O segredo das 42 Viagens que fazemos nesse mundo

Quarenta e duas viagens

Nosso povo fez quarenta e duas viagens entre a saída da escravidão no Egito e a milagrosa entrada na “Terra Prometida”.

 

O que há por trás das quarenta e duas viagens que nos dá a obrigação de nos lembrarmos delas todos os anos quando lemos Parashat Mass’ei na Torá ?

 

O Baal Shem Tov nos revelou que cada Judeu e Judia tem um itinerário de viagens planejado lá de cima para percorrer durante sua vida.

 

A Torá nos conta sobre quarenta e duas viagens que o povo de Israel teve que fazer entre a saída do Egito e a chegada à terra de Israel.

 

Diz o Baal Shem Tov que o objetivo dessas viagens era para elevar pequenas “Revelações Divinas”, que chamaremos de “Centelhas Divinas”.

 

Quando damos um exemplo sobre a Revelação Divina comparamos ela à uma grande Luz, a Luz infinita de AShem, por isso essas pequenas revelações são comparadas à pequenas centelhas.

 

O objetivo dessas 42 viagens era fazer um “Tikun”, uma “reparação”, um conserto espiritual nesses lugares por onde eles passaram que consistia em elevar essas “Centelhas Divinas”.

 

Em cada lugar eles acamparam, mas ficaram somente o tempo necessário para fazer o “Tikun” e elevar as “Centelhas Divinas” daquele lugar.

 

O Baal Shem Tov diz que cada Judeu e Judia tem um circuito de viagens pré destinadas durante toda a sua vida.

 

Tudo é pré determinado até os pequenos detalhes.

 

Onde vai morar, onde vai trabalhar, para onde vai viajar, onde vai passar uma semana, onde vai passar um ano, onde vai morar mais ou menos tempo.

 

Um detalhe interessante é que tanto no lugar onde o povo de Israel acampou por um só dia quanto no lugar onde eles acamparam por dez anos eles montaram o Mishkan como se fossem ficar lá a vida inteira.

 

Nos ensinando que mesmo sabendo que Mashia’h pode chegar hoje, mesmo assim devemos nos comportar de maneira natural como se tivéssemos que ficar aqui a vida inteira.

 

Nossas viagens

 

Todos nós somos chamados de Sefaradim (Judeus Espanhóis) ou Ashkenazim (Judeus Alemães).

 

Mas nossos avós não vieram da Espanha mas sim de países Árabes.

 

Somos Sefaradim só de nome porque na Espanha já não tem comunidade judaica nos últimos quinhentos anos.

 

E a grande maioria dos Ashkenazim não veio da Alemanha mas sim da Europa oriental.

 

Ou seja, na Síria e no Líbano sabíamos que éramos Sefaradim (espanhóis) e não libaneses.

 

Nenhum de nós pertencia nem mesmo ao próprio país de onde vinha, demonstrando explicitamente a locomoção do nosso povo.

 

Ninguém mais pode voltar para a Síria ou para o Líbano nem para visitar e ninguém vai querer morar na Polônia ou na Romênia que no passado foram comunidades judaicas enormes.

 

Os Judeus que foram expulsos de Recife em 1654 fundaram Nova York e eram chamados de Sefaradim, em 1824 Judeus vindos do Norte da África fundaram a Sinagoga de Belém e também eram chamados de Sefaradim.

 

Todos nós Judeus temos uma aparência Européia ou Árabe mesmo sendo Judeus brasileiros e essa é a marca registrada de que somos turistas em qualquer país onde vivemos, “Trade Travellers”, “Turismo de negócios”.

 

Pensamos que tudo o que fazemos estamos fazendo para nós próprios mas na realidade por trás de tudo está D’us causando nossas mudanças para que possamos elevar essas “Centelhas Divinas” espalhadas pelo mundo.

 

E assim fazemos todos os consertos, ”Tikunim”, que nossa Alma precisa fazer nesse mundo em um limite de viagens pré determinado.

