A Parashá da Minha Vida 🌻Pin’hás

O ódio Gratuito

No começo da nossa Parashá, AShem (D’us) pediu para fazer uma guerra contra Midian por eles terem abalado a estrutura familiar do nosso povo e causado 24.000 mortes.

Essa guerra aconteceu a mais de 3300 anos atrás. Por qual motivo temos que nos lembrar hoje que vencemos a guerra de Midian?

A Torá tem um lado revelado que chamamos de “corpo da Torá”, e um um lado oculto, “Alma da Torá”. O lado corpo dessa guerra aconteceu a 3300 anos atrás mas o lado alma dela acontece diariamente.

Aqui na nossa Parashá estudamos no lado oculto da Torá o diagnóstico de uma “Klipá” que é uma força negativa que atua no mundo, chamada de klipat Midian.

Essa Klipá é a fonte espiritual do ódio gratuito que causou a destruição do segundo Beit a Mikdash, causou o exílio do nosso povo, e até hoje ela continua no nosso meio.

Então não é por acaso que lemos essa Parashá nessa época em que o Beit a Mikdash foi destruído.

A Torá já tinha nos contado sobre os meraglim, os espiões, que contra a vontade Divina queriam que o povo ficasse no deserto estudando Torá para entrarem na terra de Israel espiritualmente mais bem preparados.

Agora, depois de décadas de estudo, nosso povo se encontra com um exército de mulheres que vem nos seduzir. Como poderiam correr atrás da primeira mulher que vissem depois de estarem quase quarenta anos estudando Torá?

Essa é a consequência da Klipá que se provou resistente aos estudos de Torá , a classe social e a nível espiritual. Todos nós estamos sujeitos a ela, ela é a pior de todas as klipot.
Características da Klipá de Midian

1-Bilam, o feiticeiro, sabia que para D’us a pior coisa é a destruição do conceito familiar, o que acontece por meio de relações ilícitas.

Bilam não tinha motivo justo para aconselhar Balak contra nós, mas era ódio gratuito, porque seu país, Midian, estava longe de nós, e não representávamos um perigo para ele ou para seu povo.

Ele viajou até Moav para dar o conselho mais destrutivo do mundo em relação à nós, sabendo que Moav também não estava em perigo.

Quando essa Klipá nos contagia, nos tornamos dispostos a fazer tudo para destruir. Ela desperta em nós o sentimento de destruição sem limites, sem motivo, ou por um motivo muito pequeno, destruir gratuitamente.

 

Como nos proteger?

Não nos deixando seduzir pela Klipá!

Sempre que sentirmos motivação para entrar em uma briga e queremos destruir totalmente nosso próximo a ponto de desejar até sua inexistência, sabemos que ela despertou em nós.

Nessa hora, imediatamente temos que despertar nosso sistema imunológico espiritual (yetzer a Tov) contra ela e tomarmos a decisão de não brigar, não dar palpites destrutivos e não “colocar lenha na fogueira” seja o que não for.

As jovens de Midian justificaram seu comportamento como causa nobre e espiritual, e até princesas participaram dessa sedução em massa.

Cada uma levou com ela seu deuzinho, o Baal Peor, que foi apresentado como deus politicamente correto que apoiava o prazer e bem estar de seus adoradores, e cuja adoração consistia em fazer as “necessidades” sobre ele, demonstrando que não existe nada proibido no mundo contanto que isso te dê prazer. Ou seja, se você se sente bem brigando com alguém, brigue!

Essa é outra característica dessa Klipá, ela apresenta a destruição por meio de brigas e intrigas como se isso fosse uma causa nobre, politicamente correta e ainda com o apoio divino da idolatria !

 

Como sabemos que isso é Klipá ? Pelas consequências !

 

Por mais nobre e politicamente correta que seja a causa, se a consequência é a destruição, aí a klipá se encontra.

Então vamos abrir mão da legitimidade da briga olhando mais longe, vendo que se continuarmos a briga todos sairemos perdedores.

No começo da briga ou da intriga já devemos mentalizar a paisagem da destruição do pós briga, e do tempo necessário para reparar os prejuízos que ela causará e para curar os ferimentos que ela trará.

Vamos abrir mão dos prazeres descontrolados da briga que a klipá nos oferece, para não morrer na peste espiritual que é a consequência desse tipo de prazer.

No primeiro dia da criação do mundo quando D’us criou a luz ele disse “Ki Tov”(Que bom)

No segundo dia D’us criou a separação, colocando limites entre os oceanos e as nuvens, uma separação extremamente necessária que sem ela não existiríamos, mesmo assim D’us não falou que era bom.

A separação pode ser uma coisa extremamente necessária, mas sendo que é uma separação, está longe de ser uma coisa boa.

O Beit a Mikdash foi destruído por causa de pessoas que estavam com toda a razão, como vemos na história de Kamtza e Bar Kamtza.

Kamtza em aramaico é formiga, e se formiga já é uma coisa pequena, imagine o “bar Kamtza”(o filho da formiga).

Por causa de uma “coisinha pequena” que foi vista como uma briga justa e necessária, causa nobre apoiada até pelo silencio dos rabinos da época, tivemos um verdadeiro holocausto !
 

Não seja “durão” (e nem durona)

A Guemará em Guitim nos conta que um homem rico de Yerushaláim (Jerusalém) fez uma grande festa. Seu amigo se chamava Kamtza e seu inimigo Bar Kamtza.

Ele pediu para seu shamash (“serviços gerais”, faxineiro, geralmente pessoa muito simples) chamar o Kamtza e o faxineiro se atrapalhou e chamou o Bar Kamtza no lugar dele.

O problema já teria que ser arquivado nesta etapa como ”erro de faxineiro”, coisa insignificante. Mas o dono da festa, que seu nome nem aparece na história, se relacionou a isso com a maior gravidade.

Aí a klipá se revela! Ele usou sua autoridade para exigir a retirada do Bar Kamtza de sua festa, e o que seria uma possibilidade de reconciliação entre dois judeus, acabou em uma guerra mundial.

Bar Kamtza foi durão e se recusou a sair, oferecendo pagar pelo que comer e beber. O dono da festa foi durão e não aceitou, e aí a klipá vai crescendo.

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou novamente a sair, oferecendo patrocinar metade da festa. O dono da festa foi durão e não aceitou.

Bar Kamtza foi durão novamente, e se recusou novamente a sair, dessa vez oferecendo patrocinar a festa inteira. O dono da festa foi durão e não aceitou, pegou o Bar Kamtza e o colocou para fora.

Os rabinos que estavam lá foram durões e não fizeram nada para acalmar os ânimos, e a partir dessa etapa a coisa piorou até envolver o império romano. Por causa disso nosso Beit a Mikdash foi destruído e nosso exílio se estende por 2000 anos.

Na hora da briga cada um estava certo e tinha quem o apoiava, nenhum dos lados viu que o final não é a vitória mas sim a destruição de todos.

A única vitória verdadeira é quando nos controlamos e não brigamos, então vencemos e destruímos a klipá de Midian.

Com essa história nossos Sábios nos dão a dica de como vencer a klipá.

Simples: não seja durão! (e nem durona!)

 

Shabat Shalom

Rabino Gloiber
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“Entre os apertos”

Bein a Meitzarim

בין המיצרים (entre os apertos)

 

As “Três Semanas” entre os dias 17 de Tamuz e 9 de Av representam um período de luto anual no qual lembramos a destruição do primeiro e do segundo Beit a Mikdash (o Templo Sagrado de Jerusalém) e o início de nosso exílio.

 

Nessas três semanas não fazemos casamentos e nem cortamos o cabelo, também não ouvimos musicas tocadas por instrumentos musicais verdadeiros e ao vivo.

