Mensagem da Parashá

A mentira que vira Mitzvá

https://youtu.be/9Sko2KtVTaw?si=9q5-jB1-TDGPglEk

 

Nossa Parashá nos revela a grandeza do Shalom Bait e a importância da harmonia Familiar

 

Mesmo que a linguagem da Torá é : “fique longe da mentira”, mesmo assim quando você for convidado para um casamento, mesmo se a noiva for feia e antipática você deve dizer para o noivo que ele teve sorte de encontrar uma noiva tão bonita e simpática!

 

E essa é a lei judaica na prática e foi instituída de acordo com Beit Hilel!

 

Porque na Torá não está escrito que é proibido mentir?

 

Está escrito “fique longe da mentira”, deixando uma dica que em certos casos é permitido mentir, e não só que é permitido, mas também que a mentira se torna uma grande Mitzvá

 

Explica o Baal Shem Tov que a mentira é como um veneno que quando é usado na dose correta ele se torna um remédio que seria impossível fazer com outra coisa a não ser com o veneno.

 

Aharon a Cohen era esse especialista que conseguia usar a mentira na dose certa para fazer as pazes entre marido e mulher e entre pessoas brigadas.

 

Mas a mentira na overdose volta a ser um veneno, e por isso, se não está claro que sabemos usar ela na composição certa, temos que ficar longe dela.

 

Quase como continuação do assunto da mulher que se “desviou”, a Parashá nos conta sobre o Nazir.

 

A mensagem do Nazir é que quando houver necessidade, podemos fazer um juramento de não beber vinho e não cortar o cabelo por um tempo determinado para abaixar um pouquinho a nossa prepotência, enfraquecer um pouco o nosso ego.

 

Esse tipo de juramento chamado de Nezirut não pode ser feito depois da destruição do Beit a Mikdash porque se for feito hoje não temos como desfazê-lo.

 

Dizem nossos sábios que o motivo da proximidade entre essas duas Parashiot  é para sabermos quando chegou a hora de fazer esse juramento.

 

Quando vemos a Sotá (a mulher que se desviou) passar pelo que está passando, devemos aprender com isso a nos proteger de coisas que podem causar o nosso próprio desvio.

 

Como é o caso da vaidade obsessiva que por si só já é uma grande tragédia, e quando ela é acompanhada pela obsessão pelo vinho ela fica muito maior.

 

Daqui aprendemos como nos relacionar ao que acontece à nossa volta.

 

Não devemos pensar na pessoa que fez a coisa errada e acharmos que somos melhores do que ela por ainda não termos feito a coisa errada também.

 

Mas quando vemos alguém fazendo uma coisa errada devemos pensar que nós também não estamos imunes desse tipo de comportamento e investir no nosso próprio refinamento.

 

Pensar em como nos vacinar para não chegarmos a uma situação semelhante.

 

Depois da Parashat Nazir,  como se fosse uma continuação dela, a Parashá nos trás as Bênçãos dos Cohanim, mostrando que esses três assuntos estão interligados.

 

Você se comporta bem com a esposa mesmo ela não dando motivo para isso (e no caso da mulher, você se comporta bem com o seu marido mesmo ele não dando motivo para isso), evitam beber para esquecer as mágoas mas esquecem as mágoas pelo motivo religioso de ser proibido guardar rancor principalmente entre cônjuges, e no mérito desse amor gratuito e união incondicional AShem te dá todas as Bênçãos, te dá muito dinheiro e te protege dos ladrões.

 

Te dá todas as Bênçãos e te protege para que você sempre possa ter proveito delas com muita saúde e alegria

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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A coisa mais importante do mundo

Quando a Torá nos ensina uma regra , se há alguma exceção ela tem que estar na própria Torá.

A Torá nos ensina a proibição de apagar o nome de D’us . Aqui na nossa Parashá ela traz a excessão.

Não só uma permissão para apagar o nome de D’us mas uma obrigação de apagá-lo.

E qual é o caso tão importante para justificar uma coisa assim? É o “Shalom Bait”!

É permitido apagar o nome de D’us para salvar um casal do divórcio.

Daqui vemos a grandeza do Shalom Bait (harmonia familiar) na Torá.

E a Torá está permitindo isso para fazer o Shalom Bait de uma mulher que estava sendo assediada por alguém e o marido disse para ela não se trancar com a pessoa que estava dando encima dela.

Um belo dia (ou uma bela noite) o marido chega de viagem, bate na porta , e quem destranca a porta por dentro?………o cara!

E a mulher aparece para justificar que esse mês ele não tinha onde dormir……então veio dormir em casa!

O marido suspeita que algo tenha acontecido e quer divórcio. Ele leva ela para o Beit a din (tribunal rabínico) e ela diz que não traiu.

O Beit a din não tem como verificar, sendo que a Torá não aceita deduções como prova e é necessário ter duas testemunhas oculares que viram “o pincel dentro do tinteiro” (uma coisa dentro da outra, ou seja, o próprio ato.

Não tendo o que fazer, o Beit a din encaminha os dois para o Beit a Mikdash em Yerushaláim.

No Beit a Mikdash os Coanim (sacerdotes daquele turno) avisam que podem escrever a “Maguilat Sotá” copiando a “Parashat Sotá” da nossa Parashá com os nomes de D’us contidos nela, dissolver essa Parashá com os nomes de D’us dentro de um copo de água e dar para a mulher beber.

Se nada acontecer para ela, o marido pode ficar tranquilo porque nada aconteceu na prática.

O Coen avisa que caso ela tenha traido, se beber isso ela falece, e dá as últimas chances para ela não beber aquela água .

Se ela sabe que não traiu , ela pode beber essa água tranquila e o fato de ela não falecer vai ser a prova para o marido de que nada aconteceu, fora o susto.

E não só isso, se ela não tinha filhos agora ela vai receber uma indenização Divina pela vergonha que passou e ter muitos filhos.

Infinita Bondade Divina:

Não só que AShem pede para apagar o nome dele para fazer o Shalom Bait mas ainda indeniza a mulher milagrosamente pela vergonha que ela passou.

Hoje que não temos o Beit a Mikdash é proibido dizer para a esposa não se trancar com alguém porque se ela se trancar não temos o Beit a Mikdash para salvar o casamento da crise.

Nossos Sábios explicam que o capítulo 125 do Tehilim está garantindo para nós que se um homem não teve uma relação com uma mulher casada com outro AShem protege ele para que isso não aconteça com a esposa dele. D’us não vai colocar uma mulher ruim no destino dessa pessoa.

Rabino Gloiber
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Bamidbar 🌻 No deserto

 

Começamos um novo livro, o quarto livro do pergaminho de Moshe que contém cinco livros em um único pergaminho.

 

Nosso livro atual se chama Bamidbar que quer dizer “no deserto ‘

 

 

Na nossa Parashá AShem pede para Moshe Rabeinu fazer a contagem do nosso povo.

Rashi explica que por causa do amor que AShem tem por nós Ele nos conta o tempo todo.

 

E ainda sobre a contagem do nosso povo, sendo que no começo da nossa história como povo fomos contados, em breve, na época do Mashia’h seremos tão numerosos como a areia do mar que não tem como ser contada.

 

Nossa Aftará nos trás a profecia de Oshea (Oséias) que fala sobre o enorme número de judeus que vai se revelar quando Mashia’h chegar e também sobre o amor que AShem tem por cada um de nós.

 

Nessa Aftará vemos isso de maneira bem clara.

 

A Guemará nos conta que AShem disse ao profeta Oshea que o povo de Israel não está se comportando de maneira correta (para que ele rezasse pelo nosso povo como fez Moshe Rabeinu).

 

A profecia de Oshea no lugar de rezar por nós, propõe  à AShem trocar nosso povo por outro.

 

O desencadeamento dessa profecia é que o país das dez tribos conhecido como “reino de Israel” onde o profeta Oshea se encontrava e atuava, se perdeu no meio dos povos do mundo mas volta de maneira imensurável na época do Mashia’h.

 

Geralmente os profetas tinham que ligar sua profecia à uma ação. No caso de Oshea, AShem pediu para ele se casar e ter filhos com uma prostituta.

 

Ele se casa com Gomer bat Dvalim que era prostituta filha de prostituta e que estava feliz com o que fazia.

 

Ela tinha filhos com os clientes e assim montou sua família, já havia se acomodado nessa profissão sem sonhar em sair dela e montar uma família normal.

 

Eles se casam e tem um filho que D’us pede para chamá-lo de Izreel profetizando que o nosso povo (aquelas dez tribos judaicas) vai ser semeado  (espalhado) entre os povos do mundo.

 

Depois eles tiveram uma filha que D’us pede para chamá-la de “LoRuhama” profetizando que D’us não vai ter piedade do nosso povo, “no more chance”!

 

Depois eles tem mais um filho que D’us pede para chamar de “LóAmi” profetizando que o povo de Israel não é mais o povo de AShem.

(Vemos na prática que tudo isso aconteceu com o país das dez tribos).

No final D’us pede para ele se divorciar…

 

O profeta não concorda e diz para AShem:-Eu tenho filhos com ela, como posso tirar ela de casa ou me divorciar? No way!

 

Então AShem diz para o profeta:- Se até você que não tem certeza se sua esposa é só sua e se os filhos são realmente seus, mesmo assim já não é capaz de quebrar a família, como poderia Eu trocar o povo de Israel por outro povo?

 

Nessa hora o profeta entende que fez um erro de avaliação e reza forte para que AShem inverta a profecia.

 

Sendo que uma profecia negativa não é obrigada a acontecer, a profecia se inverte e AShem diz para o profeta que no lugar de Ló Ami, “não é meu povo”, eles serão chamados de filhos do D’us vivo. (Filhos, ou seja, ainda mais queridos do que povo, seguindo a regra da Torá de que depois de cada descida obrigatoriamente acontece uma grande subida).

 

E a profecia continua, dizendo que nós (que somos chamados de judeus porque somos descendentes da tribo de Yehudá e Beniamin) vamos chamar nossos irmãos (das dez tribos) de “nosso povo” e nossas irmãs (das dez tribos) de Ruhama (nosso consolo).

 

Conclusão, quem está triste em acreditar que o povo de Israel se limita aos poucos milhões da contagem oficial vai ficar maravilhado quando em breve essa profecia acontecer!

 

Rabino Gloiber

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Be’ar 🌻 Shemitá e Monte Sinai


Nossa Parashá nos conta sobre como devemos ajudar à nossos semelhantes em várias situações.

 

E quem melhor para explicar esse assunto do que Don Itzhak Abarbanel que foi um dos maiores comentaristas da Torá e junto com isso foi ministro das finanças de três países em uma das épocas mais conturbadas que o nosso povo já passou.

 

Don Yitzhak ben Yehuda Abarbanel

(יצחק בן יהודה אברבנאל)

 

Don Itzhak Abarbanel foi um grande Sábio do nosso povo.

 

Ele nasceu em 1437 em Lisboa, filho de Yehuda Abarbanel que era o tesoureiro (ministro da finanças) do rei Afonso V de Portugal. A família de Don Itzhak Abarbanel tinha ascendência até o Rei David.

 

Depois do falecimento de seu pai, o rei Afonso V  o nomeou como ministro das finanças de Portugal. Sua alta posição e as grandes riquezas herdadas do seu pai só aumentaram nele o amor pelos pobres e oprimidos.

 

Em 24 de agosto de 1471, durante o reinado de Afonso V,  a cidade de Arzila no Marrocos foi conquistada pelos portugueses que empregaram nesse assalto cerca de 500 navios e 30.000 soldados.

 

Arzila era uma cidade estratégica nas rotas comerciais antigas e por isso viviam naquela cidade centenas de judeus que foram aprisionados pelos portugueses e colocados à venda como escravos.

 

Don Itzhak Abarbanel contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também coletas em favor dessa causa nobre entre todos os judeus de Portugal. Centenas de judeus foram resgatados e ele os bancou até que pudessem se manter sozinhos.

 

Após a morte do rei Dom Afonso V, seu filho, Dom João II, se tornou o novo rei de Portugal. Ele foi um grande tirano, concentrou o poder em volta de si retirando-o da aristocracia por meio de muitas penas de morte por qualquer mínima suspeita possível e imaginável.

