שְׁלַח
Shela’h
Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu, atendendo aos pedidos do nosso povo, mandou os presidentes de doze tribos, ou seja, das que receberiam uma parte da nossa Terra Santa, irem à ela pessoalmente para constatar a veracidade da promessa Divina.
A tribo de Levi que não receberia uma parte da nossa terra não teve representação.
Moshe Rabeinu deu algumas instruções aos nossos “espiões” e pediu para eles verificarem se havia lá uma árvore, um pedido aparentemente muito estranho sendo que qualquer terra habitável tem árvores.
Então, com certeza a intenção de Moshe não era a de eles verificarem se essa terra tem árvores, porque Hashem (D’us) nos prometeu aquela terra e com certeza tudo de bom havia nela, e uma terra sem árvores está mais próxima de ser um deserto do que ser uma terra fértil.
E mais, se Moshe quisesse saber se existem árvores naquela terra, ele pediria para os espiões verificarem se a terra tem árvores, e não pediria para eles verem se há lá uma árvore, uma única árvore.
A explicação da Guemará
A Guemará nos conta que a intenção de Moshe Rabeinu não era a de eles verificarem se existe lá uma árvore, mas sim de eles verificarem se ainda se encontra lá uma pessoa que teve uma vida tão longa como a vida de uma árvore, e essa pessoa era Yov (Jó).
Yov nasceu quando Yaakov desceu com toda a sua família para o Egito, e faleceu quando nossos “espiões” entraram na nossa terra prometida.
Moshe pediu para verificar se Yov ainda estava vivo, porque o mérito que ele tinha devido ao grande teste que ele passou em meio a grandes sofrimentos, seria uma proteção especial para toda aquela região.
Moshe é comparado ao Sol e Yov à árvore que protege do Sol todos aqueles que estão embaixo dela. Enquanto Yov ainda estivesse vivo não conseguiríamos conquistar a nossa terra prometida,
Por isso Hashem fez o milagre de Yov terminar seus longos 210 anos de vida quando os meraglim, nossos espiões, chegaram lá.
Também para que todos estivessem ocupados com o cortejo do enterro de Yov para o qual muitas pessoas vieram de muitos lugares, e não despertaria suspeita o fato de pessoas desconhecidas como os meraglim, nossos espiões, terem entrado naquela região.
A explicação do Zohar
O Zohar nos conta que a intenção de Moshe era mais profunda ainda. Diz o Zohar que Moshe pediu para os espiões verificarem se a árvore da vida que é a sincronização entre o Paraíso de baixo e o Paraíso de cima já se encontra lá.
Moshe Rabeinu tinha certeza de que ele entraria na Terra Santa com toda aquela geração, e ele também tinha certeza de que a Gueulá, nossa redenção final, aconteceria naquele momento.
Mas os espiões fizeram a leitura errada do que viram. Eles voltaram e disseram que os povos daquela terra são mais fortes do que D’us. A consequência disso foi que todos os homens do nosso povo choraram e decidiram que vão voltar para o Egito.
Mas as mulheres não! As mulheres continuaram na plena fé de que Hashem (D’us) dirige o mundo a cada instante e vai fazer para nós milagres sobrenaturais.
Por causa disso, Hashem (D’us) decretou para o nosso povo que todos os homens daquela geração que tivessem de vinte anos para cima, iriam morrer no deserto, sendo que a maioridade penal no judaísmo é vinte anos.
Mas as mulheres não, elas iriam entrar com as crianças na nossa terra prometida.
O Zohar nos conta que o Paraíso das mulheres no mundo superior é maior do que o Paraíso dos homens.
No nosso mundo físico os prazeres se encontram nas coisas materiais, e se os prazeres do mundo superior que desceram até o nosso nível já são chamados de grandes prazeres, imaginem esses prazeres lá em cima, na própria fonte!
Não há como descrever esses prazeres de tão grandes que eles são, e em tão grande intensidade.
O Zohar nos conta que no Paraíso no mundo de cima existe uma Yeshivá, um lugar onde se estuda Torá, a Yeshivá do Gan Eden.