 

Esse período tem início no dia 17 do mês hebraico  de Tamuz, data que marca a destruição das muralhas de Jerusalém pelos romanos no ano 69.

 

Essa época termina com o jejum de Tishá BeAv,  dia 9 do mês de Av, data da destruição do Beit a Mikdash.

 

Tishá BeAv é o dia mais triste do calendário judaico, e é também a data em que muitas outras tragédias aconteceram para o  nosso povo.

 

Um pouquinho de Guemátria

 

O número 21 que é a soma dos dias dessas “Três Semanas” forma a palavra hebraica A’h que significa somente.

 

O dia 17 de Tamuz tem o valor numérico da palavra hebraica “Tov”, que quer dizer “bondade”.

 

Essas duas palavras juntas são o começo do versículo : “A’h tov Leisrael”, que quer dizer “Apenas o bem para Israel”.

 

Isto mostra que, de modo mais profundo, os acontecimentos desagradáveis das Três Semanas, na realidade, levarão somente à coisas boas.

 


17 de Tamuz

 

Cinco acontecimentos trágicos aconteceram nesse dia na história do nosso povo:

 

No dia 6 de Sivan recebemos os Dez Mandamentos no Monte Sinai. No dia 7 de Sivan Moshe Rabeinu subiu bem cedinho no Monte Sinai para receber o resto da Torá, e ficou lá quarenta dias e quarenta noites.

 

No dia 17 de Tamuz Moshe Rabeinu desceu do Monte Sinai, depois de 40 dias de “altas revelações” carregando as duas Lu’hot que eram lousas de pedra preciosa gravadas por AShem (D’us) com os Dez Mandamentos e juntas formavam um cubo de pedra preciosa.

 

Quando Moshe viu o povo dançando em volta do Bezerro de Ouro, as essas Lu’hot que Moshe Rabeinu conseguia carregar somente por milagre de AShem , caíram das suas mãos e se quebraram. Essa tragédia aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Na época do primeiro Beit a Mikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, no dia de 17 de Tamuz as oferendas do Beit a Mikdash foram anuladas por causa do cerco em volta da cidade.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz, Nebuzaradan, que era o general da Babilônia, quebrou a muralha de Jerusalém e seu exército invadiu a cidade de Jerusalém onde todos os judeus tinham se refugiado, fazendo um verdadeiro holocausto, assassinando uma quantidade enorme de pessoas.

 

Em outra época no dia de 17 de Tamuz foi colocada uma estátua no Beit a Mikdash.

 

O Talmud Yerushalmi nos traz duas opiniões em relação a essa estátua:

 

Uma opinião é de que na época do primeiro Beit a Mikdash, Menashe, que era o rei da Judéia  naquela época, colocou um ídolo no Beit a Mikdash, e isso aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Outra opinião é de que “Apostomos o Rashá” (Apostomos o criminoso) que era um governador dos gregos da Síria que dominava a nossa terra na época do segundo Beit a Mikdash, colocou uma estátua no Beit a Mikdash.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz “Apostomos o Rashá” ordenou queimar o Sefer Torá.

 

Não sabemos se o motivo para esse acontecimento ter entrado na nossa história é pelo fato de isso ter acontecido pela primeira vez ou pelo fato de eles terem confiscado nossos Sifrei Torá durante muito tempo e no dia 17 de Tamuz terem feito um evento público de queima de todos os Sifrei Torá apreendidos.

 

A diferença entre as primeiras e as últimas Lu’hot :

 

As primeiras eram a obra de AShem (D’us) , as segundas eram obra de Moshe, como está escrito:“faça para você” (Moshe as fez).

 

A milagrosa escrita Divina gravada nas primeiras Lu’hot nunca mais foi recuperada.

 

Essa forte revelação Divina cujas letras estavam gravadas de lado à lado de forma legível sob qualquer ângulo e cuja mensagem podia ser claramente transmitida, sem qualquer possibilidade de distorção da escrita.

 

 

Quando as primeiras Lu’hot foram dadas, nosso povo estava em um nível de “Tzadikim” (pessoas altamente elevadas) porque ao acamparem em frente ao Monte Sinai, a impureza que eles tinham antes desapareceu.

 

Quando eles receberam as segundas Lu’hot eles estavam em um nível de Baalei Teshuvá, ou seja, de pessoas que ficaram com remorso do mal que fizeram.

 

Mas as segundas Lu’hot tinham uma grande qualidade: elas foram dadas com as Ala’hot, o Midrash e as Agadot.

 

Elas foram assim “uma dupla doação de sabedoria da Torá”, como o explica a Guemará em Nedarim (22B).

 

Além disso, a partir da hora que recebemos essas segundas Lu’hot, um raio de luz iluminou o rosto de Moshe.

 

Em breve em nossos dias todos esses dias de sofrimento vão se transformar em dias de festa com a chegada do Mashia’h e a Gueulá, nossa redenção final .

 

Rabino Gloiber

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Como mudar o nosso destino

 

 

Bom dia pessoas maravilhosas 🥰🌻❤️

 

 

Mazal

 

O Zohar nos conta sobre um livro da antiguidade que não chegou até os nossos tempos.

 

Esse livro era chamado de “livro dos antepassados”, um livro de Torá oculta.

 

Ele nos revela que o segredo do Mazal é ligado às Sefirot .

 

Todo subconjunto de Sefirót é chamado de “face” que em aramaico é “Anpin”.

 

O “Zeer Anpin”, a “pequena face”, é formado pelas Sefirót Hessed, Guevurá, Tiféret, Netza’h, Hod e Yessod.

 

O Zohar chama o Zeer Anpin de Tiféret.

 

Tem vezes que a Sefirá chamada de Mal’hut que é o nível de Revelação Divina chamado de She’hiná, está com uma falha causada pelas más ações feitas nesse mundo, e não se une a Tiféret para receber dela novas Neshamot que são as Almas Divinas, as Almas judias.

 

Mesmo nesse caso a Mal’hut tem que enviar para o mundo as Neshamot que já recebeu da Tiféret quando estava unida a ela e que ficam no Mal’hut por doze meses.

 

Essas Neshamot que descem para o mundo quando o Mal’hut está em estado de Guevurá e separado da Tiféret vão estar sempre sofrendo nesse mundo.

 

A pobreza e os problemas a perseguem continuamente por toda a sua vida. Tanto se ele é um Tzadik ou não, ele não tem “Mazal “

 

O único jeito de ele “repor” essa falta crônica de Mazal é investindo na Tefilá, na reza, sendo que por meio da nossa Tefilá causamos uma união entre a She’hiná e a Tiféret.

 

Essa união faz com que a Tiféret que é comparada pelo Zohar ao sol, ilumine a Mal’hut que é comparada pelo Zohar à lua sendo que a lua só tem a luz que recebe do sol.

 

A Tiféret repassa um “brilho” de riqueza para a She’hiná.

 

Esse “brilho” ilumina na raiz da nossa Neshamá e por meio disso a She’hiná inverte o que nos foi decretado de pobreza e sofrimento para riqueza e sucesso em tudo.

 

Sendo que o Mazal dessa pessoa não se transforma totalmente por meio da Tefilá, mas é “remediado”, essa pessoa sempre vai ter que rezar “forte” diariamente toda a sua vida para repor essa “falta”.

 

A Neshamá que desce para o mundo quando o Mal’hut está unido com a Tiféret, sempre vai ter sucesso em tudo! Família , saúde , dinheiro e tudo o que precisar,.

 

E isso acontece por causa de uma das seis Sefirot que fazem parte desse grupo que o Zohar chama Tiferet.

