A Parashá da minha vida- Mishpatim

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

 

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

Nossa Parashá nos conta sobre a proibição de se comer carne com leite.

Sabemos que todo animal impuro é considerado impuro porque tem uma alma animal proveniente de três níveis espirituais impuros chamados pela Kabalá de três “Klipot Tmeot”.

 
Nesse caso a impureza é tão grande que não conseguimos elevar o “Nitzutz” (Centelha Divina), a ínfima Kedushá (Santidade) que faz essa Klipá existir.

Esse “Nitzutz” não está revestido na Klipá pelo fato de ela ser uma “Klipá impura”, mas ele dá vida a ela de maneira envolvente sem se revestir nela.

 

Se não houvesse esse Nitzutz do lado bom a klipá não existiria, sendo que AShem(D’us) é a essência do bem e a natureza do bem é fazer o bem.

A coisa ruim só existe enquanto suga a sua vitalidade do lado bom, mas quando esse Nitzutz é tirado da coisa ruim ela não tem mais de onde sugar sua vitalidade e portanto, desaparece.

 

Muitas regras na Torá tem exceção, mas a exceção só pode acontecer se a própria Torá trouxer um versículo que determine essa exceção.

 

No caso de comer uma coisa não kasher por motivos de perigo de vida, a Torá “libera”, ou seja, libera o Nitzutz da comida impura que não teríamos capacidade de liberar em uma situação normal.

 

Se um náufrago judeu se encontra em uma ilha na qual a única coisa que ele tem para comer lá são animais impuros, nesse caso devido ao perigo de vida a Torá libera esses animais impuros.

Por meio dessa exceção de regra, conseguimos liberar o Nitzutz fazendo o lado espiritual ruim desses animais impuros  desaparecer por não ter de onde sugar a sua vitalidade.

 
Em todos os casos de perigo de vida esse fenômeno Kabalistico (de conseguir liberar o Nitzutz de maneira não convencional) acontece.

Tanto no caso do náufrago que teve que comer lagartos quanto no caso do doente que recebeu do médico um remédio não kasher, em todos os casos em que nossa vida é salva dessa forma nossa Alma Divina recebe uma força especial para conseguir liberar o Nitzutz da comida impura.
 

Em uma situação normal, que não é um perigo de vida, não temos essa capacidade de liberar o Nitzutz da comida impura.

Nesse caso, a comida impura nos rebaixa para o nível dela, para o nível das três Klipot Tmeot. Para as três categorias de impureza espiritual, com todas as suas consequências.

 

A carne cozida com leite é o pior problema no assunto de Kashrut.

Essa proibição aparece três vezes na Torá nos ensinando ser proibido para nós, comermos carne com leite, cozinharmos carne com leite, mesmo que não comeremos, e por final, termos qualquer proveito de uma carne cozida com leite mesmo que não fomos nós que fizemos essa mistura.

 
Aqui está se tratando até de uma carne kasher com leite kasher, uma carne que pairava sobre ela uma energia espiritual do lado bom e um leite que pairava sobre ele também uma energia espiritual do lado bom.

Na hora que eles se misturam, essa energia espiritual do lado bom desaparece e lá se revela a maior impureza possível e imaginável do assunto de Kashrut.

 
E A PERGUNTA É:

Se até o próprio porco, que é a “marca registrada” dos animais impuros, se liberta do seu lado impuro quando alguém precisa comê-lo por motivos de perigo de vida, como pode acontecer um caso totalmente oposto que é uma carne kasher e um leite kasher, mas que juntos se tornam a coisa mais não kasher do mundo?

 

Uma carne de animal puro que passou por um abate kasher e o sangue dela foi tirado depois do abate com sal grosso, ou se expeliu quando essa carne estava sendo assada.

 

Como pode ser que depois disso, se ela for cozida com leite, mesmo o leite sendo Kasher, ela se torna o maior de todos os problemas de Kashrut possíveis e imagináveis?

 

A EXPLICAÇÃO DO ZOHAR:

 
Quando AShem trouxe as dez pragas para o Egito, pediu para Moshe fazer uma ação antes de cada uma delas, para que o castigo do tribunal Divino que se encontra em uma dimensão espiritual descesse para o nosso mundo material que é o “mundo da ação”, e por isso Moshe Rabeinu precisou fazer uma ação para cada praga se revelar no Egito.

 
AShem pediu para Moshe bater com seu cajado nas águas do rio Nilo para que ele se transformasse em sangue.

Moshê respondeu que não poderia dar essa cajadada no rio Nilo porque quando Moshe era nenê sua mãe o colocou em uma cestinha impermeável nesse rio e assim sua vida foi salva. Por isso ele não pôde ser ingrato e dar essa cajadada.

Nesse caso AShem poderia fazer com que o rio Nilo se transformasse em sangue sem a cajadada, mas no lugar disso, AShem pediu para Moshe falar para Aharon para ele dar a cajadada, e não Moshe.

A mesma coisa  aconteceu na praga dos piolhos. AShem pediu para Moshe jogar a terra do Egito para cima, e assim começaria a praga dos piolhos.

Moshe disse para AShem que não pode ser ingrato com a terra porque quando ele matou o soldado egípcio que estava tentando assassinar um judeu ele o enterrou na terra para o faraó não descobrir o que ele tinha feito.

Nesse caso também, AShem não fez a praga dos piolhos sem que tivesse uma ação material que sincronizasse a praga com o nosso “mundo da ação”, e pediu para Moshe pedir para Aharon que ele jogasse a terra para cima, e assim a praga começaria.

Diz o Zohar que exatamente isso é o que acontece na mistura da carne com leite.

 

A raiz do leite lá em cima é a Sefirá chamada de Hessed que é a fonte das bondades. A Hessed é representada pela cor branca.

A raiz espiritual da carne, lá em cima é a Sefirá chamada de Guevurá que é a fonte das durezas, a fonte das severidades.

A Hessed sempre limita a Guevurá e nos salva das calamidades que a Guevurá pode nos causar.

Diz o Zohar que quando comemos carne com leite aqui neste mundo estamos fazendo uma ação no mundo da ação, dando a “cajadada” que vai neutralizar a Hessed lá em cima impedindo ela de ser um filtro para a Guevurá.

E quando não há o limite da Hessed, a guevurá desce até o fundo do abismo causando tragédias aqui nesse mundo.

E por isso, diz o Zohar, que todas as comidas de Nabucodonosor, rei da Babilônia, eram compostas de carne com leite, e assim ele recebia suas energias negativas para fazer todo o mal que fazia.

 
Nabucodonosor mandou dar essa comida para o profeta Daniel, que por sua vez subornou o responsável por ele para não precisar comer nada do palácio do rei.

O Zohar nos conta que quando o profeta Daniel foi colocado na cova dos leões, os leões não fizeram nada a ele. O motivo para isso foi o fato de ele não ter comido os derivados de carne com leite que o rei mandava para ele.

 
Diz o Zohar que isso acontece pelo motivo de termos uma aparência espiritual que nós próprios não vemos, mas que os animais conseguem ver.

E se o profeta Daniel tivesse comido a carne com leite que o rei mandava, ele perderia a aparência espiritual de ser humano criado à “imagem e semelhança Divina”, e no lugar disso teria a aparência espiritual do cabritinho, ao qual os demônios também são comparados, e nesse caso os leões o teriam comido.
 

Conclusão: Coma só kasher, você só tem a ganhar!
 

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Nossa Parashá começa com as palavras: “E essas são as sentenças que você vai colocar na frente deles”

 
A Parashá anterior nos contou sobre a entrega da Torá e os de Dez Mandamentos, e aparentemente nossa Parashá está continuando esse assunto com mais detalhes.

 
Mas se a intenção da nossa Parashá é a de nos ensinar as leis judaicas, por que ela usa a linguagem “sentenças” e não “leis”?

 

Sentenças são a consequência dos julgamentos, considerando que a pessoa já sabia anteriormente a lei, tendo sido sentenciada por tê-la transgredido.

 

Sentenças não são o próprio estudo das leis, mas sim a colocação das leis, na prática.

O LADO REVELADO E O LADO OCULTO DA TORÁ

A Torá tem um lado simples e um lado profundo. Quando a linguagem da Torá não se encaixa exatamente no significado simples, ela está nos indicando que por trás disso há algo muito mais profundo.

 
Um exemplo disso é a linguagem, também na nossa Parashá, de “olho por olho, dente por dente, braço por braço, perna por perna, queimadura por queimadura, ferida por ferida”.

Essa linguagem é analisada e explicada, e a conclusão é de que ela quer dizer que a indenização por um olho não é a mesma que a indenização por um dente.

Mas jamais a intenção da Torá seria de que se uma pessoa sem dentes quebrasse os dentes de alguém, estaria isento de punição.

Ou de que alguém que causou a perda de um olho de outra pessoa, tivesse seu próprio olho arrancado, o que provavelmente também poderia causar a sua morte, que não é a penalidade nesse caso.

Então, por que a Torá já não diz diretamente que aqui está se tratando de indenizações?

Por que a Torá não usa uma linguagem direta, mas no lugar disso usa uma linguagem que tem que ser analisada e explicada?

