Author page: Rabino Gloiber

A Parashá da minha vida – Vayeshev


Vayeshev

O segredo dos sofrimentos

 

Nossa Parashá nos conta sobre os sofrimentos do nosso terceiro patriarca, Yaakov. Mesmo sendo Yaakov o maior dos três patriarcas, ele foi o que mais sofreu.

 

A Guemará nos conta que se alguém é um Tzadik completo, ou seja, estuda Torá e cumpre os Mandamentos Divinos, Hashem (D’us) dá para ele uma vida muito boa nesse mundo e um grande Paraíso no próximo mundo.

 

A Guemará também nos conta que um Tzadik que é filho de um Tzadik tem uma vida muito boa nesse mundo e o Paraíso garantido.

 

Pergunta o Zohar, como pode ser que Yaakov que foi o principal dos nossos três patriarcas, que também estava em um nível de Tzadik perfeito e também era um Tzadik, filho de Tzadik e neto de Tzadik, passou por terríveis sofrimentos durante 130 anos da sua vida contradizendo tudo o foi dito anteriormente ?

 

Quando Yaakov chegou ao Egito, o faraó perguntou a ele qual era a sua idade. Yaakov sabia que o faraó recebia antecipadamente todas as informações sobre aqueles que iriam se encontrar com ele, o faraó sabia que Yaakov tinha 130 anos.

 

Então porque fez à ele essa pergunta? Porque as informações não batiam, Yaakov aparentava ser muito mais velho do que realmente era. Pela resposta de Yaakov vemos que ele entendeu certinho o que o faraó estava perguntando.

 

Naquela época, há mais de 3.500 anos atrás, as pessoas eram muito fortes, e às vezes tinham uma vida excepcionalmente longa, e esse era o caso do próprio faraó. Pela cara de Yaakov, o faraó pensou que ele era nosso primeiro patriarca, Avraham.

 

Yaakov justificou o espanto do faraó com a seguinte resposta:- “Os dias da minha vida foram poucos e ruins, e não alcançaram os dias de vida de meus pais”.

 

Ou seja, Yaakov justificou o porquê de sua aparência não ser compatível com a sua idade em relação a sua época.

 

A resposta de Yaakov para o faraó foi que os dias da sua vida, mesmo tendo sido poucos relativos à sua época, foram ruins, e por isso ele aparentava ser muito mais velho do que realmente era.

 

Ou seja, o próprio Yaakov concordou que sofreu 130 anos até aquele momento da sua vida.

 

Sendo que Hashem (D’us) é a essência do bem e a natureza do bem é fazer o bem, como pode ser que Yaakov, que de acordo com a própria Torá deveria ter vivido uma vida extremamente boa, foi a pessoa que mais sofreu?

 

O Zohar nos traz algumas possibilidades que justificam o fato de uma pessoa boa ter uma vida ruim.

 

Sofrimentos de amor

 

A Guemará nos conta que quando alguém está sofrendo, a primeira coisa que deve fazer é um check-up espiritual.

 

Verificar se está fazendo alguma coisa errada que justifique esses sofrimentos e voltar para o caminho certo. Deixar de fazer coisas ruins e se arrepender de tê-las feito.

 

Se mesmo assim os sofrimentos continuarem, essa pessoa deve acrescentar no estudo da Torá, porque talvez esteja fazendo alguma coisa errada sem saber, ou está em falta com o próprio estudo da Torá.

 

Diz a Guemará que se depois disso os sofrimentos ainda continuarem, saiba que eles são sofrimentos de amor.

 

Sofrimentos que não são ligados a coisas erradas que fizemos e que não são uma retificação para as nossas transgressões sendo que elas já foram retificadas.

 

A corrida de obstáculos

 

Nossa vida é uma corrida de obstáculos. Quando entramos nesse mundo estamos entrando nessa corrida, e de acordo com a intensidade dos obstáculos, assim será a grandeza da vitória e a recompensa por termos vencido.

 

Diz o Zohar que por causa do grande amor que Hashem tem por cada um de nós, ele nos dá uma vida mais difícil.

 

Ou seja, aumenta o tamanho dos obstáculos que temos que ultrapassar para que a nossa recompensa por ultrapassá-los seja muito maior.

 

E por isso esses sofrimentos são chamados de “sofrimentos de amor”, sendo que o único objetivo dessa categoria de sofrimentos é a de recebermos uma recompensa muito maior no próximo mundo.

 

Às vezes o motivo desses sofrimentos de amor é para nos refinar.

 

Quando nascemos, a primeira alma que se revela em nosso corpo é a nossa alma animal. Um óvulo só é fecundado se Hashem colocar nele essa alma animal, e assim começa a vida.

 

Nós próprios somos a Alma Divina, mas se a Alma Divina se revestisse diretamente no corpo, nosso corpo se desintegraria, sendo que o nível espiritual da Alma Divina e o do corpo são totalmente desproporcionais.

 

Para nossa Alma Divina se revestir no nosso corpo é necessário uma alma animal que é uma alma espiritual do nível mais baixo.

 

Esse nível mais baixo é o lado espiritual desse nosso mundo material chamado de mundo da Assiá.

 

A alma animal é a intermediária entre a Alma Divina que somos nós, e o nosso corpo.

 

A Alma Divina se encontra de maneira envolvente  “Makif” desde que a alma animal se reveste no óvulo fecundado, e a partir disso ela vai se revestindo por etapas na alma animal e por meio dela no corpo.

 

Quando o menino faz treze anos ou a menina faz doze, nossa Alma Divina finalmente se reveste totalmente em nossa alma animal, que por sua vez está revestida no nosso corpo.

 

Nessa etapa nossa Alma Divina assume o controle deles, e assim nossa alma animal e nosso corpo se transformam em acessórios para nós que somos a Alma Divina.

 

Mas as vezes nossa alma animal está tão forte, que no lugar de ela se tornar nosso acessório e nossa vestimenta, nós é que nos tornamos o acessório dela.

 

Como uma pessoa que montou em um cavalo, e no lugar de o cavalo ir para onde essa pessoa quer conduzi-lo, o cavalo leva essa pessoa para o pasto e ainda obriga ela a ficar o dia inteiro cortando grama e trazendo para ele enquanto ele está deitado no pasto sem ter o que fazer.

 

A consequência disso é que nesse caso essa pessoa pode até ser um judeu religioso que estuda Torá e cumpre os Mandamentos Divinos, mas o comportamento dele lembra muito mais um animal que está mais interessado no pasto do que na Torá que estuda e nos Mandamentos Divinos que cumpre.

