Bamidbar- No deserto

Bamidbar

Nossa Parashá nos conta que AShem (D’us) pediu para Moshe Rabeinu contar o povo de Israel.

 

Rashi explica que o motivo dessa contagem é o grande amor que AShem tem por nós.

 

Durante os quarenta anos que estávamos no deserto nosso povo foi contado três vezes.

 

A primeira vez foi quando saímos do Egito. Antes de recebermos a Torá no Monte Sinai, Moshê Rabeinu contou nosso povo, como diz o versículo: ” e o povo de Israel viajou de Ramsés à Sucot seiscentos mil homens andando, fora as crianças.

 

Porque Moshê fez esse senso? Para receberem a Torá. Como foi feita essa contagem não está explícito na Torá. O versículo nos conta sobre ela de maneira indireta nos trazendo apenas o resultado final desse primeiro senso.

 

 
Quando o povo de Israel saiu do Egito, eles ainda tinham que cumprir somente 7 Mitzvot de Bnei Noa’h.

 

Talvez nesse nível ainda não houvesse a necessidade de contá-los de maneira indireta por meio de cada um trazer meio shekel e os shekalim serem contados, como aconteceu nas contagens posteriores.

 

Três censos foram feitos. O primeiro para que o povo de Israel recebesse a Torá e os outros dois para que a “Presença Divina” pairasse sobre eles.

 

Quando muitas pessoas morreram por causa do bezerro de ouro foram contados novamente, “aparentemente” para saber quantos sobreviveram.

 

Quando foi feito o Mishkan (o Templo móvel) para que pairasse sobre nós a She’hiná (a Presença Divina), novamente foram contados. E essa é a contagem da nossa Parashá.

 

No primeiro dia do primeiro mês da Torá, que é o mês de Nissan, foi montado o Mishkan. E por causa disso, no primeiro dia do segundo mês da Torá, que é o mês de Iyar citado aqui na nossa Parashá, nosso povo foi novamente contado.

 

E porque não foram contados imediatamente quando a Presença Divina pairou sobre nós por meio do Mishkan, mas AShem esperou um mês inteiro para contar o nosso povo?

 

Porque pela Torá um mês inteiro determina que algo é fixo, no caso, a She’hiná que é a Presença Divina que pairou sobre nós.

 

A contagem determina limites, e a fonte de todos os limites é o primeiro Tzimtzum, a grande ocultação Divina.

 

A partir desse fenômeno espiritual entramos em um esquema de “Luzes” e “receptáculos” até chegar à nós. Nossa Alma está na categoria de “Luz” e nosso corpo de “receptáculo”.

 

O problema com os limites é que eles descem até a “sitra a’hara” que é o “lado espiritual impuro”.

 

Os limites se tornam limites desnecessários, excessos de limite. Como por exemplo uma epidemia, que é desde um limite de saúde até um limite de vida, ou seja, a morte.

 

Por isso, quando o rei David pediu para fazer o censo do nosso povo de maneira direta, a consequência disso foi uma epidemia que dizimou dezenas de milhares do nosso povo.

 

O Rei David não achou que isso fosse uma coisa tão grave até ver com os próprios olhos a tragédia que aconteceu como consequência da contagem direta, algo que não teve precedentes por não ter sido feito de outra forma desde que recebemos o nosso upgrade com a entrega da Torá e nos tornamos oficialmente o povo escolhido.

 

Depois que o nosso povo recebeu a Torá e se tornou o povo sagrado no sentido da palavra, AShem pediu para contar o nosso povo indiretamente, e o motivo para isso foi exatamente esse, para que não acontecesse uma epidemia.

 

Ou seja, pediu para contar o nosso povo por causa do carinho que Ele tem por nós, e por outro lado pediu para Moshe nos contar de maneira indireta, por meio de cada um trazer uma moeda de meio Shekel. As moedas foram contadas e assim ficamos sabendo quantos éramos.

 

Então porque AShem pediu para nos contar indiretamente por causa do carinho que Ele tem por nós? Melhor não pedir para nos contar e evitar o risco…

 

Luzes e receptáculos

 

Como vimos antes, para as “Luzes espirituais” descerem à esse mundo elas precisam de um receptáculo que as contenham, como por exemplo nossa Alma que precisa nosso corpo para viver aqui neste mundo.

 

O corpo nos limita, mas sem ele não temos como interagir nesse mundo, e uma Alma neste mundo sem um corpo não é uma pessoa viva.

 

Assim também as grandes Bênçãos Divinas que pairaram sobre nós por meio da entrega da Torá e da construção do Mishkan precisavam de um recipiente, um limite que as comtesse nesse mundo, e esse recipiente foi a contagem.

 

Por isso, depois do bezerro de ouro fomos novamente contados, para que as grandes Bençãos Divinas que nos deixaram por causa da idolatria voltassem para nós depois que AShem desculpou o nosso povo.

 

E por isso AShem pediu para nos contar, por causa do carinho que Ele tem por nós. Mas a contagem teve que ser de maneira indireta para criar um receptáculo para que as Bençãos Divinas pudessem pairar sobre nós, mas que não fosse um receptáculo tão direto a ponto de dar a possibilidade de a “sitra ahara”, as forças do lado impuro, transformarem esse receptáculo que é um “limite”, em “limite de vida”.

 

E por isso nosso povo só foi contado nessas ocasiões e não foi contado quando realmente deveria ter sido contado, como no caso das guerras contra Midiã, Sihon e Og.

 

Daqui vemos que o único motivo verdadeiro dessas contagens foi para fazer um receptáculo para que as Bençãos Divinas pudessem pairar sobre nós.

 

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Nossa Parashá nos conta que AShem pediu para Moshe Rabeinu contar o povo de Israel junto com Aharon e com o presidente de cada tribo

 

Diz o Zohar que a Benção Divina não paira sobre uma coisa contada, e quando a Benção Divina deixa de pairar sobre algo, a “sitra ahara” (o lado impuro) paira sobre isso podendo trazer um prejuízo e até mesmo a morte e por isso não devemos contar as pessoas do jeito normal, um dois três quatro….

 

Então como pode ser que o próprio D’us pede para contar o nosso povo?

 

Dizem nossos Sábios que nesse caso foi pedido de cada homem de vinte anos para cima no caso de todas as tribos for a a tribo de Levi, e no caso da tribo de Levi de um mês de idade para cima, darem uma moeda de dez gramas de prata chamada de “beka”.

 

Somente as moedas foram contadas, e sendo que cada um deu uma moeda, sabemos a contagem do nosso povo sem precisar contá-los.

 

🌻🌻🌻

 

A tribo de Levi foi contada a partir de um mês de idade e mesmo assim o número dela foi menor do que a metade de qualquer uma das outras tribos.

 

Dizem nossos Sábios que a tribo de Levi não foi escravizada pelos egípcios.

 

As tribos que foram escravizadas receberam uma Benção Divina sobrenatural, e quanto mais os egípcios afligiam eles, mais eles cresciam e se multiplicavam.

 

A tribo de Levi cresceu de maneira natural, e todas as outras tribos seriam também pequenas como ela se não tivessem sofrido.

 

Diz o Zohar que na ordem das Sefirot, a Guevurá que é a fonte dos sofrimentos antecede a Tiféret, chamada de “corpo”, que é a fonte da coisas boas. Se não passamos pela Guevurá não temos como chegar à Tiféret.

 

Por esse motivo está escrito que relativo ao que eles sofreram, assim eles cresceram e se multiplicaram.

 

Quem sofreu mais, cresceu mais e se multiplicou mais, quem sofreu menos, como a tribo de Levi, cresceu menos esse multiplicou menos.

 

Por isso devemos sempre agradecer à AShem pelos sofrimentos da mesma maneira que agradecemos pelas coisas boas, sendo que por meio deles chegamos à Tiféret que é a fonte de todas as coisas boas.
 

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Nossa Parashá nos conta sobre a descendência de Aharon e Moshe, e na continuação ela fala sobre os filhos de Aharon e não cita os filhos de Moshe.

 

Então porque a Parashá nos diz que esses são os filhos de Aharon e Moshe ?

 

Para nos ensinar que todo aquele que ensina uma pessoa Torá, é como se tivesse dado a luz à ela.

 

Então não vamos perder essa oportunidade, sempre que pudermos ensinar alguém Torá vamos fazer isso com muita alegria!

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Na nossa Parashá AShem pede para Moshe Rabeinu fazer a contagem do nosso povo.

 

Rashi explica que por causa do amor que AShem tem por nós Ele nos conta o tempo todo.

 

E ainda sobre a contagem do nosso povo, sendo que no começo da nossa história como povo fomos contados, em breve, na época do Mashia’h seremos tão numerosos como a areia do mar que não tem como ser contada.

