www.RabinoGloiber.org

Rabi Itzhak Luria Ashkenazi, o “Ari HaKadosh”

 

Um pouquinho sobre Kabalá
https://youtu.be/VSjd9NghlkQ

 

לזכות הגביר הנדיב

ר’ יצחק בן אסתר
ובתו אסתר בת אביבה רבקה

 

Rabi Itzhak Luria Askenazi se tornou famoso como o “Ari HaKadosh” que quer dizer “O Leão Sagrado”.

 

A palavra Ari é o acrônimo de “Askenazi Rabi Itzhak”.

 

Ele nasceu em Jerusalém em 1534.

 

Seu pai, Rabi Shlomo Luria era descendente de Rashi, e por meio de Rashi era também descendente do Rei David.

 

Rabi Shlomo Luria veio da Lituânia para a Terra de Israel acompanhando seu mestre e sogro, Rabi Kalman Kalonymus Haberkasten.

 

A pequena comunidade judaica em Jerusalém deu à cada um desses imigrantes o apelido de ‘Ashkenazi’ por terem vindo da Europa, e assim Rabi Shlomo Luria se tornou Rabi Shlomo Luria Ashkenazi.

 

Depois que sua primeira esposa, filha de Rabi Kalman Kalonymus faleceu, Rabi Shlomo se casou novamente.

 

Ele se casou em Jerusalém com Sarah Francis que pertencia a uma família de judeus sefaradim.

 

Quando o pequeno Itzhak tinha oito aninhos de idade, seu pai faleceu.

 

Rabi Kalman Kalonymus que tinha trazido Rabi Shlomo Luria com ele da Lituânia, apoiou a viúva e os pequenos órfãos.

 

Quando o pequeno Itzhak cresceu, todos viram que ele era super dotado.

 

Com três aninhos ele já lia fluentemente o Sidur inteiro, e com 14 anos ele já tinha estudado tudo o que um grande rabino precisaria estudar para se tornar um grande rabino.

 

Nessa época Rabi Kalman Kalonymus faleceu e a família órfã ficou novamente sem condições.

 

Sarah não queria usufruir da Tzedaká, da caridade pública, porque sabia que a arrecadação da Tzedaká era pequena e a demanda era grande.

 

Ela não queria que outras pessoas necessitadas recebessem menos ajuda por causa dela.

 

Por isso ela se mudou com as crianças para o Egito para viver perto do irmão de sua mãe, o Rav Mordehai Francis.

 

O Rav Mordehai era um judeu rico e assumiu sua irmã com suas crianças com muito amor e carinho.

 

Itzhak se tornou aluno de Rabi David ben Zimra, o “Radbaz”, e também de Rabi Bezalel Ashkenazi que escreveu o famoso livro “Shitá Mekubetzet” .

 

Com 15 anos ele se casou com sua prima, filha do Rav Mordehai que continuou bancando o jovem casal depois do casamento para que ele pudesse continuar seus estudos sem ter que se preocupar com as despesas da família.

 

No ano de 1570, com 36 anos de idade ele se mudou para Tzfat na Alta Galiléia com sua esposa e crianças onde viveu por mais dois anos, dois anos que terminariam no final dos poucos anos da sua vida.

 

Em seu primeiro ano em Tzfat, o Ari conheceu vários Sábios e transmitiu à eles suas grandes inovações nos estudos da Kabala.

 

Estudou com Rabi Moshe Cordovero, ensinou Rabi Eliahu de Vidash, Rabi Gedaliah Halevi, Rabi Yonatan Sagis, Rabi Yosef Tubul o Mughrabi (ocidental), Rabi Yitzhak Cohen Ashkenazi, Rabi Israel Saruk, Rabino Moshe Alshei’h, Rabi Moshe Mashlim, Rabi Shlomo Elkabetz, Rabi Shmuel Ozida, e o principal de todos, Rabi Haim Vital.

 

Rabi Haim Vital foi nomeado pelo Ari HaKadosh como seu aluno principal e seu sucessor, repassando para ele muitos ensinamentos profundos do lado oculto da Torá.

 

Esses estudos serviram posteriormente de base para a série das escrituras do Ari que foram escritos e editados pelo Rabi Haim Vital, seu aluno principal.

 

Suas duas filhas se casaram em Tzfat.

 

Sua filha A’hssa, se casou com Rabi Shlomo Sagis que era o Rosh Yeshiva de Tzfat e rabino do Maharit.

 

Sua outra filha se casou com o filho de Rabeinu Yossef Karo que escreveu o Shul’han Aru’h.

 

O Ari também teve dois filhos, um chamado Shlomo em nome do seu pai, e outro chamado Moshe.

 

Segundo a tradição, seu filho Moshe faleceu após o Ari ter revelado profundos segredos da Kabalá para os seus alunos.

 

O Ari faleceu aos 38 anos no dia 5 de Av de 1572, na grande peste que então atingiu a Galileia, e foi sepultado no antigo cemitério de Tzfat, ao lado do túmulo do seu filho Moshe e do seu mestre, o Ramak .

 

Durante este tão breve período de vida, o Ari revolucionou o estudo da Kabalá.

 

Ele nos revelou que a partir de agora não só temos permissão de revelar esta sabedoria, mas o principal: agora também temos a obrigação de revelar a todos o lado oculto da Torá”.

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

 

www.RabinoGloiber.org

 

לזכות הגביר הנדיב
ר’ יצחק בן אסתר
ובתו אסתר בת אביבה רבקה

Aproveitando os Super Poderes da nossa má inclinação

Transformando o Yetzer hará, nossa má inclinação, em Yetzer Hatov, nossa boa inclinação.

O Yetzer hará é um imediatista.

Ele nos inclina a querer tudo perfeito e de imediato, “ou tudo ou nada”.

Ele é a nossa má inclinação, o raciocínio do lado impuro.

O Yetzer Hatov nos induz à ter paciência, a nos controlarmos, a fazermos tudo passo a passo e nunca ficarmos desanimados pelo fato de tudo o que queremos não acontecer imediatamente e do jeito que queremos.