 

Nas conspirações que se seguiram suprimiu o poder da casa de Bragança e apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo, o Duque de Viseu, e assim, depois de assassinar todos os seus opositores, João II governou o país sem nenhuma oposição.

 

Don Itzhak Abarbanel foi obrigado a fugir de Portugal, tendo sido acusado pelo rei de cumplicidade com o Duque de Bragança que o rei executou por suspeita de conspiração.

 

Avisado a tempo, ele conseguiu fugir com a sua família para Toledo no reino de Castela. De Toledo, Don Itzhak Abarbanel enviou uma carta ao rei provando a sua inocência. O rei se recusou a ouvir e a grande fortuna de Don Itzhak Abarbanel foi confiscada por decreto real.

 

Depois disso o rei João II perdeu o herdeiro do seu trono, seu filho único de 16 anos que morreu em uma misteriosa queda de cavalo, e por fim o próprio rei João II morreu com 40 anos de idade provavelmente envenenado.

 
Em Toledo Don Itzhak Abarbanel se ocupou inicialmente com o estudo da Torá, e no decorrer de seis meses escreveu uma grande quantidade de comentários sobre os livros de Josué, Juízes e Samuel.

 

Pouco depois ele foi convidado pelos reis de Castela para administrar as receitas do país e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, ele se tornou o ministro das finanças para satisfação total de Isabel de Castela.

 

Durante as guerras, Don Itzhak Abravanel emprestou quantias enormes de dinheiro ao rei. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus da
Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei à revogar o decreto, inclusive oferecendo ao rei 30.000 ducados que era uma fortuna exorbitante na época. A rainha influenciou o rei à não ceder e em 1492 os judeus da Espanha foram expulsos.
 

Don Itzhak Abarbanel deixou a Espanha com 600.000 judeus que fugiram para todas as direções para poder continuar professando sua fé.
 

Ele foi para Nápoles e lá ele foi convidado para trabalhar com o rei. Por um pequeno período ele viveu em paz, mas no fim a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o rei de Nápoles para Messina e mais tarde para Corfu.
 

Em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde trabalhou na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza. Faleceu em Veneza em 1508 com 71 anos e foi enterrado em Pádua.
 

Don Itzhak Abarbanel ficou conhecido em nome do seu livro “Abarbanel sobre a Torá” e daí para frente todas as gerações o chamaram de Abarbanel.

A explicação do Abarbanel 

Nossa Parashá nos conta sobre a Shemitá, o ano sabático no qual os campos são abertos aos pobres.
 
A Parashá nos conta também sobre o resgate das terras que foram vendidas pelos seus donos originais que empobreceram e as venderam por necessidade, sobre o ano do Yovel em que as terras voltam automaticamente aos seus donos originais que as tinham vendido por necessidade, e todos esses mandamentos Divinos vem favorecer aos empobrecidos.


Por final a Parashá fala sobre o último estágio da pobreza no qual todos se igualam, tanto o que chegou à ela depois de ter vendido o que tinha e ter ficado sem fonte de renda, quanto aqueles que não tinham nenhuma fonte de renda desde o começo, como por exemplo alguém que se converteu ao judaísmo vindo de outro povo.
 

Ou até mesmo o “guer toshav” que assumiu no Beit a Din sete mandamentos, e por causa disso, diz o Abarbanel, ele também é chamado de “o seu povo” e a ordem Divina é de que “ele vai viver com você”, ou seja, por meio da sua ajuda ele vai viver e não vai morrer.
 

E sendo que a linguagem do versículo é de que todas essas categorias de pobres “vão viver com você”, a Torá está nos indicando que os pobres da sua cidade são prioridade, não podemos abandoná-los, não podemos deixá-los.

 

E eles vão ser esses aos quais devemos emprestar nosso dinheiro à eles sem juros e também fazer para eles Tzedaká do nosso dinheiro. E quando o versículo fala sobre a proibição de pegar juros ele usa as palavras “e você vai ter temor à D’us”.

 

Porque talvez (D’us nos livre) um dia nós próprios ou nossos filhos ou nossos netos poderemos estar nessa situação, porque a pobreza é um círculo que roda pelo mundo. E então nossos irmãos vão estar ao nosso lado.

 

E por isso a Torá diz para darmos à ele nosso apoio como presente, como Tzedaká. E nesse caso o versículo usa a frase “Eu sou AShem seu D’us que tirei de do Egito”, onde vocês estavam no aperto e na pressão, na extrema pobreza, para dar à vocês a terra de Canaã, uma terra boa e ampla, uma herança sem limites, e não dei ela para vocês com juros mas para ser o D’us de vocês.

 

O primeiro estágio da pobreza

 

A primeira fase da pobreza é a venda da própria fonte de renda, por isso a Torá começa nos dando a lei em relação à pessoa que empobreceu à ponto de ter que vender o campo e o vinhedo da sua herança – pobreza nível 1

 

O segundo estágio da pobreza

 

A segunda fase da pobreza é venda da própria casa, por isso a Torá continua nos dando a lei em relação à pessoa que teve que vender a própria casa – pobreza nível 2

 

O terceiro estágio da pobreza

 

A terceira fase da pobreza é a pessoa deixar seus objetos de valor como hipoteca para pegar um empréstimo em dinheiro ou em mantimentos por isso a Torá continua nos dando as leis em relação aos empréstimos, leis de juros – pobreza nível 3

 

O quarto estágio da pobreza

 

A quarta fase da pobreza é a pessoa se vender a si próprio ou roubar e ser vendido como escravo por causa do seu roubo, por isso a Torá continua nos dando a lei do escravo judeu – pobreza nível 4

 

A reversão da pobreza

 

Primeira etapa – Em primeiro lugar a Torá nos proíbe de dar à um escravo judeu um trabalho escravo como se ele fosse um escravo de verdade, mas ele tem que ser para nós como um cidadão, como se você tivesse contratado alguém para trabalhar com você.

 

Ou seja, a primeira etapa é levantar a moral do pobre.

 

Segunda etapa – até o ano do Yovel ele vai trabalhar com você, e não mais do que isso, e então ele sai livre e volta para a sua família.

 

Ou seja, no máximo até o ano do Yovel o empobrecido vai trabalhar com você, mas se os seis anos que ele precisa trabalhar com você terminaram antes do Yovel, ele sai no sétimo ano.

 

E se o ano do Yovel chegou antes, ele sai antes. E até se ele quiser ficar escravo a vida inteira, ele sai no Yovel e volta para a sua dignidade por voltar para a sua família.

 

E também os campos que ele vendeu, sua fonte de renda, vai voltar para ele, ele volta para a herança dos seus pais.

 

Então por que nesse meio tempo D’us deixaria você tratá-lo como escravo, um trabalho duro e humilhante, e quanto mais pelo fato de isso ser uma profanação da honra de D’us sendo que todos os judeus são escravos de D’us que os tirou do Egito, então como você pode tratar ele como se fosse seu escravo, como se tivesse roubado o escravo de D’us?

 

Por isso você tem que tratar ele como se fosse alguém que trabalha por um salário, ter temor à D’us que é o único que tem o poder de diminuir alguém e também engrandecer, e é possível que também você ou um descendente seu pode futuramente (D’us nos livre) estar nessa mesma situação.

 

Conclusão

 

Em primeiro lugar D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar o campo, a fonte de renda que o nosso semelhante teve a necessidade de vender, e devolver à ele.

 

Se o nosso semelhante já caiu mais do que isso e teve a necessidade de vender sua própria casa também, D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar a sua casa e devolver à ele.

 

Em terceiro lugar, se o nosso semelhante já está em uma situação de hipotecar os seus pertences para comprar mantimentos D’us nos dá a oportunidade de dar à ele toda a Tzedaká necessária para que ele não precise hipotecar seus pertences.

 

Em quarto lugar, se ele já se tornou um escravo, D’us nos dá a oportunidade de resgatá-lo e torná-lo novamente um homem livre e voltar a viver junto à sua família com toda a dignidade.

 

E por final, se não aproveitarmos a oportunidade de participar da interação Divina no mundo e não fizermos nada disso, o próprio D’us vai fazer tudo isso sozinho sem a nossa participação.

 

Mas sendo que a pobreza é um círculo que gira pelo mundo, mesmo agora estando são e salvos, ou seja, estando na parte de cima desse círculo, ninguém nos garante que não estejamos futuramente na parte de baixo. Ninguém a não ser D’us que não nos deixaria cair se tivéssemos levantado quem já caiu.

 

A Torá é eterna e todos os assuntos dela se encontram espiritualmente em cada etapa da nossa vida.

 

Na época da Torá a fonte de renda era a nossa terra que nos foi dividida aparentemente por sorteio, mas nesse sorteio a interação Divina foi de 100%.

 

Dessa mesma forma hoje em dia quando encontramos a fonte de renda dos nossos sonhos e acreditamos que tivemos sorte em encontrar, na verdade isso nos foi dado totalmente lá de cima.

 

E o mesmo D’us que nos deu a nossa fonte de renda aparentemente por “sorteio”, mas na verdade por Divina Providência, nos dá a oportunidade de interagir com essa Divina Providência em relação ao nosso próximo

 

Essa Parashá é tão atual para os nossos dias! Como dizem nossos Sábios, que precisamos nos relacionar à Torá como se ela nos tivesse sido entregue hoje

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta que um judeu não pode emprestar nada com juros para outro judeu. A Torá usa duas palavras diferentes para os juros, uma ao lado da outra simultaneamente, o que é aparentemente desnecessário.

 

Dizem nossos sábios que essas duas palavras querem dizer a mesma coisa, mas a Torá nos traz simultaneamente as duas palavras para nos indicar que um judeu que empresta com juros para outro judeu está transgredindo duas proibições. Ou seja, recebe um castigo em dobro pela mesma coisa.

 

O pagamento pelo que fizemos de bom neste mundo não está explícito na Torá porque o bem é eterno, e portanto a recompensa por ele, não só que também é eterna, mas mais do que isso, ela também é imensamente maior do que o bem que fizemos.

 

Por isso não tem como recebermos essa recompensa no nosso mundo material do jeito que ele é hoje. Primeiro recebemos um Gan Éden a Ta’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale a setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, e de lá vamos para o Gan Éden a Elion onde uma hora lá equivale a setenta anos no Gan Éden a Ta’hton.

 

E quando acontecer o décimo terceiro dos treze princípios da fé judaica e os mortos ressuscitarem, o lado espiritual deste nosso mundo material vai se revelar e ultrapassar de longe a intensidade dos prazeres dos mundos espirituais, e consequentemente todos que estão no Gan Éden vão querer ressuscitar para usufruir da revelação do “Keter” que vai acontecer aqui embaixo.

 

Ao contrário disso, a regra da Torá em relação ao castigo do tribunal Divino que recebemos por termos feito algo proibido é limitada ao nível máximo de acontecer para nós somente exatamente o que fizemos de mal, e nunca jamais mais do que isso.

 

Como diz a Torá de maneira figurativa “olho por olho e dente por dente”. Ou seja, não podemos receber um castigo que ultrapasse em um único milímetro o mal que fizemos.

 

Ou seja, ao contrário da regra Divina em relação à recompensa pelas coisas boas que fazemos, o castigo pelas coisas ruins que fizemos pode ser sempre menor do que o que fizemos, mas nunca maior.

 

E sendo que essa é a regra geral da Torá, quando uma regra tem exceção, a própria Torá que determinou essa regra tem que trazer um versículo indicando que esse caso é uma exceção.

 

E por isso a nossa Parashá repete a proibição dos juros por meio de dois sinônimos, para nos indicar a gravidade dessa transgressão, sendo que nesse caso recebemos castigo em dobro.

 

E sendo que essa proibição só acontece no caso que os dois são judeus, é permitido pegar um empréstimo com juros de alguém que não é judeu mas não de alguém que nasceu judeu ou se converteu ao judaísmo.

 

Uma das diferenças entre o nosso povo e os outros povos é que quando alguém se converte ao judaísmo ele se torna um judeu de etnia Judaica.