 

Deixando todos à sua volta intrigados com a contradição entre o que ele representa sendo um judeu religioso e a forma dele se comportar que lembra mais o comportamento animal do que o comportamento humano.

 

E para ajudar essa pessoa, diz o Zohar, pelo grande amor que D’us tem por ele, aumenta para ele a intensidade dos obstáculos da vida dela.

 

Devido aos sofrimentos, o lado animal dessa pessoa enfraquece, e consequentemente o lado espiritual dela se fortalece. Essa é uma categoria de sofrimentos de amor.

 

E por esse motivo, diz o Zohar, Unkelus traduziu o versículo em (Deuteronômio 7) “e paga seus inimigos, etc”. – Ele recompensa seus inimigos neste mundo pelas coisas boas que fazem para não receberem nenhuma recompensa no mundo de cima.

 

Daqui vemos que quando sofremos neste mundo somos chamados de “amados por Hashem”, o contrário do inimigo de Hashem que recebe uma vida boa nesse mundo como recompensa pelas coisas boas que fez, e não tem direito ao paraíso superior.

 

Tikun

 

Esses sofrimentos de amor às vezes estão ligados ao que fizemos na reencarnação anterior, e nesse caso o Tzadik filho de um Tzadik não é visto do ponto de vista biológico mas sim do ponto de vista espiritual.

 

Sua reencarnação anterior é chamada de “pai” da sua reencarnação atual mesmo que se trata da mesma pessoa.

 

Está escrito no segundo dos “Dez Mandamentos” que Hashem (D’us) cobra dos filhos a transgressão dos pais até a quarta geração.

 

Essa linguagem nos leva diretamente ao lado oculto da Torá, sendo que pela Torá os filhos não pagam pelas transgressões dos pais.

 

Sendo assim, esse versículo não está falando sobre a parte revelada da Torá, mas sim nos indicando o que se esconde por trás dela.

 

Diz o Zohar que nesse versículo a Torá está nos revelando a profundeza da bondade Divina.

 

Ou seja, como uma boa mãe que tem a obrigação de limpar seu filho que foi “nadar no esgoto”, assim também Hashem na sua enorme bondade nos limpa das “fezes espirituais” que grudaram na nossa Alma por causa das nossas más ações.

 

Mas D’us na sua infinita bondade nos dá três chances de retificarmos nossas transgressões de maneira positiva, e isso acontece por meio de três reencarnações.

 

Em cada uma dessas reencarnações  somos chamados de filhos da nossa reencarnação anterior, e por isso a Torá usa a linguagem que Hashem “cobra dos filhos as transgressões dos pais”.

 

Não se trata de filhos biológicos, sendo que pela própria Torá o filho biológico não paga pela transgressão do pai, mas se trata de filhos espirituais.

 

Nossa segunda reencarnação é chamada de filho da nossa primeira reencarnação, e daí para diante.

 

O raciocínio que está por trás disso é de que aquele aspecto da Alma Divina que já se retificou, se separa da parte que ainda não se retificou, dando origem a uma nova Alma que é uma ramificação da Alma anterior e estará sempre ligada à ela como o filho estará sempre ligado ao pai.

 

E sendo que na ressurreição dos mortos elas ressuscitam como duas pessoas diferentes, elas são chamadas espiritualmente de pai e filho.

 

Sendo assim, a pessoa pode ser biologicamente filho de um Tzadik e neto de um Tzadik e mesmo assim ter uma vida ruim.

 

Porque o pai que é levado em conta nesse caso é a própria pessoa em uma reencarnação anterior.

 

Então por que eles são chamados de pai e filho?

Porque o aspecto daquela Alma que fez o bem, subiu para o paraíso, e o aspecto daquela Alma que está vinculado ao que precisa ser retificado nasce de novo, e agora é chamado de o filho da reencarnação anterior.

 

Uma Alma se ramifica em duas, e na ressurreição dos mortos elas vão ser duas pessoas.

 

A reencarnação anterior de Yaakov

 

Depois que Adam HaRishon, o primeiro homem, comeu a fruta do “etz hadaat”, ele acusou Hava, a primeira mulher, de tê-lo induzido a comer aquela fruta, e se separou dela por 130 anos.

 

O anjo da morte tem um aspecto feminino, tem uma esposa. Essa anja da morte chamada de Ly… que não falamos o nome dela para não atrair a coisa ruim, se materializava, e junto com outra demônia chamada de Na… tiveram relações conjugais com Adam HaRishon durante todos esses 130 anos.

 

Elas conseguiam se materializar para ter essas relações, engravidavam de Adam mas davam a luz à demônios.

 

Essas relações conjugais com as demônias afetaram o nível Neshamá de Adam, o nível mais alto da Alma Divina que ainda consegue se revestir no corpo.

 

Yaakov era a reencarnação do nível Neshamá de Adam, e por isso todos os sofrimentos dele foram ligados à assuntos familiares, medida por medida, para retificar o que fez Adam a Rishon.

 

Por isso Yaakov sofreu, e ele sabia que veio para esse mundo para fazer essa retificação.

Quando Yaakov contou para o faraó que seus anos foram 130, acrescentou que não chegaram aos anos de vida de seus pais.

 

Como Yaakov poderia afirmar que só viveria 130 anos e não chegaria a idade de seus pais? Porque ele sabia que veio para o mundo para retificar esses 130 anos que Adam se relacionou com as demônias.

 

Mesmo assim, D’us deu para ele 17 anos de vida a mais. E sendo que nesses 17 anos que recebeu de bônus ele não precisava retificar nada, Hashem deu para ele as revelações do Gan Éden aqui nesse mundo.

 

O mesmo acontece com cada um de nós. Sofremos somente pelo que fazemos errado conscientemente, e às vezes sofremos também por algo que fizemos conscientemente em uma reencarnação anterior.

 

Às vezes já retificamos a reencarnação anterior e também a atual, mas entramos na etapa dos sofrimentos de amor e achamos que ainda estamos na etapa retificação, e que a retificação está sendo desproporcional ao que fizemos.

 

Então vamos rezar forte para que já venha a Gueulá, nossa redenção final.

 

D’us vai tirar o espírito da impureza do mundo, o mal não vai mais existir e consequentemente ninguém mais vai sofrer.

 

No futuro esse nosso mundo vai se tornar mais alto Paraíso do que o Alto Paraíso, e esse futuro já está bem próximo de nós.

