PURIM פּוּרִים
Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português
Na nossa transliteração do hebraico estamos usando a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa
Purim é a data mais alegre do ano judaico
Comemoramos nela o milagre da salvação do Povo Judeu da trama de Haman, que planejou exterminar em um único dia todos os judeus, jovens e idosos, crianças e mulheres.
Naquela época todo o nosso povo vivia em 127 países que faziam parte do império persa, que naquela época dominava o mundo inteiro.
Taanit Ester תַּעֲנִית אֶסְתֵּר o jejum de Ester
No dia 13 de Adar fazemos o Taanit Ester que é o jejum de Ester. O Taanit Ester começa antes do amanhecer do dia 13 de Adar e termina após o anoitecer.
Morde’hai, o Tzadik da geração, a pedido de Ester, reuniu todos os judeus de Shushan, capital da Persia antiga, e fizeram um jejum de três dias antes de Ester arriscar a vida para ser recebida pelo rei e convidá-lo para uma festa na qual ela pediria ao rei para anular o decreto do holocausto que tinha sido decretado para todos os judeus de todos os países que existiam na época.
Ester e Morde’hai conseguiram a permissão do rei para que os judeus pudessem se defender e, em 13 de Adar, lutaram contra o inimigo, destruindo-o.
Para relembrar este dia nossos Sábios instituíram o Jejum de Ester.
פּוּרִים Purim
No calendário judaico o dia começa ao pôr-do-sol, por isso a festa de Purim Purim começa ao anoitecer do dia 13 de Adar e termina ao anoitecer do dia seguinte, 14 de Adar
Em um ano que tem dois meses de Adar comemorarmos a festa de Purim no dia 14 de Adar 2
Nossos Sábios instituíram a festa de Purim e por isso os Mandamentos dela são Derabanan
Ou seja, instituídos pelos nossos Sábios por meio da permissão que a Torá deu para eles de que tudo o que eles determinarem não poderemos nos desviar nem para a direita e nem para a esquerda, como está escrito:
דברים יז יא – עַל פִּי הַתּוֹרָה אֲשֶׁר יוֹרוּךָ וְעַל הַמִּשְׁפָּט אֲשֶׁר יֹאמְרוּ לְךָ תַּעֲשֶׂה לֹא תָסוּר מִן הַדָּבָר אֲשֶׁר יַגִּידוּ לְךָ יָמִין וּשְׂמֹאל
Os quatro Mandamentos de Purim
Nossos Sábios instituíram quatro Mitzvot para a festa de Purim
קְרִיאַת מְגִלָּה
Ouvir a leitura da Meguilá
A Meguilá de Ester é um dos livros do Tana’h que quer dizer Torá, Profetas e Escrituras.
A Meguilá nos conta a história de Purim.
O mandamento de ouvir a leitura da Meguilá se aplica a homens e mulheres. Como uma das razões para a leitura da Meguilá é divulgar os milagres celebrados nesse dia, o fato de ser feita na sinagoga permite que o Mandamento seja cumprido da melhor forma.
A leitura da Meguilá tem que ser feita em uma Meguilá original escrita à mão em um pergaminho de couro.
Para cumprir o mandamento, é necessário ouvir cada uma das palavras.
מַתָּנוֹת לָאֶבְיוֹנִים
Matanot LaEvyonim
(Presentes para os pobres)
A palavra Matanot LaEvionim quer dizer dar presentes aos pobres. Devemos dar Tzedaká para duas pessoas necessitadas, no mínimo.
Isso pode ser cumprido por meio de qualquer tipo de presente: dinheiro, alimento, bebida ou roupa. O ideal é que seja um presente substancial.
Os Matanot LaEvyonim devem ser dados durante o dia de Purim e, de preferência, na parte da manhã, para que quem os recebe possa usufruí-los durante a festa.
A quantia dada deve ser suficiente para que comprem alimento e bebida, dessa forma possibilitando que tenham uma refeição festiva nesse dia.
