Author page: Rabino Gloiber

A Tradução da Torá pelo próprio Moshe Rabeinu

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A tradução da Torá para setenta idiomas

 

Nossa Parashá nos conta: “E foi no quadragésimo ano, no décimo primeiro mês, no primeiro dia do mês, começou Moshe a explicar esta Torá dizendo…”.

 

Dizem nossos Sábios, como traz Rashi, que Moshe explicou a Torá em setenta línguas diferentes.

 

Porque Moshê precisaria explicar a Torá em setenta idiomas?

 

Rabi Moshe ben Na’hman, o Ramban, nos ensinou que a Torá, as Profecias e todas as Escrituras Sagradas foram ditas na “Língua Santa” que é o idioma Divino no qual D’us falou com Moshe e com os Profetas.

 

Sendo que a Torá é a “Torá de AShem”(D’us), AShem “nos deu Sua Torá “, aparentemente o estudo da Torá deveria ser somente na “língua Divina”, a “Língua Santa”.

 

A definição da categoria da Torá chamada de Torá “escrita” é: Nenhuma letra a menos e nenhuma letra a mais, mas exatamente como foi dada por D’us.

 

E por esse motivo a leitura do Sefer Torá na sinagoga é considerado estudo, e temos que dizer uma Bra’há, uma Benção com nome de AShem, mesmo que o Judeu que está dizendo a Bênção não entende o que está lendo, e muitas vezes não entende nem a tradução da Benção.

 

Talvez por isso poderíamos dizer que a leitura da Torá escrita em qualquer ocasião só poderia ser feita na “língua Santa”, idioma no qual ela foi dada por D’us !

 

E não somente isso, mas até em relação às explicações da Torá, chamadas de “Torá Oral”, mesmo que aparentemente dependem somente do nosso entendimento, e se não entendemos a Torá Oral não cumprimos a Mitzvá de estudá-la, mesmo assim a lei judaica é que “pensamento não é fala” e para cumprir a Mitzvá devemos falar a Torá Oral.

 

E novamente poderíamos pensar que só cumprimos essa Mitzvá falando a Torá Oral na “língua Santa”.

 

E algumas leis que recaem sobre “falar” palavras de Torá são vigentes também em relação a Torá Oral como a proibição de falar palavras da Torá sem roupas e também o fato de não podermos fazer uma Bênção sobre a Torá que vamos pensar mas somente sobre a que vamos falar.

 

Ainda mais, sendo que a “Torá Oral” também é de D’us, poderíamos dizer que a classificação de “Estudo de Torá” só recaísse sobre a Torá Oral quando fosse dita na língua falada por D’us, na língua Santa.

 

Essa foi a ação de Moshe Rabeinu na nossa Parashá.

 

Por meio de ter explicado a Torá em setenta línguas, a partir daí recai o nome “Torá” sobre assuntos de Torá estudados pelo povo de Israel em outras línguas, mesmo não sendo essa a língua que D’us deu a Torá.

 

Fazendo com que recaia sobre ela a classificação de “Torá” a tal ponto que quando falamos assuntos de Torá em outras línguas estamos falando verdadeiras “Palavras da Torá” e se torna proibido falarmos elas antes de dizer a “Bênção da Torá”, e nem precisamos dizer que é proibido falar assuntos de Torá em qualquer idioma se não estivermos vestidos.

 

A iniciativa que teve Moshe na nossa Parashá foi incentivada pela própria Torá que usa algumas palavras nas línguas dos outros povos, como por exemplo “Yegar Sahaduta” , “Totafot” e etc.

 

O Midrash Tanhuma nos conta que até a primeira palavra dos Dez Mandamentos, Ano’hi (Eu) que engloba todos os mandamentos positivos da Torá é uma palavra retirada da língua egípcia antiga.

 

O motivo que essas palavras fazem parte da Torá que é toda de AShem é para que recaia a santidade da Torá sobre essas palavras e por meio disso as línguas dos povos se tornam refinadas para que se possa “repassar” a Torá por meio delas .

 

Isso acontece nos idiomas atuais também.

 

O que a Torá fez em curta escala somente indicando que isso é possível, e Moshe Rabeinu fez em larga escala , traduzindo toda a Torá para setenta línguas, aparentemente foi uma dica para a nossa situação atual.

 

Surgiram novos idiomas, todos derivados daquelas setenta línguas, e nós somos os que estão refinando esses novos idiomas quando repassamos a Torá por meio deles.

 

Na torre de Bavel aconteceu um milagre que deu origem a setenta línguas e delas saíram todos os idiomas que existem hoje.

 

Sabemos que a “Língua Santa” , que por meio dela D’us criou o mundo, foi falada por Adam e Havá (Adão e Eva) e continuou sendo falada por pessoas de cada geração também depois da torre de Bavel.

 

A maior prova disso é que o Povo de Israel que desceu para o Egito não mudou a sua língua que era a mesma desde a criação do mundo.

 

O Tossfot Yom Tov nos conta que o Hebraico antigo, que foi a primeira língua existente no mundo, deu origem ao aramaico, e o aramaico ao árabe.

 

Poderíamos pensar, será que o aramaico, sendo que é um derivado da “Língua Santa” já vem com a santidade do”Idioma Divino”?

 

A Torá nos dá a dica: Está escrito: “Yaakov chamou aquele lugar de “Gal Ed” e Lavan de “Yegar Sahaduta”.

 

Ou seja, tanto os idiomas derivados da “Língua Santa” quanto os derivados das outras línguas são o idioma de “Lavan o Arameu” e precisam ser refinados pela Torá !

 

O motivo que isso teve que ser feito especificamente por Moshe Rabeinu é porque todos os assuntos da Torá foram dados para o povo de Israel por meio de Moshe , “Moshe recebeu a Torá no Sinai”, a tal ponto que disseram nossos Sábios :-“Tudo que um aluno experiente vai inovar já foi dado para Moshe no Sinai”.

 

Por isso também o fato de serem chamados de “Torá” os assuntos de Torá ditos nas setenta línguas teria que ser revelado pelo próprio Moshe Rabeinu.

 

Porque Moshe pediu para o povo de Israel escrever a Torá nas pedras em setenta línguas?

 

Fora o fato de Moshe ter explicado oralmente a Torá em setenta línguas, Moshe e os anciãos de Israel pediram ao povo que no dia em que atravessassem o rio Jordão erguessem pedras grandes e escrevessem nelas todas as palavras desta Torá nessas setenta línguas, cada uma nas suas letras como nos contou o grande Tzadik Rabi Moshe ben Maimon, o Rambam, que a Torá foi escrita naquelas pedras com as letras de cada idioma.

 

Vemos aqui que Moshe Rabeinu conseguiu fazer com que não haja diferença entre traduzir a Torá oralmente para as setenta línguas e escrever ela em setenta línguas.

 

Nos dois casos ela se tornou considerada “Torá” com toda a devida santidade relacionada a ela.

