis pelo nosso povo. Aharon Hacohen viu que Hur foi assassinado pela Erev Rav e que não conseguiria impedir a Erev Rav de fazer a idolatria batendo de frente com eles, então planejou sabotar a Erev Rav por dentro.

Ele pediu para os homens trazerem os brincos de ouro das mulheres para fazer a estátua. Ele sabia que as mulheres não iriam doar seus brincos para a idolatria, e assim a Erev Rav iria perder a moral.

E ele tinha razão! As mulheres se recusaram a apoiar a idolatria. Até aqui o plano de Aharon deu certo, mas o que Aharon não esperava que acontecesse foi exatamente o que aconteceu. Os homens arrancaram os brincos das mulheres a força e os trouxeram para fazer a estátua

Diz o Ari Zal que a geração do Mashia’h é a reencarnação da geração que saiu do Egito e morreu no deserto, e o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, e por isso essa geração vai ser uma geração de intelectuais a exemplo da geração do deserto que estudou Torá durante quarenta anos.

E a principal característica dessa geração, diz o Ari Zal, vai ser o fato de todas as mulheres mandarem em todos os maridos. E o motivo para isso é o fato de elas terem ido contra a idolatria e os homens terem arrancado delas os brincos a força para doarem para a idolatria. O Rebe diz que essa geração somos nós! Precisamos de mais sinais para sabermos que estamos na geração da Gueulá?

O “yetser hará” da idolatria

A cobra falou para Havá que D’us se tornou D’us porque comeu a fruta da Etz Hadaat, e se eles comessem essa fruta eles também virariam D’us. Eles comeram a fruta proibida para se tornarem D’us, fazendo de si próprios uma idolatria.

Por causa disso, a Alma Divina de Adam Harishon se impurificou e recebeu o que chamamos de “yetzer hará” (mau instinto) da idolatria.

Ou seja, sendo que a raiz da Alma de cada um de nós no seu DNA é a Alma Divina do Adam Harishon, sendo assim todos tinham na própria natureza a vontade de fazer idolatria por causa da auto idolatria de Adam Harishon.

Por isso o povo de Israel foi cúmplice da Erev Rav no bezerro de ouro, e por isso durante 790 anos, desde o falecimento de Josué até a destruição do primeiro Beit a Mikdash o principal problema do nosso povo foi a idolatria.

A Guemará nos conta que os “Anshei Knesset Hagdolá”, que eram os Sábios e profetas que viveram entre a destruição do primeiro Beit a Mikdash e a construção do segundo Beit a Mikdash, fizeram um jejum de três dias e três noites direto, e no final desse jejum pediram na Tefilá para que nesse mérito o “yetzer hará” da idolatria fosse anulado.

Nesse momento caiu um bilhetinho do céu com a palavra “Emet” confirmando essa anulação.

Tem quem diz que foram quarenta jejuns e tem quem diz que eles não precisaram fazer nenhum jejum, mas simplesmente o fato de eles terem instituído as Bênçãos matinais, as rezas que fazemos todos já deu à eles o direito de fazer esse pedido, e essa é a opinião do Hatam Sofer que foi um grande Tzadik que viveu na Hungria há duzentos anos atrás.

E sendo que por meio disso aconteceu novamente o mesmo desequilíbrio espiritual que tinha acontecido com a entrega da Torá, ou seja, o livre arbítrio desequilibrou, AShem (D’us) teve que reduzir a revelação Divina que acontecia por meio dos profetas para rrequilibrar novamente o livre arbítrio no mundo.

E por isso, a partir daquele momento não temos mais yetzer hará para fazer idolatria, mas também não temos mais profetas.

Conclusão:

Vamos rezar com muita alegria e pedir para AShem fazer com que a nossa Gueulá aconteça imediatamente, só temos a ganhar!

Rabino Gloiber
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Começamos a nos preparar para Pessa’h

Pessa’h

 

Dizem nossos Sábios: “Trinta dias antes da festa temos que revisar as leis da festa”.

 

Aprendemos isso de Moshe Rabeinu que no primeiro Pessa’h no deserto ensinou ao povo de Israel as leis de “Pessa’h Sheini” que aconteceria um mês depois.

 

Agora estamos na fase de começar a limpar a casa para Pessa’h e depois vendemos o “hametz” para um “não judeu”.

 

Sendo que essa venda tem que ser feita de acordo com todos os tipos de venda da Torá, temos que delegar essa função à um Rabino ortodoxo que sabe como fazer isso.

 

Muitos sites judaicos religiosos no mundo inteiro já abriram essa venda pelo internet.

 

Sendo que essa venda precisa ser feita de acordo com todos os meios de venda da Torá , a própria venda não pode ser feita pelo internet, mas o que fazemos pelo internet é somente dar a permissão para o Rabino vender o nosso “hametz” pessoalmente para o “não judeu” na véspera de Pessa’h , e essa permissão podemos dar pelo internet e já a partir de agora.

 

Uma das regras da Torá é: “Mezakim Laadam Sheló Befanaiv”, isso quer dizer que você pode dar um mérito para alguém mesmo sem ele saber.

 

Por causa disso você pode dar autorização para o Rabino vender o “hametz” de um judeu que pode vir a esquecer de fazer isso, e essa autorização para o Rabino vender o seu hametz e o hametz dessa pessoa você pode fazer pelo internet.

 

Mas prestando toda a atenção no fuso horário do lugar aonde você mora e do lugar aonde seu amigo mora.

 

Por exemplo, alguém que mora em S.Paulo e tem um amigo em Israel que com certeza vai esquecer de vender o hametz e vai ficar feliz de você ter autorizado ao Rabino a venda do hametz dele.

 

Se você entrar em um site de um Beit Chabad em Israel e autorizar a venda do seu hametz e do dele lá em Israel, o hametz dele vai ser vendido nos horários certos, mas o seu vai ser vendido antes da hora e comprado para você de volta pelo Rabino um dia e meio antes de terminar o seu Pessa’h em S.Paulo.

 

Conclusão, você tem que autorizar a venda do hametz do seu amigo que mora em Israel para um Rabino em Israel.

 

Mas para autorizar a venda do seu hametz você tem que procurar um Beit Chabad dentro do seu fuso horário que no caso de S.Paulo é o fuso horário de Brasília conhecido como “-3” .

 

Acesse ao site:

 

https://pt.chabad.org/holidays/passover/sell_chometz_cdo/jewish/Venda-seu-Chamts-Online.htm

 

e autorize a venda do seu hametz para Pessa’h 2026

 

 

Purim

PURIM פּוּרִים

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

 

Na nossa transliteração do hebraico estamos usando a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

Purim é a data mais alegre do ano judaico

 

Comemoramos nela o milagre da salvação do Povo Judeu da trama de Haman, que planejou  exterminar em um único dia todos os judeus, jovens e idosos, crianças e mulheres.

