
Vayakel
Nossa Parashá nos conta sobre os tipos de doações que AShem (D’us) pediu para Moshe pedir ao povo de Israel
Nesse caso são citadas algumas cores desses materiais que seriam doados para a construção do “Mishkan que era o nosso Templo móvel no deserto, e também para tudo o que estava ligado à ele, incluindo as roupas dos Cohanin que eram os sacerdotes.
Nesse caso a Torá nos traz pequenos detalhes como o fato de certas lãs de carneiro terem sido tingidas com uma tonalidade de vermelho, outras lãs serem tingidas com uma tinta extraída de uma criatura marinha chamada de Hilazon que dava à essa lãs uma tonalidade azul e lãs tingidas com um tipo de tinta chamado de “argaman” que é uma cor polêmica, ninguém ainda conseguiu definir totalmente essa cor.
Também foram doadas peles de um animal chamado de Tahash que tinha um só chifre e sua pele tinha uma grande mistura de cores.
E sendo que a Torá dá um destaque para as cores das doações que foram feitas para construir o Mishkan, levamos em conta que as cores das doações de ouro, prata e cobre não foram citadas pelo fato de serem a própria cor desses metais, diferente das lãs que foram tingidas.
Sendo que o Mishkan e tudo o que era relacionado à ele tinha a função de sincronização entre os mundos de cima e o nosso mundo de baixo que é o “mundo da ação”, com certeza por trás dessas cores havia um motivo espiritual importante que justificava o fato de AShem pedir para o nosso povo fazer a doação desses materiais especificando suas cores.
E não só isso, mas também o fato de a Torá especificar que essas doações estavam sendo pedidas somente para as pessoas que quisessem doar de bom coração e de boa vontade, não deixando claro o motivo desse pedido, sendo que seria difícil verificar quem estava doando de coração e quem estava doando por outros motivos.
Ação e intenção
Nosso mundo é o mundo da ação, e por isso os Mandamentos Divinos são uma lista de boas ações que devemos fazer, e más ações que devemos não fazer.
Os mundos de cima estão em um nível muito superior, e esse nível superior está ligado à intenção que é mais profunda do que a ação.
Sendo que o Mishkan e tudo o que estava relacionado a ele seria uma sincronização entre o mundo da ação e o mundo da intenção, AShem colocou como condição o fato de as doações do Mishkan terem que ser feitas obrigatoriamente com uma boa intenção.
Sendo que não é possível cobrar esse nível de todos, as doações para o Mishkan foram voluntárias para aqueles que estavam doando com intenção, de bom coração e de boa vontade.
Enquanto que em outros casos todo o povo de Israel foi convocado a doar, nesse caso, sendo que o Mishkan teria a função de unir entre o mundo da ação e o mundo da intenção, à ação dessa doação precisaria obrigatoriamente conter uma intenção.
Sendo que quanto mais elevado o mundo, mais a característica de essência do bem que é a essência Divina está revelada, essas doações deveriam ser feitas de bom coração e de boa vontade.
As cores na representação das Sefirót

Rabi Moshe ben Yaakov Cordovero, conhecido como “o Ramak” (1522 – 1570) foi um grande cabalista que viveu em Tzfat (Safed) no norte da Galileia na nossa Terra Santa.
Aquela época foi marcada pela inquisição espanhola e todo o império otomano que incluía a pequena cidade de Tzfat ficou cheio de judeus refugiados da Espanha.
Provavelmente Rabi Moshe também fazia parte de uma família de refugiados, e talvez mais particularmente de Córdoba, devido a seu apelido “Cordovero”, sendo que naquela época ainda não existiam sobrenome.
Depois de ter estudado toda a parte revelada das escrituras judaicas com Rabi Yosef Karo que foi o grande Sábio daquela época, aos vinte anos de idade ele se aprofundou no estudo da Kabalá e rapidamente se tornou a grande autoridade nesse assunto.
Nos seus 48 anos de vida, ele conseguiu escrever muitos livros, sendo o principal deles chamado de “Pardês”, no qual ele traz, entre muitos assuntos, a ligação entre as cores e as Sefirót do mundo superior.
Rabi Moshe Cordovero nos ensinou que toda Sefirá está caracterizada por uma cor. O Zohar chama isso de “tonalidade” evitando usar a palavra cor.
O motivo para isso é que, sendo que cada Sefirá se revela com mais intensidade ou menos intensidade, e também a Sefirá se inclina espiritualmente para todas as Sefirót que estão sincronizadas com ela.
Essa inclinação pode ser para a direita que são as cinco Sefirót chamadas de cinco bondades, ou para a esquerda que são as cinco Sefirót chamadas de cinco severidades.