 

Por esse motivo Moshe também teve que traduzir oralmente a Torá e também pedir para que ela fosse escrita na escrita de cada povo.

 

Duas obras distintas, uma para que recaia a santidade da Torá sobre a língua dos povos e a outra para que essa santidade recaia também sobre a escrita dos povos.

 

Ou seja, para que os livros com assuntos de Torá escritos nas letras dos setenta idiomas também sejam chamados de Livros Sagrados, “Sifrei Kodesh”, e devam ser cuidados com o mesmo respeito que damos aos livros escritos na “Língua Santa”.

 

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Os Milagres da Gueulá

Os Milagres da Gueulá

 

O profeta Yeshaiahu (Isaías), descreve a saída do Egito como algo que AShem (D’us) fez com a maior facilidade.

 

Ele traz um exemplo para entendermos o raciocínio desse assunto:

 

As guerras antigas eram feitas por meio de cavaleiros montados em cavalos e o Egito antigo era a superpotência mundial.

 

O profeta Yeshaiahu descreve a revelação Divina no Egito como estando AShem “montado em uma nuvem leve”.

 

Após descrever com que leveza AShem se revelou no Egito, ele descreve que todos os ídolos do Egito se balançaram na frente dele, nos mostrando que AShem não precisa fazer nenhum “esforço” até para destruir o país mais forte do mundo.

 

O Zohar explica que todos os governantes mais poderosos do mundo e também todos os seus povos são considerados nada diante de AShem, como diz o profeta Daniel:

 

“E todos os habitantes da Terra como um nada são considerados”.

 

Mesmo que a nossa saída do Egito tenha acontecido por meio de pragas enormes e de maneira sobrenatural, tudo isso é descrito pelo profeta como um “cavalgar em uma nuvem leve”, mostrando que AShem, não precisa de qualquer esforço para destruir a maior potência mundial.

 

O que motivou AShem a se revelar pessoalmente para destruir o Egito, se ele poderia fazer isso por meio de um Anjo ou por meio de qualquer outro fator?

 

Diz o Zohar que o motivo para isso é que AShem é comparado ao Rei, e nós somos comparados à Rainha.

 

Por isso o Rei fez questão de vir pessoalmente salvar a Rainha, a fim de demonstrar o seu grande amor por ela.

 

Dessa mesma forma, AShem vai se revelar no final do exílio de Edom, o qual é o nosso exílio atual.

 

Mas sendo que o nosso exílio atual foi mais longo do que os anteriores, e o nosso sofrimento foi mais intenso, a honra que o Rei dará para a Rainha dessa vez será muito maior, e a revelação Divina acontecerá com muito mais intensidade.

 

Em nossa redenção final, que já está para acontecer, além de o Rei vir pessoalmente salvar a Rainha em honra a ela, ele também mostrará a sua força ao mundo, porque isso enobrece ainda mais a Rainha.

 

Na redenção da Babilônia, quando as tribos de Yehudá e Beniamin saíram do exílio e construíram o segundo Beit a Mikdash com a autorização do rei da Pérsia, os milagres sobrenaturais não aconteceram.

 

O motivo para isso, foi que aquela redenção não era uma redenção final, sendo que dez Tribos ainda se mantiveram perdidas, e o comportamento do nosso povo naquela época não justificou que grandes milagres fossem feitos, sendo que eles eram uma parte do nosso povo e estavam misturados aos povos locais.

 

Diferente do Egito, onde a redenção naquela época aconteceu para todo o nosso povo, que estava diferenciado dos egípcios, “o povo de Israel entrou no Egito e o povo de Israel saiu do Egito”.

 

Mas no exílio de Edom, nosso exílio atual, AShem quer revelar a Sua honra no mundo, levantar a Rainha definitivamente e tirar dela todos os vestígios de que um dia ela estava exilada.

 

Por esse motivo, o atual estado de Israel não representa nem a nossa redenção final, e nem o começo dela, o local do nosso futuro Beit a Mikdash, é um patrimônio tombado pela Unesco e a Judéia onde estão os túmulos dos nossos patriarcas virou autonomia palestina que os povos do mundo não nos dão o direito de anexar.

 

O “PARTO DA GUEULÁ”.

 

Coitado de quem estiver vivendo na época em que acontecer a nossa redenção final, diz o Zohar. Coitado de quem estiver contra nós, quando acontecer a profecia do profeta Yeshaiahu que diz:

 

“abane o pó, levante-se e sente-se no seu trono Yerushalaim (Jerusalém), tire as correntes que estão prendendo o seu pescoço”.

 

Quem é o Rei e o povo que poderá desafiar AShem nessa hora? Pergunta o Zohar.

 

O Zohar também nos explica que o fato de os ídolos do Egito terem caído frente a mínima revelação Divina, foi devido à anulação lá em cima dos anjos do lado impuro que eram responsáveis pelas forças ocultas da idolatria egípcia fazendo com que elas desaparecessem aqui em baixo.

 

O mesmo acontecerá na nossa Gueulá, só que em uma intensidade infinitamente maior.

 

De todo lugar onde fomos exilados, AShem vai nos tirar, e não só isso, mas também cobrará daqueles povos o mal que fizeram para nós.

 

Aqui vemos que também os descendentes dos judeus, que estão misturados com esses povos, incluindo as dez tribos perdidas, vão ser redimidos, e aqueles povos serão castigados por terem nos maltratado.

 

Da mesma maneira que as gerações que causaram o dilúvio, fizeram a Torre de Bavel e Sodoma e Gomorra, se reencarnaram como o nosso povo no Egito para receber a sua retificação, assim também aqueles povos que nos fizeram o mal, se reencarnarão e eles próprios receberão o castigo que está decretado para eles, sendo que os filhos não pagam pelos pecados dos pais.

 

Os portugueses e espanhóis que viveram na época da inquisição, aqueles próprios ingleses, franceses e alemães que viveram na época das cruzadas, os romanos da época da destruição do segundo Beit a Mikdash, os babilônios da época da destruição do primeiro Beit a Mikdash e os assírios da época da destruição do reino de Israel que era o país das nossas dez Tribos perdidas, eles pessoalmente irão desafiar o Mashia’h e receber o castigo pelo que nos fizeram.

 

Assim como Moshe Rabeinu não precisou de um exército para lutar contra o faraó, o Mashia’h lutará contra esses povos, com muito mais intensidade. Esses povos serão a reencarnação daquelas pessoas que nos fizeram o mal durante todos os nossos mais de 3.800 anos de história.

 

O Zohar dá ênfase no castigo que esses povos vão receber, comparando a nossa redenção final à saída do Egito dizendo:

 

Se até os egípcios que nos receberam entre eles, nos deram a melhor parte do seu país que era a terra de Goshen, e mesmo que nos maltrataram no exílio, não roubaram nossos bens, não roubaram nosso dinheiro e nem a terra que eles nos deram, mas por terem nos maltratado no exílio foram julgados pelo tribunal Divino e receberam todas aquelas pragas.