 

Naquela época todo o nosso povo vivia em 127 países que faziam parte do império persa, que naquela época dominava o mundo inteiro.

 

Taanit Ester  תַּעֲנִית אֶסְתֵּר o jejum de Ester

 

No dia 13 de Adar fazemos o  Taanit Ester que é o jejum de Ester. O Taanit Ester começa antes do amanhecer do dia 13 de Adar e termina após o anoitecer.

 

Morde’hai, o Tzadik da geração, a pedido de Ester, reuniu todos os judeus de Shushan, capital da Persia antiga, e fizeram um jejum de três dias antes de Ester arriscar a vida para ser recebida pelo rei e convidá-lo para uma festa na qual ela pediria ao rei para anular o decreto do holocausto que tinha sido decretado para todos os judeus de todos os países que existiam na época.

 

Ester e Morde’hai conseguiram a permissão do rei para que os judeus pudessem se defender e, em 13 de Adar, lutaram contra o inimigo, destruindo-o.

 

Para relembrar este dia nossos Sábios instituíram o Jejum de Ester.

 

פּוּרִים Purim

 

No calendário judaico o dia começa ao pôr-do-sol, por isso a festa de Purim Purim começa ao anoitecer do dia 13 de Adar e termina ao anoitecer do dia seguinte, 14 de Adar

 

Em um ano que tem dois meses de Adar comemorarmos a festa de Purim no dia 14 de Adar 2

 

Nossos Sábios instituíram a festa de Purim e por isso os Mandamentos dela são Derabanan

 

Ou seja, instituídos pelos nossos Sábios por meio da permissão que a Torá deu para eles de que tudo o que eles determinarem não poderemos nos desviar nem para a direita e nem para a esquerda, como está escrito:

 

דברים יז יא – עַל פִּי הַתּוֹרָה אֲשֶׁר יוֹרוּךָ וְעַל הַמִּשְׁפָּט אֲשֶׁר יֹאמְרוּ לְךָ תַּעֲשֶׂה לֹא תָסוּר מִן הַדָּבָר אֲשֶׁר יַגִּידוּ לְךָ יָמִין וּשְׂמֹאל

Os quatro Mandamentos de Purim

 

Nossos Sábios instituíram quatro Mitzvot para a festa de Purim

 

קְרִיאַת מְגִלָּה

 

Ouvir a leitura da Meguilá

 

A Meguilá de Ester é um dos livros do Tana’h que quer dizer Torá, Profetas e Escrituras.

 

A Meguilá nos conta a história de Purim.

 

O mandamento de ouvir a leitura da Meguilá se aplica a homens e mulheres. Como uma das razões para a leitura da Meguilá é divulgar os milagres celebrados nesse dia, o fato de ser feita na sinagoga permite que o Mandamento seja cumprido da melhor forma.

 

A leitura da Meguilá tem que ser feita em uma Meguilá original escrita à mão em um  pergaminho de couro.

 

Para cumprir o mandamento, é necessário ouvir cada uma das palavras.

 

 מַתָּנוֹת לָאֶבְיוֹנִים

Matanot LaEvyonim

(Presentes para os pobres)

 

A palavra Matanot LaEvionim quer dizer dar presentes aos pobres. Devemos dar Tzedaká para duas pessoas necessitadas, no mínimo.

 

Isso pode ser cumprido por meio de qualquer tipo de presente: dinheiro, alimento, bebida ou roupa. O ideal é que seja um presente substancial.

 

Os Matanot LaEvyonim devem ser dados durante o dia de Purim e, de preferência, na parte da manhã, para que quem os recebe possa usufruí-los durante a festa.

 

A quantia dada deve ser suficiente para que comprem alimento e bebida, dessa forma possibilitando que tenham uma refeição festiva nesse dia.

 

Mas quem recebe o presente não é obrigado a gastar o dinheiro em Purim: pode usá-lo em outra data e da forma que quiser.

 

Os Matanot LaEvyonim não devem ser dados antes de Purim, para que quem os recebe não os utilize antes da festa porque nesse caso, o doador não teria cumprido o mandamento.

 

Quem não se deparar com pessoas carentes em Purim, deve doar o dinheiro a uma instituição judaica que esteja arrecadando fundos com esse propósito.

 

É necessário que o dinheiro dado em Purim seja destinado aos necessitados: não pode ser usado para nenhum outro propósito, por mais nobre e sagrada que seja a finalidade.

 

Em Purim, doamos dinheiro a quem o pede: não fazemos perguntas nem procuramos saber se quem pede a Tzedaká realmente a necessita ou não.

 

O mandamento de Matanot LaEvyonim é dever de todos os judeus – homens, mulheres e até crianças.

 

מִשְׁלוֹחַ מָנוֹת Mishloa’h Manot

 

Enviamos para pelo menos uma pessoa um presente de dois alimentos prontos para serem comidos na hora.

 

Pode ser também um alimento e uma bebida.

 

As mulheres mandam para as mulheres e os homens para os homens.

 

O mandamento de Mishloa’h Manot deve ser cumprido durante o dia de Purim, não na noite da festa.

 

É preferível enviar o Mishloa’h Manot por meio de alguém sendo que a Meguilá usa para isso a linguagem Mishloa’h que significa envio.

 

Mas se você entregar o Mishloa’h Manot pessoalmente, você também cumpre plenamente essa Mitzvá.

 

סְעוּדַת פּוּרִים Seudat Purim

O banquete de Purim

 

Um dos mandamentos da festa de Purim é fazer um banquete, uma Seudat Purim.

 

Isso celebra o fato de que na história de Purim, a queda de Haman ocorreu durante um banquete organizado pela Rainha Ester.

 

Essa refeição deve ocorrer durante o dia e se você faz a Seudat Purim durante a noite da festa, você não cumpre a Mitzvá da Seudá de Purim.

 

Mesmo assim, depois de ouvirmos a leitura da Meguilá de noite, devemos fazer uma janta mais festiva do que nos dias comuns, mas para ser considerado um banquete de Purim tem que ser durante o dia.

 

Sendo que  Purim não é um Yom Tov da Torá, não fazemos o Kidush, mas fazemos a Netilat Yadaim e comemos pão.

 

No Birkat a Mazon adicionamos o trecho “ve al a Nissim” que lembra o milagre de Purim.

 

A Seudat Purim deve começar antes do pôr-do-sol e não se esqueça de convidar pessoas para seu banquete.

 

Se Purim cair em uma sexta-feira, a Seudat Purim é realizada mais cedo, e temos que concluir ela antes do Shabat

 

Costumamos comer carne e tomar vinho na Seudat Purim.

 

O Mandamento da Seudat Purim enfatiza, novamente, o tema geral da festa, que é a sobrevivência física e o bem-estar material do nosso povo.

 

O Zohar nos conta que por meio do banquete de Purim, podemos conseguir a mesma elevação espiritual que conseguimos quando jejuamos no Yom Kipur.

