O conserto de Caim

 

Ytro

 

Nossa Parashá nos conta que Ytró, o sogro de Moshe , levou sua filha Tzipora junto com os dois filhos dela para Moshe no deserto.

 

Porque Ytró teve que se arriscar dessa maneira e não podia esperar Moshe vir pessoalmente buscar sua família?

 

O Ari Zal nos conta que Ytró era a reencarnação de Caim e Moshe era a reencarnação de Abel. A Torá nos conta que Caim teve um filho com sua esposa e o chamou de ‘Hano’h.

 

Quem era essa esposa que a Torá não conta de onde ela nasceu ? E claro que ela não era sua própria mãe!

 

Quando a Torá nos conta sobre o nascimento de Caim e Abel aparece três vezes a palavra “et”. O Midrash decifra disso que junto com Caim nasceu uma irmã gêmea e com Abel nasceram duas e elas seriam as futuras esposas deles.

 

Caim ficou indignado por ter uma esposa só enquanto seu irmão teria duas , encontrou um motivo para briga justificando como sendo por um assunto religioso (de seu korban não ter sido aceito) e terminou assassinando seu irmão por achar que não tem no mundo nem lei e nem juiz e que nada vai acontecer por causa disso.

 

Os três se reencarnam novamente. Caim é Ytró, Abel é Moshe, e aquela gêmea, pivô da briga entre eles é Tzipora.

 

Por isso Ytró tinha que tomar a iniciativa de ele levar Tzipora para Moshe, porque esse era o “Tikun” (conserto) da alma de Caim, devolver a “gêmea” e salvar o “irmão” para consertar o fato de tê-lo assassinado por causa dela.

 

Ytró leva Tzipora para Moshe e por meio de seus conselhos salva a vida de Moshe de um infarto por stress delegando o trabalho de Moshe à milhares de juízes e construindo uma estrutura de governo jamais vista antes.

 

Sendo que Caim tinha assassinado Abel porque achava que o mundo não tem um juiz , essa parte da Torá que é chamada “Parashat a Dayanim” (“a Parashá dos juízes”) teve que chegar à nós por meio de Ytró, e assim ele “acrescentou” uma Parashá na Torá.

 

Aprendemos daqui um ensinamento muito importante:

 

Se até o próprio Moshe poderia ter terminado sua vida de maneira fatal por ter centralizado tudo envolta de si próprio , e foi salvo por Ytró que fez ele delegar seu trabalho à pessoas adequadas para essa função mesmo não sendo tão adequadas como ele próprio era , quanto mais nós, que muitas vezes encontramos pessoas muito mais adequadas do que nós para delegar funções de muito menos responsabilidade do que era a deles !

 

Então, vamos começar a nossa “descentralização” e salvar nossas próprias vidas!

 

 

Rabino Gloiber
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Tu Bishvat

Tu Bishvat 

 

Cada letra em hebraico também representa um número.

 

O número 15 é representado pela letra hebraica ”ט” (têt) que representa o número 9 junto com a letra hebraica ”ו” (vav) que representa o número 6, juntas elas formam a palavra “טו” (tu) que representa o número 15.

 

Por que não usamos a letra hebraica “י” (Yud) que representa o número 10 e a letra hebraica “ה” (hei) que representa o número 5 para juntas formarem o número 15 ?

 

Porque a união da letra “י” (yud) com a letra “ה” (hei) forma um dos nomes de D’us que não podemos apagar.

 

O calendário judaico tem quatro datas que são chamadas de ano novo.

 

Tu b’Shvat, o décimo quinto dia do mês hebraico de Shvat, é o ano novo das árvores.

 

O primeiro dia do mês judaico de Elul é o ano novo dos animais

 

Os primeiro segundo dias do mês de Tishrei são Rosh a Shaná, são o aniversário do mundo. Ou seja, o começo  do ano a partir da criação do mundo. Rosh a Shaná, é um dia santificado, um Yom Tov.

 

O primeiro dia do mês judaico de Nissan é o ano novo da Torá que determina a ordem dos meses de acordo com a saída do Egito. Ou seja, o primeiro mês da Torá é Nissan e o mês de Tishrei é o sétimo mês

 

A Guemará se refere a Tu b’Shvat como o “Ano Novo das Árvores”. Essa data é relevante para certas leis da Torá que dizem respeito à agricultura na Terra de Israel.

 

Pode, portanto, parecer estranho celebrar essa data, mas o dia 15 de Shvat sempre foi um dia festivo para o Povo Judeu, mesmo quando a grande maioria dos judeus viviam na Diáspora.

 

Segundo as leis judaicas para essa data, não falamos Ta’hanun que são as rezas nas quais pedimos desculpas pelas coisas erradas que fizemos.

 

Sendo que Tu b’Shvat é o “Ano Novo das Árvores”, costumamos comer frutas nessa data, especialmente as que são típicas da Terra de Israel.

 

Trata-se de um dia festivo porque mesmo não sendo uma data sagrada, tem grande significado para nosso povo.

 

Seu tema principal é a conexão entre Am Israel (o Povo Judeu) e Eretz Israel (a Terra de Israel).

 

O fato de a Torá reger até mesmo as leis agrícolas na Terra de Israel é um poderoso lembrete de que Eretz Israel é a herança por direito e eterna do Povo Judeu, e de que D’us deseja que os judeus que vivem nela, vivam de acordo a Torá mesmo quando estão na rotina do trabalho do dia a dia.

 

Mas o Ano Novo das Árvores também possui um tema universal, uma lição de como viver, que serve a todos os seres humanos. É uma lição relevante para todas as pessoas, independentemente de gênero, idade, religião, nacionalidade ou etnia.

O Homem é a árvore do campo”

 

A palavra Torá deriva da palavra hebraica Ora’á, que significa instrução.

 

A Torá não é apenas um livro de autoria Divina, contendo relatos e leis, mas também um projeto de vida.

 

Tudo o que estudamos na Torá deve servir de lição para ser colocada na prática em nossas vidas.

 

Portanto, quando a Torá afirma que a’Adam Etz aSadé “O Homem é a árvore do campo” (Deuteronômio, 20:19), está transmitindo um ensinamento relevante para nossa vida.

 

Esse versículo pode ser interpretado de diversas formas, mas, qualquer que seja a interpretação, está claro que a Torá ensina que há um íntimo relacionamento entre seres humanos e as árvores dos campos.

 

Sendo assim, o Ano Novo das Árvores pode ser, também, um Novo Ano para os homens.

 

A ideia de que os seres humanos e as árvores estejam, de certa forma, relacionadas é encontrada no livro do Profeta Yeshayahu onde está escrito: “Como os dias de uma árvore serão os dias do Meu Povo” (Isaías, 65:22).

 

Para entender a mensagem desse versículo e o que a Torá ensina ao afirmar que a’Adam Etz aSadé, é necessário primeiro considerar de que forma os seres humanos levam sua vida.

 

Um dos maiores problemas dos seres humanos, em todas as partes, e especialmente na cultura ocidental, é como se relacionar com sua idade.

 

Biologicamente, os seres humanos têm uma infância muito mais longa do que as outras espécies, pois somos criaturas complexas que exigem um treinamento mais prolongado.

 

São necessários muitos anos para nos tornarmos autossuficientes.

 

Além disso, em virtude do enorme potencial do intelecto humano, a maioria de nós dedica muitos anos de vida em busca de educação e treinamento.

 

As crianças frequentam a escola até completarem dezessete ou dezoito anos, e a maioria dos que têm condições também continuam para a faculdade.

 

Em anos recentes, muitas pessoas decidiram que um título acadêmico não era suficiente e continuaram estudando para obter um título de mestrado e até de doutorado.

 

Esses anos de instrução, que podem durar entre dezoito a trinta anos ou mais, são considerados como preparação para a vida.

 

Quando um aluno está na escola, está se preparando para a faculdade, quando está na faculdade, prepara-se para a pós-graduação; e quando está na pós-graduação, faz seu preparo para a vida.

 

Segundo esse ponto de vista, a vida apenas começa quando a pessoa deixa o “palácio de cristal” e entra no “mundo real”.

 

Pode-se argumentar que uma das razões pelas quais as pessoas dedicam cada vez mais anos a se preparar para a vida é que os seres humanos estão vivendo mais, já não é tão raro uma pessoa viver mais de 90 anos.

 

Mas apesar desse aumento da longevidade, na maioria das sociedades as pessoas percebem que seus anos de ouro são o período de sua vida em que se torna menos relevante.