 

Quanto mais os Assírios, os babilônios e os romanos que vieram nos atacar sem motivo, nos assassinaram, roubaram nossas terras e nossos bens e nos exilaram em todos os cantos do mundo, AShem revelará a Sua honra em sua maior intensidade e o castigo que eles receberão será muito maior do que o que receberam os egípcios antigos.

 

Daqui vemos que os milagres que vão acontecer em breve em nossos dias, serão infinitamente maiores do que aqueles que aconteceram no Egito, como dizem nossos Sábios que os milagres da Gueulá serão chamados de milagres relativos a milagres.

 

Ou seja, imagine o nosso povo atravessando o Mar Vermelho, como se fosse uma coisa óbvia, e Moshe dizer para eles que daqui a pouco vão acontecer milagres.

 

Esses milagres têm que ter uma intensidade tão grande, que na frente deles um milagre sobrenatural não seria chamado de milagre!

 

Por isso diz o profeta Yehezkel que na Gueulá futura, brevemente em nossos dias, AShem (D’us) vai se revelar em tal nível de grandeza que causará o reconhecimento de todo o mundo.

 

Rabino Gloiber

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Assassinato por falta de reza🌻Assassinato por meio de reza🌻Anulando uma reza assassina

 

Nossa Parashá nos conta que alguém que matou uma pessoa acidentalmente também é chamado de assassino.

 

O  “Assassino sem intenção” não é condenado à morte como o assassino com intenção, mas recebe um castigo de exílio em uma cidade de refúgio que foi feita para esse fim e geralmente era habitada pela tribo de Levi que não tinha terra própria .

 

O castigo dele era ficar lá até o Cohen Gadol (sumo sacerdote) falecer e o versículo diz que “depois da morte do Cohen Gadol o assassino pode voltar à sua terra”.

 

Surge a pergunta:

 

Porque a Torá continua chamando ele de assassino se de acordo com a própria Torá depois da pessoa ter recebido o castigo neste mundo sua transgressão é apagada no tribunal Divino ?

 

No começo ele é chamado de assassino porque a regra da Torá é que coisas boas acontecem por meio de pessoas boas, e coisas ruins por meio de pessoas ruins.

 

O fato de a morte acidental ter acontecido por meio dele justifica o adjetivo assassino.

 

Depois que ele cumpre sua pena, se tornando por meio disso um Tzadik, diz a Torá: “Depois que morrer o Cohen Gadol voltará o assassino para a terra da sua herança”.

 

A linguagem é estranha! Porque a Torá continua chamando ele de assassino mesmo depois de ele ter cumprido sua pena?

 

Assassinato por falta de reza

 

A Guemará em Macot 11b nos conta que o Cohen Gadol na função de sumo sacerdote deveria rezar para que esses acidentes não acontecessem, e o fato de ter acontecido demonstra que o Cohen esqueceu de rezar para isso

 

Assassinato por meio de reza

 

A consequência automática disso é uma reza contrária, o exilado reza para que o Cohen Gadol morra rápido para que ele possa sair do exílio e voltar para a sua família.

 

Por isso ele é chamado novamente de assassino, por ter causado a morte do Cohen Gadol por meio de suas rezas, nos ensinando que uma reza não só que pode salvar alguém mas pode também matar alguém

 

Anulando uma reza assassina

 

A mãe do Cohen Gadol levava para esses exilados roupas e comida para que eles não desejassem o mal da sua família, e esse era o jeito dela de anular essa propensão de reza.

Ou seja, depois que ele recebeu dela roupas e comida, ele só iria desejar o bem dela e dar todas as bênçãos para essa família.

Conclusão : sempre temos que rezar e pedir pelas pessoas próximas a nós para que nada de ruim aconteça por meio delas e também sempre ajudar à quem está ligado à nós para que todos sempre desejem o nosso bem.

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A força da Tefilá é tanto para cá quanto para lá

 

Nossa Parashá nos conta que alguém que matou uma pessoa acidentalmente também é chamado de assassino.

 

O  “Assassino sem intenção” não é condenado à morte como o assassino com intenção, mas recebe um castigo de exílio em uma cidade de refúgio que foi feita para esse fim e geralmente era habitada pela tribo de Levi que não tinha terra própria .

 

O castigo dele era ficar lá até o Cohen Gadol (sumo sacerdote) falecer e o versículo diz que “depois da morte do Cohen Gadol o assassino pode voltar à sua terra”.

 

Surge a pergunta:

 

Porque a Torá continua chamando ele de assassino se de acordo com a própria Torá depois da pessoa ter recebido o castigo neste mundo sua transgressão é apagada no tribunal Divino ?

 

No começo ele é chamado de assassino porque a regra da Torá é que coisas boas acontecem por meio de pessoas boas, e coisas ruins por meio de pessoas ruins.

 

O fato de a morte acidental ter acontecido por meio dele justifica o adjetivo assassino.

 

Depois que ele cumpre sua pena, se tornando por meio disso um Tzadik, diz a Torá: “Depois que morrer o Cohen Gadol voltará o assassino para a terra da sua herança”.

 

A linguagem é estranha! Porque a Torá continua chamando ele de assassino mesmo depois de ele ter cumprido sua pena?

 

Assassinato por falta de reza

 

A Guemará em Macot 11b nos conta que o Cohen Gadol na função de sumo sacerdote deveria rezar para que esses acidentes não acontecessem, e o fato de ter acontecido demonstra que o Cohen esqueceu de rezar para isso

 

Assassinato por meio de reza

 

A consequência automática disso é uma reza contrária, o exilado reza para que o Cohen Gadol morra rápido para que ele possa sair do exílio e voltar para a sua família.

 

Por isso ele é chamado novamente de assassino, por ter causado a morte do Cohen Gadol por meio de suas rezas, nos ensinando que uma reza não só que pode salvar alguém mas pode também matar alguém

 

Anulando uma reza assassina

 

A mãe do Cohen Gadol levava para esses exilados roupas e comida para que eles não desejassem o mal da sua família, e esse era o jeito dela de anular essa propensão de reza.

 

Ou seja, depois que ele recebeu dela roupas e comida, ele só iria desejar o bem dela e dar todas as bênçãos para essa família.

 

Conclusão : sempre temos que rezar e pedir pelas pessoas próximas a nós para que nada de ruim aconteça por meio delas e também sempre ajudar à quem está ligado à nós para que todos sempre desejem o nosso bem.

 

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O segredo das 42 Viagens que fazemos nesse mundo

Quarenta e duas viagens

Nosso povo fez quarenta e duas viagens entre a saída da escravidão no Egito e a milagrosa entrada na “Terra Prometida”.

 

O que há por trás das quarenta e duas viagens que nos dá a obrigação de nos lembrarmos delas todos os anos quando lemos Parashat Mass’ei na Torá ?

