O Shofar nos acorda das nossas obsessões pelas coisas desse mundo material e nos lembra que nós não somos o nosso corpo mas sim a nossa Alma .
É como um alerta: nos inspira temor lembrando que este é o Dia de nosso julgamento.
O Rambam nos ensinou que a mensagem do Shofar, é:
“Acordem do seu sono e faça a revisão geral do seu comportamento.
Se lembre do seu Criador e volte para ele.
Não seja daqueles que saem da realidade e começam a perseguir sombras ou esbanjam anos buscando coisas vãs que não lhes trazem proveito.
Abandone os caminhos errados e os maus pensamentos e volte para D’us.
Esta é a função mais importante dos sons do Shofar: inspirar a Alma e provocar vibrações extraordinárias no coração, ativando o sentimento do arrependimento e humildade.
O despertar de nosso sono
O som do shofar é como o toque de uma trombeta nos despertando do nosso sono.
Estamos tão atarefados com os interesses do dia a dia – escola, trabalho, diversão – que tendemos a ficar indiferentes ao nosso verdadeiro objetivo na vida, como se estivéssemos imersos em sono profundo.
Rosh a Shaná, o ano novo ano judaico, nos desperta para planejarmos o cumprimento de Mitzvot e o estudo de Torá para o ano que se inicia.
Rabi Saadia Gaon nos ensinou que o Shofar nos inspira de dez formas diferentes como viver uma vida melhor o ano inteiro:
1- Quando um novo rei começa a governar, é feita uma proclamação, acompanhada por toques de trombeta.
A cada ano, naquele dia, seu governo é novamente proclamado, também com o som da trombeta.
A Criação do Mundo foi completada em Rosh a Shaná, e o reinado de D’us começou no mundo.
A cada ano neste dia, proclamamos novamente Seu governo com o toque do Shofar.
2- Quando um rei (na época do Rav Saadia Gaon) emite um decreto um sinal de aviso é anunciado por meio do toque da trombeta representado pelo toque do Shofar.
Os Dez Dias de Teshuvá, dez dias de retorno à D’us começam com Rosh a Shaná e a mensagem deles é: Vamos nos “Aperfeiçoar”, e quando este decreto é emitido, o Shofar é tocado.
3- Quando recebemos a Torá no Monte Sinai, o som do Shofar foi ouvido por todos.
Neste dia de Rosh a Shaná nós assumimos novamente uma vida de acordo com a Torá, lembrada pelo toque do Shofar no Monte Sinai.
Rosh a Shaná, o ano novo judaico de 5787 começa ao pôr do sol de sexta feira dia 11 de setembro e termina na saída das estrelas de domingo dia 13 de setembro de 2026
Esse ano o primeiro dia de Rosh a Shaná vai ser Shabat e no Shabat não tocamos o Shofar. No Domingo 13/09/2026 tocamos o Shofar durante o dia.
O toque do Shofar é composto por três tipos de toques diferentes.
O primeiro toque é chamado Tekiá que é um toque de nove segundos sem interrupção.
O segundo toque é chamado de Shevarim que são três toques de três segundos cada um que parecem como três suspiros.
O terceiro toque é chamado Truá que são nove toques de um segundo cada um, que se parecem como soluços breves.
O que os Toques do Shofar representam?
A Tekiá nos lembra que já fomos um todo. Cada um de nós nasceu inteiro.
Os Shevarim nos lembram que conforme vamos crescendo vamos quebrando, nos tornamos fragmentados, dispersos, provocando suspiros existenciais.
A Truá nos lembra que nossas vidas foram abaladas e quebradas em pedaços através de várias experiências negativas, e por isso estamos chorando consciente ou inconscientemente.
Mas o que fazemos depois de cada vez que tocamos a Truá?
Tocamos a Tekiá novamente.
Isso nos lembra que podemos ser restaurados novamente à integridade.
Tekiá Guedolá toca os sons dispersos…
Os locais onde estamos colados juntos são locais onde a luz de AShem (D’us) pode entrar.
Depois de tocarmos todos os toques do shofar, chegamos à Tekiá Guedolá.
Atingimos o nível de Tekiá Guedolá, “a grande Tekiá”, um toque que dura enquanto quem toca o Shofar tiver fôlego, um toque muito mais longo do que o toque inicial que iniciou o ciclo.
A Guemará nos conta que um vaso de barro pode receber tumá que é a impureza espiritual, através do contato com determinadas substâncias impuras.
Se um recipiente de barro se torna impuro, a maneira de deixá-lo novamente puro, é quebrá-lo e então colar os pedacinhos juntos novamente.
Através da quebra do recipiente sua integridade é restaurada, ele se torna puro novamente.
Nós também somos feitos de barro, como a Torá nos conta que “D’us criou o ser humano da terra.”
Quando aceitamos nossa própria fragilidade, nossa própria vulnerabilidade, chegamos a conclusão de que estamos totalmente quebrados, nos tornamos capazes de uma integridade mais profunda e mais poderosa que aquela que conhecíamos antes.
A Tekiá Guedolá é o último dia toques do Shofar porque ela reúne em um só toque todos os toques que estavam dispersos.
Nossos pedacinhos, agora colados juntos, são locais onde a luz de D’us pode entrar.
E esse nível tão elevado só vem para nós depois de termos passado por essa quebra em pequenos pedacinhos.
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
www.RabinoGloiber.org
Rabi Shneur Zalman de Liadi, O “Alter Rebe” nos contou que em Rosh a Shaná todas as coisas retornam à sua origem.
Na linguagem da Guemará, em Rosh a Shaná, AShem (D’us) pede para nós reelegermos ele mais um ano como nosso Rei.
Atestamos novamente que ele é o Criador e Rei do Universo Inteiro.
Tocamos o Shofar. Nos comprometemos a cumprir mais Mitzvót e fazer mais atos de bondade para dar muita alegria ao nosso Rei.
E o resultado disso é que o universo inteiro ganha mais um ano de existência.