Mas quem recebe o presente não é obrigado a gastar o dinheiro em Purim: pode usá-lo em outra data e da forma que quiser.
Os Matanot LaEvyonim não devem ser dados antes de Purim, para que quem os recebe não os utilize antes da festa porque nesse caso, o doador não teria cumprido o mandamento.
Quem não se deparar com pessoas carentes em Purim, deve doar o dinheiro a uma instituição judaica que esteja arrecadando fundos com esse propósito.
É necessário que o dinheiro dado em Purim seja destinado aos necessitados: não pode ser usado para nenhum outro propósito, por mais nobre e sagrada que seja a finalidade.
Em Purim, doamos dinheiro a quem o pede: não fazemos perguntas nem procuramos saber se quem pede a Tzedaká realmente a necessita ou não.
O mandamento de Matanot LaEvyonim é dever de todos os judeus – homens, mulheres e até crianças.
מִשְׁלוֹחַ מָנוֹת Mishloa’h Manot
Enviamos para pelo menos uma pessoa um presente de dois alimentos prontos para serem comidos na hora.
Pode ser também um alimento e uma bebida.
As mulheres mandam para as mulheres e os homens para os homens.
O mandamento de Mishloa’h Manot deve ser cumprido durante o dia de Purim, não na noite da festa.
É preferível enviar o Mishloa’h Manot por meio de alguém sendo que a Meguilá usa para isso a linguagem Mishloa’h que significa envio.
Mas se você entregar o Mishloa’h Manot pessoalmente, você também cumpre plenamente essa Mitzvá.
סְעוּדַת פּוּרִים Seudat Purim
O banquete de Purim
Um dos mandamentos da festa de Purim é fazer um banquete, uma Seudat Purim.
Isso celebra o fato de que na história de Purim, a queda de Haman ocorreu durante um banquete organizado pela Rainha Ester.
Essa refeição deve ocorrer durante o dia e se você faz a Seudat Purim durante a noite da festa, você não cumpre a Mitzvá da Seudá de Purim.
Mesmo assim, depois de ouvirmos a leitura da Meguilá de noite, devemos fazer uma janta mais festiva do que nos dias comuns, mas para ser considerado um banquete de Purim tem que ser durante o dia.
Sendo que Purim não é um Yom Tov da Torá, não fazemos o Kidush, mas fazemos a Netilat Yadaim e comemos pão.
No Birkat a Mazon adicionamos o trecho “ve al a Nissim” que lembra o milagre de Purim.
A Seudat Purim deve começar antes do pôr-do-sol e não se esqueça de convidar pessoas para seu banquete.
Se Purim cair em uma sexta-feira, a Seudat Purim é realizada mais cedo, e temos que concluir ela antes do Shabat
Costumamos comer carne e tomar vinho na Seudat Purim.
O Mandamento da Seudat Purim enfatiza, novamente, o tema geral da festa, que é a sobrevivência física e o bem-estar material do nosso povo.
O Zohar nos conta que por meio do banquete de Purim, podemos conseguir a mesma elevação espiritual que conseguimos quando jejuamos no Yom Kipur.
Nossos Sábios instituíram beber vinho nesse banquete pelo fato de o milagre de Purim ser intimamente ligado ao vinho.
A queda da Rainha Vashti, mulher de A’hashverosh, ocorreu em um banquete de vinhos e foi a oportunidade para que Ester tomasse seu lugar ao lado do Rei e salvasse nosso povo do genocídio.
Além disso, também a derrota de Haman se deu em meio a uma festa de vinho organizada pela Rainha Ester.
Nossos Sábios também instituíram que em Purim devemos beber vinho até ficarmos tão bêbados a ponto de não diferenciar entre “amaldiçoado Haman” e ” abençoado Morde’hai.
O Mandamento de Matanot LaEvyonim, ou seja, de dar presentes aos pobres , é prioritário não só em relação à Mitzvá de Mishloa’h Manot mas também em relação a Seudat Purim.