Ele é a nossa boa inclinação, o raciocínio do lado puro.

Nosso trabalho é desanimar o Yetzer hará não alimentando ele, não dando à ele de imediato o que ele quer mesmo que seja uma coisa permitida.

Mas dando à ele o que ele queria antes e agora já não quer, depois de ter ficado emburrado e ter decidido que se ele não pode ter tudo na hora, então ele não quer nada.

Ou seja, não dê para ele tudo no momento em que ele quer tudo, mas dê para ele o necessário na hora que ele já não quer mais nada “só de pirraça”. Isso é chamado de “Itkáfia”.

Assim você domina o Yetzer hará e consequentemente o anjo que está por trás dele transformando ele em um anjo a seu favor.

Você subjuga o seu Yetzer hará para o seu Yetzer Hatov e o anjo dele com seus superpoderes passam a ser seu aliado.

O anjo do Yetzer hará se torna um anjo do bem e você fica com superpoderes em dobro!

Superpoderes.

Rabi Yehuda no Zohar explica que ao lado de cada um de nós se encontram permanentemente dois anjos que são o Yetzer Hatov e o Yetzer hará, e sendo que esses dois anjos são subjugados à nós, eles foram os anjos que Yaakov mandou para Essav

Aprendemos das conversas entre Rabi Yehudá Hanassí e Antoninus na Guemará, que para acontecer uma gravidez é obrigatório que entre dentro dessa relação entre o homem e a mulher uma nova alma que vai fazer com que o óvulo fecundado se torne uma criança.

Essa alma que entra no óvulo é a alma da criança e sem ela esse óvulo se desfaz, ela é que faz o óvulo se desenvolver, e quando a criança nasce entra nela o Yetzer hará que é a má inclinação

A explicação profunda para isso é que essa primeira alma que entra no óvulo é chamada de alma animal, e quando a criança nasce, a má inclinação da alma animal se revela, mas não antes da criança nascer

Quando um menino judeu faz treze anos ou uma menina judia faz doze anos, se revela neles uma Alma Divina que estava envolvendo essa criança até chegarem à essa idade.

Essa Alma Divina é uma parte de D’us, e quando alguém se converte ao judaísmo ela se revela nessa pessoa no dia da sua conversão.

Por isso está escrito “guer shemitgaier” (convertido que se converte) e não “goi shemitgaier” (um não judeu que se converte), porque essa Alma Divina já está envolvendo essa pessoa desde o começo, mas se revela somente no dia da sua conversão

O Yetzer Hatov que é a boa inclinação está ligado diretamente à Alma Divina e se revela na pessoa quando a Alma Divina se revela nela.

Ou seja, no dia do nosso Bar Mitzvá (quando um menino judeu faz treze anos), no dia do Bat Mitzvá (quando uma menina judia faz doze anos), ou no dia que alguém se converte ao judaísmo.

É como se essa pessoa tivesse nascido novamente, mas dessa vez no lugar de receber um Yetzer hará ao nascer recebemos um Yetzer Hatov

Então como pode Rabi Yehudá no Zohar ter dito que o Yetzer Hatov e o Yetzer hará são dois anjos?

E não só isso, mas são os dois anjos que Yaakov mandou para Essav!

A explicação de Rabi Eliahu, o cabalista de Lissandra

Rabi Eliahu ben Refael Shlomo, um grande cabalista que foi durante cinquenta anos o Rabino chefe da cidade de Lissandra na Itália há 250 anos atrás analisou profundamente essa questão por todos os seus ângulos.

Ele determinou que existe um anjo designado lá de cima para ajudar o nosso Yetzer Hatov e um anjo designado lá de cima para ajudar o nosso Yetzer hará, e foram esses anjos que Yaakov mandou para Essav

Assim conseguimos entender o que acontece quando alguém quer fazer uma coisa ruim e parece que ele recebe super poderes para fazer com que essa coisa ruim aconteça.

E quanto mais quando queremos fazer uma coisa boa, vemos com nossos próprios olhos que conseguimos fazer coisas boas muito além da nossa capacidade.