E sendo que a cor representa o estado em que a Sefirá se encontra naquele momento, e isso depende das nossas boas ou más ações, nunca a Sefirá vai ser representada por uma cor única, mas sempre por uma tonalidade daquela cor que a caracteriza.
A cor lá em cima vai ser comparada à intenção aqui em baixo.
Rabi Moshe Cordovero deixa claro que o que a cor aqui em baixo é uma criação material, e quando falamos sobre cores em relação às Sefirót as cores materiais são somente um exemplo em relação à fonte dessas cores no mundo superior
E assim nos conta o Ramak, nosso querido Rabi Moshe Cordovero, que a Sefirá chamada de Hessed que é a fonte da bondade, às vezes é representada pela cor branca, às vezes pela cor prata e às vezes pela cor azul, enquanto que a Sefirá chamada de Guevurá que é a fonte da rigidez varia entre vermelho claro, dourado e vermelho escuro
Esse fato também demonstra que a prata está vinculada a Hessed e o ouro está vinculado a Guevurá
Por isso, para fazer a sincronização espiritual entre o mundo de baixo e o mundo de cima, foram pedidos também ouro e também prata para as pessoas que doassem de bom coração e com uma boa intenção
A função do Mishkan e de tudo o que estava vinculado a ele era a de fazer a harmonia entre as forças ocultas espirituais que são as Sefirót e o nosso mundo material, trazendo para esse nosso mundo material só coisas boas e impedindo as coisas ruins de chegarem aqui
A exemplo da torre de comando do aeroporto que determina o que vai aterrizar e o que não pode aterrizar, assim também o Mishkan dava um acesso para a fartura e abundância do mundo superior “aterrizar” aqui e se transformar em bens materiais, e “segurava no ar” não deixando aterrizar aqui os maus decretos do tribunal Divino, para que tivéssemos tempo de fazer Teshuvá e fazer com que esses maus decretos desaparecessem
Pekudei
Na nossa Parashá Moshe Rabeinu prestou contas de todo o ouro, prata e cobre doado para construir o Mishkan e todos os objetos necessários para o trabalho que seria feito nele
Diz Rashi que a palavra Mishkan aparece duas vezes no versículo que fala sobre essa contagem, nos indicando os dois Templos de Jerusalém seriam futuramente destruídos, e dando a entender que isso aconteceu por causa dessa contagem
A Guemará em Baba Metzia nos conta que a bênção Divina não recai sobre uma coisa contada, pesada ou medida, o que reforça essa possibilidade
Diz o Zohar que o principal motivo para isso é que a Bênção Divina se encontra onde há união, e o “todo” está conectado à “raiz”
Quando uma coisa é contada, pesada ou medida, ela está sendo separada de um todo e por isso perde a benção
Na prática, esse “todo” é dividido em partes por meio da contagem, fazendo com que a benção Divina não recaia mais sobre ele
Será que isso é o que Rashi está nos indicando dizendo que o fato de a palavra Mishkan aparecer duas vezes no versículo que se refere à contagem das doações dos materiais do Mishkan nos indica que os dois futuros Templos de Jerusalém foram destruídos por causa dessa contagem
“A explicação do “Or a Haim a Kadosh
O grande Tzadik Rabi Haim ben Atar, conhecido como “Or a Haim a Kadosh” devido ao seu livro principal chamado de “Or a Haim” sobre a Torá, nasceu no Marrocos há mais de trezentos anos.
