Author page: Rabino Gloiber

nossa Parashá – Vayetzê

Vayetzê

 

Nossa Parashá nos conta que nosso terceiro patriarca, Yaakov, saiu de Beer Sheva e foi para Haran.

 

No meio do caminho, a Parashá nos conta que ele “se encontrou com o lugar”, sem especificar qual era o lugar, e depois dormiu lá porque o Sol se pôs.

 

Vemos que depois disso ele continuou sua viagem até Haran, e concluímos que o “lugar” não era o lugar para o qual ele estava viajando, mas que era um lugar tão importante que todos o conheciam como “o lugar”, sem precisar especificar o nome dele.

 

Yaakov estava no meio do caminho entre a Terra Santa e Haran, e não havia lá nenhum lugar de destaque nesse caminho.

Então porque nesse caso a Parashá usa somente a palavra “o lugar” como se estivesse nos contando sobre o lugar mais importante do mundo?

A linguagem do versículo é “se encontrou com o lugar”, nos indicando que um foi ao encontro do outro. Como pode um lugar ir ao encontro de alguém?

 

E também, por que a Parashá tem que nos contar que “o Sol se pôs” e por isso ele dormiu lá, sendo que aparentemente isso é uma coisa óbvia?

 

Fugindo de Essav para Lavan

 

Os dois motivos pelos quais Yaakov teve que sair de Beer Sheva e ir para Haran foram o fato de Rifka ter ouvido que Essav estava esperando seu pai falecer para assassinar Yaakov, e também para Yaakov se casar com a filha de Lavan que não era menos perigoso do que Essav.

 

Por esses motivos Yaakov estava atordoado, e por isso, mesmo tendo passado próximo ao Monte Moriá que era o lugar mais sagrado do mundo, ele não parou lá para rezar.

 

Nossos Sábios nos contam que quando ele chegou no final da Terra Santa, a caminho de Haran, Yaakov se questionou e disse:

 

:– Como pode ser que eu passei pelo lugar sagrado e não parei para rezar lá?

 

Yaakov decidiu viajar de volta para o Monte Moriá, para rezar, e depois voltar para continuar sua viagem à Haran.

 

O “despertar de baixo” causa o “despertar de cima”

 

Diz o Zohar que quando “despertamos” para fazer uma coisa boa nesse nosso mundo aqui em baixo, causamos o “despertar de cima”.

 

Ou seja, quando você toma a iniciativa para fazer uma coisa boa aqui nesse mundo, você desperta a ajuda Divina que é sempre imensamente maior do que a iniciativa que tínhamos tomado.

 

E foi isso o que aconteceu com Yaakov. No momento em que ele tomou a iniciativa de viajar de volta para o Monte Moriá, o Sol se pôs milagrosamente.

 

Por isso o versículo diz que o Sol se pôs, sendo que nesse caso não seria uma coisa óbvia porque não era o horário de o Sol se pôr.

 

E não só isso, mas também D’us fez mais um milagre sobrenatural e sincronizou toda a Terra de Israel embaixo dele, na linguagem dos nossos Sábios “dobrou embaixo dele toda a Terra de Israel”.

 

Por isso D’us disse para ele no sonho profético que ele teve naquele lugar : – “A Terra que você está deitado sobre ela, para você eu vou dar, e para todos os seus descendentes”.

 

Ou seja, a Terra que ele estava deitado sobre ela era toda a Terra de Israel.

 

Nosso primeiro patriarca, Avraham, tinha instituído a reza de Shaharit, a reza da manhã.

 

Seu filho, Itzhak, instituiu a reza de Min’há, a reza da tarde.

 

E agora seu neto, Yaakov, institui a reza da noite, a reza de Arvit.

 

Ele queria ir ao Monte Moriá, mas D’us fez com que o Monte Moriá viesse até ele!

 

O segredo da escada de Yaakov

 

Yaakov adormeceu naquele lugar e teve um sonho profético. Nesse sonho ele viu uma escada apoiada na terra e essa escada chegava até o céu. Ele também viu que os anjos subiam e desciam por ela.

 

Quando o profeta Yeshaiahu (Isaías) descreve a profecia da “Merkavá”, da “Carruagem Divina” do mundo de Briá, e o profeta Yehezkel (Ezequiel) descreve a Profecia da Merkavá do mundo de Yetzirá, eles descrevem os anjos como sendo criaturas com asas representando que absolutamente eles não precisam de escadas para subir e descer.

 

Quando os anjos são citados em qualquer escritura Judaica eles também aparecem e desaparecem “voando”, sem nenhuma necessidade de terem escadas para subir e descer de qualquer lugar, e o principal, sem precisarem de asas também sendo que eles “voam” de uma dimensão para outra.

 

Então uma coisa aqui é óbvia, a escada que Yaakov viu no seu sonho profético não era uma escada de verdade.

A palavra escada na Parashá veio somente para nos mostrar o raciocínio que está por trás desse assunto, e nesse caso, como em vários outros assuntos na Torá, somos obrigados a desmaterializar o conceito.

 

Como por exemplo no caso da criação do ser humano. Quando a Torá nos conta que D’us fez um homem de terra e “soprou” nele uma Alma, isso vai diretamente contra o segundo dos Dez Mandamentos onde está explícito que nenhum conceito material se aplica à D’us.

 

Nesse caso, diz o Zohar, a palavra soprou aparece somente para nos mostrar o raciocínio que está por trás desse assunto e facilitar o nosso entendimento.

 

Quem sopra, diz o Zohar, sopra o que tem dentro, e a palavra soprou aparece no lugar da palavra colocou, para nos mostrar que a nossa Alma Divina é uma parte de D’us.

 

Ou seja, a primeira raiz dela é a Sefirá chamada de Ho’hmá do mundo de Atzilut.

 

Quando a Torá nos conta que D’us “cheirou” o cheiro agradável dos sacrifícios de Noa’h, e jurou que nunca mais iria trazer um dilúvio para a humanidade, aqui também a intenção não é a de que D’us “cheirou”, sendo que nenhum conceito material se aplica à Ele.

 

Então por que a Torá usa a palavra “cheirou” se referindo à D’us, se ele está infinitamente acima de qualquer conceito material?

 

Novamente para facilitar o nosso entendimento, a Torá nos traz o raciocínio que está por trás desse assunto.

 

Ou seja, quando Noa’h transformou o animal que é a coisa mais grotesca do mundo, em Mitzvá, em Trabalho Divino, essa atitude chegou até o nível espiritual mais elevado.

 

Soprou é o contrário de cheirou. Quando a Torá nos conta que D’us soprou a Alma, ela está dizendo que a nossa Alma Divina desceu do nível espiritual mais elevado ao mundo mais baixo.

 

Quando a Torá nos conta que D’us “cheirou” o cheiro “agradável” dos korbanot (sacrifícios), ela está dizendo que o korban, o sacrifício que Noa’h fez, subiu do mundo mais baixo para o nível espiritual mais elevado.

 

Em resumo, D’us não soprou e D’us não cheirou, mas a Torá usa essas palavras para facilitar o nosso raciocínio.

 

Aqui na nossa Parashá, quando a Torá nos conta sobre uma escada, a intenção da Torá também é a de facilitar o nosso raciocínio.

 

Ou seja, os anjos não precisam de escada nem para subir e nem para descer. Então por que a Torá usa a palavra escada? Para facilitar o nosso entendimento.

 

Diz o Zohar que a escada nesse caso é a Sefirá chamada de Mal’hut.

 

Ela é comparada a uma escada que liga o nosso mundo ao mundo superior.

 

Quando nos comportamos da maneira correta, estudamos Torá e cumprimos os Mandamentos Divinos, a Mal’hut sobe e se une a Sefirá chamada de Yessod que está acima dela.

 

A Yessod recebe a fartura e a abundância das Sefirót que estão acima dela e repassa para a Mal’hut e a Mal’hut transforma a abundância espiritual em bens materiais.

 

Um exemplo para isso é uma mãe que após comer um jantar de Shabat completo, com vinho, pão, peixe e saladas, carne com batata, sucos e sobremesa, transforma tudo isso em leitinho para o nenê

 

Se ela desse todo esse jantar de Shabat para o nenê do jeito que foi oferecido para ela, o nenê simplesmente morreria de fome.

 

Não por causa da qualidade desses alimentos, mas por causa da incapacidade do nenê em relação a esse nível de alimentação

 

Então a mãe come toda essa comida, transforma ela em leitinho e depois dá de mamar para o nenê, e só assim ele consegue assimilar esse “jantar de Shabat” e crescer saudável.

 

Mas quando nosso comportamento decai, quando não encontramos mais tempo para estudar Torá e perdemos o interesse em cumprir os Mandamentos Divinos, enfraquecemos a Mal’hut lá em cima, e ela cai ao nível dos setenta anjos responsáveis pelos setenta povos que vem “mamar” da Mal’hut no nosso lugar.

 

Esses anjos pertencem ao lado impuro, e eles tem uma cota de vitalidade pré-determinada para repassar aos povos pelos quais eles são responsáveis.

 

Esses anjos estão na função de intermediários entre a fartura repassada pela Mal’hut e o povo que cada um deles representa.

 

Cada um deles serve como um “deus” para aquele povo que é representado por ele.

 

Quando a Mal’hut baixa de nível devido ao nosso comportamento ela desce ao nível deles.

 

Quando isso acontece eles acessam à ela, conseguem sugar a abundância Divina que estava guardada para nós e repassá-la para os povos aos quais eles são responsáveis.

 

E esses anjos, diz o Zohar, foram os anjos que Yaakov viu “subindo” por aquela escada. Primeiro subindo, sendo que o nível deles é baixo e eles só conseguiram subir devido a “queda” da Mal’hut.

 

Yaakov também viu que quando fazemos Teshuvá, voltamos para o bom caminho, encontramos tempo para estudar Torá e voltamos a cumprir os Mandamentos Divinos, a Mal’hut sobe novamente.

 

Então esses anjos que são chamados de “Sarim” (ministros), porque eles governam os povos do mundo, são obrigados a descer para não se desintegrarem com a subida do Mal’hut para o nível espiritual mais elevado.

 

E por isso Yaakov viu que os anjos que no começo estavam subindo naquela “escada”, depois estavam descendo.

 

Ele viu o ciclo dos “Sarim” e entendeu que D’us revelou tudo isso para ele porque agora que ele estava saindo da casa dos seus pais para dar origem ao nosso povo D’us mostrou para ele a responsabilidade que estava nas mãos dele e que posteriormente estaria nas nossas mãos.

 

As setenta faces da Torá

 

Encontramos outras explicações para essa passagem da Torá. Uma explicação não anula a outra, mas somente acrescenta mais detalhes à ela.

 

Rashi explica que nessa sincronização da Mal’hut também subiram os anjos que acompanhavam Yaakov da Terra Santa e desceram anjos de outra categoria para acompanhá-lo fora da Terra Santa.

 

Rabi Yeshaiau (Isaías) Horovitz (1565 – 1630) escreveu o livro chamado “Shnei Luhot a Brit” conhecido por suas iniciais “Shla”.