Ou seja , devemos cumprir com muita alegria os quatro Mandamentos de Purim, mas a maior parte dos gastos com a festa deve ser direcionada aos presentes para os necessitados.
O motivo para isso é que não há Mandamento mais importante no Judaísmo do que a Tzedaká, e por isso quando a Guemará fala sobre a Tzedaká ela não usa o termo Tzedaká mas sim Mitzvá, mas quando a Guemará fala sobre outros Mandamentos Divinos ela cita o nome daquele Mandamento específico.
Ou seja , quando um Sábio da época antiga pergunta ao outro se ele fez uma Mitzvá, ou afirma que alguém fez uma Mitzvá, eles estão falando sobre a Tzedaká.
Nossos Sábios nos ensinaram que não há alegria maior do que a alegria que alegrar os pobres, os órfãos e as viúvas, e sendo que em Purim devemos ficar mais alegres do que o ano inteiro, devemos caprichar nos presentes para os pobres.
O Rambam escreveu que quem alegra o coração dos pobres, dos órfãos e das viúvas é comparado à She’hiná que é a Presença Divina, como diz o versículo: “(D’us) reanima o espírito dos oprimidos e restaura o coração dos humilhados”(Rambam).
תְּפִלּוֹת פּוּרִים As Rezas de Purim
As rezas especiais para a festa de Purim são somente o acréscimo de ve al a Nissim” nas rezas da Amidá e no Birkat a Mazon.
A reza de “ve al a Nissim” descreve os milagres de Purim, e por meio dela agradecemos à AShem (D’us) pelos grandes milagres que Ele fez para os nossos antepassados, e nos salvou do plano de Haman que queria exterminar todos os judeus.
A leitura do Sefer Torá na Sinagoga em Purim descreve a batalha de Yehoshua contra Amalek, que era o povo ancestral de Haman. Essa batalha aconteceu quase mil anos antes dos eventos de Purim.
Por que nos fantasiamos em Purim?
Em Purim, é costume que as crianças – e até mesmo os adultos, se fantasiarem.
Essa está ligada ao Mandamento de Purim de dar dinheiro para os pobres que vão de Sinagoga em Sinagoga e de casa em casa, e em muitos casos não querem ser reconhecidos.
Essa tradição também representa que AShem salvou o nosso povo por meio de milagres ocultos.
A Meguilat Ester é o único livro do Tana’h onde não aparece o nome de AShem (D’us) nem uma única vez .
A razão para isso é que na história de Purim, D’us usou uma “fantasia”: Ele se ocultou e agiu sigilosamente. Ele salvou o nosso povo com uma série de eventos naturais, uma série incrível de “coincidências!
Em Purim, muitas sinagogas organizam uma festa à fantasia, com prêmios para as crianças.
Além de acrescentar alegria ao dia e despertar a curiosidade das crianças, o costume de se fantasiar reflete um dos principais temas de Purim: o fato de que D’us está sempre presente no mundo e em nossa vida pessoal, mas que Ele geralmente “Se disfarça”.
Na maioria das vezes, D’us age em total segredo. Como ensina a Guemará e como rezamos na oração da Amidá, três vezes ao dia , D’us está sempre fazendo milagres, de manhã, de tarde e de noite.
Se a maioria de nós não percebe isso, é porque eles vêm disfarçados em “eventos naturais”.
שׁוּשַׁן פּוּרִים Shushan Purim
o PURIM de Jerusalém
Em Jerusalém, Purim é celebrado no dia 15 de Adar e não no dia 14 de Adar.
O dia 15 de Adar é chamado de Shushan Purim.
Fora de Jerusalém a data de 15 de Adar não é Purim, e não podemos cumprir as Mitzvot de Purim nesse dia.
Mesmo assim, Shushan Purim é um dia de alegria para todos nós em qualquer lugar do mundo.