Viveu no Marrocos 40 dos seus 47 anos de vida, em uma época conturbada e repleta de problemas como fome e guerras internas que tiveram como consequência perseguições aos judeus que muitas vezes tiveram que fugir de região para região
Rabi Haim ben Atar mudou-se para a Itália com a sua família, onde editou sua maior publicação, o “Or a Haim”, uma explicação da Torá que lhe deu reconhecimento mundial
O Rebe a Rashab de Lubavitch contou que Rabi Haim ben Atar escreveu seu livro “Or a Haim” enquanto estudava com as suas filhas Humash com Rashi
Disseram ao Rebe de Lubavitch anterior que Rabi Haim bem Atar não teve filhos, e ele respondeu que temos uma “kabalá”, um recebimento de Rebe para Rebe, que ele não teve filhos homens, mas filhas ele teve, e o seu livro é a coletânea das explicações do Humash que ele estudou com as suas filhas
Rabi Haim organizou na Itália um grupo de doadores para abrir uma Yeshivá na terra de Israel
Mudou-se para a Terra Santa com sua família e seus alunos, e no final da sua curta vida conseguiu abrir duas Yeshivot em Yerushalaim, uma para o estudo da parte oculta da Torá, e uma para o estudo da parte revelada
Rabi Haim nos ensinou que o fato de ter sido usada para a contagem das doações do Mishkan a palavra “Pekudei”, vem nos revelar que essa contagem não só que não retirou a Bênção Divina do que foi contado, mas ao contrário, veio acrescentar muitas e muitas bençãos para os doadores
E quanto mais detalhes foram acrescentados nessa contagem, mais bênçãos receberam os que acrescentaram nessas doações
A palavra Pekudei usada pela nossa Parashá para demonstrar a contagem das doações do Mishkan, é usada pela Torá em caso de grandes bênçãos, como, por exemplo, quando AShem dá um filho para Sarah, e como sinal de que chegou a hora da redenção do Egito. Mas ela também é usada em casos totalmente contrários a bênçãos
Diz o Or a Haim que sendo que aqui está se tratando das doações do Mishkan, a palavra “Pekudei” vem nos revelar que nesse caso não há nenhuma aversão Divina, mas ao contrário, grandes bênçãos
E esse é o motivo de que, mesmo que AShem não pediu para Moshe Rabeinu fazer essa prestação de contas, ele a fez isso para acrescentar Bênçãos Divinas aos doadores do Mishkan, fora as que eles receberam pelo próprio fato de terem doado
A explicação do Zohar
Diz o Zohar que o motivo para recaírem bênçãos sobre essa contagem foi o fato de o próprio Moshe Rabeinu tê-la feito, e isso foi o que trouxe bênçãos para ela
Mas se não fosse isso, essa contagem não teria saído da regra geral que é de que por meio da contagem separamos algo do “todo” e ele perde as bênçãos
Enquanto uma coisa não é contada, ela faz parte de um todo, e no todo há bênção, porque o todo está ligado à raiz e fonte das bênçãos, e de lá vem a vida para tudo
Por isso, Moshe Rabeinu que era o homem da fé; um homem, que está ligado à raiz a ponto de mesmo quando estava ocupado com assuntos relacionados à natureza desse mundo, (assuntos materiais), continuava todo o tempo consciente e se lembrando de que tudo é de AShem, e por isso as bênçãos pairaram sobre os seus feitos
E por isso, pelo fato de ele próprio ter feito a contagem, as bênçãos Divinas pairaram sobre o contado
? Será que “mau-olhado” existe de verdade
De uma maneira geral, uma pessoa normal não consegue contar, pesar e medir o que é nosso e comparar com o que é dele, provocando com a própria inveja a separação entre o que é nosso e o “todo”
E o pior é que se acreditarmos que isso possa acontecer realmente, ou seja, acreditarmos que alguém nos colocou um “mau-olhado”, conseguiremos por meio da nossa fé fazer com que a coisa ruim aconteça de verdade. Mas devido à nossa fé e não porque colocaram sobre nós um “mau-olhado”
Mesmo assim devemos evitar as “exceções de regra” não “esnobando” as pessoas à nossa volta, mas nos comportando com “pudor”, ocultando as coisas boas que AShem nos deu até que elas cresçam e apareçam e não tivermos mais como esconder
Por isso, uma mulher judia não costuma publicar que está grávida até o quinto mês, quando esse fato já fica visível para todos. Claro que podemos contar para nossas mães e sogras, mas é melhor pedir para elas também não publicarem até o quinto mês
Mesmo assim, se o mundo inteiro ficar sabendo, você não deve acreditar em um mau-olhado, porque a sua fé no mau-olhado é o maior motivo para ele acontecer de verdade. Então, por um lado não podemos acreditar no mau-olhado, mas por outro devemos ter pudor em relação aos nossos bens mais valiosos e não ficar nos exibindo para não atrair por engano alguma “exceção de regra”
O principal: não seja você essa pessoa que vai contar, medir e pesar o que os outros têm e comparar com o que você tem
Não seja você essa exceção de regra que pode prejudicar alguém. Não seja você a pessoa que só consegue imaginar uma mão fechada e tem dificuldade em imaginar uma mão aberta
Contando pessoas
Por esse mesmo motivo não devemos contar as pessoas
Para saber se já temos dez pessoas na Sinagoga não fazemos a contagem de um, dois, três, mas falamos o versículo 9 do Tehilim 28 , um versículo que tem dez palavras, e a cada palavra apontamos para uma pessoa diferente
Quando terminamos esse versículo sabemos que temos dez pessoas na Sinagoga.
הוֹשִׁיעָה אֶת עַמֶּךָ וּבָרֵךְ אֶת נַחֲלָתֶךָ וּרְעֵם וְנַשְּׂאֵם עַד הָעוֹלָם.