 

Em seu livro ele explica que os Anjos que estavam subindo para o céu eram os Anjos Refael e Gavriel, anjos do primeiro escalão, que levaram uma “suspensão” do tribunal Divino e ficaram na Terra desde a época do nosso primeiro patriarca Avraham até a “escada de Yaakov”.

 

Quando nosso patriarca Avraham fez o “Brit Milá”, a circuncisão, com 99 anos, os anjos Mihael, Refael e Gavriel vieram visitá-lo.

 

Saindo da tenda de Avraham, Mihael voltou para o céu, Gavriel foi destruir Sodoma e Gomorra, e Refael foi com ele para salvar Lot e sua família.

 

Chegando em Sodoma, Gavriel e Refael disseram aos seus habitantes que eles vieram destruir a cidade.

 

Eles achavam que dessa forma estavam fazendo a vontade Divina.

 

Ou seja, como pode ser que D’us que é a essência do bem mandou eles fazerem uma destruição dessas?

 

Mas na verdade eles estavam fazendo contra a vontade Divina, sendo que se eles dissessem que foi D’us quem mandou eles para destruírem a cidade, talvez aquelas pessoas tivessem feito Teshuvá, voltado para o bom caminho, como aconteceu posteriormente em Nínive na época do profeta Yona (Jonas).

 

Por terem feito contra a vontade Divina, esses Anjos receberam uma suspensão, foram obrigados a ficar nesse mundo, e só puderam voltar para o céu naquela revelação da Mal’hut que foi a “escada de Yaakov”.

 

Estamos falando sobre anjos do lado puro, anjos do lado bom. Não se trata do anjo da morte e suas ramificações ou outras categorias diferentes de anjos do lado impuro que não vão mais existir depois da Gueulá como os “setenta Sarim”, os anjos responsáveis pelos setenta povos.

 

Esses Anjos do “primeiro escalão” são anjos do lado bom. Eles são os Anjos do mais alto nível, Anjos do mundo de Briá onde o bem e o mal não se misturam, e, portanto, eles não tem o livre arbítrio.

 

Eles não têm nenhuma inclinação para fazer o mal. Eles não precisam optar entre fazer o bem fazer ou o mal, sendo que eles não têm o lado mal e nem a má inclinação conhecida como “yetzer a rá”.

 

Então como podem eles terem feito algo contra a vontade Divina?

 

Diz o Rebe, eles fizeram contra a vontade Divina achando que estavam fazendo a vontade Divina, fizeram um erro de avaliação.

 

Como pode ser que esses Anjos chamados de Serafim que são os Anjos principais, fazem um erro de avaliação?

 

Por que tudo o que D’us criou não é perfeito?

 

No término dos seis dias da criação a Torá nos conta que “D’us abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele cessou todo o trabalho que D’us criou para fazer”.

 

Se D’us terminou todo o trabalho da criação, por que aparece no final do versículo a palavra “para fazer”? Diz o Midrash que a intenção de “para fazer” é para fazer um conserto, para consertar.

 

O Midrash nos conta que tudo o que D’us criou não é perfeito e até mesmo os Anjos do “primeiro escalão” podem fazer contra a vontade Divina por meio de um erro de avaliação causado pela imperfeição de tudo o que foi criado por D’us.

 

E esse é o nosso trabalho aqui nesse mundo, isso D’us deixou para nós. Vivemos neste mundo para nos refinar.

 

Estamos aqui para trabalhar continuamente o nosso intelecto e os nossos sentimentos, e pouco a pouco chegar à essa perfeição que D’us deixou intencionalmente para nós.

 

D’us fez o mundo dessa forma para que tenhamos o mérito de participar da criação do mundo junto com Ele, o mérito de termos feito a parte final da criação, a parte principal!

 

 

 

Shabat Shalom
Rabino Gloiber
Sempre correndo mas sempre rezando por você

 

 

 

Quando um Tzadik sai da cidade isso é sentido por todos 🌻❤️🥰

 

Nossa Parashá nos conta que Yaakov Avinu saiu de Beer Sheva e foi para Haran.

 

Se ele estava em Beer Sheva, com certeza ele saiu de lá, então porque a Torá precisa nos contar que ele saiu de Beer Sheva?

 

Para nos ensinar que quando um Tzadik sai da cidade isso é sentido por todos, sendo que ele é o esplendor,ele é o brilho e a beleza da cidade!

 

As atitudes dos nossos patriarcas são um ensinamento para nós, cada um de nós também tem que ser essa pessoa tão especial que “faz a diferença” !

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

Toldot – conceitos importantes da Torá oculta

https://mailchi.mp/f96dc2710add/toldot?e=536cc1f43b

Toldot

 

Nossa Parashá nos conta que quando nosso segundo patriarca, Itzhak, tinha quarenta anos, ele se casou com Rifka, filha de Betuel de Padan Aram, irmã de Lavan o arameu.

 

Pergunta o Zohar, por que a Parashá nos conta que Rifka era filha de Betuel, e por que a Parashá nos conta que ela era da cidade de Padan Aram, e também que era irmã de Lavan o arameu?

 

A Torá já tinha nos contado que quando Itzhak tinha 37 anos, depois que ele passou pelo teste de Avraham quase ter feito dele um sacrifício humano, Betuel teve a filha Rifka.

 

Então por que a nossa Parashá repete que ela era filha de Betuel, e ainda acrescenta o nome da cidade onde ela nasceu e também o nome do seu irmão?

 

Responde o Zohar que a Torá nos conta esses detalhes para nos mostrar a grandeza de Rifka

 

Mesmo sendo ela filha de uma pessoa ruim, morando em uma cidade de pessoas ruins e sendo irmã de uma pessoa ruim, mesmo assim ela não se deixou influenciar pelo seu meio ambiente.

Ela é comparada à uma rosa no meio dos espinhos, que mesmo tendo nascido e vivido no meio dos espinhos não se tornou um espinho, mas muito pelo contrário, cresceu uma flor, o contrário dos espinhos.

 

Porque a Torá precisa nos atestar a grandeza de Rifka?

 

Porque naquela época ela tinha três anos de idade e poderíamos pensar que ela não era madura o suficiente para optar em ser uma pessoa boa mesmo não tendo aprendido isso com ninguém.

 

Por isso a própria Torá tem que nos testemunhar que a escolha dela era verdadeira.

 

Quando Eliezer, o servo de Avraham, chegou ao poço de Aram com dez camelos,  já era no final da tarde, quando os pastores já tinham deixado o poço e recolhido seus rebanhos.

 

Naquele horário chegavam as jovens que vinham encher seus jarros de água para abastecer suas casas.

 

Eliézer pediu para Rifka um pouco de água e ela tirou daquele poço água para Eliezer e também para todos seus dez camelos.

 

Tanto pelo horário que essas jovens chegavam ao poço, quanto pela quantidade de água que ela carregava, entendemos que elas eram grandes e fortes, e sendo que esse poço abastecia a cidade inteira incluindo seus rebanhos, entendemos que esse poço era gigantesco.

 

Rifka tinha somente três anos de idade e já era grande e forte, e daqui vemos que não temos como aplicar conceitos de força e tamanho de uma criança de três anos de hoje às crianças de 3.700 anos atrás.

 

Não só que as pessoas cresciam rapidamente, mas também os animais. Mas mesmo sendo uma menina de três anos de idade com um corpo de adolescente, mesmo assim a maturidade não se desenvolvia tão rapidamente como o tamanho das pessoas.

 

Por isso a Torá tem que testemunhar sobre Rifka que ela era exceção de regra, e sua opção em fazer o bem e de não fazer o mal era totalmente madura e consciente.

Adoçando a Guevurá

 

O Zohar nos conta que nosso patriarca Itzhak era a revelação da Sefirá chamada de Guevurá do mundo de Atzilut nesse nosso mundo material.

 

A Guevurá é a essência da rigidez, e essa era a essência de Itzhak. Mas mesmo sendo essa Guevurá, a Guevurá do lado puro, ela não deixa de ser guevurá.

 

Rifka, diz o Zohar, também era guevurá, mas ela já era uma guevurá bem mais leve.

 

Na linguagem do Zohar, uma guevurá com um fio de, Hessed, um fio de bondade.

 

O Zohar nos conta que por causa disso Rifka conseguiu “adocicar” a guevurá de Itzhak conseguindo fazer com que a guevurá dele ficasse bem mais leve.

 

O Zohar explica que D’us tem que fazer um milagre nível abertura do mar vermelho para que uma mulher e um homem se casem.

 

E sendo que o objetivo Divino do casamento é que os dois se refinem, sempre vai haver essa diferença entre o marido e a mulher.

 

No caso de Avraham, ele era a revelação da Sefirá chamada de Hessed (bondade) de Atzilut nesse nosso mundo material.

 

Sarah estava ligada a Sefirá chamada de Guevurá (rigidez).

 

Nosso terceiro patriarca, Yaakov, era a Tiferet que é mais Hessed do que Hessed, e Leah era Guevurá.

 

E esse é o trabalho que Hashem coloca nas nossas mãos. Marido e mulher vão lapidando um ao outro durante toda a vida, mas com jeitinho para não causar atrito.

 

E assim, diz o Zohar, refinamos a nós próprios e consequentemente o mundo fica mais refinado.

 

Por que Itzhak queria dar a Brahá para Essav?

O Zohar nos conta que Itzhak era a Guevura do lado puro e Essav era  Guevura do lado impuro. Essav era o resquício da Guevura de Itzhak.

 

Diz o Zohar que cada pessoa se atrai por alguém que tem as mesmas características, independentemente da procedência dessas características.

 

Por isso Avraham gostava tanto de Ishmael por que ele também era hessed, mesmo sendo Ishmael a hessed do lado impuro.

 

Da mesma forma que existem dez Sefirot no lado puro, paralelamente a elas existem dez Sefirót no lado impuro.

 

A origem desse lado impuro é a quebra dos receptáculos do mundo de Tou, e por isso os quatro mundos que vem abaixo do mundo de Tou são chamados de Olam a Tikun, os mundos do conserto.

 

Esse conserto é o refinamento do lado bom separando dele o lado ruim. Esse é o motivo de ter saído de Avraham que era a Hessed do lado bom, Ishmael que era a hessed do lado ruim. E por esse mesmo motivo, de Itzhak que era a Guevurá do lado bom, saiu Essav que era a guevurá do lado ruim.

 

Sendo que as dez Sefirót do lado ruim que repassam a vitalidade de tudo o que é ruim tem origem na quebra dos receptáculos do mundo de Tou, elas desaparecerão no futuro quando finalizarmos o conserto do mundo do Tou.

 

Então tudo o que é ruim desaparecerá junto com elas, sendo que o lado impuro não vai ter de onde receber sua vitalidade.

A época do Mashia’h é dividida em duas etapas.

Toldot

Nossa Parashá nos conta que quando nosso segundo patriarca, Itzhak, tinha quarenta anos, ele se casou com Rifka, filha de Betuel de Padan Aram, irmã de Lavan o arameu.

Pergunta o Zohar, por que a Parashá nos conta que Rifka era filha de Betuel, e por que a Parashá nos conta que ela era da cidade de Padan Aram, e também que era irmã de Lavan o arameu?