 

Os muitos anos que passa na escola são o prólogo de sua vida, ao passo que a velhice é o epílogo – geralmente também um período longo.

 

Entre esses dois períodos, o prefácio da vida e o epílogo da vida, transcorre “a história” da nossa vida, o tempo no qual as pessoas se consideram seres humanos capazes de realizar, ao máximo, o seu potencial.

 

Há uma parábola árabe que ilustra essa ideia. Um leão que deseja ensinar seu filhote acerca do mundo, lhe diz: “Nós, leões, não tememos nenhuma criatura exceto os seres humanos. Eles são perigosos. Quero mostrar-lhe qual a aparência deles, para que você os conheça e fique à espreita”.

 

Eles veem uma criança e o filhote pergunta: “Isto é um homem?” O leão responde: “Ainda não”. Eles veem, então, um velho, e o filhote pergunta: “Isto é um homem?”. O leão responde: “Não mais”.

 

Essa parábola retrata a maneira pela qual muitos de nós vemos a vida:

 

Até que um ser humano atinja o estágio em que ele é “adulto”, ele ainda não vive; e quando ele já ultrapassou certa idade, ele já viveu, ainda que permaneça fisicamente vivo.

 

Assim, quando somos jovens, fazemos planos e nos preparamos para o futuro e sonhamos com o que ele nos trará; e quando somos idosos, nos lembramos do passado, com prazer ou com pesar.

 

Essa forma de ver e viver a vida abrange apenas uma pequena parte de nossa vida. Essa vida é semelhante a uma viagem de férias cujo trajeto de ida e volta demora muito: passa-se muito tempo na estrada, em viagem, e pouco tempo no local das férias.

 

Um dos problemas de se viver dessa forma – acreditando que há um “antes” e um “depois” – é que nossas vidas se tornam segmentadas e curtas, mesmo se vivermos muitos anos.

 

Geralmente dedicamos tempo em demasia ao “antes” e nos resignamos ao “depois” e, como consequência, não dedicamos tempo suficiente a viver.

 

Quando a pessoa está no estágio do “antes”, pensa no que acontecerá, e quando está no “estágio posterior”, pensa no que aconteceu ou em como poderia ter sido.

 

Em ambos os casos, não dá atenção suficiente ao presente. Como resultado, as pessoas passam a maior parte de sua vida no futuro ou no passado, mas raramente no presente.

 

Esse tipo de vida pode ser cheia de frustração, desapontamento e estresse, pois o futuro geralmente é diferente do que se imaginava e o passado não pode ser revivido ou modificado.

 

Há um poema famoso de um de nossos grandes Sábios, Ibn Ezra, que diz: “O passado já se foi, o futuro, ainda não chegou. O presente é como um piscar de olhos. Qual o motivo, então, para nossas preocupações?”.

 

Esse poema pode ser traduzido assim: “Se o passado já se foi e o futuro ainda não chegou, e o presente passa tão rápido como um piscar de olhos, o que, então, é a nossa vida?”.

 

Não se trata de uma pergunta trivial. Na realidade, é uma pergunta que trata do que representa a vida. Talvez seja a pergunta mais importante que temos que nos fazer.

 

A lição de Tu b’Shvat

 

Tu b’Shvat, o ensinamento de que o Homem é a árvore do campo, e o versículo de Yeshayahu  “Como os dias de uma árvore serão os dias de Meu Povo”  fornecem uma resposta a essa pergunta.

 

A resposta é universal e se aplica a todos os seres humanos.

 

É, também, atemporal, relevante a todas as gerações e especialmente à nossa. “Como os dias de uma árvore serão os de Meu Povo” nos ensina que todo ser humano precisa, como uma árvore do campo, viver uma vida de crescimento constante e ininterrupto.

 

Há diferentes tipos de árvores: algumas são grandes, outras são pequenas, e o ritmo de crescimento ou a qualidade dos frutos de cada uma pode variar enormemente.

 

Mas as árvores nunca param de crescer.

 

Esse é o crescimento constante a que todos os seres humanos deveriam aspirar, essa é a lição que D’us transmite, a cada um de nós, através do profeta.

 

Devemos viver no presente, como um bebê que não desperdiça tempo especulando sobre como sua vida será quando ele tiver 30 ou 80 anos.

 

Devemos viver e tentar tirar o melhor proveito de cada dia. Isso não significa que devemos viver como se não existisse um amanhã.

 

A ideia de que “devemos comer e beber e nos divertir, porque amanhã morreremos” é fortemente condenada pelo judaísmo.

 

Viver no presente tirando o máximo proveito do dia – não significa viver uma vida hedonista e inconsequente.

 

Tampouco significa que devemos abreviar a educação e a preparação. Na verdade, a Lei Judaica ordena que todas as crianças recebam uma educação adequada.

 

O estudo está na raiz da vida judaica; o estudo da Torá é o principal mandamento do judaísmo e a Torá ordena que todas as crianças sejam treinadas em uma profissão.

 

O que viver no presente significa é que em vez de desperdiçar tempo precioso tentando adivinhar o que o futuro nos reserva ou sobre o que o passado foi ou deveria ter sido, devemos, pelo contrário, pensar sobre o tipo de vida que vivemos agora.

 

O presente é onde há vida, e como uma pessoa viva e funcional, cada ser humano deve fazer uso, ao máximo, do tempo de vida que possui.

 

Uma criança de oito anos deve viver a vida de uma criança de oito anos – e não passar os dias preocupada acerca de sua profissão futura dali a 20 anos, o mesmo se aplica a uma pessoa de 90 anos.

 

Talvez ela não consiga fazer tanto quanto fazia aos 30, mas há inúmeras coisas que consegue fazer que são compatíveis com sua idade.

 

Com a velhice vem um dom precioso que não pode ser comprado nem aprendido na faculdade: a experiência.

 

É uma pena que a arrogância da juventude geralmente não nos faça perceber esse fato.

 

Talvez a pessoa de 90 anos não consiga correr tão rápido ou usar o computador tão bem quanto alguém de 20 anos. Mas o que ela tem a ensinar é inestimável. Como ensina o Talmud: “Se os anciãos dizem “destrua” e os jovens dizem “construa”, destrua e não construa, porque a destruição feita pelos anciãos é construção e a construção pelas mãos dos jovens é destruição” (Nedarim, 40a).

 

No Pirkei Avot, livro sagrado de sabedoria e ética judaica, está escrito: “Uma criança de cinco anos começa a estudar as Escrituras; uma de dez, a Mishná; uma de treze é obrigada a observar os mandamentos; uma de quinze começa a estudar a Guemará…”

 

Esse ensinamento do Pirkei Avot, um livro que é estudado há 2 mil anos, reflete as ideias que discutimos acima: que cada idade tem suas próprias tarefas, responsabilidades e exclusivas possibilidades.

 

Em vez de alguém dizer: “Agora que tenho treze anos de idade, o que deverei fazer quando chegar aos dezoito?, essa pessoa deveria pensar: “Estou com treze anos; o que deveria estar fazendo, agora?”

 

Essa é a maneira como viveram nossos Sábios ao longo das gerações. O ponto focal de sua vida não foi o que o amanhã lhes traria ou quão bom ou ruim tinha sido o passado. Ao contrário, seu foco era o que deveria ser feito hoje.

 

Perguntaram ao filho de um famoso Tzadik (que é um homem de nível espiritual altamente elevado) : “O que foi a coisa mais importante que seu pai fez?”. Ao que ele respondeu: “Aquilo que estava fazendo a cada momento”.

 

As pessoas geralmente passam a vida se perguntando: “O que vai acontecer amanhã ?” Essa pergunta não é tão relevante.

 

O importante é perguntar: “Esta é a situação da minha vida, do que me cerca e do mundo como um todo. O que devo fazer hoje para melhorá-lo?”.

 

A Torá nos proíbe adiar um Mandamento para cumprir outro. A razão para isso é que não apenas não devemos fazer distinção entre os Mandamentos Divinos, mas também porque temos que viver o dia de hoje porque não há garantia nenhuma de que haverá um amanhã.

 

O presente não pode ser sacrificado pelo futuro e nenhuma oportunidade pode ser desperdiçada.

 

A maioria de nós, no entanto, não vive dessa maneira. Raramente vivemos no presente e raramente estamos concentrados naquilo que estamos fazendo.

 

Durante nossas rezas, pensamos, em geral, sobre assuntos de negócios ou questões mundanas e, no trabalho, geralmente pensamos sobre o que iremos fazer ao deixar o escritório.