Obviamente o prazer que se sente em estudar Torá na Yeshivá do Gan Eden é infinitamente maior do que qualquer prazer dos maiores prazeres desse nosso mundo material.
O Zohar nos conta que Rabi Shimon bar Yohai no Zohar recebeu a visita de um dos membros da Yeshivá do Gan Eden que veio responder às perguntas dele sobre a grandeza das mulheres no Paraíso superior, e também sobre as relações íntimas entre as mulheres e seus maridos que acontecem no Paraíso todas as noites à meia noite, e tudo isso no Gan Eden no mundo superior.
Para responder às perguntas de Rabi Shimon bar Yohai, o Shelia’h, o enviado da Yeshivá lá de cima, precisou entrar em seis níveis diferentes de Gan Eden, um superior ao outro. Cada um desses níveis é chamado de hei’hal que quer dizer um grande palácio, isso para termos uma leve idéia do que se trata.
Ele contou para Rabi Shimon que em cada um desses níveis os prazeres ficavam mais intensos, mas em um certo nível já havia uma “cortina” impedindo a entrada dos homens. De lá para cima somente as mulheres poderiam subir .
O Shelia’h contou para Rabi Shimon que depois dessa “cortina”, em um grande palácio se encontra Batya, a filha do faraó que se converteu ao judaísmo e salvou a vida de Moshe.
Junto com ela no Paraíso se encontram dezenas de milhares de mulheres que usufruem lá os mais intensos prazeres. E fora o fato de estarem lá juntas, cada uma delas tem seus próprios lugares de luzes e prazeres sem nenhum aperto entre elas.
Três vezes ao dia é anunciado naquele hei’hal que Moshe Rabeinu veio visitar sua mãe espiritual, Batya. Nessa hora ela sai ao encontro dele. Vendo a grandeza de Moshe no mundo superior, ela diz: Que maravilha que eu tive o mérito de cuidar de uma luz tão grande! E esse prazer para ela é o maior de todos.
Todos se encontram lá em cima com a aparência que tinham aqui nesse mundo. Mas sendo que velhice e problemas de saúde são defeitos do mundo de baixo mas não do mundo de cima, lá em cima voltamos às configurações “originais de fábrica”. Ou seja, aparência real de quando tínhamos vinte anos de idade com tamanho e peso ideais!
E mesmo recebendo lá um “corpo de luz”, ou seja, um corpo espiritual, mantemos nossa fisionomia, porque ela também é “original de fábrica”.
Todas essas mulheres que se encontram junto com Batya são mulheres que não precisaram passar pelo gehinom, sendo que elas já tinham passado por sofrimentos aqui neste mundo material e suas Almas já estavam puras, reluzentes e refinadas.
Em outro palácio se encontra Sera’h, a filha de Asher, e dezenas de milhares de mulheres juntas com ela.
Três vezes por dia é anunciado lá que Yossef veio visitá-la. Ela vai ao seu encontro com muita alegria e diz: que maravilha que fui eu que trouxe para o meu avô (Yaakov) a notícia de que você estava vivo e era o governador de todo o Egito.
Depois ela volta para as outras mulheres e juntas cantam melodias lindas, cânticos de agradecimento para Hashem de beleza surreal. A alegria lá é muito grande, e cada uma delas tem seus próprios espaços.
Depois elas estudam os segredos profundos que estão por trás dos mandamentos Divinos e o prazer que elas sentem nesses estudos é sublime.
Em outro palácio se encontra Yo’heved, a mãe de Moshe, o maior de todos os profetas, e dezenas de milhares de mulheres estão lá juntas com ela. Três vezes por dia ela agradece o criador do mundo junto com todas as mulheres que estão lá com ela.
Todo dia elas cantam o cântico do mar vermelho e todos os Tzadikim do Gan Eden se concentram na profunda doçura dos seus cânticos. Muitos anjos sagrados se unem aos seus cânticos e cantam para Hashem juntos com ela.