 

Essa Sefirá é chamada de Yessod que é apelidado de “Mazal”.

 

Ela é a Sefirá que repassa a fartura e prosperidade do mundo de cima para o nosso mundo.

 

Quando a Mal’hut está unida com esse conjunto de Sefirót chamado de Tiféret, ela consegue repassar para nós toda a felicidade, riqueza e tudo de bom, sendo que tudo isso está ligado à Sefirá chamada de Yessod que é o Mazal.

 

A falta dessa ligação causa uma falta de “Mazal” em tudo, e sobre isso estudamos que :

 

Filhos, saúde e dinheiro não dependem das nossas ações mas dependem do Mazal.

 

Sendo que a falha na She’hiná (Mal’hut) causou isso para esses Tzadikim, AShem está sempre unido à eles, não deixa eles nem por um momento e sofre com os sofrimentos deles.

 

Por isso está escrito: “AShem está próximo dos que tem o coração quebrado”.

 

Porque eles sofreram junto com AShem a falha da She’hiná causada pelas más ações desse mundo.

 

Sendo que a Mal’hut é comparada a lua e esses Tzadikim sofrem por causa dessa falha, no futuro, quando a falha da lua espiritual que é a Mal’hut, for consertada e a luz da lua ficar como a luz dos sete dias da criação, extremamente maior que a luz da lua, esses Tzadikim também usufruirão desse nível de revelação que é extremamente maior do que os outros níveis .

 

Essa falta de Mazal não precisa ser aplicada ao extremo, por isso o Zohar coloca o Rabi Shimon Bar Yo’hái também nessa classificação, sendo que Rabi Shimon teve que fugir dos romanos por treze anos.

 

O próprio exílio de quatrocentos anos que foi decretado no pacto com Avraham Avinu começou com o nascimento de Itzhak e as mudanças de lugar que eles fizeram foi considerada como exílio, e poderia ter passado assim por quatrocentos anos diz o Zohar, não fosse o ódio dos irmãos por Yossef que causou um agravamento total no exílio.

 

Em nosso exílio atual que foi causado por ódio gratuito, isso fica mais grave ainda, sendo que sairemos desse exílio somente por meio de amor gratuito.

 

Sendo assim, o principal trabalho da nossa geração é despertar o amor ao próximo e ajudarmos uns aos outros, como é a característica natural do nosso povo de sermos tímidos , bondosos e gostarmos de ajudar.

 

Conclusão : A Tefilá e o amor ao próximo podem transformar o nosso Mazal é até uma viagem de férias pode ser considerada um exílio !

 

AShem é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , e por isso , mesmo que o nosso Mazal não é dos bons não temos com o que nos preocupar.

 

Acrescentando em Tefilá e boas ações qualquer decreto pode ser substituído por meios que só AShem sabe fazer.

 

Rabino

Gloiber

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Separação: coisa boa ou coisa ruim?

Separação: coisa boa ou coisa ruim?

 

No primeiro dia da criação do mundo quando D’us criou a luz ele disse “Ki Tov”(Que bom)

 

No segundo dia D’us criou a separação colocando limites entre os oceanos e as nuvens, uma separação extremamente necessária que sem ela não existiríamos, mesmo assim D’us não falou que era bom.

 

A separação pode ser uma coisa extremamente necessária, mas sendo que é uma separação coisa boa ela não é. Necessária sim, boa não!

 

Não seja “durão”

 

A Guemará em Guitim nos conta que um homem rico em Jerusalém fez uma festa. Seu amigo se chamava Kamtza e seu inimigo Bar Kamtza.

 

Ele pediu para seu shamash (“serviços gerais”, faxineiro, geralmente pessoa muito simples) chamar seu amigo Kamtza para a festa e o faxineiro por engano chamou seu inimigo Bar Kamtza.

 

O problema já teria que ser arquivado nesta etapa como ”erro de faxineiro”, coisa insignificante. Mas o homem que seu nome nem aparece na história se relacionou à isso com a maior gravidade.

 

Aí a klipá se revela! Ele usou sua autoridade para exigir a retirada do Bar Kamtza da sua festa, e o que seria uma possibilidade de reconciliação entre dois judeus vai acabar em uma guerra mundial.

 

Bar Kamtza foi durão e se recusou a sair oferecendo pagar pelo que comer e beber, o dono da festa foi durão e não aceitou, e aí klipá vai crescendo.

 

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou a sair oferecendo patrocinar metade da festa. O dono da festa foi durão e não aceitou.

 

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou a sair novamente, dessa vez oferecendo patrocinar a festa inteira. O dono da festa foi durão e não aceitou, pegou o Bar Kamtza e o colocou para fora.

 

Os rabinos que estavam lá foram durões e não fizeram nada para acalmar os ânimos e a partir dessa etapa a coisa piorou até envolver o império romano causando a destruição do nosso Beit Hamikdash e um exílio que se estende por quase 2000 anos.

 

Na hora da briga cada um estava certo e tinha quem o apoiava, nenhum dos lados viu que o final não é a vitória mas sim a destruição de todos.

 

A única vitória verdadeira é quando nos controlamos e não brigamos, então vencemos e destruímos a klipá de Midian. Com essa história nossos Sábios nos dão a dica de como vencer a klipá. Simples: não seja durão!

 

Os bastidores da destruição do Beit a Mikdash

 

O Beit a Mikdash foi destruído por causa de pessoas que aparentemente estavam com toda a razão como vemos na história de Kamtza e Bar Kamtza.

 

Kamtza em aramaico quer dizer formiga, e se formiga já é uma coisa pequena, imagine o “bar Kamtza”(o filho da formiga).

 

Nos indicando que por causa de uma “coisinha pequena” que foi vista como uma briga justa e necessária, causa nobre apoiada até pelo silêncio dos rabinos da época, tivemos um verdadeiro holocausto .

 

Conclusão:

 

Hoje deveríamos ser pelo menos a mega potência mundial com a moeda mais valorizada do mundo e o mundo inteiro concorda que temos todo o potencial para isso.

 

Mais ainda, poderíamos já ter entrado na era da Gueulá com todos os milagres e maravilhas que ela vai nos trazer.

 

Então vamos transformar o que sobrou dessa doença crônica que é o ódio gratuito que nos acompanha nos últimos dois mil anos em amor gratuito.

 

Todss as energias que tínhamos usado até agora para destruir o que sobrou do nosso povo vamos para construir.

 

Vamos amar os nossos semelhantes com uma intensidade maior do que aquela que usávamos para odiar.

 

Vamos intensificar o nosso amor gratuito  e no mérito da nossa união vamos receber a Gueulá, nossa  verdadeira e completa redenção final 🥰🌻❤️

 

Rabino Gloiber

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Ódio gratuito, uma doença espiritual negativa auto imune

Pin’hás🌻

Ódio Gratuito:

 

No começo da nossa Parashá D’us pede para fazer uma guerra contra Midian por eles terem abalado a estrutura do nosso povo recrutando um exército de mulheres para seduzir os jovens judeus e induzi-los à idolatria do Baal Peor causando 24.000 mortes em uma epidemia que surgiu como consequência disso.

 

Essa guerra aconteceu há mais de 3378 anos. Por qual motivo temos que nos lembrar hoje que vencemos a guerra de Midian há tanto tempo atrás?

 

A Torá tem um lado revelado que chamamos de “corpo da Torá” e um um lado oculto, “Alma da Torá”.

 

O lado “corpo” dessa guerra aconteceu há mais de 3378 anos atrás mas o lado “Alma” dela acontece diariamente.

