Hanuká e Rosh Hodesh -Zot Hanuka – O oitavo dia de Hanuká

 

Hanuká e o Rosh Hodesh 

 

Os gregos da Síria que dominavam o nosso povo são representados pela escuridão

 

Eles queriam acabar com a nossa identidade.

 

Não importava para eles que tivéssemos nossa própria cultura contando que tirássemos D’us dela

 

Para tirar D’us da nossa vida, eles decretaram que não poderíamos fazer o Brit Milá que é a circuncisão

 

Não poderíamos mais guardar Shabat porque por meio de guardar o Shabat estamos mostrando para o mundo que acreditamos no D’us que criou o mundo em seis dias e no sétimo dia não criou nada

 

Não poderíamos mais fazer o Rosh Hodesh, porque sem o Rosh Hodesh não saberíamos o dia certo das festas judaicas

 

Para comemorarmos a nossa vitória contra eles, sendo que não poderíamos comemorar a vitória da guerra com uma festa porque muitos judeus apoiavam a cultura grega e se alistaram no exército deles contra nós, Hashem (D’us) nos fez um milagre de oito dias

 

Oito dias nos lembra o Brit Milá que é feito no oitavo dia, dentro de oito dias têm um Shabat, e dentro desses oito dias de Hanuká que parte deles é no mês de Kislev e parte deles no mês de Tevet, temos um Rosh Hodesh, Rosh Hodesh Tevet

 

O calendário judaico é baseado na Lua. O nascimento dela determina o começo do  mês judaico que é o ciclo completo da lua. Ela nasce como um fiozinho estreito, que gradualmente se torna maior a cada noite, até ficar perfeitamente cheio e redondo, no meio do mês.

 

Depois a Lua começa a ficar menor até desaparecer totalmente, e isso vai determinar o final do nosso mês judaico.

 

Quando a Lua nasce ela surge como um estreito crescent e é chamada de Molad que é o “nascimento da Lua” “novilúnio” em português .

 

No Shabat antes da Lua nova, anunciamos e abençoamos o novo mês (exceto o mês de Tishrei, que é abençoado unicamente pelo próprio D’us).

 

De um molad ao seguinte passa um pouco mais de vinte e nove dias e meio. Esta é a duração do mês.

 

Mas sendo que não podemos ter metade do dia pertencendo a um mês e a outra metade ao seguinte, o calendário judaico foi construído de um jeito que às vezes o mês tem vinte e nove dias, e outras vezes, trinta dias, mas nunca mais de trinta e nunca menos de vinte e nove.

 

Por isso que às vezes temos um dia de Rosh Hodesh,  que é o início do mês, e às vezes dois.

 

Quando temos um dia de Rosh Hodesh, significa que o mês que terminou tinha 29 dias.

 

Quando temos dois dias de Rosh Hodesh, o primeiro dia pertence ao mês anterior, ou seja, é o 30º dia do mês que está terminando,  e o segundo dia de Rosh Hodesh é o primeiro dia do mês que está entrando.

 

Em um ano “comum” temos seis meses “cheios”, ou seja, com 30 dias cada um, e seis meses “curtos” de 29 dias cada um, seguindo-se um ao outro (30, 29, 30, 29) completando um total de 354 dias no ano judaico.

 

Em alguns anos “perdemos” um dia, e em outros “ganhamos” um, fazendo com que o número total de dias num ano seja de 353, 354, ou 355, conforme o caso.

 

O calendário judaico fixo foi feito dessa forma para evitar que Yom Kipur caia na sexta-feira ou no domingo para não terem dois dias em seguida com a proibição de trabalho nível Shabat.

 

O Rosh Hodesh é uma pequena festa judaica e tem até rezas especiais.

 

A festa de Pêssa’h deve ser na primavera, considerando-se as estações do hemisfério norte, que é a estação do ano em que nossos antepassados saíram do Egito

 

Por isso o calendário judaico tem que fazer uma sincronização entre o sistema lunar e o sistema solar, sendo que o sistema solar determina as quatro estações do ano que são chamadas em hebraico de “Tekufot”.

 

O Ano Solar tem pouco menos de 365 dias e meio. O Ano Lunar às vezes tem 353 dias, às vezes 354 e às vezes 355.