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

Behukotai


Behukotai
Nossa Parashá nos conta que se estudarmos a Torá e cumprirmos as Mitzvót, Hashem vai nos dar a chuva na hora certa e a terra vai dar sua produção com muita fartura a ponto de no futuro as árvores do campo que por natureza não dão frutos, não só que vão dar frutos, mas também que os frutos delas vão ser muito melhores do que os frutos das árvores atuais para compensar o tempo em que elas eram estéreis
Daqui vemos que todas as coisas boas desse mundo estão dependendo de nós, de despertarmos lá encima a fartura que vai descer aqui para baixo
O Zohar nos conta como isso acontece lá encima e conclui que o principal meio para trazer as Bençãos Divinas para cá é por meio da Mitzvá da Tzedaká.
A “Árvore da Vida”
Diz o Zohar que o conjunto de seis Sefirót (emanações Divinas) chamado de “Zeer Anpin”(pequeno rosto) que é composto das Sefirot “Hessed”, “Guevura”, “Tiferet”, “Netzah”, “Hod” e “Issod” , é a fonte de todos os bens materiais. Por isso o “Zeer Anpin” é chamado de “a árvore da vida”.
Ou seja, para esses bens materiais acontecerem no mundo eles precisam descer da fonte espiritual para depois se materializarem.
Podemos comparar isso ao nascimento de uma criança.
O pai e a mãe podem estar juntos muitas vezes, mas para que a gravidez aconteça na prática D’us tem que colocar uma Alma nessa relação, só assim a mãe engravida
E todo o tempo que essa Alma espiritual está nesse corpo ele continua sendo um corpo vivo. Na hora que essa Alma deixa o corpo ele falece.
Esse falecimento pode acontecer no mesmo dia em que a mulher engravidou, ou, como costumamos dizer, 120 anos depois. Mas a regra é essa, se a Alma não desce para esse mundo essa criança nunca vai existir.
Esse mundo em todos os seus aspectos, sejam eles humano, animal, vegetal ou mineral, está sincronizado com o mundo de cima, e tudo o que acontece aqui só acontece porque antes estava no mundo espiritual, desceu para cá e se materializou.
Não há nada nesse mundo que não esteja ligado diretamente com a sua fonte espiritual lá encima.
Para que essa descida aconteça, o “Zeer Anpin” tem que se unir à última Sefirá chamada de “Mal’hut”, mas quando eles estão separados essa fartura fica no mundo espiritual e não desce para nós.
A “árvore da morte”
O “Mal’hut” é chamado pelo Zohar de “a árvore da morte” sendo que ela não tem vida de si própria e é comparada à lua que não tem luz própria e só ilumina a luz que recebe do sol.
O Mal’hut recebe as emanações do “Zeer Anpin” quando se une à ele, e assim a fartura espiritual desce ao mundo e se materializa dando origem à todos os bens materiais.
Nossas Almas Divinas são uma parte de D’us. E aonde nos tornamos parte de D’us? O aspecto masculino da nossa Alma Divina começa na primeira Sefirat, na Ho’hma, o aspecto feminino da Alma Divina acontece na Bina.
Poderíamos dizer que no Mal’hut acontece a “gravidez” da nossa Alma, e lá nossa Alma “nasce”.
A partir de lá recebemos nossa própria identidade e de lá descemos para esse mundo, passando por todos os outros mundos espirituais no meio do caminho
Até nos revestirmos em um corpo material nesse único mundo material, o mais baixo de todos chamado pelo Zohar de “o fundo do precipício”.
Essa decida tem duas formas, e de acordo com isso vamos dizer que existem Almas mais elevadas e Almas menos elevadas, mesmo sendo todas elas da mesma origem.
Uma forma de acontecer essa descida é de as Almas só passarem pelos mundos de Briá, Yetzirá e pelo aspecto espiritual do nosso mundo de Assiá até se revestirem em um corpo material.
Nesse primeiro caso essas almas somente passam por esses mundos, mas sem se revestirem neles. Essas Almas são as dos maiores Tzadikim da nossa história, uma muito pequena minoria.
Outra forma de acontecer essa descida é de a Alma se revestir em um mundo mais baixo, e novamente essa “gravidez” acontecer no Malhut do mundo mais baixo.
Lá nos transformamos e de lá descemos para nos revestirmos no nosso corpo material.
Por isso existem Almas de Briá , Yetzirá e Assiá, dependendo do mundo aonde essa Alma se revestiu e se transformou no meio do caminho, mesmo que na essência somos todos iguais.
Diz o Zohar que, se acontecer de na hora de essa Alma “nascer”, ou seja, deixar o Mal’hut para descer ao corpo material, se nessa hora o Mal’hut estiver separado do”Zeer Anpin” (isso acontece lá encima devido às nossas más ações aqui embaixo) essa pessoa não vai ter sucesso em assuntos materiais.
Ou seja, sempre vai viver com dificuldades financeiras, vai ser um pobre crônico.
Quando damos à ele a Tzedaká, fazemos acontecer lá encima a união entre o “Zeer Anpin” e o “Mal’hut”, e quando isso acontece a fartura desce ao mundo e se materializa fazendo com que a chuva caia na hora certa e a terra dê a sua produção à ponto de até acontecer a própria Gueulá e as árvores estéreis darem frutos.
Por isso, quando damos uma Tzedaká estamos fazendo mais bem para nós próprios do que para o necessitado
Por esse motivo sempre temos que dar Tzedaká com muita alegria e nunca dizer que essa pessoa todo ano está precisando.
Porque talvez esse necessitado seja uma Alma dessa origem, e quando você dá vida à ele por meio da sua Tzedaká você está fazendo acontecer a união entre o Zeer Anpin e o Mal’hut trazendo vida para todos os mundos, e o principal beneficiado é você próprio!
🌻🌻🌻
Nossa Parashá nos conta que quando nos esforçamos no estudo da Torá e cumprimos os Mandamentos Divinos, recebemos neste mundo “condições de trabalho” excepcionais.
A chuva vai cair na hora certa e na quantidade certa, podemos dormir confiantes e de porta destrancada sendo que não haverão guerras e a nossa terra não será usada como base militar para um país que quer defender o outro.
E porque chamamos isso de “condições de trabalho”? Porque a recompensa Divina pelo nosso estudo de Torá e o cumprimento das Mitzvot (Mandamentos Divinos) é tão grande que não temos como recebê-la neste mundo.
Então porque a Torá já não fala sobre o próximo mundo, e no lugar disso nos conta sobre condições materiais genéricas?
A chuva vai cair para todos por igual, e todos estão ricos e seguros, mesmo que uma pessoa cumpriu mais Mitzvót do que a outra ou se esforçou mais no estudo da Torá do que a outra, e mesmo assim a Torá promete chuvas, fartura e segurança igual para todos?
Moshe Rabeinu não pôde falar sobre o próximo mundo porque foi ele que nos revelou os 613 Mandamentos Divinos
A Guemará nos conta que certa vez uma pessoa queria ser judeu, mas ele tinha uma condição: Queria aprender toda a Torá enquanto conseguia ficar sobre um pé só. Ele foi para Shamai que era o “Av Beit Hadin”, o diretor do tribunal rabínico
Quando ele explicou para Shamai que queria se converter ao judaísmo com a condição de aprender toda a Torá enquanto ele aguenta ficar em um pé só, Shamai ficou muito bravo e o expulsou de maneira humilhante.
Então ele foi para Hilel, e disse que quer se converter ao judaísmo com a condição de aprender toda a Torá enquanto ele aguenta ficar em um pé só (Vemos aqui que já há dois mil anos atrás quando não dava certo com um rabino a pessoa procurava outro!).
Hilel disse para ele: – O que você odeia que te façam não faça para os outros, essa é toda a Torá, o resto é explicação, agora que você já aprendeu toda a Torá, vai estudar a explicação!
Das palavras de Hilel entendemos a base da Torá, como disse Rabi Akiva, Ame ao próximo como a si mesmo, essa é a grande regra na Torá.
Então porque a Torá escrita por Moshe Rabeinu não fala nada sobre o próximo mundo e deixa essa matéria totalmente para a categoria da Torá Oral conhecida como Kabalá que é uma parte da Torá que não nos revela quais são os Mandamentos Divinos mas sim o que há por trás deles?