Por trás dos bastidores da Meguilá
Pergunta o Zohar: porque aquela geração teve que passar por um susto desses? E a resposta do Zohar é: porque eles tiveram o prazer em participar da festa daquele criminoso que era Ahashverosh, o Rei da Pérsia.
Mas esse motivo sozinho, diz o Zohar, ainda não seria o suficiente para justificar um susto dessa proporção. Então o próprio Zohar traz mais um motivo:
Aquela geração é a mesma que tinha se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor antes dos persas conquistarem a Babilônia.
Ou seja, aquela geração tinha uma pendência anterior de ter se prostrado na frente da estátua de Nabucodonosor mesmo sem acreditar nisso, e tiveram a oportunidade de retificar essa transgressão se não tivessem participado da festa que Ahashverosh fez para todos os habitantes de Shushan a Birá.
Naquela festa Ahashverosh se vestiu com as roupas do Cohen Gadol e distribuiu vinho nos copos de ouro do Beit a Mikdash, expressando dessa maneira que a nossa religião é um assunto puramente cultural, somente um folklore, mas que não tem um D’us de verdade que interage com a sua criação dando um prêmio para quem faz o bem e um castigo para quem faz o mal.
Então aparece um Haman que faz um decreto de morte à todos os judeus que professam a religião judaica colocando todo o nosso povo em uma situação de morrer como judeus ou salvar a própria vida trocando de religião
Por trás do decreto de Haman
A Meguilá nos conta que em Shushan Habirá havia um judeu, e o seu nome era Morde’hai ben Yair ben Shim’i ben Kish e ele era da tribo de Biniamin.
Surge a pergunta: Se ele era da tribo de Biniamin, porque ele é chamado de judeu que é alguém que pertence à tribo de Judá?
Explica a Guemará que a palavra “Judeu” recai sobre todos aqueles que não se prostram na frente da idolatria, e portanto tanto os Cohanim quanto os Leviim daquela época foram chamados de judeus pelo motivo de professarem a religião judaica e não se curvarem na frente da idolatria, e não pelo motivo de pertencerem à tribo de Judá.
O Midrash nos conta que Haman, à exemplo do faraó do Egito e de Nabucodonosor rei da Babilônia, se considerou um deus. E por isso Morde’hai não se prostrava na frente dele mesmo sendo isso uma ordem do Rei.
O Ralbag, um grande Rabino da idade média, nos conta que explicaram para Haman que Morde’hai não pode se prostrar na frente dele por motivos religiosos, por ser judeu, e que por esse motivo Haman decidiu fazer um decreto de morte à todos os judeus, ou seja, à todos os que professam a religião judaica!
Mas se um judeu se convertesse à outras religiões, para Haman ele não seria mais judeu, e esse decreto não recairia mais sobre ele.
O povo de Israel se manteve firme na sua religião mesmo consciente de todas as consequências, sendo que aquele decreto foi feito para todos os 127 países do mundo que naquela época pertenciam ao império persa e não tinha para onde fugir.
Ou seja, todos os judeus estavam dispostos a morrer pela nossa religião.
Diz a Guemará que quando nós fazemos Teshuvá e voltamos a nos comportar de acordo com a Torá, descobrimos que D’us já tinha criado o remédio antes de criar a doença.
Ou seja, D’us cria a solução antes de criar o problema, e por meio da nossa Teshuvá AShem nos revela a soluçã.
Antes de Haman fazer o decreto contra o nosso povo aconteceram algumas coisas que somente depois do decreto vimos que aqueles acontecimentos tinham sido milagres sobrenaturais e indispensáveis para a nossa salvação.
A morte da Rainha
Vashti, a rainha da Pérsia, vinha de uma linhagem real, ela era a neta do rei da Babilônia.
Quando Ahashverosh se casou com ela, ele também entrou na família real, e portanto ela era o motivo da sua realeza e a última pessoa no mundo a quem ele teria interesse em prejudicar.