O exemplo do Rei Perdido
Rabi Levi Yitzhak de Berditchev nos contou que uma vez um rei fez um passeio na floresta para ver a natureza, ver os animais, as aves e todas as criaturas de seu reino.
Mas no final o que ele viu é que estava realmente perdido, sem uma pista para encontrar a estrada real que levava direto para o palácio.
Ele viu alguns camponeses contou para eles que ele era o Rei e perguntou qual era o caminho para a estrada real, para o palácio do Rei.
Mas eles não o reconheceram como rei, e mesmo se tivessem reconhecido ele como Rei eles não tinham como ajudar porque eles nunca tinham viajado na estrada real e nem sabiam que ela existia.
Até que o rei conseguiu encontrar uma pessoa sábia e compreensiva. Ele perguntou: “Você sabe o caminho para a estrada do Rei?”
O Sábio entendeu que esse deveria ser o Rei.
Ele tremeu e deu um passo para trás, e imediatamente conduziu o Rei para a estrada Real.
Porque devido à sua grande sabedoria, ele conhecia o caminho direto e adequado para a estrada do Rei.
Ele conduziu o Rei até o palácio e colocou o Rei no trono real do seu reino.
Este homem Sábio encontrou muita graça aos olhos do Rei, e o rei o nomeou acima de todos os ministros de seu reino e o presenteou com roupas preciosas.
Quanto às suas roupas velhas, o Rei ordenou que fossem estocadas na câmara do tesouro real.
Após muitos anos aconteceu que este homem Sábio cometeu um crime contra o rei.
O rei ficou enfurecido e ordenou que sua corte real condenasse este homem por traição.
O homem sábio ficou, é claro, muito preocupado.
Ele sabia que seu julgamento não seria bom. Era, afinal, traição que ele tinha cometido.
Então ele foi perante o rei e se atirou à frente dele. Implorou por um último pedido antes da sua sentença.
“E qual seria esse último pedido?” Perguntou o rei.
“O homem sábio respondeu: “É, que eu seja permitido de vestir mais uma vez as minhas roupas que eu vestia quando nos encontramos pela primeira vez.”
O Rei concordou com o pedido, e quando ele viu o homem Sábio vestido com aquelas roupas, ele se lembrou da grande bondade que este homem tinha feito para ele quando ele o levou de volta ao palácio e o sentou no trono real de seu reino.
A compaixão do Rei despertou . O homem sábio encontrou novamente graça em seus olhos. O Rei o perdoou de seu crime e o devolveu ao seu cargo real.
O Dia das Origens
Rabi Levi Yitzhak explicou que essa história é na verdade nossa história de todo Rosh a Shaná .
Levamos o Rei do mundo de volta para o seu trono quando aceitamos o seu reinado com o toque do Shofar.
No dia do nosso julgamento lembramos ele aquele grande favor que fizemos por ele e ele levando ele de volta para o seu reinado e ele nos desculpa pelas traições.
Por que Rabi Levi Yitzhak de Berditchev teve de contar uma estória inteira para chegar a esse ponto?
Essa estória é um exemplo de como, em Rosh a Shaná, cada um de nós retorna à sua origem.
Na estória o Rei e o homem Sábio tiveram que retornar às suas origens.
O homem Sábio teve que retornar àquela situação onde ele reconheceu que aquele era o Rei, teve que retornar até aquele ponto onde não havia possibilidade de que ele não fizesse tudo o que pudesse para ajudar o Rei, muito menos rebelar-se contra ele.
Foi aquele Sábio original que o rei viu agora diante dele.
Este homem à quem ele devia todo o seu reino, porque naquelas florestas distantes ele não era Rei, e se não fosse por este homem, ele nunca teria sido Rei novamente.
Este homem pecou contra ele? Não, não este homem Sábio.
Mas no lugar disso, alguma versão posterior corrompida de sua personalidade se rendeu à tentação perversa.
O próprio homem Sábio, em sua origem primitiva, era essencialmente bom e altamente leal ao Rei.
E exatamente como nesse exemplo, em Rosh a Shana nós também retornamos à nossa origem, e esse é o significado mais essencial do toque do Shofar.
É um grito do fundo do nosso coração que não pode ser expressado de outra forma a não ser por meio do chamado primitivo do chifre de um animal.
É a nossa origem, a concepção inicial de sermos capazes de descobrir quem é o dono do mundo, quem é o Rei dentro do Seu Reino.
Nessa hora revelamos a nossa essência verdadeira, revelamos que somos uma Alma Divina e que viemos aqui para revelar à esse mundo que ele tem um Rei.
A Alma Divina em sua origem é aquele vislumbre do Ser que é o objetivo de toda a criação.
Quando voltamos para o começo é como se D’us estivesse te dizendo : “Eu encontrei você, e você é uma criança pura e inocente.”
E agora podemos dizer: “Então, vamos começar tudo de novo, como alguma coisa pode se interpor entre nós? ”
Em Rosh a Shaná a nossa essência se revela em toda a sua intensidade quando ouvimos o toque do Shofar.
Agora não há manchas de pecados, nem ferimentos da batalha.
O que quer que tenha ocorrido aqui nesse nosso mundo dentro do tempo e espaço, nada disso poderia afetar a conexão entre a nossa essência que é an Alma Divina e a essência de D’us.
Nesse caso, tudo está perdoado. Assim como no exemplo que o Rei desculpou o homem Sábio quando ele voltou para a etapa inicial que foi a etapa na qual o homem Sábio trouxe o Rei de volta para o seu trono, assim D’us desculpa cada um de nós.
Então, por que precisamos do Yom Kipur depois de Rosh a Shaná?
Diz o Talmud: “Assim como se aumenta a alegria quando entra o mês de Adar, assim se reduz a alegria quando entra o mês de Av.” Existe uma interpretação de que os verbos, aumentar e reduzir, relacionam-se ao mês, e não à alegria.
Ou seja: “Com a alegria podemos aumentar as venturas de Adar e reduzir as calamidades de Av.” Isto é expresso na Lei Judaica que permite comer carne e beber vinho quando o final de um tratado talmúdico é realizado e este fato é sempre comemorado com alegria, mesmo nos primeiros nove dias de Av, quando estes alimentos são normalmente proibidos devido ao luto.