E no lugar de Moshe Rabeinu falar sobre o Gan Éden ele fala sobre chuva e segurança de maneira genérica nos indicando explicitamente que esse não é o pagamento pelo trabalho Divino mas simplesmente um bônus?
O que é ruim nesse mundo é bom no outro e quem é pequeno aqui é grande lá
Quando chegamos no próximo mundo descobrimos a grande bondade Divina que estava por trás dos sofrimentos que passamos neste mundo, porque no mérito deles temos acesso direto ao Gan Éden e não precisamos passar pela retificação do “Guehinom”.
As pessoas ruins já se encarregaram de nos fazer o “Guehinom” neste mundo, e descobrimos no mundo de cima o grande favor que essas pessoas ruins nos fizeram.
Vemos lá o que fizemos de errado nas reencarnações passadas e o castigo que estava nos esperando e que foi anulado por causa dos sofrimentos que passamos aqui.
Ficamos com vontade de dar uma descidinha para esse mundo só para agradecer as pessoas ruins pelo favor que eles fizeram em nos maltratar.
Então, se a mesma categoria da Torá que está nos ensinando que “O que você odeia que te façam não faça para os outros, essa é toda a Torá”, se nessa mesma categoria da Torá fosse revelada a grandeza da bondade Divina que está por trás dos sofrimentos pelos quais passamos, as pessoas ruins iriam achar que estavam nos fazendo um favor em nos maltratar.
Por isso a categoria da Torá que fala sobre o que é proibido fazer ao próximo não pode ela própria falar sobre o próximo mundo, mas somente sobre os bônus que recebemos neste mundo material para que possamos por meio desses bens materiais investir mais no nosso trabalho Divino e ter um futuro melhor.
Um futuro melhor que é o Gan Éden HaTahton, o Gan Éden HaElion, e por final a Tehiat Hametim, a revelação Divina no seu mais alto nível que vai acontecer aqui embaixo a ponto de todas as pessoas do mais alto Gan Éden quererem voltar para cá para usufruir da revelação do Keter que vai acontecer aqui.
🌻🌻🌻
Parashat Behukotai nos conta que quando estudamos Torá e cumprimos as Mitzvót (Mandamentos Divinos) Hashem (D’us) nos dá a chuva na hora certa e na quantidade adequada.
A linguagem da Torá é : “a terra dará seus produtos e as árvores darão seus frutos”.
E a pergunta é: Se a terra dará a seus produtos isso já inclui os frutos das árvores​, então, quais são essas árvores que darão seus frutos como consequência do nosso estudo de Torá e do cumprimento das Mitzvót?
O Midrash Sifra nos conta que essas são as árvores estéreis que nos tempos do Mashiach elas darão frutos!
Nosso estudo de Torá hoje é comparado a um pai muito sábio que ensina sua enorme sabedoria para uma criança pequena.
Nesse caso a sabedoria do pai desce ao nível de capacidade de entendimento da criança.
Ele ensina a criança que é proibido roubar e etc. A Torá que estudamos hoje está em um nível de dia a dia deste mundo.
Nosso nível de cumprimento das Mitzvót também é limitado, por não podermos cumprir as Mitzvót ligadas ao Beit Hamikdash.
E mesmo a Mitzvá da Shemitá hoje, de acordo com a maior parte dos “Poskim” (legisladores rabínicos que determinam o modo da aplicação da lei judaica) a Shemitá é “Derabanan” (decreto dos Sábios de Israel usando a autoridade que a Torá lhes deu para fazê-los​) e não “Deoraita” (Mitzvá direta da Torá).
Isso por motivo de dez tribos de Israel estarem temporariamente perdidas e as Mitzvót relacionadas à terra de Israel só poderão ser cumpridas em todos os seus aspectos quando cada tribo estiver na parte da Terra Santa relacionada à sua herança, e isso só vai acontecer nos tempos do Mashia’h.
Então nosso estudo de Torá e cumprimento de Mitzvót hoje é o suficiente para a terra dar os seus frutos convencionais.
O estudo da Torá nos tempos do Mashiach é comparado a um pai muito sábio ensinando segredos muito profundos​ à um filho muito sábio.
Hoje só conseguimos “degustar” um pouquinho disso estudando a parte oculta da Torá que antes era revelada somente para um “petit comité” e hoje, de acordo com o Ari Zal, é uma Mitzvá revelar essa sabedoria. Mesmo assim a quantidade desse estudo é limitada.
Mesmo que nas últimas gerações foram revelados muitos assuntos profundos por meio da “Hassidut”, mesmo assim em relação às revelações dos tempos do Mashiach quando o mundo inteiro de encherá com o conhecimento Divino em quantidade e qualidade, o que estudamos hoje ainda não é o suficiente para as árvores estéreis darem os frutos exóticos que elas darão no futuro.
Conclusão: vamos pedir todo dia para Hashem mandar o Mashia’h imediatamente nem que seja só para usufruir de todas as maravilhas dessa era tão maravilhosa que nunca esteve tão próxima!
🌻🌻🌻
Para uma regra da Torá ter exceção a própria Torá tem que trazer essa exceção.
Na nossa Parashá encontramos uma linguagem muito pesada em relação ao​ que pode acontecer se não estudarmos Torá e não cumprirmos as Mitzvót.
O versículo diz: “Se vocês não escutarem a mim”…etc
O Midrash Sifra nos conta que essa palavra “a mim” vem especificar que todas essas tragédias que a Torá descreve na continuação desse versículo recaem sobre a pessoa que conhece D’us e tem a intenção de fazer conscientemente contra o pedido Divino.
Como exemplo o Midrash traz Sodoma e Gomorra, que conheciam D’us e faziam intencionalmente o contrário do que ele pediu, assassinando, roubando e etc.
O Ari Zal nos conta sobre as pessoas que trocaram intencionalmente o judaísmo pela idolatria na época do primeiro Beit Hamikdash.
A destruição não veio naquela mesma geração porque a bondade Divina determina um longo período para que a pessoa possa fazer Teshuvá, naquela reencarnação ou em outra.
Mas quando​ chegou a “deadline”, o prazo final, e eles ainda não conseguiram consertar o que fizeram, aquelas almas se reencarnaram na época das cruzadas e da inquisição e tiveram a sua purificação.
Se precisasse morrer queimado em praça pública para não fazer idolatria, eles davam a vida e não faziam idolatria.
Se precisasse fugir da Espanha e de Portugal deixando os pertences para trás e não fazer idolatria, eles fugiam.
E o destino de cada um foi traçado de acordo com o nível de obsessão pela idolatria que ele teve naquela reencarnação quando ele vivia na época do primeiro Beit Hamikdash e trocou consientemente e intencionalmente o judaísmo pela idolatria.
Mas quem já nasceu em uma família Judia idólatra não entra nessa categoria como vemos no Midrash mas é considerado como alguém que não conhece D’us e não tem intenção de fazer algo propositalmente.
🌷🌷🌷🌷
A “linguagem pesada” da Torá também vem para dar um ênfase na gravidade do assunto , como um pai bondoso que explica para o filho as consequências de certas coisas para que ele não as faça.
Entãos, vamos aproveitar e estudar muita Torá e trazer a Gueulá imediatamente!
🌻🌻🌻
Nossa Parashá nos conta sobre as grandes bênçãos Divinas que recebemos quando estudamos a Torá e cumprimos os mandamentos Divinos.
E depois nos conta sobre as coisas ruins que podem acontecer por não termos estudado a Torá e não termos cumprido os mandamentos Divinos.
Uma dessas “maldições” é o fato de fugirmos sem que ninguém esteja nos perseguindo.
Aparentemente, se ninguém está nos perseguindo, isso deveria estar da lista das bênçãos, e por qual motivo está na lista das maldições?
Explica o Rav Moshe Kramer de Vilna, que era o avô do Gaon de Vilna:
O Rei Salomão no livro do “Kohelet” escreve “D’us ajuda o perseguido”. Quando alguém é perseguido Hashem  deixa tudo o que está fazendo para ajudá-lo.
E mesmo quando um Tzadik está perseguindo um rashá (uma pessoa boa está perseguindo uma pessoa ruim) Hashem deixa tudo o que está fazendo para ajudar o perseguido. Por isso o fato de ninguém estar nos perseguindo entra na lista das maldições
Então, se você sente que existem pessoas que querem o seu mal e tentam te sabotar, você tem que ficar feliz, você está na lista dos abençoados por D’us!