 

Como nos conta nossa haftará que trás a profecia de Oshea (Oséias) que fala sobre o enorme número de judeus que vai se revelar quando Mashia’h chegar e também sobre o amor que AShem tem por cada um de nós.

 

Nessa Aftará vemos isso de maneira bem clara.

 

A Guemará nos conta que AShem disse ao profeta Oshea que o povo de Israel não está se comportando de maneira correta (para que ele rezasse pelo nosso povo como fez Moshe Rabeinu).

 

A profecia de Oshea começa depois de ele, no lugar de rezar por nós, ter proposto à AShem trocar nosso povo por outro.

 

O desencadeamento dessa profecia é que o país das dez tribos conhecido como “reino de Israel” onde o profeta Oshea se encontrava e atuava se perdeu no meio dos povos do mundo mas volta de maneira imensurável na época do Mashia’h.

 

Geralmente os profetas tinham que ligar sua profecia à uma ação. No caso de Oshea, AShem pediu para ele se casar e ter filhos com uma prostituta.

 

Ele se casou com Gomer bat Dvalim que era prostituta filha de prostituta e que estava feliz com o que fazia.

 

Ela tinha filhos com os clientes e assim montou sua família, já havia se acomodado nessa profissão sem sonhar em sair dela e montar uma família normal.

 

Eles se casaram e tiveram um filho que D’us pediu para chamá-lo de Izreel, e assim o profeta Oshea profetizou que o nosso povo (aquelas dez tribos judaicas) seriam semeados (espalhados) entre os povos do mundo.

 

Depois eles tiveram uma filha que D’us pediu para chamá-la de “LoRuhama” profetizando que D’us não vai ter piedade do nosso povo, no more chance.

 

Depois eles tiveram mais um filho que D’us pediu para chamar de “LóAmi” profetizando que o povo de Israel não é mais o povo de
AShem.

 

Vemos na prática que tudo isso aconteceu com o país das dez tribos.

 

No final D’us pede para ele se divorciar…

 

O profeta não concordou e disse para AShem (D’us):-Eu tenho filhos com ela, como posso tirar ela de casa ou me divorciar? No way!

 

Então AShem disse para o profeta:- Se até você que não tem certeza se sua esposa é só sua e se os filhos são realmente seus, mesmo assim já não é capaz de quebrar a família, como poderia Eu trocar o povo de Israel por outro povo?

 

Nessa hora o profeta entendeu que fez um erro de avaliação e rezou forte para que AShem invertesse sua profecia.

 

Sendo que uma profecia negativa não é obrigada a acontecer, a profecia se inverte e AShem diz para o profeta que no lugar de Ló Ami, “não é meu povo”, eles serão chamados de filhos do D’us vivo. (Filhos, ou seja, ainda mais queridos do que povo! Seguindo a regra da Torá de que depois de cada descida obrigatoriamente acontece uma grande subida)

 

E a profecia continua, dizendo que nós (que somos chamados de judeus porque somos descendentes da tribo de Yehudá e Beniamin) vamos chamar nossos irmãos (das dez tribos) de “nosso povo” e nossas irmãs (das dez tribos) de Ruhama (nosso consolo).

 

Conclusão, quem está triste em acreditar que o povo de Israel se limita aos poucos milhões da contagem oficial vai ficar maravilhado quando em breve essa profecia acontecer!

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

Torá escrita e Torá oral

Torá escrita e Torá oral

Certa vez uma pessoa (que não era judeu) perguntou ao grande Sábio Hilel :-Quantos tipos de TORÁ vocês tem? Dois, respondeu Hilel. Torá escrita e TORÁ oral. Ouvindo isso a pessoa declarou :- Na TORÁ escrita eu acredito mas na oral não, eu quero me converter ao judaísmo na condição de que você só me ensine a TORÁ escrita. Hilel concordou. No primeiro dia de estudos Hilel ensinou ele a ler a TORÁ escrita.

Mostrou para ele a letra Alef em hebraico e explicou para ele que isso é um Alef. Mostrou o Beit e explicou que isso é um Beit, e o mesmo fez com as outras letras. Na outra aula Hilel mostrou para ele a letra Alef e explicou que isso é o Dalet. O aluno se espantou e disse :- Mas ontem você não me explicou assim!

Você confiou no que eu te expliquei oralmente ontem?

Disse Hilel, então você tem que confiar também na outra coisa que eu te disse , que também a TORÁ oral foi dada por D’us! (ou seja, sem a TORÁ oral não saberíamos nem ler e nem entender a TORÁ escrita, e isso é a prova de que elas são uma coisa só)

Quando D’eus nos deu a TORÁ elas eram duas desde o começo. Uma escrita e uma oral. Moisés ,o maior de todos os profetas escreveu a TORÁ escrita e explicou oralmente como colocar ela na prática, ou seja, de que forma cumprir o que está escrito. Em outras palavras ,o como cumprir a Mitzvá é chamado de TORÁ oral.

A TORÁ escrita pelo maior dos profetas continuou sendo escrita posteriormente por menores profetas até o exílio da Babilônia que aconteceu depois da destruição do primeiro Templo de Jerusalém .

Os últimos profetas viveram no exílio da babilônia, época em que o império persa dominava o mundo.

Na época em que o segundo Templo foi construído e chegou a época do império grego e depois do império romano não tínhamos mais profetas, e portanto não tivemos mais TORÁ escrita do que aquela que foi escrita até o exílio da babilônia,ou seja, 24 livros. Posteriormente a TORÁ oral foi escrita incluindo a TORÁ oculta conhecida como Kabala.

A TORÁ oral continua sendo escrita a cada geração sendo que surgem novas situações que precisam ser esclarecidas, comparadas às anteriores, diagnosticadas e classificadas .

As pessoas precisam de explicações com mais detalhes e etc. As explicações dos Sábios de cada geração de como cumprir a TORÁ da maneira correta naquela geração também é chamada de TORÁ oral. Em resumo, o que chamamos de TORÁ inclui TORÁ oral e escrita .A TORÁ escrita é composta de 24 livros e a oral hoje já chega à milhares de volumes

O Rebe de Lubavitch e o Monte Sinai

O Rebe de Lubavitch e o Monte Sinai

 

Quando os soldados de Israel conquistaram a Península do Sinai, alguns soldados chegaram à montanha conhecida internacionalmente como Monte Sinai .

 

Um desses soldados se chamava Moshe e estava muito animado com o fato de estar pisando onde (talvez) nossos ancestrais estiveram há três 3338 anos atrás junto com o primeiro Moshe, Moshe Rabeinu (Moshe nosso Mestre).

 

Ele se aproximou pensando que poderia estar onde o povo judeu foi criado como um povo, onde recebemos a Torá, e subiu animadamente para a montanha que em Árabe é chamada de onde jab el Mussa, (Monte de Moisés).

 

No entanto, chegando lá em cima, ao contrário da expectativa que ele tinha de transcendência espiritual, de uma alegria especial, ele não sentiu nada.

 

Apenas uma decepção. Ele não sentiu que essa era a montanha certa, não sentiu que lá era o Monte Sinai.

 

Depois que o soldado Moshe voltou da frente de batalha para sua casa, ele enviou uma carta ao Rebe de Lubavitch expressando seus sentimentos sobre a identificação da montanha.

 

O Rebe respondeu para ele com as seguintes palavras: “Em resposta ao que você escreveu que escalou uma montanha achando que lá era o Monte Sinai e não sentiu que era a mesma montanha”.

 

Continua o Rebe dizendo:

 

A localização física ou geográfica do Monte Sinai não tem para nós nenhum significado especial, porque todo o significado do Monte Sinai é que nele recebemos a Torá com o objetivo de cumprir a Torá conforme necessário, pois ela se torna parte integrante de nossas vidas.

 

A Torá, continua o Rebe escrevendo para o soldado, é “Torá de Vida”, não é simplesmente um ensinamento mas também um modo de vida para nós.

 

A Torá é “o manual de instruções do mundo” e suas instruções são eternas, tanto para o mundo quanto para todo judeu a qualquer hora e em qualquer lugar.

 

A verdade é, explica o Rebe, que todo judeu em sua alma está vinculado com a Torá, mesmo que às vezes pareça se comportar de maneira um pouco diferente.

 

E esse é realmente o segredo da metodologia de Habad: trazer todo judeu ao amor ao próximo de forma tranquila, por meio de um caminho de amor, e devolvê-lo à Torá dada no Monte Sinai, sem confundir e esconder a verdade da Torá.

 

Apenas removendo a cobertura que esconde seu verdadeiro vínculo (desse judeu) com a Torá.