O mês de Av [pai] é denominado Menachêm [que consola] Av. Simplesmente, isto representa uma prece, de que D’us, nosso Pai nos console e traga a reconstrução do Templo. Mas uma vez que Menachêm precede Av surgiu uma explicação mais profunda, ou seja, que nós, os filhos, consolamos o Pai.
Esta idéia será entendida de acordo com o dito de nossos sábios que, após a destruição do Templo, D’us disse sobre Si mesmo: “Ai do Pai que exilou Seus filhos e ai dos filhos que foram exilados da mesa de seu Pai.”
Shabat Hazon
O Shabat que antecede Tish’á Beav é denominado Shabat Hazon, pois nele é lida a Haftará, [trecho dos Profetas relacionado com a porção semanal da Torá] que se inicia com as palavras “Hazon [a visão de] Yesha’yáhu”. Rabi Levi Yitschac de Berditchev explicou, por meio desta parábola, que neste Shabat é mostrada a cada judeu uma visão do Terceiro Templo.
E eu, Daniel, sozinho tive a visão, mas as pessoas que estavam comigo não a viram; mesmo assim um grande terror se abateu sobre elas, e fugiram para esconder-se. (Daniel 10:7)
Mas se eles não tiveram a visão, porque ficaram aterrorizados? Porque embora eles mesmos não vissem, suas almas viram. (Talmud, Tratado Meguilá 3a)
No nono dia do mês de Av (Tish’á Beav) jejuamos e lamentamos a destruição do Templo Sagrado em Jerusalém. Tanto o Primeiro Templo (833-423 AEC) como o Segundo Templo (353 AEC-69 EC) foram destruídos nesta data.
O Shabat que antecede o dia de jejum é chamado o “Shabat da Visão,” pois neste Shabat lemos um capítulo dos Profetas, intitulado “A Visão de Yeshayáhu.”
Porém há também um significado mais profundo para o nome “Shabat da Visão,” expresso pelo mestre chassídico Rabi Levi Yitschac de Berditchev 2 com a seguinte metáfora:
Um pai certa vez preparou um lindo conjunto de roupas para o filho. Porém a criança negligenciou o presente do pai e logo o terno estava em frangalhos.
O pai deu ao filho um segundo jogo de roupas, mas este também foi arruinado pelo descuido do menino. Então, o pai comprou um terceiro conjunto. Desta vez, entretanto, escondeu-o do filho.
De tempos em tempos, em épocas especiais e oportunas, ele mostra o terno ao filho, explicando que quando o menino aprender a valorizar e tomar os devidos cuidados com a roupa, ela lhe será dada. Isso induz a criança a melhorar seu comportamento, até que gradualmente isso se torne uma segunda natureza – quando então será merecedora do presente dado pelo pai.
No “Shabat da Visão” – diz Rabi Levi Yitschac, a todos e a cada um de nós é concedida uma visão do Terceiro Templo – o final – uma visão que, para parafrasear o Talmud, “embora não vejamos por nós mesmos, nossa alma vê.” Esta visão evoca uma profunda reação em nós, mesmo se não estivermos plenamente conscientes da causa de nossa súbita inspiração.
A Morada Divina
O Templo Sagrado em Jerusalém era o assento da presença manifesta de D’us no mundo físico.
Um dogma básico de nossa fé é que “Toda a terra está repleta com Sua presença”3 e “Não há lugar sem Ele.”4 Mas a presença de D’us e o envolvimento em Sua criação são mascarados pelas obras aparentemente arbitrárias e independentes da natureza e da história.
O Templo Sagrado foi um brecha nesta máscara, uma janela através da qual D’us irradiou Sua luz para o mundo.
Aqui o envolvimento de D’us em nosso mundo foi demonstrado abertamente por um edifício, no qual milagres eram uma parte “natural” de seu funcionamento diário e cujo próprio espaço expressava a infinidade e a completa difusão do Criador.
Aqui D’us mostrava-se ao homem, e o homem apresentava-se a D’us.
Por duas vezes recebemos o presente de uma morada Divina em nosso meio. Duas vezes deixamos de nos mostrar merecedores deste presente, e banimos a presença Divina de nossa vida.
Portanto, D’us construiu-nos um terceiro templo. Diferente dos anteriores, de construção humana e portanto sujeitos a degradação por causa das falhas humanas, o Terceiro Templo é tão eterno e invencível quanto seu Arquiteto. Mas D’us ocultou de nós este “terceiro conjunto de roupas,” confinando sua realidade a uma esfera celestial, mais elevada, além da visão e da vivência de nosso ser terreno.
A cada ano, no “Shabat da Visão,” D’us nos mostra o Terceiro Templo. Nossa alma contempla uma visão de um mundo em paz consigo mesmo e com seu Criador, um mundo repleto de conhecimento e de consciência de D’us, um mundo que percebeu seu potencial Divino para a bondade e a perfeição. É uma visão do Terceiro Templo no céu – em seu estado espiritual – como o terceiro jogo de roupas da analogia, que a criança vê mas não pode ter. Mas é também uma visão com uma promessa: uma visão de um templo celestial suspenso para descer à terra, uma visão que nos inspira a corrigir nosso comportamento e apressa o dia em que o Templo espiritual tornar-se-á realidade concreta.
Através destas visões repetidas, viver na Divina Presença torna-se mais e mais uma “segunda natureza” para nós (como disse Rabi Levi Yitschac em sua analogia), elevando-nos progressivamente ao estado de merecimento para vivenciar o Divino em nossa vida.
A Casa Individualizada
As metáforas de nossos Sábios continuam a nos falar muito depois do ponto principal de sua mensagem ter sido assimilado. Sob a superfície do significado mais óbvio da metáfora está camada após camada de significado, onde cada detalhe da narrativa é importante.
O mesmo aplica-se à analogia de Rabi Levi Yitschac. Seu significado básico é claro, mas muitas percepções sutis estão envoltas em seus detalhes. Por exemplo: Por que, poderíamos perguntar, os três Templos são representados como três jogos de roupas? O exemplo de um edifício ou casa8 não teria sido mais apropriado?