O motivo para isso é que essas linguagens vêm nos indicar grandes segredos que estão por trás delas, como explica o Zohar.

Diz o Zohar que nossa Parashá está nos revelando o segredo das reencarnações, o sentenciamento das Almas, e por isso está escrito que essas são as sentenças que você colocará na frente deles.

A lei do escravo judeu que trabalha seis anos e no sétimo sai livre, representa dois tipos de Alma.

Um tipo de Alma que se reencarna para consertar a si própria, representada pelos seis anos de trabalho que indicam seis Sefirot, seis níveis espirituais que ela tem que consertar.

Outro tipo de Alma que não tem nada para consertar, mas se reencarna para auxiliar os outros a se consertarem, representada pelo sétimo ano, o qual é o ano da liberdade do escravo na Parashá, indicando a Sefirá chamada de Mal’hut.
 

A ESTRUTURA DA REENCARNAÇÃO

 

Quando uma pessoa falece, ou seja, a Alma deixa o corpo e ele se torna um corpo sem vida, devemos enterrá-lo dentro de 24 horas, considerado pela Torá um dia e uma noite.

 

O motivo para isso, é porque talvez tenha sido decretado para ele se reencarnar novamente naquele mesmo dia para o seu próprio bem.

E todo o tempo que o corpo não é enterrado, a Alma não se apresenta na frente de AShem, e não pode entrar em um segundo corpo para uma segunda reencarnação, sendo que não é dado um segundo corpo para a Alma até que seja enterrado o primeiro.
 

O SEGUNDO CORPO

 

O segundo corpo recebe aquela mesma Alma, com o mal que ela fez na reencarnação anterior, e ela deve se refinar nesta segunda reencarnação. Ela deve se separar desse mal ao qual veio ligada.

Conseguimos eliminar esse mal por meio da Teshuvá e do estudo da Torá, estudando as leis do que é permitido e proibido, do que é puro e do que é impuro, do que é adequado e do que é inadequado, e dessa maneira separamos o mal do bem.

E assim, sem o bem para lhe dar a vida, o mal desaparece.

Em último recurso. Se não fizermos Teshuvá (retorno) e estudarmos Torá, esse mal desaparece por meio de sofrimentos relativos ao que fizemos na reencarnação anterior, mas novamente, esse é o último recurso.

E por isso, em relação à reencarnação, a linguagem “olho por olho e dente por dente” está exata.

Se ele causou para alguém na reencarnação anterior a perda de um olho ou de um dente e morreu sem fazer Teshuvá.

Se não corrigir essa pendência de maneira positiva na reencarnação posterior, ele pode chegar a perder o olho ou o dente na prática.

 

O motivo de a Teshuvá, e o estudo da Torá, limparem totalmente as pendências da nossa Alma, sem precisarmos de um castigo adicional pelo que fizemos, é porque a própria reencarnação já é um castigo, e já serve para nos purificar.

Esse é o motivo, diz o Zohar, que vemos às vezes um Tzadik que tem uma vida difícil.

 

Porque talvez ele já tenha estado alguma vez nesse mundo, mas daquela vez ele não foi muito Tzadik, e faleceu assim, sem fazer Teshuvá.

E agora que veio novamente para esse mundo, é cobrado dele o que ele fez da vez passada.

 

Quando  mudamos  de lugar, mudamos o nosso destino para melhor .

A Guemará nos conta que uma pessoa que muda de lugar, muda o seu destino para melhor.

E a fonte dessa Guemará é baseada na história do nosso patriarca Avraham Avinu.

AShem diz para ele deixar a sua terra, e a continuação do assunto, é que AShem fará dele um grande povo, e onde ele morava antes, ele não teria filhos.

Diz o Zohar que uma mudança é considerada uma nova reencarnação.

E por isso, diz o Zohar, quando um Tzadik tem que mudar de lugar para lugar, de uma casa para outra, é como se ele tivesse se reencarnado várias vezes, e sobre isso está escrito no segundo Mandamento “e faz bondade milhares de vezes para os seus amados”.

 
As pessoas ruins, tem direito somente a três reencarnações, três chances de se consertar de maneira positiva.

Se fizerem Teshuvá, o exílio limpa os pecados, e as mudanças de lugar para lugar são consideradas para ele como várias reencarnações, mais do que ele tinha direito, purificando sua Alma mais ainda.

E assim ele chega à perfeição da mesma forma que o Tzadik.

Essa mudança de lugar para lugar, são consideradas uma nova reencarnação e purificam mais um pouquinho a nossa Alma. Pode ser até uma viagem de férias ou de negócios, sendo que nesse caso você não está na sua casa.
 

UMA PESSOA RUIM COM UMA VIDA BOA.

 

Da mesma maneira que existe o Tzadik, que sofre por não ter sido tão Tzadik na reencarnação anterior, existem pessoas que tem uma vida boa agora, por terem sido pessoas melhores na reencarnação anterior.

 
Conclusão:

Aprendemos daqui que devemos sempre estar felizes em qualquer situação, mesmo que nossa situação atual não justifique essa felicidade, e nunca devemos questionar o fato de alguém que se comporta pior do que nós estar tendo uma vida melhor do que a nossa.

Porque  quando estamos felizes sem motivo, AShem nos dá um desconto das pendências anteriores, e nos dá o motivo para estarmos felizes de verdade!

 

Shabat Shalom!
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

Porque as coisas boas acontecem por meio das pessoas boas ?

 

 

Por que as coisas boas acontecem por meio das pessoas boas?

 

Nossa Parashá nos conta que a pessoa que matou alguém sem intenção é exilada para uma das “cidades de refúgio”.

 

A linguagem do versículo é: “ele não teve intenção mas D’us colocou (esse acontecimento) na mão dele”.

 

Mas porque D’us deixaria acontecer uma coisa dessas por meio dele?

 

Disse o rei David à Shaul:- “Como diz o provérbio original (se relacionando à Torá) “Dos malvados sai o mal”. (e por esse motivo, mesmo tendo tido a oportunidade de matar Shaul em legítima defesa ele não o fez)

 

E aonde a Torá nos diz que dos malvados sai o mal?Nesse nosso exato versículo!

 

“D’us colocou na mão dele” !

 

Ou seja, uma coisa ruim decretada pelo tribunal Divino para acontecer no mundo, acontece por meio de uma pessoa ruim (e por isso David não matou Shaul mas se protegeu de outra maneira, fugindo para a terra dos filisteus)

 

Pergunta Rashi:- Sobre o quê nosso versículo está falando?

 

E ele próprio responde:- Sobre duas pessoas!

 

Uma que assassinou sem intenção e outra que assassinou intencionalmente, e que nesses dois casos não havia testemunhas e eles não receberam nenhum castigo.

 

Um decreto do tribunal Divino trás os dois a um mesmo lugar.Esse que tinha assassinado intencionalmente (nessa reencarnação ou em outra) está sentado embaixo de uma escada, e esse que tinha assassinado sem intenção (também nessa reencarnação ou em outra) sobe na escada.

 

Sem querer, o que tinha assassinado sem intenção cai sobre aquele que tinha assassinado intencionalmente matando ele sem intenção na frente de pessoas que testemunham esse acontecimento , consequentemente ele é condenado à exílio.

 

Final da equação: Esse que matou sem intenção é exilado e esse que matou intencionalmente é morto fazendo acontecer o “Tikun”, o “conserto” daquelas duas almas que carregavam essa pendência até que essa “correção” acontecesse.

Diz o Ari Zal que isso pode ser dividido em duas reencarnações, na primeira ele assassinou intencionalmente e na segunda ele foi morto , e esse é o conserto e refinamento dessa alma, o mesmo se aplica ao segundo caso.

 

Essa equação é aplicada a qualquer transgressão determinando uma regra chamada “megalguelim ze’hut al yedei zacai ve’hová al yedei ‘hayav” .

 

Ou seja, lá de cima fazem uma coisa boa acontecer por meio de uma pessoa boa e uma coisa ruim por meio de uma pessoa ruim.

 

E muitas vezes uma pessoa boa na reencarnação atual infelizmente tinha sido uma pessoa ruim na reencarnação anterior e carrega essa pendência sem saber.

 

Como no caso que trás o Ari Zal sobre um dos inúmeros motivos espirituais pelos quais uma mulher tem um aborto.

 

Nessa reencarnação ou em alguma anterior ela concordou em fazer um aborto não por perigo de vida dela mas talvez por motivos econômicos ou sociais. A partir daí essa mulher carrega essa pendência.

 

Em outro caso uma pessoa cometeu uma transgressão passível de uma pena Divina chamada “caret” (redução da vida para menos de cinquenta anos) mas ela já estava velha e não tinha como passar por esse “caret”.

 

A mulher que carregava a pendência do aborto engravida e o embrião recebe a alma dessa pessoa que precisa receber o caret .

 

No final ela acaba abortando por qualquer motivo contra a vontade dela causando o “caret” dele, e assim as pendências espirituais dele e dela desaparecem, e essas duas almas se purificam.

 

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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D’us faz as coisas boas acontecerem por meio das pessoas boas

Mishpatim

 

A Torá nos conta que a pessoa que matou alguém sem intenção é exilada para uma das “cidades de refúgio”.