 

Com frequência, nosso corpo está em um lugar e nossa mente e coração, em outro. Se conseguíssemos nos concentrar apenas no que estamos fazendo, se aprendêssemos a maximizar nosso tempo e viver no presente, nossa vida se tornaria muito mais dotada de objetivo e tão mais eficaz.

 

O Rebe de Lubavitch contou uma história sobre seu sogro, o Rabi Yossef Yitzhak Schneerson, o Lubavitcher Rebe anterior, que esclarece bem esse conceito:

 

Assim contou o Rebe:

 

Naquela época meu sogro vivia em Leningrado e tinha planejado uma viagem a Moscou. Seu trem deveria partir dentro de meia hora.

 

Isso foi durante o período que os comunistas haviam declarado guerra contra a religião e, em particular, contra o empenho de meu sogro em promover o judaísmo.

 

Ele era seguido onde quer que fosse e se espalhara a notícia de que o Governo estava pronto para detê-lo, a qualquer custo.

 

Quando entrei na sala, fiquei surpreendido ao ver que, apesar de seu trem estar programado para partir dentro em pouco, ele estava perfeitamente composto, trabalhando em sua mesa, totalmente despreocupado com o perigo iminente.

 

Perguntei a ele: ‘Como consegue ter tanto autocontrole em uma hora dessas?

 

Ele me contou que seu pai lhe contou uma vez, de algo chamado de ‘sucesso com o tempo’.

 

O que isso quer dizer? perguntei. Ele explicou: ‘Você não pode adicionar mais horas ao dia; então, quando está envolvido em uma atividade, deve estar totalmente focado nela, como se nada existisse antes ou depois dela”.

 

Viver dessa maneira, concentrados no presente e naquilo em que estivermos envolvidos, não significa que não nos estamos preparando ou não estamos fazendo planos para o futuro

 

E também não quer dizer que esquecemos ou não aprendemos do passado.

 

Viver no presente não significa levar uma vida irresponsável ou descuidada. Bem ao contrário, significa levar uma vida mais intensa, livre de fantasias e remorsos.

 

Significa se esforçar para atingir “sucesso com o tempo”, que leva ao crescimento genuíno – a uma vida produtiva e rica em conteúdo, na qual cada dia e cada hora do dia são bem aproveitados.

 

Os dias de cada ser humano devem ser “como os dias de uma árvore”– de incessante e frutífera vitalidade.

 

Devemos realmente aprender com as árvores: se olharmos para o que restou de uma árvore cortada, podemos ver pequenos brotos verdes dos galhos.

 

O que parece morto, na verdade contém uma seiva vital que irrompe com força: uma folhinha nova, um novo galho.

 

A árvore cresce, mesmo que tenha sido derrubada, porque ela não lamenta o passado nem se permite ficar paralisada, preocupada se crescerá ou não no futuro.

 

Simplesmente segue seu ritmo de crescimento e, no momento certo, dá os frutos

 

Há uma outra vantagem em se viver a vida como uma árvore do campo: é o fato de podermos desfrutar as diferentes fases da vida e as vantagens que oferecem, cada uma delas.

 

Quando se vive no presente, não se é aprisionado na armadilha do tempo: é possível desfrutar os benefícios únicos de cada uma das fases da vida , infância, adolescência, idade adulta e velhice.

 

Aqueles que tentam driblar esse processo viajando no tempo, seja no passado ou no futuro, geralmente não levam vidas muito produtivas e saudáveis.

 

Por outro lado, aqueles que vivem como nos aconselha a Torá – entendendo que independentemente da idade da pessoa ou de sua situação, cada dia tem seu propósito e D’us espera que façamos bom uso do tempo que Ele nos dá na Terra, geralmente levam uma vida justa e rica, deixando ao mundo um legado de muito significado.

 

E esta é uma das principais lições de Tu b’Shvat.

 

O Novo Ano das Árvores é, também, um Ano Novo para os homens, pois oferece a todos nós um novo começo: a oportunidade de começar a vida de novo.

 

Vamos tentar, então, individual e coletivamente, ser árvores do campo, nos empenhando em ter “sucesso com o tempo”, e crescer incessantemente e produzir muitos frutos bons em todas as facetas de nossa vida, seja física seja espiritualmente.

 

Rabino Gloiber

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Tú Bishvat nas Sefirót

Rabi Moisés de Leon, cabalista espanhol do século XIII, escreveu: ‘As dez sefirot são o segredo da existência, o aparato da sabedoria, o meio pelo qual os mundos de cima e de baixo foram criados.

 

Segundo o Zohar, D´us deu forma e conteúdo à Sua Criação através das dez sefirot.

 

Toda a realidade, tanto espiritual quanto material, é criada por meio destas Sefirót que são vistas como “forças fundamentais”, “recipientes” da atividade de D´us.

 

As sefirot são “canais” através dos quais a energia Divina flui, se revela e se torna parte de cada coisa que existe, criando assim uma “corrente espiritual” que liga e vivifica todas as coisas, revelando nelas a Essência Divina.

 

As leis que regem o fluxo destas energias foram estabelecidas durante o processo da Criação, que pode ser vista como uma progressiva transformação de níveis de energia espiritual.

 

Nesta progressiva transformação, foram criados universos espirituais, sendo o nosso mundo o último desta corrente.

 

Em nosso mundo, a Luz está mais afastada da sua Fonte Divina, portanto D´us está mais “escondido” de nós e, por isso, este mundo é espiritualmente inferior aos outros.

 

Mas, ao mesmo tempo, é superior por ser a meta e o fim da Criação Divina.

 

Nele, o homem -única criatura com livre arbítrio – pode afetar, por meio de suas ações, o fluxo das Energias Divinas, criando mudanças de grande proporções em outros mundos.

 

Com isto poderá aperfeiçoar o Cosmo e fazer com que a Criação vá aproximando-se de sua meta Divina.

 

Nos textos cabalísticos podemos encontrar enumeradas onze sefirot. No entanto, como duas destas – Keter e Da’at – representam dimensões diferentes de uma mesma força, quando uma se revela a outra se oculta e elas continuam sempre sendo dez sefirot.

 

O Zohar, a obra central da Cabalá, de autoria do Rabi Shimon Bar Yohai escrito há 2.000 avisa atrás e, mais tarde, as escrituras do Ari aKadosh, estão centradas nas Sefirót.

 

Seu conceito aparece em outras obras como o Sefer Yetsirá, atribuída ao patriarca Abraão, e o Sefer a-Bahir de autoria de Rabi Ne’hunia ben a-Kana.

 

As sefirot parecem estar envolvidas em um mistério, de difícil compreensão, já que além de serem puramente espirituais, possuem inúmeros e complexos níveis de significado, inúmeras interpretações e implicações.

 

Podemos até vislumbrar como agem, mas só alguns sábios espiritualmente elevados, verdadeiros mestres da Torá, chegam a compreender sua essência e seus segredos.

 

Por que, então, estudar ou se preocupar com assunto tão indecifrável?

 

Porque, como escreveu Rabi Moisés de Leon, as sefirot são o segredo da existência e de nós mesmos, o segredo de como nos aperfeiçoamos, aperfeiçoando, ao mesmo tempo, o mundo à nossa volta.

 

O que é uma Sefirá?

 

Cada Sefirá  é um modo ou um poder específico através do qual D’us governa e mantém o Universo. Por isso, as sefirot podem ser consideradas como “atributos” ou “qualidades”, ou ainda, “vestimentas” Divinas.

 

Quando pedimos a D´us que use conosco de Sua Bondade Absoluta e nos abençoe com a Sua Abundância, estamos pedindo para que Ele se releve através do atributo da sefirá Hessed.

 

Podemos dizer que as Sefirót são a “matéria-prima” do Cosmo, o “código genético” que pode ser identificado em todos os níveis e dentro de todos os aspectos da Criação.

 

Tudo o que foi criado – do mais espiritual ao mais material, do maior ao menor – toma forma através das Sefirót.

 

Segundo nossos sábios místicos, por este motivo elas constituem o paradigma conceitual para se entender a Criação.

 

O Rabi Itzhak Luria, o Ari a Kadosh, afirmava que as Sefirót são “tanto os instrumentos que D´us usa para dirigir o mundo, quanto as janelas através das quais podemos perceber o Divino”.

 

A palavra Sefirá é relacionada com várias palavras hebraicas. Significa revelar ou se comunicar; Sapir, safira, brilho ou luminárias; Safar, contagem, número, e também com Sefar, que significa limite, fronteira.

 

Em sua essência, todas estas palavras têm conceitos inter-relacionados e apontam para duas funções básicas das Sefirót.