 

O Baal Shem Tov nos revelou que cada Judeu e Judia tem um itinerário de viagens planejado lá de cima para percorrer durante sua vida.

 

A Torá nos conta sobre quarenta e duas viagens que o povo de Israel teve que fazer entre a saída do Egito e a chegada à terra de Israel.

 

Diz o Baal Shem Tov que o objetivo dessas viagens era para elevar pequenas “Revelações Divinas”, que chamaremos de “Centelhas Divinas”.

 

Quando damos um exemplo sobre a Revelação Divina comparamos ela à uma grande Luz, a Luz infinita de AShem, por isso essas pequenas revelações são comparadas à pequenas centelhas.

 

O objetivo dessas 42 viagens era fazer um “Tikun”, uma “reparação”, um conserto espiritual nesses lugares por onde eles passaram que consistia em elevar essas “Centelhas Divinas”.

 

Em cada lugar eles acamparam, mas ficaram somente o tempo necessário para fazer o “Tikun” e elevar as “Centelhas Divinas” daquele lugar.

 

O Baal Shem Tov diz que cada Judeu e Judia tem um circuito de viagens pré destinadas durante toda a sua vida.

 

Tudo é pré determinado até os pequenos detalhes.

 

Onde vai morar, onde vai trabalhar, para onde vai viajar, onde vai passar uma semana, onde vai passar um ano, onde vai morar mais ou menos tempo.

 

Um detalhe interessante é que tanto no lugar onde o povo de Israel acampou por um só dia quanto no lugar onde eles acamparam por dez anos eles montaram o Mishkan como se fossem ficar lá a vida inteira.

 

Nos ensinando que mesmo sabendo que Mashia’h pode chegar hoje, mesmo assim devemos nos comportar de maneira natural como se tivéssemos que ficar aqui a vida inteira.

 

Nossas viagens

 

Todos nós somos chamados de Sefaradim (Judeus Espanhóis) ou Ashkenazim (Judeus Alemães).

 

Mas nossos avós não vieram da Espanha mas sim de países Árabes.

 

Somos Sefaradim só de nome porque na Espanha já não tem comunidade judaica nos últimos quinhentos anos.

 

E a grande maioria dos Ashkenazim não veio da Alemanha mas sim da Europa oriental.

 

Ou seja, na Síria e no Líbano sabíamos que éramos Sefaradim (espanhóis) e não libaneses.

 

Nenhum de nós pertencia nem mesmo ao próprio país de onde vinha, demonstrando explicitamente a locomoção do nosso povo.

 

Ninguém mais pode voltar para a Síria ou para o Líbano nem para visitar e ninguém vai querer morar na Polônia ou na Romênia que no passado foram comunidades judaicas enormes.

 

Os Judeus que foram expulsos de Recife em 1654 fundaram Nova York e eram chamados de Sefaradim, em 1824 Judeus vindos do Norte da África fundaram a Sinagoga de Belém e também eram chamados de Sefaradim.

 

Todos nós Judeus temos uma aparência Européia ou Árabe mesmo sendo Judeus brasileiros e essa é a marca registrada de que somos turistas em qualquer país onde vivemos, “Trade Travellers”, “Turismo de negócios”.

 

Pensamos que tudo o que fazemos estamos fazendo para nós próprios mas na realidade por trás de tudo está D’us causando nossas mudanças para que possamos elevar essas “Centelhas Divinas” espalhadas pelo mundo.

 

E assim fazemos todos os consertos, ”Tikunim”, que nossa Alma precisa fazer nesse mundo em um limite de viagens pré determinado.

 

Achamos que conseguimos um emprego melhor e subimos na vida, depois vamos para a China comprar mercadoria e voltamos para cá para vender a mercadoria, pensamos que somos espertos e lucramos!

 

Mas simplesmente é D’us que está causando tudo isso para que cada um possa elevar a sua parte do mundo, a parte que está na sua responsabilidade.

 

Por isso que sobre a saída do Egito está escrito que deixamos o Egito como uma armadilha sem isca ou como as fossas oceânicas que não tem peixes.

 

Ou seja, tiramos do Egito a “isca” espiritual que nos atraiu para lá que na verdade eram 210 “Centelhas Divinas” que elevamos lá, e o mesmo estamos fazendo aqui e agora!

 

Comentário do Rav Avraham Biniamini sobre a nossa Parashá:

 

Gostei muito de ler o Dvar Torá da Parashat Matot Massei!

 

Ele foi redigido de maneira espetacular e com certeza vai alcançar seu objetivo de despertar amor à D’us e divulgar a Chassidut (ensinamentos profundos da Torá) e assim aproximar de maneira adequada a vinda do Mashiach e a construção (do Beit Hamikdash) por nós esperada o dia inteiro já fazem dois mil anos.

 

Como introdução peço desculpas, gostaria de fazer uma observação. Somente uma observação de rodapé.

 

Está esclarecido nos livros sagrados que como consequência da “Quebra dos receptáculos, conceito cabalístico que se refere a um fenômeno espiritual acontecido antes da criação do mundo, caíram 288 Nitzutzot, “Centelhas Divinas” nesse nosso mundo material chamado pela Cabala de “o mundo do conserto”.

 

Nos anos da fome, na época em que Yossef era o vice rei do Egito antigo, pessoas de todas as terras trouxeram ao Egito dinheiro, ouro, prata e etc, e com esse dinheiro compraram trigo e mantimentos.

 

E assim, por meio desse dinheiro Yossef o Tzadik reuniu no Egito essas Nitzutzot para que o povo de Israel pudesse elevá-las.

 

E realmente assim aconteceu, a maior parte delas se elevou, como está escrito “e também erev rav”.

 

A palavra “rav” tem o valor numérico de 202 representando 202 Nitzutzot matrizes.

 

Sobraram ainda 86 Nitzutzot cujo valor numérico é equivalente a um dos nomes de D’us, “Elokim”, e também à palavra “natureza”, indicando que esse nome se refere à revelação Divina dentro da natureza, milagres revestidos em assuntos naturais.

 

A pergunta é: como em 210 anos elevaram 202 Nitzutzot e desde lá até hoje se passaram 3330 anos e ainda não terminamos de elevar esses poucos 86 Nitzutzot que sobraram.

 

Está esclarecido nos livros da Torá oculta que depois da saída do Egito, aqueles poucos 86 Nitzutzot se dividiram, e por isso em todos os exílios pelos quais passamos e estamos passando, de uma maneira geral os judeus se locomovem atrás das “partículas” dessas “Centelhas Divinas” em todo o mundo.

 

No começo era na Ásia e no nordeste da África, na continuação foi a Europa e etc etc etc .