A linguagem do versículo é: “ele não teve intenção mas D’us colocou (esse acontecimento) na mão dele”.

Mas porque D’us deixaria acontecer uma coisa dessas por meio dele?

Disse o rei David:- “Como dizia o antigo provérbio, dos malvados sai o mal”.

E aonde a Torá diz que dos malvados sai o mal?

Nesse nosso exato versículo! : “D’us colocou na mão dele”

Ou seja, uma coisa ruim que tem que acontecer, acontece por meio de uma pessoa ruim!

Pergunta Rashi:- Sobre o quê o versículo está falando? Sobre duas pessoas , uma que assassinou sem intenção e outra que assassinou intencionalmente .

Nos dois casos não haviam testemunhas e eles não receberam nenhum castigo.

Então D’us faz com que eles se encontrem em um mesmo lugar.

Esse que tinha assassinado intencionalmente está sentado embaixo de uma escada, esse que tinha assassinado sem intenção sobe na escada e sem querer cai sobre aquele que tinha assassinado intencionalmente matando ele sem intenção na frente de pessoas que testemunham esse acontecimento e ele é condenado à exílio.

Conclusão :

Esse que matou sem intenção é exilado e esse que matou intencionalmente é morto fazendo acontecer o Tikun , correção das almas que agora, depois desse Tikun ficam livres de pendências anteriores.

Diz o Ari Zal que isso pode ser dividido em duas reencarnações:

Na primeira reencarnação ele assassinou intencionalmente e na segunda ele foi morto sem querer, e esse é o conserto e refinamento dessas duas almas.

Essa equação é aplicada a qualquer caso e qualquer coisa determinando uma regra chamada “megalguelim ze’hut al yedei zakai ve’hová al yedei ‘hayav” .

Ou seja, lá de cima fazem uma coisa boa acontecer por meio de uma pessoa boa e uma coisa ruim por meio de uma pessoa ruim.

Muitas vezes uma pessoa boa na reencarnação atual infelizmente tinha sido uma pessoa ruim na reencarnação anterior e carrega essa pendência sem saber, como é o caso que traz o Ari Zal na nossa Parashá sobre um dos inúmeros motivos espirituais pelos quais uma mulher tem um aborto .

É o caso em que nessa reencarnação ou em alguma anterior ela concordou em fazer um aborto não por perigo de vida dela mas talvez por motivos econômicos ou sociais. Essa mulher carrega essa pendência.

Outra pessoa cometeu uma transgressão passível de uma pena Divina chamada “caret” (redução das vida para menos de cinquenta anos) mas ela já estava velha e não tinha como passar por esse “caret”.

Essa pessoa falec. A mulher que carrega a pendência do aborto engravida e o embrião recebe a alma dessa pessoa que precisa receber o caret .

No final ela acaba abortando ele contra a própria vontade causando o “caret” dele e as pendências espirituais dele e dela são eliminadas e essas duas almas são purificadas.

 

Rabino Gloiber

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Medicina convencional e medicina alternativa de acordo com a Torá

 

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

 

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

 

 

 

Medicina convencional e Medicina alternativa 

 

A Torá nos ensina que se duas pessoas brigarem e um ferir o outro, uma das coisas que o agressor é condenado é a pagar o custo do médico para curar o agredido.

 

Sendo que a Torá nunca tiraria de alguém um dinheiro indevido e esse custo não aparece aqui como multa, daqui concluem nossos Sábios que a Torá deu ao médico a permissão Divina para curar, como diz Abaye na Guemará em Bra’hót (60/a).

 

Essa “permissão” da Torá não está tratando de “caso ele queira” rezar para AShem (D’us) curar ele é o suficiente e “caso ele queira” ir ao médico está permitido, mas sim que ele é obrigado a ir ao médico.

 

Ou seja, permissão aqui quer dizer obrigação. AShem dá a força para o médico curar e a obrigação para o doente procurar o médico.

 

O Shul’han Aru’h em “Yoré Deá” traz essa lei na prática determinando que ir ao médico quando necessário é uma Mitzvá da Torá para todos os judeus e está incluída na Mitzvá de “Pikua’h Nefesh”. Por isso, diz o Shul’han Aru’h:

 

Qualquer pessoa que está em uma situação que necessita de um médico

 

e opta por não ir, é um criminoso (contra si próprio) (Yoré Deá 336/1)

 

Ou seja, pela Torá um crime contra si próprio também é um crime, e quando a Torá nos pede para agir de maneira natural temos que agir assim porque essa é a vontade Divina.

 

Medicina alternativa

 

A Torá diz que foi dada ao médico a permissão para curar.

 

Em alguns casos a medicina convencional é melhor e em outros a alternativa é mais eficiente.

 

Em um caso de úlcera gástrica por exemplo, algumas vezes pela medicina convencional é necessário fazer uma operação e a medicina alternativa resolve o mesmo problema com uma dieta, o que é uma melhor opção.

 

Ou em caso de dores, às vezes a medicina convencional só consegue resolver isso com remédios fortes que trazem efeitos colaterais ou viciam, e a medicina alternativa resolve o mesmo problema com acupuntura.

 

Sendo que os resultados são reais e até os convênios estão oferecendo medicina alternativa, está claro que devemos optar pelo tratamento mais eficiente, mais eficaz e menos prejudicial à saúde, sendo ele medicina convencional ou alternativa.

 

Mas quando a medicina alternativa envolve assuntos de idolatria como cura por meio de espíritos ou coisas desse gênero, aí entramos na proibição da Torá em relação a idolatria, e esse tipo de medicina alternativa é proibido pela Torá.

 

Três médicos, duas opiniões

 

Quando o problema de saúde é complexo e envolve assuntos irreversíveis, o ideal é se consultar com três médicos diferentes e, sem faltar com o respeito a nenhum deles optar pela melhor solução.

 

No caso que dois médicos estão diagnosticando igual é mais provável que estejam mais certos do que o outro.

 

Médico jovem e médico velho

 

Geralmente um médico jovem está mais atualizado sendo que a medicina se desenvolve de ano para ano e essa área exige muitas horas de estudos diários dificultando aos médicos mais antigos acompanhar esse desenvolvimento. Mas é claro que em toda regra existem exceções!

 

E esse é um dos sinais da vinda do Mashia’h, que “Todos os jovens vão fazer todos os velhos passarem vergonha”.Vemos isso atualmente em quase todas as profissões!

 

Mashia’h está chegando!

 

Diz o Rebe que no caso de nós judeus, nossa saúde material depende da nossa saúde espiritual.

 

 

E da mesma maneira que quando sentimos fraqueza em um órgão material devemos ir ao médico sendo que precisamos nos comportar de maneira natural e a Torá deu permissão, que quer dizer também força, ao médico para curar , assim também devemos nos comportar quando sentimos fraqueza em um assunto espiritual

 

(obs. Nessa carta o Rebe indica estudar no livro Tanya a parte chamada de Shaar Hai’hud Vehaemuná)

 

 

 

Rabino Gloiber
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Tu Bishvat

Tu Bishvat 

 

Cada letra em hebraico também representa um número.

 

O número 15 é representado pela letra hebraica ”ט” (têt) que representa o número 9 junto com a letra hebraica ”ו” (vav) que representa o número 6, juntas elas formam a palavra “טו” (tu) que representa o número 15.

 

Por que não usamos a letra hebraica “י” (Yud) que representa o número 10 e a letra hebraica “ה” (hei) que representa o número 5 para juntas formarem o número 15 ?

 

Porque a união da letra “י” (yud) com a letra “ה” (hei) forma um dos nomes de D’us que não podemos apagar.

 

O calendário judaico tem quatro datas que são chamadas de ano novo.

 

Tu b’Shvat, o décimo quinto dia do mês hebraico de Shvat, é o ano novo das árvores.

 

O primeiro dia do mês judaico de Elul é o ano novo dos animais

 

Os primeiro segundo dias do mês de Tishrei são Rosh a Shaná, são o aniversário do mundo. Ou seja, o começo  do ano a partir da criação do mundo. Rosh a Shaná, é um dia santificado, um Yom Tov.

 

O primeiro dia do mês judaico de Nissan é o ano novo da Torá que determina a ordem dos meses de acordo com a saída do Egito. Ou seja, o primeiro mês da Torá é Nissan e o mês de Tishrei é o sétimo mês

 

A Guemará se refere a Tu b’Shvat como o “Ano Novo das Árvores”. Essa data é relevante para certas leis da Torá que dizem respeito à agricultura na Terra de Israel.

 

Pode, portanto, parecer estranho celebrar essa data, mas o dia 15 de Shvat sempre foi um dia festivo para o Povo Judeu, mesmo quando a grande maioria dos judeus viviam na Diáspora.

 

Segundo as leis judaicas para essa data, não falamos Ta’hanun que são as rezas nas quais pedimos desculpas pelas coisas erradas que fizemos.

 

Sendo que Tu b’Shvat é o “Ano Novo das Árvores”, costumamos comer frutas nessa data, especialmente as que são típicas da Terra de Israel.

 

Trata-se de um dia festivo porque mesmo não sendo uma data sagrada, tem grande significado para nosso povo.