 

Nossos Sábios instituíram beber vinho nesse banquete pelo fato de o milagre de Purim ser intimamente ligado ao vinho.

 

A queda da Rainha Vashti, mulher de A’hashverosh, ocorreu em um banquete de vinhos e foi a oportunidade para que Ester tomasse seu lugar ao lado do Rei e salvasse nosso povo do genocídio.

 

Além disso, também a derrota de Haman se deu em meio a uma festa de vinho organizada pela Rainha Ester.

 

Nossos Sábios também instituíram que em Purim devemos beber vinho até ficarmos tão bêbados a ponto de não diferenciar entre  “amaldiçoado Haman” e ” abençoado Morde’hai.

 

O Mandamento de  Matanot LaEvyonim, ou seja, de dar presentes aos pobres , é prioritário não só em relação à Mitzvá de Mishloa’h Manot mas também em relação a Seudat Purim.

 

Ou seja , devemos cumprir com muita alegria os quatro Mandamentos de Purim, mas a maior parte dos gastos com a festa deve ser direcionada aos presentes para os necessitados.

 

O motivo para isso é que não há Mandamento mais importante no Judaísmo do que a Tzedaká, e por isso quando a Guemará fala sobre a Tzedaká ela não usa o termo Tzedaká mas sim Mitzvá, mas quando a Guemará fala sobre outros Mandamentos Divinos ela cita o nome daquele Mandamento específico.

 

Ou seja , quando um Sábio da época antiga pergunta ao outro se ele fez uma Mitzvá, ou afirma que alguém fez uma Mitzvá, eles estão falando sobre a Tzedaká.

 

Nossos Sábios nos ensinaram que não há alegria maior do que a alegria que alegrar os pobres, os órfãos e as viúvas,  e sendo que em Purim devemos ficar mais alegres do que o ano inteiro, devemos caprichar nos presentes para os pobres.

 

O Rambam escreveu que quem alegra o coração dos pobres, dos órfãos e das viúvas é comparado à She’hiná que é a Presença Divina, como diz o versículo: “(D’us) reanima o espírito dos oprimidos e restaura o coração dos humilhados”(Rambam).

 

תְּפִלּוֹת פּוּרִים As Rezas de Purim

 

As rezas especiais para a festa de Purim são somente o acréscimo de ve al a Nissim” nas rezas da Amidá e no Birkat a Mazon.

 

A reza de “ve al a Nissim” descreve os milagres de Purim, e por meio dela agradecemos à AShem (D’us) pelos grandes milagres que Ele fez para os nossos antepassados, e nos salvou do plano de Haman que queria exterminar todos os judeus.

 

A leitura do Sefer Torá na Sinagoga em Purim descreve a batalha de Yehoshua contra Amalek, que era o povo ancestral de Haman. Essa batalha aconteceu quase mil anos antes dos eventos de Purim.

 

Por que nos fantasiamos em Purim?

 

Em Purim, é costume que as crianças – e até mesmo os adultos, se fantasiarem.

 

Essa está ligada ao Mandamento de Purim de dar dinheiro para os pobres que vão de Sinagoga em Sinagoga e de casa em casa, e em muitos casos não querem ser reconhecidos.

 

Essa tradição também representa que AShem salvou o nosso povo por meio de milagres ocultos.

 

A Meguilat Ester é o único livro do Tana’h onde não aparece o nome de AShem (D’us) nem uma  única vez .

 

A razão para isso é que na história de Purim, D’us usou uma “fantasia”: Ele se ocultou e agiu sigilosamente.  Ele salvou o nosso povo com uma série de eventos naturais, uma série incrível de “coincidências!

 

Em Purim, muitas sinagogas organizam uma festa à fantasia, com prêmios para as crianças.

 

Além de acrescentar alegria ao dia e despertar a curiosidade das crianças, o costume de se fantasiar reflete um dos principais temas de Purim: o fato de que D’us está sempre presente no mundo e em nossa vida pessoal, mas que Ele geralmente “Se disfarça”.

 

Na maioria das vezes, D’us age em total segredo. Como ensina a Guemará e como rezamos na oração da Amidá, três vezes ao dia , D’us está sempre fazendo milagres, de manhã, de tarde e de noite.

 

Se a maioria de nós não percebe isso, é porque eles vêm disfarçados em “eventos naturais”.

 

שׁוּשַׁן פּוּרִים Shushan Purim

o PURIM de Jerusalém

 

Em Jerusalém, Purim é celebrado no dia 15 de Adar  e não no dia 14 de Adar.

 

O dia 15 de Adar é chamado de Shushan Purim.

 

Fora de Jerusalém a data de 15 de Adar não é Purim, e não podemos cumprir as Mitzvot de Purim nesse dia.

 

Mesmo assim, Shushan Purim é um dia de alegria para todos nós em qualquer lugar do mundo.

 

Por trás dos bastidores da Meguilá

 

Pergunta o Zohar: porque aquela geração teve que passar por um susto desses? E a resposta do Zohar é: porque eles tiveram o prazer em participar da festa daquele criminoso que era Ahashverosh, o Rei da Pérsia.

 

Mas esse motivo sozinho, diz o Zohar, ainda não seria o suficiente para justificar um susto dessa proporção. Então o próprio Zohar traz mais um motivo:

 

Aquela geração é a mesma que tinha se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor antes dos persas conquistarem a Babilônia.

 

Ou seja, aquela geração tinha uma pendência anterior de ter se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor mesmo sem acreditar nisso, e tiveram a oportunidade de retificar essa transgressão se não tivessem participado da festa que Ahashverosh fez para todos os habitantes de Shushan a Birá.

 

Naquela festa Ahashverosh se vestiu com as roupas do Cohen Gadol e distribuiu vinho nos copos de ouro do Beit a Mikdash, expressando dessa maneira que a nossa religião é um assunto puramente cultural, somente um folklore, mas que não tem um D’us de verdade que interage com a sua criação dando um prêmio para quem faz o bem e um castigo para quem faz o mal.

 

Então aparece um Haman que faz um decreto de morte à todos os judeus que professam a religião judaica colocando todo o nosso povo em uma situação de morrer como judeus ou salvar a própria vida trocando de religião

 

Por trás do decreto de Haman

 

A Meguilá nos conta que em Shushan Habirá havia um judeu, e o seu nome era Morde’hai ben Yair ben Shim’i ben Kish e ele era da tribo de Biniamin.

 

Surge a pergunta: Se ele era da tribo de Biniamin, porque ele é chamado de judeu que é alguém que pertence à tribo de Judá?

 

Explica a Guemará que a palavra “Judeu” recai sobre todos aqueles que não se prostram na frente da idolatria, e portanto tanto os Cohanim quanto os Leviim daquela época foram chamados de judeus pelo motivo de professarem a religião judaica e não se curvarem na frente da idolatria, e não pelo motivo de pertencerem à tribo de Judá.