 

Em primeiro lugar são “luzes” (orot). A luz de uma sefirá é o fluxo de energia Divina que está em seu interior e serve para revelar ou expressar a grandiosidade Divina.

 

Em segundo lugar são “vasos” ou “recipientes” (kelim) que “filtram” ou “revestem” a Luz Infinita que as preenche.

 

Trazem esta Luz desde a Fonte de Todas as Fontes, Raiz de todas as Raízes, D´us Infinito, o Ein Sof, até nosso mundo finito.

 

Sem estes “filtros” ou “vestimentas” a Criação seria totalmente dominada pela Luz Divina. Em sua trajetória espiritual, a Luz vai diminuindo, possibilitando que a Criação se aproxime do Criador.

 

Para tentar entender estes conceitos, pensemos por um instante no sol, uma das menores estrelas criadas por D´us neste universo.

 

Apesar de posicionado a milhões de quilômetros da Terra, sua energia nos dá luz e calor indispensáveis. Mas, se tentarmos fitá-lo, sem proteção, sua luz nos cegará.

 

Imaginemos uma nave espacial tentando aproximar-se do sol. O calor e a energia a aniquilariam !

 

Do ponto de vista humano, as Sefirót podem parecer possuir existência múltipla e independente. Uma Sefirá representa a força e o poder do julgamento rigoroso; outra, a bondade e o amor; outra, a misericórdia e assim por diante.

 

Mas as Sefirót e o Ein Sof formam uma unidade, uma existência única.

 

Rabi Moshe Cordovero, cabalista do século XV escreveu a este respeito: “Para te ajudar a entender o processo da emanação dasSefirót, imagine a água escorrendo por vasos de diferentes cores: branco, vermelho, verde e assim por diante.

 

À medida em que a água se espalha nesses vasos, parece adquirir a cor do vaso, embora seja desprovida de cor.

 

A mudança na cor não afeta a água em si, mas apenas a nossa percepção.

 

O mesmo acontece com asSefirót. A essência não muda; só parece mudar quando escorre dentro dos vasos “.

 

De onde vêm? O processo de emanação

 

Numa interpretação mística, o primeiro capítulo de Gênese, ao relatar a Criação, descreve um início, o mais primordial: revela o processo da saída de D’us das profundezas Dele mesmo e a emanação das dez Sefirót.

 

Ou seja, sua emergência de dentro do Ein Sof, D´us Infinito.

 

Para se referir a D’us os cabalistas mais antigos usaram o termo Ein Sof, que significa literalmente “Infinito” ou “Aquele que não tem fim nem limite”.

 

Um dos axiomas básicos da Cabala é que o homem não tem meios de entender D´us, Infinito e Imutável, nem tão pouco os Seus motivos.

 

Porém, apesar de D’us ser ilimitado e oculto, Ele se revela a nós parcialmente – e na medida em que cada um de nós pode reconhecer o Seu poder e a Sua existência – através da Criação e das dez Sefirót.

 

Em contraste com D’us “personalizado” pelas Sefirót, Ein Sof representa a transcendência absoluta de D’us, a essência Divina acima do nível das Sefirót.

 

Segundo o Ari a Kadosh, “no início do início” a Luz de D’us Infinito, Or Ein Sof, preenchia toda a realidade, pois D’us é a própria Realidade, sem início e sem fim.

 

Nada havia além da Luz Divina, pois nada pode manter sua própria existência dentro do Ein Sof.

 

Para que o universo passasse a existir como entidade independente, D’us Se “ocultou” cedendo espaço para a Sua Criação.

 

Esta ação não diminui, de modo algum, a Perfeição Divina. Este conceito de ocultamento da Luz Divina é chamado nos textos cabalísticos de tzimtzum (contração) que na verdade não é uma contração mas sim uma ocultação.

 

Esta “ocultação” resultou no aparecimento de um “espaço” vazio, um “vácuo”, um “ponto” no qual o universo passou então a existir.

 

Rabi Haim Vital, cabalista e discípulo do Ari, ao explicar o processo dessa ocultação Divina, tzimtzum, dá o seguinte exemplo:

 

“A Luz retirou-se como a água de uma lagoa quando agitada por uma pedra. Quando a pedra cai na lagoa, a água que está naquele exato lugar não desaparece, mas se afasta, incorporando-se ao restante. Desta forma, a Luz retraída convergiu-se para o além e no meio ficou o vácuo”.

 

No vácuo primordial criado por este tzimtzum passou a existir a ausência da Luz, a escuridão primordial. Neste “vácuo”, D’us emanou um “fio de Luz” que serviu de “condutor” da Luz Divina finita.

 

A revelação inicial dentro do “vazio” primordial é a revelação da Luz. Em Gênese, a primeira declaração explícita da Criação foi: “D’us disse: Seja luz e a luz surgiu”.

 

A partir deste “fio” de Luz, as dez Sefirót emanam de forma sucessiva e em ordem específica.

 

É através delas que D’us – por Sua vontade – limita Sua Luz e manifesta qualidades específicas que Suas criaturas podem apreender e absorver.

 

De uma forma simplificada, no decorrer do processo de emanação das sefirot são criados mundos- olamot, espirituais.

 

O primeiro é chamado de “Adam Kadmon” é completamente ligado e unido ao Ein Sof, na realidade não poderia ser chamado de mundo. Lá as dez Sefirót são uma Luz só em um”receptáculo só.

 

Abaixo daquele nível se revela o Olam a Akudim no qual as dez Sefirót já se revelam separadamente mas em um único receptáculo.

 

Abaixo desse nível se revela o Olam a Nekudim onde as dez Sefirót já se revelam por meio de dez receptáculos diferentes mas sem nenhuma sincronização entre eles.

 

Segue-se o Atzilut, o mundo da emanação; Beriyá, da criação, Yetzirá, da formação, e, por último, Assiyá, o mundo da ação no qual vivemos que fora o fato de ele ser um mundo espiritual ele também tem um lado material que é onde nos encontramos.

 

As Dez Emanações Divinas

 

Apesar de D’us ter-Se “ocultado”, continua intimamente conectado à Sua Criação, porque sem Ele nada existe.

 

Como vimos, agindo como um canal de ligação entre D’us e Sua Criação, as Sefirót permitem a D’us , Infinito e Ilimitado, interagir com Sua Criação, finita e limitada.

 

É através delas que o Ser Absoluto se revela e se conecta com Sua Criação.

 

A simples relação de seus nomes não vai transmitir adequadamente sua essência.

 

Além disso, temos que ter em mente que as imagens e símbolos são usados apenas para nossa compreensão, pois não expressam o mistério da Criação e tem que ter cuidado ao abstrair os conceitos.

 

A configuração gráfica das Sefirót, em textos cabalísticos, é uma composição vertical ao longo de três eixos paralelos.

 

Textos cabalísticos usam vários nomes quando referem-se à elas: uma árvore (etz), uma escada (sulam) ou a “imagem celestial de D´us” – (tzelem Elokim).

 

Neste caso a configuração lembra um corpo humano. Segue-se a ordem de emanação das sefirot:

Keter, coroa – representa a onipotência e onipresença de D’us ; a Vontade Divina Absoluta; a Soberania e Autoridade de D’us sobre todas as forças da Criação. É a primeira e mais elevada das sefirot e está além de qualquer compreensão. De tão inexprimível, às vezes nem é incluída entre as dezSefirót. É a mais próxima da Fonte Divina, é a base de toda a Criação. Keter transcende as leis que governam o universo, pois estas só passam a existir após a emanação das Sefirótde ‘Ho’hmá e Biná. A Cabalá refere-se a esta Sefirá como o “mundo da Misericórdia”.

 

‘Ho’hmá, sabedoria – é o pensamento puro que D’us utiliza para o funcionamento do universo.

 

É o poder da Luz Original, a força primordial usada para criar os céus e a terra. ‘Ho’hmá é a inspiração inicial da qual o tudo desencadeou.

 

É vista como “a planta” usada para a criação do universo físico e espiritual, pois contém – potencialmente – todas as leis que vão reger a Criação e os axiomas que determinam como essas leis funcionam.

 

É a raiz dos elementos espirituais: fogo, água, terra e ar. Sua essência é também incompreensível para nós.

 

Biná, entendimento, a compreensão, a lógica. Com sua emanação, é criado o sistema lógico pelo qual os axiomas de ‘Ho’hmá são delineados e definidos.

 

É através da Biná que podemos começar a entender os axiomas tanto da Criação quanto do nosso próprio ser.