 

Para que a festa de Pessa’h aconteça na primavera temos que sincronizar o ano lunar com o ano solar, por isso o calendário judaico tem um mês a mais a cada três anos

 

Quando o mês de Nissan, que é o mês de Pessach, começa a se distanciar da primavera, acrescentamos um mês de Adar naquele ano empurrando Nissan para frente, para o seu lugar apropriado na primavera.

 

 

O oitavo dia de Hanuká e o oitavo princípio da fé Judaica

 

Nossos Sábios chamam o oitavo dia de Hanuká de “Zot Hanucá”, com base nas palavras da leitura da Torá do 8º dia da inauguração do Mishkan que era o Templo Móvel no deserto:

 

O Ari Zal Hakadosh compara os primeiros sete dias de Chanucá com os primeiros sete princípios da bondade Divina, entre os 13 Princípios (י”ג מידות) que constam na Torá, e o oitavo dia engloba os outros seis juntos.

 

A força espiritual deste dia está oculta no fato de que no judaísmo o número 7 representa a natureza e o número 8 representar o sobrenatural.

 

Por isso é muito importante rezar forte nesse dia e fazer todos os seus pedidos pessoais, porque nesse dia podem ocorrer manifestações sobrenaturais, ou seja, milagres verdadeiros.

 

Sabedoria Divina e sabedoria humana

 

Os judeus se recusaram a permitir que a cultura grega se mesclasse com o judaísmo em virtude de um princípio fundamental da fé judaica: a Torá não é a sabedoria do Povo Judeu, mas a Sabedoria de D’us.

 

Isso significa que ela não é comparável à sabedoria humana.

 

Se a Torá tivesse sido escrita pelos Patriarcas, por Moshé ou pelos Sábios judeus, poderia ser comparada ao conhecimento grego.

 

Mas o judaísmo ensina que os Cinco Livros da Torá foram escritos por D’us e transcritos por Moshé e que os outros livros do Tana’h foram escritos pelos profetas, sob direta inspiração Divina.

 

Os outros trabalhos da Torá – seja os que pertencem a seu lado revelado, como o Talmud, ou a seu lado oculto, como o Zohar, são uma explicação e elucidação da Sabedoria Divina, que foi transmitida por D’us a Moshê no Monte Sinai, e que foi ensinada oralmente, de geração em geração, até que, por fim, foi transcrita.

 

A Torá, portanto, não é apenas a Vontade de D’us nos informando como Ele deseja que o homem aja, mas é a Sua Sabedoria, um livro que Ele mesmo escreveu.

 

Ou seja, ela é infinitamente superior a tudo o que a mente humana possa compreender e criar.

 

O judaísmo não despreza o conhecimento humano, mas ele é limitado e falível, como todos os seres humanos, e sempre está mudando e necessitando de novas atualizações.

 

Se a Torá tivesse sido escrita por eles, seria permitido para nós fazermos críticas à ela, mas os seres humanos não podem adulterar um trabalho de autoria Divina.

 

Assim podemos entender por que o milagre sobrenatural de Hanuká , que está por trás do milagre natural da vitória militar, envolveu azeite puro, que não havia sido contaminado pelos gregos.

 

A sabedoria da Torá é comparada com o óleo de oliva, que não se mistura com nenhum outro líquido e sempre permanece na camada superior.

 

Assim como o azeite, a sabedoria da Torá, sendo Divina, está inevitavelmente acima do conhecimento do homem

 

Por causa da sua incomparável superioridade ela não pode ser mesclada com nenhuma outra.

 

O milagre do óleo de oliva ritualmente puro nos ensina que a Torá de D’us, que Ele nos confiou, precisa permanecer pura.

 

Não pode ser alterada e nem está aberta a conceitos que não pertencem a ela.

 

O oitavo princípio da fé judaica é:

 

Crer com plena fé que toda a Torá que se encontra em nosso poder foi dada a Moshê Rabênu

 

O Sefer Torá, o livro da profecia de Moshe Rabeinu, foi escrito quarenta anos depois da entrega da Torá e repassado de mestre para aluno de geração em geração sem nenhuma interrupção.

 

Quarenta anos depois da entrega da Torá, Moshe escreveu em setenta línguas diferentes o Sefer Torá que D’us pediu para ele escrever.