 

Diferente de um africano que se naturalizou alemão e se tornou um alemão afrodescendente, esse mesmo africano quando se converte ao judaísmo se torna um judeu semita de etnia Judaica e deixa de ser um afro descendente, como está escrito na Guemará: “Guer shemitgaier ketinok shenolad” (um convertido que se converte é como um nenê que nasce).

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento Divino da Shemitá (ano Sabático).

 
Quando Adão e Eva fizeram a primeira transgressão trazendo a morte ao mundo receberam uma maldição.

 
Para Adam (Adão) foi dito:- “com o suor da sua face você vai comer pão”, ou seja, ele vai ter que trabalhar duro para ter o que comer.

 
Para Havá (Eva) foi dito:- “com sofrimento você vai dar a luz”. Ou seja, sendo que ela não vai precisar trabalhar porque o marido é o responsável por ela, o sofrimento dela vai ser na hora do parto.

 
Essas maldições que começaram com o primeiro homem e a primeira mulher se estendem até a Gueulá (a redenção final).

 
Sendo que todos nós somos ramificações da Alma do primeiro homem e da primeira mulher, todos nós temos que trabalhar duro e todas as mulheres têm dores de parto.

 
Ou seja, enquanto vemos que a mulher precisa de um anestesista na hora do parto que dizer que o homem ainda tem que trabalhar.

 
A Guemará nos conta que cada pai tem a obrigação de ensinar para cada um de seus filhos uma profissão fácil e limpa, porque, diz a Guemará, se o pai não ensina seu filho à trabalhar ele está ensinando ele à roubar.

 
Nossa Parashá nos conta que o mandamento da Shemitá (ano Sabático) foi dado no Monte Sinai. Sendo que a Torá foi dada no Monte Sinai, porque nossa Parashá tem que nos lembrar que esse mandamento foi dado no Monte Sinai?

 
O Mandamento da Shemitá consiste em não fazemos nenhum trabalho na terra que AShem nos deu (a Terra Santa) durante o sétimo ano.

 
Diz a Mishná que se mesmo assim decidirmos trabalhar na terra durante o sétimo ano, seremos exilados pelos nossos inimigos.

 

Ou seja, pode acontecer uma guerra e AShem não nos ajudar.

 
Sendo que os anestesistas ainda não estão desempregados, as mulheres ainda tem dores de parto, e isso é a prova de que a maldição do primeiro homem ainda não terminou e ainda devemos trabalhar para ter o nosso sustento, como pode a Torá nos ordenar a ficar um ano inteiro sem trabalhar na terra que era a principal fonte de renda da maioria dos judeus?
Um ajuste para trazer equilíbrio.

 

O trabalho tem um aspecto muito bom e um aspecto muito ruim.

 
O lado bom do trabalho é que por meio dele, não só que temos uma vida digna de “povo escolhido” que somos, ou seja, uma vida digna de acordo com o nosso nível, mas também ele é o meio de podermos cumprir os mandamentos Divinos começando pela Tzedaká que a Guemará considera um mandamento que equivale à todos os outros juntos.
 

O lado ruim do trabalho é que ele nos materializa, nos causa apego aos assuntos desse mundo nos tornando totalmente obcecados pelos bens materiais
 

Poderíamos dizer que:

 
No primeiro ano de trabalho na terra sentimos que o trabalho é um castigo dos céus e que nunca conseguiríamos trabalhar se D’us não estivesse nos ajudando a cada instante.

 
No segundo ano sentimos que D’us ajuda a quem se ajuda e a minha parte de ajudar à mim próprio estou fazendo com um ótimo desempenho e espero que D’us não esqueça de fazer a parte dele também.

 
No terceiro ano nos sentimos tão eficazes que estamos convencidos que nem precisamos mais da ajuda Divina.

 
No quarto ano já estamos confiando tanto na nossa alta performance à ponto de pedir para D’us só não atrapalhar e o restante deixar para nós fazermos.

 
No quinto ano já estamos tão obcecados pelo trabalho que nem nos lembramos mais que D’us existe.

 
No sexto ano já chegamos à conclusão que D’us somos nós próprios e nos comportamos assim em relação à todos os outros, simples mortais, que não chegam aos nossos pés de tão insignificantes que são!

 
Ou seja, quanto mais trabalhamos maior fica a nossa prepotência.

 
Aí, no sexto ano quando a terra estaria mais fraca depois de ter sido cultivada diretamente durante seis anos, não só que ela não produz menos, mas ainda mais, ela produz em um ano a quantidade de três anos, nos surpreendendo e nos lembrando não só que D’us existe, mas também que ele trabalha muito mais do que nós.

 
No sétimo ano não trabalhamos, no oitavo plantamos, e a safra do sexto ano dura até que a safra do nono ano seja colhida, nos surpreendendo ainda mais!

 
Aí voltamos a nos lembrar que D’us existe e dirige o mundo inteiro com infinita bondade.

 

E por isso a Mitzvá da Shemitá é lembrada junto com o Monte Sinai.

 
O Monte Sinai era a menor montanha do mundo. A Torá foi entregue nele para nos lembrar que, ao mesmo tempo que somos o povo escolhido e temos um nível a zelar, junto com isso não podemos ter a prepotência das montanhas altas e frias com seus picos cheios de neve, mas temos que manter a proporção certa, sermos uma montanha sim, mas humildes e quentes.

 

Quando AShem nos deu a Torá, ele fez o Monte Sinai florescer, um verdadeiro milagre.

 

Por isso a Shemitá está ligada diretamente ao Monte Sinai. Para nos lembrarmos que nós não somos os maiores, mas é D’us que nos coloca e nos mantém no alto.

 

Nosso sucesso no trabalho não deve aumentar a nossa prepotência, mas ao contrário, deve aumentar a nossa percepção de que D’us está nos levando pela mão e portanto aumentar a nossa humildade frente à essa grande revelação Divina que está sempre com a gente.

 

AShem (D’us) é quem nos faz florescer para que possamos atingir o objetivo real do trabalho que é o de mantermos um nível que possamos cumprir a Torá e as Mitzvót de um jeito agradável, e o principal: com muita alegria.

 

Hoje a maioria de nós não trabalha na terra, mas o ensinamento da Shemitá nos acompanha em cada uma das nossas profissões e recai sobre cada um de nós.

 

Rabino Gloiber

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Shemitá

https://www.instagram.com/reel/DX34S3aM19T/?igsh=MTE4emY1dHhyZzExaw==

 

 

Nossa Parashá nos conta que AShem falou com Moshe no monte Sinai e lá nos deu uma Mitzvá chamada “Shemitá”.

 

Todas as Mitzvót (Mandamentos Divinos) foram dadas no monte Sinai, não só a Shemitá. Então, porque nossa Parashá nos conta que essa Mitzvá foi dada no Monte Sinai?

 

Sendo que a Shemitá foi dada no monte Sinai com todos os seus detalhes e não foi revisada e explicada por Moshe Rabeinu no sefer Dvarim (quinto livro da Torá onde foram acrescentados mais detalhes sobre as Mitzvót), ela aparece aqui como tendo sido dada unicamente no monte Sinai.

 

Mas o que é Shemitá?

 

Simples! Você compra uma fazenda linda com vinhedos que produzem uvas carésimas, não deixa suas crianças se aproximarem dos cachos de uva para não estragá-los, por seis anos você vende as uvas por preços não convencionais e não deixa ninguém mexer nelas, mas no sétimo ano você descobre que a terra só era sua por seis anos e agora ela volta a pertencer ao verdadeiro dono, que por sinal é muito bonzinho e deixa você e todo mundo pegarem todas as uvas de graça!

 

E ainda mais, ninguém, (nem você) pode vender essas uvas!

 

Podem pegar só o que vão comer, e totalmente grátis!

 

Por trás da Shemitá

 

Para entender como isso funciona temos que nos lembrar que D’us nos deu a terra de Israel que foi dividida entre doze tribos das treze que existiam no nosso povo (a tribo de Levi e os Coanim que tiveram origem nela não participaram da divisão da terra).

 

Essa terra foi passando por herança até você aparecer e achar que comprou ela, e que por isso ela é sua…..

 

E aí você descobre que não é o verdadeiro dono!

 

E não só isso, mas quando você coloca tudo no papel você vê que, não só que não teve prejuízo, mas que ainda saiu no lucro porque a terra produziu no sexto ano uma quantidade que produziria em três anos! (E o sexto ano deveria ser o ano mais fraco depois de cinco de desgaste)

 

E também descobre não só que existe alguém dirigindo o seu negócio mas também que ele está fazendo isso muito melhor do que você!

 

Mas porque D’us nos coloca nessa situação que parece que estamos perdendo e no fim saímos ganhando ?

 

A resposta é simples! Para nos lembrar que esse mundo é de D’us e é ele somente que dirige o mundo e não nós , e mesmo que a nossa participação fazendo um trabalho para ganhar dinheiro e pagar as contas é uma ordem Divina, mesmo assim não podemos nos “endeusar” e achar que tudo depende de nós!

 

Aí vem a Mitzvá da Shemitá para nos lembrar que esse mundo não é nosso mas tem alguém dirigindo ele e só deixando nós, crianças pequenas , segurarmos na direção e pensarmos que estamos dirigindo o carro do papai !

 

Aprendemos com essa Mitzvá a ultrapassar todas as crises nos lembrando a cada instante que só D’us dirige o mundo, que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem e que D’us ama cada um de nós mais do que o amor de um casal que teve um filho único com cem anos de idade tem por esse filho, e cuida de nós com todo o amor e carinho.

 

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

O vazo chinês

 

https://youtu.be/PxohG1V-Mvs?si=Fpmc0l43dB_8VC1c

“O vazo chinês”

 

Um comerciante judeu muito rico tinha alguns filhos. Cada filho ficando adulto entrava no mundo dos negócios e tinha muito sucesso.

 

Certa vez o comerciante desabafou com o seu Rebe e disse:- Graças a D’us não me falta dinheiro , muito pelo contrário, tenho muito mais do que possa usar em vida, fora o dinheiro que meus filhos fizeram com seus próprios negócios ainda vou deixar para eles uma bela herança, mas uma coisa me magoa.

 

Temos dinheiro mais do que o suficiente e cada filho que cresce quer fazer mais dinheiro , gostaria muito que um filho meu se tornasse um grande rabino, escrevesse livros e vinculasse o nome da nossa família à obras de literatura imortais.

 

Mas meu filho caçula , minha última esperança, também já está dando sinais de que vai ser mais um comerciante e fazer mais dinheiro . Por que eles só pensam em dinheiro? Rebe , me explique, como isso me aconteceu?

 

O Rebe sofreu com o sofrimento do rico comerciante e um momento antes dos dois começarem a chorar o Rebe exclamou :- Me convide para o Shabat, eu quero ver o que está acontecendo na sua casa !

 

No Shabat, depois do Kidush, o filhinho começa a brincar com as velas de Shabat apagando uma vela . A mãe quase que reclamou mas o pai a acalmou imediatamente dizendo :- Ele só é uma criança pequena !

 

O filhinho continuou brincando e arrancou uma folha do livro de rezas, novamente o pai diz :- Ele é uma criança pequena !

 

A criança continuou brincando e quebrou sem querer um vazo chinês. O pai ficou paralisado, ficou branco, a respiração parou, o filhou ficou com medo dessa estranha mudança no pai e parou assustado.

 

O pai, com voz tremula, mistura de choro e medo, encarou a criança cara a cara, e com uma voz tremula cheia de temor disse :- Filho, você sabe o que você fez ? Você sabe o que é um vaso chinês ? Você sabe quanto esse vaso custa ? Você sabe quanto esse vaso viajou até chegar aqui e que cuidados tivemos com ele para que não quebrasse durante toda a viajem? Você sabe que o papai foi para a China comprar esses vasos e a mamãe ficou dois meses sozinha esperando o papai chegar com os vasos? Você sabe que…..!

 

Mas antes de ele dizer mais uma palavra , a “criança pequena” , rompeu em prantos e prometeu que nunca mais vai quebrar um vaso chinês e que sempre vai se comportar com o devido respeito aos vasos chineses e etc etc etc ….E os dois se abraçaram e choraram juntos pela grande tragédia que tinha acontecido.