 

Aqui na nossa Parashá estudamos no lado oculto da Torá o diagnóstico de uma “Klipá” (força espiritual negativa que atua no mundo) chamada de klipat Midian.

 

Essa Klipá é a fonte espiritual do ódio gratuito que causou a destruição do segundo Beita Mikdash, o exílio do nosso povo, e até hoje ela continua no nosso meio.

 

Então não é por acaso que lemos essa Parashá nessa época em que o Beit a Mikdash foi destruído .

 

A Torá já tinha nos contado sobre os meraglim (espiões) que contra a vontade Divina queriam que o povo ficasse no deserto estudando Torá para entrarem na terra de Israel mais preparados.

 

Agora, depois de décadas de estudo, nosso povo se encontra com um exército de mulheres que vem nos seduzir.

 

Como poderiam correr atrás da primeira mulher que vissem depois de estar quase quarenta anos estudando Torá?

 

Essa é a consequência da Klipá que se provou resistente a estudos de Torá, à classe social e até à nível espiritual.

 

Todos nós estamos sujeitos à ela, ela é a pior de todas as klipot.

 

Características da Klipá de Midian:

 

1-Bilam o feiticeiro sabia que para D’us a pior coisa é a idolatria e a destruição do conceito familiar, relações ilícitas.

 

Bilam não tinha motivo justo para aconselhar Balak, rei de Moav contra nós.

 

Seu país (Midian) estava longe de nós e não estava nos nossos planos de conquista, e portanto o ódio dele por nós era “ódio gratuito”.

 

Ele viajou até Moav sabendo que Moav também não estava em perigo, para dar o conselho mais destrutivo do mundo em relação à nós.

 

Ele estava “possuído” por essa klipá.

 

Quando essa Klipá nos contagia nos tornamos dispostos a fazer tudo para destruir.

 

Ela desperta em nós o sentimento de destruição sem limites, sem motivo ou por um motivo muito pequeno, destruir gratuitamente.

 

Como nos proteger dessa klipá?

 

Não nos deixando seduzir pela Klipá!

 

Sempre que sentirmos motivação para entrar em uma briga e querer destruir nosso próximo a ponto de desejar até sua inexistência sabemos que ela se despertou em nós.

 

Imediatamente temos que despertar nosso sistema imunológico espiritual (yetzer a Tov) contra ela e tomarmos a decisão de não brigar, não dar palpites destrutivos e não “colocar lenha na fogueira” seja o que não for.

 

As jovens de Midian justificaram seu comportamento como causa nobre e espiritual, e até princesas participaram dessa sedução em massa.

 

Cada uma levou com ela seu deuzinho, o Baal Peor, que foi apresentado como deus politicamente correto que apoiava o prazer e bem estar de seus adoradores e cuja adoração consistia em fazer as “necessidades” sobre ele demonstrando que não existe nada proibido no mundo contanto que isso te dê prazer.

 

A mensagem dessa klipá é: “Se você se sente bem brigando com alguém, brigue!”

 

Ela apresenta a destruição por meio de brigas e intrigas como causa nobre, politicamente correta e ainda com o apoio divino da idolatria

 

Como sabemos que isso é Klipá ?

 

Pelas consequências !

 

Por mais nobre e politicamente correta que seja a causa, se a consequência dela é a destruição, aí a klipá se encontra.

 

Então vamos abrir mão da legitimidade da briga olhando mais longe, vendo que se continuarmos uma briga todos sairemos perdedores.

 

No começo da briga ou da intriga já temos que mentalizar a paisagem da destruição do “pós briga” e do tempo necessário para reparar os prejuízos que ela causará e para curar os ferimentos que ela trará.

 

Vamos abrir mão dos prazeres descontrolados da briga que a klipá nos oferece para não morrer na peste espiritual que é a consequência desse tipo de prazer.

 

 

Rabino Gloiber

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Hukat – A Vaca Vermelha

 

A Vaca Vermelha
 

 

O Baal Shem Tov nos ensinou que todos os mandamentos Divinos são eternos, porque a Torá é a revelação Divina e D’us é eterno.

 

A Torá é a sabedoria Divina que desceu ao nosso nível, como por exemplo um pai muito sábio que ensina ao filho mais velho uma sabedoria muito profunda.

 

Quando ele fala com o filho pequeno, a sabedoria profunda desce ao nível da criança aparentando ser uma coisa simples, mas por trás disso se encontra uma sabedoria profunda.

 

Assim também são os mandamentos Divinos, cada um tem por trás de si diferentes aspectos, muitas vezes desconhecidos.

 

O lado simples do mandamento Divino chamamos de “Pshat”. O Pshat é o jeito simples e específico de cumprir o mandamento na prática tendo muitos deles um local e tempo determinado que não é necessariamente “aqui e agora”.

 

No Pshat o mandamento pode acontecer poucas vezes como no caso da Vaca Vermelha da nossa Parashá, ou não acontecer nunca como no caso do ”ben sorer umore” que é um mandamento da Torá que nunca aconteceu e nunca acontecerá.

 

Mas todos os mandamentos Divinos tem um aspecto no qual eles são eternos e acontecem “aqui e agora” mas em outro nível. Um desses aspectos é chamado de ”Remez” (indicação).

 

Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento da Vaca Vermelha, um mandamento que aconteceu na prática somente nove vezes em toda a nossa história e vai acontecer mais uma vez na época do Mashia’h.

 

Esse mandamento tem uma característica interessante que é a de impurificar os puros e purificar os Impuros. Diz o Baal Shem Tov que o “Remez” desse mandamento é o orgulho.


 

Orgulho: qualidade ou defeito?


 

O orgulho é comparado à Pará Adumá, a Vaca Vermelha, ele purifica os impuros e impurifica os puros.

 

Quando uma pessoa se comporta de maneira incorreta ele está distante de D’us, e para conseguir sair dessa impureza a pessoa deve se encher de Orgulho.



Ter orgulho de cada mandamento que cumpre, de cada Tzedaká que dá, sentir que faz algo por D’us e que agora D’us está em dívida com ela e vai dar para ela um Paraíso enorme.

 

Mas aí ela chega à uma etapa aonde se acomoda e acha que já fez até demais.



Nessa hora o orgulho que serviu para ela crescer faz ela se acomodar. Se torna uma barreira, se torna um um bloqueio. De purificador vira impurificador!

 

Sendo que nessa etapa o orgulho deixa de ser um remédio e se torna um veneno, deve ser eliminado.



Para eliminá-lo a pessoa deve se lembrar que toda a Tzedaká que deu foi somente parte do que AShem  deu para ela, ainda mais, foi a parte pequena da benção Divina que ela recebeu.

 

E todos os mandamentos Divinos que ela cumpriu foram com a força e saúde que AShem  deu para ela, e ainda mais, foi somente com um pouquinho dessa energia que recebeu de AShem.

 


Descobre que ela era somente uma criança pequena segurando a direção do carro do papai e achando que estava dirigindo.

 

Aí o Yetzer Hará que é a nossa má inclinação, pode falar para ela- : Viu ! Você nunca fez nada! Você é uma incapaz! Ou sugerir para ela uma falsa humildade dizendo:- Quem é você para fazer alguma coisa?

 

Dessa maneira o “yetzer hará” tira dela a auto estima e a derruba para baixo para que ela deixe de cumprir os Mandamentos Divinos achando que tudo o que ela faz não tem nenhum valor lá em cima.

 

Aí o orgulho é novamente necessário para fazer ela subir, e agora que ela já está cumprindo os Mandamentos Divinos, ela toma a decisão de acrescentar na qualidade, caprichar mais nos Mandamentos, estudar mais Torá, subir de verdade!

 

Agora ela se sente verdadeiramente alguém importante lá em cima!