 

Seu tema principal é a conexão entre Am Israel (o Povo Judeu) e Eretz Israel (a Terra de Israel).

 

O fato de a Torá reger até mesmo as leis agrícolas na Terra de Israel é um poderoso lembrete de que Eretz Israel é a herança por direito e eterna do Povo Judeu, e de que D’us deseja que os judeus que vivem nela, vivam de acordo a Torá mesmo quando estão na rotina do trabalho do dia a dia.

 

Mas o Ano Novo das Árvores também possui um tema universal, uma lição de como viver, que serve a todos os seres humanos. É uma lição relevante para todas as pessoas, independentemente de gênero, idade, religião, nacionalidade ou etnia.

O Homem é a árvore do campo”

 

A palavra Torá deriva da palavra hebraica Ora’á, que significa instrução.

 

A Torá não é apenas um livro de autoria Divina, contendo relatos e leis, mas também um projeto de vida.

 

Tudo o que estudamos na Torá deve servir de lição para ser colocada na prática em nossas vidas.

 

Portanto, quando a Torá afirma que a’Adam Etz aSadé “O Homem é a árvore do campo” (Deuteronômio, 20:19), está transmitindo um ensinamento relevante para nossa vida.

 

Esse versículo pode ser interpretado de diversas formas, mas, qualquer que seja a interpretação, está claro que a Torá ensina que há um íntimo relacionamento entre seres humanos e as árvores dos campos.

 

Sendo assim, o Ano Novo das Árvores pode ser, também, um Novo Ano para os homens.

 

A ideia de que os seres humanos e as árvores estejam, de certa forma, relacionadas é encontrada no livro do Profeta Yeshayahu onde está escrito: “Como os dias de uma árvore serão os dias do Meu Povo” (Isaías, 65:22).

 

Para entender a mensagem desse versículo e o que a Torá ensina ao afirmar que a’Adam Etz aSadé, é necessário primeiro considerar de que forma os seres humanos levam sua vida.

 

Um dos maiores problemas dos seres humanos, em todas as partes, e especialmente na cultura ocidental, é como se relacionar com sua idade.

 

Biologicamente, os seres humanos têm uma infância muito mais longa do que as outras espécies, pois somos criaturas complexas que exigem um treinamento mais prolongado.

 

São necessários muitos anos para nos tornarmos autossuficientes.

 

Além disso, em virtude do enorme potencial do intelecto humano, a maioria de nós dedica muitos anos de vida em busca de educação e treinamento.

 

As crianças frequentam a escola até completarem dezessete ou dezoito anos, e a maioria dos que têm condições também continuam para a faculdade.

 

Em anos recentes, muitas pessoas decidiram que um título acadêmico não era suficiente e continuaram estudando para obter um título de mestrado e até de doutorado.

 

Esses anos de instrução, que podem durar entre dezoito a trinta anos ou mais, são considerados como preparação para a vida.

 

Quando um aluno está na escola, está se preparando para a faculdade, quando está na faculdade, prepara-se para a pós-graduação; e quando está na pós-graduação, faz seu preparo para a vida.

 

Segundo esse ponto de vista, a vida apenas começa quando a pessoa deixa o “palácio de cristal” e entra no “mundo real”.

 

Pode-se argumentar que uma das razões pelas quais as pessoas dedicam cada vez mais anos a se preparar para a vida é que os seres humanos estão vivendo mais, já não é tão raro uma pessoa viver mais de 90 anos.

 

Mas apesar desse aumento da longevidade, na maioria das sociedades as pessoas percebem que seus anos de ouro são o período de sua vida em que se torna menos relevante.

 

Os muitos anos que passa na escola são o prólogo de sua vida, ao passo que a velhice é o epílogo – geralmente também um período longo.

 

Entre esses dois períodos, o prefácio da vida e o epílogo da vida, transcorre “a história” da nossa vida, o tempo no qual as pessoas se consideram seres humanos capazes de realizar, ao máximo, o seu potencial.

 

Há uma parábola árabe que ilustra essa ideia. Um leão que deseja ensinar seu filhote acerca do mundo, lhe diz: “Nós, leões, não tememos nenhuma criatura exceto os seres humanos. Eles são perigosos. Quero mostrar-lhe qual a aparência deles, para que você os conheça e fique à espreita”.

 

Eles veem uma criança e o filhote pergunta: “Isto é um homem?” O leão responde: “Ainda não”. Eles veem, então, um velho, e o filhote pergunta: “Isto é um homem?”. O leão responde: “Não mais”.

 

Essa parábola retrata a maneira pela qual muitos de nós vemos a vida:

 

Até que um ser humano atinja o estágio em que ele é “adulto”, ele ainda não vive; e quando ele já ultrapassou certa idade, ele já viveu, ainda que permaneça fisicamente vivo.

 

Assim, quando somos jovens, fazemos planos e nos preparamos para o futuro e sonhamos com o que ele nos trará; e quando somos idosos, nos lembramos do passado, com prazer ou com pesar.

 

Essa forma de ver e viver a vida abrange apenas uma pequena parte de nossa vida. Essa vida é semelhante a uma viagem de férias cujo trajeto de ida e volta demora muito: passa-se muito tempo na estrada, em viagem, e pouco tempo no local das férias.

 

Um dos problemas de se viver dessa forma – acreditando que há um “antes” e um “depois” – é que nossas vidas se tornam segmentadas e curtas, mesmo se vivermos muitos anos.

 

Geralmente dedicamos tempo em demasia ao “antes” e nos resignamos ao “depois” e, como consequência, não dedicamos tempo suficiente a viver.

 

Quando a pessoa está no estágio do “antes”, pensa no que acontecerá, e quando está no “estágio posterior”, pensa no que aconteceu ou em como poderia ter sido.

 

Em ambos os casos, não dá atenção suficiente ao presente. Como resultado, as pessoas passam a maior parte de sua vida no futuro ou no passado, mas raramente no presente.

 

Esse tipo de vida pode ser cheia de frustração, desapontamento e estresse, pois o futuro geralmente é diferente do que se imaginava e o passado não pode ser revivido ou modificado.

 

Há um poema famoso de um de nossos grandes Sábios, Ibn Ezra, que diz: “O passado já se foi, o futuro, ainda não chegou. O presente é como um piscar de olhos. Qual o motivo, então, para nossas preocupações?”.

 

Esse poema pode ser traduzido assim: “Se o passado já se foi e o futuro ainda não chegou, e o presente passa tão rápido como um piscar de olhos, o que, então, é a nossa vida?”.

 

Não se trata de uma pergunta trivial. Na realidade, é uma pergunta que trata do que representa a vida. Talvez seja a pergunta mais importante que temos que nos fazer.

 

A lição de Tu b’Shvat

 

Tu b’Shvat, o ensinamento de que o Homem é a árvore do campo, e o versículo de Yeshayahu  “Como os dias de uma árvore serão os dias de Meu Povo”  fornecem uma resposta a essa pergunta.

 

A resposta é universal e se aplica a todos os seres humanos.

 

É, também, atemporal, relevante a todas as gerações e especialmente à nossa. “Como os dias de uma árvore serão os de Meu Povo” nos ensina que todo ser humano precisa, como uma árvore do campo, viver uma vida de crescimento constante e ininterrupto.

 

Há diferentes tipos de árvores: algumas são grandes, outras são pequenas, e o ritmo de crescimento ou a qualidade dos frutos de cada uma pode variar enormemente.

 

Mas as árvores nunca param de crescer.

 

Esse é o crescimento constante a que todos os seres humanos deveriam aspirar, essa é a lição que D’us transmite, a cada um de nós, através do profeta.

 

Devemos viver no presente, como um bebê que não desperdiça tempo especulando sobre como sua vida será quando ele tiver 30 ou 80 anos.

 

Devemos viver e tentar tirar o melhor proveito de cada dia. Isso não significa que devemos viver como se não existisse um amanhã.

 

A ideia de que “devemos comer e beber e nos divertir, porque amanhã morreremos” é fortemente condenada pelo judaísmo.

 

Viver no presente tirando o máximo proveito do dia – não significa viver uma vida hedonista e inconsequente.

 

Tampouco significa que devemos abreviar a educação e a preparação. Na verdade, a Lei Judaica ordena que todas as crianças recebam uma educação adequada.

 

O estudo está na raiz da vida judaica; o estudo da Torá é o principal mandamento do judaísmo e a Torá ordena que todas as crianças sejam treinadas em uma profissão.

 

O que viver no presente significa é que em vez de desperdiçar tempo precioso tentando adivinhar o que o futuro nos reserva ou sobre o que o passado foi ou deveria ter sido, devemos, pelo contrário, pensar sobre o tipo de vida que vivemos agora.

 

O presente é onde há vida, e como uma pessoa viva e funcional, cada ser humano deve fazer uso, ao máximo, do tempo de vida que possui.

 

Uma criança de oito anos deve viver a vida de uma criança de oito anos – e não passar os dias preocupada acerca de sua profissão futura dali a 20 anos, o mesmo se aplica a uma pessoa de 90 anos.

 

Talvez ela não consiga fazer tanto quanto fazia aos 30, mas há inúmeras coisas que consegue fazer que são compatíveis com sua idade.