A Torá já tinha nos contado que quando Itzhak tinha 37 anos, depois que ele passou pelo teste de Avraham quase ter feito dele um sacrifício humano, Betuel teve a filha Rifka.

Então por que a nossa Parashá repete que ela era filha de Betuel, e ainda acrescenta o nome da cidade onde ela nasceu e também o nome do seu irmão?

Responde o Zohar que a Torá nos conta esses detalhes para nos mostrar a grandeza de Rifka.

Mesmo sendo ela filha de uma pessoa ruim, morando em uma cidade de pessoas ruins e sendo irmã de uma pessoa ruim, mesmo assim ela não se deixou influenciar pelo seu meio ambiente.

Ela é comparada à uma rosa no meio dos espinhos, que mesmo tendo nascido e vivido no meio dos espinhos não se tornou um espinho, mas muito pelo contrário, cresceu uma flor, o contrário dos espinhos.

Porque a Torá precisa nos atestar a grandeza de Rifka?

Porque naquela época ela tinha três anos de idade e poderíamos pensar que ela não era madura o suficiente para optar em ser uma pessoa boa mesmo não tendo aprendido isso com ninguém.

Por isso a própria Torá tem que nos testemunhar que a escolha dela era verdadeira.

Quando Eliezer, o servo de Avraham, chegou ao poço de Aram com dez camelos,  já era no final da tarde, quando os pastores já tinham deixado o poço e recolhido seus rebanhos.

Naquele horário chegavam as jovens que vinham encher seus jarros de água para abastecer suas casas.

Eliézer pediu para Rifka um pouco de água e ela tirou daquele poço água para Eliezer e também para todos seus dez camelos.

Tanto pelo horário que essas jovens chegavam ao poço, quanto pela quantidade de água que ela carregava, entendemos que elas eram grandes e fortes, e sendo que esse poço abastecia a cidade inteira incluindo seus rebanhos, entendemos que esse poço era gigantesco.

Rifka tinha somente três anos de idade e já era grande e forte, e daqui vemos que não temos como aplicar conceitos de força e tamanho de uma criança de três anos de hoje às crianças de 3.700 anos atrás.

Não só que as pessoas cresciam rapidamente, mas também os animais. Mas mesmo sendo uma menina de três anos de idade com um corpo de adolescente, mesmo assim a maturidade não se desenvolvia tão rapidamente como o tamanho das pessoas.

Por isso a Torá tem que testemunhar sobre Rifka que ela era exceção de regra, e sua opção em fazer o bem e de não fazer o mal era totalmente madura e consciente.

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Adoçando a Guevurá

O Zohar nos conta que nosso patriarca Itzhak era a revelação da Sefirá chamada de Guevurá do mundo de Atzilut nesse nosso mundo material.

A Guevurá é a essência da rigidez, e essa era a essência de Itzhak. Mas mesmo sendo essa Guevurá, a Guevurá do lado puro, ela não deixa de ser guevurá.

Rifka, diz o Zohar, também era guevurá, mas ela já era uma guevurá bem mais leve.

Na linguagem do Zohar, uma guevurá com um fio de, Hessed, um fio de bondade.

O Zohar nos conta que por causa disso Rifka conseguiu “adocicar” a guevurá de Itzhak conseguindo fazer com que a guevurá dele ficasse bem mais leve.

O Zohar explica que D’us tem que fazer um milagre nível abertura do mar vermelho para que uma mulher e um homem se casem.

E sendo que o objetivo Divino do casamento é que os dois se refinem, sempre vai haver essa diferença entre o marido e a mulher.

No caso de Avraham, ele era a revelação da Sefirá chamada de Hessed (bondade) de Atzilut nesse nosso mundo material.

Sarah estava ligada a Sefirá chamada de Guevurá (rigidez).

Nosso terceiro patriarca, Yaakov, era a Tiferet que é mais Hessed do que Hessed, e Leah era Guevurá.

E esse é o trabalho que Hashem coloca nas nossas mãos. Marido e mulher vão lapidando um ao outro durante toda a vida, mas com jeitinho para não causar atrito.

E assim, diz o Zohar, refinamos a nós próprios e consequentemente o mundo fica mais refinado.
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Por que Itzhak queria dar a Brahá para Essav?

O Zohar nos conta que Itzhak era a Guevura do lado puro e Essav era  Guevura do lado impuro. Essav era o resquício da Guevura de Itzhak.

Diz o Zohar que cada pessoa se atrai por alguém que tem as mesmas características, independentemente da procedência dessas características.

Por isso Avraham gostava tanto de Ishmael por que ele também era hessed, mesmo sendo Ishmael a hessed do lado impuro.

Da mesma forma que existem dez Sefirot no lado puro, paralelamente a elas existem dez Sefirót no lado impuro.

A origem desse lado impuro é a quebra dos receptáculos do mundo de Tou, e por isso os quatro mundos que vem abaixo do mundo de Tou são chamados de Olam a Tikun, os mundos do conserto.

Esse conserto é o refinamento do lado bom separando dele o lado ruim. Esse é o motivo de ter saído de Avraham que era a Hessed do lado bom, Ishmael que era a hessed do lado ruim. E por esse mesmo motivo, de Itzhak que era a Guevurá do lado bom, saiu Essav que era a guevurá do lado ruim.

Sendo que as dez Sefirót do lado ruim que repassam a vitalidade de tudo o que é ruim tem origem na quebra dos receptáculos do mundo de Tou, elas desaparecerão no futuro quando finalizarmos o conserto do mundo do Tou.

Então tudo o que é ruim desaparecerá junto com elas, sendo que o lado impuro não vai ter de onde receber sua vitalidade.

A época do Mashia’h é dividida em duas etapas. Na segunda etapa acontece a profecia de Zeharia capítulo 13 versículo 2 que diz: “e o espírito da impureza vou tirar da terra”.
🌻🌻🌻🌻

Anjos do lado puro e anjos do lado impuro

Antes de D’us nos criar, ele criou os Anjos. Sendo que os quatro mundos espirituais e nosso mundo material foram criados a partir da destruição do mundo do Tou que deu origem ao mal, o conserto dos mundos aconteceria quando o primeiro homem, que era o objetivo da criação, se recusasse a fazer o mal.

Para que isso pudesse acontecer, Dus criou o anjo do mal para seduzir Adam e Havá e eles terem a oportunidade de se recusar a fazer o mal, e por meio dessa ação os mundos estariam consertados.

O anjo da morte, que é o extremo do lado impuro da Guevura, “baixou” na cobra, que é a criatura mais próxima a ele, ou seja, a mais traiçoeira das criaturas, e a cobra começou a falar.

A origem do aspecto feminino da Alma é a Sefirá chamada de Biná, que também é Sefirá do lado esquerdo como a Guevurá.

A Biná está acima da Guevurá e está sincronizada com ela, por isso o anjo da morte que é o lado impuro da Guevurá, baixou na cobra que é um animal impuro ligado à Guevurá e foi falar com a mulher sendo que o lado feminino da Alma tem origem na Biná que dá origem à Guevurá.

Havá convenceu Adam a fazer aquela primeira transgressão. Adam, Havá, e consequentemente o mundo inteiro, caíram na klipat noga que é o nível de impureza onde o bem e o mal estão misturados.

Quando Adam e Havá caíram, o anjo da morte ficou mais forte. Ele roubou as bênçãos de Adam e Havá por meio de trapaça, e o único jeito de tirar essas bençãos dele e nos trazer elas de volta seria por meio de trapaça também.

Espiritualmente falando, a humanidade se divide em setenta povos raízes, cada um falando uma língua diferente que são a origem de todas as línguas do mundo.

Todos os povos do mundo de hoje com todos os seus idiomas, são ramificações desses setenta povos originais e de seus setenta idiomas.

Cada povo tem um anjo responsável por ele que repassa a “cota” de vitalidade que esse povo vai receber lá de cima, e isso se transforma nos bens materiais desse povo aqui em baixo.

Quanto maior e mais importante se torna um povo aqui em baixo, mais importante se torna o anjo responsável por esse povo lá em cima.

Por isso, quando um desses setenta anjos reivindica para o seu povo aqui embaixo uma parte maior de terra e de bens, ele começa uma “briga” entre os anjos adversários à ele lá em cima, e consequentemente acontece uma guerra entre os povos que eles representam aqui em baixo.

No livro do profeta Daniel vemos várias indicações citando indiretamente os anjos responsáveis pela Pérsia e pela Grécia, e o Anjo Mihael que nessa divisão de povos lá em cima representa o nosso povo.

O Anjo Mihael é um dos Serafim que são os Anjos do mundo de Briá, Anjos do lado puro.

Os setenta anjos dos setenta povos são anjos do lado impuro, e o extremo de baixo desses povos é o povo de Essav que mais futuramente se divide em tribos, dando origem aos romanos e aos outros povos europeus.

Sendo que os Bnei Essav, os filhos de Essav, são o extremo de baixo de todos os povos, o anjo responsável por eles é o anjo do extremo de baixo, o S.M. (não falamos o nome para não atrair a coisa ruim) que é o anjo da morte, aquele que por meio de trapaça roubou as bençãos de Adam e Havá e as reivindicou para os Bnei Essav que são os povos da sua responsabilidade.

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Recuperando por meio de trapaça as bênçãos que tinham sido roubadas por meio de trapaça

Na nossa Parashá, Essav diz ao seu pai: -Será que por isso Yaakov “foi chamado” de Yaakov? (uma linguagem de “Ekev” que quer dizer calcanhar) já “me passou a perna” duas vezes. Pegou minha primogenitura e agora pegou a minha Brahá (benção).

O Zohar nos conta que realmente Yaakov nasceu para fazer isso.

Nossos três patriarcas eram a reencarnação dos três níveis da Alma de Adam a Rishon, do primeiro homem, o Adão que foi criado no Paraíso.

Avraham era a reencarnação do nível Nefesh de Adam a Rishon, Itzhak era a reencarnação do nível Rua’h e Yaakov do nível Neshamá, o nível mais elevado.

A cobra disse para Havá que Adam a Rishon se tornaria um deus depois de comer aquela fruta, e também disse que por isso D’us pediu para ele não comer aquela fruta, sendo que ninguém gosta de concorrência.

Ao comer a fruta da Etz Hadaat com aquela intenção, Adam a Rishon cometeu a transgressão de idolatria que afetou o nível mais baixo da sua Alma, o nível Nefesh.

Avraham era a reencarnação do nível Nefesh do Adam a Rishon, por meio de Avraham ter deixado as idolatrias e ensinado à todos o que é D’us, ele retificou o nível Nefesh da Alma do Adam a Rishon que tinha sido afetado pela idolatria que Adam fez por causa do conselho da cobra.

D’us tinha avisado Adam a Rishon que se ele comesse aquela fruta, ele iria trazer a morte para o mundo.

Adam causou com que ele próprio e o mundo inteiro morressem por causa dessa transgressão, e isso afetou o nível Rua’h da Alma dele.

Itzhak era a reencarnação do nível Rua’h de Adam a Rishon e o retificou por meio de ter se controlado no teste da “Aquedá”, quando Avraham quase fez dele um sacrifício e ele não reagiu.