A Reversão da pobreza

 

 

Nossa Parashá nos conta sobre como devemos ajudar à nossos semelhantes em várias situações.

 

E quem melhor para explicar esse assunto do que Don Itzhak Abarbanel que foi um dos maiores comentaristas da Torá e junto com isso foi ministro das finanças de três países em uma das épocas mais conturbadas que o nosso povo já passou

 

A explicação do Abarbanel 

 

Nossa Parashá nos conta sobre a Shemitá, o ano sabático no qual os campos são abertos aos pobres.

 

A Parashá nos conta também sobre o resgate das terras que foram vendidas pelos seus donos originais que empobreceram e as venderam por necessidade, sobre o ano do Yovel em que as terras voltam automaticamente aos seus donos originais que as tinham vendido por necessidade, e todos esses mandamentos Divinos vem favorecer aos empobrecidos

 

Por final a Parashá fala sobre o último estágio da pobreza no qual todos se igualam, tanto o que chegou à ela depois de ter vendido o que tinha e ficou sem fonte de renda, quanto aqueles que não tinham nenhuma fonte de renda desde o começo como por exemplo alguém que se converteu ao judaísmo vindo de outro povo.

 

Ou até mesmo o “guer toshav” que assumiu no Beit Hadin sete mandamentos, e por causa disso, diz o Abarbanel, ele também é chamado de “o seu povo” e a ordem Divina é de que “ele vai viver com você”, ou seja, por meio da sua ajuda ele vai viver e não vai morrer

 

E sendo que a linguagem do versículo é de que todas essas categorias de pobres “vão viver com você”, a Torá está nos indicando que os pobres da sua cidade são prioridade, não podemos abandoná-los, não podemos deixá-los

 

E eles vão ser esses aos quais devemos emprestar nosso dinheiro à eles sem juros e também fazer para eles Tzedaká do nosso dinheiro. E quando o versículo fala sobre a proibição de pegar juros ele usa as palavras “e você vai ter temor à D’us”

 

Porque talvez (D’us nos livre) um dia nós próprios ou nossos filhos ou nossos netos poderemos estar nessa situação, porque a pobreza é um círculo que roda pelo mundo. E então nossos irmãos vão estar ao nosso lado

 

E por isso a Torá diz para darmos à ele nosso apoio como presente, como Tzedaká. E nesse caso o versículo usa a frase “Eu sou Hashem seu D’us que tirei de do Egito”, onde vocês estavam no aperto e na pressão, na extrema pobreza, para dar à vocês a terra de Canaã, uma terra boa e ampla, uma herança sem limites, e não dei ela para vocês com juros mas para ser o D’us de vocês

 

O primeiro estágio da pobreza

 

A primeira fase da pobreza é a venda da própria fonte de renda, por isso a Torá começa nos dando a lei em relação à pessoa que empobreceu à ponto de ter que vender o campo e o vinhedo da sua herança – pobreza nível 1

 