Em outro palácio se encontra Dvora a profetiza. Ela e todas as mulheres que se encontram lá com ela cantam o cântico que ela cantou nesse mundo.
O Shelia’h continua contando para Rabi Shimon que quem não ouviu os cânticos que as mulheres cantam para Hashem no Gan Eden e não viu a extrema alegria delas dentro e mais dentro daqueles palácios não sabe o que é alegria.
Bem dentro daqueles inacabáveis palácios, se encontram quatro palacios inacessíveis que são os palácios das nossas matriarcas. Mas não foi dada a permissão para o Shelia’h revelar a grandeza desses lugares, e não há alguém que teve o mérito de ver esses lugares de tão lindos que são.
Relações íntimas no Gan Eden
Toda noite, à meia noite, cada uma dessas mulheres que estão no Gan Eden se unem aos seus maridos, sendo que eles são dois aspectos de uma mesma Alma.
E isso acontece à meia noite, porque o horário mais apropriado espiritualmente para se ter uma relação, tanto no mundo de cima quanto no mundo de baixo, é meia noite.
A relação íntima naquele mundo é, na linguagem do Zohar, um “grude” de Alma com Alma e um “grude” de corpo de luz (corpo espiritual) com corpo de luz.
Uma relação entre marido e mulher neste mundo é uma relação de corpo com corpo. Diz o Zohar, cada coisa é feita da maneira como deve ser feita, cada mulher se une ao seu marido na dimensão em que os dois se encontram.
Se for nesse mundo material, a união é de corpo material com corpo material. No Gan Éden (no Paraíso) a união é de corpo de luz (corpo espiritual) com corpo de luz e de Alma com Alma.
O Shelia’h da Yeshivá do Gan Éden agradeceu ao Rabi Shimon bar Yohai por ter feito essas perguntas e dessa maneira dado a ele a oportunidade de visitar todos os palácios do Gan Éden para poder responder.
Depois ele continuou explicando sobre as relações íntimas entre as mulheres que se encontram lá no Gan Eden e seus maridos que também estão lá. O Shelia’h contou para Rabi Shimon que as relações íntimas no Gan Eden dão mais frutos do que as relações íntimas aqui nesse mundo.
Ele contou que quando as mulheres no Gan Eden se “colam nos seus maridos” que estão junto com elas no Gan Eden, elas engravidam e dão à luz ao mesmo tempo.
E quem são os filhos que nascem dessa relação tão sublime que acontece toda meia noite?
Quando essas Almas puras das mulheres que estão no Gan Éden tem uma relação com seus maridos, elas engravidam e dão a luz às Almas dos Guerim, que são as Almas das pessoas que vão se converter ao judaísmo.
E todas essas Almas que nascem no Gan Éden sobem para um palácio no próprio Gan Éden. Elas são os “frutos” dos Tzadikim, e essas são as Almas dos Guerim.
Por isso um Guer, que é alguém que se converte ao judaísmo, é chamado de “Guer Tzedek”. Porque ele é fruto da união entre a Alma de um Tzadik e a Alma de uma Tzadeket que se encontram no Gan Eden, sendo que para chegar ao Gan Eden cada um de nós tem que passar por um refinamento e se tornar um Tzadik ou uma Tzadeket por meio desse refinamento.
Às vezes conseguimos fazer esse refinamento de maneira positiva, estudando Torá e cumprindo os mandamentos Divinos com muita alegria. Às vezes esse refinamento acontece por meio dos sofrimentos que passamos.
E essa é a explicação do versículo que diz ” o fruto do Tzadik é a árvore da vida.
E esse foi o sinal que Moshe Rabeinu nos revelou quando pediu para os espiões verificarem se existe lá uma árvore. Se você vê pessoas se aproximando do judaísmo esse é o sinal de que o mundo de baixo está sincronizado com o mundo de cima, com a árvore da vida, e esse é o sinal de que a Gueulá, nossa redenção final, já está na porta!

Rabino Gloiber
Sempre rezando por você