A casa e a roupa – ambas “abrigam” e contêm a pessoa. Mas a roupa o faz de modo muito mais pessoal e individualizado. Embora seja verdade que as dimensões e o estilo de uma casa refletem a natureza de seu ocupante, fazem-no de maneira mais generalizada – não tão especificamente e intimamente como uma roupa envolve quem a veste.
Por outro lado, a natureza individual das roupas limita suas funções ao uso pessoal. Uma casa pode abrigar muitas pessoas; uma roupa, apenas uma. Posso convidá-lo a ir à minha casa, mas não posso compartilhar minha roupa com você: mesmo se eu a der a você, não irá vestir-lhe tão bem quanto a mim, pois “serve” apenas a meu corpo.
D’us escolheu revelar Sua presença em nosso mundo em uma “morada” – uma estrutura comunal que vai além do pessoa, para abraçar um povo inteiro e toda a comunidade do homem.
Mesmo assim o Templo Sagrado em Jerusalém também tinha alguns aspectos semelhantes ao da roupa. São estes aspectos que Rabi Levi Yitschac deseja enfatizar quando retrata o Templo Sagrado como um conjunto de roupas.
Porque o Templo Sagrado foi também uma estrutura altamente compartimentalizada. Havia um “Pátio das Mulheres” e um pátio reservado para os homens, uma área restrita aos cohanim (sacerdotes), um “Santuário” (hechal) impregnado de uma santidade maior que a dos “pátios,” e o “Santo dos Santos” – uma câmara na qual apenas o Sumo Sacerdote podia entrar, e somente em Yom Kipur, o mais santo de todos os dias do ano.
O Talmud enumera oito áreas de santidade variada dentro do complexo do Templo, cada qual com sua função e propósito distinto.
Em outras palavras, embora o Templo expressasse uma única verdade – a presença toda penetrante de D’us em nosso mundo – assim o fazia para cada indivíduo de forma personalizada. Embora fosse uma “casa” no sentido em que servia a muitos indivíduos – na verdade o mundo todo – como seu ponto de encontro com o infinito, todo e cada indivíduo o considerava uma “roupa” sob medida para suas necessidades espirituais, segundo seu relacionamento pessoal e íntimo com D’us.
A cada ano, no Shabat que antecede Tish’á Beav, temos uma visão de nosso mundo como um lar Divino – um local onde todas as criaturas de D’us sentirão Sua presença. Mas esta é também uma visão de uma “roupa” Divina – o relacionamento nitidamente pessoal com D’us, que serve especialmente a nosso caráter e aspirações individuais, que cada um de nós irá desfrutar quando o Terceiro Templo descer
Lag BaOmer, o 33º dia da contagem de Omer é um dia festivo no calendário judaico.
É comemorado com passeios em que as crianças brincam com arcos e flechas, fogueiras e desfiles. Muitos visitam o lugar de repouso (em Meron, norte de Israel) do grande sábio e místico Rabi Shimon bar Yochai, nessa data que marca o seu falecimento celebrada com muita alegria.
O que significa
Lag BaOmer é comemorado no dia 18 do mês de Iyar. A palavra “Lag” é composta pelas letras hebraicas lamed (ל) e gimel (ג), que juntas possuem o valor numérico de 33. “Baomer” significa “do Omer”. O Omer é o período de contagem que começa no segundo dia de Pêssach e culmina com o feriado de Shavuot, após 4 dias da contagem do Omer.
O que estamos comemorando
A fogueira é um costume tradicional de Lag BaOmer
Rabi Shimon bar Yo’hái, que viveu no segundo século da Era Comum, foi o primeiro a ensinar publicamente a dimensão mística da Torá conhecida como a Cabala, e é o autor do texto clássico da Cabala, o Zohar. No dia de sua morte, Rabi Shimon instruiu seus discípulos a marcar a data como “o dia da minha alegria”.
Os mestres hassídicos explicam que o dia final da vida terrena de um homem justo marca o ponto em que todas as suas ações, ensinamentos e obras alcançam sua perfeição culminante e o zênite de seu impacto sobre nossas vidas. Assim, cada Lag BaOmer, celebramos a vida do Rabino Shimon e a revelação da alma esotérica da Torá.
Lag BaOmer também comemora outro evento alegre. O Talmud relata que, nas semanas entre as festas de Pêssach e Shavuot, uma praga recaiu sobre os discípulos do grande sábio Rabi Akiva, “porque eles não agiam respeitosamente uns com os outros”.
Estas semanas são, portanto, observadas como um período de de luto, com várias atividades alegres proscritas pela lei e por costumes. Em Lag Baomer as mortes cessaram. Assim, Lag BaOmer também celebra o amor e respeito que deve-se nutrir ao próximo (ahavat Yisrael).
Uma vez que este é o dia de alegria de Rabi Shimon Bar Yochai, há grandes festas em Meron, no norte de Israel, onde ele está enterrado. Dezenas de milhares de peregrinos vêm a Meron de todos os cantos do mundo para juntos celebrarem a festa com fogueiras e danças alegres.
Em todo o mundo, é costume fazer passeios ao ar livre. Durante estes passeios, é costume brincar com arcos e flechas.
As práticas de luto que vigoram no período do Omer são canceladas nesse dia: as pessoas cantam e dançam, meninos que completaram três anos durante o período do Omer, mas que não tiveram seu primeiro corte de cabelo devido às leis de luto, muitas vezes viajam para Meron para fazer o primeiro corte de cabelo lá
Nessa data; casamentos também podem ser realizados. Fogueiras são acesas lembrando a luz revelada da parte oculta da Torá, reconhecendo o espírito ardente dos ensinamentos místicos de Rabi Shimon bar Yochai.
A alfarroba (que milagrosamente sustentou Rabi Shimon e seu filho quando eles estavam escondidos dos romanos na caverna) e ovos (um sinal de luto) são ingeridos nessa ocasião.