 

Assim começa a categoria da nossa Torá conhecida como Torá escrita, começando pelo Sefer Torá que é dividido em cinco livros traduzido como pentateuco.

 

A categoria da Torá chamada de “Torá Escrita” é composta por 24 livros e dividida em três categorias:

 

1- “Torá”, que também serve como nome genérico para qualquer livro judaico mas que nesse caso está falando especificamente sobre o pentateuco.

 

2- Neviim, que são os livros dos profetas que sucederam Moshe Rabeinu que foi o maior de todos os profetas.

 

3- Ketuvim, escrituras sagradas.

 

Essas três categorias da Torá escrita juntas são chamadas de TaNa’H que são as iniciais das palavras Torá, Neviim e Ketuvim. O TaNa’H é composto de 24 livros.

 

Como vimos anteriormente, os primeiros desses 24 livros, o Pentateuco, foram escritos somente quarenta anos após a entrega da Torá, e todos os outros livros da Torá escrita foram escritos depois disso.

 

Torá Oral

 

Certa vez uma pessoa que não era judeu perguntou ao grande Sábio Hilel :- Quantas Torot (plural de Torá) vocês tem? :- Duas, respondeu Hilel, a Torá escrita e a Torá oral.

 

Ouvindo isso a pessoa declarou :- Na Torá escrita eu acredito, mas na oral não. Eu quero me converter ao judaísmo na condição de que você só me ensine a Torá escrita.

 

Hilel concordou. Hilel começou a ensinar ele a ler a Torá. Mostrou para ele a letra Alef e explicou oralmente que o nome dela é Alef. Mostrou a letra Beit e explicou que o nome dela é Beit. O mesmo fez com a letra guimel e a letra dalet .

 

Na outra aula Hilel mostrou para ele a letra Alef e disse que isso é o Dalet. O aluno se espantou e disse :- Mas ontem você não me explicou assim! Você confiou no que eu te expliquei oralmente ontem? Disse Hilel, então confie em mim também em relação à Torá oral!

 

Sendo que quando D’us deu à Moshe a Torá escrita, a explicou oralmente e detalhadamente para Moshe, que a ensinou oralmente para o povo de Israel, e assim a Torá chegou até nós desde o começo!

 

Ou seja, sem a Torá oral não saberíamos nem ler e nem entender a Torá escrita

 

Quando D’us nos deu a Torá, elas eram duas desde o começo. Uma escrita e uma oral. Moisés ,o maior de todos os profetas escreveu a Torá escrita e explicou oralmente como colocar ela na prática. Ou seja, de que forma cumprir o que está escrito. Em outras palavras, o “como cumprir” a Mitzvá é chamado de Torá oral.

 

A Torá escrita começa com Moshe, o maior de todos os profetas, e continuou sendo escrita posteriormente por profetas menores até o exílio da Babilônia que aconteceu depois da destruição do primeiro Templo de Jerusalém.

 

Os últimos profetas viveram no exílio da babilônia, continuando até a época em que o império persa dominava o mundo e o segundo Templo foi construído.

 

Depois dos persas veio o império grego e depois o império romano. Na época dos gregos e romanos não tínhamos mais profetas, e portanto não tivemos mais Torá escrita.

 

A Torá escrita terminou de ser escrita nos exílios da Babilônia e Pérsia completando 24 livros. Posteriormente a Torá oral que desde o começo era repassada oralmente, também foi escrita. Incluindo a Torá oculta conhecida como Kabalah.

 

A Torá oral continua sendo escrita a cada geração sendo que surgem novas situações que precisam ser esclarecidas, comparadas às anteriores, diagnosticadas e classificadas. As pessoas também ficaram mais frágeis, consequentemente necessitando de explicações mais detalhadas.

 

As explicações dos Sábios de cada geração de como cumprir a Torá da maneira correta naquela geração também é chamada de Torá oral. Em resumo, o que chamamos de TORÁ inclui Torá oral e escrita .

 

A Torá escrita é composta de 24 livros e a oral hoje já chega à dezenas de milhares de volumes (dos quais mais de 63.000 livros sem direitos autorais já estão disponíveis no site Hebrew books

 

http://www.hebrewbooks.org

 

Rabino Gloiber

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