Sendo que os dois níveis da Alma de Adam a Rishon que tinham sido danificados pelos “conselhos” da cobra já tinham sido retificados e Yaakov já era a retificação do nível Neshamá de Adam a Rishon, o nível mais elevado da Alma que se reveste nesse mundo, (existem mais dois níveis, mas eles não se revestem nesse mundo) chegou a hora de pegar as bênçãos de volta.

Mas sendo que elas tinham sido roubadas por meio de trapaça, elas só poderiam ser recuperadas dessa mesma forma.

Foi para isso que nasceu Yaakov, como disse o próprio Essav, para passar a perna nele. Mas será que essa era a intenção daquele Tzadik, daquela pessoa tão elevada que era Yaakov?

Nossa Parashá nos conta que Yaakov era um homem ingênuo. Rashi explica que a palavra “Tam”, usada pela nossa Parashá para definir a personalidade de Yaakov, significa alguém que não sabe enganar.

Então como Yaakov conseguiu recuperar as bençãos de Adam a Rishon por meio de trapaça se ele não sabia e também não era capaz de fazer isso?

A Parashá nos conta que no dia do falecimento do nosso primeiro patriarca, Avraham, Yaakov estava cozinhando lentilhas para seu pai que estava enlutado.

Aquele costume de o enlutado comer lentilhas era pelo fato de as lentilhas serem redondas, representando assim o ciclo da vida.

Essav chegou do campo “cansado”. Dizem nossos Sábios que naquele dia Essav tinha cometido adultério, assassinato e idolatria, e esse era o motivo do cansaço.

D’us tinha prometido para Avraham que ele iria falecer com tranquilidade. Por isso, Avraham faleceu cinco anos antes do tempo que teria que falecer, para não ver que Essav tinha cometido essas atrocidades e ficar atordoado por causa disso até o final da vida.

Daqui vemos que o que Essav tinha cometido aquele dia não tinha como esconder de ninguém, a ponto de Avraham ter que falecer antes da hora para não ficar sabendo disso.

Nessa situação Essav pede para Yaakov dar aquela comida “vermelha” para ele que acabou de derramar sangue.

A tradição judaica desde Avraham até o caso do bezerro de ouro, era de o primogênito ser o responsável por todos os assuntos religiosos da família. Qualquer pessoa, por mais ingênua que fosse, estava vendo que Essav não tinha condições de ser o “Rabino” da família.

No momento em que Essav pediu para Yaakov a comida que estava sendo feita para seu pai, Yaakov entendeu que está recebendo lá de cima uma oportunidade única de se tornar o responsável pelos assuntos religiosos da família no lugar desse criminoso, e assim Yaakov comprou a primogenitura de Essav.

Ou seja, Yaakov não teve a mínima intenção em enganar Essav. A única intenção de Yaakov era a de não deixar aquele criminoso se tornar o líder religioso da sua geração como foram Avraham e Itzhak antes dele.

Vendo a Divina providência que trouxe Essav morrendo de fome até ele, Yaakov viu que chegou a hora de assumir essa responsabilidade e se tornar o líder religioso da sua geração no lugar desse criminoso.

Yaakov não sabia que nesse momento e por meio dele, as bênçãos roubadas pela cobra por meio de trapaça começaram a ser recuperadas.

Muito pelo contrário, Yaakov sentiu que estava exercendo o mínimo de responsabilidade em relação aos assuntos religiosos da família e nunca imaginou que Hashem estava fazendo com que esse resgate espiritual de extrema importância estivesse acontecendo em tempo real por meio dele.
🌻🌻🌻🌻

A Brahá

A Parashá nos conta que quando Itzhak sentiu que sua vida já havia entrado na etapa final, pediu para Essav preparar comida para ele, e disse para Essav que nessa ocasião ele repassaria para ele as bênçãos Divinas.

A partir daquele momento Essav se tornaria literalmente o “dono do mundo”, se tornaria nosso terceiro patriarca.

Rifka entrou em pânico pelas consequências que isso acarretaria ao mundo inteiro.

Imediatamente, mas de maneira sigilosa, ela pediu para Yaakov fazer o abate de dois bodes, preparar a comida que seu pai tinha pedido para Essav, e amarrar nos seus braços a pele recém extraída dos bodes para seu pai pensar que ele é Essav.

Novamente Yaakov estava sendo induzido a fazer uma coisa contra seus  princípios.

Novamente a “cobra” seria enganada por aquele que tinha nascido ingênuo e não sabia enganar.

Novamente D’us iria fazer isso acontecer por meio dele.

D’us tinha revelado ao nosso primeiro patriarca, Avraham, toda a Torá antes de ela ter sido entregue para nós no Monte Sinai, incluindo obviamente as leis de abate “kasher”.

Yaakov obedeceu sua mãe, fez o abate dos dois bodinhos, extraiu a pele deles, e Rifka amarrou essas peles de bode nos braços e no pescoço de Yaakov.

Quando Yaakov trouxe a comida para seu pai, Itzhak, que já não estava enxergando, entendeu pela delicadeza das palavras do seu filho que era Yaakov quem estava na sua frente, e não Essav.

Itzhak pediu para Yaakov se aproximar e apalpou seus braços para verificar se ele era Essav de verdade.

Depois disso, Itzhak cheirou as roupas de Yaakov e disse:- O cheiro do meu filho está como o cheiro do campo que D’us abençoou, se referindo ao Paraíso do mundo superior.

Yaakov estava vestindo peles de bode recém extraídas, e o cheiro dessas peles com certeza está longe de ser chamado de “cheiro do paraíso”. Então, como pôde Itzhak dizer que o cheiro do seu filho está como o cheiro do campo que D’us abençoou, como o cheiro do Paraíso Superior?

Diz o Zohar que absolutamente não se tratava do cheiro das roupas de Yaakov, sendo que o próprio versículo diz: “o cheiro do meu filho”, mas essa afirmação aparece após o versículo dizer que ele cheirou as roupas de Yaakov.

O sopro e o cheiro nos exemplos da Torá

Está escrito que quando D’us criou o homem, fez uma criatura de terra e “soprou” nas suas narinas uma Alma de vida.

O Zohar nos conta que D’us não soprou, como vemos no segundo dos Dez Mandamentos que D’us está acima de todos os conceitos materiais.

Então por que a Torá usa a palavra soprou? Para nos mostrar que nossa Alma Divina é uma parte de D’us, como diz o Zohar, quem sopra, sopra o que tem no seu interior.

Nesse caso a palavra “soprou” vem nos indicar que a fonte da nossa Alma Divina é o mundo de Atzilut, por que acima de Atzilut já somos o “brilho do Sol dentro do próprio Sol”, já não somos uma “parte” de D’us. Acima de Atzilut já não temos nossa própria identidade.

Depois do dilúvio, quando Noa’h fez os sacrifícios, está escrito que “D’us cheirou o cheiro agradável…”. Novamente vamos para o Segundo  Mandamento e vemos que nenhum conceito material se aplica à D’us. Ou seja, D’us não cheirou! Novamente a Torá está nos dando um exemplo para nos indicar o raciocínio do assunto.

O animal é o extremo da grosseria deste mundo. Quando Noa’h transformou o animal em “trabalho Divino”, esse ato chegou ao mais alto nível espiritual.

Conclusão:

“Soprou”, como vimos no caso da Alma Divina, representa o mais alto nível descendo e se revestindo nesse mundo.

“Cheirou” que é o contrário de “soprou” representa o mais baixo nível subindo até o mais alto nível.

Itzhak “cheirou” as “roupas” de Yaakov e falou sobre o “cheiro” do seu filho e não sobre o cheiro das suas roupas.

Diz o Zohar que, sendo que Itzhak não tinha dados para determinar quem estava na sua frente porque estava quase cego e “a voz era a voz de Yaakov e os braços eram os braços de Essav”, Itzhak teve que “cheirar”.

Diz o Zohar que nesse caso, “cheirar” é olhar a partir do mundo de cima.

O versículo diz que Itzhak cheirou as roupas e sentiu o cheiro do filho. Explica o Zohar que cada ação no mundo de baixo causa uma sincronização no mundo de cima.

Quando fazemos algo, nossa Alma Divina recebe uma vestimenta. Se o que fizemos é uma boa ação, nossa Alma recebe uma vestimenta no paraíso, e por meio dessa vestimenta vamos usufruir de todos os prazeres do mundo superior.

Ou seja, nós somos a nossa Alma. Para usufruirmos desse mundo material precisamos de um corpo material que é a nossa vestimenta nesse mundo.

Para usufruirmos dos prazeres do paraíso superior precisamos de um corpo espiritual que é a nossa vestimenta naquele mundo.

 

Cada ação causa uma sincronização

Quando fazemos algo que é considerado uma boa ação pela Torá, recebemos uma vestimenta para a nossa Alma no Paraíso.

Quando fazemos algo ruim, recebemos uma vestimenta para a nossa Alma no gehinom que é o “inferno” judaico que já não vai mais existir no mundo da ressurreição.

Sendo que Itzhak não tinha como verificar neste mundo material quem era a pessoa que estava na sua frente, ele “cheirou as suas roupas” cheirou as roupas de Yaakov.

Ou seja, ele teve um acesso rápido ao mundo de cima e viu que as vestimentas da Alma de Yaakov estavam no nível do campo que D’us abençoou, no nível do Paraíso espiritual.

Consequentemente, a pessoa que estava na sua frente era digno de receber as Bra’hót, as bençãos Divinas.

E assim, sem saber, Itzhak repassou todas as bênçãos roubadas pela cobra para o seu verdadeiro dono, para quem merecia recebê-las.

Depois que Yaakov saiu Essav chegou. Está escrito que Itzhak ficou apavorado.

Novamente, sendo que Itzhak achava que Essav já esteve ali antes e já tinha recebido as bênçãos, Itzhak teve que olhar para as vestimentas espirituais da pessoa que estava na sua frente para ver quem ele era.

Nesse momento, diz o Zohar, Itzhak viu o gehinom, o inferno, aberto embaixo de Essav, e por isso entrou em pânico.

Esse inferno é o local espiritual da retificação da alma, e só vai existir enquanto o lado impuro existe, ou seja, até a época do Mashia’h

O fato de Essav já estar ligado à ele fez com que Itzhak entrasse em um grande pânico

Bra’hót na prática

Yaakov não usou as bençãos que recebeu e as guardou para a época do “parto” da nossa redenção final.

Yaakov entendeu que sem essas Bra’hót não teríamos como sobreviver a saída do último exílio que são os nossos exílios atuais, os exílios de Edom e Ishmael.

O Zohar nos conta sobre o que diz o profeta Yeshaiahu (Isaías capítulo 11 versículo 3) que  Mashia’h vai fazer os julgamentos pelo “cheiro” e não por meio de testemunhas.

Agora entendemos como isso funciona. Sendo que um dos trabalhos do Mashia’h é o de trazer de volta as dez tribos perdidas que hoje de acordo com o que se ouve ou o que se vê não teríamos como determinar quem é quem, o único jeito para isso é fazer como fez Itzhak e ver essa pessoa a partir do mundo de cima.