Desfiles de Lag Baomer
Começando na década de 1950, o sétimo Lubavitcher Rebe, rabino Menachem Mendel Schneerson, incentivou as crianças judias a participarem de grandes desfiles, paradas, de Lag Baomer como um incentivo a união e ao orgulho judaico.
Em frente à sede mundial de Lubavitch, no Brooklyn, Nova York, os desfiles atraíram – e ainda atraem – milhares de crianças de todas as esferas.
Em 1980, o Rebe deu instruções de que os desfiles de Lag BaOmer e as manifestações infantis deveriam acontecer não só em Nova York, mas em todo o mundo, especialmente em Israel.
Milhares de crianças participaram de dezenas de celebrações naquele ano. Até hoje Chabad organiza centenas de desfiles de Lag BaOmer ao redor do mundo a cada ano.
Lag Baomer é chamado de “Dia da ilula” de Rabi Shimon bar Yohai.
A palavra “ilula” em aramaico e significa uma festa de casamento.
Lag BaOmer é o “Dia da ilula de Rabi Shimon bar Yo’hái”, não quer dizer que esse dia era o de seu casamento, mas a data de sua morte.
A associação do termo ilula com o dia da morte de alguém é intrigante.
Afinal, ao longo das gerações, a data do falecimento de uma pessoa era guardada pela família e filhos como um dia triste – um dia de reflexão e expiação.
Muitas pessoas costumavam jejuar na data de falecimento de seus pais e mestres.
Contudo, ao longo do tempo, a associação do termo “ilula” com a data de falecimento de Rabi Shimon se tornou tão aceita que a data de falecimento de outras pessoas também passou a ser designada pelo termo “ilula”.
Como é possível que o mesmo termo usado para o casamento de uma pessoa – que se supõe ser um dos dias mais felizes de sua vida – possa ser usado para se referir a seu passamento deste mundo?
O primeiro Rebe de Chabad, Rabi Shneur Zalman de Liadi, autor do Tanya nos conta que o principal tema de um casamento é a alegria da noiva e do noivo.
Da união de duas Almas gêmeas que foram destinadas uma para a outra ainda antes de terem nascido, mas que estiveram separadas durante muitos anos.
Antes que suas Almas viessem a este mundo, eles se conheciam e tinham um relacionamento, que foi cortado após seu nascimento.
Pois, como nasceram de pais diferentes, que talvez até vivessem em países diferentes, em muitos casos levou décadas até que essas Almas voltassem a se encontrar.
A grande alegria de sua reunião, após anos de separação, de saudade e nostalgia, é a fonte da alegria de um casamento.
De modo semelhante, quando uma Alma desce a este mundo, ela se separa de todas as Almas que estavam juntas a ela no Jardim do Éden.
Enquanto ela permanecer neste mundo, essas Almas sentem sua falta.
Quando ela deixa este mundo e retorna ao seu lar original, Gan Eden, essas Almas celebram e e tem uma extrema alegria com essa reunião.
A alegria por essa volta e essa reunião nos Céus é tão grande que supera a tristeza das pessoas em nosso mundo quando de seu falecimento.
As pessoas que aqui ficaram devem tentar, por mais difícil que seja, vencer sua tristeza e entender que a Alma que deixou este mundo está feliz de ter chegado a um lugar mais feliz.
Rabi Shimon bar Yochai pediu para que as pessoas não chorassem sua partida, mas se alegrassem pela subida de sua alma.
Por esse motivo, a data de sua morte – Lag BaOmer, é chamada de sua “Hilula”.
Seu falecimento foi um casamento:
Quando ele deixou este mundo, ele se reuniu com as Almas que se encontram nas maiores alturas dos Céus, aquelas que sentiram sua ausência e esperaram por ele durante os anos em que ele viveu neste nosso mundo físico.
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
A proibição de comer qualquer tipo de hametz e seus derivados e usar qualquer tipo de utensílio que foi usado para hametz continua até o final da festa de Pessa’h ao anoitecer de quinta-feira dia 9 de abril de 2026.
Hoje, domingo 5 de Abril, segunda-feira 6 de abril e terça-feira , 7 de abril são os dias de Hol a Moed de Pessa’h
HOL A MOÉD PESSA’H
As atividades normalmente proibidas em Yom Tov como por exemplo andar de carro, falar no telefone, acender e apagar luz elétrica, etc, são permitidas nos dias de hol a moéd.
Mas todo trabalho que envolve muito esforço, muito tempo, ou um conserto profissional, são proibidos em hol a moéd.
Nas rezas de Arvit que é a reza da noite, Shaharit que é a reza da manhã, e Min’há que é a reza da tarde, falamos a mesma Amidá de todos os dias acrescentando o parágrafo “Yaalé veyavô”, lembrando lendo nele a opção “festa de Pessa’h”. Não colocamos tefilin em hol a moéd.
Também no Birkat a Mazon, que no caso de Pessa’h é a reza que fazemos depois de comer a Matzá, acrescentamos “Yaalé veyavô”.
Depois do Shaharit falamos meio-Alel, lemos a Torá e falamos uma Amidá adicional chamada de Mussaf de Pessa’h.
Ao pôr do sol de terça-feira dia 7 de abril começa o Yom Tov do sétimo dia de Pessa’h que continua durante a quarta-feira dia 8 de abril até o anoitecer.
Esse dia é chamado de “Shevií Shel Pessa’h” que é seguido pelo oitavo dia de Pessa’h chamado de “Aharon Shel Pessa’h”.
O oitavo e último dia de Pessa’h, “Aharon Shel Pessa’h” começa ao anoitecer de quarta-feira dia 8 de abril e termina somente ao anoitecer de quinta-feira dia 9 de abril de 2026.