 

Da’at, conscientização, conhecimento, a “lógica aplicada” de modo diferente das duas anteriores.

 

Não é apenas o acúmulo, mas também a soma de tudo o que é conhecido. É a capacidade de juntar as informações básicas e fazê-las funcionar logicamente.

 

Quando Keter se manifesta, D’aat se oculta, já que são manifestações interna e externa, respectivamente, da mesma força.

 

‘Hessed, graça, amor e bondade que nos beneficiam; a grandeza (Guedulá) do amor.

 

Esta sefirá representa o dar incondicional, o altruísmo, o impulso incontrolável de expansão. É D’us dando-se às Suas criaturas de forma irrestrita, abrindo todas as portas da Sua Abundância. D’us usou este atributo como o instrumento supremo no processo da Criação.

 

Guevurá – poder, justiça, o julgamento severo (Din); as forças para disciplinar a criação. Guevurá representa a contração, a restrição, a criação de barreiras. A “auto-limitação” Divina foi indispensável para a criação do Cosmo. A Cabalá se refere a esta como midat hadin, a medida ou atributo do julgamento, do rigor.

 

Esta sefirá direciona a energia espiritual para atingir uma meta específica. É a força que permite o controle para podermos vencer tanto nossos inimigos internos quanto os externos.

 

Tiferet, beleza, no sentido da harmonia. É a combinação da harmonia e da verdade, dando espaço para a compaixão. Esta sefirá está associada com o poder de conciliar as inclinações conflitantes de ‘Hessed e Guevurá, para que haja compaixão. Na Cabalá é designada como midat a ra’hamim, “o atributo da misericórdia”. A alma do homem emana desta sefirá pela união desta qualidade com Mal’hut, o corpo.

 

Netza’h, vitória, eternidade, resistência. Esta sefirá representa a imposição Divina. É o domínio, a conquista ou a capacidade de vencer. Representa o motivo primeiro da Criação: a capacidade de vencer o mal.

 

Od, esplendor, empatia. Esta sefirá permite que o poder e energia repassados sejam apropriados e aceitáveis a quem os recebe.

 

É responsável pela criação dentro de uma relação do espaço deixado para o outro. A qualidade espiritual de Od salienta o atributo da humildade e reconhecimento. Od representa também a submissão que permite a existência do mal.

 

Yessod, fundação; alicerce representa a reciprocidade ideal numa relação. É o meio de comunicação, o veículo de transporte de uma condição para outra.

 

Representa o lugar do prazer espiritual e físico; o vínculo mais poderoso que pode existir entre dois indivíduos, assim como entre o homem e D’us: a aliança entre D’us e Israel: o Brit Milá.

 

Mal’huthut, reinado. É a She’hiná, o aspecto imanente de D’us neste mundo. É o mundo revelado onde o potencial latente é concretizado. É o poder que D’us nos deu de receber Dele.

 

Como símbolo do receber, esta sefirá é caracterizada como aquela que não tem nada próprio. É um keli, um mero recipiente. Mal’hut é o último elemento de uma corrente que se inicia na Vontade Divina e encontra sua realização neste mundo. Aquele que recebe pode dar de volta, tornando-se além de receptor, um doador.

 

As Sefirót são refletidas no homem e desta forma o homem compartilha o Divino. A pessoa que somos é determinada pelas sefirot no mundo da ação, pois são as bases de nossa personalidade individual. O “cabo condutor” ou o canal através do qual estas se manifestam, é a nossa Alma.

 

בקבלת האר”י, שבעת המינים שנשתבחה בהם ארץ ישראל מקבילים לשבע הספירות התחתונות (חג”ת-נהי”ם), המייצגות את ההנהגה האלוהית בעולם

 

. המינים מסודרים על פי סדר השתלשלות הספירות, כאשר החיטה, השעורה והגפן מקבילות לראשונות (חב”ד – חכמה, בינה, דעת), והתאנה, הרימון, הזית והתמר כנגד הנהי”ם (נצח, הוד, יסוד, מלכות).

ההקבלות המקובלות לפי מכון גל עיני ומשנת האר”י הן:

חיטה: חכמה

שעורה: בינה

גפן (יין): דעת

תאנה: חסד

רימון: גבורה

זית: תפארת

תמר (דבש): נצח/הוד/יסוד/מלכות (המייצגים את כוחות הפעולה וההוצאה לפועל)

חלוקה זו משקפת את ההתעלות הרוחנית של פירות הארץ, כאשר כל פרי משפיע אנרגיה רוחנית מסוג מסוים על

המציאות.

Delegando as nossas funções para salvar a nossa própria vida


Ytro

Nossa Parashá nos conta que Ytró, o sogro de Moshe , levou sua filha Tzipora junto com os dois filhos dela para Moshe no deserto.

 

Porque Ytró teve que se arriscar dessa maneira e não podia esperar Moshe vir pessoalmente buscar sua família?

 

O Ari Zal nos conta que Ytró era a reencarnação de Caim e Moshe era a reencarnação de Abel. A Torá nos conta que Caim teve um filho com sua esposa e o chamou de ‘Hano’h.

 

Quem era essa esposa que a Torá não conta de onde ela nasceu ? E claro que ela não era sua própria mãe!

 

Quando a Torá nos conta sobre o nascimento de Caim e Abel aparece três vezes a palavra “et”. O Midrash decifra disso que junto com Caim nasceu uma irmã gêmea e com Abel nasceram duas e elas seriam as futuras esposas deles.

 

Caim ficou indignado por ter uma esposa só enquanto seu irmão teria duas , encontrou um motivo para briga justificando como sendo por um assunto religioso (de seu korban não ter sido aceito) e terminou assassinando seu irmão por achar que não tem no mundo nem lei e nem juiz e que nada vai acontecer por causa disso.

 

Os três se reencarnam novamente. Caim é Ytró, Abel é Moshe, e aquela gêmea, pivô da briga entre eles é Tzipora.

 

Por isso Ytró tinha que tomar a iniciativa de ele levar Tzipora para Moshe, porque esse era o “Tikun” (conserto) da alma de Caim, devolver a “gêmea” e salvar o “irmão” para consertar o fato de tê-lo assassinado por causa dela.

 

Ytró leva Tzipora para Moshe e por meio de seus conselhos salva a vida de Moshe de um infarto por stress delegando o trabalho de Moshe à milhares de juízes e construindo uma estrutura de governo jamais vista antes.

 

Sendo que Caim tinha assassinado Abel porque achava que o mundo não tem um juiz , essa parte da Torá que é chamada “Parashat a Dayanim” (“a Parashá dos juízes”) teve que chegar à nós por meio de Ytró, e assim ele “acrescentou” uma Parashá na Torá.

 

Aprendemos daqui um ensinamento muito importante:

 

Se até o próprio Moshe poderia ter terminado sua vida de maneira fatal por ter centralizado tudo envolta de si próprio , e foi salvo por Ytró que fez ele delegar seu trabalho à pessoas adequadas para essa função mesmo não sendo tão adequadas como ele próprio era , quanto mais nós, que muitas vezes encontramos pessoas muito mais adequadas do que nós para delegar funções de muito menos responsabilidade do que era a deles !

 

Então, vamos começar a nossa “descentralização” e salvar nossas próprias vidas!

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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A Parashá da Minha Vida 🌻 Beshala’h

 

 

https://mailchi.mp/1688981096e6/beshalah?e=90a515baf2

 

Para facilitar para vocês a leitura das palavras hebraicas estamos desenvolvendo um novo método de transliteração para a língua portuguesa.

 

Estamos usando a letra ‘H com um apóstrofo no lugar do RR em português e a letra A no lugar da letra H em português.

 

פָּרָשַׁת בְּשַׁלַּח

 

 

BESHALA’H

 

Nossa Parashá nos conta sobre o cântico de agradecimento que Moshe e o povo de Israel cantaram para AShem (D’us).

 

No lugar de nos contar que Moshe e o povo de Israel cantaram um cântico para AShem (D’us), a linguagem do versículo é de que Moshe “vai cantar” um cântico.

 

O Zohar nos conta que esse versículo está nos revelando que Moshe ressuscitará e cantará novamente este cântico em nossa redenção final.

 

A Ressurreição dos mortos

 

A indicação da ressurreição dos mortos na Torá é discutida longamente pelos nossos Sábios na Guemará.

 

Vários versículos são citados como fonte para isso, como por exemplo o versículo [במדבר יח כח]: “E você dará a Trumá, a doação de AShem (D’us), para Aharon o Cohen (o sacerdote)”. Aqui vemos uma alusão à esse assunto.

