Nossa Parashá começa com a palavra Vaykrá que quer dizer “e chamou”, fazendo com que essa palavra se torne tanto o nome da nossa Parashá quanto o nome desse nosso terceiro livro do Humash, dos cinco livros de Moisés..
Algumas letras no Sefer Torá tem que ser escritas obrigatoriamente maiores do que o normal e algumas são escritas obrigatoriamente pequenas.
Uma dessas letras aparece na nossa Parashá, uma letra “Alef” pequena que é a última letra da palavra Vaykrá.
Quando o terceiro Rebe de Lubavitch era uma criança e fez três aninhos de idade , seu avô , o “Baal a Tanya” o levou ao “heider” (escolinha de meninos) pediu para o “Melamed” (professor dos meninos) estudar com ele, como é o costume a primeira parte da nossa Parashat Vaykrá .
Depois de estudarem , a criança perguntou ao avô :- Porque a letra “Alef” da palavra Vaykrá é pequena?
A pergunta da criança despertou no Baal a Tanya um profundo entusiasmo de devoção , e depois de alguns instantes explicou :
– A Torá tem letras normais, tem letras pequenas como essa da nossa Parashá e letras grandes como a letra “Alef” da palavra “Adam” no Divrei a Yamim.
Tanto o Adam do “Alef” grande, quanto Moshe Rabeinu do “Alef” pequeno foram pessoas únicas, pessoas que não existiram igual a elas.
Adam foi criado pessoalmente por D’us e dele saiu toda a humanidade. Moshe Rabeinu foi quem recebeu a Torá diretamente de AShem , falou com D’us “face a face”.
Mas Moshe Rabeinu , mesmo tendo toda essa grandeza, a Torá testemunha sobre ele que ele era o mais humilde de todas as pessoas do mundo.
Moshe Rabeinu era filho de Amram , o líder da geração, D’us se revelou para ele na ocasião do “arbusto incandescente”, D’us o chamou para subir ao monte Sinai, etc etc etc , e como com tudo isso como ele conseguiu se manter humilde?
Moshe imaginou que qualquer outra pessoa que estivesse nessas mesmas circunstâncias que ele estava e tivesse tido essas mesmas oportunidades que ele teve teria feito muito melhor do que ele, chegaria à níveis muito mais elevados e aproveitaria essas dádivas Divinas de uma maneira muito melhor.
Por isso , nesse versículo que está expressando o carinho que D’us tinha por Moshe, “e chamou Moshe”, a letra Alef é pequena mostrando a humildade de Moshe Rabeinu.
Temos que aprender com Moshe Rabeinu e usar esse raciocínio para nós também!
Uma incrível ligação entre a nossa Parashá e a festa de Pessa’h vem nos ensinar exatamente isso.
A Matzá é um pão que não fermentou e vem simbolizar a humildade. O hametz é um pão fermentado, um pão que “estufou” e representa a arrogância.
A verificação do hametz vem nos ensinar que devemos sempre verificar todas as nossas atitudes para ver se alguma delas não contém um pouquinho de “arrogância estufada”, e tirar totalmente a prepotência da nossa personalidade!
Os próprios preparativos de Pessa’h são um grande treino para se chegar à humildade. A gravidade de se comer hametz em Pessa’h (comer hametz em Pessa’h é uma transgressão a nível de “caret” com todas as suas consequências), e os rigores de Pessa’h que não se encontram em nenhuma outra festa judaica, colocam muitos de nós em um estado de “Pessa’h-fobia” com acréscimo de traumas acumulados de Pessa’h anteriores
E depois de limpar a casa inteira ainda é capaz que uma criança corra atrás da outra para os quartos limpos, com um sanduíche na mão, esfarelando no meio do caminho deixando os nervos dos pais à flor da pele.
Nessa hora devemos despertar o aspecto “Moshe Rabeinu” da nossa alma e manter a alegria em todos os instantes.
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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