Avançar para a origem
Rabi Shneur Zalman de Liadi, O “Alter Rebe” nos contou que em Rosh a Shaná todas as coisas retornam à sua origem.
Na linguagem da Guemará, em Rosh a Shaná, AShem (D’us) pede para nós reelegermos ele mais um ano como nosso Rei.
Atestamos novamente que ele é o Criador e Rei do Universo Inteiro.
Tocamos o Shofar. Nos comprometemos a cumprir mais Mitzvót e fazer mais atos de bondade para dar muita alegria ao nosso Rei.
E o resultado disso é que o universo inteiro ganha mais um ano de existência.
O exemplo do Rei Perdido

Rabi Levi Yitzhak de Berditchev nos contou que uma vez um rei fez um passeio na floresta para ver a natureza, ver os animais, as aves e todas as criaturas de seu reino.
Mas no final o que ele viu é que estava realmente perdido, sem uma pista para encontrar a estrada real que levava direto para o palácio.
Ele viu alguns camponeses contou para eles que ele era o Rei e perguntou qual era o caminho para a estrada real, para o palácio do Rei.
Mas eles não o reconheceram como rei, e mesmo se tivessem reconhecido ele como Rei eles não tinham como ajudar porque eles nunca tinham viajado na estrada real e nem sabiam que ela existia.
Até que o rei conseguiu encontrar uma pessoa sábia e compreensiva. Ele perguntou: “Você sabe o caminho para a estrada do Rei?”
O Sábio entendeu que esse deveria ser o Rei.
Ele tremeu e deu um passo para trás, e imediatamente conduziu o Rei para a estrada Real.
Porque devido à sua grande sabedoria, ele conhecia o caminho direto e adequado para a estrada do Rei.
Ele conduziu o Rei até o palácio e colocou o Rei no trono real do seu reino.
Este homem Sábio encontrou muita graça aos olhos do Rei, e o rei o nomeou acima de todos os ministros de seu reino e o presenteou com roupas preciosas.
Quanto às suas roupas velhas, o Rei ordenou que fossem estocadas na câmara do tesouro real.
Após muitos anos aconteceu que este homem Sábio cometeu um crime contra o rei.
O rei ficou enfurecido e ordenou que sua corte real condenasse este homem por traição.
O homem sábio ficou, é claro, muito preocupado.
Ele sabia que seu julgamento não seria bom. Era, afinal, traição que ele tinha cometido.
Então ele foi perante o rei e se atirou à frente dele. Implorou por um último pedido antes da sua sentença.
“E qual seria esse último pedido?” Perguntou o rei.
“O homem sábio respondeu: “É, que eu seja permitido de vestir mais uma vez as minhas roupas que eu vestia quando nos encontramos pela primeira vez.”
O Rei concordou com o pedido, e quando ele viu o homem Sábio vestido com aquelas roupas, ele se lembrou da grande bondade que este homem tinha feito para ele quando ele o levou de volta ao palácio e o sentou no trono real de seu reino.
A compaixão do Rei despertou . O homem sábio encontrou novamente graça em seus olhos. O Rei o perdoou de seu crime e o devolveu ao seu cargo real.
O Dia das Origens
Rabi Levi Yitzhak explicou que essa história é na verdade nossa história de todo Rosh a Shaná .
Levamos o Rei do mundo de volta para o seu trono quando aceitamos o seu reinado com o toque do Shofar.
No dia do nosso julgamento lembramos ele aquele grande favor que fizemos por ele e ele levando ele de volta para o seu reinado e ele nos desculpa pelas traições.
Por que Rabi Levi Yitzhak de Berditchev teve de contar uma estória inteira para chegar a esse ponto?
Essa estória é um exemplo de como, em Rosh a Shaná, cada um de nós retorna à sua origem.
Na estória o Rei e o homem Sábio tiveram que retornar às suas origens.
O homem Sábio teve que retornar àquela situação onde ele reconheceu que aquele era o Rei, teve que retornar até aquele ponto onde não havia possibilidade de que ele não fizesse tudo o que pudesse para ajudar o Rei, muito menos rebelar-se contra ele.
Foi aquele Sábio original que o rei viu agora diante dele.
Este homem à quem ele devia todo o seu reino, porque naquelas florestas distantes ele não era Rei, e se não fosse por este homem, ele nunca teria sido Rei novamente.
Este homem pecou contra ele? Não, não este homem Sábio.
Mas no lugar disso, alguma versão posterior corrompida de sua personalidade se rendeu à tentação perversa.
O próprio homem Sábio, em sua origem primitiva, era essencialmente bom e altamente leal ao Rei.
E exatamente como nesse exemplo, em Rosh a Shana nós também retornamos à nossa origem, e esse é o significado mais essencial do toque do Shofar.
É um grito do fundo do nosso coração que não pode ser expressado de outra forma a não ser por meio do chamado primitivo do chifre de um animal.
É a nossa origem, a concepção inicial de sermos capazes de descobrir quem é o dono do mundo, quem é o Rei dentro do Seu Reino.
Nessa hora revelamos a nossa essência verdadeira, revelamos que somos uma Alma Divina e que viemos aqui para revelar à esse mundo que ele tem um Rei.
A Alma Divina em sua origem é aquele vislumbre do Ser que é o objetivo de toda a criação.
Quando voltamos para o começo é como se D’us estivesse te dizendo : “Eu encontrei você, e você é uma criança pura e inocente.”
E agora podemos dizer: “Então, vamos começar tudo de novo, como alguma coisa pode se interpor entre nós? ”
Em Rosh a Shaná a nossa essência se revela em toda a sua intensidade quando ouvimos o toque do Shofar.
Agora não há manchas de pecados, nem ferimentos da batalha.
O que quer que tenha ocorrido aqui nesse nosso mundo dentro do tempo e espaço, nada disso poderia afetar a conexão entre a nossa essência que é an Alma Divina e a essência de D’us.
Nesse caso, tudo está perdoado. Assim como no exemplo que o Rei desculpou o homem Sábio quando ele voltou para a etapa inicial que foi a etapa na qual o homem Sábio trouxe o Rei de volta para o seu trono, assim D’us desculpa cada um de nós.
Então, por que precisamos do Yom Kipur depois de Rosh a Shaná?
continua….