 

E o Rebe termina sua carta com um resumo prático: não é suficiente entender a Torá ou o sentimento positivo que o judeu tem pela Torá, ele deve realmente colocar tudo em prática, cumprir as Mitzvot, porque esse é o propósito do homem.

 

Então, se te perguntarem “onde exatamente está o Monte Sinai?” Você pode apontar para sua localização exata: é bem aqui, dentro do coração, onde minha mente e a sua estão conectadas com a Torá.

 

Mas isso não basta, continua o Rebe, você tem que descer da montanha, ou, mais corretamente: dar vida à montanha, à vida cotidiana e, de fato, agir de acordo com as instruções que recebemos de AShem no Monte Sinai, ou seja, de acordo com a Torá.

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

As sete Sefirot emocionais e a Sefirat a Omer

As sete Sefirot emocionais e a retificação de alma do ser humano

 

Sefirat a Omer é a época para as pessoas se fortalecerem e refinarem a sua alma. Esse período é também conhecido por ser uma época de luto – não se realizam casamentos ou festas, nem sequer cortamos os cabelos. 

 

Para os sefaradim, este período de luto dura até Lag baOmer (o 33º dia do Omer); para muitas comunidades ashquenazim, dura até Shavuot. 

 

A explicação popular para essa ser uma época sombria no ano judaico é que estamos lembrando a morte de 24.000 alunos de Rabi Akiva, que pereceram nessa época do ano.  

 

Mas se trata de uma explicação superficial, pois, como se sabe, mesmo o período de luto pela destruição do Templo Sagrado e o consequente exílio do Povo Judeu não dura mais do que três semanas – de 17 de Tamuz a 9 de Av. 

 

A razão profunda para a não realização de casamentos ou festas e nem cortar os cabelos durante Sefirat a Omer é que se trata de semanas que exigem total concentração e empenho na elevação espiritual da pessoa. 

 

São semanas nas quais não há tempo nem espaço para frivolidade, diversão ou eventos mundanos, como cortar os cabelos.

 

Além das necessidades do cotidiano, como o trabalho, a família e o cuidado com nosso bem-estar, toda a nossa energia deve ser dedicada ao processo de autoexame e refinamento espiritual.  

 

À parte de Sefirat a Omer, há um outro período durante o ano judaico em que nos dedicamos à autorretificação e purificação – os Dez Dias de Teshuvá, que se iniciam em Rosh Hashaná e culminam e finalizam na conclusão do Yom Kipur. Contudo, há uma diferença significativa entre esses dez dias e o Sefirat a Omer.

 

Sefirat a Omer não é uma época de correção de nosso comportamento, mas de retificação da nossa Alma.

 

Durante esse período, temos que examinar não tanto nossos atos externos, mas nosso “eu profundo”: somos obrigados a melhorar não nossas ações, mas quem somos. Sob muitos aspectos, isso requer esforço ainda maior do que se exige de nós durante os Dez Dias de Teshuvá, os Dez Dias de Penitência.

 

Pois mesmo uma pessoa da mais alta estirpe espiritual – que age da melhor maneira possível, tanto com seus semelhantes quanto com D’us – sempre pode aperfeiçoar-se espiritualmente. 

 

Mesmo quem realiza uma abundância de atos de bondade necessita corrigir defeitos de caráter e falhas espirituais. Para podermos receber a Torá adequadamente, não basta melhorarmos nossos atos e nos arrependermos de nossos erros, como fazemos nos Dez Dias de Teshuvá. Há que ocorrer um processo relativamente longo e sincero de autorreflexão e autorrefinamento. 

 

É notável que os três Patriarcas do Povo Judeu – Avraham, Itzhak e Yaacov, os fundadores de nosso povo – viveram centenas de anos antes de a Torá ser ofertada; e, mesmo assim, nossos Sábios ensinam que eles cumpriam seus mandamentos antes mesmo de a termos recebido.

 

 O Talmud explica que se alguém tem o elevado nível de refinamento espiritual de nossos Patriarcas – que eram verdadeiros gigantes de espírito – essa pessoa tem condições de cumprir a Torá espontaneamente, sem ter que recebê-la dos Céus.

 

A razão para tal é que quanto mais refinada espiritualmente a pessoa fica, mais sintonizada com a Vontade e a Sabedoria de D’us estará – realmente integrada à Torá.

 

Os dias de Sefirat a Omer – período de preparação para receber a Torá  – são dias de crescimento interior – uma época de autoaperfeiçoamento e de luta contra todos os traços de nossa personalidade que impedem nosso desenvolvimento espiritual. Como a pessoa realiza o processo de retificar seu caráter?

 

Ela o faz aperfeiçoando as sete Sefirot emocionais, por meio das quais a alma de cada um de nós se manifesta.

 

Sefirat a Omer dura 49 dias – sete semanas.  Cada uma delas corresponde e é dedicada a uma das sete Sefirot emocionais: hessed, Guevurá, Tiferet, Netza’h, Hod, Yessod e Mal’hut.

 

Cada um dos 49 dias corresponde a uma combinação diferente das Sefirot: por exemplo – o segundo dia da primeira semana de Omer corresponde à Guevurá de hessed, ao passo que o primeiro dia da segunda semana corresponde à hessed de Guevurá. 

 

Definimos hessed como Bondade e Generosidade; Guevurá como Severidade e Julgamento; Tiferet como Beleza e Harmonia; Netza’h como Ambição e Vitória; Hod como Glória e Humildade; Yessod como Carisma; e Mal’hut como Nobreza e Liderança.

 

Toda emoção humana e os pensamentos, palavras e atos que desencadeiem estão relacionados com as sete Sefirot emocionais, em geral a uma combinação delas. 

 

É muito raro o ser humano manifestar uma Sefirá pura; com frequência, manifesta mais de uma combinada, produzindo diferentes resultados. Exemplificando: hessed de Guevurá é bem diferente de Guevurá de hessed. 

 

O primeiro trata de ser bondoso mesmo em uma situação que exige que ajamos com severidade. Por vezes temos que disciplinar uma criança (Guevurá), mas tem que ficar evidente que isso está sendo feito por amor e para o bem da criança (hessed); ao passo que a Guevurá de hessed trata de restringir nossa generosidade. Não podemos dar a nossos filhos tudo o que pedem (Guevurá) para não mimá-los; isso acabará sendo em seu próprio bem (hessed).

 

A primeira semana do Omer consiste em retificar a primeira Sefirá emocional de nossa alma, hessed. O primeiro dia da contagem desse período tão especial é época de refinar a hessed de Chessed; o segundo dia, a Guevurá de hessed; o terceiro dia, a Tiferet de hessed, e assim por diante. 

 

A segunda semana do Omer refere-se à Sefiráda Guevurá e, portanto, o primeiro dia corresponde à hessed de Guevurá; o segundo, à Guevurá de Guevurá; o terceiro dia à Tiferet de Guevurá, e assim por diante. A terceira semana é Tiferet; a quarta, Netzach; a quinta, Hod; a sexta, Yessod e, a sétima, Mal’hut.

 

O primeiro dia de cada semana da contagem do Omer é hessed; o segundo é sempre Guevurá; o terceiro, Tiferet; o quarto, Netzach; o quinto, Hod; o sexto, Yessod e, o sétimo, Mal’hut. 

 

Durante essas sete semanas, devemos nos refinar internamente, dia após dia, estágio após estágio, de modo a receber a Torá em Shavuot. 

 

Quando sinceramente corrigimos nossas Sefirot emocionais e suas combinações – quando há um verdadeiro aperfeiçoamento espiritual e não mera autoilusão – nossas almas se tornam mais refinadas; tornamo-nos seres humanos melhores.

 

Certamente é possível fazer contato com a Torá sem primeiro ter passado por esse processo de refinamento espiritual – qualquer pessoa pode ir à sinagoga em Shavuot e virar a noite estudando, ouvir os Dez Mandamentos e decidir que deseja estar mais conectado a D’us e à Sua Vontade e Sabedoria. 

 

Mas sem o preparo espiritual de Sefirat HaOmer, o impacto da Torá sobre nós não acontece em sua plenitude. Assim como quem refina seu paladar terá mais condições de discernir e apreciar os diferentes sabores, também aquele que refinar sua alma estará melhor preparado para se relacionar com a Torá, que é o alimento da alma.

 

Cada dia de Sefirat a Omer corresponde a uma outra dimensão de nossa alma. Contamos os 49 dias para cumprir um mandamento Divino, mas esse cumprimento deve ser repleto de significado, e não automático. 

 

A contagem dos 49 dias deve levar à preparação condigna para o recebimento da Torá. Sob esta óptica, essas sete semanas são um período solene do ano que servem como ponte que nos permite alcançar a festa de Shavuot. 