 

E nessa hora que ela chegou à um nível mais elevado e parou de subir, o orgulho se torna novamente um veneno.



Ela se sente dona da razão, reage com crueldade, de maneira desproporcional e fora de controle à qualquer mínimo ataque feito à ela ou ao que ela representa.

 

Achando que quando atacada, em legítima defesa pode massacrar quem a atacou, principalmente quando se trata de um assunto religioso no qual ela tem razão.



Se esquecendo totalmente que as palavras dos sábios são ouvidas com tranquilidade, e principalmente ditas com tranquilidade. 

 

Novamente o orgulho faz com que ela volte a ser impura e esse orgulho é prejudicial e tem que ser eliminado.

 

Conclusão:

 

O orgulho em relação ao nível superior que devemos alcançar é indispensável, sem ele não chegamos lá, mas em relação ao nível que já foi alcançado é destrutivo.

 

Por isso não temos que olhar para trás, para o que já fizemos, mas sim para frente, para o que podemos fazer melhor. Porque sempre em relação ao nível superior o orgulho é um vento à nosso favor!

 

“O Cajado”

 

Nossa Parashá nos conta, entre muitos assuntos interessantes, que D’us pede para Moshe pegar “o cajado”, reunir o povo, falar com uma rocha na frente de todos e dela vai sair água para o povo inteiro.

 

No começo da história da saída do Egito, quando AShem  (D’us) se revelou à Moshe no monte Sinai na ocasião do ”arbusto incandescente” e pediu para ele tirar nosso povo do Egito, Moshe estava com esse cajado.

 

Nessa ocasião AShem  pede para ele jogar o cajado no chão e ele vira uma serpente. Moshe pega a serpente e ela volta a ser cajado. AShem  diz para ele levar esse cajado para o Egito e com ele fazer os milagres.

 

Agora, próximos à conclusão da história da saída do Egito, próximos à entrar definitivamente na terra prometida depois de ter ficado no deserto por quase quarenta anos, AShem  pede para ele pegar “o cajado” e falar com a rocha.

 

Qual é a importância tão grande desse cajado que na nossa Parashá ele é chamado por AShem  simplesmente de “o cajado ?
 

 

O cajado de Moshe


 

Rabi Levi no Midrash nos conta que esse cajado foi criado no sexto dia da criação do mundo “bein hashmashot”, depois do pôr do sol mas antes de saírem as estrelas, horário que não é nem dia e nem noite em que o que foi criado nele era meio material e meio espiritual.

 

Esse cajado foi dado para Adam a Rishon (o primeiro homem) no Gan Éden (Paraíso). Adam deu ele para Hano’h que o deu para Noa’h que o deu para Shem que o entregou à Avraham Avinu, o primeiro dos nossos três patriarcas.

 

Avraham o deu para Itzhak, Itzhak o deu para Yaakov que o levou ao Egito e o entregou à Yossef.

 

Quando Yossef faleceu, tudo o que havia na sua casa foi levado ao palácio do faraó, inclusive “o cajado”.



Ytró era um dos assessores do Faraó. Ele viu que esse cajado tinha letras hebraicas, e mesmo sendo ele um dos grandes sábios dos povos da época, aquelas palavras ele não conseguiu decifrar.

 

Quando ele se demitiu do Faraó, pegou aquele cajado e o levou para Midian. Enfiou ele na terra do jardim de sua casa e não conseguiu mais arrancar ele de lá.



Sempre que alguém pedia sua filha Tzipora em casamento ele colocava como condição arrancar aquele cajado do chão, mas por mais forte que fosse o pretendente ninguém conseguiu arrancar o cajado (olha de onde os ingleses copiaram a lenda do rei Arthur).

 

Quando Moshe fugiu do Egito e chegou à casa de Ytró, leu o que estava escrito no cajado, tirou ele do jardim e se tornou o genro de Ytró.



Diz o Zohar que nesse cajado estava lapidado o nome explícito de AShem  dos dois lados e representava dois tipos diferentes de atuação Divina no mundo, um lado despertaria a Hessed (bondade) e a Guevurá (severidade) e o outro lado despertaria Guevurá com Guevurá para quando fosse necessário.

 

Por isso nas pragas do Egito aparece a linguagem “incline seu braço”, se referido ao braço esquerdo, o lado da Guevurá. Diz o Zohar que esse é o motivo pelo qual AShem  pediu para Aaron jogar o cajado dele na frente do Faraó e não para Moshe fazer isso. 

 

O cajado de Moshe não podia ser jogado no chão e nem comer os feitiços dos magos do Egito.

 

 

Tanin – cobra ou crocodilo?


 

Naquela ocasião o cajado de Aaron se transformou em “tanin”, e voltando a ser cajado comeu os cajados dos feiticeiros do Egito que tinham se transformado em “taninim”.



Nesse caso a palavra “tanin” é traduzida por Unkelus como “tanina” e não como “hivei” que quer dizer cobra em aramaico.

 

A palavra “tanin” em árabe, idioma mais próximo ao aramaico, quer dizer dragão.Tanto Rashi na sua explicação quanto Rabi David e seu filho Rabi Yehiel Altshuler que escreveram o livro Metzudat Tzion que traduz as palavras difíceis do Tana’h, traduzem tanin como cobra.



Em todos os lugares do Tana’h onde essa palavra aparece nesse sentido é traduzida como cobra, fora as vezes que essa palavra se refere à um peixe puro gigantesco, e lá eles traduzem essa palavra como peixe e não como cobra.

 

O que eles têm em comum era o fato de terem vivido na Europa em uma época que não tinha lá crocodilos como atualmente nos zoológicos climatizados.



O dicionário de hebraico traduz tanin como crocodilo sem conseguir explicar exatamente onde essa tradução começou.

 

Levando em consideração a tradução de Unkelus e também analisando um versículo de Yehezkel 29/3 onde ele cita o exibicionismo do faraó comparando lá o faraó a um grande “tanin” agachado confiantemente dentro do seu rio, que lembra mais a prepotência de um crocodilo do Nilo agachado dentro da água do que de uma cobra coitada que caiu na água e está tentando fugir dela.

 

Chegamos à conclusão de que o “tanin” é um crocodilo mesmo, e que Rashi não teria outro jeito de explicar para uma criança de cinco anos na Europa há mais de novecentos anos atrás o que é um crocodilo a não ser dessa forma.

 

Sendo assim,tanto o cajado de Aaron quanto os cajados dos feiticeiros do Egito nessa ocasião se transformaram em crocodilos e o cajado de Aaron voltando a ser cajado comeu os crocodilos dos feiticeiros demonstrando uma força superior à deles que pode atuar em nível de cajado, inferior aos crocodilos e mesmo assim comer os crocodilos, e por isso eles se assustaram.

 

Mas era o cajado de Aaron que tinha que fazer isso e não o cajado de Moshe, porque AShem  não queria impurificar seu nome lapidado no cajado de Moshe quando o cajado engolisse os feitiços.

 

Diz o Zohar que outro motivo de que naquela ocasião obrigatoriamente teria que ser o cajado de Aaron era para subjugar todos aqueles que eram do lado esquerdo, “Guevurá”, porque Aaron era o Cohen, “homem da bondade”, nas Sefirot a Hessed, “lado direito” que subjuga a Guevurá que é o lado esquerdo.

 

Diz o Zohar que AShem  quis que seus nomes lapidados no cajado fizessem os milagres, mas quando Moshe bateu com ele na pedra duas vezes AShem  disse para ele que não era para isso que ele tinha esse cajado.