Então vamos rezar forte para que a Gueulá, nossa redenção final, aconteça imediatamente e o nosso mundo se torne realmente um mundo melhor 🌻
 

Shabat Shalom 🥰

Rabino Gloiber
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www.RabinoGloiber.org

Na segunda etapa acontece a profecia de Zeharia capítulo 13 versículo 2 que diz: “e o espírito da impureza vou tirar da terra”.
🌻🌻🌻🌻

Anjos do lado puro e anjos do lado impuro

Antes de D’us nos criar, ele criou os Anjos. Sendo que os quatro mundos espirituais e nosso mundo material foram criados a partir da destruição do mundo do Tou que deu origem ao mal, o conserto dos mundos aconteceria quando o primeiro homem, que era o objetivo da criação, se recusasse a fazer o mal.

Para que isso pudesse acontecer, Dus criou o anjo do mal para seduzir Adam e Havá e eles terem a oportunidade de se recusar a fazer o mal, e por meio dessa ação os mundos estariam consertados.

O anjo da morte, que é o extremo do lado impuro da Guevura, “baixou” na cobra, que é a criatura mais próxima a ele, ou seja, a mais traiçoeira das criaturas, e a cobra começou a falar.

A origem do aspecto feminino da Alma é a Sefirá chamada de Biná, que também é Sefirá do lado esquerdo como a Guevurá.

A Biná está acima da Guevurá e está sincronizada com ela, por isso o anjo da morte que é o lado impuro da Guevurá, baixou na cobra que é um animal impuro ligado à Guevurá e foi falar com a mulher sendo que o lado feminino da Alma tem origem na Biná que dá origem à Guevurá.

Havá convenceu Adam a fazer aquela primeira transgressão. Adam, Havá, e consequentemente o mundo inteiro, caíram na klipat noga que é o nível de impureza onde o bem e o mal estão misturados.

Quando Adam e Havá caíram, o anjo da morte ficou mais forte. Ele roubou as bênçãos de Adam e Havá por meio de trapaça, e o único jeito de tirar essas bençãos dele e nos trazer elas de volta seria por meio de trapaça também.

Espiritualmente falando, a humanidade se divide em setenta povos raízes, cada um falando uma língua diferente que são a origem de todas as línguas do mundo.

Todos os povos do mundo de hoje com todos os seus idiomas, são ramificações desses setenta povos originais e de seus setenta idiomas.

Cada povo tem um anjo responsável por ele que repassa a “cota” de vitalidade que esse povo vai receber lá de cima, e isso se transforma nos bens materiais desse povo aqui em baixo.

Quanto maior e mais importante se torna um povo aqui em baixo, mais importante se torna o anjo responsável por esse povo lá em cima.

Por isso, quando um desses setenta anjos reivindica para o seu povo aqui embaixo uma parte maior de terra e de bens, ele começa uma “briga” entre os anjos adversários à ele lá em cima, e consequentemente acontece uma guerra entre os povos que eles representam aqui em baixo.

No livro do profeta Daniel vemos várias indicações citando indiretamente os anjos responsáveis pela Pérsia e pela Grécia, e o Anjo Mihael que nessa divisão de povos lá em cima representa o nosso povo.

O Anjo Mihael é um dos Serafim que são os Anjos do mundo de Briá, Anjos do lado puro.

Os setenta anjos dos setenta povos são anjos do lado impuro, e o extremo de baixo desses povos é o povo de Essav que mais futuramente se divide em tribos, dando origem aos romanos e aos outros povos europeus.

Sendo que os Bnei Essav, os filhos de Essav, são o extremo de baixo de todos os povos, o anjo responsável por eles é o anjo do extremo de baixo, o S.M. (não falamos o nome para não atrair a coisa ruim) que é o anjo da morte, aquele que por meio de trapaça roubou as bençãos de Adam e Havá e as reivindicou para os Bnei Essav que são os povos da sua responsabilidade.

Recuperando por meio de trapaça as bênçãos que tinham sido roubadas por meio de trapaça

Na nossa Parashá, Essav diz ao seu pai: -Será que por isso Yaakov “foi chamado” de Yaakov? (uma linguagem de “Ekev” que quer dizer calcanhar) já “me passou a perna” duas vezes. Pegou minha primogenitura e agora pegou a minha Brahá (benção).

O Zohar nos conta que realmente Yaakov nasceu para fazer isso.

Nossos três patriarcas eram a reencarnação dos três níveis da Alma de Adam a Rishon, do primeiro homem, o Adão que foi criado no Paraíso.

Avraham era a reencarnação do nível Nefesh de Adam a Rishon, Itzhak era a reencarnação do nível Rua’h e Yaakov do nível Neshamá, o nível mais elevado.

A cobra disse para Havá que Adam a Rishon se tornaria um deus depois de comer aquela fruta, e também disse que por isso D’us pediu para ele não comer aquela fruta, sendo que ninguém gosta de concorrência.

Ao comer a fruta da Etz Hadaat com aquela intenção, Adam a Rishon cometeu a transgressão de idolatria que afetou o nível mais baixo da sua Alma, o nível Nefesh.

Avraham era a reencarnação do nível Nefesh do Adam a Rishon, por meio de Avraham ter deixado as idolatrias e ensinado à todos o que é D’us, ele retificou o nível Nefesh da Alma do Adam a Rishon que tinha sido afetado pela idolatria que Adam fez por causa do conselho da cobra.

D’us tinha avisado Adam a Rishon que se ele comesse aquela fruta, ele iria trazer a morte para o mundo.

Adam causou com que ele próprio e o mundo inteiro morressem por causa dessa transgressão, e isso afetou o nível Rua’h da Alma dele.

Itzhak era a reencarnação do nível Rua’h de Adam a Rishon e o retificou por meio de ter se controlado no teste da “Aquedá”, quando Avraham quase fez dele um sacrifício e ele não reagiu.

Sendo que os dois níveis da Alma de Adam a Rishon que tinham sido danificados pelos “conselhos” da cobra já tinham sido retificados e Yaakov já era a retificação do nível Neshamá de Adam a Rishon, o nível mais elevado da Alma que se reveste nesse mundo, (existem mais dois níveis, mas eles não se revestem nesse mundo) chegou a hora de pegar as bênçãos de volta.

Mas sendo que elas tinham sido roubadas por meio de trapaça, elas só poderiam ser recuperadas dessa mesma forma.

Foi para isso que nasceu Yaakov, como disse o próprio Essav, para passar a perna nele. Mas será que essa era a intenção daquele Tzadik, daquela pessoa tão elevada que era Yaakov?

Nossa Parashá nos conta que Yaakov era um homem ingênuo. Rashi explica que a palavra “Tam”, usada pela nossa Parashá para definir a personalidade de Yaakov, significa alguém que não sabe enganar.

Então como Yaakov conseguiu recuperar as bençãos de Adam a Rishon por meio de trapaça se ele não sabia e também não era capaz de fazer isso?

A Parashá nos conta que no dia do falecimento do nosso primeiro patriarca, Avraham, Yaakov estava cozinhando lentilhas para seu pai que estava enlutado.

Aquele costume de o enlutado comer lentilhas era pelo fato de as lentilhas serem redondas, representando assim o ciclo da vida.

Essav chegou do campo “cansado”. Dizem nossos Sábios que naquele dia Essav tinha cometido adultério, assassinato e idolatria, e esse era o motivo do cansaço.

D’us tinha prometido para Avraham que ele iria falecer com tranquilidade. Por isso, Avraham faleceu cinco anos antes do tempo que teria que falecer, para não ver que Essav tinha cometido essas atrocidades e ficar atordoado por causa disso até o final da vida.

Daqui vemos que o que Essav tinha cometido aquele dia não tinha como esconder de ninguém, a ponto de Avraham ter que falecer antes da hora para não ficar sabendo disso.

 

Nessa situação Essav pede para Yaakov dar aquela comida “vermelha” para ele que acabou de derramar sangue.

A tradição judaica desde Avraham até o caso do bezerro de ouro, era de o primogênito ser o responsável por todos os assuntos religiosos da família. Qualquer pessoa, por mais ingênua que fosse, estava vendo que Essav não tinha condições de ser o “Rabino” da família.

No momento em que Essav pediu para Yaakov a comida que estava sendo feita para seu pai, Yaakov entendeu que está recebendo lá de cima uma oportunidade única de se tornar o responsável pelos assuntos religiosos da família no lugar desse criminoso, e assim Yaakov comprou a primogenitura de Essav.

Ou seja, Yaakov não teve a mínima intenção em enganar Essav. A única intenção de Yaakov era a de não deixar aquele criminoso se tornar o líder religioso da sua geração como foram Avraham e Itzhak antes dele.

Vendo a Divina providência que trouxe Essav morrendo de fome até ele, Yaakov viu que chegou a hora de assumir essa responsabilidade e se tornar o líder religioso da sua geração no lugar desse criminoso.

Yaakov não sabia que nesse momento e por meio dele, as bênçãos roubadas pela cobra por meio de trapaça começaram a ser recuperadas.

Muito pelo contrário, Yaakov sentiu que estava exercendo o mínimo de responsabilidade em relação aos assuntos religiosos da família e nunca imaginou que Hashem estava fazendo com que esse resgate espiritual de extrema importância estivesse acontecendo em tempo real por meio dele.
A Brahá

A Parashá nos conta que quando Itzhak sentiu que sua vida já havia entrado na etapa final, pediu para Essav preparar comida para ele, e disse para Essav que nessa ocasião ele repassaria para ele as bênçãos Divinas.

A partir daquele momento Essav se tornaria literalmente o “dono do mundo”, se tornaria nosso terceiro patriarca.

Rifka entrou em pânico pelas consequências que isso acarretaria ao mundo inteiro.

Imediatamente, mas de maneira sigilosa, ela pediu para Yaakov fazer o abate de dois bodes, preparar a comida que seu pai tinha pedido para Essav, e amarrar nos seus braços a pele recém extraída dos bodes para seu pai pensar que ele é Essav.

Novamente Yaakov estava sendo induzido a fazer uma coisa contra seus  princípios.

Novamente a “cobra” seria enganada por aquele que tinha nascido ingênuo e não sabia enganar.

Novamente D’us iria fazer isso acontecer por meio dele.

D’us tinha revelado ao nosso primeiro patriarca, Avraham, toda a Torá antes de ela ter sido entregue para nós no Monte Sinai, incluindo obviamente as leis de abate “kasher”.

Yaakov obedeceu sua mãe, fez o abate dos dois bodinhos, extraiu a pele deles, e Rifka amarrou essas peles de bode nos braços e no pescoço de Yaakov.

Quando Yaakov trouxe a comida para seu pai, Itzhak, que já não estava enxergando, entendeu pela delicadeza das palavras do seu filho que era Yaakov quem estava na sua frente, e não Essav.

Itzhak pediu para Yaakov se aproximar e apalpou seus braços para verificar se ele era Essav de verdade.

Depois disso, Itzhak cheirou as roupas de Yaakov e disse:- O cheiro do meu filho está como o cheiro do campo que D’us abençoou, se referindo ao Paraíso do mundo superior.