 

Com a velhice vem um dom precioso que não pode ser comprado nem aprendido na faculdade: a experiência.

 

É uma pena que a arrogância da juventude geralmente não nos faça perceber esse fato.

 

Talvez a pessoa de 90 anos não consiga correr tão rápido ou usar o computador tão bem quanto alguém de 20 anos. Mas o que ela tem a ensinar é inestimável. Como ensina o Talmud: “Se os anciãos dizem “destrua” e os jovens dizem “construa”, destrua e não construa, porque a destruição feita pelos anciãos é construção e a construção pelas mãos dos jovens é destruição” (Nedarim, 40a).

 

No Pirkei Avot, livro sagrado de sabedoria e ética judaica, está escrito: “Uma criança de cinco anos começa a estudar as Escrituras; uma de dez, a Mishná; uma de treze é obrigada a observar os mandamentos; uma de quinze começa a estudar a Guemará…”

 

Esse ensinamento do Pirkei Avot, um livro que é estudado há 2 mil anos, reflete as ideias que discutimos acima: que cada idade tem suas próprias tarefas, responsabilidades e exclusivas possibilidades.

 

Em vez de alguém dizer: “Agora que tenho treze anos de idade, o que deverei fazer quando chegar aos dezoito?, essa pessoa deveria pensar: “Estou com treze anos; o que deveria estar fazendo, agora?”

 

Essa é a maneira como viveram nossos Sábios ao longo das gerações. O ponto focal de sua vida não foi o que o amanhã lhes traria ou quão bom ou ruim tinha sido o passado. Ao contrário, seu foco era o que deveria ser feito hoje.

 

Perguntaram ao filho de um famoso Tzadik (que é um homem de nível espiritual altamente elevado) : “O que foi a coisa mais importante que seu pai fez?”. Ao que ele respondeu: “Aquilo que estava fazendo a cada momento”.

 

As pessoas geralmente passam a vida se perguntando: “O que vai acontecer amanhã ?” Essa pergunta não é tão relevante.

 

O importante é perguntar: “Esta é a situação da minha vida, do que me cerca e do mundo como um todo. O que devo fazer hoje para melhorá-lo?”.

 

A Torá nos proíbe adiar um Mandamento para cumprir outro. A razão para isso é que não apenas não devemos fazer distinção entre os Mandamentos Divinos, mas também porque temos que viver o dia de hoje porque não há garantia nenhuma de que haverá um amanhã.

 

O presente não pode ser sacrificado pelo futuro e nenhuma oportunidade pode ser desperdiçada.

 

A maioria de nós, no entanto, não vive dessa maneira. Raramente vivemos no presente e raramente estamos concentrados naquilo que estamos fazendo.

 

Durante nossas rezas, pensamos, em geral, sobre assuntos de negócios ou questões mundanas e, no trabalho, geralmente pensamos sobre o que iremos fazer ao deixar o escritório.

 

Com frequência, nosso corpo está em um lugar e nossa mente e coração, em outro. Se conseguíssemos nos concentrar apenas no que estamos fazendo, se aprendêssemos a maximizar nosso tempo e viver no presente, nossa vida se tornaria muito mais dotada de objetivo e tão mais eficaz.

 

O Rebe de Lubavitch contou uma história sobre seu sogro, o Rabi Yossef Yitzhak Schneerson, o Lubavitcher Rebe anterior, que esclarece bem esse conceito:

 

Assim contou o Rebe:

 

Naquela época meu sogro vivia em Leningrado e tinha planejado uma viagem a Moscou. Seu trem deveria partir dentro de meia hora.

 

Isso foi durante o período que os comunistas haviam declarado guerra contra a religião e, em particular, contra o empenho de meu sogro em promover o judaísmo.

 

Ele era seguido onde quer que fosse e se espalhara a notícia de que o Governo estava pronto para detê-lo, a qualquer custo.

 

Quando entrei na sala, fiquei surpreendido ao ver que, apesar de seu trem estar programado para partir dentro em pouco, ele estava perfeitamente composto, trabalhando em sua mesa, totalmente despreocupado com o perigo iminente.

 

Perguntei a ele: ‘Como consegue ter tanto autocontrole em uma hora dessas?

 

Ele me contou que seu pai lhe contou uma vez, de algo chamado de ‘sucesso com o tempo’.

 

O que isso quer dizer? perguntei. Ele explicou: ‘Você não pode adicionar mais horas ao dia; então, quando está envolvido em uma atividade, deve estar totalmente focado nela, como se nada existisse antes ou depois dela”.

 

Viver dessa maneira, concentrados no presente e naquilo em que estivermos envolvidos, não significa que não nos estamos preparando ou não estamos fazendo planos para o futuro

 

E também não quer dizer que esquecemos ou não aprendemos do passado.

 

Viver no presente não significa levar uma vida irresponsável ou descuidada. Bem ao contrário, significa levar uma vida mais intensa, livre de fantasias e remorsos.

 

Significa se esforçar para atingir “sucesso com o tempo”, que leva ao crescimento genuíno – a uma vida produtiva e rica em conteúdo, na qual cada dia e cada hora do dia são bem aproveitados.

 

Os dias de cada ser humano devem ser “como os dias de uma árvore”– de incessante e frutífera vitalidade.

 

Devemos realmente aprender com as árvores: se olharmos para o que restou de uma árvore cortada, podemos ver pequenos brotos verdes dos galhos.

 

O que parece morto, na verdade contém uma seiva vital que irrompe com força: uma folhinha nova, um novo galho.

 

A árvore cresce, mesmo que tenha sido derrubada, porque ela não lamenta o passado nem se permite ficar paralisada, preocupada se crescerá ou não no futuro.

 

Simplesmente segue seu ritmo de crescimento e, no momento certo, dá os frutos

 

Há uma outra vantagem em se viver a vida como uma árvore do campo: é o fato de podermos desfrutar as diferentes fases da vida e as vantagens que oferecem, cada uma delas.

 

Quando se vive no presente, não se é aprisionado na armadilha do tempo: é possível desfrutar os benefícios únicos de cada uma das fases da vida , infância, adolescência, idade adulta e velhice.

 

Aqueles que tentam driblar esse processo viajando no tempo, seja no passado ou no futuro, geralmente não levam vidas muito produtivas e saudáveis.

 

Por outro lado, aqueles que vivem como nos aconselha a Torá – entendendo que independentemente da idade da pessoa ou de sua situação, cada dia tem seu propósito e D’us espera que façamos bom uso do tempo que Ele nos dá na Terra, geralmente levam uma vida justa e rica, deixando ao mundo um legado de muito significado.

 

E esta é uma das principais lições de Tu b’Shvat.

 

O Novo Ano das Árvores é, também, um Ano Novo para os homens, pois oferece a todos nós um novo começo: a oportunidade de começar a vida de novo.

 

Vamos tentar, então, individual e coletivamente, ser árvores do campo, nos empenhando em ter “sucesso com o tempo”, e crescer incessantemente e produzir muitos frutos bons em todas as facetas de nossa vida, seja física seja espiritualmente.

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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A mentira na visão judaica

 

A mentira na visão judaica:

 

Nossa Parashá diz : “Fique longe da mentira”!Se a mentira não é coisa boa, por que a Torá não nos proíbe mentir?

 

E se mentira é coisa boa porque a Torá nos pede para ficar longe dela?

 

Diz o Baal Shem Tov que a mentira é um veneno e de um veneno temos que ficar longe.

 

Mas um médico especialista sabe em que dose o veneno vira remédio e em que overdose ele volta a ser veneno, e sem o veneno não dá para fazer o remédio.

 

O exemplo disso na Torá é Aharon Hacohen que por meio de uma “mentirinha” conseguia fazer as pazes entre marido e mulher e entre duas pessoas que estavam brigadas.

 

Ele era o médico especialista que sabia a dose certa do veneno para salvar as pessoas.Outro exemplo encontramos com Beit Hilel na Mishná.

 

Segundo eles devemos dizer em qualquer casamento que a noiva é bonita e simpática (mesmo sendo ela feia e antipática).

 

Muitos exemplos desse gênero encontramos nos livros judaicos.

 

Por outro lado, nem toda verdade é permitida pela Torá e muitas vezes a verdade é classificada como “leshon hará” (publicar uma coisa ruim sobre alguém) que é uma transgressão da Torá.

 

O mito de que se a coisa é verdadeira fica permitido falar foi refutado pelo judaísmo a ponto de o Hofetz  Haim ter escrito um livro inteiro sobre qual verdade é permitido falar e em que caso , para não ser considerado uma “leshon hará”.

 

Ou seja, uma verdade que quando divulgada pode prejudicar alguém também se torna um veneno!

 

Curiosidade :

 

O ditado “a mentira tem perna curta” provavelmente é de origem judaica.

 

Porque  no hebraico cada uma das três letras da palavra mentira (sheker) tem um pé só (perna curta) enquanto que cada uma das três letras da palavra verdade em hebraico (emet) tem dois pés.

 

Mas na língua  portuguesa não há essa lógica, mostrando que a única base para esse ditado é a língua hebraica

 

Talvez isso seja mais um sinal das origens judaicas dos bandeirantes brasileiros.