 

Nos últimos tempos a tecnologia se desenvolveu e por isso nem sempre precisamos viajar para a China para elevar os Nitzutzot que estão lá mas por meio da importação de produtos “Made in China” facilitam esse assunto para nós judeus, e os Nitzutzot chegam até nós (como chegaram para Yossef no Egito) em forma de roupas, outros produtos e etc.

 

Me despeço com a Brachá de que, como diz o Rebe de Lubavitch, já terminamos o trabalho do refinamento, esse trabalho de elevar os Nitzutzot, terminamos a parte geral obviamente, mas ainda deve ter sobrado para cada um de nós alguma coisinha pequena personalizada para elevarmos, e então imediatamente chega o Mashiach que estamos esperando já há dois mil anos.

 

Com a Brachá de que esses dias vão se transformar em alegrias e mais alegrias e grandes festas.

 

Rabino Avraham David Halevi Biniamini
Petrópolis

🌻🌻🌻🌻

A Parashá da Minha Vida 🌻Pin’hás

O ódio Gratuito

No começo da nossa Parashá, AShem (D’us) pediu para fazer uma guerra contra Midian por eles terem abalado a estrutura familiar do nosso povo e causado 24.000 mortes.

Essa guerra aconteceu a mais de 3300 anos atrás. Por qual motivo temos que nos lembrar hoje que vencemos a guerra de Midian?

A Torá tem um lado revelado que chamamos de “corpo da Torá”, e um um lado oculto, “Alma da Torá”. O lado corpo dessa guerra aconteceu a 3300 anos atrás mas o lado alma dela acontece diariamente.

Aqui na nossa Parashá estudamos no lado oculto da Torá o diagnóstico de uma “Klipá” que é uma força negativa que atua no mundo, chamada de klipat Midian.

Essa Klipá é a fonte espiritual do ódio gratuito que causou a destruição do segundo Beit a Mikdash, causou o exílio do nosso povo, e até hoje ela continua no nosso meio.

Então não é por acaso que lemos essa Parashá nessa época em que o Beit a Mikdash foi destruído.

A Torá já tinha nos contado sobre os meraglim, os espiões, que contra a vontade Divina queriam que o povo ficasse no deserto estudando Torá para entrarem na terra de Israel espiritualmente mais bem preparados.

Agora, depois de décadas de estudo, nosso povo se encontra com um exército de mulheres que vem nos seduzir. Como poderiam correr atrás da primeira mulher que vissem depois de estarem quase quarenta anos estudando Torá?

Essa é a consequência da Klipá que se provou resistente aos estudos de Torá , a classe social e a nível espiritual. Todos nós estamos sujeitos a ela, ela é a pior de todas as klipot.
Características da Klipá de Midian

1-Bilam, o feiticeiro, sabia que para D’us a pior coisa é a destruição do conceito familiar, o que acontece por meio de relações ilícitas.

Bilam não tinha motivo justo para aconselhar Balak contra nós, mas era ódio gratuito, porque seu país, Midian, estava longe de nós, e não representávamos um perigo para ele ou para seu povo.

Ele viajou até Moav para dar o conselho mais destrutivo do mundo em relação à nós, sabendo que Moav também não estava em perigo.

Quando essa Klipá nos contagia, nos tornamos dispostos a fazer tudo para destruir. Ela desperta em nós o sentimento de destruição sem limites, sem motivo, ou por um motivo muito pequeno, destruir gratuitamente.

 

Como nos proteger?

Não nos deixando seduzir pela Klipá!

Sempre que sentirmos motivação para entrar em uma briga e queremos destruir totalmente nosso próximo a ponto de desejar até sua inexistência, sabemos que ela despertou em nós.

Nessa hora, imediatamente temos que despertar nosso sistema imunológico espiritual (yetzer a Tov) contra ela e tomarmos a decisão de não brigar, não dar palpites destrutivos e não “colocar lenha na fogueira” seja o que não for.

As jovens de Midian justificaram seu comportamento como causa nobre e espiritual, e até princesas participaram dessa sedução em massa.

Cada uma levou com ela seu deuzinho, o Baal Peor, que foi apresentado como deus politicamente correto que apoiava o prazer e bem estar de seus adoradores, e cuja adoração consistia em fazer as “necessidades” sobre ele, demonstrando que não existe nada proibido no mundo contanto que isso te dê prazer. Ou seja, se você se sente bem brigando com alguém, brigue!

Essa é outra característica dessa Klipá, ela apresenta a destruição por meio de brigas e intrigas como se isso fosse uma causa nobre, politicamente correta e ainda com o apoio divino da idolatria !

 

Como sabemos que isso é Klipá ? Pelas consequências !

 

Por mais nobre e politicamente correta que seja a causa, se a consequência é a destruição, aí a klipá se encontra.

Então vamos abrir mão da legitimidade da briga olhando mais longe, vendo que se continuarmos a briga todos sairemos perdedores.

No começo da briga ou da intriga já devemos mentalizar a paisagem da destruição do pós briga, e do tempo necessário para reparar os prejuízos que ela causará e para curar os ferimentos que ela trará.

Vamos abrir mão dos prazeres descontrolados da briga que a klipá nos oferece, para não morrer na peste espiritual que é a consequência desse tipo de prazer.

No primeiro dia da criação do mundo quando D’us criou a luz ele disse “Ki Tov”(Que bom)

No segundo dia D’us criou a separação, colocando limites entre os oceanos e as nuvens, uma separação extremamente necessária que sem ela não existiríamos, mesmo assim D’us não falou que era bom.

A separação pode ser uma coisa extremamente necessária, mas sendo que é uma separação, está longe de ser uma coisa boa.

O Beit a Mikdash foi destruído por causa de pessoas que estavam com toda a razão, como vemos na história de Kamtza e Bar Kamtza.

Kamtza em aramaico é formiga, e se formiga já é uma coisa pequena, imagine o “bar Kamtza”(o filho da formiga).

Por causa de uma “coisinha pequena” que foi vista como uma briga justa e necessária, causa nobre apoiada até pelo silencio dos rabinos da época, tivemos um verdadeiro holocausto !
 

Não seja “durão” (e nem durona)

A Guemará em Guitim nos conta que um homem rico de Yerushaláim (Jerusalém) fez uma grande festa. Seu amigo se chamava Kamtza e seu inimigo Bar Kamtza.

Ele pediu para seu shamash (“serviços gerais”, faxineiro, geralmente pessoa muito simples) chamar o Kamtza e o faxineiro se atrapalhou e chamou o Bar Kamtza no lugar dele.

O problema já teria que ser arquivado nesta etapa como ”erro de faxineiro”, coisa insignificante. Mas o dono da festa, que seu nome nem aparece na história, se relacionou a isso com a maior gravidade.

Aí a klipá se revela! Ele usou sua autoridade para exigir a retirada do Bar Kamtza de sua festa, e o que seria uma possibilidade de reconciliação entre dois judeus, acabou em uma guerra mundial.

Bar Kamtza foi durão e se recusou a sair, oferecendo pagar pelo que comer e beber. O dono da festa foi durão e não aceitou, e aí a klipá vai crescendo.