No sétimo dia do banquete que Ahashverosh fez para os habitantes de Shushan, banquete no qual ele expressou que a profecia do profeta Yermiahu (Jeremias) de os judeus voltarem para Jerusalém depois de setenta anos não aconteceu e portanto esse profeta é falso e esse D’us não existe, ele mandou os sete ministros da Babilônia chamarem a rainha Vashti para mostrar toda a sua beleza no banquete dos homens.
Aquele dia era Shabat. A rainha Vasht era uma antissemita diplomada e pós graduada que propositalmente contratava jovens judias para fazer com que elas profanassem o Shabat, e quando elas se recusavam eram obrigadas a desfilarem por toda a cidade nuas e profanando o Shabat montadas a um cavalo.
Essa mesma rainha Vashti foi chamada pelo Rei para desfilar totalmente nua no Shabat no banquete dos homens, mostrando que esse D’us que está sendo proclamado nesse mesmo banquete como “inexistente” está interagindo no mundo e fazendo as coisas mais surreais acontecerem de maneira oculta como se fossem as coisas mais naturais.
AShem fez um milagre e a rainha Vashti antes da sua “apresentação” teve uma grave doença estética e não pode se apresentar.
Um dos sete ministros, que de acordo com o Midrash era o próprio Haman, aconselhou o rei a matar a rainha por ter desobedecido o rei e ter dado um mau exemplo para o povo.
O Rei, ao contrário da sua própria ideologia, mandou matar a rainha Vashti, fazendo com que a profecia do próprio profeta Yermiahu sobre a Babilônia que incluía a morte da neta do rei da Babilônia acontecesse.
Yermiahu era esse profeta que o rei estava desacreditando no seu banquete pelo fato de o próprio rei ter errado na conta de setenta anos que o profeta Yermiahu fez, e não pelo profeta ter errado.
Afinal das contas com esse grande milagre sobrenatural que aconteceu sem que ninguém percebesse, o “status quo” mais sólido da época foi destruído abrindo as portas para uma grande mudança.
Quando passou a fúria do rei ele teve um grande remorso pelo que fez, por ter matado a sua rainha, demonstrando que tudo tinha acontecido por um motivo superior à própria vontade dele.
Vendo a tristeza do rei, seus servos o aconselharam a fazer um concurso de miss universo entre todos os 127 países para encontrar a mulher mais bonita do mundo e se casar com ela.
A nova rainha, mais um milagre surreal
A Guemará nos conta que Ester era esverdeada e só por milagre alguém poderia achar ela bonita.
AShem fez um milagre surreal e todos acharam que ela era a mulher mais bonita do mundo.
Ester era uma judia religiosa que não entendia nada sobre relações íntimas, e a parte mais importante desse concurso era passar uma noite com o rei.
Diz o Ari Zal que uma demônia em forma humana substituía Ester nessas horas e deixava o rei “louquinho”.
Ou seja, a artista principal é substituída por alguém muito parecida para as cenas de “perigo”, e nesse caso, essa personagem espiritual negativa se materializava na aparência perfeita de Ester.
Bigtan e Teresh
Morde’hai era membro do grande tribunal rabínico de Yerushaláim conhecido como Sanedrin. Lá cada pessoa era ouvida na sua própria língua, e o Sábio que não soubesse setenta línguas não era aceito como membro do tribunal.
Dois funcionários públicos de Ahashverosh provenientes de um país distante com uma língua rara que ninguém conhecia a não ser quem era de lá, conversaram entre si na frente de Morde’hai e planejaram assassinar o rei.
Ninguém conhecia essa língua, fora Morde’hai, e a pessoa mais interessada no mundo em receber essa informação era o próprio Morde’hai, e tudo isso aconteceu na frente dele por milagre surreal.
Porque se eles assassinassem o rei que não tinha um filho para o suceder, a segunda figura na corte era Haman e o decreto contra o nosso povo aconteceria sem impecilhos.