O segundo estágio da pobreza

 

A segunda fase da pobreza é venda da própria casa, por isso a Torá continua nos dando a lei em relação à pessoa que teve que vender a própria casa – pobreza nível 2

 

O terceiro estágio da pobreza

 

A terceira fase da pobreza é a pessoa deixar seus objetos de valor como hipoteca para pegar um empréstimo em dinheiro ou em mantimentos por isso a Torá continua nos dando as leis em relação aos empréstimos, leis de juros – pobreza nível 3

 

O quarto estágio da pobreza

 

A quarta fase da pobreza é a pessoa se vender a si próprio ou roubar e ser vendido como escravo por causa do seu roubo, por isso a Torá continua nos dando a lei do escravo judeu – pobreza nível 4

 

A reversão da pobreza

 

Primeira etapa – Em primeiro lugar a Torá nos proíbe de dar à um escravo judeu um trabalho escravo como se ele fosse um escravo de verdade, mas ele tem que ser para nós como um cidadão, como se você tivesse contratado alguém para trabalhar com você. Ou seja, primeira etapa é levantar a moral do pobre

 

Segunda etapa – até o ano do Yovel ele vai trabalhar com você, e não mais do que isso, e então ele sai livre e volta para a sua família.

 

Ou seja, no máximo até o ano do Yovel o empobrecido vai trabalhar com você, mas se os seis anos que ele precisa trabalhar com você terminaram antes do Yovel, ele sai no sétimo ano.

 

E se o ano do Yovel chegou antes, ele sai antes. E até se ele quiser ficar escravo a vida inteira, ele sai no Yovel e volta para a sua dignidade por voltar para a sua família

 

E também os campos que ele vendeu, sua fonte de renda, vai voltar para ele, ele volta para a herança dos seus pais

 

Então por que nesse meio tempo D’us deixaria você tratá-lo como escravo, um trabalho duro e humilhante, e quanto mais pelo fato de isso ser uma profanação da honra de D’us sendo que todos os judeus são escravos de D’us que os tirou do Egito, então como você pode tratar ele como se fosse seu escravo, como se tivesse roubado o escravo de D’us

 

Por isso você tem que tratar ele como se fosse alguém que trabalha por um salário, ter temor à D’us que é o único que tem o poder de diminuir alguém e também engrandecer, e é possível que também você ou um descendente seu pode futuramente (D’us nos livre) estar nessa mesma situação

 

Conclusão do assunto de ontem que se encontra no vídeo acima:

Em primeiro lugar D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar o campo, a fonte de renda que o nosso semelhante teve a necessidade de vender, e devolver à ele

 

Se o nosso semelhante já caiu mais do que isso e teve a necessidade de vender sua própria casa também, D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar a sua casa e devolver à ele

 

Em terceiro lugar, se o nosso semelhante já está em uma situação de hipotecar os seus pertences para comprar mantimentos D’us nos dá a oportunidade de dar à ele toda a Tzedaká necessária para que ele não precise hipotecar seus pertences

 

Em quarto lugar, se ele já se tornou um escravo, D’us nos dá a oportunidade de resgatá-lo e torná-lo novamente um homem livre e voltar a viver junto à sua família com toda a dignidade

 

E por final, se não aproveitarmos a oportunidade de participar da interação Divina no mundo e não fizermos nada disso, o próprio D’us vai fazer tudo isso sozinho sem a nossa participação

 

Mas sendo que a pobreza é um círculo que gira pelo mundo, mesmo agora estando são e salvos, ou seja, estando na parte de cima desse círculo, ninguém nos garante que não estejamos futuramente na parte de baixo.

 

Ninguém a não ser D’us que não nos deixaria cair se tivéssemos levantado quem já caiu

 

A Torá é eterna e todos os assuntos dela se encontram espiritualmente em cada etapa da nossa vida.

 

Na época da Torá a fonte de renda era a nossa terra que nos foi dividida aparentemente por sorteio, mas nesse sorteio a interação Divina foi de 100%.

 

Dessa mesma forma hoje em dia quando encontramos a fonte de renda dos nossos sonhos e acreditamos que tivemos sorte em encontrar, na verdade isso nos foi dado totalmente lá de cima

 

E o mesmo D’us que nos deu a nossa fonte de renda aparentemente por “sorteio”, mas na verdade por Divina Providência, nos dá a oportunidade de interagir com essa Divina Providência em relação ao nosso próximo!

 

Essa Parashá é tão atual para os nossos dias!

 

Como dizem nossos Sábios, que precisamos nos relacionar à Torá como se ela nos tivesse sido entregue hoje!

 

https://www.instagram.com/reel/DJ2WON1S6y8/?igsh=d2Y1OG9vdWszNzFr

 

 

Porque fazemos todo dia uma combinação diferente de Sefirót junto com a contagem do Omer ?

 


Um dos princípios da fé judaica é que D’us não se compara à matéria mas está infinitamente acima dos conceitos materiais.

O Zohar explica que quando D’us criou o homem à sua imagem e semelhança, a intenção é a imagem e semelhança espiritual e não a material, se trata da revelação Divina como ela acontece nas Dez Sefirot nos mundos superiores, não se trata de nenhuma imagem e semelhança material.

Em outras palavras, nossa essência é a nossa Alma Divina, nosso lado superficial é a nossa alma animal, e o nosso trabalho durante os dias da Sefirat HaOmer é alinhar as Sefirót da nossa alma animal com as Sefirot da nossa Alma Divina, nosso lado espiritual.

Nesses quarenta e nove dias, passo a passo vamos deixando de ser animais e vamos nos transformando em pessoas puras, refinadas e reluzentes.

Sendo que a Alma Divina se revela principalmente no nosso intelecto e a nossa Alma animal se revela principalmente nos nossos sentimentos, nosso trabalho vai ser refinar as sete sefirot que são ligadas aos nossos sentimentos, ao nosso caráter

Essas sete Sefirot emocionais podem ser usadas positiva ou negativamente.