 

Nela, a luz passa a brilhar e irrompe a alegria – é o dia em que nós, assim como o fizeram nossos antepassados, postamo-nos perante o Eterno e recebemos a Sua Torá, o elo que liga o finito ao Infinito.

🌻🌻🌻🌻🌻

Entre Pessach e Shavuot contamos durante 49 dias a “Sefirat Haomer” (contagem do omer).

Esse mandamento da Torá tem um lado muito profundo.

Em Pessach fomos libertados do Egito, terra das limitações materiais e espirituais e em Shavuot vamos receber a Torá.

Entre a saída das “limitações” e o recebimento da Torá temos que refinar 49 aspectos diferentes da nossa personalidade, 49 combinações diferentes dos nossos sentimentos.

Porque não esperamos até o recebimento das Torá para reinventar as nossas atitudes?

Porque se acrescentarmos a Torá à um mal caráter, somos capazes de usar essa Torá para justificar esse mal caráter, e no lugar de ela se tornar um remédio para a nossa alma ela se torna um veneno

Por isso temos sempre que revisar o nosso comportamento em todos os seus 49 aspectos e nunca errar achando que o fim justifica os meios

Como disse Raba na Guemará :- O objetivo da sabedoria é a Teshuvá e as boas ações, para que não aconteça de uma pessoa estudar Torá e depois sair por aí dando pontapés no seu pai, na sua mãe, no seu rabino e etc…

Então, vamos aproveitar essa abertura lá de cima e refinar o nosso caráter , muita generosidade , muita alegria e muita tranquilidade em todas as situações!

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

Bamidbar 🌻 No deserto

 

Começamos um novo livro, o quarto livro do pergaminho de Moshe que contém cinco livros em um único pergaminho.

 

Nosso livro atual se chama Bamidbar que quer dizer “no deserto ‘

 

 

Na nossa Parashá AShem pede para Moshe Rabeinu fazer a contagem do nosso povo.

Rashi explica que por causa do amor que AShem tem por nós Ele nos conta o tempo todo.

 

E ainda sobre a contagem do nosso povo, sendo que no começo da nossa história como povo fomos contados, em breve, na época do Mashia’h seremos tão numerosos como a areia do mar que não tem como ser contada.

 

Nossa Aftará nos trás a profecia de Oshea (Oséias) que fala sobre o enorme número de judeus que vai se revelar quando Mashia’h chegar e também sobre o amor que AShem tem por cada um de nós.

 

Nessa Aftará vemos isso de maneira bem clara.

 

A Guemará nos conta que AShem disse ao profeta Oshea que o povo de Israel não está se comportando de maneira correta (para que ele rezasse pelo nosso povo como fez Moshe Rabeinu).

 

A profecia de Oshea no lugar de rezar por nós, propõe  à AShem trocar nosso povo por outro.

 

O desencadeamento dessa profecia é que o país das dez tribos conhecido como “reino de Israel” onde o profeta Oshea se encontrava e atuava, se perdeu no meio dos povos do mundo mas volta de maneira imensurável na época do Mashia’h.

 

Geralmente os profetas tinham que ligar sua profecia à uma ação. No caso de Oshea, AShem pediu para ele se casar e ter filhos com uma prostituta.

 

Ele se casa com Gomer bat Dvalim que era prostituta filha de prostituta e que estava feliz com o que fazia.

 

Ela tinha filhos com os clientes e assim montou sua família, já havia se acomodado nessa profissão sem sonhar em sair dela e montar uma família normal.

 

Eles se casam e tem um filho que D’us pede para chamá-lo de Izreel profetizando que o nosso povo (aquelas dez tribos judaicas) vai ser semeado  (espalhado) entre os povos do mundo.

 

Depois eles tiveram uma filha que D’us pede para chamá-la de “LoRuhama” profetizando que D’us não vai ter piedade do nosso povo, “no more chance”!

 

Depois eles tem mais um filho que D’us pede para chamar de “LóAmi” profetizando que o povo de Israel não é mais o povo de AShem.

(Vemos na prática que tudo isso aconteceu com o país das dez tribos).

No final D’us pede para ele se divorciar…

 

O profeta não concorda e diz para AShem:-Eu tenho filhos com ela, como posso tirar ela de casa ou me divorciar? No way!

 

Então AShem diz para o profeta:- Se até você que não tem certeza se sua esposa é só sua e se os filhos são realmente seus, mesmo assim já não é capaz de quebrar a família, como poderia Eu trocar o povo de Israel por outro povo?

 

Nessa hora o profeta entende que fez um erro de avaliação e reza forte para que AShem inverta a profecia.

 

Sendo que uma profecia negativa não é obrigada a acontecer, a profecia se inverte e AShem diz para o profeta que no lugar de Ló Ami, “não é meu povo”, eles serão chamados de filhos do D’us vivo. (Filhos, ou seja, ainda mais queridos do que povo, seguindo a regra da Torá de que depois de cada descida obrigatoriamente acontece uma grande subida).

 

E a profecia continua, dizendo que nós (que somos chamados de judeus porque somos descendentes da tribo de Yehudá e Beniamin) vamos chamar nossos irmãos (das dez tribos) de “nosso povo” e nossas irmãs (das dez tribos) de Ruhama (nosso consolo).

 

Conclusão, quem está triste em acreditar que o povo de Israel se limita aos poucos milhões da contagem oficial vai ficar maravilhado quando em breve essa profecia acontecer!

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

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Be’ar 🌻 Shemitá e Monte Sinai


Nossa Parashá nos conta sobre como devemos ajudar à nossos semelhantes em várias situações.

 

E quem melhor para explicar esse assunto do que Don Itzhak Abarbanel que foi um dos maiores comentaristas da Torá e junto com isso foi ministro das finanças de três países em uma das épocas mais conturbadas que o nosso povo já passou.

 

Don Yitzhak ben Yehuda Abarbanel

(יצחק בן יהודה אברבנאל)

 

Don Itzhak Abarbanel foi um grande Sábio do nosso povo.

 

Ele nasceu em 1437 em Lisboa, filho de Yehuda Abarbanel que era o tesoureiro (ministro da finanças) do rei Afonso V de Portugal. A família de Don Itzhak Abarbanel tinha ascendência até o Rei David.

 

Depois do falecimento de seu pai, o rei Afonso V  o nomeou como ministro das finanças de Portugal. Sua alta posição e as grandes riquezas herdadas do seu pai só aumentaram nele o amor pelos pobres e oprimidos.

 

Em 24 de agosto de 1471, durante o reinado de Afonso V,  a cidade de Arzila no Marrocos foi conquistada pelos portugueses que empregaram nesse assalto cerca de 500 navios e 30.000 soldados.

 

Arzila era uma cidade estratégica nas rotas comerciais antigas e por isso viviam naquela cidade centenas de judeus que foram aprisionados pelos portugueses e colocados à venda como escravos.

 

Don Itzhak Abarbanel contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também coletas em favor dessa causa nobre entre todos os judeus de Portugal. Centenas de judeus foram resgatados e ele os bancou até que pudessem se manter sozinhos.

 

Após a morte do rei Dom Afonso V, seu filho, Dom João II, se tornou o novo rei de Portugal. Ele foi um grande tirano, concentrou o poder em volta de si retirando-o da aristocracia por meio de muitas penas de morte por qualquer mínima suspeita possível e imaginável.

 

Nas conspirações que se seguiram suprimiu o poder da casa de Bragança e apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo, o Duque de Viseu, e assim, depois de assassinar todos os seus opositores, João II governou o país sem nenhuma oposição.

 

Don Itzhak Abarbanel foi obrigado a fugir de Portugal, tendo sido acusado pelo rei de cumplicidade com o Duque de Bragança que o rei executou por suspeita de conspiração.

 

Avisado a tempo, ele conseguiu fugir com a sua família para Toledo no reino de Castela. De Toledo, Don Itzhak Abarbanel enviou uma carta ao rei provando a sua inocência. O rei se recusou a ouvir e a grande fortuna de Don Itzhak Abarbanel foi confiscada por decreto real.

 

Depois disso o rei João II perdeu o herdeiro do seu trono, seu filho único de 16 anos que morreu em uma misteriosa queda de cavalo, e por fim o próprio rei João II morreu com 40 anos de idade provavelmente envenenado.

 
Em Toledo Don Itzhak Abarbanel se ocupou inicialmente com o estudo da Torá, e no decorrer de seis meses escreveu uma grande quantidade de comentários sobre os livros de Josué, Juízes e Samuel.

 

Pouco depois ele foi convidado pelos reis de Castela para administrar as receitas do país e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, ele se tornou o ministro das finanças para satisfação total de Isabel de Castela.

