O Ăłdio Gratuito
No começo da nossa Parashá, AShem (D’us) pediu para fazer uma guerra contra Midian por eles terem abalado a estrutura familiar do nosso povo e causado 24.000 mortes.
Essa guerra aconteceu a mais de 3300 anos atrás. Por qual motivo temos que nos lembrar hoje que vencemos a guerra de Midian?
A Torá tem um lado revelado que chamamos de “corpo da Torá”, e um um lado oculto, “Alma da Torá”. O lado corpo dessa guerra aconteceu a 3300 anos atrás mas o lado alma dela acontece diariamente.
Aqui na nossa Parashá estudamos no lado oculto da Torá o diagnĂłstico de uma “Klipá” que Ă© uma força negativa que atua no mundo, chamada de klipat Midian.
Essa Klipá Ă© a fonte espiritual do Ăłdio gratuito que causou a destruição do segundo Beit a Mikdash, causou o exĂlio do nosso povo, e atĂ© hoje ela continua no nosso meio.
EntĂŁo nĂŁo Ă© por acaso que lemos essa Parashá nessa Ă©poca em que o Beit a Mikdash foi destruĂdo.
A Torá já tinha nos contado sobre os meraglim, os espiões, que contra a vontade Divina queriam que o povo ficasse no deserto estudando Torá para entrarem na terra de Israel espiritualmente mais bem preparados.
Agora, depois de décadas de estudo, nosso povo se encontra com um exército de mulheres que vem nos seduzir. Como poderiam correr atrás da primeira mulher que vissem depois de estarem quase quarenta anos estudando Torá?
Essa Ă© a consequĂŞncia da Klipá que se provou resistente aos estudos de Torá , a classe social e a nĂvel espiritual. Todos nĂłs estamos sujeitos a ela, ela Ă© a pior de todas as klipot.
CaracterĂsticas da Klipá de Midian
1-Bilam, o feiticeiro, sabia que para D’us a pior coisa Ă© a destruição do conceito familiar, o que acontece por meio de relações ilĂcitas.
Bilam nĂŁo tinha motivo justo para aconselhar Balak contra nĂłs, mas era Ăłdio gratuito, porque seu paĂs, Midian, estava longe de nĂłs, e nĂŁo representávamos um perigo para ele ou para seu povo.
Ele viajou até Moav para dar o conselho mais destrutivo do mundo em relação à nós, sabendo que Moav também não estava em perigo.
Quando essa Klipá nos contagia, nos tornamos dispostos a fazer tudo para destruir. Ela desperta em nós o sentimento de destruição sem limites, sem motivo, ou por um motivo muito pequeno, destruir gratuitamente.
Como nos proteger?
Não nos deixando seduzir pela Klipá!
Sempre que sentirmos motivação para entrar em uma briga e queremos destruir totalmente nosso próximo a ponto de desejar até sua inexistência, sabemos que ela despertou em nós.
Nessa hora, imediatamente temos que despertar nosso sistema imunológico espiritual (yetzer a Tov) contra ela e tomarmos a decisão de não brigar, não dar palpites destrutivos e não “colocar lenha na fogueira” seja o que não for.
As jovens de Midian justificaram seu comportamento como causa nobre e espiritual, e até princesas participaram dessa sedução em massa.
Cada uma levou com ela seu deuzinho, o Baal Peor, que foi apresentado como deus politicamente correto que apoiava o prazer e bem estar de seus adoradores, e cuja adoração consistia em fazer as “necessidades” sobre ele, demonstrando que nĂŁo existe nada proibido no mundo contanto que isso te dĂŞ prazer. Ou seja, se vocĂŞ se sente bem brigando com alguĂ©m, brigue!
Essa Ă© outra caracterĂstica dessa Klipá, ela apresenta a destruição por meio de brigas e intrigas como se isso fosse uma causa nobre, politicamente correta e ainda com o apoio divino da idolatria !
Como sabemos que isso é Klipá ? Pelas consequências !