Pessa’h Kasher veSamea’h
♥
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
O Brasil tem uma vantagem sobre todos os países. Aqui ninguém limpa a casa sozinha, aqui graças à D’us temos as ajudantes. E mesmo quem não tem ajudante o ano inteiro, quando entra o mês de Nissan a ajudante deixa de ser um luxo do nosso país tão distante, mas se torna uma necessidade básica
E sendo que se tornou um costume de toda a nossa geração vender o Hametz antes de Pessa’h pelo motivo de todos nós termos hametz armazenado no freezer e costumarmos fazer compras em grande quantidade nas grandes redes de supermercados, para todos nós eliminar o hametz antes de Pessa’h é um grande prejuízo e por isso é permitido para todos nós vender o Hametz antes de Pessa’h
E o que ganhamos com isso é que por causa dessa venda podemos confiar na limpeza da ajudante sendo que de qualquer maneira se ela esqueceu de limpar alguma coisa mesmo que intencionalmente, esse hametz deixará de ser nosso por meio da Mehirat Hametz
Vantagens da ajudante sobre nós
1-com certeza ela limpa bem melhor do que você.
2- se você limpar com toda a sua delicadeza, ninguém vai ser louco de pedir para você limpar de novo, mas para ela sim
3- quanto mais dias de trabalho tiver mais feliz ela vai ficar porque assim ela ganha mais, o contrário de você que quanto mais trabalho tiver mais você se desgasta
Em outras palavras, deixe a ajudante limpar mas não deixe de supervisionar a limpeza dela, você é a “mashguichá” da limpeza de Pessa’h da sua ajudante
Não esqueça de limpar o escritório e o carro, atenção especial para os bolsos das roupas especialmente das crianças, bainhas de calças, punhos de roupas
ASPIRADOR DE PÓ:
o saco descartável deve ser removido antes de Pessa’h e a caixa limpa, caso o saco do aspirador não seja descartável ele deve ser lavado.
Rações
Venda a ração e o animal de estimação no preenchimento do formulário da venda do Hametz e peça para alguém que não é judeu vir para a sua casa em Pessa’h dar a ração do não judeu para o animal de estimação do não judeu. Depois de Pêssa’h o Rabino compra automaticamente o animal e a ração de volta para você
Quartos
Estrados da cama, em baixo do colchão, encostos das camas, passar lustra móvel nos armários dentro e fora.
Lavar colchas e edredons, travesseiros colocar para ventilar ou lavar.
Aspirar e lavar bem o piso, não esquecendo das frestas
Armários de roupas
Tirar tudo dos armários, limpar os armários por dentro e aproveitar para separar o que é para doar do que volta para dentro
Sala
Tampos de mesas com vidro removíveis devem ser retirados e limpos. Nas bordas e cavidades da mesa onde foi retirado o tampo, retirar a sujeira que ficou impregnada…talvez de hamêts.
Aspirar e limpar poltronas e sofás;
Não esqueça de limpar as capas dos livros e a estante da sala porque os livros vão da mesa para a estante e da estante para a mesa levando o hametz com eles
Banheiros
Separar todo o material de higiene em uma prateleira ou armário que não será usado durante Pessa’h reservando lugar limpo para os produtos de higiene da lista Casher para Pessa’h (shampoos, sabonetes, escovas de dente novas e pasta de dente, bem como cosméticos que fazem parte da lista).
Sacudir os bolsos de mochilas, bolsas, pastas etc., removendo todos os resíduos
Cozinha
FOGÃO
Se possível, devem ser trocadas as grelhas. Caso contrário, devem ser aquecidas até ficarem incandescentes. A mesa do fogão deve ser limpa e casherizada posteriormente derramando sobre ela água fervente e passando uma pedra ou ferro em brasa para que a água continue fervendo.
Após este procedimento, sugere-se cobrir a parte de cima do fogão com folha de alumínio. Se a parte de cima do fogão for esmaltada, deve ser bem limpa e depois coberta com uma folha de alumínio grossa ou chapa.
As bocas devem ser bem limpas e depois o fogo é aceso no máximo para eliminar resíduos de hamêts.
Os botões do gás devem ser retirados e limpos (há quem costume cobri-los com contact ou folha de alumínio)
FOGÃO ELÉTRICO
Deve ser aceso no máximo até a chapa avermelhar. Sobre a parte de cima restante joga-se água fervendo, passando na água uma pedra ou ferro incandescente
FORNO
As grades devem ser aquecidas até ficarem incandescentes. O forno deve ser bem limpo com um produto especial que remova toda a gordura. Em seguida, deve ser aquecido na temperatura máxima durante duas horas. Se possível, as paredes internas devem ser revestidas, bem como o teto, o chão, a parede interna da porta com folhas de alumínio grossa
FORNO AUTOLIMPANTE
Há dois tipos de autolimpante: aquele que chega até cerca de 500ºC se casheriza automaticamente, ao ser limpo na temperatura máxima até o final do ciclo. Porém, o forno que não chega a esta temperatura deve seguir a limpeza do forno normal
FORNO DE MICROONDAS
Deve ser limpo internamente com produto de limpeza e ficar 24 horas sem uso. Em seguida, coloca-se um recipiente não usado nas últimas 24 horas com água limpa, deixando o forno ligado até formar bastante vapor.
Se possível, este processo deve ser feito três vezes, enchendo o recipiente sempre com água fria. Depois disso, o interior deve ser limpo. Se possível, deve ser trocado o prato de vidro ou coberto com isopor ou plástico grosso. De preferência, ao usar este forno para cozinhar, é prudente cobrir por completo os alimentos
PIA
Cubas de porcelana, cerâmica ou esmaltadas não podem ser casherizadas. Neste caso, devem ser limpas e cobertas por todos os lados , podem ser usadas folhas de EVA que podem ser compradas em qualquer papelaria, ou qualquer material grosso plastificado ou emborrachado, o importante e que seja impermeável
Cubas de metal, mármore ou granito podem ser casherizadas. Para tanto a pia não deve ser usada com alimentos quentes por 24 horas antes da casherização e deve ser meticulosamente limpa.
É jogado no ralo um produto desentupidor para destruir qualquer vestígio de hamêts.
Em seguida, seca-se a pia.
Posteriormente, é despejada água fervente de uma chaleira ou panela nova, ainda borbulhando, atingindo todos os cantos da cuba, balcão, torneiras, ralos, etc.