 

Durante as guerras, Don Itzhak Abravanel emprestou quantias enormes de dinheiro ao rei. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus da
Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei à revogar o decreto, inclusive oferecendo ao rei 30.000 ducados que era uma fortuna exorbitante na época. A rainha influenciou o rei à não ceder e em 1492 os judeus da Espanha foram expulsos.
 

Don Itzhak Abarbanel deixou a Espanha com 600.000 judeus que fugiram para todas as direções para poder continuar professando sua fé.
 

Ele foi para Nápoles e lá ele foi convidado para trabalhar com o rei. Por um pequeno período ele viveu em paz, mas no fim a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o rei de Nápoles para Messina e mais tarde para Corfu.
 

Em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde trabalhou na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza. Faleceu em Veneza em 1508 com 71 anos e foi enterrado em Pádua.
 

Don Itzhak Abarbanel ficou conhecido em nome do seu livro “Abarbanel sobre a Torá” e daí para frente todas as gerações o chamaram de Abarbanel.

A explicação do Abarbanel 

Nossa Parashá nos conta sobre a Shemitá, o ano sabático no qual os campos são abertos aos pobres.
 
A Parashá nos conta também sobre o resgate das terras que foram vendidas pelos seus donos originais que empobreceram e as venderam por necessidade, sobre o ano do Yovel em que as terras voltam automaticamente aos seus donos originais que as tinham vendido por necessidade, e todos esses mandamentos Divinos vem favorecer aos empobrecidos.


Por final a Parashá fala sobre o último estágio da pobreza no qual todos se igualam, tanto o que chegou à ela depois de ter vendido o que tinha e ter ficado sem fonte de renda, quanto aqueles que não tinham nenhuma fonte de renda desde o começo, como por exemplo alguém que se converteu ao judaísmo vindo de outro povo.
 

Ou até mesmo o “guer toshav” que assumiu no Beit a Din sete mandamentos, e por causa disso, diz o Abarbanel, ele também é chamado de “o seu povo” e a ordem Divina é de que “ele vai viver com você”, ou seja, por meio da sua ajuda ele vai viver e não vai morrer.
 

E sendo que a linguagem do versículo é de que todas essas categorias de pobres “vão viver com você”, a Torá está nos indicando que os pobres da sua cidade são prioridade, não podemos abandoná-los, não podemos deixá-los.

 

E eles vão ser esses aos quais devemos emprestar nosso dinheiro à eles sem juros e também fazer para eles Tzedaká do nosso dinheiro. E quando o versículo fala sobre a proibição de pegar juros ele usa as palavras “e você vai ter temor à D’us”.

 

Porque talvez (D’us nos livre) um dia nós próprios ou nossos filhos ou nossos netos poderemos estar nessa situação, porque a pobreza é um círculo que roda pelo mundo. E então nossos irmãos vão estar ao nosso lado.

 

E por isso a Torá diz para darmos à ele nosso apoio como presente, como Tzedaká. E nesse caso o versículo usa a frase “Eu sou AShem seu D’us que tirei de do Egito”, onde vocês estavam no aperto e na pressão, na extrema pobreza, para dar à vocês a terra de Canaã, uma terra boa e ampla, uma herança sem limites, e não dei ela para vocês com juros mas para ser o D’us de vocês.

 

O primeiro estágio da pobreza

 

A primeira fase da pobreza é a venda da própria fonte de renda, por isso a Torá começa nos dando a lei em relação à pessoa que empobreceu à ponto de ter que vender o campo e o vinhedo da sua herança – pobreza nível 1

 

O segundo estágio da pobreza

 

A segunda fase da pobreza é venda da própria casa, por isso a Torá continua nos dando a lei em relação à pessoa que teve que vender a própria casa – pobreza nível 2

 

O terceiro estágio da pobreza

 

A terceira fase da pobreza é a pessoa deixar seus objetos de valor como hipoteca para pegar um empréstimo em dinheiro ou em mantimentos por isso a Torá continua nos dando as leis em relação aos empréstimos, leis de juros – pobreza nível 3

 

O quarto estágio da pobreza

 

A quarta fase da pobreza é a pessoa se vender a si próprio ou roubar e ser vendido como escravo por causa do seu roubo, por isso a Torá continua nos dando a lei do escravo judeu – pobreza nível 4

 

A reversão da pobreza

 

Primeira etapa – Em primeiro lugar a Torá nos proíbe de dar à um escravo judeu um trabalho escravo como se ele fosse um escravo de verdade, mas ele tem que ser para nós como um cidadão, como se você tivesse contratado alguém para trabalhar com você.

 

Ou seja, a primeira etapa é levantar a moral do pobre.

 

Segunda etapa – até o ano do Yovel ele vai trabalhar com você, e não mais do que isso, e então ele sai livre e volta para a sua família.

 

Ou seja, no máximo até o ano do Yovel o empobrecido vai trabalhar com você, mas se os seis anos que ele precisa trabalhar com você terminaram antes do Yovel, ele sai no sétimo ano.

 

E se o ano do Yovel chegou antes, ele sai antes. E até se ele quiser ficar escravo a vida inteira, ele sai no Yovel e volta para a sua dignidade por voltar para a sua família.

 

E também os campos que ele vendeu, sua fonte de renda, vai voltar para ele, ele volta para a herança dos seus pais.

 

Então por que nesse meio tempo D’us deixaria você tratá-lo como escravo, um trabalho duro e humilhante, e quanto mais pelo fato de isso ser uma profanação da honra de D’us sendo que todos os judeus são escravos de D’us que os tirou do Egito, então como você pode tratar ele como se fosse seu escravo, como se tivesse roubado o escravo de D’us?

 

Por isso você tem que tratar ele como se fosse alguém que trabalha por um salário, ter temor à D’us que é o único que tem o poder de diminuir alguém e também engrandecer, e é possível que também você ou um descendente seu pode futuramente (D’us nos livre) estar nessa mesma situação.

 

Conclusão

 

Em primeiro lugar D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar o campo, a fonte de renda que o nosso semelhante teve a necessidade de vender, e devolver à ele.

 

Se o nosso semelhante já caiu mais do que isso e teve a necessidade de vender sua própria casa também, D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar a sua casa e devolver à ele.

 

Em terceiro lugar, se o nosso semelhante já está em uma situação de hipotecar os seus pertences para comprar mantimentos D’us nos dá a oportunidade de dar à ele toda a Tzedaká necessária para que ele não precise hipotecar seus pertences.

 

Em quarto lugar, se ele já se tornou um escravo, D’us nos dá a oportunidade de resgatá-lo e torná-lo novamente um homem livre e voltar a viver junto à sua família com toda a dignidade.

 

E por final, se não aproveitarmos a oportunidade de participar da interação Divina no mundo e não fizermos nada disso, o próprio D’us vai fazer tudo isso sozinho sem a nossa participação.

 

Mas sendo que a pobreza é um círculo que gira pelo mundo, mesmo agora estando são e salvos, ou seja, estando na parte de cima desse círculo, ninguém nos garante que não estejamos futuramente na parte de baixo. Ninguém a não ser D’us que não nos deixaria cair se tivéssemos levantado quem já caiu.

 

A Torá é eterna e todos os assuntos dela se encontram espiritualmente em cada etapa da nossa vida.

 

Na época da Torá a fonte de renda era a nossa terra que nos foi dividida aparentemente por sorteio, mas nesse sorteio a interação Divina foi de 100%.

 

Dessa mesma forma hoje em dia quando encontramos a fonte de renda dos nossos sonhos e acreditamos que tivemos sorte em encontrar, na verdade isso nos foi dado totalmente lá de cima.

 

E o mesmo D’us que nos deu a nossa fonte de renda aparentemente por “sorteio”, mas na verdade por Divina Providência, nos dá a oportunidade de interagir com essa Divina Providência em relação ao nosso próximo

 

Essa Parashá é tão atual para os nossos dias! Como dizem nossos Sábios, que precisamos nos relacionar à Torá como se ela nos tivesse sido entregue hoje

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta que um judeu não pode emprestar nada com juros para outro judeu. A Torá usa duas palavras diferentes para os juros, uma ao lado da outra simultaneamente, o que é aparentemente desnecessário.

 

Dizem nossos sábios que essas duas palavras querem dizer a mesma coisa, mas a Torá nos traz simultaneamente as duas palavras para nos indicar que um judeu que empresta com juros para outro judeu está transgredindo duas proibições. Ou seja, recebe um castigo em dobro pela mesma coisa.

 

O pagamento pelo que fizemos de bom neste mundo não está explícito na Torá porque o bem é eterno, e portanto a recompensa por ele, não só que também é eterna, mas mais do que isso, ela também é imensamente maior do que o bem que fizemos.

