Porque Ytró não se converteu ao judaísmo durante os quarenta anos que Moshe Rabeinu morava com ele?

 

Nossa Parashá começa com as palavras: “E ouviu Ytró, sacerdote de Midian, sogro de Moshe, tudo o que fez AShem (D’us) para Moshe e para Israel seu povo, que AShem tirou o povo de Israel do Egito”.

 

Rashi explica: Que notícia ouviu Ytró e por causa disso veio? (veio se converter ao judaísmo). Ouviu sobre a abertura do mar vermelho e a guerra de Amalek.

 

Rabi Yehuda Arie Leib Alter, conhecido como o “Sfat Emet”, foi o terceiro Rebe da cidade de Gur na Polônia há mais de cento e vinte anos atrás.

 

Ele explicou que com a força da saída do Egito, os portões celestiais se abriram para que as pessoas pudessem se converter ao judaísmo, como está escrito: “até esse momento nenhum escravo conseguia fugir do Egito”. Ou seja, nenhuma Alma Divina que estava subjugada pelo lado impuro conseguia sair dele.

 

Com a força da saída do Egito se expandiu a força da santidade atraindo pessoas ao judaísmo, como está escrito: “e também uma grande multidão subiu com eles.

 

Por isso Ytró teve a força espiritual para ouvir e se submeter ao lado da santidade, mesmo que antes disso ele conviveu quarenta anos com Moshe Rabeinu era seu genro, pai dos seus netos, pastor do seu rebanho e morava com ele em Midian. Moshe Rabeinu fugiu do Egito para Midian com quarenta anos e se casou com Tzipora, a filha de Ytró, e somente quarenta anos depois, quando Moshe Rabeinu já estava com oitenta anos, ele deixou Midian e foi tirar o povo de Israel do Egito

 

Ytró e a guerra de Amalek

 

Diz o Sfat Emet que o fato de a história de Ytró estar escrita na Torá  junto com a história de Amalek vem nos indicar que por meio da saída do Egito se refinou a mistura entre o bem e o mal, o bem se separou do mal e , consequentemente, o mal se separou do bem.

 

Também entre os povos do mundo existem pessoas do lado bom, Almas Divinas, mas estão misturadas com o lado mal.

 

Com a saída do Egito, quando o povo de Israel foi refinado da impureza e se tornou santificado para AShem, automaticamente todos aqueles que tinham uma boa vontade e quisessem por opção própria deixar o mal e se aproximar de AShem, poderiam fazer isso se unindo ao povo de Israel que já tinha saído do lado impuro, já tinha saído do mal.

 

E  todos aqueles que eram pessoas ruins por opção, ou seja, optaram pelo lado do mal que se separou do bem,  se uniram à Amalek que já tinha saído do lado puro,  já tinha saído do bem.

 

Por meio do povo de Israel ficou definitivamente clara a maldade de Amalek e a bondade de Ytró.

 

O “Sfat Emet”

 

Rabi Yehuda, conhecido posteriormente como o Sfat Emet, nasceu em 1847 e era neto do Rebe Itzhak Meir Alter conhecido como Hidushei Harim.

 

Com dois anos de idade ficou órfão de mãe e com oito de pai, passando a morar com seu avô, Rabi Itzhak Meir Alter, fundador da Hassidut Gur, que ensinou à ele os mais profundos segredos da Torá.

 

Rabi Yehuda casou-se com 15 anos de idade e o nome do seu sogro também era Yehuda. Por motivo cabalistico,  sogro e  genro não podem ter o mesmo nome, e por causa disso seu avô , Rabi Itzhak Meir,  acrescentou à ele o nome de Arie Leib. E assim, com 15 anos de idade ele passou a ser chamado de Rabi Yehuda Arie Leib.

Rabi Yehuda Arie Leib se tornou o Rebe de Gur com apenas 23 anos de idade,  quatro anos depois do falecimento de seu avô.

 

Por ser um jovem Rebe, Rabi Yehuda Arie Leib atraiu milhares de jovens estudiosos da Torá para a Hassidut Gur que na época se tornou a maior Hassidut da Polônia chegando a contar com 100.000 Hassidim.

 

Em 1904 os russos, que na época dominavam a Polônia, recrutaram dezenas de milhares de judeus que foram mandados diretamente para a frente de batalha na guerra contra o Japão.

 

Milhares de Hassidim de Gur foram mandados para a guerra, o que afetou diretamente a saúde do Rebe que faleceu em 1905 no mês judaico de Shvat (o mês judaico atual) com apenas 57 anos de idade, deixando como herança para nós uma profunda explicação da Torá que foi editada depois do seu falecimento e recebeu o nome de Sfat Emet.

 

A partir daí Rabi Yehuda Arie Leib Alter vai ser conhecido por todos como Sfat Emet.

 

Ele nos contou também que o fato de Ytró ter vindo se converter ao judaísmo era a nossa recompensa por termos passado pelo exílio do Egito, como disseram nossos Sábios na Guemará em Pessa’him: “o povo de Israel não foi exilado a não ser para que se unissem à eles os guerim (os convertidos).

 

E portanto, com a força da Galut (exílio) do Egito, saiu de lá uma grande multidão e Ytró acima de todos.

 

Dessa maneira se concretizou o provérbio do rei Salomão: “em toda tristeza existirá uma vantagem”.

 

Ou seja, de todo acontecimento ruim também ganhamos alguma coisa boa.

 

E isso é o que está indicando o versículo quando diz que temos que amar o guer porque guerim fomos na terra do Egito. Esse versículo nos indica que o principal objetivo do exílio do Egito era por causa dos guerim que iriam sair de lá.

 

E provavelmente isso é o que estavam indicando nossos Sábios quando disseram que os guerim são difíceis para o nosso povo como a “sapa’hat”, pelo motivo de termos que nos misturar entre os povos do mundo por causa dos guerim.

 

E por isso escreveram nossos Sábios que a “seet” a “sapahat” a “baheret” e a “tzaraat” indicam os quatro impérios dentro dos quais somos exilados.

 

porque todos os quatro exílios aconteceram para nos possibilitar de tirar deles as “luzinhas de santidade” que estão misturadas com o “outro lado”, e por meio do nosso exílio entre eles, essas “faíscas Divinas” se refinam e sobem.

 

Não haverão mais guerim na época do Mashia’h

 

O Sfat Emet nos explica uma passagem do Midrash Rabá que diz: “Três coisas perdidas encontrou AShem”.

 

1- encontrou fidelidade no seu coração: esse é Avraham Avinu, o primeiro “guer”, o primeiro de todos os convertidos.

 

2- “Como uvas no deserto encontrei Israel”: Eles são o principal da conversão, porque tiveram o mérito de ser escolhidos para AShem para ser seu povo e sua herança.

 

3- “encontrei David meu servo”: esse é o Rei Mashia’h que determina o final das conversões, porque nos dias do Mashia’h não serão recebidos mais convertidos.

 

O motivo para isso é que já estarão consertadas e separadas do mal todas as Almas adequadas para se unir à Santidade.

 

Conclusão: sendo que estamos no exílio para atrair as Almas do lado bom, a saída do exílio é a prova mais clara de que esse trabalho terminou !

 

 

Rabino Gloiber

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