Yaakov estava vestindo peles de bode recém extraídas, e o cheiro dessas peles com certeza está longe de ser chamado de “cheiro do paraíso”. Então, como pôde Itzhak dizer que o cheiro do seu filho está como o cheiro do campo que D’us abençoou, como o cheiro do Paraíso Superior?

Diz o Zohar que absolutamente não se tratava do cheiro das roupas de Yaakov, sendo que o próprio versículo diz: “o cheiro do meu filho”, mas essa afirmação aparece após o versículo dizer que ele cheirou as roupas de Yaakov.

 

O sopro e o cheiro nos exemplos da Torá

Está escrito que quando D’us criou o homem, fez uma criatura de terra e “soprou” nas suas narinas uma Alma de vida.

O Zohar nos conta que D’us não soprou, como vemos no segundo dos Dez Mandamentos que D’us está acima de todos os conceitos materiais.

Então por que a Torá usa a palavra soprou? Para nos mostrar que nossa Alma Divina é uma parte de D’us, como diz o Zohar, quem sopra, sopra o que tem no seu interior.

Nesse caso a palavra “soprou” vem nos indicar que a fonte da nossa Alma Divina é o mundo de Atzilut, por que acima de Atzilut já somos o “brilho do Sol dentro do próprio Sol”, já não somos uma “parte” de D’us. Acima de Atzilut já não temos nossa própria identidade.

Depois do dilúvio, quando Noa’h fez os sacrifícios, está escrito que “D’us cheirou o cheiro agradável…”. Novamente vamos para o Segundo  Mandamento e vemos que nenhum conceito material se aplica à D’us. Ou seja, D’us não cheirou! Novamente a Torá está nos dando um exemplo para nos indicar o raciocínio do assunto.

O animal é o extremo da grosseria deste mundo. Quando Noa’h transformou o animal em “trabalho Divino”, esse ato chegou ao mais alto nível espiritual.

Conclusão:

“Soprou”, como vimos no caso da Alma Divina, representa o mais alto nível descendo e se revestindo nesse mundo.

“Cheirou” que é o contrário de “soprou” representa o mais baixo nível subindo até o mais alto nível.

Itzhak “cheirou” as “roupas” de Yaakov e falou sobre o “cheiro” do seu filho e não sobre o cheiro das suas roupas.

Diz o Zohar que, sendo que Itzhak não tinha dados para determinar quem estava na sua frente porque estava quase cego e “a voz era a voz de Yaakov e os braços eram os braços de Essav”, Itzhak teve que “cheirar”.

Diz o Zohar que nesse caso, “cheirar” é olhar a partir do mundo de cima.

O versículo diz que Itzhak cheirou as roupas e sentiu o cheiro do filho. Explica o Zohar que cada ação no mundo de baixo causa uma sincronização no mundo de cima.

Quando fazemos algo, nossa Alma Divina recebe uma vestimenta. Se o que fizemos é uma boa ação, nossa Alma recebe uma vestimenta no paraíso, e por meio dessa vestimenta vamos usufruir de todos os prazeres do mundo superior.

Ou seja, nós somos a nossa Alma. Para usufruirmos desse mundo material precisamos de um corpo material que é a nossa vestimenta nesse mundo.

Para usufruirmos dos prazeres do paraíso superior precisamos de um corpo espiritual que é a nossa vestimenta naquele mundo.

 

Cada ação causa uma sincronização

Quando fazemos algo que é considerado uma boa ação pela Torá, recebemos uma vestimenta para a nossa Alma no Paraíso.

Quando fazemos algo ruim, recebemos uma vestimenta para a nossa Alma no gehinom que é o “inferno” judaico que já não vai mais existir no mundo da ressurreição.

Sendo que Itzhak não tinha como verificar neste mundo material quem era a pessoa que estava na sua frente, ele “cheirou as suas roupas” cheirou as roupas de Yaakov.

Ou seja, ele teve um acesso rápido ao mundo de cima e viu que as vestimentas da Alma de Yaakov estavam no nível do campo que D’us abençoou, no nível do Paraíso espiritual.

Consequentemente, a pessoa que estava na sua frente era digno de receber as Bra’hót, as bençãos Divinas.

E assim, sem saber, Itzhak repassou todas as bênçãos roubadas pela cobra para o seu verdadeiro dono, para quem merecia recebê-las.

Depois que Yaakov saiu Essav chegou. Está escrito que Itzhak ficou apavorado.

Novamente, sendo que Itzhak achava que Essav já esteve ali antes e já tinha recebido as bênçãos, Itzhak teve que olhar para as vestimentas espirituais da pessoa que estava na sua frente para ver quem ele era.

Nesse momento, diz o Zohar, Itzhak viu o gehinom, o inferno, aberto embaixo de Essav, e por isso entrou em pânico.

Esse inferno é o local espiritual da retificação da alma, e só vai existir enquanto o lado impuro existe, ou seja, até a época do Mashia’h

O fato de Essav já estar ligado à ele fez com que Itzhak entrasse em um grande pânico

 

Bra’hót na prática

Yaakov não usou as bençãos que recebeu e as guardou para a época do “parto” da nossa redenção final.

Yaakov entendeu que sem essas Bra’hót não teríamos como sobreviver a saída do último exílio que são os nossos exílios atuais, os exílios de Edom e Ishmael.

O Zohar nos conta sobre o que diz o profeta Yeshaiahu (Isaías capítulo 11 versículo 3) que  Mashia’h vai fazer os julgamentos pelo “cheiro” e não por meio de testemunhas.

Agora entendemos como isso funciona. Sendo que um dos trabalhos do Mashia’h é o de trazer de volta as dez tribos perdidas que hoje de acordo com o que se ouve ou o que se vê não teríamos como determinar quem é quem, o único jeito para isso é fazer como fez Itzhak e ver essa pessoa a partir do mundo de cima.

Então vamos rezar forte para que a Gueulá, nossa redenção final, aconteça imediatamente e o nosso mundo se torne realmente um mundo melhor 🌻
 

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As Bra’hót deles e as nossas Bra’hót

A Bra’há de Ishmael

Ishmael recebeu sua Brahá dos anjos que se revelaram para Hagar como vemos em Bereshit  :- “E disse a ela o Anjo de D’us , volte para a sua dona e se aflija nas mãos dela , você vai engravidar e dar a luz a um menino e o chamará de Ishmael porque D’us ouviu seu desespero, ele será um selvagem, sua mão estará sobre todos e a mão de todos sobre ele e se expandirá pelo mundo”….

Vemos que essa Bra’há aconteceu com os descendentes do Ishmael e surgiu dela um império Árabe que durou centenas de anos , se expandiu da Índia à Península Ibérica e durou mais do que qualquer império antigo , sua mão está sobre todos , que precisam do petróleo e a mão de todos sobre eles por dependerem dos outros em tudo.

 

A Bra’há de Essav

 

Essav recebeu a Brachá de viver pela espada, e vemos que essa Bra’há aconteceu com os descendentes de Essav que deram origem ao império romano e aos povos europeus e suas colônias que conquistaram o mundo pela força e até hoje continuam usando ela para intimidar ou destruir sempre que acham necessário.

 

A nossa Bra’há

 

Nós somos os descendentes de Yaakov , porque a Bra’há que ele recebeu com tanta dificuldade aparentemente não acontece ?

 

O Zohar nos conta que as Bra’hót foram entregues (e a nossa é a maior de todas).

 

Essav que só pensava nos prazeres desse mundo usou elas para aproveitar o mundo aqui em baixo consequentemente herdando esse mundo.

 

Yaakov as guardou lá encima para o futuro .

 

Em breve , em nossos dias quando chegar o Mashia’h , junto com Yaakov vamos usufruir das Bra’hót tanto lá em cima quanto aqui embaixo.

 

Essav perderá tudo e não vai sobrar dele nenhuma lembrança , então Yaakov herdará os dois mundos .

 

Ovadiahu Hanaví era de Edom , descendentes de Essav. Ele se converteu ao judaísmo e chegou ao alto nível de profeta sendo escolhido por D’us para trazer ao mundo a profecia do que vai acontecer aos descendentes de Essav no final dos tempos .

 

Ovadiahu diz sobre esse tempo:- “E subirão os libertadores no monte Tzion para julgar o morro de Essav , e será de D’us a monarquia .

 

O profeta Zechária diz sobre isso :- E D’us será Rei sobre toda a terra , naquele dia D’us será Único (todos os povos vão abandonar suas religiões e servir somente D’us) e seu nome Único . Só o Nome de D’us será mencionado por todos.

 

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Os fatos por trás do aparente “roubo das Brahot”

 

Adam, o primeiro homem e Hava, a primeira mulher foram abençoados por D’us e a vida no paraíso terrestre era um “verdadeiro Paraíso”.

 

Mas o anjo da morte baixou na cobra que na época tinha forma humana, por meio de trapaça “roubou” deles as bençãos Divinas.

 

O Zohar nos conta que Yaakov tinha a alma do Adam e Essav tinha a alma da cobra. Se Itzhak desse a Brahá, a benção, para Essav, iria causar com que a cobra (Essav) recebesse oficialmente a Brahá que tinha roubado de Adam e Havá.

 

Diz o Zohar que sendo que a cobra tinha tirado a Brahá por trapaça , o único jeito de tirar essa Brahá do poder espiritual da cobra teria que ser também por meio de trapaça .

 

Yaakov não tinha pensado no lado material das Brahot , mas sim na função espiritual que o primogênito receberia que era a de ser o responsável por todo o trabalho espiritual do nosso povo.

 

Yaakov conhecia Essav muito bem e estava consciente de que ser responsável por alguma função religiosa era a última coisa que poderia ser relacionada ao  perfil de Essav, e se isso acontecesse seria uma catástrofe.

 

Sem restar outra opção para fazer isso a não ser a trapaça , Yaakov comprou a primogenitura de Essav em uma hora de aperto para que Essav não fosse mais o responsável pelos assuntos religiosos do nosso povo.

 

A Brahá que foi roubada pela cobra por trapaça agora volta ao seu dono original também por trapaça , único jeito de resgatá-la !

 

Cheiro de “Gan Éden”

 

Quando Yaakov vai receber as Brahot de seu pai que já estava cego, entra fantasiado de Essav vestido com peles de bode recém extraídas e ainda não curtidas (e com certeza ainda com um grande cheirinho de bode).

 

Yaakov ouve do seu pai a seguinte frase:- “O cheiro do meu filho é como o cheiro do campo que D’us abençoou” , referência ao Gan Eden (o paraíso).

 

Parece que Itzchak quis dizer com isso que já entendeu que essa história está cheirando uma continuação do que aconteceu no Gan Éden” entre o Adam e a cobra e por isso deu a Brahá para Yaakov mesmo sentindo que está sendo enganado.

 

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Como D’us faz o equilíbrio no mundo

Nossa Parashá nos conta: “E amou Itzchak a Essav…”

 

O Zohar nos conta que Avraham Avinu, nosso primeiro patriarca, era a hessed (bondade) em pessoa. A Sefirá chamada de  “Hessed” do mundo de Atzilut se revelou nele.

 

Itzhak, nosso segundo patriarca pelo contrário, era a Guevurá (rigidez) em pessoa. A Sefirá chamada de “Guevura” do mundo de Atzilut se revelou nele.

