Miketz
Nossa Parashá nos conta sobre os sonhos do faraó que por causa deles Yossef foi tirado da prisão e se tornou o vice rei do Egito.
O versículo diz: “e foi do final de dois anos e o faraó sonhou”. A Parashá usa a palavra Miketz que quer dizer “do final” no lugar de dizer “no final”.
Sempre que a Torá usa uma linguagem não usual ela está nos indicando que existe algo oculto por trás dessas palavras.
Diz o Zohar que essa linguagem quer dizer “depois do final”, e o “final” é o “Satan” que em hebraico quer dizer desviador .
Ele é o próprio anjo da morte que é o final de todos os que caem em suas mãos.
O Zohar nos ensina que o versículo usa a linguagem “depois do final” querendo dizer: depois de ter saído do esquecimento do ministro das bebidas que tinha prometido conversar sobre ele com o faraó, e dos sofrimentos na prisão.
Tanto o esquecimento que é um limite de memória quanto os sofrimentos que são limite de saúde, de dinheiro e etc sempre são causados pelo “satan” que é o extremo de baixo da Guevura que é a raiz dos limites.
O satan atua no mundo por meio de suas inúmeras ramificações, e o fato de o ministro das bebidas ter esquecido Yossef, também foi “trabalho” dele.
Depois de Yossef ter saído do “final”, aí aconteceu uma reviravolta de um extremo ao outro.
Diz o Zohar que esse “anjo do mal” é chamado de final porque ele é o extremo dos resquícios da Guevurá, ou seja, pior do que isso não existe.
No começo do mundo ele “baixou” na cobra e a cobra começou a falar.
Ela escolheu falar com Havá (Eva) por que sentiu mais proximidade com ela sendo que a raiz do aspecto feminino da Alma começa na Sefirá chamada de Biná que também é raiz da Sefirá chamada de Guevurá.
Trapaceando dessa forma, o Satan conseguiu roubar as bençãos de Adam. Esse é o cartão de visitas desse “satan”, desse desviador.
Ele se une às coisas ruins para interagir no mundo por meio delas, e sempre encontra alguém ou alguma coisa compatível para que por meio dela possa roubar as nossas bençãos também.
Por isso, dizem nossos Sábios, que quando tem que acontecer uma coisa ruim no mundo o tribunal Divino dá autorização ao “satan” para fazer essa coisa ruim acontecer somente por meio de uma pessoa ruim.
O Zohar nos conta que todo esse “sistema” chamado de “sitra ahara” que quer dizer “o outro lado”, funciona da seguinte forma:
Em primeiro lugar o “satan” pessoalmente ou por meio de algumas das suas inúmeras ramificações, aborda a pessoa de várias maneiras para tentar seduzi-la a fazer uma coisa errada.
Nessa etapa ele também “joga baixo” como fez com “Adam a Rishon”, o primeiro homem, que comeu a fruta do Etz a Daat pressionado por sua própria esposa sem saber que por trás disso estava “a cobra”, ou seja, o satan encarnado na cobra.
Cada um de nós é abordado diariamente por alguma ramificação dessa coisa ruim que “baixou” em alguém ou em alguma coisa para nos seduzir.
Se a pessoa se deixa seduzir, esse anjo ruim registra o B.O. imediatamente no tribunal Divino, e pede a autorização para castigar severamente essa pessoa por meio dele próprio que tem o maior prazer em castigar cruelmente a pessoa que ele próprio seduziu.
Como fazer para nos proteger do “satan”?
Quando D’us perguntou para Adam a Rishon (Adão) por que ele comeu a fruta do Etz a Daat, Adam jogou culpa em Havá (Eva) e Havá jogou a culpa na cobra. A justificativa é o maior privilégio do satan.
Porque se eles tivessem assumido que fizeram uma coisa errada e pedido para D’us desculpá-los, com certeza eles não teriam recebido castigo nenhum.
O que a “cobra” queria era isso mesmo, que Adam jogasse a culpa na Eva e Eva na cobra, porque a cobra já tinha uma resposta automática: D’us pediu para não comer aquela fruta, e uma conta pediu para eles comerem, a quem eles deveriam escutar?
E essa é a resposta que devemos dar para nós próprios sempre que recebemos uma sedução, como por exemplo quando alguém por qualquer motivo te tirou do sério e se trata de uma pessoa fraca em todos os aspectos a ponto de, se você “pisar nela”, ela simplesmente quebra e nada vai te acontecer por causa disso.
E você está com toda a vontade de quebrar essa pessoa com muito prazer, e só assim você vai dormir melhor!
Nessa hora você tem que dizer para si próprio :- D’us falou para não maltratar nem um animal, e essa pessoa está “pedindo” para ser maltratada, a quem eu devo ouvir?