 

 

Rabino Gloiber

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A Parashá da Minha Vida 🌻 Ytró

 

YTRÓ

 

 

Nossa Parashá nos conta sobre a entrega da Torá no Monte Sinai e começa com as palavras “E ouviu Ytró, sacerdote de Midiã, sogro de Moshe, tudo o que fez AShem (D’us) para Moshe e para Israel seu povo, porque AShem tirou o povo de Israel do Egito.”

 

Por que a Torá nos lembra que ele era o sacerdote de Midiã junto com o fato de ele ser o sogro de Moshe, se na época em que ele se tornou o sogro de Moshe ele já tinha abandonado a idolatria?

 

Quando nosso povo saiu do Egito há mais de 3.338 anos atrás, o mundo habitado se encontrava entre o vale do rio Indo e o rio Nilo. Isso era o mundo inteiro e o resto era floresta virgem.

 

Enquanto o faraó era a maior autoridade civil do mundo, Ytró era a maior autoridade religiosa.

 

Tanto o faraó quanto Ytró tinham reconhecimento internacional, eram temidos e respeitados por todos, e o mundo inteiro alinhava suas escolhas às escolhas deles.

 

AShem (D’us) poderia ter dado a Torá antes, mas esperou até o momento em que o mundo estivesse definido e estruturado.

 

Isso aconteceu na época de Moshe, época em que tanto o Faraó quanto Ytró representavam o mundo inteiro e AShem esperou o reconhecimento deles para nós entregar a Torá no Monte Sinai.

 

Na praga do granizo, o faraó declarou que AShem é o Tzadik e ele e seu povo são transgressores.

 

Ou seja, todo o povo egípcio apoiava totalmente o faraó, e por isso, quando o faraó reconheceu a grandeza de AShem, ele pôde representar também seu povo nesse reconhecimento.

 

Quando o mar vermelho se fechou sobre o exército egípcio e todos os soldados egípcios morreram, AShem (D’us) teve que fazer um milagre dentro de outro milagre para o faraó continuar vivo naquela situação.

 

O principal motivo para isso foi o fato de AShem querer o reconhecimento definitivo do faraó que era a maior autoridade civil do mundo.

 

E sendo que o  reconhecimento do faraó era respeitado por todos os governantes do mundo, assim AShem recebeu o reconhecimento mundial dentro dos padrões civis.

 

Sabemos que quando Moshe se casou com Tzipora, filha de Ytró, naquela época Ytró já havia abandonado todas as idolatrias do mundo e se aproximado de AShem, e por isso ele foi hostilizado pelo seu povo e teve que pedir para suas próprias filhas pastorearem seu rebanho.

 

Quando Ytró ouviu que o povo de Israel saiu do Egito, ele expressou seu reconhecimento definitivo dizendo: “Agora eu sei que AShem é maior do que todos os deuses”, expressando dessa forma que ele é a pessoa autorizada a determinar isso, sendo que ele era a única pessoa no mundo que já havia sido o sacerdote de todos os deuses e, portanto, poderia fazer essa comparação.

 

Nossos Sábios discutem sobre o que ouviu Ytró, e por causa disso decidiu se converter oficialmente ao judaísmo, e no final chegaram a conclusão de que o que  levou Ytró a tomar sua decisão definitiva foi o fato de ter chegado a ele a notícia da abertura do mar vermelho e da guerra de Amalek.

 

A expressão de Ytró foi de que “o que eles fizeram aconteceu para eles”. No caso da abertura do mar vermelho podemos entender isso perfeitamente.

 

Os egípcios assassinaram crianças recém-nascidas jogando elas na água, e no final eles morreram embaixo da água, mostrando a justiça Divina de que quando uma pessoa não se arrepende do mal que fez, ela recebe o castigo de “medida por medida”, o que ela fez é feito para ela.

 

Mas onde vemos o conceito de “medida por medida” citado por Ytró no caso da guerra de Amalek?

 

A Guemará em San’hedrin 99/b nos conta sobre Timná, irmã de Lotan.

 

Timná pertencia à realeza da sua região. Ela queria se converter ao judaísmo e veio para Avraham, Itzhak e Yaacov, mas eles não a aceitaram.

 

Por causa disso, ela optou por ser a concubina de Elifaz, que era o primogênito de Essav.

 

Sendo que ela não conseguiu entrar no judaísmo pela porta da frente, ela entrou pela porta de trás!

 

Diz a Guemará que ela preferiu ser uma concubina dentro do nosso povo, a ser uma princesa dentro de outro povo.

 

O filho dela foi Amalek, e a Guemará explica que esse povo é o povo que mais nos faz sofrer.

 

A Guemará conclui que o motivo para isso é que nossos patriarcas não deveriam afastá-la.

 

Do fato citado, entendemos um detalhe importante no mandamento do extermínio de Amalek.

 

A Guemará nos conta que os netos de Haman, que era descendente de Agag, rei de Amalek, se converteram ao judaísmo e estudaram Torá em Bnei Brak.

 

Daqui vemos que quando um amalequita se converte ao judaísmo ele é considerado exterminado.

 

Em outras palavras, alguém que faz uma conversão verdadeira ao judaísmo, se torna judeu de povo, raça, ascendência e etnia.

 

Ele se torna filho de Avraham Avinu. Se torna judeu retroativamente, um convertido que se converte é como um nenê que nasce, e por isso os netos de Haman foram considerados exterminados, por serem considerados como se tivessem nascido naquele momento.

 

A ascendência deles foi trocada pela nossa. Eles deixaram de existir como Amalek e começaram a existir como filhos e filhas de Avraham.

 

Foi isso que deduziu Ytró quando disse que “o que eles fizeram”, que não aceitaram a existência de Timná no nosso povo, “aconteceu para eles”, os amalekitas não aceitaram a nossa existência.

 

Mas como vimos no caso dos netos de Haman, podemos reverter isso.

 

A diferença entre nós e os outros povos foi identificada por Ytró. Ele viu o “medida por medida” que aconteceu aos egípcios, e viu o “medida por medida” que aconteceu para nós.

 

Percebeu claramente que nós não conseguimos chegar ao nível de maldade deles, nível sem conserto.

 

Mas por mais que um judeu afunde, ele não consegue afundar tanto, e sempre ainda sobra a possibilidade de consertar.

 

🌻🌻🌻🌻

O conserto de Caim

 

A Torá nos conta que Adam e Havá tiveram três filhos e três filhas. Os dois primeiros filhos foram Caim e Hevel (Abel).

 

Diz o Zohar que quando AShem criou o primeiro homem ele incluía a primeira mulher.

 

AShem fez um homem de terra que era um lado homem e o outro lado mulher. Depois disso AShem fez o homem adormecer e separou dele o lado mulher.

 

Adam a chamou de Havá porque ela seria a mãe de todas as criaturas, e com ela ele se casou.

 

Em outros termos, Adam e Havá se casaram consigo próprios, sendo que desde o início eles eram uma só pessoa.

 

Na segunda geração, Cain e Hevel se casariam com suas irmãs, e para isso com Caim nasceu uma irmã gêmea e com Hevel nasceram duas.

 

Diz o Midrash que quando eles tinham quarenta anos, Caim fez um sacrifício para AShem. Uma oferenda de linho que tem como raiz espiritual a Guevurá lá em cima.

 

Caim tinha a intenção de fazer a sincronização com o atributo Divino da Guevurá e fazer com que o mundo se conduzisse dessa forma.

 

Hevel (Abel) fez uma oferenda de lã cuja fonte espiritual é a Hessed.

 

Ele queria fazer a sincronização do mundo com o atributo Divino da Hessed para que esse mundo se tornasse um mundo de bondade, um mundo melhor.

 

Caim assassinou Abel por dois motivos.

 

Para roubar uma de suas duas esposas, que Cain achava que pertencia a ele por direito, e para determinar lá em cima a “linha dura” em todos os assuntos espirituais.

 

Depois desse assassinato, AShem se revelou para Cain e deu a ele sete gerações para retificar sua Alma. Não vimos que isso aconteceu.

 

Na sétima geração Caim foi morto, perdeu aquela oportunidade de se retificar.

 

Diz o Zohar que Batya, a filha do faraó, deu à Moshe o nome Moshe por Divina Providência.

 

A palavra Moshe em hebraico משה contém as iniciais de três nomes: Hevel, Shet e Moshe.

 

Moshe era a reencarnação de Hevel e Shet, e entre os trabalhos que ele veio fazer nesse mundo estava o conserto de Cain.

 

Nossa Alma Divina tem cinco níveis, mas somente três deles se revestem nesse mundo.

 

Diz o Ari Zal que o lado bom da Alma Divina de Cain era maior do que o da Alma Divina de Hevel, mas o lado ruim da Alma de Cain era maior do que o lado bom da alma dele.

 

O contrário disso era Hevel. O lado bom da Alma de Hevel não era tão grande quanto o da Alma de Cain, mas o lado ruim da Alma de Hevel era menor do que o lado bom dela.

 

Ytró era a reencarnação de Cain.