 

Achamos que conseguimos um emprego melhor e subimos na vida, depois vamos para a China comprar mercadoria e voltamos para cá para vender a mercadoria, pensamos que somos espertos e lucramos!

 

Mas simplesmente é D’us que está causando tudo isso para que cada um possa elevar a sua parte do mundo, a parte que está na sua responsabilidade.

 

Por isso que sobre a saída do Egito está escrito que deixamos o Egito como uma armadilha sem isca ou como as fossas oceânicas que não tem peixes.

 

Ou seja, tiramos do Egito a “isca” espiritual que nos atraiu para lá que na verdade eram 210 “Centelhas Divinas” que elevamos lá, e o mesmo estamos fazendo aqui e agora!

 

Comentário do Rav Avraham Biniamini sobre a nossa Parashá:

 

Gostei muito de ler o Dvar Torá da Parashat Matot Massei!

 

Ele foi redigido de maneira espetacular e com certeza vai alcançar seu objetivo de despertar amor à D’us e divulgar a Chassidut (ensinamentos profundos da Torá) e assim aproximar de maneira adequada a vinda do Mashiach e a construção (do Beit Hamikdash) por nós esperada o dia inteiro já fazem dois mil anos.

 

Como introdução peço desculpas, gostaria de fazer uma observação. Somente uma observação de rodapé.

 

Está esclarecido nos livros sagrados que como consequência da “Quebra dos receptáculos, conceito cabalístico que se refere a um fenômeno espiritual acontecido antes da criação do mundo, caíram 288 Nitzutzot, “Centelhas Divinas” nesse nosso mundo material chamado pela Cabala de “o mundo do conserto”.

 

Nos anos da fome, na época em que Yossef era o vice rei do Egito antigo, pessoas de todas as terras trouxeram ao Egito dinheiro, ouro, prata e etc, e com esse dinheiro compraram trigo e mantimentos.

 

E assim, por meio desse dinheiro Yossef o Tzadik reuniu no Egito essas Nitzutzot para que o povo de Israel pudesse elevá-las.

 

E realmente assim aconteceu, a maior parte delas se elevou, como está escrito “e também erev rav”.

 

A palavra “rav” tem o valor numérico de 202 representando 202 Nitzutzot matrizes.

 

Sobraram ainda 86 Nitzutzot cujo valor numérico é equivalente a um dos nomes de D’us, “Elokim”, e também à palavra “natureza”, indicando que esse nome se refere à revelação Divina dentro da natureza, milagres revestidos em assuntos naturais.

 

A pergunta é: como em 210 anos elevaram 202 Nitzutzot e desde lá até hoje se passaram 3330 anos e ainda não terminamos de elevar esses poucos 86 Nitzutzot que sobraram.

 

Está esclarecido nos livros da Torá oculta que depois da saída do Egito, aqueles poucos 86 Nitzutzot se dividiram, e por isso em todos os exílios pelos quais passamos e estamos passando, de uma maneira geral os judeus se locomovem atrás das “partículas” dessas “Centelhas Divinas” em todo o mundo.

 

No começo era na Ásia e no nordeste da África, na continuação foi a Europa e etc etc etc .

 

Nos últimos tempos a tecnologia se desenvolveu e por isso nem sempre precisamos viajar para a China para elevar os Nitzutzot que estão lá mas por meio da importação de produtos “Made in China” facilitam esse assunto para nós judeus, e os Nitzutzot chegam até nós (como chegaram para Yossef no Egito) em forma de roupas, outros produtos e etc.

 

Me despeço com a Brachá de que, como diz o Rebe de Lubavitch, já terminamos o trabalho do refinamento, esse trabalho de elevar os Nitzutzot, terminamos a parte geral obviamente, mas ainda deve ter sobrado para cada um de nós alguma coisinha pequena personalizada para elevarmos, e então imediatamente chega o Mashiach que estamos esperando já há dois mil anos.

 

Com a Brachá de que esses dias vão se transformar em alegrias e mais alegrias e grandes festas.

 

Rabino Avraham David Halevi Biniamini
Petrópolis

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