 

O Midrash nos conta que Haman, à exemplo do faraó do Egito e de Nabucodonosor rei da Babilônia, se considerou um deus. E por isso Morde’hai não se prostrava na frente dele mesmo sendo isso uma ordem do Rei.

 

O Ralbag, um grande Rabino da idade média, nos conta que explicaram para Haman que Morde’hai não pode se prostrar na frente dele por motivos religiosos, por ser judeu, e que por esse motivo Haman decidiu fazer um decreto de morte à todos os judeus,  ou seja, à todos os que professam a religião judaica!

 

Mas se um judeu se convertesse à outras religiões, para Haman ele não seria mais judeu, e esse decreto não recairia mais sobre ele.

 

O povo de Israel se manteve firme na sua religião mesmo consciente de todas as consequências, sendo que aquele decreto foi feito para todos os 127 países do mundo que naquela época pertenciam ao império persa e não tinha para onde fugir.

 

Ou seja, todos os judeus estavam dispostos a morrer pela nossa religião.

 

Diz a Guemará que quando nós fazemos Teshuvá e voltamos a nos comportar de acordo com a Torá, descobrimos que D’us já tinha criado o remédio antes de criar a doença.

 

Ou seja, D’us cria a solução antes de criar o problema, e por meio da nossa Teshuvá AShem nos revela a soluçã.

 

Antes de Haman fazer o decreto contra o nosso povo aconteceram algumas coisas que somente depois do decreto vimos que aqueles acontecimentos tinham sido milagres sobrenaturais e indispensáveis para a nossa salvação.

 

A morte da Rainha

 

Vashti, a rainha da Pérsia, vinha de uma linhagem real, ela era a neta do rei da Babilônia.

 

Quando Ahashverosh se casou com ela, ele também entrou na família real, e portanto ela era o motivo da sua realeza e a última pessoa no mundo a quem ele teria interesse em prejudicar.

 

No sétimo dia do banquete que Ahashverosh fez para os habitantes de Shushan, banquete no qual ele expressou que a profecia do profeta Yermiahu (Jeremias) de os judeus voltarem para Jerusalém depois de setenta anos não aconteceu e portanto esse profeta é falso e esse D’us não existe, ele mandou os sete ministros da Babilônia chamarem a rainha Vashti para mostrar toda a sua beleza no banquete dos homens.

 

Aquele dia era Shabat. A rainha Vasht era uma antissemita diplomada e pós graduada que propositalmente contratava jovens judias para fazer com que elas profanassem o Shabat, e quando elas se recusavam eram obrigadas a desfilarem por toda a cidade nuas e profanando o Shabat montadas a um cavalo.

 

Essa mesma rainha Vashti foi chamada pelo Rei para desfilar totalmente nua no Shabat no banquete dos homens, mostrando que esse D’us que está sendo proclamado nesse mesmo banquete como “inexistente” está interagindo no mundo e fazendo as coisas mais surreais acontecerem de maneira oculta como se fossem as coisas mais naturais.

 

AShem fez um milagre e a rainha Vashti antes da sua “apresentação” teve uma grave doença estética e não pode se apresentar.

 

Um dos sete ministros, que de acordo com o Midrash era o próprio Haman, aconselhou o rei a matar a rainha por ter desobedecido o rei e ter dado um mau exemplo para o povo.

 

O Rei, ao contrário da sua própria ideologia, mandou matar a rainha Vashti, fazendo com que a profecia do próprio profeta Yermiahu sobre a Babilônia que incluía a morte da neta do rei da Babilônia acontecesse.

 

Yermiahu era esse profeta que o rei estava desacreditando no seu banquete pelo fato de o próprio rei ter errado na conta de setenta anos que o profeta Yermiahu fez, e não pelo profeta ter errado.

 

Afinal das contas com esse grande milagre sobrenatural que aconteceu sem que ninguém percebesse, o “status quo” mais sólido da época foi destruído abrindo as portas para uma grande mudança.

 

Quando passou a fúria do rei ele teve um grande remorso pelo que fez, por ter matado a sua rainha, demonstrando que tudo tinha acontecido por um motivo superior à própria vontade dele.

 

Vendo a tristeza do rei, seus servos o aconselharam a fazer um concurso de miss universo entre todos os 127 países para encontrar a mulher mais bonita do mundo e se casar com ela.

 

A nova rainha, mais um milagre surreal

 

A Guemará nos conta que Ester era esverdeada e só por milagre alguém poderia achar ela bonita.

 

AShem fez um milagre surreal e todos acharam que ela era a mulher mais bonita do mundo.

 

Ester era uma judia religiosa que não entendia nada sobre relações íntimas, e a parte mais importante desse concurso era passar uma noite com o rei.

 

Diz o Ari Zal que uma demônia em forma humana substituía Ester nessas horas e deixava o rei  “louquinho”.

 

Ou seja, a artista principal é substituída por alguém muito parecida para as cenas de “perigo”, e nesse caso, essa personagem espiritual negativa se materializava na aparência perfeita de Ester.

 

Bigtan e Teresh

 

Morde’hai era membro do grande tribunal rabínico de Yerushaláim conhecido como Sanedrin. Lá cada pessoa era ouvida na sua própria língua, e o Sábio que não soubesse setenta línguas não era aceito como membro do tribunal.

 

Dois funcionários públicos de Ahashverosh provenientes de um país distante com uma língua rara que ninguém conhecia a não ser quem era de lá, conversaram entre si na frente de Morde’hai e planejaram assassinar o rei.

 

Ninguém conhecia essa língua, fora Morde’hai, e a pessoa mais interessada no mundo em receber essa informação era o próprio Morde’hai, e tudo isso aconteceu na frente dele por milagre surreal.

 

Porque se eles assassinassem o rei que não tinha um filho para o suceder, a segunda figura na corte era Haman e o decreto contra o nosso povo aconteceria sem impecilhos.

 

O único jeito de anular o decreto de Haman era por meio do rei, e esse rei quase foi assassinado se não fosse esse milagre.

 

Morde’hai repassou essa informação para Ester que a repassou para o rei em nome de Morde’hai, e esse fator foi importantíssimo para mudar o imutável “Status quo” de Haman ser a pessoa tomadora das decisões da unica potência mundial, o império persa que dominava o mundo inteiro.

 

Nossos profetas e o anel do rei

 

A Guemará nos conta que desde que o povo de Israel recebeu a Torá até a época em que aconteceu o milagre de Purim, nosso povo teve 48 profetas e sete profetizas que fizeram o possível e o impossível para nos trazer de volta ao judaísmo e não conseguiram, mas quando Ahashverosh tirou seu anel e o entregou à Haman para fazer os seus decretos, nosso povo fez Teshuvá.

 

Morde’hai pediu para Ester pedir ao rei para anular o decreto. Ela respondeu que o rei não a chamou já faz um mês, e todo aquele que entrar no pátio do rei sem ser convidado é condenado à morte, e como sabemos, a rainha Vashti tinha sido executada por muito menos do que isso.