 

Rabi Shimshon de Ostropoli foi um grande cabalista que viveu na Polônia há 400 anos. Ele nos conta que quando uma pessoa morre assassinada, o conserto da Alma do assassino quando não se arrepende do que fez, tem que ser feito “medida por medida” pela pessoa assassinada.

 

Assim, Moshe, que era a reencarnação de Hevel, teve que matar o egípcio que era a reencarnação do nível Nefesh de Cain quando esse egípcio estava tentando fazer novamente o que fez na reencarnação anterior, assassinar alguém para roubar sua esposa.

 

Desse modo, Moshe, consertou “medida por medida” o nível mais baixo da Alma de Cain, o nível Nefesh.

 

Outro motivo que levou Cain a assassinar Hevel, foi para roubar sua função em relação ao trabalho Divino.

 

Kora’h que era a reencarnação do nível Rua’h de Cain. Não só que Kora’h não retificou o que tinha que retificar, mas também tentou assassinar novamente, alegando que Moshe era um falso profeta e consequentemente passível de pena de morte conforme a própria Torá.

 

Moshe disse para Kora’h que se ele não voltasse atrás do que estava fazendo e se eles não se arrependesse do que estava tentando fazer, a terra iria se abrir e ele iria morrer dessa forma.

 

Nossa Alma Divina desce para o mundo com a memória das reencarnações anteriores no seu subconsciente, e por isso Moshe lembrou à Kora’h que a terra iria se abrir paralembrá-lo de como ela se abriu para receber o sangue de Hevel quando foi assassinado e tentar retificar isso sem precisar chegar ao extremo de “medida por medida”.

 

Kora’h não voltou atrás e a terra se abriu para ele. E assim, o nível Rua’h de Cain também foi consertado “medida por medida”.

 

Ytró era o nível mais alto da Alma de Cain, o nível Neshamá.

 

Tzipora era a reencarnação daquela gêmea que foi o pivô do assassinato.

 

Ytró devolveu para Moshe sua esposa Tzipora consertando o que fez Cain.

 

Ytró também se converteu ao judaísmo, aceitando Moshe como o responsável por todos os assuntos religiosos do nosso povo.

 

Ytró também salvou a vida de Moshe com o conselho que deu de dividir o trabalho de Moshe em juízes de 10, de 50, de 100 e de 1.000 pessoas, delegando o trabalho de Moshe para 78.600 juízes, e somente o que eles não conseguiam resolver de forma alguma chegaria até Moshe.

 

Ytró fez a completa retificação da Alma de Cain, uma Alma cujo lado bom era maior do que a Alma Divina do próprio Moshe, Ytró conseguiu refiná-la.

 

Por isso, nossa Parashá na qual AShem nos entregou a Torá não é chamada de “Torá”, mas é chamada de Ytró, nos mostrando que o principal da Torá é colocarmos ela na prática.

 

Shabat Shalom

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Por que Ytró optou por se converter ao judaísmo?

Nossos Sábios nos contam que Ytró optou por se converter ao judaísmo depois que ouviu sobre a abertura do mar vermelho e a guerra de Amalek .

 

O que tem a ver a abertura do mar vermelho com a guerra de Amalek?

 

A abertura do mar vermelho nos lembra o carinho que AShem (D’us) tem por nós, nos fazendo milagres revelados, cuidando de nós e nos protegendo .

 

Depois de todos esses milagres enormes aparece o extremo dos povos , o mais prepotente e arrogante, e faz o que todos os outros povos gostariam de ter feito mas tinham medo, lutam contra nós!

 

Ytró vê os dois extremos, o amor que D’us tem por cada judeu e a frieza dos povos do mundo, que mesmo vendo os milagres revelados que AShem faz para nós , no lugar de se unir à D’us lutam contra ele , e qualquer meio termo sempre vai estar vinculado a um desses dois extremos, ou seja, os outros povos estavam felizes com a atitude de Amalek mesmo não tendo a coragem de fazer igual.

 

A Torá nos conta que a guerra contra Amalek acontece em cada geração.

 

Na prática ela aconteceu somente duas vezes e na época do Mashia’h vai acontecer mais uma vez. Entre essa primeira guerra de Amalek no deserto e a segunda guerra na época do rei Shaul não tínhamos a Mitzvá de exterminar o Amalek até que fosse nomeado o primeiro rei de Israel.

 

Depois que Shaul não fez isso totalmente, Amalek se misturou com os povos do mundo nos tirando a possibilidade de saber quem é Amalek.

 

Na época do Mashiach acontecerá a terceira guerra contra Amalek e depois disso eles já não existirão mais .

 

Então, se são somente três guerras na história, como podemos cumprir o mandamento que nos foi dado na Parashá de lutar contra Amalek em cada geração?

 

Diz o Rebe que esse assunto extremamente importante é totalmente espiritual. Amalek representa uma força espiritual negativa que chamamos de “Klipá”. Essa Klipá de Amalek causa a frieza e a insensibilidade em todos os assuntos espirituais.

 

A consequência dela em cada um de nós é: mesmo vendo milagres no dia a dia, mesmo conscientes de que D’us está cuidando de nós o tempo todo como crianças pequenas, mesmo assim somos capazes de rezar com frieza, cumprir os mandamentos Divinos sem entusiasmo fazendo “nada mais que a obrigação”.

 

Achando que mesmo AShem tendo nos ajudado no passado com certeza ele não vai nos ajudar mais, e por último estudando Torá e cumprindo as Mitzvot SEM a mínima consciência de que D’us existe e achando que tudo está dependendo somente de nós. Assim era Caim , e agora dá para entender porque a guerra de Amalek sensibilizou tanto Ytró!

 

Como lutar contra esse Amalek espiritual :

 

1-Todo dia se conscientizar de que D’us existe, de que ele é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem, e de que ele está cuidando de cada um de nós e nos protegendo a cada instante!

 

2- Rezar todo dia com muita alegria e entusiasmo e saber que Hashem está ouvindo com muito prazer cada palavra da nossa reza e está cheio de orgulho de nós!

 

3-Cumprir os mandamentos Divinos com muita alegria , muito entusiasmo e muito capricho, sabendo que AShem (D’us ) está cheio de alegria por cada mandamento que cumprimos!

 

4- Se lembrar de todas as vezes que AShem te ajudou no passado, se lembrar de todos os pequenos milagres do dia a dia e saber que agora AShem vai te ajudar muito mais e te fazer muito mais milagres!

 

E o principal, expulsar todos os pensamentos contrários aos quatro itens anteriores alinhando nosso intelecto dessa maneira todo dia e toda hora 365 dias por ano!

 

 

Rabino Gloiber

 

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🌷🌷🌷❤️

Mensagem da Parashá

Porque Ytró não se converteu ao judaísmo durante os quarenta anos que Moshe Rabeinu morava com ele?

 

Nossa Parashá começa com as palavras: “E ouviu Ytró, sacerdote de Midian, sogro de Moshe, tudo o que fez AShem (D’us) para Moshe e para Israel seu povo, que AShem tirou o povo de Israel do Egito”.

 

Rashi explica: Que notícia ouviu Ytró e por causa disso veio? (veio se converter ao judaísmo). Ouviu sobre a abertura do mar vermelho e a guerra de Amalek.

 

Rabi Yehuda Arie Leib Alter, conhecido como o “Sfat Emet”, foi o terceiro Rebe da cidade de Gur na Polônia há mais de cento e vinte anos atrás.

 

Ele explicou que com a força da saída do Egito, os portões celestiais se abriram para que as pessoas pudessem se converter ao judaísmo, como está escrito: “até esse momento nenhum escravo conseguia fugir do Egito”. Ou seja, nenhuma Alma Divina que estava subjugada pelo lado impuro conseguia sair dele.

 

Com a força da saída do Egito se expandiu a força da santidade atraindo pessoas ao judaísmo, como está escrito: “e também uma grande multidão subiu com eles.

 

Por isso Ytró teve a força espiritual para ouvir e se submeter ao lado da santidade, mesmo que antes disso ele conviveu quarenta anos com Moshe Rabeinu era seu genro, pai dos seus netos, pastor do seu rebanho e morava com ele em Midian. Moshe Rabeinu fugiu do Egito para Midian com quarenta anos e se casou com Tzipora, a filha de Ytró, e somente quarenta anos depois, quando Moshe Rabeinu já estava com oitenta anos, ele deixou Midian e foi tirar o povo de Israel do Egito

 

Ytró e a guerra de Amalek

 

Diz o Sfat Emet que o fato de a história de Ytró estar escrita na Torá  junto com a história de Amalek vem nos indicar que por meio da saída do Egito se refinou a mistura entre o bem e o mal, o bem se separou do mal e , consequentemente, o mal se separou do bem.

 

Também entre os povos do mundo existem pessoas do lado bom, Almas Divinas, mas estão misturadas com o lado mal.

 

Com a saída do Egito, quando o povo de Israel foi refinado da impureza e se tornou santificado para AShem, automaticamente todos aqueles que tinham uma boa vontade e quisessem por opção própria deixar o mal e se aproximar de AShem, poderiam fazer isso se unindo ao povo de Israel que já tinha saído do lado impuro, já tinha saído do mal.