 

Agora estava claro, a criança já tinha entendido que a única coisa valiosa no mundo , que justifica deixar a mamãe sozinha por dois meses, que merece atenção e cuidado, que faz o papai ficar sério e atordoado, não é a Torá mas sim…..o vaso chinês !

 

Moshe , em suas ultimas semanas de vida poderia passear com a família , comer, beber, jogar conversa fora.

 

Mas, quando a família e o povo viram que Moshe ,a pessoa mais importante do mundo , nas ultimas semanas da sua vida está tão ocupado com o que?

 

Traduzindo a Torá para setenta línguas para facilitar o estudo da Torá aos judeus , para dar mérito a judeus que só sabem falar outras línguas , para tornar o acesso à Torá mais fácil , empenhado e dedicado para que pessoas que nem sabem falar a “Língua Santa” possam saber o motivo que D’us criou o mundo e o motivo pelo qual nós estamos aqui.

 

Moshe Rabeinu não só nos deu a Torá mas também mostrou para nós que ela é a coisa mais importante que existe no mundo .

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida – Aharei Mot- Kedoshim

Aharei Mot

 

Nossa Parashá começa nos contando sobre os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado com um “fogo estranho” na parte mais sagrada do Mishkan.

 

A Parashá termina nos ensinando que existe uma situação em que a Terra Santa “vomita” seus habitantes devido ao comportamento deles em relação a “casamentos” e a santidade daquele lugar.

 

Existe uma ligação entre esses dois assuntos que fazem parte de uma mesma categoria, mas em níveis diferentes.

 

Quando AShem  (D’us) nos deu a Torá no Monte Sinai, pediu para Moshe avisar nosso povo para não subir naquela montanha e nem tocar nela enquanto estivesse acontecendo lá a entrega da Torá.

 

A linguagem do versículo naquele caso é de que todo aquele que tocar em qualquer parte daquela montanha, mesmo em sua parte mais extrema, vai falecer.

 

E também os animais deveriam ser impedidos de pastar no Monte Sinai no momento da entrega da Torá, porque eles morreriam também se estivessem naquele momento naquele local.

 

A Torá nos conta mais adiante que Nadav e Avihu, os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado no Mishkan com o “fogo estranho”, eram pessoas muito elevadas espiritualmente como o próprio Moshe diz ao seu irmão Aharon que Nadav e Avihu estavam em um nível superior ao deles.

 

O “fogo estranho era o incenso feito de acordo com a Torá, mas esse trabalho deveria ter sido feito pelo pai deles, por Aharon que era o sumo sacerdote, e não pelos seus dois filhos, por uma pessoa e não por duas.

 

Mas o fato de o Midrash ter nos contado que eles faleceram por ter entrado no Mishkan bêbados já nos ensina que o fato de eles terem entrado no Mishkan com o incenso no lugar de Aharon não justificaria a morte deles.

 

Sendo assim, é óbvio que o motivo do falecimento deles naquela ocasião não tinha relação com o nível espiritual deles, que era elevado o suficiente.

 

Pelo fato de Moshe ter avisado os Cohanin para não entrarem “bêbados” no Mishkan, surge a possibilidade de eles terem bebido muito vinho antes de terem entrado lá, e pode ser que foi isso o que causou a morte deles.

 

Essa hipótese trazida pelo Midrash é vista como uma lição de moral, mas não é a prova de que esse foi o motivo verdadeiro, sendo que em relação à conduta moral  Nadav e Avihu estavam dentro dos padrões e não havia nenhuma base para suspeitar de alguma conduta negativa em relação à eles.

 

Também o fato de não ter sido possível encontrar vinho naquele lugar nos leva a conclusão de que o Midrash está usando essa hipótese como lição de moral, mas não como prova de que o motivo do falecimento deles foi esse.

 

Então qual foi o motivo real da morte de Nadav e Avihu.

 

A Torá nos conta que no momento da entrega da Torá AShem  (D’us) chamou Moshe para subir na montanha, dando à ele por meio desse chamado uma proteção especial para que ele pudesse presenciar a intensidade da revelação Divina sem que sua Alma deixasse seu corpo.

 

Mas qualquer pessoa ou animal que tocasse naquela montanha naquele momento, mesmo que fosse somente no extremo da montanha, a Alma sairia do corpo devido ao nível da revelação Divina que estava acontecendo lá.

 

Depois da entrega da Torá, a revelação Divina deixou definitivamente o Monte Sinai.

 

O Monte Sinai voltou a ser uma montanha como qualquer outra, e não haveria mais nenhum problema para os pastores com seus animais subirem até o ponto mais alto dela, e eles já poderiam fazer isso sem que nada acontecesse.

 

Aprendemos daqui que quando a revelação Divina paira sobre um lugar, todo o tempo que ela se encontra lá, nem as pessoas e nem os animais conseguem manter as almas nos corpos a não ser que ele seja chamado para, lá como foi o caso de Moshe Rabeinu no Monte Sinai na hora em que a presença Divina pairou sobre ele.

 

Quando o Mishkan, nosso “Templo-móvel” foi construído no deserto, a revelação Divina pairou sobre ele se revelando na sua parte mais sagrada chamada de “Kodesh a Kodashim”.

 

O sinal de que a revelação Divina pairou sobre o Mishkan foi o mesmo que aconteceu no Monte Sinai, a nuvem baixou sobre ele.

 

A regra em relação ao Mishkan foi a mesma que no monte Sinai. Quando a nuvem pairava sobre o Mishkan mostrando claramente que a revelação Divina estava acontecendo lá, Moshe era chamado para o Mishkan e AShem  (D’us) falava com ele. Se Moshe não fosse chamado ele não iria lá por si só.

 

Por outro lado, Aharon e seus filhos faziam parte da estrutura do Mishkan. Ou seja, o Templo-móvel tinha os seus sacerdotes que eram Aharon e seus filhos, e por isso está escrito em relação à entrada no Kodesh HaKodashim “o estranho que entrar vai falecer. E quem está na categoria de estranho.

 

A Guemará nos conta que certa vez alguém estava passando por trás de uma Sinagoga, escutou do lado de fora uma descrição sobre as roupas do Cohen, entrou na Sinagoga e perguntou :- Quem vai vestir essas roupas? :- O Cohen Gadol, respondeu o professor.

 

A pessoa que não era judeu tomou uma decisão consigo próprio: – vou me converter ao judaísmo com a condição de ser o Cohen Gadol.

 

Chegou ao tribunal rabínico onde se encontrou com Shamai, que ouvindo esse argumento concluiu que a pessoa não tinha uma boa intenção.

 

Mas aquela pessoa não desistiu e foi procurar o outro grande Rabino da época que se chamava Hilel. Hilel fez para ele um curso de Cohen Gadol.

 

Quando chegaram nesse assunto de “o estranho que se aproximar vai morrer” a pessoa perguntou:- Quem é considerado “estranho” em relação ao “Kodesh HaKodashim”.

 

Até David, o rei de Israel que também era a pessoa mais elevada espiritualmente da sua geração e também a mais rica e poderosa, nada disso adiantaria em relação ao “Kodesh HaKodashim”, e se ele entrasse lá ele morreria como qualquer outro.

 

Aquela pessoa descobriu que não poderia ser Cohen Gadol e se tornou um bom judeu.

 

Nadav e Avihu não estavam na classificação de “o estranho que se aproximar vai morrer” sendo que eles eram Cohanin, eles eram os sacerdotes.

 

Mesmo assim, a permissão para eles entrarem lá era restrita aos trabalhos específicos que deveriam fazer. Incluindo detalhes como roupas específicas para eles poderem trabalhar lá.

 

Cada ação no nosso mundo material tem uma sincronização com o mundo espiritual, e de acordo com essa sincronização acontece uma reação.

 

O Cohen, por meio do seu trabalho, sincroniza entre o mundo de baixo e o mundo de cima, trazendo para cá fartura e abundância.

 

Isso acontece por meio da sincronização entre as Dez Sefirót lá em cima. A fartura e abundância lá de cima é repassada por meio da Sefirá chamada de Yessod para a Sefirá chamada de Mal’hut, a Mal’hut transforma a abundância espiritual em bens materiais.

 

Um exemplo para isso é uma mãe que após comer um jantar de Shabat completo, com vinho, pão, peixe e saladas, carne com batata, sucos e sobremesa, transforma em seu corpo tudo isso em leitinho para o nenê.

 

Se ela desse todo esse jantar de Shabat para o nenê do jeito que foi oferecido para ela, o nenê simplesmente morreria de fome. Não por causa da qualidade desses alimentos, mas por causa da incapacidade do nenê em relação a esse nível de alimentação.

 

Então a mãe come toda essa comida, transforma ela em leitinho e depois dá de mamar para ele. Assim o nenê cresce saudável.

 

Dessa maneira a Sefirá chamada de Mal’hut transforma a fartura e abundância espiritual em bens materiais. Mas para que o repasse dessa fartura do Yessod para o Mal’hut aconteça, nós precisamos merecer.

 

E aí entra o trabalho do Cohen. Ele faz o trabalho Divino nos representando como se cada um de nós estivesse lá fazendo esse trabalho junto com ele. Esse trabalho é feito totalmente em sincronização com as forças ocultas espirituais.

 

Quando Moshe Rabeinu trouxe as dez pragas para o Egito, ele teve que fazer ação material que causasse a reação espiritual para cada uma das dez pragas separadamente.

 

Na primeira praga, quando AShem (D’us) pediu para ele dar uma cajadada no Rio Nilo, Moshe respondeu que não vai poder dar essa cajadada porque esse rio salvou a sua vida quando sua mãe o colocou lá em uma cestinha.

 

AShem  não cancelou a ordem da cajadada para trazer a praga, mas pediu para Moshe pedir ao seu irmão Aharon para ele dar essa cajadada.

 

Porque para trazer algo lá de cima precisamos fazer uma ação nesse mundo material para que aconteça a reação no mundo superior.

 

E essa ação precisa ser de acordo com os detalhes da ordem Divina que no caso da primeira praga foi a cajadada.

 

No caso da praga dos piolhos, AShem  pediu para Moshe jogar a terra do Egito para o alto. Moshe novamente se desculpou de não poder fazer isso sendo que aquela terra o ajudou quando ele salvou um judeu de ser assassinado por um soldado egípcio.

 

Novamente AShem  não cancelou essa ação, mas pediu para Moshe pedir à seu irmão Aharon para ele fazer esse ato material de jogar a terra do Egito para cima e assim começou a praga dos piolhos.

 

Se Aharon tivesse invertido a ordem Divina e tivesse jogado a água do Rio Nilo para cima e dado uma cajadada na terra, nada aconteceria.

 

E assim é o trabalho dos nossos Cohanin que são os nossos sacerdotes. Cada trabalho tem que ser feito da maneira correta, e se não for feito da maneira correta a sincronização não acontece e nada de bom desce para baixo.

 

Sendo que é permitido para o cohen entrar no Mishkan e ele não está na classificação de “o estranho que entrar vai falecer”, e se o trabalho dele não for feito certo ele não traz as bênçãos celestiais para nós, o fato de Nadav e Avihu terem falecido ainda precisa de uma explicação.

 

Por isso, dia o Zohar, o motivo que restou foi o fato de eles não terem se casado.

 

E por esse motivo, quando a Torá se refere a pessoa que vai fazer o korban, o sacrifício, ela usa a palavra Adam.

 

Quando AShem  criou o ser humano, diz o Zohar, ele fez uma pessoa que era um lado homem e o outro mulher. Essa pessoa foi chamada de Adam.

 

AShem  fez Adam adormecer profundamente, separou entre os dois lados, e assim surgiu Hava, a Eva da Torá.

 

(A estória de que D’us criou a mulher da costela não tem fonte judaica).

 

Por isso Nadav e Avihu faleceram, diz o Zohar, eles eram somente “meio corpo”. Cada um deles era “meio corpo”, e mesmo assim eles decidiram fazer o trabalho mais sagrado de todos os trabalhos do Mishkan.

 

E por causa do contraste entre a fraqueza de eles serem “meio corpo”, de não serem casados, e a intensidade do Ketoret, do trabalho de trazer o incenso para o Kodesh HaKodashim que deveria ter sido feito pelo pai deles, eles faleceram.