 

Não que isso fizesse dele uma pessoa ríspida ou seca, D’us nos livre , ele se comportava como tinha sido educado pelo seu pai, mas na sua essência ele era Guevurá total.

 

Esse é o motivo, de acordo com o Zoar, que ele amava Essav mais do que aos outros, sendo que Essav também era do lado da Guevura e de uma maneira natural a pessoa gosta de quem é igual a ela.

 

Será que Itzhak não suspeitava do comportamento de Essav ?

 

Talvez até sim, mas Itzhak tinha presenciado a recaída e a Teshuvá de Ishmael e Agar.

 

Diz o Zohar que Agar fez Teshuvá , mudou seu nome para Ketora e se casou com Avraham depois que Sarah faleceu.

 

Ishmael também voltou para o bom caminho, e após o falecimento de Avraham , junto com Itzhak ele enterrou Avraham na Mearat  à Mahpelá .

 

Talvez Itzhak tivesse concluído que se até Ishmael e Hagar fizeram Teshuvá , com certeza Essav o faria também .

 

Rav Moshe Weber explica o que era a caça de Essav:

 

Nossa Parashá nos conta:- “E amou Itzhak a Essav porque a caça dele estava na sua boca, mas Rifka gostava de Yaakov”,  a palavra “caça” geralmente é relacionada ao fato de Essav fazer agrados à seu pai caçando para ele , demonstrando ser um filho prestativo e assim despertando ainda mais o amor natural que o pai já tinha por ele.

 

O Rav Moishe Weber, grande Tzadik que viveu em Jerusalém , explica que a palavra “caça na sua boca” se refere ao próprio Essav que possuía “aprisionada” dentro de si as almas de grandes Tsadikim que iriam nascer no futuro como Rabi Akiva e de Rabi Meir Baal Hanes entre outros .

 

Itzhak sabia que de Essav iria sair o grande Rabi Akiva e achava que por isso Essav iria fazer Teshuvá.

 

Isso foi o que impulsionou Itzhak a querer dar a Brahá para Essav.

 

A Rabanit Miriam , esposa do Rav Moishe acrescentou:- Se Essav tivesse recebido a Brahá de Itzhak, com certeza Rabi Akiva não seria nem Rabi e até mesmo nem judeu.

 

Por que Rifká pensava diferente?

 

O Zohar nos conta que Itzhak era a Guevurá intensa e Rifka era “Guevurá leve com um fio de Hessed pendente”.

 

Por causa desse ” fio de Hessed” Itzhak não se apaixonou por ela logo que se casou, mas com o tempo o amor surgiu , como está escrito :- “Ele se casou e a amou”. Primeiro se casou e depois a amou .

 

O Zohar nos conta que D’us faz por milagre as pessoas se casarem dessa maneira , uma diferente da outra, como no caso de Itzhak e Rifka , ele Guevurá e ela uma leve guevura com um fio de Hessed pendente, para que um equilibre o outro criando harmonia no mundo.

 

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Mensagem da Parashá

Dois tipos diferentes de Trabalho Divino

Nossa Parashá nos conta sobre a gravidez da segunda matriarca do nosso povo, Rifka. Rifká rezou muito para engravidar, sua reza foi atendida e ela engravidou de gêmeos.

 

Dizem nossos Sábios que quando ela passava ao lado da Yeshivá onde Shem, o filho de Noa’h ensinava Torá, a criança se movia dentro dela como se quisesse correr para fora. O mesmo acontecia quando ela passava ao lado da Yeshivá de Ever, bisneto de Shem.

 

Mas quando ela passava perto de alguma idolatria, a criança também queria correr para fora, o que a colocou em desespero e ela começou a se questionar se valeu a pena ter rezado para engravidar

 

A Yeshivá de Shem e a Yeshivá de Ever

 

Diz o Rambam que Shem, o filho de Noa’h, e seu bisneto Ever, faziam parte das poucas pessoas que já tinham o conhecimento Divino antes de Avraham Avinu

 

Naquela época, Shem e Ever tinham duas Yeshivot em Beer Sheva e ensinavam lá a Torá de acordo com o nível de conhecimento deles

 

Segundo a Hassidut, a Torá que Shem ensinava tinha um aspecto de Torá escrita e a Torá que Ever ensinava tinha um aspecto de Torá Oral.

 

Mais futuramente, nosso último patriarca, Yaacov, estudaria quatorze anos nessas duas Yeshivot

 

Porque Rifká foi se consultar com Shem e Ever e não com Itzhak?

 

Rifká estava no desespero, e mesmo sabendo que seu marido Itzhak tinha um conhecimento Divino maior do que Shem e Ever sendo que estudou diretamente com Avraham Avinu, mesmo assim ela foi se consultar com Shem e com Ever porque ela tinha pressionando tanto Itzhak para rezar para que ela engravidasse e D’us atendeu a reza dele até mesmo antes de ter atendido a reza dela, agora ela não poderia dizer para ele que estava arrependida de ter rezado

 

A resposta Divina

 

A revelação Divina pairou sobre Shem e Ever e eles revelaram para ela que ela carregava dois povos na sua barriga, um iria se desviar para o bem e o outro para o mal

 

A Guemará nos conta que quarenta dias antes da formação do feto, o anjo responsável pela gravidez recebe de  D’us todos os detalhes sobre essa criança que vai nascer.

 

Quase tudo é determinado lá de cima, e isso é chamado de Mazal. Já está pré-determinado se essa pessoa vai ser rico ou pobre, inteligente ou ignorante, etc etc etc.

 

A única coisa que depende somente de nós é se alguém vai ser Tzadik ou Rashá. Ou seja, se ele vai para o bom caminho ou para o mal caminho

 

Então, como pode ser que Shem e Ever aparentemente já sabiam que um dos filhos dela vai ser bom e o outro não? E ainda mais, eles já tinham essa inclinação dentro da própria barriga da mae até antes mesmo de nascerem sendo que o yetzer a rá que é a nossa má enclinação só entra na criança depois que ela nasce.

 

Dois tipos de Almas, dos trabalhos diferentes

 

O Rebe explica que D’us tem um prazer muito grande do nosso refinamento pessoal, do nosso ”Trabalho Divino”.

 

Mas como por exemplo, no nosso mundo material existe um prazer em se comer um docinho e um prazer em se comer um salgadinho, lá encima existe um prazer muito grande quando fazemos uma coisa boa, e D’us também fica muito feliz quando nos controlamos e deixamos de fazer uma coisa ruim.

 

Existem Almas que desceram para esse mundo para fazer coisas boas que ainda não tinham tido tempo de fazê-las na reencarnação anterior. Eles já nascem com uma boa inclinação que vai ajudá-los a fazer essas coisas boas na prática, como no caso de Yaakov que na barriga da sua mãe já queria sair para as Yeshivot de Shem e Ever, e depois que cresceu foi estudar lá durante quatorze anos. Vamos chamar o trabalho.

 

Existem Almas que desceram para esse mundo somente para se controlar e não fazerem coisas ruins que provavelmente fizeram na reencarnação anterior e agora desceram para esse mundo para consertar o que fizeram de errado.

 

Elas já nascem com uma má inclinação, sendo que esse é o trabalho Divino delas, de controlar essa má inclinação para se refinar, como no caso de Essav que na barriga da sua mãe já tinha essa inclinação para a idolatria e queria sair para ela. Vamos chamar o trabalho Divino dele de salgadinhos.

 

E assim também somos nós. Tem quem nasce com uma boa inclinação e o seu esforço é para fazer mais e mais coisas boas e tem quem nasce com uma má inclinação e o seu esforço é só para se controlar e não fazer coisas ruins.

 

E cada um de nós é julgado lá encima de acordo com o trabalho Divino que nasceu para fazer.

 

Muitas vezes ficamos desanimados por não termos nascido em uma comunidade judaica religiosa, e pelo motivo de termos nascido em uma família laica em um país como o Brasil.

 

Quando deixamos de trabalhar no Shabat, começamos a rezar em uma Sinagoga e participar de aulas de Torá, sentimos que não conseguimos acompanhar o ritmo desses que nasceram em uma família religiosa e estudam Torá desde os três anos de idade. Mas o contrário é o certo!

 

Mesmo sendo mais fácil comer em qualquer lugar, nos controlamos e optamos por comer kasher.

 

Mesmo que o nosso negócio aparentemente poderia render mais se estivéssemos trabalhando no Shabat e nas festas judaicas, mesmo assim nos controlamos e não trabalhamos no Shabat e festas judaicas.

 

Mesmo que no nosso ambiente estamos expostos à uma sociedade que não segue a Torá, nos controlamos e abrimos mão de muitos prazeres desse mundo para seguir a Torá.

 

E mesmo se um belo dia nos compararmos à uma família religiosa do Brooklyn e sofrermos em ver a facilidade que eles tem quando entram em um supermercado onde tudo é kasher e barato enquanto nós perdemos tanto tempo para verificar cada produto no supermercado se está na lista de produtos kasher ou não…

 

E depois, o pouco tempo que sobra para estudar Torá perdemos para tentar traduzir as palavras para o português, e as vezes não conseguimos acompanhar as rezas por não lermos um hebraico fluente.

 

Mesmo assim não se preocupe! Provavelmente nosso trabalho é “salgadinhos” e temos que ter orgulho disso, mesmo que por causa disso não conseguimos ser como uma família do Brooklyn.

 

Ou seja, se Essav tivesse se controlado ele nunca teria tido tempo de ser como Yaakov, mas seria tão importante quanto, como diz a Guemará sobre o versículo no qual Shem responde para Rifká, “dois povos na sua barriga”, diz a Guemará que pelo fato da palavra “goiim” (povos) estar escrita no Sefer Torá como “geiim” (nobres) ela está indicando os dois maiores nobres da nossa história que foram Rabi Yehuda a Nassi e o imperador romano Antoninus que se converteu ao judaísmo.

 

Com certeza Antoninus estava ocupado em se comportar de acordo com a Torá dentro das condições que D’us deu para ele e não tinha como ser igual à Rabi Yehuda a Nassi, mesmo assim a Guemará compara um ao outro.

 

Dois tipos diferentes de trabalho Divino que no final chegam de duas formas diferentes ao mesmo lugar.

 

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O Beit a Mikdash vai descer quase pronto do Céu

O Beit Hamikdash, o Terceiro Templo

 

Nossos sábios afirmam que o Terceiro Beit a Mikdash, terceiro e último Templo Sagrado, já está construído pelo próprio D’us, e está aguardando o momento da Gueulá quando será materializado na forma física, no seu lugar designado em Jerusalém,  e ele será eterno.

 

Na verdade, existe uma opinião na Guemará de que um “Kohên” (Sacerdote) deve sempre se manter sóbrio, e assim ele está preparado para, de um momento para outro, participar do trabalho sacerdotal do Templo que pode descer pronto do céu a cada instante.

 

Porque quando Mashia’h se revelar, o Templo será restaurado imediatamente e os Kohanim começarão imediatamente a trabalhar nele.