 

A Torá nos conta que esse é o motivo que Moshe não entrou na terra prometida, publicando a grandeza de Moshe que não teve outro motivo a não ser esse motivo tão pequeno.

 

Diz o Rebe de Lubavitch que aprendemos com o cajado de Moshe uma coisa muito importante:

 

Nesse mesmo cajado que estavam lapidados os nomes das nossas seis matriarcas e seus doze filhos que deram origem ao povo de Israel, ao mesmo tempo estavam lapidadas nele em forma de iniciais as dez pragas que eram o nível mais baixo da atuação Divina, a revelação Divina em forma de pragas que aconteceram no Egito, país mais depravado do mundo.

 

E nesse mesmíssimo cajado estava lapidado o nome mais sagrado de AShem , o mais importante dos sete nomes de D’us que não podem ser apagados, o nome que se refere à “essência Divina”, e quando nos unimos à um pouco da essência Divina nos unimos à ela inteira.

 

Diz o Baal Shem Tov que a Divina providência não recai somente à assuntos globais, mas AShem  se relaciona à menor coisa do mundo da mesma maneira que se relaciona à maior coisa do mundo.



E não só à menor coisa como também a menor das menores, porque o menor detalhe completa a mais suprema perfeição da intenção Divina.

 

Mesmo sendo AShem  o Todo Poderoso, Ele está cuidando de cada detalhe de uma criança pequena nesse mundo, e até de coisas ainda menores como uma folhinha que cai de uma árvore.



A Divina Providência está acompanhando essa folhinha e determinado quantas voltas ela vai dar, e se vai ser por meio do vento ou de outra forma.

 

Vimos no comportamento do Baal Shem Tov esses dois extremos.



Por um lado ele revelava aos seus alunos os segredos mais profundos da Torá, e junto com isso ele conversava com as pessoas mais simples sobre os assuntos mais simples da Torá e das Mitzvot, e ele próprio ensinava as crianças pequenas a falar o Amém do Kadish.

 

Aprendemos daqui que por mais que estejamos ocupados com assuntos importantíssimos temos que nos ocupar da mesma maneira com assuntos de Torá e Mitzvot que parecem para nós muito pequenos, se até AShem  faz assim, quanto mais nós!

 

Diz o Midrash que o cajado de Moshe chegou até o rei David, dele passou para os reis da Judéia, e na destruição do primeiro Beit a Mikdash ele desapareceu.

 

Mas esse mesmo cajado que estava nas mãos de Moshe vai estar nas mãos do Mashia’h, e com ele o Mashia’h vai tirar o povo de Israel do Galut


Shabat Shalom

Rabino Gloiber

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Um profeta tão grande como Moshe?

 

A Torá nos conta que não existiu no povo de Israel um profeta tão grande como Moshe. No povo de Israel não existiu mas entre os povos do mundo sim. E quem era ele? Bil’am!

 

Para os povos do mundo não dizerem que se eles tivessem um profeta tão grande como Moshe Rabeinu eles se comportariam melhor, AShem  deu para eles Bil’am. Mas por causa dele, não só que eles não se comportaram melhor, mas ao contrário, eles se comportaram pior ainda!

 

Bil’am era mundialmente conhecido. Quem ele abençoava era abençoado e quem ele amaldiçoava morria.

 

Da mesma maneira que nós, a força de Bil’am estava nas palavras que ele dizia.

 

Existe um pequeno instante em que a Sefirá da Guevurá desperta lá encima. Bil’am sabia qual era esse instante. Quando a Guevurá despertava ele começava a sua maldição, e quem é amaldiçoado nesse pequeno instante não escapa.

 

A tal ponto que o próprio D’us foi obrigado a impedir o despertar da Guevurá todo o tempo que Bil’am tentou amaldiçoar o nosso povo.

 

Daqui aprendemos que nunca devemos falar palavras ruins, principalmente dentro da família, porque se, D’us nos livre, acertamos sem querer esse instante, estaremos causando um prejuízo irreversível. E depois que a briga terminar não adianta chorar….

 

AShem  trocou a maldição de Bilam por Bençãos.
Bilam profetiza sobre o Rei David e sobre o Mashia’h

 

Por que a Benção de Bilam e suas profecias foram necessárias para nós?

 

Para entender isso vamos votar na nossa história até a época do nosso patriarca Yaakov que lutou contra uma criatura espiritual que era o próprio anjo de Essav. Essav era o patriarca de Edom que mais futuramente deu origem que países europeus.

 

Yaakov pediu para o anjo de Essav abençoar ele. O anjo de Essav abençoou Yaakov dizendo que seu nome não será mais Yaakov mas sim Israel.

 

Poderíamos e com razão dizer que o anjo foi forçado a abençoar Yaakov. Aí vem Bilam e diz : Quanto são boas suas tendas Yaakov, suas moradias Israel. O reconhecimento final vem por meio de Bilam que representa todos os povos do mundo.

 

A profecia de Bilam continua revelando o futuro Rei David e o mais futuro ainda, o descendente do Rei David, o Mashia’h .

 

O Rei David subjugou todos os povos à nossa volta, e o Mashia’h  vai subjugar o mundo inteiro.

 

E por que essa profecia tinha que vir por meio de Bilam?

 

Da mesma maneira que a profecia do término de Edom tinha que vir por meio do profeta Ovadiahu (Abadias) que tinha se convertido ao judaísmo e era proveniente de Edom.

 

Diz o Zohar que o fato de o anjo de Essav ter ferido a perna de Yaakov não foi um simples ferimento material, mas foi um ferimento espiritual profundo que se revelou materialmente.

 

Esse ferimento espiritual teve como consequência o fato de que qualquer profeta judeu que tentasse falar a profecia da destruição de Edom cairia antes de dizê-la.

 

Por isso ela teve que ser dita pelo profeta Ovadiahu que não era um descendente de Yaakov mas sim de Essav.

 

E assim conseguimos entender a necessidade das Bençãos de Bilam e de suas profecias.

 

Conclusão:

 

Nunca devemos amaldiçoar ninguém por pior que seja a situação, sendo que nossas palavras têm uma sincronização espiritual. Se acertamos sem querer o momento em que a Guevurá está revelada podemos causar uma tragédia mesmo não tendo intenção.

 

Sempre devemos dar Bençãos à todos sem limites

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Bilam e o livre arbítrio

 

Bilam e o livre arbítrio:

 

Nossa Parashá nos conta que existiu em Midian, país de onde partiu Moshe para tirar nosso povo do Egito, um feiticeiro com poderes espirituais que se comparavam à Moshe a tal ponto que se AShem (D’us) não fizesse um milagre e a maldição dele não se transformasse em bençãos estaríamos em grandes apuros.

 

Porque AShem deixou isso acontecer? 

 

E mais, dizem nossos Sábios que AShem permitiu que Bilam tivesse esses poderes para que os povos do mundo não falassem que se eles tivessem um profeta tão grande como Moshe o comportamento deles seria melhor.

 

Quando AShem criou o homem deu à ele um mandamento e colocou no paraíso uma cobra (em forma humana). 

 

D’us falou para Adam não comer a fruta proibida e a cobra falou para ele comer. 

 

Aí começa a história do mundo e o objetivo da criação, o livre arbítrio, antes mesmo de termos qualquer má inclinação.

 

Na décima praga do Egito, AShem fez um milagre e todas as estátuas dos deuses egípcios derreteram.

 

Mas AShem deixou uma, o “Baal Tzafon” , e na saída do Egito AShem pediu para que todos os judeus se reunissem em frente ao Baal Tzafon antes de sair do Egito. 

 

Novamente o livre arbítrio, a opção de pensarem que se aquela estátua não desapareceu, e ainda mais, tínhamos que nos reunir em frente à ela antes de sairmos do Egito, poderíamos pensar que foi ela que fez tudo.