 

Por isso não tem como recebermos essa recompensa no nosso mundo material do jeito que ele é hoje. Primeiro recebemos um Gan Éden a Ta’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale a setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, e de lá vamos para o Gan Éden a Elion onde uma hora lá equivale a setenta anos no Gan Éden a Ta’hton.

 

E quando acontecer o décimo terceiro dos treze princípios da fé judaica e os mortos ressuscitarem, o lado espiritual deste nosso mundo material vai se revelar e ultrapassar de longe a intensidade dos prazeres dos mundos espirituais, e consequentemente todos que estão no Gan Éden vão querer ressuscitar para usufruir da revelação do “Keter” que vai acontecer aqui embaixo.

 

Ao contrário disso, a regra da Torá em relação ao castigo do tribunal Divino que recebemos por termos feito algo proibido é limitada ao nível máximo de acontecer para nós somente exatamente o que fizemos de mal, e nunca jamais mais do que isso.

 

Como diz a Torá de maneira figurativa “olho por olho e dente por dente”. Ou seja, não podemos receber um castigo que ultrapasse em um único milímetro o mal que fizemos.

 

Ou seja, ao contrário da regra Divina em relação à recompensa pelas coisas boas que fazemos, o castigo pelas coisas ruins que fizemos pode ser sempre menor do que o que fizemos, mas nunca maior.

 

E sendo que essa é a regra geral da Torá, quando uma regra tem exceção, a própria Torá que determinou essa regra tem que trazer um versículo indicando que esse caso é uma exceção.

 

E por isso a nossa Parashá repete a proibição dos juros por meio de dois sinônimos, para nos indicar a gravidade dessa transgressão, sendo que nesse caso recebemos castigo em dobro.

 

E sendo que essa proibição só acontece no caso que os dois são judeus, é permitido pegar um empréstimo com juros de alguém que não é judeu mas não de alguém que nasceu judeu ou se converteu ao judaísmo.

 

Uma das diferenças entre o nosso povo e os outros povos é que quando alguém se converte ao judaísmo ele se torna um judeu de etnia Judaica.

 

Diferente de um africano que se naturalizou alemão e se tornou um alemão afrodescendente, esse mesmo africano quando se converte ao judaísmo se torna um judeu semita de etnia Judaica e deixa de ser um afro descendente, como está escrito na Guemará: “Guer shemitgaier ketinok shenolad” (um convertido que se converte é como um nenê que nasce).

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento Divino da Shemitá (ano Sabático).

 
Quando Adão e Eva fizeram a primeira transgressão trazendo a morte ao mundo receberam uma maldição.

 
Para Adam (Adão) foi dito:- “com o suor da sua face você vai comer pão”, ou seja, ele vai ter que trabalhar duro para ter o que comer.

 
Para Havá (Eva) foi dito:- “com sofrimento você vai dar a luz”. Ou seja, sendo que ela não vai precisar trabalhar porque o marido é o responsável por ela, o sofrimento dela vai ser na hora do parto.

 
Essas maldições que começaram com o primeiro homem e a primeira mulher se estendem até a Gueulá (a redenção final).

 
Sendo que todos nós somos ramificações da Alma do primeiro homem e da primeira mulher, todos nós temos que trabalhar duro e todas as mulheres têm dores de parto.

 
Ou seja, enquanto vemos que a mulher precisa de um anestesista na hora do parto que dizer que o homem ainda tem que trabalhar.

 
A Guemará nos conta que cada pai tem a obrigação de ensinar para cada um de seus filhos uma profissão fácil e limpa, porque, diz a Guemará, se o pai não ensina seu filho à trabalhar ele está ensinando ele à roubar.

 
Nossa Parashá nos conta que o mandamento da Shemitá (ano Sabático) foi dado no Monte Sinai. Sendo que a Torá foi dada no Monte Sinai, porque nossa Parashá tem que nos lembrar que esse mandamento foi dado no Monte Sinai?

 
O Mandamento da Shemitá consiste em não fazemos nenhum trabalho na terra que AShem nos deu (a Terra Santa) durante o sétimo ano.

 
Diz a Mishná que se mesmo assim decidirmos trabalhar na terra durante o sétimo ano, seremos exilados pelos nossos inimigos.

 

Ou seja, pode acontecer uma guerra e AShem não nos ajudar.

 
Sendo que os anestesistas ainda não estão desempregados, as mulheres ainda tem dores de parto, e isso é a prova de que a maldição do primeiro homem ainda não terminou e ainda devemos trabalhar para ter o nosso sustento, como pode a Torá nos ordenar a ficar um ano inteiro sem trabalhar na terra que era a principal fonte de renda da maioria dos judeus?
Um ajuste para trazer equilíbrio.

 

O trabalho tem um aspecto muito bom e um aspecto muito ruim.

 
O lado bom do trabalho é que por meio dele, não só que temos uma vida digna de “povo escolhido” que somos, ou seja, uma vida digna de acordo com o nosso nível, mas também ele é o meio de podermos cumprir os mandamentos Divinos começando pela Tzedaká que a Guemará considera um mandamento que equivale à todos os outros juntos.
 

O lado ruim do trabalho é que ele nos materializa, nos causa apego aos assuntos desse mundo nos tornando totalmente obcecados pelos bens materiais
 

Poderíamos dizer que:

 
No primeiro ano de trabalho na terra sentimos que o trabalho é um castigo dos céus e que nunca conseguiríamos trabalhar se D’us não estivesse nos ajudando a cada instante.

 
No segundo ano sentimos que D’us ajuda a quem se ajuda e a minha parte de ajudar à mim próprio estou fazendo com um ótimo desempenho e espero que D’us não esqueça de fazer a parte dele também.

 
No terceiro ano nos sentimos tão eficazes que estamos convencidos que nem precisamos mais da ajuda Divina.

 
No quarto ano já estamos confiando tanto na nossa alta performance à ponto de pedir para D’us só não atrapalhar e o restante deixar para nós fazermos.

 
No quinto ano já estamos tão obcecados pelo trabalho que nem nos lembramos mais que D’us existe.

 
No sexto ano já chegamos à conclusão que D’us somos nós próprios e nos comportamos assim em relação à todos os outros, simples mortais, que não chegam aos nossos pés de tão insignificantes que são!

 
Ou seja, quanto mais trabalhamos maior fica a nossa prepotência.

 
Aí, no sexto ano quando a terra estaria mais fraca depois de ter sido cultivada diretamente durante seis anos, não só que ela não produz menos, mas ainda mais, ela produz em um ano a quantidade de três anos, nos surpreendendo e nos lembrando não só que D’us existe, mas também que ele trabalha muito mais do que nós.

 
No sétimo ano não trabalhamos, no oitavo plantamos, e a safra do sexto ano dura até que a safra do nono ano seja colhida, nos surpreendendo ainda mais!

 
Aí voltamos a nos lembrar que D’us existe e dirige o mundo inteiro com infinita bondade.

 

E por isso a Mitzvá da Shemitá é lembrada junto com o Monte Sinai.

 
O Monte Sinai era a menor montanha do mundo. A Torá foi entregue nele para nos lembrar que, ao mesmo tempo que somos o povo escolhido e temos um nível a zelar, junto com isso não podemos ter a prepotência das montanhas altas e frias com seus picos cheios de neve, mas temos que manter a proporção certa, sermos uma montanha sim, mas humildes e quentes.

 

Quando AShem nos deu a Torá, ele fez o Monte Sinai florescer, um verdadeiro milagre.

 

Por isso a Shemitá está ligada diretamente ao Monte Sinai. Para nos lembrarmos que nós não somos os maiores, mas é D’us que nos coloca e nos mantém no alto.

 

Nosso sucesso no trabalho não deve aumentar a nossa prepotência, mas ao contrário, deve aumentar a nossa percepção de que D’us está nos levando pela mão e portanto aumentar a nossa humildade frente à essa grande revelação Divina que está sempre com a gente.

 

AShem (D’us) é quem nos faz florescer para que possamos atingir o objetivo real do trabalho que é o de mantermos um nível que possamos cumprir a Torá e as Mitzvót de um jeito agradável, e o principal: com muita alegria.

 

Hoje a maioria de nós não trabalha na terra, mas o ensinamento da Shemitá nos acompanha em cada uma das nossas profissões e recai sobre cada um de nós.

 

Rabino Gloiber

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Se vocês não escutarem a Mim…. Decifrando as linguagens da Torá

Decifrando as linguagens da Torá

 

Para uma regra da Torá ter uma exceção a própria Torá tem que trazer essa exceção.

 

Na nossa Parashá encontramos uma linguagem muito pesada em relação ao​ que pode acontecer se não estudarmos Torá e não cumprirmos as Mitzvót.