 

E por isso, diz Rabi Aba no Zohar, pelo fato de eles serem “meio corpo” e terem feito o mais importante de todos os trabalhos do Mishkan, por isso eles faleceram.

 

Mas se eles fossem casados ou se tivessem feito outro trabalho do Mishkan que não fosse esse, não teriam falecido.

 

Nossa Parashá começa nos contando os procedimentos tomados depois que faleceram os dois filhos de Aharon, e termina nos contando sobre as relações íntimas proibidas.

 

Nos revelando por meio disso que de acordo com o nosso comportamento a Terra Santa pode chegar ao extremo de “Vomitar os seus habitantes como vomitou os povos que estavam lá antes de nós” por terem tido essas relações íntimas proibidas.

 

Daqui aprendemos que da mesma maneira que aqueles povos foram tirados da nossa terra por meio de sete anos de guerra que fizemos com eles, nós também podemos ser tirados de lá da mesma forma, e isso é a expressão do conceito da Torá de “a terra vomitar os seus habitantes”.

 

Sendo que a Torá não está falando sobre outras terras mas somente sobre a “Terra Santa”, entendemos que também no nosso nível pode acontecer um curto circuito espiritual, entre a santidade da terra e a falta de santidade do nosso comportamento.

 

Por isso a Torá nos avisa isso antecipadamente. Para sabermos que cada ação no mundo material causa uma reação no mundo espiritual.

 

Quando essa ação aqui embaixo se compara ao comportamento dos povos que foram “vomitados” da nossa terra, estamos trazendo para nós por meio desse comportamento essa mesma consequência que esse comportamento trouxe para eles.

 

Então vamos estudar muita Torá e fazer muitas Mitzvot para trazer imediatamente a Gueulá

 

Kedoshim

 

Nossa Parashá nos conta (entre inúmeros assuntos) sobre a proibição de guardar rancor.

 

Toda pessoa que guarda rancor contra um judeu principalmente se ele for o cônjuge, transgride uma Mitzvá da Torá, como está escrito na nossa Parashá: “Ló titor”, não guarde rancor.

 

Exemplo: Você pede um favor para alguém e a pessoa não quis fazê-lo. No dia seguinte, essa pessoa precisou de você e você responde: “Eu não sou como você. Eu não vou lhe negar um favor como você me fez”!

 

Isso acontece porque a pessoa estava guardando aquele rancor e achou o momento exato para revelar isso. Em outras palavras, “jogar na cara” é proibido pela Torá.

 

O Baal Shem Tov explicou que nossos sábios comparam a pessoa que fica brava a alguém que está fazendo idolatria porque no momento da fúria, a fé em D’us desaparece automaticamente, e quando não se acredita em D’us consequentemente se está acreditando em outra coisa”.

 

Porque se ele soubesse que tudo o que acontece com ele vem de D’us, ele nunca ficaria bravo.

 

E mesmo que uma pessoa que por livre-arbítrio optou por fazer-lhe o mal, e amaldiçoa ou bate nele, ou lhe causa prejuízo monetário sendo condenada pelo tribunal humano ou Divino pela maldade da sua escolha, mesmo assim, à quem foi prejudicado já estava decretado pelos Céus que assim seria.

 

O tribunal Divino apenas usou a pessoa ruim para cumprir o decreto Divino por meio dela, e mesmo nesse momento em que a pessoa bate em alguém ou o amaldiçoa, o pensamento que cai na cabeça dessa pessoa para nos prejudicar ou o sentimento que a impulsionou a fazer isso veio lá de cima.

 

D’us faz as coisas boas acontecerem por meio de pessoas boas e as coisas ruins por meio de pessoas ruins.

 

O agente causador do nosso infortúnio foi apenas uma ferramenta usada por D’us para cumprir o decreto Divino que veio para nos purificar de alguma coisa ruim que fizemos na reencarnação atual ou em outra.

 

Tudo vem lá de cima, e as pessoas que nos fazem o mal são os verdadeiros “bobos” que estão sendo usados para nos prejudicar e depois serem castigados por terem nos prejudicado.

 

Se tudo isso foi dito sobre qualquer pessoa, imagine marido e mulher ou pais e filhos que são o grupo de risco nesse assunto por terem mais intimidade entre si, quanto temos que tomar cuidado com isso.

 

Então, não vamos ser bobos de brigar em casa!

 

🌻🌻🌻

 

Vort israelense: (dugri)

 

O rancor é comparado à fezes espirituais. Guardar rancor é prisão de ventre espiritual, você está com rancor de alguém? Baixe a descarga! Porque quanto mais acumula pior fica!

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta entre muitos assuntos interessantes que não devemos olhar para a idolatria.

 

Diz o Ari Zal que quando olhamos para alguém ou para alguma coisa, recebemos a “energia” dessa pessoa ou dessa coisa ruim.

 

Quando olhamos para uma coisa boa, a energia boa que tem nela se une à nós e gera dentro de nós uma energia positiva.

 

Mas se olhamos para uma coisa ruim recebemos dela a energia ruim que  ela contém. Essa energia ruim se une à nós tirando de nós a energia boa.

 

E esse é o segredo que está por trás desse mandamento da Torá de não olhar para a idolatria. Porque quando olhamos para uma coisa impura como a idolatria, a impureza dela se adere à nós tirando a nossa santidade e nos atraindo para a impureza.

 

Conclusão:

 

Vamos encher a nossa casa de quadros de Tzadikim que hoje na nossa geração Google é fácil de baixar, mandar revelar e colocar uma moldura.

 

No nosso perfil do Pinterest baixei uma variedade de fotos do Rebbe de Lubavitch

 

Perguntei para vários rabinos de Israel se é permitido baixar uma foto do Rebe pelo Google. A resposta foi sempre a mesma: O Rebe pertence aos Hassidim!

 

E fora isso, com certeza ninguém nunca pagou ao Rebe direitos autorais pela foto que tirou dele. Isso se refere somente à fotos e não à desenhos, pinturas, ou fotos decoradas.

 

Certa vez o Rebe disse sobre o Rabino que eu tinha escolhido para fazer as minhas perguntas difíceis, o Rav Moshe Weber de Yerushaláim (Jerusalém): “É o suficiente olhar para ele para receber “Irát Shamaim” (temor aos céus, ou seja, reverência à D’us).

 

Rav Moshe Weber

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta sobre a Mitzvá de amar ao próximo como a si mesmo.

 

O Ari Zal explica que está por trás disso se encontra o segredo de que todo o povo de Israel é uma Alma só e cada um de nós é uma ramificação dessa Alma Divina que AShem  (D’us) deu ao Adam a Rishon (o primeiro homem) e por isso cada um de nós é responsável pela transgressão do outro.

Por isso, diz o Ari Zal, a reza chamada de “Vidui” na qual falamos uma lista de pecados (que geralmente não fizemos) foi instituída no plural, sendo que temos cumplicidade pelas transgressões de todos os judeus por fazermos parte de uma Alma só.

Por isso, mesmo quando rezamos sozinhos falamos essa reza no plural, sendo que o pecado que um judeu faz é como se todos nós tivéssemos feito, pelo motivo de sermos a mesma Alma ramificada.

 

🌻🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá também nos ensina que devemos dar uma advertência à qualquer judeu que está fazendo uma coisa ruim.

 

Na maioria dos casos a pessoa se comporta errado por não saber o que é certo, e por isso, no lugar de dar uma bronca causando uma revolta nessa pessoa, devemos ensinar  à ela com muito amor e carinho o que é certo e assim estamos cumprindo essa Mitzvá com eficiência.

 

Isso também aprendi com o Rav Moshe Weber, que com oitenta anos de idade dedicava várias horas do dia para ensinar os soldados israelenses a colocarem Tefilin, e muitas vezes ele me contou sobre soldados que colocaram o Tefilin pela primeira vez na vida.

 

Ou seja, temos que advertir cada judeu, mas dessa maneira. Ensinando ele a cumprir as Mitzvót (Mandamentos Divinos) com muito amor e carinho.

 

🌼🌹🌼🌹

 

Nossa Parashá nos conta que devemos amar o “guer” (alguém que se converteu ao judaísmo).

 

O Rebe de Lubavitch nos ensina que a linguagem da Torá que se refere ao “guer” diz “guer shemitgaier” (convertido que se converte) nos ensinando que ele já tinha uma Alma judia, mas que se revelou no dia da sua conversão.

 

Sendo assim, tudo o que o Ari Zal explicou sobre o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo se aplica ao guer também, mas com mais intensidade sendo que a Torá acrescenta no caso do guer mais uma Mitzvá.

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta que é proibido se vingar e proibido guardar rancor. Sendo que a Torá já nos proíbe assassinar, ferir e etc, e não podemos pegar a lei com as mãos mas temos que procurar o tribunal rabínico que vai cobrar do agressor o que é devido pela Torá, então o que sobrou para nós nos vingarmos que a Torá precisa acrescentar esses dois mandamentos?

 

O Midrash Sífra nos traz a explicação para esses dois mandamentos.

 

O que é considerado vingança pela Torá?

 

Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice. Mas a outra pessoa não emprestou.

 

No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice.

 

A resposta foi:- Não vou te emprestar a minha enxada da mesma maneira que você não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido se vingar”.

 

O que é considerado guardar rancor pela Torá?

 

Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice? A outra pessoa não emprestou.

 

No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice, e a resposta foi:- pode pegar, não sou como você que não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido guardar rancor”.

 

Em outras palavras, o rancor é comparado à uma “prisão de ventre” espiritual. Você só tem a perder com isso, nesse mundo você sofre e no próximo você ainda é julgado por causa disso.

 

Se até uma prisão de ventre material quanto mais tempo passa mais duro fica de tirar e mais perigoso fica, quando mais uma prisão de gente espiritual!

 

Então vamos fazer todo dia a nossa higiene espiritual e baixar a descarga sobre todas as nossas mágoas antes que elas fiquem duras demais e precisemos de mais esforço para removê-las!

 

🌾🌾🌾🌾

O lado oculto da Contagem do Omer 

 

Como nos dias da saída do Egito AShem  vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.

 

Isso foi o que nos contou o profeta Mi’há que viveu na Judéia há 2.600 anos atrás.

 

A Gueulá, nossa redenção final, vai acontecer no mérito do trabalho duro que fizemos para  refinar o nosso caráter, para deixarmos de sermos animais, mesmo que animais racionais, e nos tornarmos gente, filhos de AShem  revelando as nossas Almas Divinas que são verdadeiramente partes de AShem.

 

Nossa primeira Gueulá (redenção) que foi a saída do Egito começou quando Moshe estava no Monte Sinai e viu o arbusto incandescente que estava em chamas mas não queimava, ao contrário , ele estava crescendo saudável alimentando pelas chamas.

 

Moshe Rabeinu tinha estudado a Torá oculta que já tinha sido revelada por AShem  (D’us) para o nosso patriarca Avraham que escreveu o Sefer Yetzirá, livro clássico da Kabala.

 

Moshe Rabeinu entendeu imediatamente que aquele fenômeno de o arbusto estar crescendo saudável alimentado pelo fogo, só pode acontecer no nível mais elevado, acima das próprias Sefirót, que é o nível chamado de “Keter”.

 

Ele entendeu imediatamente que no lado espiritual daquele espaço material estava acontecendo a revelação do keter, e isso é o que estava causando essa mudança extrema nas coisas materiais daquele lugar.

 

Ele se aproximou de lá para ver o motivo dessa revelação tão elevada. D’us se revelou para ele e pediu para ele tirar os dois sapatos dizendo que o lugar onde ele se encontrava era um lugar sagrado.

 

Quarenta anos depois, quando o Anjo Gavriel se revelou para Yehoshua (Josué) em Yeri’hó, ele pediu para Yehoshua tirar um sapato só, alegando esse mesmo motivo.

Diz o Zohar que o motivo que D’us pediu para Moshe tirar os dois sapatos era para demonstrar que todo o comportamento Divino em relação à ele seria totalmente sobrenatural.