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

Hanuká

Clique aqui para abrir o guia de Hanuká 2025 – 5786

 

Guia de Hanuká
Este ano, 2025, a festa de Hanuká que é uma festa de oito dias começa ao pôr do sol de domingo, dia 14 de dezembro, e termina só no dia 22

 

 

Hanuká

A partir do pôr do Sol de domingo dia 14 de dezembro

acendemos as velas de Hanuká na seguinte ordem

 

 

Hanuká comemora a reinauguração do Templo Sagrado de Jerusalem após a vitória dos macabeus e é celebrada durante oito dias através do acendimento da hanukiá.

 

Hanuká significa, literalmente, “Inauguração”.

 

A festa recebeu este nome em comemoração ao fato histórico de que os Macabeus “hanu”,descansaram das batalhas no “ká” (25º dia) de Kislêv.

 

 

Por que comemoramos Hanuká

 

Durante o período do segundo Templo Sagrado, Antiohus, o rei da Síria grega, governou a Terra de Israel depois da morte de Alexandre, o Grande.

 

Ele pressionou os judeus a aceitarem a cultura grega proibindo o cumprimento dos mandamentos da Torá e forçando a prática da idolatria.

 

Os gregos da Síria fizeram decretos rigorosos contra o nosso povo, proibindo nossas práticas religiosas e nos proibindo de estudar Torá e cumprir as Mitzvot.

 

Eles roubaram nosso dinheiro e nossas filhas, entraram no Beit a Mikdash, nosso Templo Sagrado de Jerusalém, e profanaram tudo que era puro.

 

Eles causaram um grande sofrimento a ao nosso povo e nos oprimiram, até que D’us nos libertou e nos salvou das mãos dos inimigos.

 

 

A revolução dos Macabeus

 

Há aproximadamente 2.200 anos atrás, os Macabeus que eram uma família sacerdotal do nosso povo, se revoltaram contra o inimigo e os venceram milagrosamente.

 

O Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém que tinha sido violado pelos rituais idólatras foi purificado e a Menorá reacesa com o azeite de oliva puro que foi descoberto no Templo.

 

A quantidade de azeite encontrada era suficiente para apenas um dia, mas milagrosamente durou 8 dias, até que um novo azeite puro pudesse ser produzido e trazido ao Beit a Mikdash.

 

Em lembrança destes milagres comemoramos Hanuká durante oito dias.

 

 


O que é Hanuká 

 

Os gregos da Síria que dominavam o nosso povo são representados pela escuridão.

 

Eles queriam acabar com a nossa identidade.

 

Não importava para eles que tivéssemos nossa própria cultura contando que tirássemos D’us dela.

 

Para tirar D’us da nossa vida, eles decretaram que não poderíamos fazer o Brit Milá que é a circuncisão.

 

Não poderíamos mais guardar Shabat porque por meio de guardar o Shabat estamos mostrando para o mundo que acreditamos no D’us que criou o mundo em seis dias e no sétimo dia não criou nada.

 

Não poderíamos mais fazer o Rosh Hodesh, porque sem o Rosh Hodesh não saberíamos o dia certo das festas judaicas.

 

Para comemorarmos a nossa vitória contra eles, sendo que não poderíamos comemorar a vitória da guerra com uma festa porque muitos judeus apoiavam a cultura grega e se alistaram no exército deles contra nós, D’us nos fez um milagre de oito dias.

 

Oito dias nos lembra o Brit Milá que é feito no oitavo dia, dentro de oito dias têm um Shabat, e dentro desses oito dias de Hanuká que parte deles é no mês de Kislev e parte deles no mês de Tevet, temos um Rosh Hodesh, Rosh Hodesh Tevet.

 

 

Nossos Sábios na Guemará Shabat 21b perguntaram: – O que é Hanuká?

 

E nos ensinam: A partir do vigésimo quinto dia de Kislev, são comemorados oito dias de Hanuká, durante os quais não são feitos discursos fúnebres e nem jejuns.

 

Quando os gregos entraram no Templo Sagrado de Jerusalém profanaram todos os azeites usados para acender a Menorá.

 

E quando a família dos Hasmoneus lutou contra eles e os expulsou, procuraram e encontraram apenas um potinho de azeite com o selo do Cohen Gadol que tinha azeite suficiente para um dia.

 

O milagre do primeiro dia foi que encontraram aquele potinho que tinha azeite o suficiente para ficar aceso um dia, e o milagre dos outros sete dias foi que a Menorá, o candelabro do Beit a Mikdash, continuou acesa por milagre milagre mais sete dias.

 

Tem quem diz que dividiram o conteúdo desse potinho em oito partes e cada um dos oito dias aconteceu um milagre que aquela pequena quantidade de azeite ficou acesa durante 24 horas.

 

No ano seguinte, os Sábios da época instituíram estes oito dias como uma festa, com cânticos de louvor e agradecimentos. e que se acendessem luzes na entrada das casas em cada uma dessas oito noites, para divulgar o milagre.

 

Estes dias são chamados de Hanuká que quer dizer inauguração.

 

Pode-se também interpretar a palavra como “hanu”= eles descansaram “ka”= no vigésimo quinto, porque no vigésimo quinto dia eles descansaram da batalha contra seus inimigos.

 

A Guemará nos conta que esses dias foram  transformados em dias de “reza e agradecimento”.

 

Cumprimos a obrigação de “louvor” recitando Hallel completo durante a reza da manhã, Shaharit, em todos os oito dias de Hanuká.

 

A obrigação de “agradecimento” é cumprida por meio da leitura do Al haNissim na reza da Amidá, e também no Bircat Hamazon que é a Bênção que fazemos depois de comer o pão.

 

 

 

Você não precisa ter um candelabro, uma Hanukiá ou velas coloridas. O Mandamento de Hanuká é acender uma vela no primeiro dia, duas no segundo, três no terceiro, quatro no quarto, cinco no quinto, seis no sexto, sete no sétimo e oito no oitavo.

 

O importante é que essas velas estejam em uma linha reta e não formem uma meia lua ou um círculo porque aí elas receberiam a classificação de fogueira e não de velas.

 

Essa é a Mitzvá de Hanuká e é uma Mitzvá que cada um de nós pode cumprir em qualquer lugar.