Enquanto a água é despejada, deve-se passar sobre a pia uma pedra ou ferro incandescente para fazer a água borbulhar.
É costume forrar a pia mesmo após a casherização (por todos os lados , podem ser usadas folhas de EVA que podem ser compradas em qualquer papelaria, ou qualquer material grosso plastificado ou emborrachado, o importante e que seja impermeável.)
LIQUIDIFICADOR, BATEDEIRA, MULTIPROCESSADOR
A máquina deve ser bem limpa e, de preferência, envolvida em papel alumínio. Um novo copo, novas faquinhas para o multiprocessador e liquidificador, e novas pás e tigelas para a batedeira devem ser compradas
GELADEIRA E FREEZER
Devem ser descongeladas e limpas as paredes internas, prateleiras e gavetas com um pano úmido e produtos de limpeza;
na borracha da porta, deve ser usada uma escovinha também para melhor limpeza de resíduos infiltrados.
Há o costume de cobrir as prateleiras com borracha, plástico ou alumínio para o uso de Pessa’h
ARMÁRIOS da cozinha
Devem ser bem limpos e forrados
MESAS E BALCÕES
Se possível, água fervente deve ser jogada à semelhança da pia; caso possa estragar a mesa, deve ser limpa e forrada. Basta limpar bem a mesa da sala, sobre a qual não se coloca nada quente com perigo de estragá-la, e cobri-la com uma toalha.
A mesinha do cadeirão das crianças também deve ser casherizada. Pode ser coberta com papel contac
TOALHAS DE MESA (MENOS AS DE PLÁSTICO) E GUARDANAPOS
De preferência devem ser reservados para uso exclusivo de Pessa’h. Se não for possível, as bordas devem ser escovadas para retirar possíveis resíduos de hamêts, e as toalhas lavadas com água quente, sem engomar
UTENSÍLIOS
Os utensílios que usamos durante todo o ano para hamêts não devem ser utilizados desde a véspera de Pessa’h, até finalizada a Festa; Deve-se lava-los bem, e guarda-los em lugar bem fechado.
Hoje em dia está ao alcance de quase todos ter louça especial para Pessa’h.Entretanto, para aqueles que não é possível, poderão usar a vasilha normal depois do processo da Hagalá, excepto os utensílios de porcelana ou cerâmica que não são susceptíveis de hagalá.
Devido a que são múltiplos os casos e os detalhes, assim como os costumes sobre este procedimento, aconselhamos consultar o rabino da sua comunidade. Se você não puder ter novos utensílios para Pessa’h, aconselhamos usar utensílios DESCARTÁVEIS
A Eliminação do Hametz
Como vimos anteriormente, começando na manhã da véspera de Pessa’h e se estendendo até o término desta festa de oito dias (sete em Israel), é proibido comer, possuir ou mesmo se beneficiar de qualquer quantidade de Hametz.
Apesar da palavra ser comumente traduzida como “fermento” ou “levedura”, o termo Hametz possui uma definição bem mais precisa.
Significa trigo, aveia, cevada, trigo espelta e centeio que permaneceram úmidos por 18 minutos ou mais – tempo suficiente para que se inicie o processo de fermentação e tudo o que deriva disso
Mehirat Hametz, a venda do Hametz
Alguns dias antes de Pessa’h, vendemos nosso Hametz a um não judeu.
A maneira mais simples de realizar essa venda é preenchendo um contrato de venda que é enviado à um rabino, que intermedia tanto a venda a um não judeu na manhã antes do início de Pessa’h, quanto a recompra, ao anoitecer do término dos oito dias de Pessa’h.
Isso também pode ser feito pelo internet, mas tenha o máximo cuidado de vender o seu Hametz em um site de um rabinato que se encontra no seu fuso horário
Porque se você vende ele em um fuso horário diferente ele será vendido ou comprado de volta pelo Rabino em um horário que a proibição de possuí-lo recai sobre você causando um verdadeiro desastre acesse à esse site e venda o hametz de acordo com o fuso horário da sua cidade
O Contrato de Venda de hametz permite a guarda dele, na sua casa pois esses alimentos deixam de pertencer a você, passando a ser propriedade do não judeu que os adquiriu.
Esse contrato não é, como muitos poderiam pensar, apenas um estratagema para burlar as leis da Torá , porque aquele não judeu que compra o seu Hametz pode, se assim quiser, ficar de posse daquilo que comprou, e eu me lembro que isso quase aconteceu uma vez no Brasil há mais de quarenta anos atrás. Quando você vende o seu Hametz tem que estar ciente de que não se trata de uma venda de “faz-de-conta”
Um hametz que chegou a um nível de decomposição que um cachorro está disposto a passar fome mas não comê-lo, recebe pela lei judaica o status de nifssal me’ahilat kelev, deixa de ser um hametz proibido em Pessah e pode ser utilizado.
Sendo que o batom não seria comido por um cachorro mesmo que ele estivesse com muita fome, mesmo se esse batom contém hamets ele pode ser usado em Pessah nos dias em que uma mulher pode colocar batom.
Ou seja, não se pode colocar batom no próprio dia de Yom Tov ou Shabat por que entre os trabalhos proibidos nos dias de Shabat e Yom Tov está o de colorir.
Mesmo que o batom não seria comido por um cachorro e portanto seria considerado pela lei judaica como hametz não comestível que seu uso é permitido em Pessa’h, a maioria das mulheres judias religiosas não usam batom em Pessa’h a não ser que ele apareça em uma lista de produtos liberados para Pessa’h.
Creme dental e bochecho contêm sorbitol e outros ingredientes que podem ser derivados de hamets.
Embora pela lei judaica esses itens são permitidos para utilização, sendo que que são nifsal me’ahilat kelev, é melhor não usá-los sendo que eles são usados via oral.
Historicamente, temos o costume de seguir as opiniões mais rigorosas em tudo o que é relacionado a Pêssa’h.
Nosso costume é não usar coisas que possam conter hamets, mesmo quando eles são claramente nifsal me’ahilat kelev.