O Zohar nos conta que tanto esse “anjo ruim” quanto todo o lado ruim já não vão mais existir no futuro quando D’us tirar o lado ruim do mundo.
Então vamos rezar forte para que isso aconteça o mais rápido possível!
🌻🌻🌻🌻🌻
Os dias estão chegando
O Zohar nos traz um conceito chamado de Ketz hayamim, o extremo dos dias, se referindo ao extremo do mal, e Ketz hayamin, o extremo da direita, se referindo ao extremo das Sefirót que é a Mal’hut representando nesse caso o extremo do bem.
Explica o Rebe que antes da redenção final, durante o período chamado de “calcanhares do Mashiah” que é o período no qual estamos vivendo, o mal aumenta no mundo em forma de disputas entre judeus e também entre não judeus.
Isso entre outros sinais negativos que acontecem nessa época e que não aconteceram em épocas anteriores. Sinais para sabermos que estamos próximos à nossa Gueulá, à nossa redenção final.
Por outro lado o bem também aumenta, novas formas de estudar a Torá são reveladas e ações de caridade e bondade são feitas em uma escala sem precedentes.
Como podemos entender essa tão grande contradição no comportamento das pessoas da nossa época?
Em relação ao povo de Israel, e em particular agora que estamos no final do nosso exílio, depois de termos passado por todas as previsões em relação aos prazos finais dele incluindo a condição de fazer “Teshuvá” antes da Gueulá, da redenção final.
Como atestou o Rebe Yossef Yitzhak, o Rebe de Lubavitch anterior, que também esse requisito nosso povo já cumpriu. E com tudo isso esperamos todo dia pela nossa verdadeira e completa redenção final, e ela ainda não chegou!
A palavra “Ketz”, é traduzida como “extremo”, mas também pode ser traduzida como “final”. Assim também a ligação entre o conceito de “Ketz” e a nossa redenção é dupla.
“Ketz” se refere ao extremo final da escuridão do nosso exílio, “final dos dias” final do nosso exílio, e junto a isso, a palavra “Ketz” também está se referindo à uma nova era, a era da Gueulá. “Ketz hayamin, o extremo do bem.
E assim nos conta o Zohar que a palavra Ketz pode estar representando o extremo do bem, e ao contrário, pode também estar representando o extremo do mal.
Esses dois extremos, sendo um o extremo da direita que representa a Hessed, a bondade, e o outro que é o extremo da esquerda que representa a Guevura, a rigidez, são os dois caminhos que temos à nossa frente nesse mundo.
O extremo da direita que é o extremo do bem é citado no final do livro do profeta Daniel, e o extremo da esquerda é citado no livro de Yov (Jó), quando diz que D’us colocou um final para a escuridão.
Também em relação a Yossef, quando a Torá usa a palavra “Ketz” se referindo ao final dos dois últimos anos que Yossef estava na cadeia encontramos esses dois significados.
Por um lado o versículo está se referindo ao final da “estadia” de Yossef na prisão, e por outro se referindo ao começo da “redenção” de Yossef que se torna o vice rei do Egito.
Esses dois conceitos, mesmo aparecendo juntos, representam duas coisas totalmente opostas, como nos conta o Tzema’h Tzedek que foi o terceiro Rebe de Lubavitch no seu livro chamado de “explicações sobre o Zohar”:
Diz o Tzema’h Tzedek que “Ketz hayamim representa a parte final da “Klipá”, o extremo do lado ruim, indicando o fortalecimento do lado ruim antes de ele desaparecer totalmente. Ou seja, o “extremo de baixo” do lado “esquerdo”, o mal em sua maior intensidade. Enquanto que “Ketz hayamin” representa o supremo bem da Gueulá, da nossa redenção final.
Se trata de dois opostos que chegam ao mesmo tempo. Com o começo do brilho da luz da Gueulá, “Ketz hayamin”, começa também o fortalecimento do mal ao encontro do seu final definitivo. “Ketz hayamim”, a extrema intensidade do mal.
A ligação entre esses dois opostos se encontra em muitas citações dos nossos Sábios, como por exemplo no final do tratado de Sotá que nos conta sobre a depravação que acontece no mundo na época que antecede a Gueulá, e isso vemos hoje com os nossos próprios olhos.
Essas citações aparecem também em algumas partes do tratado de Sanedrin, como por exemplo: “o filho de David não chegará a não ser em uma geração que seja totalmente boa ou totalmente ruim”, nos indicando que a geração da Gueulá vai ser caracterizada por esses dois extremos. Diz o Rebe que eles acontecem simultaneamente.