 

Sendo que o profeta antigo tinha que fazer uma ação para sincronizar entre o mundo material e o mundo espiritual para que a profecia acontecesse, D’us pediu para Moshe fazer a ação de tirar os dois sapatos para trazer à esse mundo o nível de comportamento Divino sobrenatural em relação à nós. Ou seja, AShem  (D’us) vai lutar por nós e nós vamos ficar quietos, ou seja, não só que não vamos precisar participar da guerra, mas também que nem rezar vamos precisar.

 

D’us vai fazer à Moshe nessa ocasião o pedido de tirar o povo de Israel do Egito e levá-los à Terra prometida, e isso vai acontecer de maneira surreal e totalmente sobrenatural.

 

Mas no caso de Yehoshua (Josué), o comportamento Divino em relação à ele seria parcialmente natural e parcialmente sobrenatural.

 

Por isso o anjo pediu para ele tirar um sapato só, para sincronizar entre o mundo espiritual e o mundo material e fazer com que a partir desse momento o comportamento Divino em relação à ele fosse parcialmente sobrenatural.

Sendo que o comportamento Divino em relação à Yehoshua seria parcialmente natural, ele teve que mandar espiões por motivos de estratégia militar, enquanto que no caso de Moshe não havia necessidade de preparar uma estratégia militar da mesma maneira que no Egito não houve necessidade de estratégia militar para que nosso povo saísse de lá.

 

A saída do Egito aconteceu de maneira sobrenatural, os egípcios receberam dez pragas sobrenaturais e ao final o mar se abriu milagrosamente para nós e se fechou milagrosamente encima do exército egípcio, não havendo necessidade de nenhuma estratégia militar para que isso acontecesse.

 

O mesmo aconteceria para os 31 reis de Canaã com seus exércitos caso aquela terra fosse conquistada pelo próprio Moshe Rabeinu. Diz o Ari Zal que o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, ou seja, a Gueulá vai acontecer de forma totalmente sobrenatural e surreal, sem absolutamente nenhuma participação militar de nossa parte.

 

O parto da Gueulá, os sofrimentos que acontecem antes de a Gueulá acontecer, estão ligados à etapa do nosso processo de refinamento. A Gueulá não é parte desse processo de refinamento, ela é a recompensa Divina por termos trabalhado duro para nos refinar.

 

E essa é a ligação entre a saída do Egito que foi o pior de todos os exílios, e o recebimento da Torá que foi a maior de todas as revelações Divinas.

 

O profeta Mi’há nos revelou que os milagres da Gueulá vão ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito, AShem  vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.

 

Quando chegar esse dia que estamos cada vez mais próximos dele, não vamos precisar mais do exército de Israel e nem da ajuda dos americanos.

 

AShem  vai lutar por nós, e nem rezar por isso vamos precisar, sendo que já fizemos o nosso trabalho de refinamento e a Gueulá é a recompensa pelo trabalho que já tínhamos feito antes.

 

Nosso trabalho Divino no exílio é comparado à Sefirát HaOmer, e a Gueulá é comparada à entrega da Torá no Monte Sinai.

 

E sendo que o nosso refinamento agora já chegou ao nível mais profundo, as revelações da Gueulá vão ser extremamente maiores do que as que aconteceram para que pudéssemos sair totalmente do Egito, como por exemplo as dez pragas e a abertura do mar vermelho.

 

E da mesma forma que para sair do Egito não tivemos a necessidade de lutarmos contra os egípcios, e se tivéssemos tido essa necessidade teríamos perdido essa guerra por estarmos em um número desproporcionalmente menor ao deles e também não termos o equipamento e o treino que eles tinham, quanto mais para sair do nosso exílio atual.

 

Quando falamos sobre o trabalho do Mashia’h temos que nos lembrar que:

 

Ele vai ter que desapropriar os patrimônios tombados da Unesco incluindo as mesquitas que se encontram no lugar do nosso Beit a Mikdash que é o Templo sagrado de Jerusalém.

 

Ele vai ter que demolir todas as igrejas e outras idolatrias que se encontram na nossa Terra Santa.

 

Ele vai ter que expandir as nossas fronteiras para as fronteiras da Terra Santa que a Torá determinou que vai do Rio Nilo até o Rio Eufrates.

 

Ele não vai poder deixar alguém que não assuma cumprir os sete mandamentos de Bnei Noa’h morando dentro dessas fronteiras.

 

Ele vai trazer de volta as nossas dez tribos perdidas e todos os descendentes dos judeus que se misturaram entre os povos do mundo.

 

De maneira natural não dá para fazer nenhuma dessas coisas, e se ele não fizer isso ele ainda não é considerado Mashia’h de verdade mas ainda é classificado como candidato a Mashia’h.

 

Daqui entendemos porque os milagres da Gueulá precisam ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito.

 

E assim também conseguimos entender a profecia do profeta Yermiahu que diz que no futuro já não vamos mais usar a expressão “Viva AShem  (D’us) que nos tirou do Egito.

 

Mas vamos dizer: “Viva AShem  que tirou o povo de Israel da terra do norte e de todas as terras que ele os exilou, e os trouxe de volta para a terra deles que AShem  deu para os seus patriarcas (Yermiahu capitulo 16)

 

Os vínculos entre Pessa’h e Shavuot

 

Nosso povo tinha que ser libertado do Egito que era o extremo da escravidão, e depois receber a Torá no Monte Sinai para se libertar da escravidão espiritual, a escravidão  do “yetzer hará”, a escravidão nas mãos das nossas más inclinações.

 

A liberdade de Pessa’h por si só não é o suficiente. Não adianta se libertar da escravidão do Egito para cair na escravidão das nossas próprias más qualidades. Ou seja, sair do Egito e levar o Egito junto.

 

O Korban do Omer era uma oferenda de cevada e era feito em Pessa’h, época da saída do Egito.

 

Naquela época a cevada era usada como ração animal, nos lembrando que a saída do Egito ainda não nos dá a garantia de deixarmos de nos  comportar como animais.

 

Em Shavuot era feito o Korban dos dois pães de trigo que é o alimento humano básico e essencial, nos ensinando que agora que recebemos a Torá, já temos as ferramentas necessárias para nos comportar como gente, agora só depende de nós próprios, as ferramentas já estão nas nossas mãos.

 

O significado simbólico dessas duas oferendas, primeiro a cevada e depois o trigo, vem nos mostrar a ligação entre o nível que nos encontrávamos na saída do Egito e o nível ao qual chegamos por meio do recebimento da Torá.

 

Quando saímos do Egito, éramos escravos em fuga e todos e estávamos em uma situação na qual os fins justificam os meios.

 

Achávamos qualquer coisa que fizéssemos seria permitido contando que conseguíssemos alcançar o que desejávamos alcançar.

 

Quando recebemos a Torá no Monte Sinai nos tornamos gente, deixamos de ser os animais em fuga que tínhamos sido antes.

 

Nos tornamos concientes de que o fim não justifica os meios.

 

Recebemos as ferramentas necessárias para podermos chegar aos mesmos objetivos que queríamos chegar antes, mas dessa vez sem latir, morder ou dar coices em tudo e em todos que aparentemente estão nos impedindo de chegarmos ao nosso objetivo final.

 

Os 49 dias da Contagem do Omer são uma viajem pelo grande deserto, são o caminho das buscas.

 

Os caminhos que vivenciamos quando passamos do primeiro estágio de libertação até adquirir a liberdade verdadeira.

 

Essa jornada é necessária, pois seria impossível alcançar o Monte Sinai diretamente após sair do Egito. Uma transformação espiritual desse tamanho não acontece da noite para o dia.

 

Mashia’h Gueulá é Sefirat a Omer

 

A Mitzvá da contagem do Ômer tem um aspecto muito especial que não ocorre em nenhuma outra Mitzvá.

 

O versículo que nos traz a Mitzvá da contagem do Omer começa com as palavras: “E contem para vocês”.

 

Das palavras “para vocês” vemos, que cada um deve contar seus próprios dias da contagem do Omer e ter o seu próprio cálculo dos dias que se passaram.

 

E quando chega o quinquagésimo dia da sua contagem, essa pessoa comemora a festa de Shavuot.

 

Shavuot é a festa que celebra o recebimento da Torá no Monte Sinai. Ela é uma festa judaica diferente de todas as outras .

 

Todas as festas judaicas têm uma data fixa para começar , enquanto que pela Torá a festa de  Shavuot é comemorada ao término da contagem do Ômer.

Por esse motivo é possível que uma pessoa comemore a festa de Shavuot no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, mesmo que a grande maioria das pessoas vai comemorar essa festa no dia 6 de Sivan que seria a data certa para comemorá-la.

 

Se durante a contagem do Omer cruzarmos a “Linha Internacional da Data” (LID) que é o meridiano localizado na longitude de 180°, exatamente do lado oposto ao Meridiano de Greenwich, a pessoa aumenta ou diminui um dia no calendário, mas não altera sua contagem na contagem do Omer.

 

Alterando a data do quinquagésimo dia no calendário, ela automaticamente altera a data da festa de Shavuot, sendo que o dia de Shavuot não é determinado pelo dia do calendário mas sim pela contagem dos 49 dias do Omer.

 

Nesse caso, a festa de Shavuot dele pode cair no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, dependendo para qual lado ele foi.

 

Mas mesmo que ele esteja cumprindo o que a Torá determina, ou seja, comemorar Shavuot no quinquagésimo dia da “sua” contagem, mesmo assim ele ainda difere do resto do povo.

 

Porque na Tefilá de Shavuot dele, ele não vai poder dizer “Zeman Matan Torateinu” (Momento da entrega da nossa Torá), porque isso é algo que não depende somente de um número pequeno de pessoas, mas depende da maioria do povo judeu.

 

Por esse motivo a festa de Shavuot por um lado é uma festa totalmente individual e específica para cada um de nós, e ao mesmo tempo ela é uma festa fixada por D’us para todo o nosso povo.

 

Ou seja, cada um de nós é obrigado a fazer a sua própria contagem durante este período e assim refinar as 49 ramificações das suas midot, das suas qualidades, dos seus sentimentos, do seu caráter, e essa é a finalidade espiritual da “Contagem do Omer”, e no mérito desse refinamento recebemos a Torá de presente de AShem .

 

Exatamente assim vai acontecer agora que já estamos no final do nosso último exílio.

 

Por meio do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvot refinamos os 49 aspectos do nosso caráter, das nossas qualidades, dos nossos sentimentos, e assim fazemos a nossa parte como nosso povo fez no passado.

 

E do mesmo jeito que AShem  recompensou o trabalho individual deles com a maior revelação Divina que já aconteceu na história da humanidade que foi a entrega da Torá no Monte Sinai, assim também AShem  vai nos recompensar por termos feito cada um de nós individualmente o trabalho do nosso refinamento pessoal.

 

E sendo que o nosso refinamento determina o final de dois mil anos de Trabalho Divino durante a última Galut, a recompensa para isso é a maior de todas, extremamente maior do que a revelação Divina que aconteceu na entrega da Torá.

 

A recompensa pelo nosso trabalho é a chegada do Mashia’h e a nossa Gueulá, que vai ultrapassar de longe a saída do Egito e a entrega da Torá no Monte Sinai.

 

E essa é a ligação entre a contagem do Ômer e a vinda do Mashia’h em breve em nossos dias amén

Rabino Gloiber 

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

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Mensagem da Parashá

Nega Tzaraat não é lepra

A Torá nos conta sobre manchas que poderiam aparecer nas paredes das casas, nas roupas e nas pessoas. Essa mancha é chamada de “Nega Tzaraat” , a pessoa portadora dela é chamada de “Metzorá” .

 

Isso foi traduzido erroneamente como lepra, doença causada pelo Mycobacterium leprae , mas é um verdadeiro erro de tradução como veremos a seguir:

 

Don Itzhak Abarbanel foi o grande Tzadik que encorajou os judeus espanhóis na época da inquisição a deixarem a Espanha e não fazerem idolatria .

 

Ele nos explicou que a “Tzaraat” não é uma doença física mas sim uma “praga” mandada dos céus que aparecia de uma maneira sobrenatural e sua cura era por meio de um ritual espiritual como ele explica detalhadamente:

 

1- O Cohen começa a purificação do “Metzorá” com o abate de um pássaro​ em um pote de barro , nos mostrando que o ser humano é como um pote de barro na mão do seu artesão que vai modelando ele de acordo com a sua vontade, nos indicando que a Tzaraat vem de AShem (D’us) para melhorar nossa forma , nosso caráter.