 

O profeta Isaías descreve Mashia’h:

 

“E um espíríto de D’us (profecia) vai pairar sobre ele, um espírito de sabedoria e compreensão… de conhecimento e temor a D’us… ele será dotado extraordinariamente de sentidos que o habilitarão a perceber o bem e o mal nos homens… e com justiça julgará… Tirará (os maus) da Terra com o bastão (a expressão) de sua boca e com o sopro de seus lábios destruirá os perversos.”

 

A isto segue uma descrição da Era: “E o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito… e o bezerro com o filhote do leão… e uma criancinha os guiará.

 

Eles não causarão dano nem destruição, pois a Terra estará plena de conhecimento de D’us e de Torá, da mesma maneira que as águas cobrem os oceanos.”

 

De acordo com o hassidismo, esta profecia, além de seu profundo significado, deverá ser tomada literalmente.

 

Onde o conhecimento de D’us não somente elevará a humanidade, mas provocará urna completa mudança até no comportamento da vida animal.

 

O profeta Habakúk diz que a poderosa influência do Mashia’h penetrará até nos domínios vegetais e nas matérias inorgânicas: “porque a pedra (se tiver sido roubada) gritará das paredes, e a viga (roubada) do teto lhe responderá (anunciando que haviam sido roubadas e usadas na construção).”

 

Isto será Possível, porque a “Centelha Divina” que se encontra em cada criatura se revelará.

 

Desta forma todos os males serão conhecidos e consequentemente, retificados.

 

Rabi Yossef Yitzhak, o Rebe anterior de Lubavitch nos contou que hoje as coisas inanimadas, como o solo por exemplo, são silenciosas. Você pisa nelas e elas permanecem caladas.

 

Mas virá o tempo em que a coisa inanimada começará a falar e a contar os fatos.

 

Exigirá uma explicação: Porque as pessoas pisaram nele sem pensar ou conversar sobre assuntos da Torá.

 

É um fato que o ser inanimado na verdade sente quando falamos e pensamos sobre a Torá. Mesmo que hoje se encontre silencioso, no futuro relatará tudo.”

 

 

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Mensagem da Parashá

Eliézer, o primeiro Shlia’h

Eliézer, o primeiro Shlia’h

 

Eliézer nos conceitos de hoje seria chamado de “o secretário de Avraham”.

 

Eliézer era o primeiro emissário da história judaica.

 

Ele era um descendente de Canaã que foi amaldiçoado por Noa’h, e quando cumpriu a missão para a qual Avraham o enviou, ele se transforma de amaldiçoado em abençoado.

 

E até o próprio Lavan, o grande feiticeiro descobre isso e diz :- “Venha abençoado por D’us”.

 

Aprendemos com Eliézer o que é um Shlia’h, um emissário.

 

Avraham mandou Eliézer para Haran na Síria procurar uma esposa para Itzhak na família de Avraham.

 

Eliézer tinha uma filha e ele gostaria muito que ela fosse a esposa de Itzhak, e mesmo assim ele se dedicou totalmente à sua missão, mesmo que pessoalmente tinha tudo a perder por causa disso.

 

Daqui aprendemos o que é um Shlia’h, um emissário.

 

O Shlia’h é alguém que absolutamente não considera sua própria opinião, mas considera somente a opinião de quem o mandou,

 

Mesmo que essa missão vai trazer um grande benefício para quem mandou e um grande prejuízo para quem foi mandado, como no caso de Eliézer que queria casar sua própria filha com Itzhak.

 

Mesmo assim, a tal ponto ele não considera a si próprio em relação à quem o mandou, que cumpre a sua missão com tanto entusiasmo e está tão envolvido nela que esquece de si próprio e sente como se ele próprio fosse quem o enviou.

 

O principal problema na nossa geração é a falta de conhecimento em relação aos assuntos judaicos, e o Rebe mandou à nós, seus emissários, irmos aos cantos mais distantes do mundo para ensinar o judaísmo ao nosso povo.

 

Em 1978 quando estudava na Yeshivá de Kfar Habad em Israel, um dos meus professores era um grande Tzadik, uma pessoa muito elevada.  O nome dele era rav Mendel Futerfas.

 

Entre os grandes feitos dele estava o fato de ele ter passado dez anos em uma prisão soviética na Sibéria.

 

Certa vez ele nos disse:- nossa comunidade é como adubo orgânico (fezes de vaca).

 

A característica do adubo orgânico é que, quando ele está armazenado em um lugar só , ninguém aguenta o cheiro, mas depois que ele se espalha pelo campo ele faz todo aquele campo florescer.

 

E assim ele nos explicou, que quando nos espalharmos pelo mundo vamos fazer o mundo florescer, mas por enquanto ainda não tínhamos nos espalhado pelo mundo…

 

E esse é o aspecto que nós, os emissários da última Shli’hut, temos em comum com Eliezer, o primeiro Shlia’h.

 

Por causa da sua extrema dedicação , Eliezer conseguiu tirar a si e a sua família da maldição de Noa’h que era algo aparentemente irreversível, e se transformar à si e à toda a sua família em abençoados por D’us.

 

Nós, os Shlu’him da última geração, também. Saímos da classificação que o rav Mendel disse que éramos antes e estamos fazendo o mundo Judaico florecer…

 

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Mensagem da Parashá

Corpo e Alma

E foram os dias de Sarah….

 

O livro do Zohar , clássico da Kabala , explica que a história da vida de Sarah na Torá simboliza a decida da nossa Alma, que é apelidada de Avraham, para o nosso corpo, que é apelidado de Sarah.

 

A Alma Divina chamada de “Neshamá” é uma parte de D’us. Essa Alma é você .

 

Você , que desceu do céu para vencer uma corrida de obstáculos cheia de desafios que chamamos de vida e cumprir as Mitzvót, comandos Divinos, para ganhar por próprio mérito um “baixo paraíso” no qual uma hora eqüivale a setenta anos dos maiores prazeres nesse mundo, ou até um alto paraíso, onde uma hora eqüivale a setenta anos no baixo paraíso, como prêmio por ter feito o trabalho Divino nesse mundo.

 

A Neshamá é pura e linda , cada ano que passa fica mais refinada e reluzente por meio do cumprimento das Mitzvót.

 

Poderíamos dizer como exemplo que cada ano que passa , enquanto o corpo fica mais velho a Neshamá fica “mais jovem”.

 

O elo entre a Neshamá e o corpo é a alma animal na qual a Neshamá se reveste para acionar o corpo.

 

Essa alma animal é uma alma espiritual do nível deste mundo de Assiá .

 

Sendo que o corpo é somente equipamento com suas limitações e defeitos e a alma animal é só o software do corpo, tendo “vontades” próprias que são somente os interesses do animal racional, o primeiro desafio que temos a enfrentar (com jeitinho para não quebrar o equipamento nem seu software mas sim transformá-lo em aliado ao nosso objetivo) é focar a alma animal e o corpo nos interesses da Alma Divina que é você.

 

O primeiro obstáculo são os interesses do corpo que por instinto vai tentar usar a Neshamá para incrementar seus prazeres causando o fracasso da descida dela para esse mundo .

 

Vamos ter que domá-lo ajudando-o pouco a pouco a deixar de ser animal , mas sem overtraining , tomando o devido cuidado para ele não quebrar mas sim usar seu entusiasmo animal a nosso favor.

 

A Alma Divina tem um complemento para fazer a vontade Divina que é chamado de Yetzer a Tov que é a nossa boa inclinação.

 

A alma animal tem um complemento para fazer as vontades do corpo , esse instinto é chamado Yetzer a rá que é a nossa má inclinação.

 

O Zoar nos conta que todas as noites quando vamos dormir , nossa alma sobe e se apresenta ao tribunal Divino, “os juízes da competição”. Ela é julgada por essa etapa da “corrida” . Se ela vence ela volta de manhã para continuar competindo.

 

Ela é julgada de duas formas diferentes. O julgamento das ações positivas não é como o das negativas.

 

Ela não é julgada pelas coisas negativas que vai fazer mas somente pelas que já fez.

 

O julgamento das ações positivas é diferente, ela recebe um prêmio pelo que já fez e também é favorecida pelo que vai fazer.

 

Assim ela volta feliz e renovada de manhã para o corpo mesmo sem que seus atos atuais justifiquem isso.

 

Quando ela sobe , um espírito impuro paira sobre o corpo. Quando ela volta , esse espírito impuro foge mas ainda fica ligado a nossos dedos, por isso fazemos Netilat Yadaim , lavamos as mãos de manhã intercaladamente para tirá-lo. Acordamos felizes por termos vencido a etapa do dia e agradecemos à Hashem dizendo “Modé Ani…”

 

O Zoar nos conta que os dias da nossa vida estão vinculados à sete Sefirot compostas de dez. Ou seja , Hessed , Guevura , Tiferet , Netza’h , Hod , Issod e Mal’hut , cada uma com todas as Dez Sefirót incluindo ela novamente em segundo plano Incluindo as “Três Primeiras” que são a Ho’hmá , a Biná e a Daat.

 

Por isso diz o rei David no Tehilim :- “Os dias da nossa vida são setenta anos” , ou seja , sete sefirot compostas de dez , e quando chegamos ao último nível e já não temos mais onde nos apoiar , então começa nossa decadência .

 

Ou seja , o tempo da nossa corrida de obstáculos é cronometrado !

 

O rei David fala sobre uma pessoa normal , mas quem aproveitou os setenta anos para subir de nível a nível e se tornou um Tzadik ou uma TZADEKET , como no caso de Sarah , se conecta a Sefirá que está acima das sete , ou seja , a Biná que engloba as três primeiras , e lá não tem declinação e limite para a vida porque lá já existe o vínculo ao infinito .

 

Por isso está escrito :- “Vai’hiu hayei Sarah” , uma linguagem de “ser”, foram dias verdadeiros sem declinação. Também a palavra “esses” foram os dias da vida de Avraham se refere ao mesmo assunto.

 

E se perguntarmos :- Por quê essa mesma linguagem é usada para os dias de Ishmael ? O motivo é simples , porque  Ishmael voltou para o bom caminho, ele fez Teshuvá!

 

O Zoar nos conta que Ketora, a segunda esposa de Avraham era a própria Agar, a mãe de Ishmael. Ela fez Teshuvá e até mudou de nome para expressar a veracidade da sua mudança de comportamento.

 

O fato de a Torá nos contar a história de Sarah e o Zoar nos revelar os segredos que estão por trás dela , vem nos indicar que “As atitudes dos patriarcas são um exemplo para os filhos”.

 

À cada um de nós foram dadas as forças necessárias para chegarmos à etapa final dessa corrida de obstáculos e vencermos. Mas temos que fazer isso sem overtraining, sem fundir o motor para tentar chegar mais rápido e por outro lado também não ficarmos parados com medo de ter uma distensão.

 

Mas a cada dia fazer as Mitzvot daquele dia com muita alegria amor e carinho , e o principal : Saber que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem ,  e que D’us está o tempo todo na nossa torcida levando a gente pela mão , nos ajudando a ultrapassar cada obstáculo e pronto para comemorar a nossa vitória com a Gueulá verdadeira e completa por meio do Mashia’h em breve em nossos dias de verdade !

 

 

Rabino Gloiber

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