 

Hoje ao por do Sol é o primeiro dia de Hanuká, compre uma vela no supermercado e acenda ela hoje há noite dizendo as seguintes Bra’hót:

 

 

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

 

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h

 

🌻🌻🌻🌻🌻

 

Primeiro, acendemos o shamash e depois vamos dizer as seguintes bênçãos:

 

בָּרוּךְ אַתָּה אֲדֹנָי אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם אֲשֶׁר קִדְּשָׁנוּ בְּמִצְוֹתָיו וְצִוָּנוּ לְהַדְלִיק נֵר חֲנֻכָּה

 

Baru’h Atá A-do-nai, E-lo-hêi-nu Mêle’h a olam, asher kideshanu bemitsvotav, vetzivanu lehadlik ner hanuká

 

Bendito é Você A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos santificou com Seus Mandamentos, e nos ordenou acender a vela de hanuká.

 

בָּרוּךְ אַתָּה אֲדֹנָי אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם שֶׁעָשָׂה נִסִּים לַאֲבוֹתֵינוּ בַּיָּמִים הָהֵם בַּזְּמַן הַזֶּה

 

Baru’h Atá A-do-nai, E-lo-hê-nu Mêlech a olam, sheassá nissim laavotêinu, bayamim haêm, bizman a zé

 

Bendito é Você, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que fez milagres para nossos antepassados, naqueles dias, nesta época.

 

Na primeira noite ou na primeira vez que você acende as velas de Hanuká esse ano , acrescentamos:

 

בָּרוּךְ אַתָּה אֲדֹנָי אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם שֶׁהֶחֱיָנוּ וְקִיְּמָנוּ וְהִגִּיעָנוּ לַזְּמַן הַזֶּה

 

Baru’h Atá A-do-nai, E-lo-hei-nu Mele’h a olam, shehe’heyanu vekiymanu vehiguianu lizman a zé

 

Bendito é Você, A-do-nai, nosso D’us, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até esse tempo

 

Em seguida, acendem-se as velas da hanukiá com o shamash, da esquerda para a direita.

 

Depois de acender as velas, colocamos o shamash à esquerda da hanukiá de modo que fique mais alto do que as chamas da hanukiá, e dizemos:

 

הַנֵּרוֹת הַלָּלוּ אָנוּ מַדְלִיקִין עַל הַנִּסִּים וְעַל הַנִּפְלָאוֹת וְעַל הַתְּשׁוּעוֹת וְעַל הַמִּלְחָמוֹת. שֶׁעָשִׂיתָ לַאֲבוֹתֵינוּ בַּיָּמִים הָהֵם בַּזְּמַן הַזֶּה. עַל יְדֵי כֹּהֲנֶיךָ הַקְּדוֹשִׁים. וְכָל מִצְוַת שְׁמוֹנַת יְמֵי חֲנֻכָּה. הַנֵּרוֹת הַלָּלוּ קֹדֶשׁ הֵם. וְאֵין לָנוּ רְשׁוּת לְהִשְׁתַּמֵּשׁ בָּהֶם. אֶלָּא לִרְאוֹתָם בִּלְבָד. כְּדֵי לְהוֹדוֹת וּלְהַלֵּל לְשִׁמְךָ הַגָּדוֹל עַל נִסֶּיךָ וְעַל נִפְלְאוֹתֶיךָ וְעַל יְשׁוּעָתֶךָ.

 

Transliteração

 

A nerot alálu ánu madlikin al a teshuot, veal a nissim, veal a niflaot, sheassíta laavotêinu, bayamim a êm, bizman a zé, al yedei cohanei’ha a kedoshim. Ve’hol shemonat yemei hanuká, a nerot alálu kodesh em, vein lanu reshut leishtamesh baen, éla lir’otan bilvad, kedêi leodot ulealel leshim’há a gadol, al nissêi’ha, veal nifleotêi’ha, veal yeshuotêi’ha.

 

Tradução

 

Essas velas nós acendemos por causa dos milagres, das redenções, e maravilhas que Você fez para os nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, por intermédio de seus sacerdotes sagrados

 

Receitas de Hanuká 

 

 

Durante todos os oito dias de hanuká, estas luzes são sagradas, e não é permitido para nós fazermos qualquer uso delas, só olhar para elas para que possamos agradecer e louvar seu grande nome, por seus milagres, seus feitos maravilhosos e suas salvações.

 

Na festa de Hanucá há o costume de comer comidas fritas em óleo como bolinhos de batata (levivot ou latkes), e sonhos (sufganiyot).

 

Estes alimentos são servidos e em honra ao milagre que ocorreu com o azeite.

 

Pratos à base de laticínios, como bolinhos de queijo também são servidos em Hanuká para nos lembrarmos da história de Yehudit que teve uma participação tão importante nessa guerra.

 

Ela se apresentou ao general dos gregos como alguém que está muito a favor deles e trouxe à eles informações muito importantes

 

Deu a ele queijo salgado para comer, acompanhado de vinho forte para eliminar sua sede. O vinho o “derrubou” fazendo-o cair em sono profundo.

 

Yehudit então pegou a própria espada do general e cortou a cabeça dele e assim ganhamos a guerra .

 

 

https://rabinogloiber.org/receitas-de-chanuca/

 

Trouxemos aqui para vocês a receita principal de Hanuká que é o Sonho de Hanuká

 

https://rabinogloiber.org/receitas-de-chanuca/

 

Por Rifka Haia Eitan

 

Rifka Haia Eitan

 

INGREDIENTES

 

(Consulte a lista kosher no final desta página.)

 

Massa

 

400 g de farinha de trigo

 

4 colheres de sopa de açúcar

 

10g de fermento biológico seco

 

½ colher de chá de extrato de baunilha

 

1 ovo

 

50 g de manteiga

 

180ml de leite morno

 

1 pitada de sal

 

Primeiramente a massa: em uma tigela grande misture metade da farinha, o açúcar e o fermento.

 

Em seguida abra um buraquinho no meio da tigela adicione o leite morno, a manteiga, o ovo, o extrato de baunilha e a pitada de sal. Misture bem com uma espátula.

 

Junte o restante da farinha de trigo e quando a massa começar a ficar pesada comece a sova – por 15 minutos ou até que fique homogênea.

 

Coloque a massa de volta na tigela, cobra com um pano e deixe crescer por 30 minutos ou até dobrar de volume.

 

Após esse tempo divida a massa no tamanho que desejar e boleie cada pedaço.

 

Deixe crescer por mais 30 minutos e em seguida frite em óleo novo e limpo até dourar de todos os lados.