 

2- Dentro desse pote de barro aonde é feito o abate do pássaro são colocadas águas​ de fonte (em hebraico “águas vivas”) representando a Torá que está no coração de cada um de nós , e por não termos guardado ela da maneira correta morre o pássaro abatido. (representando que a Tzaraat aparece por meio de nossas ações e não por contágio).

 

3- Um pássaro vivo é mergulhado (mas continua vivo) no sangue do pássaro​ morto , nos ensinando que a “Tzaraat” por natureza não é doença e nem é contagiosa (como no caso da lepra pelas vias respiratórias) mas sim um decreto Divino ligado ao comportamento errado daquela pessoa (representando pelo pássaro morto).

 

4- A cura de “Tzaraat” não acontece de maneira natural mas sim de maneira milagrosa, e por isso o “Metzorá” vai para o Cohen e não para o médico.

 

5- A “Tzaraat” da roupa e da casa é a mesma que a das pessoas e ela não tem nenhum vínculo à doenças do corpo humano, o fato de que a mesma Tzaraat pode aparecer em paredes (mineral) e em roupas (vegetal e animal) nos obriga a ver a Tzaraat como expressão​ sobrenatural, milagrosa .

 

Conclusão: depois dessa explicação tão detalhada do don Itzhak Abarbanel vemos que o certo é transcrever a palavra Tzaraat e não pegar uma tradução errada que a fonte dela é aquela mesma idolatria que por causa dela don Itzhak Abarbanel teve que sair da Espanha com seiscentos mil judeus na inquisição !

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Aharei Mot

 

Parashat Aharei Mot

 

Nossa Parashá nos conta sobre as instruções Divinas dadas por consequência da morte dos dois filhos de Aharon.

 

O Ari Zal, (última palavra em assuntos cabalísticos) nos conta que Adam a Rishon (o primeiro homem) “continha todas as almas do mundo.

 

Quando Adam a Rishon fez o primeiro pecado , seu nível espiritual despencou e ficou nele somente somente a “Trumá” (dois centésimos) do número de almas que ele tinha antes, pouquíssimas mas de altíssima qualidade.

 

Essas almas elevadíssimas passaram para Caim que era o primogênito e tinha nascido no Gan Eden (paraíso terrestre) depois do pecado de Adam.

 

Essa alma elevadíssima do Caim se reencarnou nos dois filhos de Aharon que faleceram, Nadav e Avihu, eles são a ”Trumá” (a melhor parte) da alma de Adam.

 

O Zohar nos conta, que o lado principal da alma de Cain vem da impureza que a cobra colocou em Hava (Eva), e o lado principal da Alma de Hevel (Abel) vem do lado de Adam (da Alma Divina de Adam)

 

O Ari Zal explica a intenção do Zohar:

 

A transgressão de Adam a Rishon fez com que o bem e o mal se misturassem nesse mundo, e tanto Cain quanto Hevel estão vinculados à árvore do bem e do mal, ou seja, os dois tinham um lado bom e um lado ruim.

 

Sendo que Cain veio do aspecto de guevurá de Adam ele era quase inteiramente ruim (impureza espiritual recebida da cobra) e um pouquinho bom (tinha uma Alma espiritual elevadíssima herdada de Adam)

 

Hevel era na sua maior parte bom (Alma herdada de Adam) e um pouquinho ruim (impureza herdada da cobra).

 

Mas a diferença entre eles era que o lado bom de Cain, mesmo sendo muito pequeno em relação ao lado mal dele, era extremamente superior ao lado bom de Hevel ele herdou essa alma tão elevada por ter sido o primeiro a nascer, pegou a melhor parte da alma de Adam.

 

A “impureza da cobra”

 

Essa expressão espiritual à qual chamamos de “impureza da cobra” acompanha a humanidade até hoje.

 

É ela que causa atrações eróticas estranhas em todas as suas categorias como atração íntima por animais e etc.

 

Essa é a diferença entre o ser humano, que recebeu a “impureza da cobra” , e o animal. Ou seja, o animal não tem esses problemas estranhos.

 

Dizem nossos Sábios que com o recebimento da Torá no monte Sinai a “impureza da cobra deixou o nosso povo.

 

No monte Sinai estavam as Almas de todos os judeus que iriam nascer até Mashia’h chegar, e nos conta o Tossfot que também estavam lá as almas de todos aqueles que iriam se converter ao judaísmo até Mashia’h chegar

 

Na hora da entrega da Torá no monte Sinai aconteceu um grande milagre e essa impureza da cobra saiu de todas as nossas Almas.

 

Quando foi feita a idolatria do bezerro de ouro, essa impureza da cobra voltou para o nosso povo, longe de ter a mesma intensidade de antes, fraca mas voltou.

 

Por causa da origem da Alma deles, de Nadav e Avihu ser relacionada com o começo da “impureza da cobra”, essa volta parcial da “impureza da cobra” prejudicou principalmente eles, enfatizando espiritualmente os erros que eles cometeram.

 

Por isso Moshe Rabeinu pediu para todo o povo de Israel se enlutar pela morte dos filhos de Aharon, sendo que se não tivesse sido feito o bezerro de ouro eles não teriam falecido.

 

Vort:

 

Disse o rav Moshe Veber, grande Tzadik que viveu em Jerusalém:

 

O que aprendemos da união dessas duas Parashiot, Aharei mot (depois de morrerem) e Kedoshim (santos)?Aprendemos que devemos falar sempre bem de qualquer pessoa que já faleceu (porque com certeza antes de ele falecer ele se arrependeu de todas as coisas erradas que fez, e as coisas boas que fez são eternas!)

 

Ou seja, Aharei mot Kedoshim, depois de morrerem, todos são santos!!!

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida 🌻 Tazria 🌻 Metzorá

 

Tazria

Nossa Parashá nos conta que quando a mulher tem o grande mérito de fazer a importante Mitzvá de dar a luz a um filho, ela se torna impura para o marido por sete dias.

 

Depois disso, mesmo já estando pura para o marido depois ter mergulhado no Mikve, ela continua impura por mais 33 dias em relação ao Beit a Mikdash. Ou seja, por mais 33 dias fora os sete anteriores ela não pode entrar no lugar sagrado

 

Como pode ser que depois de ter feito uma Mitzvá tão grande de dar a luz a um menino, ela ficou impura por quarenta dias.

 

Nossa Parashá continua nos contando que quando a mulher tem um mérito ainda maior e faz a importante Mitzvá de dar a luz a uma menina, ela se torna impura por quatorze dias para o marido.

 

Depois disso, mesmo já estando pura para o marido depois de ter mergulhado no Mikve, ela continua impura por mais 66 dias em relação ao Beit a Mikdash.

 

Ou seja, como pode ser que depois de ela ter feito uma Mitzvá ainda maior e ter dado a luz a uma menina, como consequência disso ela fica impura por oitenta dias?

 

Impureza material, impureza espiritual e purificação das impurezas

 

Rav Yeshayahu ben Avraham HaLevi Horowitz conhecido como HaShlá HaKadosh por causa do seu livro Shnei Lu’ḥot HaBrit, foi um grande Tzadik e estudioso da Kabalá.

 

Ele nasceu em Praga (hoje república Tcheka) por volta de 1555 e faleceu em Tvéria (Tiberíades) por volta de 1630.

 

Em 1621, após a morte de sua esposa Haya, ele se mudou para Jerusalém onde se casou novamente e se tornou o Rabino da cidade.

 

Por ser um Rabino tão grande e famoso, o paxá (governador da província) Muhamed ibn Farouk, aplicou sobre ele um golpe de extorsão usual no Oriente Médio.

 

O paxá mandou colocar o Shlá na prisão junto com os quinze judeus mais importantes de Jerusalém, e exigiu uma grande fortuna para soltá-los.

 

Depois que ele foi libertado, por motivos de segurança mudou-se para Tzfat (Safed). Três anos depois ele se mudou para Tiberíades onde viveu mais cinco anos. Lá ele faleceu e lá se encontra o seu túmulo. Tzfat e Tvéria eram naquela época as cidades dos cabalistas e lá também viveram o Ramak e o Ari Zal.

 

O Shlá nos conta que existem três categorias de impureza:

 

Impureza espiritual

 

Como por exemplo o “espírito de impureza” que entra no nosso corpo durante o nosso sono, quando nossa Alma tem acesso ao mundo superior.

 

Essa categoria de impureza é retirada por meio da “Netilat Yadaiim”. Lavamos as mãos de maneira intercalada pelas manhãs e assim nos purificamos dessa impureza.

 

Você pega com a mão direita um recipiente cheio de água e passa para a mão esquerda. Então você despeja um pouco dessa água inicialmente sobre a mão direita. Depois você segura novamente o recipiente com a mão direita, despejando um pouco dessa água na mão esquerda. Faça isso três vezes, alternadamente.

 

Caso não haja água suficiente você pode despejar a água sobre os dedos (até a junção dos dedos com as mãos) mas o ideal é ter água o suficiente para cada vez jorrar a água sobre todo o punho.

 

Essa netilá deve ser feita sempre com um recipiente. Compre um pote redondo e grande, encha ele de água e coloque ele dentro de uma bacia ao lado da sua cama. De manhã, sem descer da cama, faça a Netilat Yadaiim.

 

A água utilizada para a netilá não poderá ser usada para nenhuma outra finalidade porque um espírito de impureza paira sobre ela. E também não deve ser jogada em lugares por onde transitam pessoas que possam entrar em contato com ela.

 

Impureza parcialmente espiritual e

parcialmente material

 

A impureza parcialmente espiritual e parcialmente material é a causada quando mexemos em animais mortos, sendo que quando o animal morre, mesmo tendo sido ele em vida um animal puro, após a morte paira sobre ele um espírito impuro.

 

O animal que passou por um abate Kasher não impurifica, porque sendo que o abate foi feito da maneira que a Torá pede para ser feito, nesse caso no lugar de pairar sobre ele um espírito impuro, paira sobre ele um espírito puro.

 

Impureza material

 

A impureza material é aquela que é causada pelo sangue que saiu do útero da mulher, como no caso da nossa Parashá e tudo o que é comparado a isso.

 

A purificação desses tipos de impureza citados acima é por meio do mergulho no Mikve.

 

O Rambam nos conta que as purezas e impurezas citadas pela Torá são um “decreto do versículo”. Ou seja, mandamentos Divinos que estão acima da nossa capacidade de entendimento, e por isso são chamados de hukim חוקים.

 

Diferente da categoria de leis da Torá chamadas de “Mishpatim” que são leis que conseguimos entender, como por exemplo “não assassinar”, “não roubar” e etc, os “hukim” são leis da Torá que estão acima do nosso entendimento, e todas as leis da Torá relacionadas a assuntos de pureza e impureza estão nessa categoria.

 

Quando fazemos uma Mitzvá, ou seja, quando cumprimos um mandamento Divino, trazemos para nós próprios uma grande pureza espiritual. E não somente para a nossa Alma, mas principalmente para o nosso corpo.

 

E esse é o motivo da descida da nossa Alma para esse mundo, cumprir os Mandamentos Divinos. Como por exemplo, dar a luz a uma menina ou a um menino, e por meio disso trazer uma enorme pureza espiritual para o nosso corpo e também para a nossa Alma.

 

Ao mesmo tempo que a mulher por meio de cumprir o Mandamento Divino de dar a luz recebe toda aquela imensa pureza espiritual para seu corpo e sua Alma, uma pureza que vai reluzir eternamente nela, junto com isso ela recebe uma impureza material não detectável que veio para ela por meio de uma ação material e vai sair dela por meio de outra ação material, e não por meio de rezas ou outros assuntos espirituais.

 

Como nos conta o Rambam que todo o assunto da pureza e impureza não é detectável, e por isso é chamado de “hok”, uma lei da Torá que está acima do nosso entendimento. Assim também a sua purificação por meio do mergulho no Mikve é um “hok”.

 

Da mesma maneira que a impureza não é detectável, sua purificação por meio da água também não é detectável, e todo esse assunto é chamado pelo Rambam de “decreto do versículo” por estar acima do nosso entendimento.