O único jeito de anular o decreto de Haman era por meio do rei, e esse rei quase foi assassinado se não fosse esse milagre.
Morde’hai repassou essa informação para Ester que a repassou para o rei em nome de Morde’hai, e esse fator foi importantíssimo para mudar o imutável “Status quo” de Haman ser a pessoa tomadora das decisões da unica potência mundial, o império persa que dominava o mundo inteiro.
Nossos profetas e o anel do rei
A Guemará nos conta que desde que o povo de Israel recebeu a Torá até a época em que aconteceu o milagre de Purim, nosso povo teve 48 profetas e sete profetizas que fizeram o possível e o impossível para nos trazer de volta ao judaísmo e não conseguiram, mas quando Ahashverosh tirou seu anel e o entregou à Haman para fazer os seus decretos, nosso povo fez Teshuvá.
Morde’hai pediu para Ester pedir ao rei para anular o decreto. Ela respondeu que o rei não a chamou já faz um mês, e todo aquele que entrar no pátio do rei sem ser convidado é condenado à morte, e como sabemos, a rainha Vashti tinha sido executada por muito menos do que isso.
Só havia um jeito de a pessoa sobreviver, que era o rei abrindo uma exceção e estendendo seu cetro de ouro para aquela pessoa, e Ester não queria se arriscar.
Morde’hai pediu para ela fazer isso de qualquer maneira.
Então ela pediu para Morde’hai reunir todos os judeus da cidade e fazer três dias de jejum e rezas, e ela e as suas jovens ajudantes também vão fazer igual.
Todo o povo fez Teshuvá, e depois de três dias de jejum e rezas Ester entrou no pátio do rei sem ser chamada.
Sabemos que esse rei era obcecado por mulheres bonitas e não existe pessoa mais feia no mundo como alguém que está três dias sem comer, como nos lembram as “vacas magras” do Egito, feias e ruins.
AShem faz um milagre surreal e despertou no rei uma enorme paixão por Ester, e ele disse que ela pode pedir qualquer coisa até metade do império.
Ela disse que veio convidá-lo para o banquete que ela fez para… Haman. Ou seja, arriscou a própria vida convidá-lo para participar de uma festa que ela está fazendo para outro homem!
O plano de Ester
Ester queria que o rei perguntasse à si próprio: será que uma pessoa normal arriscaria a própria vida para convidar alguém para uma festa que ela está fazendo para outra pessoa? E dessa maneira despertar os ciúmes do rei em relação à Haman.
O rei suspeitando de alguma coisa entre os dois entraria em pânico sendo que se o rei fosse assassinado e Haman se casasse com a rainha, o império continuaria funcionando sem nenhum problema, ninguém precisaria mais do rei e ele seria esquecido.
No final do banquete, o rei ofereceu à Ester até metade do reino, e ela pediu para ele vir amanhã também no próximo banquete que ela iria vai fazer para Haman.
Naquela noite o Rei não conseguiu dormir. Ele se questionou : “Porque ninguém passaria para ele a informação de que alguém poderia estar querendo assassiná-lo? ”
Talvez alguma vez alguém já salvou a vida do rei e o rei não fez nenhuma honraria para aquela pessoa, e por isso ninguém mais estaria motivado para passar alguma informação que salvasse a vida do rei?
Com esses pensamentos atrapalhando o seu sono ele pediu para lerem na frente dele o “diário” dos principais acontecimentos do reino.
Com certeza muitas páginas se passaram desde que Morde’hai salvou a vida do rei e nada foi dado à ele, mas milagrosamente o longo pergaminho se abre por si só naquela página.
O rei perguntou se Morde’hai recebeu algo por ter salvo a vida do rei e a resposta foi negativa. O rei perguntou se havia alguém esperando ele no pátio, e lá estava só Haman esperando para pedir permissão ao rei para enforcar Morde’hai em uma forca de cinquenta metros de altura que ele preparou no pátio da sua casa para enforcar Morde’hai.