 

A categoria de Mandamentos Divinos ligados à Terra de Israel começou somente depois que a terra foi conquistada e dividida. Nessa época, Aharon já havia falecido e não estava entre os que entraram nela.

 

Aprendemos desse versículo que ele ressuscitará e entrará na Terra Santa, e lá daremos à ele as doações que AShem pediu para darmos aos Cohanim (aos sacerdotes).

 

No versículo (שמות פרק ו) “e também estabeleci a minha aliança com eles para dar à eles a terra de Canaã, a terra onde eles moraram e que nela eles habitavam”. Esse versículo está falando sobre nossos patriarcas.

 

A Terra de Israel foi dada à seus filhos e não teria como ser dada à eles, sendo que eles já tinham falecido.

 

Aprendemos daqui que eles vão ressuscitar e receber a terra que AShem prometeu.

 

No versículo [.וילך לא, טז.] AShem (D’us) diz à Moshe: “Você vai se deitar com os seus pais e se levantará…”. Aqui também a Torá nos dá uma indicação sobre a ressurreição dos mortos.

 

“No versículos [עקב יא, כא.]: “Para que os seus dias e os dias dos seus filhos sejam numerosos sobre a terra que D’us jurou para os seus ancestrais que dará para eles…”. AShem jurou que dará essa terra aos nossos patriarcas Avraham, Itzhak e Yaacov, e ela ainda não foi dada à eles, sendo que quando recebemos a Terra de Israel eles não estavam mais vivos.

 

. [דברים ד, ד] “No versículo “E vocês que estão apegados à AShem seu D’us, todos vocês estão vivos hoje”. Ou seja, vão ressuscitar todos

 

Na profecia de Yeshayahu (Isaías) 26/19 [ישעיה כו, יט.]: “Os mortos viverão…”

 

A Gemara também explica que a profecia dos “ossos secos” [יחזקאל לז] profetizada pelo profeta Ye’hezkel (Ezequiel), é uma profecia explícita sobre o ressurreição dos mortos.

 

O profeta Daniel também foi informado por D’us sobre a ressurreição dos mortos, como diz o versículo (Daniel 12, 2-13) “E muitos do pó da terra se levantarão…”

 

O Rambam no seu livro “Ressurreição dos Mortos” e o Rav Saadia Gaon viram esses versículos como fonte clara da ressurreição dos mortos.

 

No versículos do Tehilim [ עב, טז ] “E brotarão da cidade (de Jerusalém) como a grama-da-terra”. Por meio desse versículo, o Rei David nos indica a ressurreição.

 

A crença na ressurreição dos mortos é um dos 13 princípios da fé judaica.

 

O Rebe nos conta que a ressurreição dos mortos vai acontecer após a construção do Terceiro Templo, e após todos os judeus do mundo retornarem à Terra Santa, não conforme as fronteiras de hoje, mas segundo as fronteiras dela determinadas pela Torá.

 

Esse retorno inclui o retorno das dez tribos perdidas e também de todos os judeus que estão misturados com os povos do mundo como consequência das cruzadas, da inquisição e da assimilação.

 

Conforme o Rambam, a ressurreição dos mortos ocorrerá na segunda fase de Gueulá, no segundo período da nossa redenção final.

 

Também o Zohar explica que a volta de todos os judeus espalhados pelo mundo vai anteceder a ressurreição dos mortos em quarenta anos.

 

Nosso Rebe afirma que isso pode acontecer imediatamente no início da redenção.

 

Em relação às palavras do Zohar, diz o Rebe que dependendo dos nossos méritos os quarenta anos também podem se tornar quarenta minutos.

 

Como isso pode acontecer?

 

Nós não temos como saber, mas o profeta Eliahu que estará nessa ocasião vai explicar como foi possível receber esse desconto tão grande (depois de ele acontecer).

 

Esse tempo de ressurreição de quarenta anos após a construção do Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém, e a volta de todos os judeus perdidos, é para todo o povo de Israel.

 

Mas nossos Sábios na Guemará nos contam que os Tzadikim, que são as pessoas altamente elevadas espiritualmente, irão ressuscitar imediatamente no início da era do Mashia’h.

 

O Rebe acrescenta que isso inclui todo o povo de Israel, sendo que todo o nosso povo é chamado pelo profeta Yeshaiahu [ישעיה כא] de Tzadikim.

 

QUEM VAI RESSUSCITAR PRIMEIRO?

 

Rabi Shimon bar Yohai nos conta que as pessoas enterradas na Terra Santa vão ressuscitar primeiro.

 

Depois deles vão ressuscitar todos aqueles do nosso povo que estão enterrados fora da nossa terra, e por final os nossos patriarcas ressuscitarão.

 

O motivo de nossos patriarcas e nossas matriarcas ressuscitarem por último, é para que eles tenham a alegria de ver nessa hora toda a terra cheia de Tzadikim e Hassidim.

 

O Zohar nos conta que os Tzadikim ressuscitarão primeiro e depois todas as outras pessoas.

 

Aqueles que se destacaram no estudo da Torá ressuscitarão antes daqueles que se destacaram no cumprimento das Mitzvot, mas aqueles que eram humildes ressuscitarão antes de todos.

 

Nosso próprio corpo será ressuscitado e não será criado um novo corpo, sendo que cada um de nós tem um osso microscópico indestrutível chamado de “etzem luz” que a partir dele nosso corpo ressuscita.

 

Os mortos ressuscitarão exatamente como foram sepultados, e com as mesmas roupas que foram sepultados, mesmo que já tenham há tempo desaparecido.

 

Aqueles que faleceram com alguma deformidade ressuscitarão daquela forma, mas imediatamente serão totalmente curados e rejuvenescidos.

 

Almas que se reencarnaram neste mundo várias vezes ressuscitarão com cada um dos corpos em que essa Alma se reencarnou. Cada corpo recebe uma “parte” da Alma, que foi retificada por ele.

 

O QUE ACONTECERÁ NO MOMENTO DA RESSURREIÇÃO COM AS PESSOAS QUE AINDA ESTARÃO VIVAS NAQUELA HORA?

 

Segundo a opinião do Zohar AShem fará com que cada uma dessas pessoas morra por um curto período, e então elas serão ressuscitadas.

 

Baseado no versículo [בראשית ג, יט] que diz: “ao pó você retornará” a Gemara nos ensina que os Tzadikim retornarão ao pó “uma hora antes da ressurreição dos mortos”.

 

Mas o Rebe afirma que podemos cumprir essa obrigação de “ao pó você retornará” de maneira espiritual.

 

Por meio da qualidade da humildade atingimos o nível de “e minha alma é como pó para todos”.

 

Na prática, as almas permanecerão nos corpos e entrarão na vida eterna sem precisar morrer e ressuscitar materialmente.

 

O “DIA DO JUÍZO FINAL” APÓS A RESSURREIÇÃO

 

O Ari Zal nos conta que o Dia do Grande Julgamento é apenas para as nações do mundo.

 

Diz o Ari Zal que após termos passados em vida pelo dia de Yom Kipur todo ano, e também pelo fato de termos passados por sofrimentos neste mundo e reencarnações para retificar a nossa Alma, estamos totalmente retificados e portanto isentos do “dia do juízo final”.

 

E o que acontecerá para aqueles judeus que estarão vivendo próximo à ressurreição dos mortos e não terão tempo de sofrer ou para retificar suas transgressões por meio de reencarnações?

 

Diz o Ari Zal que durante aquele longo tempo do grande julgamento em que os povos do mundo serão julgados, aqueles judeus talvez recebam um castigo tão grande em um espaço de tempo tão curto que a qualidade do castigo substituirá a quantidade de tempo, e isso para que eles possam viver uma vida eterna com todos os seus infinitos prazeres.

 

A PRINCIPAL RECOMPENSA E O PROPÓSITO DA CRIAÇÃO

 

A ressurreição é o momento em que o mundo alcançará seu pleno propósito.

 

Nesse período, o propósito da criação será concluído, como diz o Midrash: “Fazer uma morada para AShem (D’us) aqui nesse mundo baixo”.

 

Uma hora no Gan Éden a Ta’hton, no baixo Paraíso que é o mundo de Yetzirá, equivale a setenta anos dos maiores prazeres possíveis e imagináveis aqui neste mundo.

 

Uma hora no Gan Éden a Elion, no alto Paraíso que é o mundo da Briá, equivale a setenta anos dos maiores prazeres no Gan Éden a Ta’hton.