 

Só havia um jeito de a pessoa sobreviver, que era o rei abrindo uma exceção e estendendo seu cetro de ouro para aquela pessoa, e Ester não queria se arriscar.

 

Morde’hai pediu para ela fazer isso de qualquer maneira.

 

Então ela pediu para Morde’hai reunir todos os judeus da cidade e fazer três dias de jejum e rezas, e ela e as suas jovens ajudantes também vão fazer igual.

 

Todo o povo fez Teshuvá, e depois de três dias de jejum e rezas Ester entrou no pátio do rei sem ser chamada.

 

Sabemos que esse rei era obcecado por mulheres bonitas e não existe pessoa mais feia no mundo como alguém que está três dias sem comer, como nos lembram as “vacas magras” do Egito, feias e ruins.

 

AShem faz um milagre surreal e despertou no rei uma enorme paixão por Ester, e ele disse que ela pode pedir qualquer coisa até metade do império.

 

Ela disse que veio convidá-lo para o banquete que ela fez para… Haman. Ou seja, arriscou a própria vida convidá-lo para participar de uma festa que ela está fazendo para outro homem!

 

O plano de Ester

 

Ester queria que o rei perguntasse à si próprio: será que uma pessoa normal arriscaria a própria vida para convidar alguém para uma festa que ela está fazendo para outra pessoa? E dessa maneira despertar os ciúmes do rei em relação à Haman.

 

O rei suspeitando de alguma coisa entre os dois entraria em pânico sendo que se o rei fosse assassinado e Haman se casasse com a rainha, o império continuaria funcionando sem nenhum problema, ninguém precisaria mais do rei e ele seria esquecido.

 

No final do banquete, o rei ofereceu à Ester até metade do reino, e ela pediu para ele vir amanhã também no próximo banquete que ela iria vai fazer para Haman.

 

Naquela noite o Rei não conseguiu dormir. Ele se questionou : “Porque ninguém passaria para ele a informação de que alguém poderia estar querendo assassiná-lo? ”

 

Talvez alguma vez alguém já salvou a vida do rei e o rei não fez nenhuma honraria para aquela pessoa, e por isso ninguém mais estaria motivado para passar alguma informação que salvasse a vida do rei?

 

Com esses pensamentos atrapalhando o seu sono ele pediu para lerem na frente dele o “diário” dos principais acontecimentos do reino.

 

Com certeza muitas páginas se passaram desde que Morde’hai salvou a vida do rei e nada foi dado à ele, mas milagrosamente o longo pergaminho se abre por si só naquela página.

 

O rei perguntou se Morde’hai recebeu algo por ter salvo a vida do rei e a resposta foi negativa. O rei perguntou se havia alguém esperando ele no pátio, e lá estava só Haman esperando para pedir permissão ao rei para enforcar Morde’hai em uma forca de cinquenta metros de altura que ele preparou no pátio da sua casa para enforcar Morde’hai.

 

O milagre da construção da forca

 

Por incrível que pareça o fato de ele ter mandado construir essa forca tão alta no pátio da sua casa para enforcar Morde’hai também entra na lista dos milagres da Meguilá, porque se não fosse essa forca Haman não seria enforcado.

 

O Rei perguntou para Haman o que fazer para a pessoa que o Rei quer honrar? Haman imaginou que obviamente essa pessoa era ele.

 

Haman sugeriu para o Rei vestir essa pessoa com a roupa do Rei, montar ela no cavalo do rei, e um dos maiores ministros levá-lo para um desfile em toda a cidade proclamando na sua frente que esse é o homem que o rei está interessado na sua honra.

 

O rei pediu para Haman fazer tudo isso para Morde’hai e não esquecer nenhum detalhe.

 

Naquela noite, no segundo banquete de Ester, o Rei perguntou à ela qual era o seu pedido até a metade do império.

 

Aí ela declarou que ela quer a própria vida de presente, porque ela e o povo dela foram vendidos para serem mortos.

 

O Rei ficou furioso e perguntou: quem teve a ousadia de fazer uma coisa assim? E ela disse: um homem sádico e inimigo, Haman, esse criminoso.

 

O rei saiu um pouquinho para o Jardim, e quando voltou viu Haman debruçado sobre o divã de Ester pedindo desculpas para ela.

 

O rei que já estava com medo desse “relacionamento” desde que Ester arriscou a própria vida para convidá-lo ao banquete que fez para Haman, exclamou: e também seduzir a rainha comigo em casa?

 

Sendo que essa palavra saiu da boca do rei, já seria um bom motivo para Haman ser condenado, mas sendo que o “status quo” de Haman como primeiro ministro da Pérsia era muito sólido, o rei ainda poderia se acalmar e entrar em um acordo com Haman.

 

Nessa hora vimos o milagre de Haman ter feito a forca para Morde’hai.

 

AShem fez mais um milagre surreal. Eliahu a Navi se materializou como um dos ministros do rei, apontou para a forca de 25 metros visível da casa de Haman e disse ao rei: Veja a forca que Haman fez para enforcar Morde’hai que salvou a vida do rei, 25 metros de altura!

 

O reflexo imediato do rei foi ordenar o enforcamento de Haman na forca que ele próprio preparou para Morde’hai, nos mostrando que: se faltou criar alguma parte do “remédio antes da doença” AShem dá um jeitinho e sempre manda Eliahu a Naví em um caso de emergência.

 

O decreto do Rei de sermos obrigados a matar todos os nossos inimigos.

 

Mais um milagre surreal, o decreto do Rei não pôde ser revogado e os judeus foram obrigados a matar os antissemitas.

 

Você poderia imaginar que simplesmente fomos salvos mas que cada um dos127 países do império persa seriam países antisemitas com cada vez mais atentados terroristas.

 

Mas não,o milagre foi muito maior do que isso!

 

Ahashverosh não tinha como revogar o próprio decreto de morte aos judeus incluindo sua própria rainha, e por isso deu o seu anel para Morde’hai fazer o decreto contra os antissemitas que era o único jeito de resolver o problema.

 

O rei deu a casa de Haman para Ester e Ester colocou nela Morde’hai. Haman tinha sido enforcado, e quando os 127 países receberam o decreto do rei escrito por Morde’hai autorizando aos judeus de matarem todos os seus inimigos e compararam com o decreto de Haman vigente para a mesma data onde os nossos inimigos poderiam nos matar, levaram em conta que Haman estava enforcado, a rainha era judia e o novo primeiro ministro da Pérsia era o Rabino Morde’hai que recebeu da rainha a casa de Haman, e com certeza ninguém queria se complicar com esse novo governo.