 

Quando D’us criou o mundo, ele criou o Grand Canyon no Arizona onde parece que o Rio Colorado causou o surgimento do Canyon correndo sobre ele milhões de anos. 

 

D’us criou o Grand Canyon já cortadinho e bonitinho nos seis dias da criação há 5786 anos atrás e conservou ele inteirinho durante o dilúvio para termos o livre arbítrio de optar se D’us criou o mundo há 5786 anos atrás ou se ele já existia por si só há milhões de anos.

 

Se um cientista estivesse nos seis dias da criação do mundo e analisasse cada coisa no momento em que D’us a criou, ficaria espantado! 

 

No primeiro dia, quando AShem criou a luz, ele diria : -Não pode ser que já existem bilhões de anos luz da terra até as estrelas se as estrelas ainda não existem! 

 

No terceiro dia ele cortaria uma árvore que acabou de ser criada e diria que cada anel dela representa cem anos, e que não pode ser que essa árvore acabou de surgir! 

 

No quarto dia quando AShem colocou as estrelas no final dos bilhões de anos luz, ele diria que a luz teria que sair da estrela e não poderia estar lá antes delas. 

 

Ele faria uma análise geológica das pedras e diria que essas pedras tem bilhões de anos! 

 

Ele veria que o Grand Canyon foi criado antes do Rio Colorado e que Adam e Havá não são dois bebês recém nascidos.

 

Ou seja, há 5786 anos atrás AShem criou do nada pedras de milhões de anos , um mundo que aparenta ser muito mais velho do que realmente é. 

 

E porque AShem fez assim? Para termos o livre arbítrio , podermos ter nossa própria opção e escolher o bem por própria escolha , e consequentemente por próprio mérito receber um paraíso enorme por termos feito a escolha certa.

 

AShem faz o milagre e a maldição se transforma em benção

 

A ciência não determina o que vai acontecer, ela tira conclusões do que já aconteceu , e se apoiando nos inúmeros detalhes vinculados à causa desse acontecimento determina que caso esses inúmeros detalhes se reúnam novamente nessas mesmas circunstâncias aquilo acontecerá novamente. 

 

Eles comparam uma coisa com a outra e tiram uma conclusão. De vez em quando todas as inúmeras circunstâncias são opostas e mesmo assim aquilo acontece. Então eles atestam que existe alguém que dirige o mundo, e as pessoas têm mais facilidade para aceitar que por trás de tudo existe D’us.

 

A própria ciência traz estatísticas que quem faz “Brit Milá” (circuncisão) está quilometricamente abaixo da média de doenças como HIV , que a mulher que guarda a pureza familiar está quilometricamente abaixo da média de doenças como câncer de útero, que quem come Kasher está bem abaixo da média de doenças causadas pela alimentação como o infarto. 

 

Inventaram o smartphone nos dando acesso instantâneo para baixar 50.000 livros judaicos, com “search” para encontrar o assunto que precisamos em cada um , e o que antigamente era privilégio de grandes Sábios agora está acessível à todos nós. 

 

Os cientistas não têm intenção em justificar o judaísmo, mas no mérito da ciência conseguimos justificar o judaísmo hoje mais do que nunca. 

 

Como diz a nossa Parashá, AShem transformou a maldição em benção.

 

Rabino Gloiber 

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Mensagem da Parashá

O Cajado de Moshe

O Cajado de Moshe 

 

Nossa Parashá nos conta, entre muitos assuntos interessantes, que D’us pede para Moshe pegar “o cajado”, reunir o povo , falar com uma rocha na frente de todos e dela vai sair água para o povo inteiro.

 

No começo da história da saída do Egito, quando AShem (D’us) se revelou à Moshe no monte Sinai na ocasião do ”arbusto incandescente” e pediu para ele tirar nosso povo do Egito , Moshe estava com esse cajado.

 

AShem pede para ele jogar o cajado no chão e ele vira uma serpente , Moshe pega a serpente e ela volta a ser cajado.

 

AShem diz para ele levar esse cajado para o Egito e com ele fazer os milagres. Agora, próximos à conclusão da história , próximos à entrar definitivamente na terra prometida depois de ter ficado no deserto por quase quarenta anos, AShem pede para ele pegar “o cajado” e falar com a rocha.

 

Qual é a importância tão grande desse cajado que na nossa Parashá ele é chamado por AShem simplesmente de “o cajado” ?

 

Rabi Levi no Midrash nos conta que esse cajado foi criado no sexto dia da criação do mundo “bein ashmashot” (depois do pôr do sol mas antes de saírem as estrelas , horário após o término da criação em que o que foi criado nele era meio espiritual).

 

Esse cajado foi dado para Adam a Rishon (o primeiro homem) no Gan Éden (paraíso) . Adam deu ele para Hanoch que o deu para Noa’h que o deu para Shem que o entregou à Avraham Avinu.

 

Avraham o deu para Itzhak , Itzhak o deu para Yaakov que o levou ao Egito e o entregou à Yossef.

 

Quando Yossef faleceu, tudo o que havia na sua casa foi levado para o palácio do faraó, inclusive “o cajado”.Ytró era um dos assessores do Faraó. Ele viu que esse cajado tinha letras hebraicas , e mesmo sendo ele um dos grandes sábios dos povos da época, aquelas palavras ele não conseguiu decifrar.

 

Quando ele se demitiu do Faraó, pegou aquele cajado e o levou para Midian. Enfiou ele na terra no jardim de sua casa e não conseguiu mais arrancar ele de lá. Sempre que alguém pedia sua filha Tzipora em casamento ele colocava como condição arrancar aquele cajado do chão, mas por mais forte que fosse o pretendente ninguém conseguiu arrancar o cajado (olha de onde os ingleses copiaram a estória do rei Arthur).

 

Quando Moshe fugiu do Egito e chegou à casa de Ytró , leu o que estava escrito no cajado, tirou ele do jardim e se tornou o genro de Ytró.Diz o Zohar que nesse cajado estava lapidado o nome explícito de AShem dos dois lados e representavam dois tipos diferentes de atuação Divina no mundo, um lado despertaria a Hessed (bondade) e a Guevurá (severidade) e o outro lado despertaria Guevurá com Guevurá quando fosse necessário.

 

Por isso nas pragas do Egito aparece a linguagem “incline seu braço”, o braço esquerdo, o lado da Guevurá.

 

Diz o Zohar que esse é o motivo que AShem pediu para Aharon jogar o cajado dele na frente do Faraó.

 

Naquela ocasião o cajado de Aaron se transformou em cobra , e voltando a ser cajado comeu os cajados dos feiticeiros do Egito que tinham se transformado em cobras.

 

O cajado de Aaron tinha que fazer isso porque AShem não queria impurificar seu nome lapidado no cajado de Moshe quando o cajado engolisse as “varinhas mágicas” dos feiticeiros.

 

Outro motivo que tinha que ser o cajado de Aaron era para subjugar todos aqueles que eram do lado esquerdo, “Guevurá”, porque Aharon era o Coen, “homem da bondade”, nas Sefirot a Hessed, “lado direito” que subjuga a Guevurá que é o lado esquerdo.

 

Diz o Zohar que AShem quis que seus nomes lapidados no cajado fizessem os milagres , mas quando Moshe bateu com ele na pedra duas vezes AShem disse para ele que não era para isso que ele tinha esse cajado.

 

A Torá nos conta que esse é o motivo que Moshe não entrou na terra prometida, publicando a grandeza de Moshe que não teve outro motivo a não ser esse motivo tão pequeno.