 

E  todos aqueles que eram pessoas ruins por opção, ou seja, optaram pelo lado do mal que se separou do bem,  se uniram à Amalek que já tinha saído do lado puro,  já tinha saído do bem.

 

Por meio do povo de Israel ficou definitivamente clara a maldade de Amalek e a bondade de Ytró.

 

O “Sfat Emet”

 

Rabi Yehuda, conhecido posteriormente como o Sfat Emet, nasceu em 1847 e era neto do Rebe Itzhak Meir Alter conhecido como Hidushei Harim.

 

Com dois anos de idade ficou órfão de mãe e com oito de pai, passando a morar com seu avô, Rabi Itzhak Meir Alter, fundador da Hassidut Gur, que ensinou à ele os mais profundos segredos da Torá.

 

Rabi Yehuda casou-se com 15 anos de idade e o nome do seu sogro também era Yehuda. Por motivo cabalistico,  sogro e  genro não podem ter o mesmo nome, e por causa disso seu avô , Rabi Itzhak Meir,  acrescentou à ele o nome de Arie Leib. E assim, com 15 anos de idade ele passou a ser chamado de Rabi Yehuda Arie Leib.

Rabi Yehuda Arie Leib se tornou o Rebe de Gur com apenas 23 anos de idade,  quatro anos depois do falecimento de seu avô.

 

Por ser um jovem Rebe, Rabi Yehuda Arie Leib atraiu milhares de jovens estudiosos da Torá para a Hassidut Gur que na época se tornou a maior Hassidut da Polônia chegando a contar com 100.000 Hassidim.

 

Em 1904 os russos, que na época dominavam a Polônia, recrutaram dezenas de milhares de judeus que foram mandados diretamente para a frente de batalha na guerra contra o Japão.

 

Milhares de Hassidim de Gur foram mandados para a guerra, o que afetou diretamente a saúde do Rebe que faleceu em 1905 no mês judaico de Shvat (o mês judaico atual) com apenas 57 anos de idade, deixando como herança para nós uma profunda explicação da Torá que foi editada depois do seu falecimento e recebeu o nome de Sfat Emet.

 

A partir daí Rabi Yehuda Arie Leib Alter vai ser conhecido por todos como Sfat Emet.

 

Ele nos contou também que o fato de Ytró ter vindo se converter ao judaísmo era a nossa recompensa por termos passado pelo exílio do Egito, como disseram nossos Sábios na Guemará em Pessa’him: “o povo de Israel não foi exilado a não ser para que se unissem à eles os guerim (os convertidos).

 

E portanto, com a força da Galut (exílio) do Egito, saiu de lá uma grande multidão e Ytró acima de todos.

 

Dessa maneira se concretizou o provérbio do rei Salomão: “em toda tristeza existirá uma vantagem”.

 

Ou seja, de todo acontecimento ruim também ganhamos alguma coisa boa.

 

E isso é o que está indicando o versículo quando diz que temos que amar o guer porque guerim fomos na terra do Egito. Esse versículo nos indica que o principal objetivo do exílio do Egito era por causa dos guerim que iriam sair de lá.

 

E provavelmente isso é o que estavam indicando nossos Sábios quando disseram que os guerim são difíceis para o nosso povo como a “sapa’hat”, pelo motivo de termos que nos misturar entre os povos do mundo por causa dos guerim.

 

E por isso escreveram nossos Sábios que a “seet” a “sapahat” a “baheret” e a “tzaraat” indicam os quatro impérios dentro dos quais somos exilados.

 

porque todos os quatro exílios aconteceram para nos possibilitar de tirar deles as “luzinhas de santidade” que estão misturadas com o “outro lado”, e por meio do nosso exílio entre eles, essas “faíscas Divinas” se refinam e sobem.

 

Não haverão mais guerim na época do Mashia’h

 

O Sfat Emet nos explica uma passagem do Midrash Rabá que diz: “Três coisas perdidas encontrou AShem”.

 

1- encontrou fidelidade no seu coração: esse é Avraham Avinu, o primeiro “guer”, o primeiro de todos os convertidos.

 

2- “Como uvas no deserto encontrei Israel”: Eles são o principal da conversão, porque tiveram o mérito de ser escolhidos para AShem para ser seu povo e sua herança.

 

3- “encontrei David meu servo”: esse é o Rei Mashia’h que determina o final das conversões, porque nos dias do Mashia’h não serão recebidos mais convertidos.

 

O motivo para isso é que já estarão consertadas e separadas do mal todas as Almas adequadas para se unir à Santidade.

 

Conclusão: sendo que estamos no exílio para atrair as Almas do lado bom, a saída do exílio é a prova mais clara de que esse trabalho terminou !

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

O que aprendemos com a Shirá e com o Man?

O que aprendemos com a Shirá, a música que o nosso povo fez para AShem (D’us) quando viram que estavam salvos totalmente dos egípcios?

O Maguid de Mezritch nos contou que AShem (D’us) tem um prazer enorme em ouvir as nossas rezas.

 

O Maguid deu um exemplo de um grande Rei que tinha um passarinho que falava e o rei ficava muito alegre em ouvir o passarinho falar.

 

Mesmo que o rei tinha  ministros e côrte que falavam com muito mais erudição do que o passarinho, ele ficava muito mais feliz em ouvir o passarinho falar , porque um ser humano falando é uma coisa normal, mas um passarinho falando é uma coisa fantástica!

 

Dessa mesma maneira, diz o Maguid, lá em cima existem infinitos anjos que cantam muito bonito , mas nós somos o passarinho que fala!

 

Uma Alma Divina dentro de uma alma animal dentro de um corpo material , isso “faz a diferença” lá em cima.

 

Então quando rezamos temos que nos lembrar que AShem está prestando muita atenção em cada palavra que falamos, mesmo se falamos um pouco errado, e tem um prazer enorme em nos ouvir.

 

 🌻🌻🌻🌻

 

O que aprendemos com o Man, a comida que caiu do céu literalmente durante os quarenta anos que o nosso povo estava no deserto?

 

O povo de Israel saiu do Egito com a comida que eles conseguiram carregar , mas na hora que a comida acabou, somente nessa hora uma comida muito melhor começou a cair do céu !

 

Quando chegaram no “fim do caminho” o mar se abriu e quando a comida acabou ela começou a cair do céu nos ensinando que no judaísmo não existe “beco sem saída” !

 

Uma mãe está sempre cuidando das suas crianças, quanto mais AShem está sempre cuidando de nós e não nos esquece por aí!

 

 

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Mensagem da Parashá

O conserto de Caim

 

Ytro

 

Nossa Parashá nos conta que Ytró, o sogro de Moshe , levou sua filha Tzipora junto com os dois filhos dela para Moshe no deserto.

 

Porque Ytró teve que se arriscar dessa maneira e não podia esperar Moshe vir pessoalmente buscar sua família?

 

O Ari Zal nos conta que Ytró era a reencarnação de Caim e Moshe era a reencarnação de Abel. A Torá nos conta que Caim teve um filho com sua esposa e o chamou de ‘Hano’h.

 

Quem era essa esposa que a Torá não conta de onde ela nasceu ? E claro que ela não era sua própria mãe!

 

Quando a Torá nos conta sobre o nascimento de Caim e Abel aparece três vezes a palavra “et”. O Midrash decifra disso que junto com Caim nasceu uma irmã gêmea e com Abel nasceram duas e elas seriam as futuras esposas deles.

 

Caim ficou indignado por ter uma esposa só enquanto seu irmão teria duas , encontrou um motivo para briga justificando como sendo por um assunto religioso (de seu korban não ter sido aceito) e terminou assassinando seu irmão por achar que não tem no mundo nem lei e nem juiz e que nada vai acontecer por causa disso.

 

Os três se reencarnam novamente. Caim é Ytró, Abel é Moshe, e aquela gêmea, pivô da briga entre eles é Tzipora.

 

Por isso Ytró tinha que tomar a iniciativa de ele levar Tzipora para Moshe, porque esse era o “Tikun” (conserto) da alma de Caim, devolver a “gêmea” e salvar o “irmão” para consertar o fato de tê-lo assassinado por causa dela.

 

Ytró leva Tzipora para Moshe e por meio de seus conselhos salva a vida de Moshe de um infarto por stress delegando o trabalho de Moshe à milhares de juízes e construindo uma estrutura de governo jamais vista antes.

 

Sendo que Caim tinha assassinado Abel porque achava que o mundo não tem um juiz , essa parte da Torá que é chamada “Parashat a Dayanim” (“a Parashá dos juízes”) teve que chegar à nós por meio de Ytró, e assim ele “acrescentou” uma Parashá na Torá.

 

Aprendemos daqui um ensinamento muito importante:

 

Se até o próprio Moshe poderia ter terminado sua vida de maneira fatal por ter centralizado tudo envolta de si próprio , e foi salvo por Ytró que fez ele delegar seu trabalho à pessoas adequadas para essa função mesmo não sendo tão adequadas como ele próprio era , quanto mais nós, que muitas vezes encontramos pessoas muito mais adequadas do que nós para delegar funções de muito menos responsabilidade do que era a deles !

 

Então, vamos começar a nossa “descentralização” e salvar nossas próprias vidas!

 

 

Rabino Gloiber
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