E qual é realmente a ligação entre esses dois “extremos”?
A separação entre o bem e o mal
O principal problema causado pelo primeiro homem quando ele fez a primeira transgressão foi a mistura entre o bem e o mal. Ele causou a indefinição entre os limites da “luz” e da “escuridão”.
Mesmo no início da criação havia uma realidade de ‘mal’ no mundo como consequência da quebra dos receptáculos do mundo de Tohu, mas esse mal estava separado e isolado, sem nenhum contato e ligação com o lado bom, com o lado puro.
Em tal situação, o mal estava claramente definido e as criaturas não cometeriam um erro seguindo algo que é claramente visto como mal, visto como uma coisa negativa.
O que levou ao fortalecimento do mal e da impureza foi o pecado da árvore do conhecimento que misturou os conceitos e criou uma situação em que não há bem sem mal e não há mal sem bem.
Em tal situação, quando não há uma definição clara de quem é bom e de quem é ruim, o mal engana, prevalece e domina. Além disso, o mal entrelaçado na realidade do bem o impede de atingir sua perfeição.
O papel da redenção é acabar com essa mistura e confusão, e criar limites claros e definidos para a realidade do mal como última etapa antes de ele desaparecer totalmente.
Quando a verdade for revelada com a chegada da redenção, o mal será visto em seu verdadeiro estado.
A mentira por si só “não tem pernas”, a única coisa que permite a existência da mentira e do engano, é um pouquinho de verdade que existe nela.
Quando essa centelha do bem que existe no mal é removida, o mal perde toda a sua capacidade de existência, e então retorna às suas dimensões originais e verdadeiras.
E assim escreveu Rabi Shneior Zalman que foi nosso primeiro Rebe, “O trabalho do Mashiah vai ser o de separar entre o bem e o mal. Portanto, a preparação do mundo para a redenção é a de se separar totalmente do mal causando com que o bem e o mal se tornem claramente separados e isolados um do outro.
Dessa forma há até uma vantagem na situação trágica que previram nossos Sábios em relação aos acontecimentos que antecedem a nossa redenção final, situação em que o mal predomina completamente.
Por que dessa forma ele se torna totalmente visível, claro e definido, e está mais exposto ao seu final do que em uma situação na qual o mal está menos forte por estar misturado com o bem.
Por isso dizem nossos Sábios no tratado de Sanedrin que na geração que antecede a Gueulá os governos se tornarão totalmente corruptos, indicando que o mal que se encontra no mundo se tornará cada vez mais “reconhecível” e a verdade de que qualquer governo que não se comporta de acordo com o “governo Divino” é uma “corrupção absoluta” estará claramente visível.
A verdadeira crença na unidade de D’us é encontrada apenas entre os judeus. Esta é a preparação para a redenção, quando todos conhecerão a pura verdade e seguirão a verdadeira fé que o nosso povo representa.
Essa também é a explicação para o que disseram nossos Sábios que Mashiah chegará em uma geração totalmente boa ou totalmente ruim. A redenção, conforme mencionado, virá quando o trabalho de diferenciar o bem do mal for concluído. Nosso trabalho é separar o mal que se misturou com o bem e estabelecer limites claros entre o que é bom e o que é ruim.
Enquanto o bem e o mal estiverem misturados, a redenção completa não pode vir. Mas virá quando uma das duas possibilidades ocorrer: ou nos refinamos causando com que o nosso lado ruim gradativamente nos deixe, ou, D’us nos livre, o lado ruim nos domina por não encontrar em nós uma resistência compatível com a sua intensidade.
O Rebe nos contou que nos nossos tempos, coisas assustadoras estão acontecendo no mundo, tanto para o bem quanto para o mal.
A começar pela questão da disputas – hoje em dia vemos disputas até entre tais judeus que nunca foi possível supor que haveria uma disputa entre eles. Isso causou para eles uma real mudança de perfil, e eles até tentaram disfarçar isso dizendo que tinham entrado nessas discussões por motivos religiosos e etc…
E por outro lado, em relação as coisas boas, em nossos tempos vemos atos de bondade e amor ao próximo tão grandes que não imaginávamos antes que isso poderia um dia se tornar uma realidade.
Doações para a caridade em tão grande proporção, dedicação tão grande em benefício de outros judeus.
Temos histórias de gerações passadas, e em todas as gerações houve caridade e benevolência entre os judeus, mas nunca tínhamos alcançado níveis tão altos em relação à Tzedaká, em relação a caridade.
E também em relação ao estudo e ensino da Torá, justamente nas gerações mais recentes conseguimos revelar por meio do intenso estudo da Torá assuntos profundos que ninguém imaginou que poderiam ser decifrados e não vemos esses assuntos nos livros das gerações anteriores. Também a forma de ensinar e aprender em nossos tempos é especial, uma nova forma de estudar.