 

Recheio

 

180ml de leite integral

 

12 gramas de amido de milho

 

2 gemas verificadas

 

½ colher de sopa de manteiga Kasher

 

3 colheres de sopa de açúcar

 

1 colher de chá de extrato de baunilha

 

Modo de preparar o Recheio

 

Coloque um pouquinho do leite em uma tigela e dissolva o amido de milho.

 

É importante fazer isso agora para o creme não empelotar depois.

 

Em seguida junte as gemas e misture muito bem. Reserve em uma panela misture o restante do leite, o açúcar e a manteiga e leve ao fogo até ferver.

 

Tire do fogo e acrescente aos poucos na mistura de leite com amido e gemas que preparamos anteriormente. Mexa sem parar a cada adição.

 

Volte a mistura para a panela e leve ao fogo até engrossar.

 

Mexa sempre para não grudar o fundo – essa etapa é bem rápida, então não saia de perto do fogão!

 

Desligue o fogo, acrescente o extrato de baunilha e mexa bem.

 

Essa receita rende 18 sonhos médios .

 

Se você quiser bastante recheio dobre a receita do Recheio.

 

Hag Hanuká Samea’h

🌻🧁🧆🥂

 

Hanuká nas Sefirót

 

Em Hanuká costumamos durante oito dias acender a Hanukiá que é o candelabro de Hanuká com óleo de oliva, mas também podemos acender com qualquer óleo de cozinha ou velas.

 

Suas luzes nos fazem lembrar e celebrar o milagre que aconteceu logo após a vitória dos Macabeus contra os gregos da Síria que dominavam o nosso povo.

 

Quando os Macabeus recapturaram o Templo Sagrado de Jerusalém, encontraram um único pote com azeite de oliva não profanado para com ele acender a Menorá.

 

E  D’us fez para nós um milagre:

 

Aquele único pote de azeite, que deveria durar apenas um dia, ficou aceso ininterruptamente durante oito dias que foi o tempo suficiente para que o Povo Judeu pudesse produzir mais azeite considerado puro de acordo com os Mandamentos de pureza e impureza da Torá.

 

Para celebrar a vitória dos Macabeus, simbolizado pelo milagre do azeite que manteve a Menorá acesa por oito dias, nossos Sábios instituíram a Festa das Luzes, Hanuká.

 

Como se trata de uma festa de oito dias, o candelabro que usamos durante a festa, a hanukiá, tem oito braços. Mas a Menorá do Beit a Mikdash tinha sete braços.

 

Na Torá, o número sete é altamente significativo, sendo uma das razões o fato de D’us ter criado o universo em um processo que durou sete dias.

 

Os sete braços da Menorá representam os sete líderes do nosso povo, Avraham, Yitzhak, Yaakov, Moshe, Aharon, Yossef e David.

 

Eles aparecem em diferentes contextos e ocasiões como por exemplo, eles são os Ushpizin, os visitantes celestiais, que visitam toda Sucá durante os sete dias da festa de Sucot, a festa das cabanas.

 

Os sete braços da Menorá representam cada uma de suas contribuições espirituais singulares.

 

Cada um deles personifica um dos sete atributos da Árvore da Vida da Kabalá, também conhecidos como as Sete Sefirot emocionais.

 

O estudo das Sefirot é um dos alicerces do lado oculto da Torá. Elas são modos ou atributos mediante os quais D’us se manifesta – três delas são intelectuais e sete, emocionais.

 

As Sefirot não representam D’us, mas sim, o meio pelo qual a Torá atribui à D’us qualidades e atributos específicos.

 

D’us é a essência do bem, Infinito e Indefinível de tão elevado. O amor, uma manifestação da Sefirá de Hessed, é uma emanação de D’us.

 

Esse mesmo conceito se aplica para todas as Sefirót, elas são emanações Divinas por meio das quais D’us cria e se relaciona com toda a sua criação.

 

As Sefirot constituem a composição espiritual de cada ser humano, e sobre isso está escrito que D’us criou o homem à Sua imagem e semelhança.

 

Porque da mesma forma que D’us interage com o mundo por meio das Sefirot, o ser humano também interage com o mundo por meio de dez Sefirót.

 

Quando uma pessoa utiliza as Sefirot que tem dentro de si, ou seja, os poderes de sua alma, para fazer o Trabalho Divino aqui no nosso mundo, ela desperta essas mesmas Sefirót nos mundos superiores.

 

Hessed

 

O primeiro braço da Menorá representa a primeira Sefirá emocional que é a Hessed, fonte do amor, da bondade, da generosidade e da benevolência.

 

A Hessed também é conhecida como Guedulá, grandeza, porque a vida provém de D’us e é dirigida a um número quase ilimitado de mundos e criaturas.

 

O Zohar, livro clássico da Kabalá, se refere a Hessed como “o primeiro dia da criação, o primeiro atributo, que acompanha todos os demais dias da Criação” (Zohar 1, 46a).

 

Representa a benevolência ilimitada com que D’us criou tudo o que existe, como descreve um versículo do Tehilim (89-3): “O mundo foi construído com Hessed”.

 

O livro clássico da Kabalá chamado de Etz Haim nos ensina que a Hessed foi o motivo da Criação do mundo. “Fazer o bem é da natureza d’Aquele que é bom”.

 

Cada dia da semana corresponde a uma das sete Sefirot emocionais. Como nos ensina a Torá, no Primeiro Dia, D’us criou a luz.

 

O primeiro braço da Menorá, que simboliza Hessed, a primeira Sefirá emocional, está ligado ao nosso primeiro patriarca, Avraham Avinu.

 

Ele é a personificação desse atributo. Ele foi o exemplo vivo do “homem de bondade e benevolência”, que amava D’us e todas as pessoas, e praticava uma ilimitada generosidade material e espiritual.

 

Em nosso relacionamento com D’us expressamos nossa Hessed por meio do nosso amor por Ele e ao próximo.

 

Como nos ensina a Guemará, uma das formas de se unir a D’us é se comportar como D’us, e as qualidades Divinas são as Sefirot.

 

Quando uma pessoa pratica a Hessed, realizando atos de bondade, amor e generosidade, ela está fazendo como D’us, e unindo-se, assim, a Ele.

 

Guevurá

 

O segundo braço da Menorá simboliza a segunda Sefirá emocional, a Guevurá – que significa disciplina, força, bravura e justiça.

 

Guevurá é um movimento que segue em direção oposta a Hessed. A Hessed representa doação e compartilhamento, mesmo quando de forma incondicional e não criteriosa.

 

Guevurá representa a retenção e retraimento que é o contrário da Hessed. Como um poder da alma, representa o atributo emocional da reverência, do temor e da restrição.

