Vaygash
Eis que os dias estão chegando
O Zohar nos traz um conceito chamado de Ketz hayamim, o extremo dos dias, se referindo ao extremo do mal, e Ketz hayamin, o extremo da direita, se referindo ao extremo das Sefirót que é a Mal’hut representando nesse caso o extremo do bem.
Explica o Rebe que antes da redenção final, durante o período chamado de “calcanhares do Mashia’h” que é o período no qual estamos vivendo, o mal aumenta no mundo em forma de disputas entre judeus e também entre não judeus.
Isso entre outros sinais negativos que acontecem nessa época e que não aconteceram em épocas anteriores.
Sinais para sabermos que estamos próximos à nossa Gueulá, à nossa redenção final.
Por outro lado o bem também aumenta.
Novas formas de estudar a Torá são reveladas e ações de caridade e bondade são feitas em uma escala sem precedentes.
Como podemos entender essa tão grande contradição no comportamento das pessoas da nossa época?
Em relação ao povo de Israel, e em particular agora que estamos no final do nosso exílio, depois de termos passado por todas as previsões em relação aos prazos finais dele incluindo a condição de fazer “Teshuvá” antes da Gueulá, da redenção final.
Como atestou o Rebe Yossef Yitzhak, o Rebe Anterior de Lubavitch, que também esse requisito nosso povo já cumpriu.
E com tudo isso esperamos todo dia pela nossa verdadeira e completa redenção final, e ela ainda não chegou!
A palavra “Ketz”, é traduzida como “extremo”, mas também pode ser traduzida como “final”. Assim também a ligação entre o conceito de “Ketz” e a nossa redenção é dupla.
“Ketz” se refere ao extremo final da escuridão do nosso exílio, “final dos dias”, final do nosso exílio.
E junto a isso, a palavra “Ketz” também está se referindo à uma nova era, a era da Gueulá. “Ketz hayamin, o extremo do bem.
E assim nos conta o Zohar que a palavra Ketz pode estar representando o extremo do bem, e ao contrário, pode também estar representando o extremo do mal.
Esses dois extremos, sendo um o extremo da direita que representa a Hessed, a bondade, e o outro que é o extremo da esquerda que representa a Guevura, a rigidez, são os dois caminhos que temos à nossa frente nesse mundo. O bem e o mal.
Portanto, a preparação do mundo para a redenção é a de se separar totalmente do mal causando com que o bem e o mal se tornem claramente separados e isolados um do outro.
Dessa forma há até uma vantagem na situação trágica que previram nossos Sábios em relação aos acontecimentos que antecedem a nossa redenção final, situação em que o mal predomina completamente.
Por que dessa forma ele se torna totalmente visível, claro e definido, e está mais exposto ao seu final do que em uma situação na qual o mal está menos forte por estar misturado com o bem.
Por isso dizem nossos Sábios no tratado de Sanedrin que na geração que antecede a Gueulá os governos se tornarão totalmente corruptos, indicando que o mal que se encontra no mundo se tornará cada vez mais “reconhecível”.
E a verdade de que qualquer governo que não se comporta de acordo com o “governo Divino” é uma “corrupção absoluta” estará claramente visível.
A verdadeira crença na unidade de D’us é encontrada apenas entre os judeus. Esta é a preparação para a redenção, quando todos conhecerão a pura verdade e seguirão a verdadeira fé que o nosso povo representa.
Essa também é a explicação para o que disseram nossos Sábios, que Mashia’h chegará em uma geração totalmente boa ou totalmente ruim.
A redenção, conforme mencionado, virá quando o trabalho de diferenciar o bem do mal for concluído.
Nosso trabalho é separar o mal que se misturou com o bem e estabelecer limites claros entre o que é bom e o que é ruim.
Enquanto o bem e o mal estiverem misturados, a redenção completa não pode vir.
Mas virá quando uma das duas possibilidades ocorrer:
Ou nos refinamos causando com que o nosso lado ruim gradativamente nos deixe
Ou, D’us nos livre, o lado ruim nos domina por não encontrar em nós uma resistência compatível com a sua intensidade.
O Rebe nos contou que nos nossos tempos, coisas assustadoras estão acontecendo no mundo, tanto para o bem quanto para o mal.
A começar pela questão da disputas
Hoje em dia vemos disputas até entre tais judeus que nunca foi possível supor que haveria uma disputa entre eles.
Isso causou para eles uma real mudança de perfil, e eles até tentaram disfarçar isso dizendo que tinham entrado nessas discussões por motivos religiosos e etc…
E por outro lado, em relação as coisas boas
Em nossos tempos vemos atos de bondade e amor ao próximo tão grandes que não imaginávamos antes que isso poderia um dia se tornar uma realidade.
Doações para a caridade em tão grande proporção, dedicação tão grande em benefício de outros judeus.
Temos histórias de gerações passadas, e em todas as gerações houve caridade e benevolência entre os judeus, mas nunca tínhamos alcançado níveis tão altos em relação à Tzedaká, em relação a caridade.