 

Diz o Rebe de Lubavitch que aprendemos com o cajado de Moshe uma coisa muito importante:

 

Nesse mesmo cajado estavam lapidados os nomes das nossas seis matriarcas e seus doze filhos que deram origem ao povo de Israel.

 

E ao mesmo tempo estavam lapidadas nele em forma de iniciais as dez pragas que eram o nível mais baixo da atuação Divina, a revelação Divina em forma de pragas , e que aconteceram no Egito que era o país mais depravado do mundo .

 

E nesse mesmíssimo cajado estava lapidado o nome mais sagrado de AShem, o mais importante dos sete nomes de D’us que não podem ser apagados, o nome que se refere à “essência Divina” , e quando nos unimos à um pouco da essência Divina nos unimos à ela inteira.

 

Diz o Baal Shem Tov que a Divina providência não recai somente à assuntos globais, mas AShem se relaciona à menor coisa do mundo da mesma maneira que se relaciona à maior coisa do mundo.

 

E não só à menor coisa como também a menor das menores, porque o menor detalhe completa a mais suprema perfeição da intenção Divina.

 

AShem mesmo sendo o Todo Poderoso está cuidando de cada detalhe de uma criança pequena nesse mundo.

 

E até de coisas ainda menores como uma folhinha que cai de uma árvore , a Divina Providência está acompanhando ela e determinado quantas voltas ela vai dar , e se é por meio do vento ou de outra forma.

 

Vimos no comportamento do Baal Shem Tov esses dois extremos.

 

Por um lado ele revelava aos seus alunos os segredos mais profundos da Torá, e junto com isso ele conversava com as pessoas mais simples sobre os assuntos mais simples da Torá e das Mitzvot, e ele próprio ensinava as crianças pequenas a falar o Amém do Kadish.

 

Aprendemos daqui que por mais que estejamos ocupados com assuntos importantíssimos temos que nos ocupar da mesma maneira com assuntos de Torá e Mitzvot que parecem para nós muito pequenos , porque se até AShem faz assim, quanto mais nós!

 

Diz o Midrash que o cajado de Moshe chegou até o rei David e dele passou para os reis da Judéia , na destruição do primeiro Beit Hamikdash ele desapareceu.

 

Mas esse mesmo cajado que estava nas mãos de Moshe vai estar nas mãos do Mashia’h e com ele o Mashia’h vai tirar o povo de Israel do Galut (exílio que inclui dez tribos perdidas e judeus que se misturaram com os povos do mundo e perderam sua identidade judaica. E de acordo com todos os sinais que nos trás a Guemará tudo isso já está para acontecer !

 

Rabino Gloiber

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O que aprendemos com a Vaca Vermelha

Hukat

A Vaca Vermelha

 

O Baal Shem Tov nos ensinou que todos os mandamentos Divinos são eternos, porque a Torá é a revelação Divina e D’us é eterno.

 

A Torá é a sabedoria Divina que desceu ao nosso nível, como por exemplo um pai muito sábio que ensina ao filho mais velho uma sabedoria muito profunda.

 

Quando ele fala com o filho pequeno, a sabedoria profunda desce ao nível da criança aparentando ser uma coisa simples, mas por trás disso se encontra uma sabedoria profunda.

 

Assim também são os mandamentos Divinos, cada um tem por trás de si diferentes aspectos, muitas vezes desconhecidos.

 

O lado simples do mandamento Divino chamamos de “Pshat”.

 

O Pshat é o jeito simples e específico de cumprir o mandamento na prática tendo muitos deles um local e tempo determinado que não é necessariamente “aqui e agora”.

 

No Pshat o mandamento pode acontecer poucas vezes como no caso da Vaca Vermelha da nossa Parashá, ou não acontecer nunca como no caso do ”ben sorer umore” que é um mandamento da Torá que nunca aconteceu e nunca acontecerá.

 

Mas todos os mandamentos Divinos tem um aspecto no qual eles são eternos e acontecem “aqui e agora” mas em outro nível.

 

Um desses aspectos é chamado de ”Remez” (indicação).

 

Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento da Vaca Vermelha, um mandamento que aconteceu na prática somente nove vezes em toda a nossa história e vai acontecer mais uma vez na época do Mashia’h.

 

Esse mandamento tem uma característica interessante que é a de impurificar os puros e purificar os Impuros.

 

Diz o Baal Shem Tov que o “Remez” desse mandamento é o orgulho.

 

Orgulho: qualidade ou defeito?

 

O orgulho é comparado à Pará Adumá, a Vaca Vermelha, ele purifica os impuros e impurifica os puros.

 

Quando uma pessoa se comporta de maneira incorreta ele está distante de D’us, e para conseguir sair dessa impureza a pessoa deve se encher de Orgulho.

 

Ter orgulho de cada mandamento que cumpre, de cada Tzedaká que dá, sentir que faz algo por D’us e que agora D’us está em dívida com ela e vai dar para ela um paraíso enorme.

 

Mas aí ela chega à uma etapa onde ela se acomoda e acha que já fez até demais.

 

Nessa hora o orgulho que serviu para ela crescer faz ela se acomodar. Se torna uma barreira, se torna um um bloqueio. De purificador vira impurificador!

 

Sendo que nessa etapa o orgulho deixa de ser um remédio e se torna um veneno, deve ser eliminado.

 

Para eliminá-lo a pessoa deve se lembrar que toda a Tzedaká que deu foi somente parte do que AShem deu para ela, ainda mais, foi a parte pequena da benção Divina que ela recebeu.

 

E todos os mandamentos Divinos que ela cumpriu foram com a força e saúde que AShem deu para ela, e ainda mais, foi somente com um pouquinho dessa energia que recebeu de AShem.

 

Descobre que ela era somente uma criança pequena segurando a direção do carro do papai e achando que estava dirigindo.

 

Aí o Yetzer Hará que é a nossa má inclinação, pode falar para ela- : Viu ! Você nunca fez nada! Você é uma incapaz! Ou sugerir para ela uma falsa humildade dizendo:- Quem é você para fazer alguma coisa?

 

Dessa maneira o “yetzer hará” tira dela a auto estima e a derruba para baixo para que ela deixe de cumprir os Mandamentos Divinos achando que tudo o que ela faz não tem nenhum valor lá em cima.

 

Aí o orgulho é novamente necessário para fazer ela subir, e agora que ela já está cumprindo os Mandamentos Divinos, ela toma a decisão de acrescentar na qualidade, caprichar mais nos Mandamentos, estudar mais Torá, subir de verdade!

 

Agora ela se sente verdadeiramente alguém importante lá em cima!

 

E nessa hora que ela chegou à um nível mais elevado e parou de subir, o orgulho se torna novamente um veneno.

 

Ela se sente dona da razão, reage com crueldade, de maneira desproporcional e fora de controle à qualquer mínimo ataque feito à ela ou ao que ela representa.

 

Achando que quando atacada, em legítima defesa pode massacrar quem a atacou, principalmente quando se trata de um assunto religioso no qual ela tem razão.

 

Se esquecendo totalmente que as palavras dos sábios são ouvidas com tranquilidade, e principalmente ditas com tranquilidade.

 

Novamente o orgulho faz com que ela volte a ser impura e tem que ser eliminado.

 

Conclusão:

 

O orgulho em relação ao nível superior que devemos alcançar é indispensável, sem ele não chegamos lá, mas em relação ao nível que já foi alcançado é destrutivo.

 

Por isso não temos que olhar para trás, para o que já fizemos, mas sim para frente, para o que podemos fazer melhor. Porque sempre em relação ao nível superior o orgulho é um vento à nosso favor!

 

 

Rabino Gloiber

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