 

Hessed é atração e Guevurá é repulsa

 

Hessed determina que se deve doar generosa e incondicionalmente, sem considerar o mérito de quem irá receber.

 

Guevurá argumenta contra a doação àquele que não a merece ou que fará mau uso do que receber.

 

Contudo, Guevurá também possui um aspecto essencial da bondade Divina, pois se a Hessed de D’us fosse irrestrita, provocaria o anulamento de toda a existência como no primeiro dia da criação onde o mundo todo era água que é a maior manifestação da Hessed. Água é vida, mas água sem limites não dá espaço à vida.

 

Sendo assim, tanto a Guevurá quanto a Hessed, mantém a existência do mundo.

 

A Sefirá de Guevurá é a manifestação do poder Divino em restringir e ocultar Sua Luz Infinita, possibilitando que Suas criaturas recebam a Hessed Divina segundo a capacidade de cada criatura, sem serem anulados pela Infinitude Divina.

 

A Sefirá de Guevurá é a manifestação Divina que por meio dela D’us fez o segundo dia da Criação, quando D’us criou o firmamento, em hebraico, Rakía, que são os limites materiais que sem a qual a vida na Terra não seria possível.

 

A Guevurá é a Sefirá associada a Yitzhak Avinu, nosso segundo Patriarca

 

O evento paradigmático na vida de Yitzhak foi quando ele anulou sua vontade, permitindo ser amarrado no altar a fim de ser sacrificado por seu pai, Avraham.

 

O Midrash descreve como Yitzhak estava em completo controle de si mesmo.

 

Ele personificou a bravura, a Guevurá, em sua capacidade e força de dominar seu sentido natural de autopreservação, exercendo total disciplina e resiliência ao se dispor a sacrificar sua vida em obediência à ordem de D’us.

 

Servimos D’us com Guevurá por temor e reverência a Ele. Servir a D’us com Guevurá consiste em usar a disciplina para cumprir os Mandamentos Divinos, não cedendo à tentação.

 

O Zohar nos ensina que assim como um pássaro necessita duas asas para voar, também nós, seres humanos, devemos amar e temer a D’us, ao mesmo tempo, ou seja, servindo a D’us com os atributos de Hessed e de Guevurá.

 

Tiferet

 

O terceiro braço da Menorá simboliza a terceira Sefirá emocional, a Tiferet, que tem várias definições: beleza, harmonia, compaixão, misericórdia, verdade e paz.

 

A Tiferet faz a harmonia entre a Hessed e a Guevurá. Se D’us emanasse apenas Hessed, o mundo seria anulado perante sua Guedulá, sua Grandeza Infinita.

 

Por outro lado, se D’us manifestasse apenas Guevurá, se Ele Se contivesse totalmente, o mundo deixaria de existir.

 

Nosso mundo somente pode existir se Hessed e a Guevurá se equilibrarem, uma à outra. Tem de haver uma constante interação, uma reciprocidade, entre essas duas Sefirot.

 

Tiferet possibilita que as duas se auto equilibrem uma à outra, a fim de que este nosso mundo finito possa absorver a Infinita benevolência Divina, sem deixar de existir.

 

No Terceiro Dia da Criação, D’us determinou um equilíbrio entre água e terra, de forma que ambos sustentassem o reino vegetal, animal e humano.

 

Yaakov Avinu, nosso terceiro e último Patriarca, personifica a Sefirá chamada de Tiferet.

 

Yaakov foi a primeira pessoa na Torá a revelar o espectro total das emoções humanas. Ele combina a Hessed de seu avô Avraham, com a Guevurá de seu pai, Yitzhak.

 

Em nosso relacionamento com D’us, expressamos Tiferet ao estudar a Sua Torá, que representa a busca pela harmonia, verdade, compaixão e paz.

 

Também exercitamos esta Sefirá glorificando D’us por meio do embelezamento do cumprimento dos mandamentos de Sua Torá.

 

Netza’h

 

O quarto braço da Menorá representa a quarta Sefirá emocional, Netza’h, que significa “conquistar” ou “vencer”.

 

A Netza’h expressa a ideia de dominação, ambição e a iniciativa necessária para se chegar à vitória.

 

Esta Sefirá caracterizou o Quarto Dia da Criação – quando D’us criou as estrelas e os corpos celestes que são uma expressão de Netza’h pelo fato de exercitarem uma medida de dominação sobre todos os seres vivos.

 

Como por exemplo, a luz do Sol que é essencial para a existência de vida na Terra.

 

Dia e noite, as quatro estações, o Shabat e os Haguim que são os dias festivos no calendário judaico dependem do ciclo lunar e do ciclo solar.

 

Os corpos celestes expressam Netza’h de uma outra forma: eles não se desviam de sua missão, seguindo as rígidas leis que lhes foram impostas por D’us.

 

Entre os sete líderes do nosso povo, Moshe Rabenu, o maior de todos os líderes e profetas que nosso povo já teve, personificou a Sefirá de Netza’h.

 

Todas as ações de Moshé foram duradouras, especialmente ao trazer a Torá à Terra e a transmitir ao Povo Judeu.

 

Aquele que serve a D’us com o atributo de Netza’h está determinado a cumprir Sua Vontade, quaisquer que sejam os desafios ou dificuldades.

 

A qualidade de Netza’h que reside na alma de cada um de nós depende da confiança que ela tem na missão Divina que lhe cabe.

 

E essa pessoa a executará com total determinação até chegar à vitória.

 

Hod

 

A quinta Sefirá emocional é a Hod, traduzida como humildade, entrega, gratidão e aceitação. Hod representa o poder da alma que complementa Netza’h.

 

Enquanto Netza’h nos impele para a frente, vencendo barreiras, Hod assegura que nosso sucesso se baseie em nosso reconhecimento da origem Divina de nosso poder e força. Assim sendo, Hod representa sinceridade, humildade e gratidão.

 

É a Sefirá de Netza’h que energiza nossa ambição. Mas é a Sefirá de Hod que nos obriga a reconhecer que devemos nosso sucesso à Providência Divina.

 

A Hod desperta dentro de nós a humildade de reconhecer que não somos senhores únicos de nossa vida e nosso destino. Netza’h se expressa por meio de dominação, e Hod por meio de submissão.

 

Às vezes temos que exercitar nossa Netza’h e impor nossa vontade, e outras vezes temos que agir com Hod, submetendo-nos à vontade dos outros.