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou novamente a sair, oferecendo patrocinar metade da festa. O dono da festa foi durão e não aceitou.

Bar Kamtza foi durão novamente, e se recusou novamente a sair, dessa vez oferecendo patrocinar a festa inteira. O dono da festa foi durão e não aceitou, pegou o Bar Kamtza e o colocou para fora.

Os rabinos que estavam lá foram durões e não fizeram nada para acalmar os ânimos, e a partir dessa etapa a coisa piorou até envolver o império romano. Por causa disso nosso Beit a Mikdash foi destruído e nosso exílio se estende por 2000 anos.

Na hora da briga cada um estava certo e tinha quem o apoiava, nenhum dos lados viu que o final não é a vitória mas sim a destruição de todos.

A única vitória verdadeira é quando nos controlamos e não brigamos, então vencemos e destruímos a klipá de Midian.

Com essa história nossos Sábios nos dão a dica de como vencer a klipá.

Simples: não seja durão! (e nem durona!)

 

Shabat Shalom

Rabino Gloiber
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“Entre os apertos”

Bein a Meitzarim

בין המיצרים (entre os apertos)

 

As “Três Semanas” entre os dias 17 de Tamuz e 9 de Av representam um período de luto anual no qual lembramos a destruição do primeiro e do segundo Beit a Mikdash (o Templo Sagrado de Jerusalém) e o início de nosso exílio.

 

Nessas três semanas não fazemos casamentos e nem cortamos o cabelo, também não ouvimos musicas tocadas por instrumentos musicais verdadeiros e ao vivo.

 

Esse período tem início no dia 17 do mês hebraico  de Tamuz, data que marca a destruição das muralhas de Jerusalém pelos romanos no ano 69.

 

Essa época termina com o jejum de Tishá BeAv,  dia 9 do mês de Av, data da destruição do Beit a Mikdash.

 

Tishá BeAv é o dia mais triste do calendário judaico, e é também a data em que muitas outras tragédias aconteceram para o  nosso povo.

 

Um pouquinho de Guemátria

 

O número 21 que é a soma dos dias dessas “Três Semanas” forma a palavra hebraica A’h que significa somente.

 

O dia 17 de Tamuz tem o valor numérico da palavra hebraica “Tov”, que quer dizer “bondade”.

 

Essas duas palavras juntas são o começo do versículo : “A’h tov Leisrael”, que quer dizer “Apenas o bem para Israel”.

 

Isto mostra que, de modo mais profundo, os acontecimentos desagradáveis das Três Semanas, na realidade, levarão somente à coisas boas.

 


17 de Tamuz

 

Cinco acontecimentos trágicos aconteceram nesse dia na história do nosso povo:

 

No dia 6 de Sivan recebemos os Dez Mandamentos no Monte Sinai. No dia 7 de Sivan Moshe Rabeinu subiu bem cedinho no Monte Sinai para receber o resto da Torá, e ficou lá quarenta dias e quarenta noites.

 

No dia 17 de Tamuz Moshe Rabeinu desceu do Monte Sinai, depois de 40 dias de “altas revelações” carregando as duas Lu’hot que eram lousas de pedra preciosa gravadas por AShem (D’us) com os Dez Mandamentos e juntas formavam um cubo de pedra preciosa.

 

Quando Moshe viu o povo dançando em volta do Bezerro de Ouro, as essas Lu’hot que Moshe Rabeinu conseguia carregar somente por milagre de AShem , caíram das suas mãos e se quebraram. Essa tragédia aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Na época do primeiro Beit a Mikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, no dia de 17 de Tamuz as oferendas do Beit a Mikdash foram anuladas por causa do cerco em volta da cidade.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz, Nebuzaradan, que era o general da Babilônia, quebrou a muralha de Jerusalém e seu exército invadiu a cidade de Jerusalém onde todos os judeus tinham se refugiado, fazendo um verdadeiro holocausto, assassinando uma quantidade enorme de pessoas.

 

Em outra época no dia de 17 de Tamuz foi colocada uma estátua no Beit a Mikdash.

 

O Talmud Yerushalmi nos traz duas opiniões em relação a essa estátua:

 

Uma opinião é de que na época do primeiro Beit a Mikdash, Menashe, que era o rei da Judéia  naquela época, colocou um ídolo no Beit a Mikdash, e isso aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Outra opinião é de que “Apostomos o Rashá” (Apostomos o criminoso) que era um governador dos gregos da Síria que dominava a nossa terra na época do segundo Beit a Mikdash, colocou uma estátua no Beit a Mikdash.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz “Apostomos o Rashá” ordenou queimar o Sefer Torá.

 

Não sabemos se o motivo para esse acontecimento ter entrado na nossa história é pelo fato de isso ter acontecido pela primeira vez ou pelo fato de eles terem confiscado nossos Sifrei Torá durante muito tempo e no dia 17 de Tamuz terem feito um evento público de queima de todos os Sifrei Torá apreendidos.

 

A diferença entre as primeiras e as últimas Lu’hot :

 

As primeiras eram a obra de AShem (D’us) , as segundas eram obra de Moshe, como está escrito:“faça para você” (Moshe as fez).

 

A milagrosa escrita Divina gravada nas primeiras Lu’hot nunca mais foi recuperada.

 

Essa forte revelação Divina cujas letras estavam gravadas de lado à lado de forma legível sob qualquer ângulo e cuja mensagem podia ser claramente transmitida, sem qualquer possibilidade de distorção da escrita.

 

 

Quando as primeiras Lu’hot foram dadas, nosso povo estava em um nível de “Tzadikim” (pessoas altamente elevadas) porque ao acamparem em frente ao Monte Sinai, a impureza que eles tinham antes desapareceu.

 

Quando eles receberam as segundas Lu’hot eles estavam em um nível de Baalei Teshuvá, ou seja, de pessoas que ficaram com remorso do mal que fizeram.

 

Mas as segundas Lu’hot tinham uma grande qualidade: elas foram dadas com as Ala’hot, o Midrash e as Agadot.

 

Elas foram assim “uma dupla doação de sabedoria da Torá”, como o explica a Guemará em Nedarim (22B).

 

Além disso, a partir da hora que recebemos essas segundas Lu’hot, um raio de luz iluminou o rosto de Moshe.

 

Em breve em nossos dias todos esses dias de sofrimento vão se transformar em dias de festa com a chegada do Mashia’h e a Gueulá, nossa redenção final .

 

Rabino Gloiber

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Como mudar o nosso destino

 

 

Bom dia pessoas maravilhosas 🥰🌻❤️

 

 

Mazal

 

O Zohar nos conta sobre um livro da antiguidade que não chegou até os nossos tempos.

 

Esse livro era chamado de “livro dos antepassados”, um livro de Torá oculta.

 

Ele nos revela que o segredo do Mazal é ligado às Sefirot .