Por mais nobre e politicamente correta que seja a causa, se a consequência é a destruição, aà a klipá se encontra.
EntĂŁo vamos abrir mĂŁo da legitimidade da briga olhando mais longe, vendo que se continuarmos a briga todos sairemos perdedores.
No começo da briga ou da intriga já devemos mentalizar a paisagem da destruição do pĂłs briga, e do tempo necessário para reparar os prejuĂzos que ela causará e para curar os ferimentos que ela trará.
Vamos abrir mão dos prazeres descontrolados da briga que a klipá nos oferece, para não morrer na peste espiritual que é a consequência desse tipo de prazer.
No primeiro dia da criação do mundo quando D’us criou a luz ele disse “Ki Tov”(Que bom)
No segundo dia D’us criou a separação, colocando limites entre os oceanos e as nuvens, uma separação extremamente necessária que sem ela nĂŁo existirĂamos, mesmo assim D’us nĂŁo falou que era bom.
A separação pode ser uma coisa extremamente necessária, mas sendo que é uma separação, está longe de ser uma coisa boa.
O Beit a Mikdash foi destruĂdo por causa de pessoas que estavam com toda a razĂŁo, como vemos na histĂłria de Kamtza e Bar Kamtza.
Kamtza em aramaico é formiga, e se formiga já é uma coisa pequena, imagine o “bar Kamtza”(o filho da formiga).
Por causa de uma “coisinha pequena” que foi vista como uma briga justa e necessária, causa nobre apoiada até pelo silencio dos rabinos da época, tivemos um verdadeiro holocausto !
Não seja “durão” (e nem durona)
A Guemará em Guitim nos conta que um homem rico de Yerushaláim (Jerusalém) fez uma grande festa. Seu amigo se chamava Kamtza e seu inimigo Bar Kamtza.
Ele pediu para seu shamash (“serviços gerais”, faxineiro, geralmente pessoa muito simples) chamar o Kamtza e o faxineiro se atrapalhou e chamou o Bar Kamtza no lugar dele.
O problema já teria que ser arquivado nesta etapa como ”erro de faxineiro”, coisa insignificante. Mas o dono da festa, que seu nome nem aparece na história, se relacionou a isso com a maior gravidade.
Aà a klipá se revela! Ele usou sua autoridade para exigir a retirada do Bar Kamtza de sua festa, e o que seria uma possibilidade de reconciliação entre dois judeus, acabou em uma guerra mundial.
Bar Kamtza foi durão e se recusou a sair, oferecendo pagar pelo que comer e beber. O dono da festa foi durão e não aceitou, e aà a klipá vai crescendo.
Bar Kamtza foi durĂŁo novamente e se recusou novamente a sair, oferecendo patrocinar metade da festa. O dono da festa foi durĂŁo e nĂŁo aceitou.
Bar Kamtza foi durĂŁo novamente, e se recusou novamente a sair, dessa vez oferecendo patrocinar a festa inteira. O dono da festa foi durĂŁo e nĂŁo aceitou, pegou o Bar Kamtza e o colocou para fora.
Os rabinos que estavam lá foram durões e nĂŁo fizeram nada para acalmar os ânimos, e a partir dessa etapa a coisa piorou atĂ© envolver o impĂ©rio romano. Por causa disso nosso Beit a Mikdash foi destruĂdo e nosso exĂlio se estende por 2000 anos.
Na hora da briga cada um estava certo e tinha quem o apoiava, nenhum dos lados viu que o final não é a vitória mas sim a destruição de todos.
A Ăşnica vitĂłria verdadeira Ă© quando nos controlamos e nĂŁo brigamos, entĂŁo vencemos e destruĂmos a klipá de Midian.
Com essa história nossos Sábios nos dão a dica de como vencer a klipá.
Simples: nĂŁo seja durĂŁo! (e nem durona!)
Shabat Shalom
Rabino Gloiber
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www.RabinoGloiber.org