Lá vão algumas dicas para você sobreviver com muito amor e carinho a festa de Pessach 5786 que está comemorando 3338 anos da saída do Egito.Manual de sobrevivência de Pessach :
e dê a sua permissão aos rabinos para venderem o seu hametz.
Lembre-se que a partir da hora que o rabino vende o seu hametz o hametz perdido em casa que não for encontrado já não será mais seu em Pessa’h, e mesmo se for encontrado em Pessa’h não tem problema porque ele está vendido e não é mais seu.
Mas não se esqueça de avisar as crianças para não comerem nada que for encontrado em Pessa’h sem mostrar para a mamãe.
Então , não perca a paciência com as crianças e dê à eles todo o amor e carinho para eles associarem os preparativos de Pessa’h às boas lembranças da infância.
2-Não deixe a cozinha para última hora:
O principal da limpeza para Pessach é a cozinha.
Os rabinos de Israel costumam dizer : “pó não é hametz e as crianças não são korban Pessach” .
Ou seja, você não tem que se desgastar onde não precisa e depois despejar a sua fúria em cima das crianças .
Vale a pena adiantar algumas coisas para não entrar em pânico de última hora, como por exemplo , se você tem o freezer da geladeira e outro freezer a parte, passe as coisas do freezer da geladeira para o outro freezer e já deixe o freezer de geladeira limpo para Pessach.
3- Armários:
Há treze anos atrás minha esposa estava internada no hospital antes de Pessa’h e eu fiquei responsável por limpar a casa com a ajuda de uma nova ajudante não judia que nunca tinha visto uma limpeza de Pessa’h na vida.
Entramos no primeiro quarto. Antes de ir para o hospital minha esposa tinha deixado o quarto limpo e arrumado e a ajudante não tinha entendido o que mais precisava limpar.
Eu expliquei para ela que precisamos limpar o quarto para Pessa’h.
Mas o que vem a ser isso? Simples! Tirei absolutamente tudo que tinha nos armários , coloquei em cima das camas e pedi para ela limpar o armário por dentro e colocar de volta somente todas as coisas que não são comestíveis, e qualquer coisa comestível encontrada levar para a cozinha.
Avisei antecipadamente que para Pessach a gente dá um bônus, sendo que o trabalho é mais difícil.
Por incrível que pareça havia lá doces hametz que escondemos e esquecemos que tínhamos escondido!
Mas também se você não fizer dessa maneira mas só limpar os armários de maneira genérica e verificar bolsos e bolsas já é o suficiente, principalmente pelo fato de você ter autorizado o rabino à vender o seu chametz.
4- Carro: dá para adiantar isso também e lavar o carro muito bem lavado , principalmente por estarmos fazendo as compras de Pessa’h e levando nele.
5- Compras para Pessa’h:
Não se esqueça de comprar roupas novas para a sua esposa e filhos porque isso faz parte da Mitzvá do Yom Tov de Pessa’h , também devemos comprar uma (pode ser semi) jóia para a esposa.
Hoje que a variedade é grande é melhor dar o dinheiro para ela comprar para ela poder escolher o que ela prefere.
E o principal, os alimentos , que podem ser comprados de acordo com os produtos liberados na lista que se encontra anexa nos sites
As carnes podem ser encomendadas no site do Livenn www.livenn.com.br
Mesmo os estabelecimentos Casher estarão vendendo produtos Casher Lepessach e também não Casher Lepessach. Quando você faz as compras de Pessach verifique se o produto que você está comprando é Casher Lepessach especificamente.
6-Trabalho:
Você tem seu próprio negócio? O hametz dos seus colaboradores não é seu. Mesmo assim encaminhe esta página para os seus colaboradores judeus e peça para eles entrarem no site de venda do hametz e autorizarem o rabino à vender o hametz deles .
Se você é o dono do seu próprio negócio a Bedikat hametz (verificação do hametz) tem que ser feita no negócio também
O importante é fazer tudo com alegria e tranquilidade lembrando à todos à sua volta que Pessa’h é uma festa e não um pesadelo.
Moshe Rabeinu foi o que recebeu a Torá diretamente de AShem , falou com D’us “face a face” .
Mas Moshe Rabeinu, mesmo tendo toda essa grandeza, a Torá testemunha sobre ele que ele era o mais humilde de todas as pessoas do mundo.
Moshe Rabeinu era filho de Amram , o líder da geração, D’us se revelou para ele na ocasião do “arbusto incandescente”, D’us o chamou para subir ao monte Sinai, etc etc etc , e com tudo isso como ele conseguiu se manter humilde?
Moshe imaginou que qualquer outra pessoa que estivesse nessas mesmas circunstâncias que ele estava e tivesse tido essas mesmas oportunidades que ele teve teria feito muito melhor do que ele, chegaria à níveis muito mais elevados e aproveitaria essas dádivas Divinas de uma maneira muito melhor.
Temos que usar esse raciocínio de Moshe Rabeinu para nós também.
A festa de Pessa’h vem nos ensinar exatamente isso.
A Matzá é um pão que não fermentou e vem simbolizar a humildade.
O hametz é um pão fermentado, um pão que “estufou” e representa a arrogância.
A verificação do hametz vem nos ensinar que devemos verificar todas as nossas atitudes para ver se alguma delas não contém um pouquinho de “arrogância estufada” e tirar totalmente a prepotência da nossa personalidade!
Os próprios preparativos de Pessa’h são um grande treino para se chegar à humildade.
A gravidade de se comer hametz em Pessa’h (comer hametz em Pessa’h é uma transgressão a nível de “caret” com todas as suas consequências) e os rigores de Pessa’h que não se encontram em nenhuma outra festa judaica, colocam muitos de nós em um estado de “Pessa’h-fobia” com acréscimo de traumas acumulados das festas de Pessa’h anteriores.
E depois de limpar a casa inteira ainda é capaz que uma criança corra atrás da outra para os quartos limpos com um pacote de biscoitos na mão esfarelando tudo no meio do caminho deixando os nervos dos pais à flor da pele.
Nessa hora devemos despertar o aspecto “Moshe Rabeinu” da nossa alma e manter a alegria em todos os instantes.