 

Todo subconjunto de Sefirót é chamado de “face” que em aramaico é “Anpin”.

 

O “Zeer Anpin”, a “pequena face”, é formado pelas Sefirót Hessed, Guevurá, Tiféret, Netza’h, Hod e Yessod.

 

O Zohar chama o Zeer Anpin de Tiféret.

 

Tem vezes que a Sefirá chamada de Mal’hut que é o nível de Revelação Divina chamado de She’hiná, está com uma falha causada pelas más ações feitas nesse mundo, e não se une a Tiféret para receber dela novas Neshamot que são as Almas Divinas, as Almas judias.

 

Mesmo nesse caso a Mal’hut tem que enviar para o mundo as Neshamot que já recebeu da Tiféret quando estava unida a ela e que ficam no Mal’hut por doze meses.

 

Essas Neshamot que descem para o mundo quando o Mal’hut está em estado de Guevurá e separado da Tiféret vão estar sempre sofrendo nesse mundo.

 

A pobreza e os problemas a perseguem continuamente por toda a sua vida. Tanto se ele é um Tzadik ou não, ele não tem “Mazal “

 

O único jeito de ele “repor” essa falta crônica de Mazal é investindo na Tefilá, na reza, sendo que por meio da nossa Tefilá causamos uma união entre a She’hiná e a Tiféret.

 

Essa união faz com que a Tiféret que é comparada pelo Zohar ao sol, ilumine a Mal’hut que é comparada pelo Zohar à lua sendo que a lua só tem a luz que recebe do sol.

 

A Tiféret repassa um “brilho” de riqueza para a She’hiná.

 

Esse “brilho” ilumina na raiz da nossa Neshamá e por meio disso a She’hiná inverte o que nos foi decretado de pobreza e sofrimento para riqueza e sucesso em tudo.

 

Sendo que o Mazal dessa pessoa não se transforma totalmente por meio da Tefilá, mas é “remediado”, essa pessoa sempre vai ter que rezar “forte” diariamente toda a sua vida para repor essa “falta”.

 

A Neshamá que desce para o mundo quando o Mal’hut está unido com a Tiféret, sempre vai ter sucesso em tudo! Família , saúde , dinheiro e tudo o que precisar,.

 

E isso acontece por causa de uma das seis Sefirot que fazem parte desse grupo que o Zohar chama Tiferet.

 

Essa Sefirá é chamada de Yessod que é apelidado de “Mazal”.

 

Ela é a Sefirá que repassa a fartura e prosperidade do mundo de cima para o nosso mundo.

 

Quando a Mal’hut está unida com esse conjunto de Sefirót chamado de Tiféret, ela consegue repassar para nós toda a felicidade, riqueza e tudo de bom, sendo que tudo isso está ligado à Sefirá chamada de Yessod que é o Mazal.

 

A falta dessa ligação causa uma falta de “Mazal” em tudo, e sobre isso estudamos que :

 

Filhos, saúde e dinheiro não dependem das nossas ações mas dependem do Mazal.

 

Sendo que a falha na She’hiná (Mal’hut) causou isso para esses Tzadikim, AShem está sempre unido à eles, não deixa eles nem por um momento e sofre com os sofrimentos deles.

 

Por isso está escrito: “AShem está próximo dos que tem o coração quebrado”.

 

Porque eles sofreram junto com AShem a falha da She’hiná causada pelas más ações desse mundo.

 

Sendo que a Mal’hut é comparada a lua e esses Tzadikim sofrem por causa dessa falha, no futuro, quando a falha da lua espiritual que é a Mal’hut, for consertada e a luz da lua ficar como a luz dos sete dias da criação, extremamente maior que a luz da lua, esses Tzadikim também usufruirão desse nível de revelação que é extremamente maior do que os outros níveis .

 

Essa falta de Mazal não precisa ser aplicada ao extremo, por isso o Zohar coloca o Rabi Shimon Bar Yo’hái também nessa classificação, sendo que Rabi Shimon teve que fugir dos romanos por treze anos.

 

O próprio exílio de quatrocentos anos que foi decretado no pacto com Avraham Avinu começou com o nascimento de Itzhak e as mudanças de lugar que eles fizeram foi considerada como exílio, e poderia ter passado assim por quatrocentos anos diz o Zohar, não fosse o ódio dos irmãos por Yossef que causou um agravamento total no exílio.

 

Em nosso exílio atual que foi causado por ódio gratuito, isso fica mais grave ainda, sendo que sairemos desse exílio somente por meio de amor gratuito.

 

Sendo assim, o principal trabalho da nossa geração é despertar o amor ao próximo e ajudarmos uns aos outros, como é a característica natural do nosso povo de sermos tímidos , bondosos e gostarmos de ajudar.

 

Conclusão : A Tefilá e o amor ao próximo podem transformar o nosso Mazal é até uma viagem de férias pode ser considerada um exílio !

 

AShem é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , e por isso , mesmo que o nosso Mazal não é dos bons não temos com o que nos preocupar.

 

Acrescentando em Tefilá e boas ações qualquer decreto pode ser substituído por meios que só AShem sabe fazer.

 

Rabino

Gloiber

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Mensagem da Parashá

Separação: coisa boa ou coisa ruim?

Separação: coisa boa ou coisa ruim?

 

No primeiro dia da criação do mundo quando D’us criou a luz ele disse “Ki Tov”(Que bom)

 

No segundo dia D’us criou a separação colocando limites entre os oceanos e as nuvens, uma separação extremamente necessária que sem ela não existiríamos, mesmo assim D’us não falou que era bom.

 

A separação pode ser uma coisa extremamente necessária, mas sendo que é uma separação coisa boa ela não é. Necessária sim, boa não!

 

Não seja “durão”

 

A Guemará em Guitim nos conta que um homem rico em Jerusalém fez uma festa. Seu amigo se chamava Kamtza e seu inimigo Bar Kamtza.

 

Ele pediu para seu shamash (“serviços gerais”, faxineiro, geralmente pessoa muito simples) chamar seu amigo Kamtza para a festa e o faxineiro por engano chamou seu inimigo Bar Kamtza.

 

O problema já teria que ser arquivado nesta etapa como ”erro de faxineiro”, coisa insignificante. Mas o homem que seu nome nem aparece na história se relacionou à isso com a maior gravidade.

 

Aí a klipá se revela! Ele usou sua autoridade para exigir a retirada do Bar Kamtza da sua festa, e o que seria uma possibilidade de reconciliação entre dois judeus vai acabar em uma guerra mundial.

 

Bar Kamtza foi durão e se recusou a sair oferecendo pagar pelo que comer e beber, o dono da festa foi durão e não aceitou, e aí klipá vai crescendo.

 

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou a sair oferecendo patrocinar metade da festa. O dono da festa foi durão e não aceitou.