Atraindo bênçãos Divinas para nós

O livre arbítrio do ser humano significa que ele pode usar esses atributos como quiser.

Todos nós podemos escolher viver uma vida destacada pela bondade e santidade, sermos tímidos, piedosos e gostarmos de fazer favores, essas são as qualidades do nosso povo

Mas somos, também, livres para escolher exatamente o oposto, e depois agüentar as conseqüências de nossas escolhas.

O prazer que sentimos fazendo uma coisa ruim é intensamente maior do que o prazer que se sente fazendo uma coisa boa

Mas o pagamento pela coisa ruim que deixamos de fazer por termos conseguido nos cotrolar é um prazer intenso e eterno, e infinitamente maior do que o prazer que teríamos fazendo a coisa ruim caso não tivéssemos conseguido nos controlar

Todo ser humano possui as sete Sefirot ligadas aos nossos sentimentos, mas geralmente uma delas exerce uma influência maior no nosso caráter do que as outras .

Para refinar todas as facetas de nossa vida, precisamos refinar todos os sete atributos, especialmente aqueles que não são o nosso forte.

Mas, também temos que ter certeza de utilizar de modo adequado e pleno a Sefirá emocional que pulsa mais fortemente dentro de nós.

Temos último dia da Sefirat HaOmer para trabalhar nessa grande tarefa de consertar e melhorar nossas sete Sefirot ligadas ao nosso caráter, e recebemos por meio disso todas as bênçãos espirituais e materiais, trazendo para o nosso povo como um todo, e para toda a humanidade, muita paz, muita prosperidade e grandes realizações.

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

Orgulho: qualidade ou defeito?