Observação importante
Não há problema quando você verifica diariamente o extrato do banco, sendo que a escrita e o pensamento não entram nessa regra, mas somente o que foi contado verbalmente. Por isso não há problema em preencher formulários especificando o número de crianças. O problema é só falar o número
explicitamente
As colunas do Mishkan
Somente Moshe Rabeinu conseguiu levantar as colunas do Mishkan
A maior prova para o nosso povo de que Moshe não precisaria prestar contas para eliminar suspeitas foi que quando tudo ficou pronto e ninguém conseguia levantar as colunas do Mishkan somente Moshe conseguiu
Nesse momento AShem pediu para Moshe fazer como se ele estivesse levantando as colunas e elas se levantaram milagrosamente, mostrando a todos que o Moshe de agora continua o mesmo Moshe de antes, o grande Tzadik que ele sempre foi, longe de qualquer suspeita de desonestidade
A explicação do Kli Yakar
Rabi Shlomo Efraim de Luntshits, conhecido como “Kli Yakar” em nome do seu livro principal; nasceu em Luntshits na Polônia no ano de 1540 sendo considerado um dos maiores rabinos da época, comparado ao Maharal de Praga que fez o Golem e ao Rabi Yeshayahu Horovitz de Praga conhecido como Shl’o em nome do seu livro principal
Após o falecimento do Maharal de Praga, Rabi Shlomo Efraim se tornou o Rabino de Praga com o Shl’o
Ele nos explicou que da mesma maneira que AShem pediu para Moshe se ocupar com o levantamento do Mishkan e AShem “fez acontecer”, assim também AShem faz com cada um de nós.
A nossa parte nesse mundo é somente a de nos ocupar com o que precisamos fazer, e a parte de AShem é “fazer acontecer”. Nós começamos, e AShem termina
Então, muita fé e mãos à obra
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Como começou a construção do Mishkan ?
Centenas de anos antes de ser construído, o Mishkan já estava em obras!
O Midrash Tan’huma nos conta que quando Yaakov, nosso terceiro patriarca, recebeu a notícia de que iria descer ao Egito com toda a família, entre outros preparativos para a viagem, Yaacov providenciou mudas de uma árvore chamada de Shitá. O plural é Shitim.
É com esse nome que essas árvores aparecem na Torá: Atzei Shitim, árvores de Shitá.
Rashi nos ensina que a Shitá é um tipo de cedro.
Ou seja, a árvore adequada para construir as colunas que formavam as paredes do Mishkan que cada uma delas tinha cinco metros de altura e 75 centímetros por 50 de largura, na região onde nosso patriarca se encontrava eram aqueles cedros como os cedros do Líbano que foram usados para construir o Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalem.
Quando João Ferreira de Almeida, que era um padre português que viveu na Indonésia, traduziu a Torá para o português, ele escolheu uma árvore da Indonésia chamada em português de acácia como tradução para essa árvore que a Torá chama de Shitá.
A acácia é originária da Indonésia e regiões, como Austrália, Papua Nova Guiné e ilhas do pacífico.
O Midrash nos conta que nosso patriarca viu com o seu Rua’h a Kodesh, sua Divina Inspiração, que seria pedido ao nosso povo construir o Mishkan no deserto.
E por isso ele levou com ele mudas de cedro para o Egito e ordenou aos seus filhos que quando eles voltassem para a terra prometida levassem esses cedros com eles.
Cada uma das 48 colunas do Mishkan tinha 10 “Amot” (5 metros) de altura e um “Amá” e meio de largura (75 centímetros).
Sendo que Yaakov tinha visto o Mishkan com seu Rua’h a Kodesh, pode ser que ele também ordenou aos seus filhos o número de cedros que eles precisariam levar.
Dessa forma, eles teriam todos os materiais necessários em mãos quando viesse a ordem de construir o Mishkan.
Ou seja, somente há 3550 anos atrás os cedros da nossa Terra Santa chegaram ao Egito com o nosso patriarca que sabia que essas árvores não existiam no Egito e quanto mais no deserto.
Pelo menos uma parte desses cedros, a melhor parte, a parte que precisaríamos para construir o Mishkan, foi levada pelo nosso povo para o deserto e lá o Mishkan foi construído.
Conclusão :
O João Ferreira de Almeida nunca viu a explicação do Midrash, nunca estudou um Rashi e nunca viu um cedro na vida, e por isso traduziu a Shitá como Acácia que era árvore nativa lá na Indonésia onde ele morava.
Mas por que nós que lemos o Midrash, estudamos Rashi e que vimos os cedros no norte de Israel, por que nós continuamos a traduzir errado como ele fez e não traduzimos certo como Rashi explica?
Rabino Gloiber
Sempre correndo
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