 

A linguagem da Torá é “Se vocês não escutarem a mim” .

 

O Midrash Sifra nos conta que essa palavra “a mim” vem especificar que todas essas tragédias que a Torá descreve depois disso recaem sobre a pessoa que conhece D’us e tem a intenção de fazer conscientemente contra o pedido Divino.

 

Como exemplo o Midrash traz Sodoma e Gomorra, que conheciam D’us e faziam intencionalmente o contrário do que ele pediu , assassinando, roubando e etc.

 

O Ari Zal nos dá um exemplo das pessoas que trocaram intencionalmente o judaísmo pela idolatria na época do primeiro Beit a Mikdash.

 

A destruição não veio naquela geração porque a bondade Divina determina um longo período para que a pessoa possa fazer Teshuvá, naquela reencarnação ou em outra.

 

Mas quando​ chegou a “deadline”, o prazo final, aquelas almas se reencarnaram na época das cruzadas e da inquisição e tiveram a sua purificação , se precisassem morrer queimados em praça pública mas não fazer idolatria eles davam a vida, se precisassem fugir da Espanha e de Portugal  deixando os pertences para trás e não fazer idolatria eles fugiam.

 

Cada um de acordo com o nível de obsessão pela idolatria que ele teve na época do primeiro Beit a Mikdash quando trocou a sua religião.

 

Mas quem já nasceu em uma família Judia idólatra não entra nessa categoria, como vemos no Midrash, mas é considerado como alguém que não conhece D’us e não tem intenção de fazer algo propositalmente.

 

A “linguagem pesada” da Torá também vem para dar um ênfase na gravidade do assunto , como um pai bondoso que explica para o filho as consequências de certas coisas.

 

Então, vamos aproveitar o desconto estudar muita Torá e fazer muitas Mitzvót!

 

Rabino Gloiber

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Ciclo do ano Judaico

Lag BaOmer

Lag BaOmer, o 33º dia da contagem de Omer é um dia festivo no calendário judaico.

 

É comemorado com passeios em que as crianças brincam com arcos e flechas, fogueiras e desfiles. Muitos visitam o lugar de repouso (em Meron, norte de Israel) do grande sábio e místico Rabi Shimon bar Yochai, nessa data que marca o seu falecimento celebrada com muita alegria.

 

O que significa

 

Lag BaOmer é comemorado no dia 18 do mês de Iyar. A palavra “Lag” é composta pelas letras hebraicas lamed (ל) e gimel (ג), que juntas possuem o valor numérico de 33. “Baomer” significa “do Omer”. O Omer é o período de contagem que começa no segundo dia de Pêssach e culmina com o feriado de Shavuot, após 4 dias da contagem do Omer.

 

O que estamos comemorando

 

A fogueira é um costume tradicional de Lag BaOmer

 

Rabi Shimon bar Yo’hái, que viveu no segundo século da Era Comum, foi o primeiro a ensinar publicamente a dimensão mística da Torá conhecida como a Cabala, e é o autor do texto clássico da Cabala, o Zohar. No dia de sua morte, Rabi Shimon instruiu seus discípulos a marcar a data como “o dia da minha alegria”.

 

Os mestres hassídicos explicam que o dia final da vida terrena de um homem justo marca o ponto em que todas as suas ações, ensinamentos e obras alcançam sua perfeição culminante e o zênite de seu impacto sobre nossas vidas. Assim, cada Lag BaOmer, celebramos a vida do Rabino Shimon e a revelação da alma esotérica da Torá.

 

Lag BaOmer também comemora outro evento alegre. O Talmud relata que, nas semanas entre as festas de Pêssach e Shavuot, uma praga recaiu sobre os discípulos do grande sábio Rabi Akiva, “porque eles não agiam respeitosamente uns com os outros”.

 

Estas semanas são, portanto, observadas como um período de de luto, com várias atividades alegres proscritas pela lei e por costumes. Em Lag Baomer as mortes cessaram. Assim, Lag BaOmer também celebra o amor e respeito que deve-se nutrir ao próximo (ahavat Yisrael).

 

Uma vez que este é o dia de alegria de Rabi Shimon Bar Yochai, há grandes festas em Meron, no norte de Israel, onde ele está enterrado. Dezenas de milhares de peregrinos vêm a Meron de todos os cantos do mundo para juntos celebrarem a festa com fogueiras e danças alegres.

 

Em todo o mundo, é costume fazer passeios ao ar livre. Durante estes passeios, é costume brincar com arcos e flechas.

 

As práticas de luto que vigoram no período do Omer são canceladas nesse dia: as pessoas cantam e dançam, meninos que completaram três anos durante o período do Omer, mas que não tiveram seu primeiro corte de cabelo devido às leis de luto, muitas vezes viajam para Meron para fazer o primeiro corte de cabelo lá

 

Nessa data; casamentos também podem ser realizados. Fogueiras são acesas lembrando a luz revelada da parte oculta da Torá, reconhecendo o espírito ardente dos ensinamentos místicos de Rabi Shimon bar Yochai.

 

A alfarroba (que milagrosamente sustentou Rabi Shimon e seu filho quando eles estavam escondidos dos romanos na caverna) e ovos (um sinal de luto) são ingeridos nessa ocasião.
Desfiles de Lag Baomer

 

Começando na década de 1950, o sétimo Lubavitcher Rebe, rabino Menachem Mendel Schneerson, incentivou as crianças judias a participarem de grandes desfiles, paradas, de Lag Baomer como um incentivo a união e ao orgulho judaico.

 

Em frente à sede mundial de Lubavitch, no Brooklyn, Nova York, os desfiles atraíram – e ainda atraem – milhares de crianças de todas as esferas.

 

Em 1980, o Rebe deu instruções de que os desfiles de Lag BaOmer e as manifestações infantis deveriam acontecer não só em Nova York, mas em todo o mundo, especialmente em Israel.

 

Milhares de crianças participaram de dezenas de celebrações naquele ano. Até hoje Chabad organiza centenas de desfiles de Lag BaOmer ao redor do mundo a cada ano.

 

Lag Baomer é chamado de “Dia da ilula” de Rabi Shimon bar Yohai.

 

A palavra “ilula” em aramaico e significa uma festa de casamento.

 

Lag BaOmer é o “Dia da ilula de Rabi Shimon bar Yo’hái”, não quer dizer que esse dia era o de seu casamento, mas a data de sua morte.

 

A associação do termo ilula com o dia da morte de alguém é intrigante.

 

Afinal, ao longo das gerações, a data do falecimento de uma pessoa era guardada pela família e filhos como um dia triste – um dia de reflexão e expiação.

 

Muitas pessoas costumavam jejuar na data de falecimento de seus pais e mestres.

 

Contudo, ao longo do tempo, a associação do termo “ilula” com a data de falecimento de Rabi Shimon se tornou tão aceita que a data de falecimento de outras pessoas também passou a ser designada pelo termo “ilula”.

 

Como é possível que o mesmo termo usado para o casamento de uma pessoa – que se supõe ser um dos dias mais felizes de sua vida – possa ser usado para se referir a seu passamento deste mundo?

 

O primeiro Rebe de Chabad, Rabi Shneur Zalman de Liadi, autor do Tanya nos conta que o principal tema de um casamento é a alegria da noiva e do noivo.

 

Da união de duas Almas gêmeas que foram destinadas uma para a outra ainda antes de terem nascido, mas que estiveram separadas durante muitos anos.

 

Antes que suas Almas viessem a este mundo, eles se conheciam e tinham um relacionamento, que foi cortado após seu nascimento.

 

Pois, como nasceram de pais diferentes, que talvez até vivessem em países diferentes, em muitos casos levou décadas até que essas Almas voltassem a se encontrar.

 

A grande alegria de sua reunião, após anos de separação, de saudade e nostalgia, é a fonte da alegria de um casamento.

 

De modo semelhante, quando uma Alma desce a este mundo, ela se separa de todas as Almas que estavam juntas a ela no Jardim do Éden.

 

Enquanto ela permanecer neste mundo, essas Almas sentem sua falta.

 

Quando ela deixa este mundo e retorna ao seu lar original, Gan Eden, essas Almas celebram e e tem uma extrema alegria com essa reunião.

 

A alegria por essa volta e essa reunião nos Céus é tão grande que supera a tristeza das pessoas em nosso mundo quando de seu falecimento.

 

As pessoas que aqui ficaram devem tentar, por mais difícil que seja, vencer sua tristeza e entender que a Alma que deixou este mundo está feliz de ter chegado a um lugar mais feliz.

 

Rabi Shimon bar Yochai pediu para que as pessoas não chorassem sua partida, mas se alegrassem pela subida de sua alma.

 

Por esse motivo, a data de sua morte – Lag BaOmer, é chamada de sua “Hilula”.