E também em relação ao estudo e ensino da Torá
Justamente nas gerações mais recentes conseguimos revelar por meio do intenso estudo da Torá assuntos profundos que ninguém imaginou que poderiam ser decifrados. E não vemos esses assuntos nos livros das gerações anteriores.
Também a forma de ensinar e aprender em nossos tempos é especial, uma nova forma de estudar.
Mas a mudança é tanto para o bem, quanto vice-versa.
Entre os sinais que mencionamos sobre o período da redenção, a questão de “países que se provocam” também aconteceu no passado
Mas hoje em dia a situação nesta categoria é de uma forma que não se imaginava, com uma crueldade desproporcional
Como vemos acontecer na prática em muitos países nesses dias mesmo e que não existia nas gerações anteriores, e ninguém está se importando muito com isso.
Sendo que a nossa Torá é uma Torá “luz”, tudo tem uma resposta na Torá e de forma clara e esclarecedora. E se assim for, a explicação para esta situação alarmante também deve estar na Torá. E em relação a nós, não há necessidade de pesquisar muito, porque a Guemará fala abertamente sobre esse assunto
De acordo com todos os sinais que foram ditos no final do Tratado Sota, nosso tempo está próximo do ‘final dos dias’, tão próximo que não existe mais próximo do que isso, porque nunca houve uma existência real de todos os sinais como nestes dias.
E em relação ao ‘final dos dias’, tempo em que se aplicarão muitas mudanças no mundo até a grande mudança concernente ao mundo inteiro que será a redenção final, está explícito no final do livro do profeta Daniel:
“Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.
Termina o profeta Daniel com as palavras: “e os sábios entenderão do que se trata
Ou seja, há coisas que até o final dos tempos existem na realidade, mas não estão claras.
Ou que se tornaram claras, mas ainda estão misturadas com outras coisas e ainda não se separaram delas e por isso ainda não são totalmente reconhecíveis. Ou que já são reconhecíveis mas não de maneira claramente explícita.
Mas, quando chegarem muito perto do final dos dias, e este é um dos principais sinais de que já estamos na etapa em que isso vai começar a acontecer, vai se cumprir a profecia do profeta Daniel de que “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.
Ou seja, não se trata de algo que vai acontecer para um grupo pequeno de pessoas, mas como diz o profeta Daniel, Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, se trata do mundo inteiro. E conclui que “os sábios entenderão”.
Ou seja, para entender porque isso está acontecendo é preciso ser um Sábio, mas para ver que isso está acontecendo, qualquer um pode ver.
O Rebe nos explicou por que existe a necessidade de o bem e o mal se revelarem separadamente em sua maior potência antes da Gueulá, como o mundo inteiro está vendo isso acontecer diariamente.
O motivo para isso, diz o Rebe, é que cada um de nós tem forças ocultas que não poderiam ser refinadas porque não sabíamos da existência delas.
Nessa situação todas as nossas forças ocultas se revelam, se tornam forças reveladas, e se existe nelas um lado ruim que precisa ser refinado.
Ou seja, excluído de nós que somos parte de D’us que é a essência do bem, imediatamente reconhecemos sua existência e o consertamos, ou o excluímos, ou direcionamos ele para o bem.
Não teríamos como retificar nossas forças ocultas se elas não se revelassem e portanto não saberíamos que elas existem.
Porque afinal das contas somos obrigados a refinar o mal das nossas forças ocultas, e se elas continuassem ocultas estaríamos ocupados com outras coisas, mesmo sendo elas coisas boas, e não consertaríamos o que precisamos consertar.
E assim conseguimos entender que quando o profeta Daniel fala sobre essa época de refinamento, ele está nos indicando o lado bom que ela nos traz
Porque somente assim conseguimos descobrir o lado ruim das nossas forças ocultas e fazer nelas o reparo necessário.
O fato de a revelação das nossas forças ocultas acontecer somente agora nessa época está ligado aos dois “extremos”, Ketz hayamim e Ketz hayamin.
Porque à medida que nos aproximamos do “final dos tempos”, do final do nosso exílio, a escuridão no mundo se fortalece e aumenta cada vez mais.
As forças negativas que até agora estavam ocultas se revelam, e por isso há necessidade de revelarmos forças superiores, por meio das quais você pode superar a escuridão e resistir.
E mais uma razão para isso:
Já que nos aproximamos do “Ketz Hayamin”, da nossa redenção final, começa a se materializar o fenômeno do fortalecimento do bem, que também se torna “claro” e se revela em toda a sua intensidade.
Uma das manifestações disso é a descoberta dos segredos da Torá, a Torá oculta, a categoria da Torá que é comparada ao azeite que se transforma em luz.
Por isso, já começamos agora por meio do estudo da Hassidut a provar um pouquinho dos segredos da Torá oculta que o Mashia’h vai nos revelar. A palavra Mashia’h quer dizer ungido, como diz o Tehilim (89/21)
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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