 

Nem precisamos dizer que nosso povo se defendeu dos seus inimigos, 75.800 antissemitas foram mortos e todos os povos de todo o império ficaram nossos amigos

 

 

Rabino Gloiber

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Shabat Zahor

Parashat Zahor

 

Nesse Shabat que acontece antes de Purim vamos ouvir na Sinagoga a Parashá mais importante do ano, Parashat Zahor, sendo que esse Shabat antecede Purim e Haman era um descendente direto de Amalek

 

Examinando o primeiro confronto entre o povo judeu e a nação de Amalec (Shemot 17:8-16) sobre o qual lemos em Shabat Zachor nesta semana que antecede Purim, duas perguntas básicas nos vêm à mente. Primeira, por que Amalec atacou os Filhos de Israel sem provocação? O versículo simplesmente relata que Amalec atacou os Filhos de Israel num local chamado Refidim, mas o que motivou este ataque? Segundo, por que eles mereceram esta súbita punição?

 

A primeira pergunta é respondida pelo Midrash, que compara o povo judeu a uma banheira de água fervente. Assim como ninguém ousa pular num recipiente de água fervente por medo de ser escaldado até a morte, assim também os judeus eram aparentemente invencíveis após seu milagroso êxodo, quando então as nações do mundo reagiam a eles com temor e respeito.

 

Ninguém ousava atacar o povo que tinha D’us a seu lado – exceto Amalec. Certa vez ele atacou, e embora tenha perdido, deram um jeito de esfriar a água para que outras nações também pulassem dentro sem medo de ser queimadas.

 

O que deu a Amalec a força para nos atacar? Rabi Yitschac Hutner desenvolve a resposta à primeira questão de outro Midrash, que compara Amalec a uma pessoa que zomba e ridiculariza tudo na vida. Uma personalidade assim procura toda oportunidade de minar e diminuir o que é importante e valioso na sociedade.

 

As Dez Pragas, a Abertura do Mar Vermelho, a destruição do Egito, o maná caindo do céu – todos estes eventos que haviam criado um senso de reverência e trepidação nas outras nações em relação aos judeus, fazendo a água da banheira mais e mais quente, apenas aumentou o desejo de Amalec de ser o primeiro povo a pular dentro. Para Amalec esta banheira fervente de grandeza, espiritualidade e nobreza tinha de ser esfriada, independentemente das conseqüências.

 

Voltemos agora a nossa segunda questão. Por que os judeus mereceram ser atacados por Amalec?

 

A chave para entender esta falha específica é o nome da localidade onde Amalec atacou-nos – Refidim. Embora num nível simples este nome seja meramente uma localização geográfica, o Midrash nos diz que é um acrônimo para “rafu y’dayhem min haTorah – as mãos do povo judeu foram fracas no seu apoio à Torá.”

 

O que significa esta expressão? O termo costumeiro para a falta de estudo de Torá é bitul Torah, negligenciar o estudo de Torá. Qual é então a idéia por trás de dizer que suas mãos eram fracas no seu apoio à Torá?

 

Rabi Yitschac Hutner explica que esta expressão refere-se a uma fraqueza em reconhecer e apreciar a importância e relevância da Torá em nossa vida. Quando deixamos de perceber como a Torá é vital para nossa própria existência e para a existência do mundo inteiro, estamos convidando Amalec a entrar em nosso meio.

 

Não apenas devemos estar preocupados com o quanto de Torá aprendemos, mas também com quanto valor e importância atribuímos à Torá que estudamos.

 

Percebemos que a Torá é sabedoria Divina? Percebemos que a Torá sustenta o mundo inteiro? Percebemos que a suprema perfeição do mundo apenas pode chegar através da Torá?

 

Que D’us nos ajude a aumentar nosso tempo de estudo de Torá e a avaliar sua verdadeira e ilimitada grandeza

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

A pessoa que queria se converter ao judaísmo com a condição de ele ser o “Cohen Gadol”

A pessoa que queria se converter ao judaísmo com a condição de ele ser o “Cohen Gadol”

 

A Guemará nos conta que certa vez alguém estava passando por trás de uma sinagoga , escutou de fora uma descrição sobre essas roupas e perguntou :- Quem vai vestir essas roupas?

 

:- O Cohen Gadol, respondeu o professor.

 

A pessoa que não era judeu tomou uma decisão consigo próprio: – vou me converter ao judaísmo com a condição de ser o Cohen Gadol!

 

Chegou ao tribunal rabínico onde se encontrou com Shamai que ouvindo o argumento concluiu que a pessoa não tinha boa intenção…..

 

Mas aquela pessoa não desistiu e foi procurar o outro grande Rabino da época que se chamava Hilel.

 

Hilel fez para ele um curso de Cohen Gadol aonde a pessoa descobriu que não poderia ser Cohen Gadol e se tornou um bom judeu.

 

O que Hilel viu nele que Shamai não tinha visto?

 

Hilel viu que essa pessoa era muito caprichosa e queria fazer tudo do jeito mais certo possível, a pessoa deduziu que o fato de o Cohen Gadol ir com essas roupas demonstrava que ele era mais religioso do que os outros e isso despertou nele a vontade de ser o Cohen Gadol.

 

No curso de Cohen Gadol que Hilel fez para ele, ele aprendeu que até o Rei David, um Tzadik maior do que o Cohen Gadol , não poderia ser Cohen Gadol.

 

Ou seja, dá para ser um Tzadik maior ainda do que o Cohen Gadol sem precisar usar aquelas roupas.

 

Aprendemos daqui que as vezes acontece de alguém errar e medir o nível de religiosidade de alguém por causa das roupas que ele usa, achar que quanto mais sofisticada a roupa mais religiosa aquela pessoa é, isso é um erro de avaliação muito comum nos dias de hoje.

 

Ou seja, se você viu no noticiário um Rabino vestido de Rabino no congresso anti-semita no Irã,  saiba que aquelas roupas não representam nada mas sim as atitudes da pessoa é o que qualifica ou desqualifica ela quando se trata da nossa religião.

 

Ou seja, se ele estava no congresso anti-semita não precisamos dizer que um Rabino estava lá mesmo que ele estava vestido assim

 

Rabino Gloiber

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data Judaica

Moshe Rabeinu

 

 

Moshe Rabeinu

(Moshe nosso mestre)

 

 

Moshe Rabeinu nasceu em 7 de Adar no ano Judaico de 2368  há 3418 anos atrás.

 

O Rambam chama Moshe de “o mais perfeito de todos os seres humanos”, e os Sábios da Guemará dizem que “a Presença Divina falava por meio das cordas vocais dele”.

 

A Torá  atesta que Moshe, o homem que nos tirou do Egito e recebeu a Torá de AShem (D’us) era “o homem mais humilde na face da terra”.

 

Moshe nasceu no Egito em uma época em que éramos escravos e sujeitos a muitos decretos horríveis .

 

Ele foi o terceiro e último filho de Yo’heved e Amram ,  seu irmão Aharon era três anos mais velho do que ele e sua irmã Miriam seis.

 

Naquela época o faraó fez um decreto de que todo menino judeu que nascesse fosse jogado no rio Nilo.