O milagre da construção da forca
Por incrível que pareça o fato de ele ter mandado construir essa forca tão alta no pátio da sua casa para enforcar Morde’hai também entra na lista dos milagres da Meguilá, porque se não fosse essa forca Haman não seria enforcado.
O Rei perguntou para Haman o que fazer para a pessoa que o Rei quer honrar? Haman imaginou que obviamente essa pessoa era ele.
Haman sugeriu para o Rei vestir essa pessoa com a roupa do Rei, montar ela no cavalo do rei, e um dos maiores ministros levá-lo para um desfile em toda a cidade proclamando na sua frente que esse é o homem que o rei está interessado na sua honra.
O rei pediu para Haman fazer tudo isso para Morde’hai e não esquecer nenhum detalhe.
Naquela noite, no segundo banquete de Ester, o Rei perguntou à ela qual era o seu pedido até a metade do império.
Aí ela declarou que ela quer a própria vida de presente, porque ela e o povo dela foram vendidos para serem mortos.
O Rei ficou furioso e perguntou: quem teve a ousadia de fazer uma coisa assim? E ela disse: um homem sádico e inimigo, Haman, esse criminoso.
O rei saiu um pouquinho para o Jardim, e quando voltou viu Haman debruçado sobre o divã de Ester pedindo desculpas para ela.
O rei que já estava com medo desse “relacionamento” desde que Ester arriscou a própria vida para convidá-lo ao banquete que fez para Haman, exclamou: e também seduzir a rainha comigo em casa?
Sendo que essa palavra saiu da boca do rei, já seria um bom motivo para Haman ser condenado, mas sendo que o “status quo” de Haman como primeiro ministro da Pérsia era muito sólido, o rei ainda poderia se acalmar e entrar em um acordo com Haman.
Nessa hora vimos o milagre de Haman ter feito a forca para Morde’hai.
AShem fez mais um milagre surreal. Eliahu a Navi se materializou como um dos ministros do rei, apontou para a forca de 25 metros visível da casa de Haman e disse ao rei: Veja a forca que Haman fez para enforcar Morde’hai que salvou a vida do rei, 25 metros de altura!
O reflexo imediato do rei foi ordenar o enforcamento de Haman na forca que ele próprio preparou para Morde’hai, nos mostrando que: se faltou criar alguma parte do “remédio antes da doença” AShem dá um jeitinho e sempre manda Eliahu a Naví em um caso de emergência.
O decreto do Rei de sermos obrigados a matar todos os nossos inimigos.
Mais um milagre surreal, o decreto do Rei não pôde ser revogado e os judeus foram obrigados a matar os antissemitas.
Você poderia imaginar que simplesmente fomos salvos mas que cada um dos127 países do império persa seriam países antisemitas com cada vez mais atentados terroristas.
Mas não,o milagre foi muito maior do que isso!
Ahashverosh não tinha como revogar o próprio decreto de morte aos judeus incluindo sua própria rainha, e por isso deu o seu anel para Morde’hai fazer o decreto contra os antissemitas que era o único jeito de resolver o problema.
O rei deu a casa de Haman para Ester e Ester colocou nela Morde’hai. Haman tinha sido enforcado, e quando os 127 países receberam o decreto do rei escrito por Morde’hai autorizando aos judeus de matarem todos os seus inimigos e compararam com o decreto de Haman vigente para a mesma data onde os nossos inimigos poderiam nos matar, levaram em conta que Haman estava enforcado, a rainha era judia e o novo primeiro ministro da Pérsia era o Rabino Morde’hai que recebeu da rainha a casa de Haman, e com certeza ninguém queria se complicar com esse novo governo.
Nem precisamos dizer que nosso povo se defendeu dos seus inimigos, 75.800 antissemitas foram mortos e todos os povos de todo o império ficaram nossos amigos
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você ❤️