 

Seu falecimento foi um casamento:

 

Quando ele deixou este mundo, ele se reuniu com as Almas que se encontram nas maiores alturas dos Céus, aquelas que sentiram sua ausência e esperaram por ele durante os anos em que ele viveu neste nosso mundo físico.

 

 

Rabino Gloiber
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Be’hukotai

Parashat Behukotai nos conta que quando estudamos Torá e cumprimos as Mitzvót (Mandamentos Divinos) AShem (D’us) nos dá a chuva na hora certa e na quantidade adequada.

 

A linguagem da Torá é : “a terra dará seus produtos e as árvores darão seus frutos”. E a pergunta é: Se a terra dará a seus produtos isso já inclui os frutos das árvores​, então, quais são essas árvores que darão seus frutos como consequência do nosso estudo de Torá e do cumprimento das Mitzvót?

 

O Midrash Sifra nos conta que essas são as árvores estéreis que nos tempos do Mashia’h elas darão frutos!

 

Ou seja, hoje nosso estudo de Torá é comparado a um pai muito sábio que ensina a sua sabedoria para uma criança pequena, a sabedoria do pai desce ao nível da criança , ele ensina a criança que é proibido roubar e etc.

 

Ou seja, a Torá que estudamos hoje está em um nível de “não roube” e etc , (e mesmo assim vemos muitos “representantes do povo” que não estão morrendo de fome roubarem quantias que nunca vão conseguir gastar na vida).

 

E mais, nosso nível de cumprimento de Mitzvót ainda é limitado  por não podermos cumprir as Mitzvót ligadas ao Beit a Mikdash,  e mesmo a Mitzvá da Shemitá hoje , de acordo com a maior parte dos “Posskim” (legisladores que determinam a aplicação da lei judaica) a Shemitá é “Derabanan” (decreto dos Sábios de Israel usando a autoridade que a Torá lhes deu para fazê-los​) e não “Deoraita” (Mitzvá direta da Torá).

 

Isso porque dez tribos de Israel estão temporariamente perdidas e as Mitzvót relacionadas à terra de Israel só voltarão a ser cumpridas em todos os seus aspectos quando cada tribo de Israel estiver nas partes​ da “Terra Santa” relacionadas à sua herança, e isso só vai acontecer nos tempos do Mashia’h.

 

Nosso estudo de Torá e cumprimento de Mitzvót hoje é o suficiente para a terra dar os seus frutos convencionais.

 

O estudo da Torá nos tempos do Mashia’h é comparado a um pai muito sábio ensinando segredos muito profundos​ à um filho muito sábio.

 

Hoje só conseguimos “provar” um pouquinho disso estudando a parte oculta da Torá que antes era revelada somente para um “petit comité” e hoje, de acordo com o Ari Zal, é uma Mitzvá revelar essa sabedoria, e mesmo assim a quantidade desse estudo é limitada.

 

E mesmo que nas últimas gerações foram revelados muitos assuntos profundos por meio da “Hassidut”, mesmo assim em relação às revelações dos tempos do Mashia’h quando o mundo inteiro de encherá com o conhecimento Divino em quantidade e qualidade , o que estudamos hoje ainda não é o suficiente para as árvores estéreis darem os frutos exóticos que elas darão no futuro.

 

Conclusão: vamos pedir todo dia para AShem mandar o Mashia’h imediatamente e usufruir todas as maravilhas desse futuro próximo !

 

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Para uma regra da Torá ter uma exceção a própria Torá tem que trazer essa exceção.

Na nossa Parashá encontramos uma linguagem muito pesada em relação ao​ que pode acontecer se não estudarmos Torá e não cumprirmos as Mitzvót.

A linguagem da Torá é “Se vocês não escutarem a mim” .

O Midrash Sifra nos conta que essa palavra “a mim” vem especificar que todas essas tragédias que a Torá descreve depois disso recaem sobre a pessoa que conhece D’us e tem a intenção de fazer conscientemente contra o pedido Divino.

Como exemplo o Midrash traz Sodoma e Gomorra, que conheciam D’us e faziam intencionalmente o contrário do que ele pediu , assassinando, roubando e etc.

O Ari Zal nos dá um exemplo das pessoas que trocaram intencionalmente o judaísmo pela idolatria na época do primeiro Beit a Mikdash.

A destruição não veio naquela geração porque a bondade Divina determina um longo período para que a pessoa possa fazer Teshuvá, naquela reencarnação ou em outra.

Mas quando​ chegou a “deadline”, o prazo final, aquelas almas se reencarnaram na época das cruzadas e da inquisição e tiveram a sua purificação , se precisassem morrer queimados em praça pública mas não fazer idolatria eles davam a vida, se precisassem fugir da Espanha e de Portugal  deixando os pertences para trás e não fazer idolatria eles fugiam.

Cada um de acordo com o nível de obsessão pela idolatria que ele teve na época do primeiro Beit a Mikdash quando trocou a sua religião.

Mas quem já nasceu em uma família Judia idólatra não entra nessa categoria, como vemos no Midrash, mas é considerado como alguém que não conhece D’us e não tem intenção de fazer algo propositalmente.

A “linguagem pesada” da Torá também vem para dar um ênfase na gravidade do assunto , como um pai bondoso que explica para o filho as consequências de certas coisas.

Então, vamos aproveitar o desconto estudar muita Torá e fazer muitas Mitzvót!

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

Mensagem da Parashá

Shemitá

https://www.instagram.com/reel/DX34S3aM19T/?igsh=MTE4emY1dHhyZzExaw==

 

 

Nossa Parashá nos conta que AShem falou com Moshe no monte Sinai e lá nos deu uma Mitzvá chamada “Shemitá”.

 

Todas as Mitzvót (Mandamentos Divinos) foram dadas no monte Sinai, não só a Shemitá. Então, porque nossa Parashá nos conta que essa Mitzvá foi dada no Monte Sinai?

 

Sendo que a Shemitá foi dada no monte Sinai com todos os seus detalhes e não foi revisada e explicada por Moshe Rabeinu no sefer Dvarim (quinto livro da Torá onde foram acrescentados mais detalhes sobre as Mitzvót), ela aparece aqui como tendo sido dada unicamente no monte Sinai.

 

Mas o que é Shemitá?

 

Simples! Você compra uma fazenda linda com vinhedos que produzem uvas carésimas, não deixa suas crianças se aproximarem dos cachos de uva para não estragá-los, por seis anos você vende as uvas por preços não convencionais e não deixa ninguém mexer nelas, mas no sétimo ano você descobre que a terra só era sua por seis anos e agora ela volta a pertencer ao verdadeiro dono, que por sinal é muito bonzinho e deixa você e todo mundo pegarem todas as uvas de graça!

 

E ainda mais, ninguém, (nem você) pode vender essas uvas!

 

Podem pegar só o que vão comer, e totalmente grátis!

 

Por trás da Shemitá

 

Para entender como isso funciona temos que nos lembrar que D’us nos deu a terra de Israel que foi dividida entre doze tribos das treze que existiam no nosso povo (a tribo de Levi e os Coanim que tiveram origem nela não participaram da divisão da terra).

 

Essa terra foi passando por herança até você aparecer e achar que comprou ela, e que por isso ela é sua…..

 

E aí você descobre que não é o verdadeiro dono!

 

E não só isso, mas quando você coloca tudo no papel você vê que, não só que não teve prejuízo, mas que ainda saiu no lucro porque a terra produziu no sexto ano uma quantidade que produziria em três anos! (E o sexto ano deveria ser o ano mais fraco depois de cinco de desgaste)

 

E também descobre não só que existe alguém dirigindo o seu negócio mas também que ele está fazendo isso muito melhor do que você!

 

Mas porque D’us nos coloca nessa situação que parece que estamos perdendo e no fim saímos ganhando ?

 

A resposta é simples! Para nos lembrar que esse mundo é de D’us e é ele somente que dirige o mundo e não nós , e mesmo que a nossa participação fazendo um trabalho para ganhar dinheiro e pagar as contas é uma ordem Divina, mesmo assim não podemos nos “endeusar” e achar que tudo depende de nós!

 

Aí vem a Mitzvá da Shemitá para nos lembrar que esse mundo não é nosso mas tem alguém dirigindo ele e só deixando nós, crianças pequenas , segurarmos na direção e pensarmos que estamos dirigindo o carro do papai !

 

Aprendemos com essa Mitzvá a ultrapassar todas as crises nos lembrando a cada instante que só D’us dirige o mundo, que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem e que D’us ama cada um de nós mais do que o amor de um casal que teve um filho único com cem anos de idade tem por esse filho, e cuida de nós com todo o amor e carinho.

 

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você