 

Acima disso se encontra o mundo de Atzilut, e o nível mais alto dele que é o Keter de Atzilut está acima da raiz da nossa Alma.

 

Por meio do trabalho Divino que fizemos nesse mundo, trouxemos as “luzes envolventes” do Keter para cá, e no futuro tudo isso vai se revelar, fazendo com que esse nosso mundo material se torne mais alto Paraíso do que o próprio alto Paraíso.

 

Por causa disso, todos os Tzadikim do Gan Éden a Elion, do alto Paraíso, vão querer ressuscitar aqui nesse mundo.

 

O mundo atual é o trabalho e o mundo da ressurreição é o pagamento por esse trabalho.

 

Vamos rezar forte e fazer tudo o que pudermos para que tudo isso aconteça o mais rápido possível, em breve, em nossos dias!

 

 

Shabat Shalom

 

Rabino Gloiber

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D’us tem um prazer enorme em ouvir as nossas rezas

Nossa Parashá nos conta sobre a Shirá, a música que o nosso povo fez para AShem (D’us) quando viram que estavam salvos totalmente dos egípcios.

 

O Maguid de Mezritch nos contou que AShem (D’us) tem um prazer enorme em ouvir as nossas rezas.

 

O Maguid deu um exemplo de um grande Rei que tinha um passarinho que falava e o rei ficava muito alegre em ouvir o passarinho falar.

 

Mesmo que o rei tinha ministros e côrte que falavam com muito mais erudição do que o passarinho, ele ficava muito mais feliz em ouvir o passarinho falar , porque um ser humano falando é uma coisa normal mas um passarinho falando é uma coisa fantástica!

 

Dessa mesma maneira, diz o Maguid, lá encima existem infinitos anjos que cantam muito bonito , mas nós somos o passarinho que fala!

 

Uma Alma Divina dentro de uma alma animal dentro de um corpo material , isso “faz a diferença” lá encima.

 

Então quando rezamos temos que nos lembrar que AShem está prestando muita atenção em cada palavra que falamos, mesmo se falamos um pouco errado, e tem um prazer enorme em nos ouvir.

 

🌻🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta sobre o Man.

 

O povo de Israel saiu do Egito com a comida que eles conseguiram carregar , mas na hora que a comida acabou , nessa hora ela começou a cair do céu !

 

Quando chegaram no “fim do caminho” o mar se abriu e quando a comida acabou ela começou a cair do céu nos ensinando que no judaísmo não existe “beco sem saída” !

 

Uma mãe está sempre cuidando das suas crianças, quanto mais AShem está sempre cuidando de nós e não nos esquece por aí!

 

Rabino Gloiber

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O maior de todos os Milagres

 

 

O maior dos milagres da saída do Egito  foi a abertura do mar vermelho.

 

A maior das atrocidades dos egípcios antigos contra nós foi jogar os meninos judeus no rio Nilo.

 

Na abertura do mar vermelho chegou a hora de eles receberem o castigo sobre o que eles tinham feito para nós “midá knegued midá”, medida por medida.

 

Ou seja, o que eles fizeram para nós, D’us fez para eles.

 

Nessa hora acontecem os maiores milagres.

 

Eles se esforçaram e correram para dentro do mar que se fechou sobre eles, mostrando que quando chega a hora de alguém receber um castigo lá de cima AShem não precisa trazer esse castigo até ele, mas ele próprio corre atrás da própria destruição e investe tudo o que pode para que isso aconteça!

 

Por natureza, a água em um lugar tão quente como o Egito escorre para baixo e nunca congela se tornando um túnel, mas na abertura do mar vermelho a água primeiro se transformou em muralhas de uma maneira sobrenatural e depois voltou a ser água sobre os egípcios, independente das condições climáticas, somente milagres!

 

Moshe e o povo de Israel vendo esse milagre tão grande fizeram uma Shirá, uma Tefilá de agradecimento em forma de música, e cantaram ela com muita alegria.

 

Nessa hora o povo inteiro se uniu ,mais um benefício da alegria , “quebra barreiras”

 

Essa Shirá se tornou parte da nossa reza de todos os dias.

 

No sidur do Shlá a Kadosh, Rabi Yeshaiau a Levi, um grande cabalista que nasceu em Praga em 1558, está escrito que temos que ler a Shirá na Tefilá com voz alta e com muita alegria porque assim o nosso povo falou a Shirá nas margens do mar vermelho.

 

E  o principal:

 

temos que imaginar nesse momento como se nós próprios estivéssemos saindo do Egito nesse instante.

 

🌻🌻🌻🌻

 

Está escrito no Zohar que o nosso mundo, o mais baixo, recebe tudo lá de cima, e se aqui em baixo estamos reluzindo de alegria nos sincronizamos com a alegria lá de cima.

 

E por causa disso AShem nos dá aqui em baixo todos os motivos para ficarmos reluzentes de alegria de verdade com muita fartura e prosperidade.

 

Ou seja, quando estamos alegres aqui em baixo trazemos para este mundo a alegria lá de cima e tudo fica bom de verdade.

 

Nossa Parashá nos conta sobre a Shirá que foi a música de agradecimento que nossos antepassados fizeram para AShem por nos ter tirado do Egito e de todos os nossos sofrimentos,

 

Pegamos na Shirá o embalo para essa “muita alegria”, continuamos rezando com “muita alegria” e levamos essa “muita alegria” para todo o nosso dia “contagiando com ela todos à nossa volta, “fazendo a diferença”

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Venha ao faraó

 

Na nossa Parashá AShem diz à Moshe “Venha ao faraó…” Na Parashá anterior AShem diz à Moshe “Vá ao faraó… ” Porque a Torá usa duas linguagens diferentes aparentemente se referindo ao mesmo assunto?

 

 A explicação do Baal a Turim 

 

Rabeinu Yaacov ben Asher foi um grande Tzadik que nasceu no ano de 1269 na cidade de Colônia, que hoje pertence à Alemanha.

 

Rabeinu Yaacov é conhecido como “Baal a Turim” por causa da sua obra principal chamada de “Arbaá Turim”, dividido em quatro categorias, uma obra prima da literatura judaica que serviu como inspiração para Rabi Yossef Karo na configuração do código da legislação judaica, o Shul’han Aru’h שולחן ערוך.

 

Mesmo sendo mundialmente conhecido como um grande legislador da lei judaica, Rabi Yaacov ben Asher não aceitou trabalhar como rabino e optou por viver uma vida simples.

 

Naquela época os livros ainda eram escritos à mão e seu sogro que patrocinava os seus livros pediu para que ele escrevesse um livro que não fosse sobre legislação judaica, e assim ele escreveu uma explicação sobre a Torá que se tornou mundialmente conhecida como “Baal a Turim al a Torá”.

 

Hoje a explicação do Baal a Turim acompanha cada livro de Torá junto com a tradução da Torá para o aramaico escrita por Unkelus e a explicação de Rashi

 

O Baal a Turim explica na nossa Parashá que quando AShem dizia para Moshe ir à casa do faraó falar com ele é usada a expressão “Bô el Paró” (Venha ao faraó), e quando AShem dizia para Moshe ir ao faraó quando ele estava na água do rio Nilo é usada a expressão “Vá ao faraó” (até aqui a explicação do Baal a Turim)

 

Diz o Midrash que o faraó se fazia de divindade. Ele ia todas as manhãs para o rio Nilo fazer suas “necessidades” e dizia para todos que ele é um deus, e a prova disso era de que ele não precisava fazer essas “necessidades” como todos os seres humanos.

 

Com certeza quando Moshe se posicionava na frente dele nessa hora ele se sentia “desmascarado” e ficava intimidado, e por isso não havia a necessidade de uma proteção Divina adicional.

 

Mas quando ele ia ao palácio do faraó sobre o qual está escrito “Venha ao faraó porque eu endureci o seu coração e o coração de todos os seus servos… ” aí Moshe precisava de uma proteção adicional e por isso está escrito “Venha ao faraó”. Ou seja,AShem já está esperando Moshe lá para protegê-lo antes mesmo de ele vir.

 

Um exemplo disso vimos com o profeta Elishá. Certa vez o profeta Elishá visitou a cidade de Yerihó (Jericó).

 

Os habitantes da cidade contaram à ele que a cidade é” tudo de bom”, fora um pequeno grande detalhe: a água da cidade era insalubre e uma “máfia” dominava o comércio da água na cidade colocando em real risco de vida todo aquele que tentar concorrer com esse monopólio.

 

O profeta deu uma bênção para que as fontes da cidade se purificassem e toda a água da cidade virou água mineral.