 

A Sefirá de Hod caracterizou o Quinto Dia da Criação. Neste dia, D’us criou as aves e as criaturas marinhas que foram os primeiros seres que receberam a benevolência Divina.

 

Entre os sete líderes do nosso povo, Aharon, irmão de Moshe, que foi o primeiro Cohen Gadol, primeiro Sumo Sacerdote, é quem personifica a Sefirá de Hod.

 

Sua capacidade de fazer a paz entre as pessoas era proveniente de seu desejo de se submeter aos outros em troca de promover a união entre eles.

 

Em nosso relacionamento com D’us, expressamos a Sefirá de Hod por meio do autocontrole e o reconhecimento da transcendência Divina que está infinitamente acima do nosso entendimento.

 

Exercitamos Hod em nosso Trabalho Divino por meio do reconhecimento de que, apesar de nosso grande empenho e determinação, a Vontade de D’us sempre prevalecerá.

 

Por meio de Hod, nós, seres humanos, reconhecemos depender totalmente de D’us. E percebemos que nossa visão limitada se deve à nossa perspectiva material e finita.

 

Expressamos nossa gratidão a D’us por todos os favores que Ele nos concede e a Ele agradecemos por tudo. Hod significa ser sincero em nossos atos de gratidão.

 

Yessod

 

O sexto braço da Menorá representa a sexta Sefirá emocional chamada de Yessod, que significa “a base, o fundamento”.

 

A Sefirá de Tiferet que está acima da Yessod harmoniza e equilibra a Hessed e a Guevurá.

 

Dessa mesma forma a Sefirá de Yessod faz a harmonia e o equilíbrio entre a Netza’h e a Hod.

 

Netza’h e Hod têm a ver com dominação ou submissão, a Yessod se expressa por meio do equilíbrio entre a dominação e a submissão na nossa personalidade tanto no relacionamento entre o ser humano e D’us como na interação que temos com as outras pessoas.

 

O Sexto Dia da Criação foi feito por meio da revelação da Yessod, quando D’us criou o primeiro ser humano.

 

O homem e a mulher constituem a base da Criação. D’us dá a todas as suas criaturas tudo o que elas precisam para a sua sobrevivência, mas os seres humanos retribuem cumprindo o seu propósito na Criação.

 

O homem e a mulher expressam a Yessod por meio do livre arbítrio. Temos a possibilidade de fazer o mal mas optamos por fazer o bem.

 

A Sefirá de Yessod une D’us e Sua Criação em um vínculo de empatia e amor.

 

Yossef a Tzadik, o José da Torá, filho do nosso patriarca Yaakov, foi a revelação da Sefirá de Yessod no nosso mundo.

 

Com a sua integridade e retidão, Yossef resistiu à tentação e teve sucesso em todos os seus esforços, trazendo bênçãos, salvação e prosperidade para o mundo, pelo fato de estar constantemente conectado com D’us.

 

Utilizamos o poder de Yessod em nossa alma ao sermos fiéis a D’us com intensa vontade e temos o prazer em cumprirmos os Mandamentos Divinos que nos conectam à ele.

 

O Midrash nos conta que os seis primeiros dias da Criação constituem dois conjuntos de três dias cada, sendo que o segundo conjunto aperfeiçoa e complementa o primeiro.

 

A primeira composição espiritual das Sefirot Hessed, Guevurá e Tiferet se compara à segunda que é o conjunto de Netzach, Hod e Yessod.

 

No primeiro dia da criação que foi feito por meio da revelação da Sefirá de Hessed, D’us criou a luz.

 

No quarto dia da criação, que foi feito por meio da Sefirá de Netzach, D’us criou as fontes de luz que são o Sol, a lua que nos repassa um pouquinho da luz do sol, e as estrelas.

 

No segundo dia da criação, que foi feito por meio da revelação da Sefirá de Guevurá, D’us criou os oceanos quando criou a força da gravidade e outras forças materiais que separaram  as águas de cima das águas de baixo.

 

No quinto dia da criação, que foi feito por meio da revelação da Sefirá chamada de Hod, Ele criou os peixes.

 

No terceiro dia da criação, que foi feito por meio da revelação da Sefirá chamada de Tiferet, D’us criou a terra seca.

 

No no sexto dia da criação que foi feito por meio da revelação da Sefirá chamada de Yessod, Ele criou o ser humano

 

Mal’hut

 

O sétimo braço da Menorá representa a sétima Sefirá emocional, a Mal’hut.

 

Traduzida como “realeza”, essa Sefirá é única entre as sete Sefirot emocionais:

 

as seis primeiras são ativas ao passo que Malchut é passiva, transmitindo a ideia de receber.

 

A Yessod, a sexta Sefirá, combina todas as demais Sefirot e as conecta a Mal’hut.

 

Tendo recebido a luz de todas as demais Sefirot, a Mal’hut canaliza e direciona uma luz unificada ao mundo, harmonizando todos os diversos atributos das demais Sefirot e os projetando para baixo, para a Criação.

 

A Mal’hut é comparada à lua, que não tem nenhuma luz de si própria, mas toda a sua luz é somente a luz que ela recebe do Sol.

 

Diferentemente das demais Sefirot, Mal’hut não tem nenhuma característica nem mesmo uma qualidade própria, e isto lhe permite unificar todas as Sefirot dentro de si e as projetar para nosso mundo.

 

Mal’hut é o instrumento por meio do qual todo o plano da Criação passa a existir.

 

A Mal’hut sozinha é chamada de “Nukva” que é o “aspecto feminino” das Sefirót , o lado receptor. A Mal’hut é comparada à uma jovem mãe, que depois de comer qualquer coisa ela transforma isso em leitinho e dá de mamar para o nenê.

 

A revelação Divina na Mal’hut é chamada de “Sh’hinta” que quer dizer “a presença Divina”. A Mal’hut é representada pela letra Hei que se encontra no final do nome de D’us.

 

A Kabalá nos ensina que “nada ocorre com os seres inferiores a não ser que seja através de Mal’hut” (Tikunei Zohar 19:40b, Zohar hadash, 11a). Esta Sefirá é conhecida como “o arquiteto mediante o qual se fez toda a Criação” (Pardes Rimonim 11:2).

 

A receptividade inata em Mal’hut, que chega mesmo à sensação de vazio, é personificada pelo rei judeu ideal, que deve ser excessivamente humilde.

 

Ele precisa estar constantemente ciente de sua nulidade perante o verdadeiro Rei dos Reis.