 

Bar Kamtza foi durão novamente e se recusou a sair novamente, dessa vez oferecendo patrocinar a festa inteira. O dono da festa foi durão e não aceitou, pegou o Bar Kamtza e o colocou para fora.

 

Os rabinos que estavam lá foram durões e não fizeram nada para acalmar os ânimos e a partir dessa etapa a coisa piorou até envolver o império romano causando a destruição do nosso Beit Hamikdash e um exílio que se estende por quase 2000 anos.

 

Na hora da briga cada um estava certo e tinha quem o apoiava, nenhum dos lados viu que o final não é a vitória mas sim a destruição de todos.

 

A única vitória verdadeira é quando nos controlamos e não brigamos, então vencemos e destruímos a klipá de Midian. Com essa história nossos Sábios nos dão a dica de como vencer a klipá. Simples: não seja durão!

 

Os bastidores da destruição do Beit a Mikdash

 

O Beit a Mikdash foi destruído por causa de pessoas que aparentemente estavam com toda a razão como vemos na história de Kamtza e Bar Kamtza.

 

Kamtza em aramaico quer dizer formiga, e se formiga já é uma coisa pequena, imagine o “bar Kamtza”(o filho da formiga).

 

Nos indicando que por causa de uma “coisinha pequena” que foi vista como uma briga justa e necessária, causa nobre apoiada até pelo silêncio dos rabinos da época, tivemos um verdadeiro holocausto .

 

Conclusão:

 

Hoje deveríamos ser pelo menos a mega potência mundial com a moeda mais valorizada do mundo e o mundo inteiro concorda que temos todo o potencial para isso.

 

Mais ainda, poderíamos já ter entrado na era da Gueulá com todos os milagres e maravilhas que ela vai nos trazer.

 

Então vamos transformar o que sobrou dessa doença crônica que é o ódio gratuito que nos acompanha nos últimos dois mil anos em amor gratuito.

 

Todss as energias que tínhamos usado até agora para destruir o que sobrou do nosso povo vamos para construir.

 

Vamos amar os nossos semelhantes com uma intensidade maior do que aquela que usávamos para odiar.

 

Vamos intensificar o nosso amor gratuito  e no mérito da nossa união vamos receber a Gueulá, nossa  verdadeira e completa redenção final 🥰🌻❤️

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Ódio gratuito, uma doença espiritual negativa auto imune

Pin’hás🌻

Ódio Gratuito:

 

No começo da nossa Parashá D’us pede para fazer uma guerra contra Midian por eles terem abalado a estrutura do nosso povo recrutando um exército de mulheres para seduzir os jovens judeus e induzi-los à idolatria do Baal Peor causando 24.000 mortes em uma epidemia que surgiu como consequência disso.

 

Essa guerra aconteceu há mais de 3378 anos. Por qual motivo temos que nos lembrar hoje que vencemos a guerra de Midian há tanto tempo atrás?

 

A Torá tem um lado revelado que chamamos de “corpo da Torá” e um um lado oculto, “Alma da Torá”.

 

O lado “corpo” dessa guerra aconteceu há mais de 3378 anos atrás mas o lado “Alma” dela acontece diariamente.

 

Aqui na nossa Parashá estudamos no lado oculto da Torá o diagnóstico de uma “Klipá” (força espiritual negativa que atua no mundo) chamada de klipat Midian.

 

Essa Klipá é a fonte espiritual do ódio gratuito que causou a destruição do segundo Beita Mikdash, o exílio do nosso povo, e até hoje ela continua no nosso meio.

 

Então não é por acaso que lemos essa Parashá nessa época em que o Beit a Mikdash foi destruído .

 

A Torá já tinha nos contado sobre os meraglim (espiões) que contra a vontade Divina queriam que o povo ficasse no deserto estudando Torá para entrarem na terra de Israel mais preparados.

 

Agora, depois de décadas de estudo, nosso povo se encontra com um exército de mulheres que vem nos seduzir.

 

Como poderiam correr atrás da primeira mulher que vissem depois de estar quase quarenta anos estudando Torá?

 

Essa é a consequência da Klipá que se provou resistente a estudos de Torá, à classe social e até à nível espiritual.

 

Todos nós estamos sujeitos à ela, ela é a pior de todas as klipot.

 

Características da Klipá de Midian:

 

1-Bilam o feiticeiro sabia que para D’us a pior coisa é a idolatria e a destruição do conceito familiar, relações ilícitas.

 

Bilam não tinha motivo justo para aconselhar Balak, rei de Moav contra nós.

 

Seu país (Midian) estava longe de nós e não estava nos nossos planos de conquista, e portanto o ódio dele por nós era “ódio gratuito”.

 

Ele viajou até Moav sabendo que Moav também não estava em perigo, para dar o conselho mais destrutivo do mundo em relação à nós.

 

Ele estava “possuído” por essa klipá.

 

Quando essa Klipá nos contagia nos tornamos dispostos a fazer tudo para destruir.

 

Ela desperta em nós o sentimento de destruição sem limites, sem motivo ou por um motivo muito pequeno, destruir gratuitamente.

 

Como nos proteger dessa klipá?

 

Não nos deixando seduzir pela Klipá!

 

Sempre que sentirmos motivação para entrar em uma briga e querer destruir nosso próximo a ponto de desejar até sua inexistência sabemos que ela se despertou em nós.

 

Imediatamente temos que despertar nosso sistema imunológico espiritual (yetzer a Tov) contra ela e tomarmos a decisão de não brigar, não dar palpites destrutivos e não “colocar lenha na fogueira” seja o que não for.

 

As jovens de Midian justificaram seu comportamento como causa nobre e espiritual, e até princesas participaram dessa sedução em massa.

 

Cada uma levou com ela seu deuzinho, o Baal Peor, que foi apresentado como deus politicamente correto que apoiava o prazer e bem estar de seus adoradores e cuja adoração consistia em fazer as “necessidades” sobre ele demonstrando que não existe nada proibido no mundo contanto que isso te dê prazer.

 

A mensagem dessa klipá é: “Se você se sente bem brigando com alguém, brigue!”

 

Ela apresenta a destruição por meio de brigas e intrigas como causa nobre, politicamente correta e ainda com o apoio divino da idolatria

 

Como sabemos que isso é Klipá ?

 

Pelas consequências !

 

Por mais nobre e politicamente correta que seja a causa, se a consequência dela é a destruição, aí a klipá se encontra.

 

Então vamos abrir mão da legitimidade da briga olhando mais longe, vendo que se continuarmos uma briga todos sairemos perdedores.

 

No começo da briga ou da intriga já temos que mentalizar a paisagem da destruição do “pós briga” e do tempo necessário para reparar os prejuízos que ela causará e para curar os ferimentos que ela trará.

 

Vamos abrir mão dos prazeres descontrolados da briga que a klipá nos oferece para não morrer na peste espiritual que é a consequência desse tipo de prazer.

 

 

Rabino Gloiber

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