 

Os jovens bandidos que lucravam com o desespero dos habitantes da cidade resolveram assassinar o profeta e o esperaram fora da cidade imaginando que esse “Homem de D’us” só pode fazer o bem e é um velho indefeso nas nas mãos deles.

 

Quando o profeta saiu da cidade eles os cercaram e disseram “Suba careca”, ou seja, vamos te fazer subir para o céu em uma carruagem de fogo como subiu seu mestre. Ou seja, chegou a sua hora.

 

O profeta virou para trás, olhou com o seu “Rua’h a Kodesh“, viu que deles não sairia coisa boa e os amaldiçoou com o nome de D’us.

 

Nessa hora aconteceu um grande milagre, e naquela cidade que é um oásis no deserto surgiu uma floresta. Da floresta saíram dois ursos que mataram os 42 jovens assassinos, e depois disso a floresta e os ursos desapareceram

 

Se AShem queria fazer um milagre para salvar o profeta dos assassinos, porque tinha que fazer surgir a floresta junto com os ursos? Aparentemente seria o suficiente surgirem os ursos.

 

Mas não, se o urso não está na própria floresta ele fica intimidado, para os ursos ficarem tão confiantes e atacarem 42 assassinos eles precisariam estar na floresta deles.

 

E assim também o faraó. No rio Nilo ele era um farsante pego no flagrante, mas no seu próprio palácio, cercado dos seus servos durões igual à ele, ele se torna um perigo muito maior. E por isso AShem diz para Moshe “Venha ao faraó”, venha para cá onde eu estou antes mesmo de você chegar para te proteger.

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Aprendendo com as pragas do Egito

Nossa Parashá nos conta sobre as últimas três pragas que AShem trouxe ao Egito.

 

Rav Ovadia Sforno foi um grande Rabino que viveu na Itália há 500 anos atrás. Ele dividiu as nove primeiras pragas em três grupos, um mais grave que o outro

 

Na primeira praga, quando o rio Nilo se transformou em sangue, os magos do Egito também conseguiram transformar água em sangue, o faraó voltou ao seu palácio sem pedir para Moshe rezar para AShem para tirar a praga, e a praga terminou por si só depois de uma semana causando um prejuízo financeiro enorme.

 

Na segunda praga, quando os sapos infestaram o Egito, o faraó mandou chamar Moshe e Aharon e disse para eles rezarem para AShem tirar essa praga

 

Moshe perguntou para o faraó “quando rezar para AShem tirar essa praga”,

 

Moshe disse isso para o faraó se conscientizar de que essas pragas não são acontecimentos naturais mas são fenômenos sobrenaturais . O faraó respondeu “amanhã”.

 

Qualquer pessoa normal em vista à uma dificuldade tão grande pediria para que a praga terminasse imediatamente. Por que então o faraó pediu para Moshe rezar para a praga terminar somente no dia seguinte?

 

Se o sofrimento estava tão grande a ponto de ele pedir pela primeira vez para Moshe rezar para AShem tirar a praga, porque de repente ele estaria disposto à sofrer mais um dia?

 

A esperteza do faraó

 

Que o faraó era uma pessoa ruim, em relação à isso não temos nenhuma dúvida, mas masoquista com certeza ele não era. Será que desse comportamento estranho poderíamos começar a questionar o nível de inteligência do faraó?

 

Muito pelo contrário!

 

Ele viu que a praga anterior tinha passado por si só depois de uma semana e deduziu que nesse caso poderia ser igual.

 

Sabia que Moshe, que foi criado pela sua própria filha Batya dentro do seu próprio palácio, é alguém que estudou muito, com certeza a filha do faraó trouxe para Moshe os melhores professores particulares

 

Sendo assim, talvez Moshe tenha se tornado um especialista em previsão de fenômenos naturais, e o fato de ele ter deixado em aberto o prazo para tirar a praga sabendo que o faraó está no desespero e vai pedir para tirar imediatamente, o motivo disso com certeza é que ele sabe que essa praga vai terminar agora por si só como a praga do sangue terminou por si só. Por isso ele pediu para Moshe rezar no dia seguinte

 

No outro dia Moshe rezou forte e só assim a praga terminou e não continuou por uma semana como a praga do sangue

 

Na praga dos piolhos ele não pediu para Moshe rezar para AShem tirar a praga, e ela também acabou por si só depois de uma semana

 

Na praga dos animais selvagens o faraó pediu para Moshe rezar para AShem tirar a praga. Moshe suplicou para AShem, rezou muito. AShem fez de acordo com o pedido de Moshe e os animais selvagens foram embora

 

Na praga da epidemia animal o faraó não pediu para Moshe rezar para AShem tirar a praga e ela terminou por si só depois de uma semana

 

Na praga da epidemia bulhosa o faraó não pediu para Moshe rezar para AShem tirar a praga e ela terminou por si só depois de uma semana

 

Na praga do granizo o faraó mandou chamar Moshe e Aharon e pediu para rezar para AShem tirar a praga. Moshe saiu da cidade, rezou para Hashem e a praga terminou

 

E aqui começa a nossa Parashá, com a praga dos gafanhotos.

 

Na praga dos gafanhotos, o faraó pediu para chamar urgentemente Moshe e Aharon e pediu para eles rezarem para AShem tirar a praga. Moshe rezou para AShem e a praga terminou

 

Na nona praga, a praga da escuridão, o faraó não pediu para Moshe rezar para AShem e a praga continuou

 

A décima praga já foi o castigo por tudo o que eles fizeram e esse castigo continua na próxima Parashá com o fechamento do mar sobre os egípcios com todos os seus detalhes

 

Cada uma dessas pragas foi a oportunidade que eles tiveram de fazer teshuvá, voltar para o bom caminho, e o sofrimento da praga seria no lugar do castigo.

 

Vimos aqui que algumas pragas foram interrompidas no meio pela Tefilá de Moshe Rabeinu

 

Rav Ovadia Sforno nos ensinou que cada uma dessas pragas era um aviso cada vez mais sério de que o castigo estava para chegar.

 

Sempre que o faraó pediu para Moshe rezar para a praga parar, Moshe rezou e a praga terminou antes da hora, e se o faraó deixasse de ser durão os sofrimentos terminariam e o castigo não aconteceria

 

Aprendemos daqui uma dica importante

 

De vez em quando vivemos em condições que nos lembram o Egito. Passamos por situações que nos lembram as pragas que aconteceram lá, e de vez em quando as pragas da nossa vida vão ficando cada vez tão piores em intensidade que até ficamos com saudades das pragas anteriores. O que fazer?

 

A solução para isso: Rezar!

 

E depois que a nossa reza for atendida e nos acalmarmos, aprender com o faraó que não devemos voltar atrás da teshuvá que fizemos quando estávamos no meio da praga, mas ao contrário!

 

Se até no meio da praga conseguimos fazer teshuvá, quanto mais quando a praga terminar antes do tempo por causa das nossas rezas

 

Então, vamos aprender com a Parashá! Rezar para a praga passar e fazer teshuvá para não entrar em uma praga pior depois!

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

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Como atrair para você Milagres Sobrenaturais

A Parashá da Minha Vida

🌻 Bô 🌻

 

Milagres tão sobrenaturais como as pragas do Egito só aconteceram uma vez na história.

 

Se tivéssemos o mérito aconteceriam de novo na saída do exílio da Babilônia na época dos persas

 

Mas sendo que não tínhamos todo esse mérito , AShem somente inspirou o rei da Pérsia para nos deixar sair do exílio e construir o segundo Beit a Mikdash

 

Mas milagres sobrenaturais muito maiores do que esses que aconteceram na sua do Egito vão acontecer na Gueulá em breve nos nossos dias!

 

O Ramban, Rabi Moshe Ben Na’hman, foi um grande Tzadik que nasceu em 1194 em Girona na Catalunha .

 

Ele nos explicou que o motivo de AShem ter feito somente uma vez esses milagres tão grandes e sobrenaturais foi para mostrar à todos que AShem dirige e renova o mundo cuidando de cada um de nós de uma maneira especial, não nos abandonando ao acaso.

 

Por meio da lembrança desses grandes milagres nós abrimos os olhos para ver os milagres do dia a dia , e essa é a base de toda a Torá , de vermos que tudo o que acontece na nossa vida são Milagres , e tudo depende das nossas atitudes!

 

Quando cumprimos os mandamentos Divinos, os milagres acontecem!

 

Então, vamos acrescentar no estudo da Torá e no cumprimento das Mitzvot e os milagres vão acontecer!!!

 

Rabino Gloiber

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