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Na Parashá anterior AShem (D’us) dá à Moshe Rabeinu a missão de ir ao Egito avisar o povo de Israel que AShem vai tirá-los de lá, e também a missão de repassar ao faraó a ordem Divina de deixá-los sair.
Moshe e Aharon se encontram no Monte Sinai que fica entre Midian aonde estava Moshe naquele momento e o Egito onde estava Aharon.
Moshe e Aharon vão juntos ao Egito, reúnem todos os anciões, os líderes do nosso povo, e repassam à eles a mensagem Divina de que chegou a hora da redenção.
Os líderes do povo recebem essa mensagem com total aceitação, plena credibilidade e muita felicidade.
Moshe e Aharon vão ao faraó e dizem à ele:- “Assim disse AShem D’us de Israel (usando o nome de D’us de quatro letras conhecido como tetragrama), libere o meu povo para eles me fazerem uma festa no deserto”.
Ouvindo isso, o faraó respondeu determinadamente:-“Quem é AShem que eu tenho que ouví-lo e liberar o povo de Israel? Não sei quem é AShem e o povo de Israel não vou liberar”.
O faraó era o maior especialista em religiões do mundo e todo o nosso povo morava naquele país haviam 210 anos.
Ele sabia quem era o nosso D’us, mas esse nível de revelação Divina representado por esse nome de D’us ele não conhecia.
O que ele conhecia é o nome de Elokim que foi o nome de AShem que Yossef tinha usado quando se referiu à D’us. Mas esse nome de AShem de quatro letras o faraó não conhecia.
Ou seja, o nome de D’us que o faraó conhecia era o nome Elokim que representa D’us oculto na natureza.
Ou seja,você guarda o trigo dos anos bons para ter o que comer nos anos ruins. Esse nível de revelação Divina o faraó conhecia.
Mas o nome de AShem de quatro letras que representa exatamente o contrário, ou seja, a comida cai do céu e se você arar a terra você está se prejudicando porque ela cai no buraco, esse nível de revelação Divina de D’us ajuda a quem não se ajuda e se você tentar se ajudar você vai estar atrapalhando a ajuda Divina, esse nível de AShem ele não conhecia.
Nosso povo estava escravizado no Egito, o governo trazia para eles palha e eles faziam tijolos.
O faraó cancelou a participação do governo com a palha sem reduzir a cota de tijolos que nosso povo era obrigado a fazer, usando como argumento o fato de eles estarem com muito tempo livre e por isso estarem pensando em fazer uma festa no deserto.
A consequência disso foi que nosso povo teve que se espalhar pelo Egito à procura de palha e os responsáveis pelo povo foram açoitados por não estarem conseguindo entregar a cota de tijolos exigida pelo governo.
Moshe pergunta à AShem:- “Por que você fez a situação do povo piorar, e para que você me mandou para lá? Desde que eu vim ao faraó falar em seu nome ele piorou a situação do povo e você não os salvou”!
AShem responde à Moshe :
-” Agora você vai ver o que eu vou fazer para o faraó…”
A Guemará explica que AShem está dizendo para Moshe que agora ele iria ver o que AShem iria fazer para o faraó, mas que futuramente ele não iria ver o que AShem iria fazer para os 31 reis da terra de Canaã
Ou seja, Moshe recebeu um castigo pela observação que fez, mas não uma resposta para a sua pergunta.
AShem não disse para Moshe que aparentemente perdemos uma batalha mas não perdemos a guerra
Simplesmente AShem quis dizer para Moshe que ele não é como Avraham ao qual AShem prometeu que iria dar tanto à ele quanto à sua descendência a terra onde ele estava, mas para enterrar a própria esposa teve que comprar um túmulo por uma exorbitância, e mesmo assim não reclamou.
Ou como Itzhak, que AShem disse para ele morar naquela terra, e quando seus servos precisaram de água tiveram que brigar com os pastores filisteus de Grar e mesmo assim Itzhak não reclamou.
Ou como Yaakov que AShem disse à ele:- “A terra onde você está deitado para você eu vou dar”, mas quando ele precisou de um lugar para montar sua tenda ele precisou comprá-lo por uma exorbitância, e não reclamou!
AShem responde para Moshe que por ele ter reclamado ele vai ver os milagres que AShem vai fazer a ponto de o faraó expulsar nosso povo do Egito antes mesmo de conseguirmos preparar comida para levar, mas ele não vai ver os milagres que AShem vai fazer para nos colocar dentro da “Terra Santa”.
Em outras palavras, Moshe fez uma pergunta e o que AShem respondeu à ele ainda não foi a resposta para a sua pergunta.
Nossa Parashá começa com a continuação da conversa entre AShem e Moshe, e agora AShem dá à Moshe Rabeinu a resposta à sua pergunta.
AShem diz para Moshe que se revelou para Avraham, Itzhak e Yaakov com o nome de E-l Sha-dai, mas esse nome pelo qual ele está se revelando para Moshe não revelou para eles.
Ou seja, ele não se revelou para eles nesse nível elevadíssimo que ele está se revelando para Moshe.
No nível de revelação Divina representado pelo nome de E-l Sha-dai, AShem pôde prometer que vai dar à eles a Terra Santa, mas esse nível de revelação ainda não era o suficiente para eles receberem esse lugar na prática.
