As Mitzvót das Mulheres

Por Morá Rifka Haia Eitan
Os Mandamentos Divinos que nós, mulheres judias temos que cumprir, e que você que quer ser judia já pode começar a cumprir voluntariamente
O Rei David no livro dos Tehilim (113/9) nos chama de “Akeret a Bayit” (עקרת הבית). Ele poderia nos chamar de baalat a bait que quer dizer dona de casa no sentido mais simples, mas no lugar disso ele nos chamou de Akeret a Bait que tem um significado mais profundo e muito especial.
A palavra Akeret vem de “ikar” (עיקר) que significa a essência, a raiz.
Ou seja, a mulher é a base espiritual e estrutural do lar. Não é função doméstica, é posição de eixo.
Agora, Torá na mesa, sem romantizar nem distorcer:
📌 O que a Torá realmente estabelece
A Torá não apresenta a mulher como “secundária”, mas como centro interno, enquanto o homem atua mais no exterior.
Dois papéis diferentes, a mesma dignidade mas com responsabilidades distintas.
Nossas Três Mitzvót principais
Nossos Sábios resumem os Mandamentos das mulheres em três categorias:
1. Adlakat Nerot, Acender as velas de Shabat e Yom Tov, que incluem as leis de Shabat e Yom Tov e de todo o ciclo do ano judaico.
Nós mulheres trazemos a luz espiritual para os nossos lares. Marcamos o início do Shabat e das festas judaicas dentro das nossas casas.
Representamos por meio do nosso acendimento das velas a paz e a harmonia familiar que é o Shalom Bait, e a presença da kedushá, da santidade, nos nossos lares.
2. Taarat a Mishpa’há, Pureza familiar, que são as Leis de Nidá e Mikvê que nos ensinam como fazer com que as nossas relações íntimas com os nossos maridos traga muitas bençãos para a nossa família.
Essas Mitzvót regem a vida íntima do casal. Criam ciclos de renovação, disciplina emocional e santidade na relação.
Isso aqui, aliás, é um dos pilares mais profundos do judaísmo prático. Quem entende isso direito percebe que não é restrição, é engenharia espiritual.
3. Afrashat Halá, que inclui todas as leis de Kashrut, as leis sobre o que podemos comer e beber.
Peneirar a farinha e separar uma porção da massa ao fazer pão tornando essa massa uma massa kasher, verificando o que deve ser feito para tornar os outros alimentos kasher e não alimentando a nossa família com o que a Torá nos proíbe comer. Isso conecta o nosso cotidiano com Trabalho Divino e nos traz Bra’há para o sustento do nosso lar.
Outras responsabilidades fundamentais
Agora vem a parte que ninguém resume em lista de Instagram:
Construção do lar judaico.
Educar os filhos no caminho da Torá.
Moldar valores, identidade e consciência espiritual.
A influência da mãe aqui é absurda. Não é opinião, é realidade histórica.
💬 Shalom Bait (paz no lar)
Criar um ambiente de equilíbrio emocional.
Não, isso não significa “aguentar tudo calada”. Significa sabedoria na condução da casa.
Tzniut (recato, modéstia)
Não só roupa. Postura, fala, presença.
É sobre dignidade e consciência de valor próprio.
Vida espiritual
Tefilá (rezas)
Emuná (fé ativa)
Conexão constante com Ashem
Um ponto que muita gente distorce
Mulher não é “menos obrigada”, ela é obrigada de forma diferente.
Exemplo:
Somos obrigadas a cumprir todos os Mandamentos “não faça” que são as proibições da Torá, mas os Mandamentos “faça” que são as obrigações da Torá, quando elas têm um horário fixo para serem feitas elas não são obrigatórias para nós mulheres.
Por quê? Porque a Torá reconhece que a estrutura da nossa vida como mulher, a Torá reconhece que já estamos cheias de responsabilidades contínuas. Não é alívio. É reconhecimento de realidade.
Em uma frase direta
A mulher judia não “mantém a casa”. Ela define o que aquela casa é.
Se tem kedushá, vem dela.
Se tem identidade, vem dela.
Se tem futuro, começa nela.
Agora, sem fantasia: isso é uma posição de força enorme… e também de responsabilidade pesada. Quem vende isso como algo “fofinho” não entendeu nada. Mas quem vive isso com consciência… constrói gerações.

Atenciosamente
Morá Rifka Haia Eitan