 

Os magos do faraó sabiam de forma muito genérica por meio de entidades espirituais negativas ligadas às idolatrias do Egito, que a pessoa que iria tirar o povo de Israel do Egito receberia um castigo por causa da água e até determinaram o dia em que ele iria nascer, mas não conseguiam saber se ele seria judeu ou não.

 

E por isso naquele dia determinado por eles o faraó mandou jogar todos os meninos recém nascidos no Rio Nilo, e esse foi o dia em que Moshe nasceu.

 

Quando Moshe tinha três meses de idade, Yo’heved colocou ele numa cestinha  no Rio Nilo e sua irmã Miriam ficou próxima para ver o que iria acontecer.

 

Quando Yoheved colocou a cestinha com o nenê no rio Nilo, as entidades espirituais negativas invocadas pelos magos do faraó revelaram aos magos que a pessoa que iria tirar o nosso povo do Egito já foi jogado na água, mas não sabiam exatamente quem era. Os magos repassaram ao faraó que esse menino morreu e o decreto de jogar os meninos judeus no rio Nilo foi anulado.

 

A princesa do Egito, a filha do faraó que se chamava Batya, veio mergulhar no rio Nilo para se purificar das idolatrias do pai dela, isso era a conversão ao judaísmo daquela época.

 

Daqui vemos que ela tinha professores particulares da tribo de Levi que estudava as escrituras Judaicas que já tínhamos naquela época, como o Sefer Yetzirá que foi escrito pelo nosso patriarca Avraham e muito conhecimento profundo que foi passando oralmente de mestre para aluno desde a época dos nossos patriarcas.

 

A princesa encontrou a cestinha com o nenê dentro, pegou o nenê para ela e deu à ele o nome de Moshe. As servas dela tentaram dar de mamar para o nenê, mas ele se recusou.

 

Miriam que estava lá presenciando esse grande milagre acontecer na sua frente, ofereceu para a filha do faraó uma mulher que iria dar de mamar para esse nenê e ele concordaria em mamar dela. Elas foram para a casa de Yoheved e Moshe mamou dela imediatamente.

 

A princesa contratou Yoheved para amamentar o pequeno Moshe por dois anos. Depois de dois anos, quando Yoheved e Miriam trouxeram Moshe para a princesa no palácio do Faraó, elas já recomendaram Amram, seu pai, para ser o professor particular dele. O Midrash nos conta que um Anjo vinha do céu para estudar Torá com Moshe.

 

E assim Moshe cresceu no palácio do faraó até que com 20 anos ele foi visitar pessoalmente o seu povo. Moisés viu um soldado egípcio tentando assassinar um judeu para roubar a sua esposa, usou seus conhecimentos cabalísticos, falou um nome de AShem (D’us) de 72 letras e tirou a alma do egípcio do corpo transformando ele em somente um corpo morto e o enterrou.

 

Por causa disso ele teve que fugir do Egito com apenas 20 anos. Fugiu para Midian, e lá ele se casou com Tzipora, a filha de Yitró, e teve dois dois filhos, Gershon e Eliezer.

 

 

Continua amanhã…

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

O porquê de cada roupa do Cohen

Tetzavê

 

Nossa Parashá nos conta sobre as roupas dos Cohanim, os sacerdotes do nosso povo

 

Rabbi Anani bar Sasson na Guemará nos conta que essas roupas tinham uma característica espiritual muito interessante: elas faziam a reparação das nossas transgressões.

 

Sendo que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem, quando tomamos a decisão de não fazer mais uma coisa ruim e nos arrependemos de tê-la feito, ele nos dá varias oportunidades de retificação para não precisarmos chegar à “medida por medida”, ou seja, para não precisarmos sofrer relativo ao mal que fizemos.

 

Um exemplo disso é o Shabat que serve como reparação para a transgressão da idolatria.

 

Imagine um judeu que volta da Índia depois de ter rezado para todas as milhares de estátuas que tem lá, ter feito oferendas para as estátuas e etc etc etc.

 

E no final essa pessoa se arrepende de toda a idolatria que fez e vai perguntar ao Rabino o que fazer:

 

– Rabino, diz a pessoa, eu acabei de voltar de uma peregrinação religiosa de um ano na Índia. Não teve uma estátua que eu não me prostrei na frente dela, que não rezei ou fiz uma oferenda para ela. Mas agora estou profundamente arrependido de ter feito isso. Como faço para consertar o que fiz? Vou sentar em um formigueiro?

 

:- D’us nos livre, responde o Rabino. Você vai consertar isso da seguinte maneira:

 

Compre uma roupa muito bonita para Shabat, faça quatro Halot ,(pães para Shabat), compre um peixe bem grande, tire as escamas e prepare ele bem gostoso para Shabat. Compre dois quilos de uva e faça um suco de uva bem gostoso para o kidush. Faça muitas saladinhas e sobremesa,  comemore o Shabat com a sua família com muita alegria, e essa é a sua retificação!

:- Mas Rabino, exclama o homem espantado, isso parece mais um prêmio do que um castigo!

 

:- Você decidiu que não vai mais fazer idolatria? Se arrependeu do que fez? Agora tem dois jeitos de retificar, um muito bom e o outro muito ruim. Qual você escolhe?

 

Como nesse exemplo verídico em relação à idolatria, assim também acontece com todas as transgressões da Torá.

 

Em primeiro lugar temos que tomar a decisão de não fazer a coisa ruim novamente e se arrepender de tê-la feito. O que sobrou agora é retificar o que fizemos.

 

Se não retificarmos de maneira positiva, essa pendência continua. Quando chega o limite, D’us nos livre, somos retificados à força e de maneira negativa, “medida por medida”, ou seja, o que fizemos de errado acontece para nós.

 

Rabi Anani nos conta que no livro de Vaykrá a Torá fala sobre os Korbanot, os sacrifícios de animais, e logo em seguida fala sobre as roupas dos Cohanim. Nos indicando que da mesma maneira que os Korbanot vem para retificar as nossas transgressões, dessa mesma maneira as roupas dos Cohanim retificam as nossas transgressões.

 

Quando essas roupas eram usadas pelo Cohen Gadol no Mishkan que era um Templo móvel, ou posteriormente no Beit Hamikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, cada uma delas reparava um tipo de transgressão diferente.

 

Cada roupa com a sua função

 

ktonet, túnica do Cohen Gadol, retificava os assassinatos

 

Mihnassaim, a calça do Cohen Gadol, retificava as relações ilícitas

 

Mitznefet, o turbante do Cohen Gadol, retificava a prepotência

 

Avnet, o cinturão do Cohen Gadol, retificava os maus pensamentos

 

Hoshen, a jóia de doze pedras preciosas que o Cohen Gadol tinha sobre o peito, retificava os erros de legislação

Efod, o avental do Cohen Gadol, retificava a idolatria

 

Meil, o manto do Cohen Gadol, retificava a difamação

 

Tzitz, como uma tiara de ouro sobre a testa do Cohen Gadol, retificava a arrogância

 

A explicação do “Rosh”

 

Rabeinu Asher ben Yehiel, conhecido como “o Rosh”, nasceu em Köln na Alemanha antiga aproximadamente no ano de 1250.