Na continuação AShem diz para Moshe :-“Agora diga ao povo de Israel que eu sou AShem (representado pelo nome de quatro letras indicando uma revelação Divina elevadíssima) e tirei vocês debaixo do sofrimento do Egito, e salvei vocês do trabalho deles, e redimi vocês com grandes milagres”.
No lugar de dizer “e vou tirar”, a linguagem do versículo é “e tirei”, nos indicando que a parte principal já aconteceu, o que nos leva à profundidade desse assunto.
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O bem do mundo revelado e o bem do mundo oculto
Entre o mundo de Atzilut, o mundo espiritual mais elevado, e o mundo de Briá que está abaixo dele, existe uma grande ocultação à qual chamamos de “Tzimtzum”.
O mundo de Atzilut em relação ao mundo de Briá é o “mundo oculto”.
Uma bondade Divina que chega para nós do mundo revelado, ou seja, do mundo de Briá, desce para nós de forma revelada.
Um bem revelado, visível e palpável, como AShem (D’us) explica para Moshe na nossa Parashá, que para os nossos patriarcas ele se revelou com o nome de E-l Sha-dai ( Kel Shakai) que é a revelação Divina no nível de mundo da Briá.
Nesse nível AShem prometeu que iria dar à eles e à sua descendência a terra onde eles estavam, a terra de Canaã, a futura terra de Israel.
Nesse nível eles puderam receber a promessa Divina de que essa terra seria deles, mas ainda não tinham como recebê-la na prática sendo que para recebê-la na prática eles precisaríam de milagres sobrenaturais que tem como fonte o mundo de Atzilut, o mundo oculto.
Uma bondade Divina que chega para nós do mundo oculto, ou seja, do mundo de Atzilut que está oculto do mundo de Briá por meio do primeiro Tzimtzum, é uma bondade Divina infinitamente maior, mas ela não tem como descer para esse mundo de forma revelada.
Ela só consegue descer para esse mundo em uma embalagem de sofrimento.
Quando esse sofrimento chega, é sinal de que essa bondade oculta que é infinitamente maior do que a bondade revelada já está lá, mas ainda de forma oculta.
E quando a embalagem é aberta, ou seja, quando passa o sofrimento, essa bondade Divina se revela com toda a sua intensidade, e isso foi o que aconteceu no Egito.
Quando a bondade Divina do mundo oculto desceu para esse mundo, a primeira manifestação dela foi o aumento dos sofrimentos, e isso era o sinal de que a redenção do Egito já desceu para o nosso mundo e já começou a acontecer.
Moshe Rabeinu perguntou para AShem por que ele fez o mal ao povo e não os salvou.
AShem responde para Moshe na nossa Parashá que aqui ele está se revelando com o nome representado pelo tetragrama, uma revelação infinitamente maior do que a revelação que tiveram nossos patriarcas.
E por ser uma revelação infinitamente maior ela começou em forma de sofrimentos.
E por isso AShem diz para Moshe:-“Agora diga ao povo de Israel que eu sou AShem… (representado pelo nome de quatro letras que indica uma revelação Divina elevadíssima) e tirei vocês debaixo do sofrimento do Egito, e salvei vocês do trabalho deles, e redimi vocês com grandes milagres”.
Essas coisas ainda não tinham acontecido nessa hora mas já tinham descido para o mundo, e por isso AShem pede para Moshe repassar para nós esse versículo em uma linguagem de tempo presente e não de tempo futuro.
Ou seja, naquele instante toda essa bondade Divina já tinha descido para esse mundo, e a prova disso é que os sofrimentos começaram.
A continuação dela são os milagres sobrenaturais infinitamente maiores do que os milagres que aconteceram aos nossos patriarcas
Isso também acontece com cada um de nós.
Muitas vezes recebemos lá de cima verdadeiros milagres que por serem do mundo oculto são muito maiores do que os milagres do mundo revelado, mas só conseguem descer para esse mundo em uma embalagem de sofrimentos.
Depois que passa a embalagem, o milagre se revela em toda a sua intensidade.
Por incrível que pareça, muitas vezes continuamos pensando na embalagem de sofrimentos que já se desfez e não temos tempo para ficarmos felizes com o grande milagre que surgiu como consequência dela.
Fazemos da embalagem de sofrimentos o principal e do seu conteúdo de milagres o secundário, uma verdadeira “prisão de ventre” espiritual.
Então vamos ser espertos e depois de “descascarmos o abacaxi” vamos esquecer imediatamente das cascas que se passaram e nos focarmos na fruta que estava dentro dela!
Torá na prática:
Agradecendo à D’us por uma coisa ruim
Temos que fazer uma bênção agradecendo à D’us por uma coisa ruim que acontece para nós com o mesmo entusiasmo que agradecemos à D’us por uma coisa boa, como diz o Rambam: “Somos obrigados a agradecer por uma coisa ruim que nos acontece com a mesma alegria que agradecemos por uma coisa boa, como está escrito e você vai amar AShem seu D’us com tudo o que ele te der”
Assim fazemos passar bem rápido o lado ruim da coisa boa e já começamos a usufruir dessa grande alegria mesmo antes de vê-la, simplesmente pelo fato de ela já estar aqui 🌻
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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