 

No caso da impureza e sua purificação, esse “decreto do versículo” vem nos revelar a impureza que existe nesse mundo material e não temos como saber que ela existe a não ser pelo fato de o versículo nos revelar a existência dela.

 

Ela aparece no nosso corpo por meio de uma ação material como no caso da mulher que deu a luz. Nesse caso a impureza material surge por consequência do corrimento de sangue para fora do ventre, e desaparece por meio de outra ação material que é o mergulho no Mikve após sete ou quatorze dias.

 

Mas nem a entrada dessa impureza material no nosso corpo e nem a sua saída são materialmente detectáveis.

 

Morte e impureza

 

Rabi Yehudah Halevi nos ensinou que a impureza está sempre ligada à morte e o caso mais grave de impureza é um judeu ou judia que faleceram.

 

Abaixo disso está a mulher que dá à luz uma menina. Antes de dar a luz ela era um conjunto de dois corpos e duas Almas, no parto ela volta a ser um corpo e uma Alma, ou seja, menos vida.

 

E sendo que essa vida que saiu dela vai dar origem à outras vidas, ela fica impura 66 dias por causa da vida que saiu do seu próprio corpo, mesmo que a menina que saiu dela não só que tem vida própria mas também futuramente vai dar a luz à mais vidas.

 

Abaixo disso está a mulher que dá à luz a um menino. Antes de dar à luz ela era um conjunto de dois corpos e duas Almas, no parto ela volta a ser um corpo e uma Alma, ou seja, menos vida.

 

Abaixo disso está a mulher que perdeu o óvulo e por isso ficou Nidá. O óvulo era vida, e ele saiu dela, agora ela é menos vida.

 

Abaixo disso está o marido que teve relação com a mulher. O que saiu dele entrou nela, mas quem ficou impuro foi ele e não ela, porque dele saiu vida, e nela entrou.

 

Nessa regra se aplica também no caso da “nega tzaraat”, a manifestação espiritual que se revelava na pele da pessoa causando a morte das células, e onde há morte há impureza, e por isso a pessoa ficava impura por causa da “nega tzaraat”.

 

Quando acordamos de manhã estamos impuros porque durante o sono nossa Alma sobe para os céus nos colocando em uma situação de 1/60 da morte. Ou seja, durante o sono estamos menos vivos.

 

A purificação dessa impureza é fazer a “netilat yadaim” jogando água nas nossas mãos por meio de um recipiente seis vezes intercaladamente.

 

Quando cortamos as unhas ou os cabelos ou quando fazemos uma doação de sangue, também devemos fazer a “netilat yadaim” jogando água nas nossas mãos por meio de um recipiente seis vezes intercaladamente para tirar a impureza que pairou sobre nós por causa da perda de uma pequena parte de vida, uma pequena parte do nosso sangue, dos nossos cabelos ou das nossas unhas.

 

Mas porque a impureza paira sobre nosso corpo sempre que há nele um pouquinho de redução de vida, ou, D’us nos livre, a própria morte que traz com ela a maior de todas as impurezas?

 

A explicação do Zohar

 

Diz o Zohar que a pessoa não morre antes de ver a “She’hiná” (Presença Divina) e por causa do intenso desejo da nossa Alma em se unir à She’hiná, nossa Alma sai do corpo ao seu encontro.

 

Depois que a Alma sai do corpo e consequentemente aquele corpo se torna um corpo morto, é proibido deixá-lo sem que seja enterrado.

 

O Zohar traz vários motivos para isso:

 

1- Porque se deixamos passar 24 horas entre a morte e o enterro causamos uma fraqueza nas Sefirot do mundo superior, sendo que a “imagem e semelhança” Divina descritas pela Torá em relação à criação do homem se refere às Sefirot lá de cima e por isso cada um de nós está sincronizado com essas Sefirot.

 

E da mesma maneira que existe a infiltração do lado espiritual negativo no corpo do falecido aqui em baixo, se ele não é enterrado em 24 horas esse lado espiritual negativo acessa ao mundo superior e suga vitalidade das Sefirot lá de cima.

 

2- Outro motivo que não podemos atrasar o enterro é para não atrasar a ajuda Divina decretada para aquela pessoa. Porque talvez AShemtenha decretado para o bem daquela pessoa que ela vai se reencarnar naquele mesmo dia que faleceu, explicitamente para o bem dela.

 

E enquanto o corpo não é enterrado, a Alma não pode se apresentar na frente de Hashem, e consequentemente não pode entrar em uma próxima reencarnação. Isso pelo motivo de que não é dado para a Alma um segundo corpo enquanto o primeiro não é enterrado.

 

O Zohar compara esse caso à uma pessoa cuja esposa faleceu. Não é correto ele se casar com outra mulher enquanto a esposa falecida não é enterrada, assim também não é correto ele receber um novo corpo enquanto o corpo anterior não é enterrado.

 

3- Outro motivo para que a pessoa seja enterrada no mesmo dia é porque quando a Alma sai do corpo e precisa ir para o mundo superior, para o Gan Éden (o Paraíso) e ela não pode entrar lá enquanto não é dado a ela um novo corpo.

 

Mas sendo que o Gan Éden fica no mundo superior, esse novo corpo é infinitamente melhor do que o nosso corpo atual, e é denominado pelo Zohar como um “corpo de luz”.

 

Um corpo espiritual para usufruir do Gan Éden HaTa’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale à setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, ou do Gan Éden HaElion (Alto Paraíso) onde uma hora lá é comparada à setenta anos no Gan Éden HaTa’hton.

 

Mas só depois que a Alma recebe esse corpo espiritual ela pode entrar no mundo superior, e isso só acontece depois que o corpo material que ela usou aqui embaixo é enterrado. Somente depois disso ela recebe o corpo espiritual e pode entrar no mundo superior.

 

Diz o Zohar que aprendemos isso de Eliahu Hanavi (o profeta Elias) que tem dois corpos. Um corpo que ele usa para aparecer para as pessoas aqui nesse mundo, mas com esse corpo ele não consegue subir para o mundo superior. Outro corpo ele usa para aparecer lá em cima entre os Anjos do céu.

 

4- Mais um motivo que traz o Zohar é o de que todo o tempo em que o corpo ainda não foi enterrado, a Alma, mesmo já não estando mais nele, sofre por causa do espírito impuro que aparece para habitar nele causando com que o corpo morto fique impuro.

 

E sendo que o espírito impuro aparece por causa da morte, a pessoa não deve deixar aquele corpo por uma noite sem enterrá-lo porque o espírito impuro se encontra com mais intensidade durante a noite e vaga por toda a terra procurando um corpo sem Alma para impurificá-lo, e de noite ele impurifica com muito mais intensidade

 

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METZORÁ

 

A Torá nos conta sobre manchas que poderiam aparecer nas paredes das casas, nas roupas e nas pessoas.

 

Essa mancha é chamada de “Nega Tzaraat” , a pessoa portadora dela é chamada de “Metzorá”.

 

Isso foi traduzido erroneamente como lepra, doença causada pelo Mycobacterium leprae, mas é um verdadeiro erro de tradução como veremos a seguir:

 

Don Itzhak Abarbanel foi o grande Tzadik que encorajou os judeus espanhóis na época da inquisição a deixarem a Espanha e não fazerem idolatria.

 

Ele nos explicou que a “Tzaraat” não é uma doença física, mas sim uma “praga” mandada dos céus que aparecia de uma maneira sobrenatural, e sua cura era por meio de um ritual espiritual como ele explica detalhadamente:

 

1- O Cohen começa a purificação do “Metzorá” com o abate de um pássaro em um pote de barro, nos mostrando que o ser humano é como um pote de barro na mão do seu artesão que vai modelando ele conforme a sua vontade.

 

Isso vem nos indicar que a Tzaraat vem de AShempara melhorar nossa forma espiritual, ou seja, nosso caráter.

 

2- Dentro desse pote de barro onde é feito o abate do pássaro são colocadas águas de fonte, em hebraico “águas vivas”, representando a Torá que está no coração de cada um de nós, e por não a guardarmos da maneira correta morre o pássaro abatido, representando que a Tzaraat aparece por meio de nossas ações e não por contágio.

 

3- Um pássaro vivo é mergulhado (mas continua vivo) no sangue do pássaro morto, nos ensinando que a “Tzaraat” por natureza não é doença e nem é contagiosa (como na lepra pelas vias respiratórias) mas sim um decreto Divino ligado ao comportamento errado daquela pessoa (representando pelo pássaro morto).

 

4- A cura de “Tzaraat” não acontece de maneira natural, mas sim de maneira milagrosa, e por isso o “Metzorá”, o portador da tzaraat, vai para o Cohen e não para o médico.

 

5- A “Tzaraat” da roupa, e da casa é a mesma que a das pessoas, e ela não tem nenhum vínculo a doenças do corpo humano, porque o fato de que a mesma Tzaraat poder aparecer em paredes (mineral) e em roupas (vegetal e animal) nos obriga a ver a Tzaraat como expressão sobrenatural, milagrosa, sendo que uma doença humana não pega em animais vegetais ou minerais.

 

Conclusão:

 

Depois dessa explicação tão detalhada de Don Itzhak Abarbanel, vemos que o certo é transcrever a palavra Tzaraat, e não pegar uma tradução errada, e ainda mais que essa tradução errada tem como fonte aquela mesma idolatria que por causa dela Don Itzhak Abarbanel teve que sair da Espanha com seiscentos mil judeus na inquisição!

 

A “Tzaraat” era um decreto Divino que afetava principalmente pessoas que causavam intrigas entre marido e mulher ou entre uma pessoa e outra, pessoas que causavam separações.

 

Por isso, primeiro o Metzorá era separado do acampamento (porque causou separações) e depois sua purificação envolvia dois passarinhos sendo que o passarinho tem a característica de piar na casa de um e na casa de outro, representando as intrigas que ele fazia.

 

Mas nem sempre a Tzaraat era um decreto Divino para corrigir a personalidade da pessoa (enriquecê-la espiritualmente), às vezes a Tzaraat era um decreto Divino para enriquecer a pessoa materialmente.

 

O Midrash nos conta em nome de Rabi Shimon Bar Yohái, que quando os povos de Canaã ouviram que o povo de Israel estava se preparando para vir conquistá-la, se prepararam para nos “receber” e, entre outras coisas, esconderam nas paredes e embaixo do piso das casas todos os seus tesouros para caso precisassem fugir da cidade, quando eles voltassem a reconquistá-la eles pegariam esses tesouros de volta.

 

Conta o Midrash que o bom D’us disse:- Prometi para o povo de Israel casas repletas com tudo de bom, e quem vai avisar eles sobre os tesouros que eles têm em casa?

 

Portanto, continua o Midrash, quando aparecerem sinais de Tzaraat na parede e a pessoa era obrigada a demolir aquela parede, ela encontrava os tesouros escondidos e ficava rica!

 

Nesse caso a Tzaraat era uma grande alegria para eles porque dessa maneira eles encontravam fortunas escondidas.

 

Daqui aprendemos um ensinamento básico para todos os acontecimentos de nossa vida:

 

Quando temos “tzarot” (sofrimentos) e achamos que estamos passando por uma fase ruim e que D’us esqueceu de nós, temos que nos lembrar que por causa dessas “tzarot” vamos descobrir tesouros de todos os tipos que não descobriríamos a não ser por causa dessas tzarot.

 

Como disse o rei David no Tehilim:-“de noite dormimos chorando e de manhã acordamos cantando”.

 

Ou seja, o mesmo sofrimento que por causa dele dormirmos chorando, ele próprio vai nos fazer acordar cantando!

 

E aqui não se trata de pegar experiência com as “tzarot”, o lucro real que temos delas não é o aprendizado mas sim de receber tesouros verdadeiros. Ou seja, depois que a casa pega fogo ficamos ricos de verdade!

 

Principalmente agora que já passamos por todos os sofrimentos, já está na hora de Mashia’h chegar, e veremos com nossos próprios olhos que nunca existiram sofrimentos, mas tudo era a embalagem da bondade Divina que estava oculta dentro dela,  e agora chegou a hora de ela se revelar,  em breve em nossos dias !

 

Shabat Shalom 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você