 

O Rosh era descendente do grande rabino, Rabi Eliezer ben Nathan, conhecido como o Raaban. Um dos seus oito filhos foi Rabi Yaacov Baal Haturim, autor do Arba’ah Turim, famoso código de lei judaica.

 

 

Seu principal professor foi o o grande Rabi Meir de Rothenburg que naquela época vivia em Worms na Alemanha antiga. Naquela época o Rosh também trabalhou com empréstimos e a situação financeira dele era muito boa

 

Quando Rabi Meir de Rothenburg foi preso pelo governo que queria extorquir a comunidade judaica, o Rosh quis pagar uma fiança astronômica exigida por eles para libertá-lo, mas Rabi Meir recusou, com medo de que isso servisse de incentivo para a prisão de outros rabinos.

 

Após isso, o Rosh assumiu a posição do rabino Meir em Worms. Porém, foi obrigado a emigrar para a França e depois para Toledo na Espanha, onde se tornou o Rabino da cidade por recomendação de Rabi Shlomo ben Aderet conhecido como Rashba.

 

Rabeinu Asher faleceu em Toledo no ano de 1328. Ele trouxe o espírito Talmúdico rigoroso e estreito da Alemanha antiga para a Espanha.

 

Em um dos seus comentários sobre a Guemará, o Rosh explica que as roupas do  Cohen Gadol não conseguiram retificar as transgressões de idolatria, assassinatos e relações ilícitas na época do primeiro Beit aMikdash. O Beit aMikdash foi destruído e nosso povo exilado para a Babilônia por causa dessas transgressões.

 

O motivo para isso, explica o Rosh, é que eles não fizeram Teshuvá, não se arrependeram das atrocidades que tinham feito e não tomaram a decisão de não fazê-las novamente.

 

Mas se tivessem feito Teshuvá, as roupas do Cohen Gadol retificariam as transgressões, o Beit aMikdash não seria destruído e nosso povo não seria exilado.

 

Porque entre as roupas do Cohen Gadol não havia sapato e meia

 

Quando rezamos estamos falando com o Rei. Quando falamos com o Rei devemos estar vestidos adequadamente e ninguém iria visitar um Rei descalço.

 

Como pode ser que o Cohen Gadol, a pessoa que nos representava na frente do rei , não só que deveria estar descalço mas também se ele colocasse uma roupa a mais, como por exemplo os sapatos, seu trabalho seria inválido.

 

Ou seja, ele nem poderia entrar no Mishkan ou no Beit aMikdash assim

 

Don Itzhak Abarbanel, o grande Tzadik que encorajou os judeus a fugirem da Espanha na inquisição, explica que quando AShem se revelou para Moshe Rabeinu pela primeira vez na ocasião do arbusto incandescente, pediu para Moshe tirar os sapatos indicando que a saída do Egito aconteceria de maneira sobrenatural e não por meio do nosso próprio esforço.

 

O mesmo podemos dizer sobre o Cohen no Mishkan ou no Beit aMikdash que eram lugares aonde a revelação Divina acontecia de maneira sobrenatural.

 

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Mensagem da Parashá

Urim veTumim

 

Tetzavê

 

Urim veTumim

 

Nossa Parashá nos conta sobre as roupas do Cohen Gadol.

 

Muitos segredos se ocultam por trás dessas roupas, como por exemplo o pedido Divino de colocar dentro do ‘Hoshen o Urim e o Tumim.

 

Nas doze pedras preciosas encaixadas no ‘Hoshen estavam gravados os nomes dos doze filhos de Yaakov, patriarcas das treze tribos de Israel (no lugar dos nomes de Efraim e Menashe estava o nome de Yossef).

 

Por trás disso, dentro do ‘Hoshen, estava o Urim e Tumim.

 

Quando surgia uma pergunta de importância pública como uma dúvida relativa à estratégia de guerra ou outro assunto público importante que necessitava de uma resposta Divina explícita, ela era perguntada em frente ao Cohen Gadol que vestia o ‘Hoshen.

 

Então, por causa do Urim e Tumim, um milagre acontecia com as letras dos nomes lapidados nas pedras preciosas

 

Rabi Yo’hanan na Guemará (Yoma) diz que um conjunto de letras se destacava e o Cohen Gadol montava com elas palavras por meio de Rua’h aKodesh (Inspiração Divina). Reish Lakish diz que as letras se moviam milagrosamente e montavam palavras.

 

O Ramban, Rabi Moshê ben Na’hman explica que as letras se iluminavam para o Cohen Gadol e assim elas se ressaltavam

 

O que são Urim e Tumim?

 

Rashi esclarece que o Urim e o Tumim são o Nome explícito de AShem escrito e colocado dentro das dobras do ‘Hoshen

 

Por meio dele as palavras ‘Hoshen se tornavam perfeitas e iluminadas, e por causa desse Nome de AShem que estava nele o ‘Hoshen é chamado de ‘Hoshen Mishpat.

 

Porque por meio dessa escrita as perguntas eram milagrosamente julgadas e as respostas do ‘Hoshen eram explícitas determinando se fazer ou não fazer o que foi perguntado.

 

Urim

 

O Ari Zal explica que o Urim era o Nome de AShem conhecido como Nome “Mem Beit”, letra Mem e letra Beit do alfabeto hebraico cujo valor numérico delas juntas é 42.

 

Esse nome é chamado de “Mem Beit” por ser composto pelas iniciais de cada uma das 42 palavras da reza cabalística “Ana Bekoa’h”

 

Tumim

 

O Ari Zal explica que o Tumim era o Nome de AShem conhecido como “Ain Beit” (72) que é assim chamado por ser o valor numérico do “Milui” (preenchimento) do nome de AShem de quatro letras conhecido como Tetragrama,

 

Ou seja, o nome de cada letra é escrito literalmente e o resultado do valor numérico das letras que compõem os nomes das quatro letras é 72

 

Quando o Cohen Gadol estava no Mishkan ou no primeiro Beit aMikdash esses Nomes se encontravam dentro do ‘Hoshen

 

Diz o Ari Zal que não era possível fazer perguntas dessa forma a não ser dentro do Beit aMikdash ou do Mishkan

 

E por isso o ‘Hoshen de Aviatar, o Cohen que fugiu da cidade de Nov que foi atacada por Shaul e se uniu à David antes de ele ser o rei de Israel, não tinha o Urim e Tumim

 

Ou seja, David recebia respostas Divinas do ‘Hoshen de Aviatar por meio do Rua’h aKodesh do próprio David, e não por causa do Urim e Tumim

 

 

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