Mas a mudança é tanto para o bem, quanto vice-versa. Entre os sinais que mencionamos sobre o período da redenção, a questão de “países que se provocam” também aconteceu no passado, mas hoje em dia a situação nesta categoria é de uma forma que não se imaginava, com uma crueldade desproporcional, como vemos acontecer na prática em muitos países nesses dias mesmo e que não existia nas gerações anteriores, e ninguém está se importando muito com isso.
Sendo que a nossa Torá é uma Torá “luz”, tudo tem uma resposta na Torá e de forma clara e esclarecedora. E se assim for, a explicação para esta situação alarmante também deve estar na Torá. E em relação a nós, não há necessidade de pesquisar muito, porque a Guemará fala abertamente sobre esse assunto
De acordo com todos os sinais que foram ditos no final do Tratado Sota, nosso tempo está próximo do ‘final dos dias’, tão próximo que não existe mais próximo do que isso, porque nunca houve uma existência real de todos os sinais como nestes dias.
E em relação ao ‘final dos dias’, tempo em que se aplicarão muitas mudanças no mundo até a grande mudança concernente ao mundo inteiro que será a redenção final, está explícito no final do livro do profeta Daniel: “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”. Termina o profeta Daniel com as palavras: “e os sábios entenderão do que se trata
Ou seja, há coisas que até o final dos tempos existem na realidade, mas não estão claras. Ou que se tornaram claras, mas ainda estão misturadas com outras coisas e ainda não se separaram delas e por isso ainda não são totalmente reconhecíveis. Ou que já são reconhecíveis mas não de maneira claramente explícita.
Mas, quando chegarem muito perto do final dos dias, e este é um dos principais sinais de que já estamos na etapa em que isso vai começar a acontecer, vai se cumprir a profecia do profeta Daniel de que “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.
Ou seja, não se trata de algo que vai acontecer para um grupo pequeno de pessoas, mas como diz o profeta Daniel, Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, se trata do mundo inteiro. E conclui que “os sábios entenderão”. Ou seja, para entender porque isso está acontecendo é preciso ser um sábio, mas para ver que isso está acontecendo, qualquer um pode ver.
O Rebe nos explicou por que existe a necessidade de o bem e o mal se revelarem separadamente em sua maior potência antes da Gueulá, como o mundo inteiro está vendo isso acontecer diariamente.
O motivo para isso, diz o Rebe, é que cada um de nós tem forças ocultas que não poderiam ser refinadas porque não sabíamos da existência delas. Nessa situação todas as nossas forças ocultas se revelam, se tornam forças reveladas, e se existe nelas um lado ruim que precisa ser refinado.
Ou seja, excluído de nós que somos parte de D’us que é a essência do bem, imediatamente reconhecemos sua existência e o consertamos, ou o excluímos, ou direcionamos ele para o bem.
Não teríamos como retificar nossas forças ocultas se elas não se revelassem e portanto não saberíamos que elas existem. Porque afinal das contas somos obrigados a refinar o mal das nossas forças ocultas, e se elas continuassem ocultas estaríamos ocupados com outras coisas, mesmo sendo elas coisas boas, e não consertaríamos o que precisamos consertar.
E assim conseguimos entender que quando o profeta Daniel fala sobre essa época de refinamento ele está nos indicando o lado bom que ela nos traz, porque somente assim conseguimos descobrir o lado ruim das nossas forças ocultas e fazer nelas o reparo necessário.
O fato de a revelação das nossas forças ocultas acontecer somente agora nessa época está ligado aos dois “extremos”, Ketz hayamim e Ketz hayamin.
Porque à medida que nos aproximamos do “final dos tempos”, do final do nosso exílio, a escuridão no mundo se fortalece e aumenta cada vez mais. As forças negativas que até agora estavam ocultas se revelam, e por isso há necessidade de revelarmos forças superiores, por meio das quais você pode superar a escuridão e resistir.
E mais uma razão para isso: já que nos aproximamos do “Ketz Hayamin”, da nossa redenção final, começa a se materializar o fenômeno do fortalecimento do bem, que também se torna “claro” e se revela em toda a sua intensidade.
Uma das manifestações disso é a descoberta dos segredos da Torá, a Torá oculta, a categoria da Torá que é comparada ao azeite que se transforma em luz.
Por isso já começamos agora por meio do estudo da Hassidut a provar um pouquinho dos segredos da Torá oculta que o Mashiah vai nos revelar. A palavra Mashiah quer dizer ungido, como diz o Tehilim (89/21)
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
www.RabinoGloiber.org