Hukat
O lado espiritual da Vaca Vermelha
Nossa Parashá nos conta sobre uma Mitzvá (um Mandamento Divino) que aconteceu somente nove vezes em toda a nossa história, e acontecerá pela décima e última vez na época do Mashiach
Essa Mitzvá é chamada de Pará Adumá, que literalmente significa a “Vaca Vermelha”
Ela consiste em se fazer o abate de uma vaca totalmente vermelha sobre uma estrutura de toras de madeira e depois acender um fogo nessa estrutura transformando-a em uma grande fogueira
Quando a maior parte da vaca vermelha (que já foi abatida) está queimando e a barriga dela se abre, se joga dentro dela um pedaço de “erez” que é a maior árvore da terra de Israel, um pedaço de “ezov” que é a menor árvore daquela região, e tolaat shani que é uma lã tingida com tinta vermelha originaria de um vermezinho
As cinzas da fogueira da vaca vermelha junto com tudo o que foi queimado nela é usada para purificar as pessoas da maior de todas as impurezas, a impureza dos mortos
Todos os que participam da preparação dessas cinzas em todas as suas etapas devem estar puros antes de começar esse procedimento, e ao final dele se tornam impuros, caracterizando a vaca vermelha como algo que purifica os impuros mas impurifica os puros
A explicação do Baal Shem Tov 
A Vaca Vermelha representa o orgulho
O Baal Shem Tov nos ensinou que todos os Mandamentos Divinos são eternos.
Mesmo que na prática eles precisam ser cumpridos por meio de uma ação determinada e em um tempo determinado, mesmo assim eles sempre trazem para nós um ensinamento que pode ser colocado na prática por cada um de nós e em qualquer momento
Nesse aspecto os Mandamentos Divinos são eternos, pelo motivo de a Torá ser Divina e a revelação Divina ser eterna.
Dizem os alunos do Baal Shem Tov em seu nome, que toda a Torá tem que estar sempre presente na nossa vida diária dentro desse aspecto, o de aprendermos de cada Mandamento Divino uma instrução que pode ser colocada na prática no nosso dia a dia
Eles perguntaram ao Baal Shem Tov:- O que podemos aprender da Mitzvá da “Pará Adumá”(a vaca vermelha) para o nosso trabalho Divino diário, se até na época do Beit Hamikdash ela não aconteceu a não ser raramente?
E também, o que podemos aprender do fato de que ela impurifica os puros e purifica os impuros?
E assim respondeu o Baal Shem Tov:
A “Pará Adumá” representa o orgulho!
No princípio, quando nos comportamos de maneira incorreta e portanto estamos distantes de Hashem (D’us), o começo do nosso “conserto” é por meio do orgulho e das “segundas intenções”
Temos que cumprir os Mandamentos Divinos para “nos exibir”, por exemplo, ou de uma maneira mais nobre, mas ainda com “segundas intenções”, de “ganharmos o Paraíso futuro”.
Temos que pensar que é mais do que justo que Hashem nos dê uma enorme recompensa por tudo o que estamos fazendo, temos que achar que estamos fazendo algo para D’us
Mas a verdade é que se D’us não nos desse força, o que seria de nós? Como podemos cobrar de Hashem uma coisa que fizemos com a força que ele próprio nos deu?
Mas nunca conseguiríamos chegar à essa verdade, e D’us nos livre, ficaríamos de fora, se não começássemos o trabalho Divino como uma criança pequena, para exibir que estamos fazendo o que é certo e portanto somos importantes, ou para receber algo em troca, por mais nobre que seja a recompensa como por exemplo o futuro Paraíso
Depois que começamos o trabalho Divino com essas “segundas intenções” e conseguimos “crescer e amadurecer” dentro do trabalho Divino, descobrimos que Hashem é a essência do bem e ele nos ama mais do que nós amamos nossas próprias crianças, infinitamente mais do que imaginávamos!
Perdemos o interesse pelo que os outros vão pensar de nós, perdemos a vontade de nos “exibir”, e vemos o futuro paraíso como uma coisa óbvia, como voltar para casa depois de estarmos perdidos na selva por tanto tempo.
Paramos de pensar em nós próprios e começamos a pensar em Hashem que está tão preocupado com a nossa “volta para casa”. Vamos pelo caminho certo para que Hashem fique “menos preocupado” com a gente e não para termos algum lucro com isso
Nessa segunda etapa, ter orgulho, cumprir os Mandamentos Divinos para nos exibir ou para ganhar o paraíso é uma regressão à etapa anterior. Nessa segunda etapa se tivermos orgulho ele nos derruba
Nessa segunda etapa, na qual voltamos a ser crianças puras, temos que manter essa pureza e nos afastar do orgulho até o extremo
Porque a prepotência é uma auto idolatria, e aonde há idolatria a revelação Divina se oculta. Nessa etapa o orgulho nos impurifica
Conclusão: o orgulho purifica os impuros e impurifica os puros
E esse assunto existe em todos os níveis, até no nível dos Tzadikim, das pessoas mais elevadas espiritualmente.
Até os próprios Tzadikim, para subirem do seu nível tão elevado para um nível mais elevado ainda, precisam usar esse sistema de começar pelo orgulho para decolar, e depois se apegar à humildade para aterrissar com segurança no nível superior
E por isso, também sobre os Tzadikim podemos dizer que o orgulho purifica os impuros, sendo que qualquer nível espiritual em relação ao nível superior à ele é comparado à impureza em relação à pureza
Sendo que o nível espiritual inferior está distante do superior, em relação ao nível de revelação Divina superior o Tzadik está longe de D’us, mesmo que para nós que estamos em um nível muito mais baixo ele está infinitamente mais perto de D’us do que nós
E antes de qualquer pessoa se aproximar de Hashem por meio de alguma Mitzvá, Torá ou Tefilá (reza) ele é considerado impuro, ou seja, distante de Hashem em relação ao nível da aproximação que ele vai chegar por meio da Mitzvá, da Torá ou da Tefilá que ele vai fazer, e não temos como nos aproximar de Hashem a não ser por meio do orgulho
Na “sitra ahara”, no lado espiritual impuro, representado principalmente pelo que está mais próximo à nós que é o nosso próprio “yetzer hará” (nossa má inclinação), o raciocínio é totalmente contrário
O yetzer hará começa pela humildade e termina no orgulho
Começa pela humildade dizendo:
:- “Quem é você para fazer uma Mitzvá?”
:-“O que adianta você estudar Torá, de qualquer jeito você nunca vai saber tudo”
:- “Você acha que é tão querido por Hashem para que a sua reza seja ouvida?”
Quando um pensamento desses proveniente do yetzer hará nos atinge como um míssil do Hamas que sai de dentro da própria terra de Israel para destruí-la, você deve responder com todo o orgulho dizendo:
:-Quem sou eu para não fazer uma Mitzvá!
:-O meu estudo de Torá lá encima é visto como uma pequena luz na escuridão que é muito mais importante do que uma grande luz que não está na escuridão
:- A minha reza lá encima é ouvida com mais atenção ainda, como uma criança aprendendo a falar que mesmo falando errado o pai está tão feliz em ouvi-la que até repete as palavras dela de tanta felicidade
O fato de o orgulho no começo do trabalho Divino fazer parte da santidade e não ser comparado à uma Mitzvá feita por meio de uma “averá” (transgressão) é porque por trás dele se encontra a verdadeira humildade como vemos nos exemplos acima
A humildade da “sitra ahara” é dizer :-quem sou para fazer uma Mitzvá
A humildade da Kedushá (santidade) é dizer :-quem sou eu para não fazer uma Mitzvá.
E esse lado oculto da verdadeira humildade se disfarça de orgulho para enfrentar o Yetzer hará que tenta nos seduzir dizendo que é uma grande Mitzvá ser humilde mas que por motivos de humildade você não deve cumprir Torá e Mitzvót sendo que você ainda não está nesse nível!
E você só consegue refutar os argumentos dele com orgulho. E por meio desse orgulho você se purifica e se aproxima de Hashem, por meio de ter orgulho em estudar Torá, em rezar, em cumprir as Mitzvót
O orgulho de fonte impura é o orgulho da segunda etapa, quando você já está estudando Torá, cumprindo Mitzvót e caprichando na Tefilá. Aí aparece o Yetzer hará e tenta te convencer de que você é melhor do que as pessoas que não estão fazendo o que você faz.
Esse é o orgulho proveniente da “sitra ahara” e o objetivo dele é te derrubar dessa forma fazendo com que você se ache melhor do que os outros, fazendo com que você se sinta um deuzinho, transformando você em uma pequena idolatria e te distanciando de Hashem muito mais do que você estava antes de começar
Por isso o orgulho é chamado de Pará Adumá. Pará(vaca) é uma linguagem de crescimento, o orgulho de fazer uma Mitzvá faz você crescer.
Adumá (vermelha) se refere à “sitra ahara” que é o orgulho que você sente depois de ter feito a Mitzvá, o orgulho de ser melhor do que alguém que não fez essa Mitzvá, orgulho proveniente do lado impuro
Portanto é colocado dentro da fogueira da vaca vermelha um pedaço de Erez que é a maior árvore, um pedaço de ezov que é a menor árvore, e tolaat shani, a lã tingida com a tinta vermelha originaria de um vermezinho
Como explica Rashi que quem se orgulhou como um Erez, tem que se rebaixar como um ezov e como uma tolaat, um vermezinho
Diz o Rambam que o cajado de Erez que era colocado dentro da fogueira da vaca vermelha tinha um limite de altura de cinquenta centímetros
Disso nos ensina o Baal Shem Tov mais uma regra importante que aprendemos da Mitzvá da Pará Adumá
Que mesmo sendo necessário o orgulho no começo do trabalho Divino, ele tem que ter um limite. Não podemos perder o controle sobre ele para que seja possível eliminá-lo depois com muita facilidade
Conclusão:
Leia novamente tudo o que foi dito acima e coloque na prática com muito amor e carinho!
https://mailchi.mp/1590ba5e5681/centro-da-cultura-judaica-newsletter-hukat?fbclid=IwAR3dSk9BwaaeK6gkdjjTEuAkUguLiK_gii2W9wqo5SbXIROWKBikZo1__Q