 

A humildade é como um copo vazio, pronto para receber.

 

A humildade de um rei é o portão que se abre para que ele possa receber o influxo Divino, o qual ele, por sua vez, pode compartilhar com os demais.

 

David HaMele’h, o Rei David, é o sétimo líder do nosso povo e personifica a Sefirá de Mal’hut.

 

Em seus Tehilim, ele se auto descreve como “pobre e carente”, apesar de descender de uma das famílias judias mais ricas e distintas.

 

No entanto, ele se considerava pobre, pois assim como alguém que nada possui depende da generosidade dos demais, o Rei David reconhecia que todas as suas posses, seu reino, suas riquezas, seu poder, provinham exclusivamente de D’us.

 

Mal’hut é o poder que D’us nos dá para que possamos receber d’Ele. Essa Sefirá expressa um relacionamento no qual o que recebe pode retribuir, tornando-se um doador.

 

A Sefirá de Mal’hut caracteriza o Sétimo Dia da Criação, o Shabat.

 

As seis primeiras Sefirot emocionais são ativas, ao passo que a sétima, Mal’hut, é passiva.

 

Essa ideia se aplica ao ciclo semanal. A Torá nos pede para trabalhar somente nos seis dias da semana e descansar no sétimo.

 

O Shabat, o sétimo dia, o Shabat Sagrado, recebe bênçãos dos outros seis dias que o precedem, assim como a Mal’hut recebe das demais seis Sefiro, e retribui, tornando-se, pelo fato de abençoar os dias da semana que a seguem, uma doadora.

 

O Zohar justamente nos ensina que “Através dos dias de Shabat, todos os outros dias se tornam abençoados”.

 

Nós expressamos a Mal’hut por meio da aceitação da soberania Divina e do cumprimento dos Mandamentos Divinos. Quando fazemos o Trabalho Divino com humildade estamos manifestando o poder da Mal’hut

Nossos Sábios nos ensinaram que: “As mulheres também participaram daquele milagre”

 

A Guemará nos conta que as mulheres tem a mesma obrigação que os homens em relação ao acendimento das velas de Hanuká porque elas também participaram daquele grande milagre.

 

Sendo que os maridos acendem a Hanukiá, as mulheres costumam não fazer nenhum trabalho por meia hora enquanto as velas de Hanuká estão acesas para mostrar que elas tem a mesma obrigação que os maridos.

 

A participação das mulheres nos milagres de Hanuká acontece por meio de uma mulher chamada de Yehudit.

 

A história de Yehudit foi contada em um livro muito antigo, que leva seu nome em hebraico, Yehudit. Infelizmente, o texto original se perdeu e não sabemos ao certo o que aconteceu.

 

E sendo que essa história é contada de várias maneiras diferentes e as fontes não são judaicas, a Guemará não traz nenhuma dessas versões mas simplesmente nos traz o fato principal: que as mulheres também participaram daquele milagre.

 

Para entendermos a grandeza das mulheres tanto em relação à Gueulá de Hanuká quanto em relação à nossa Gueulá, nossa redenção final que vai acontecer em breve em nossos dias, vamos para o Ari Zal que nos conta que tanto Moshe Rabeinu quanto o povo de Israel que faleceu no deserto, se reencarnam e se tornam a última geração.

 

Diz o Ari ZaL que Moshe Rabeinu e toda sua geração eram a “Dór Deáh”, a geração do conhecimento, e a raiz das almas deles era o lado oculto da Sefirat Daat que é chamado no “Etz Haim” de “Leáh”.

 

A geração paralela chamada de “erev rav” também tinha a raiz na Daat, mas era afetada pela mistura do bem e do mal nesse mundo.

 

Moshe se reencarna e se torna Mashia’h e a geração dele também se reencarna e se torna a geração do Mashia’h.

 

até a “erev rav” também se reencarna por também ser “dór deáh” e à ela se refere o final do versículo que diz:- “esse povo vai se levantar e ….

 

As mulheres mandam nos maridos? Mashia’h vai chegar!

 

Uma característica dessa última geração, diz o Ari ZaL, é o fato de as mulheres mandarem nos maridos.

 

Na reencarnação anterior dessa geração, no deserto, os maridos doaram os anéis para fazer o bezerro de ouro mas as mulheres recusaram apoiar a idolatria.

 

Por isso elas ganharam esse prêmio de mandar neles nessa reencarnação.

 

Chegamos à conclusão de que essa geração é a nossa!!!!

 

Diz o Maguid de Mezritsh que outra característica da “dór deáh” é de que o assunto principal deles era o conhecimento que se expressa pela fala e eles não tinham a característica da ação.

 

Até o próprio Moshe para abrir o mar vermelho somente levantou o cajado mas não bateu no mar.

 

Quando Moshe chegou perto da Terra Santa na qual o trabalho principal seria a ação das Mitzvot, Hashem disse para ele falar para a pedra para que a água volte mas ele bateu na pedra para começar já o trabalho da próxima geração, a ação

 

Hashem queria que ele falasse com a pedra para elevar a próxima geração, a geração da ação, ao nível elevado da geração dele, do conhecimento, da fala.

 

Toda aquela geração com Moshe e a “erev rav” tiveram que falecer no deserto e esse é o trabalho de Moshe:

 

Voltar como Mashia’h e elevar toda a “geração do conhecimento”, incluindo a erev rav, por meio do estudo Torá e o cumprimento das Mitzvót, “fala e ação”

 

O Rebe de Lubavitch disse que essa geração somos nós!

 

 

Rabino Gloiber
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Yud Tet Kislev – 19 de KISLEV 1798 – O ANO NOVO DA HASSIDUT

Yud Tet Kislev

19 de KISLEV 1798

ANO NOVO DA HASSIDUT

 

Dia da Hilula do Maguid de Mezeritch, que deixou este mundo na Terça feira de Parashat Vaieshev 5533 (1772). Ele está enterrado em Anipoli.

 

O Admor Hazaken foi libertado do seu primeiro encarceramento no dia 19 de Kislev, Terça feira da Parashat Vayeshev 5559 (1798), exatamente antes da noite.

 

Ele escreveu uma carta para os Hassidim dizendo:

 

Este dia que D’us fez para vocês, o 19 de Kislev , uma Terça feira, quando a palavra “bom” foi dita duas vezes durante a criação, a Hilula do nosso santo mestre, cuja alma encontra-se no Gan Eden, enquanto eu lia no livro dos Tehilim o versículo “Ele libertou a minha alma na paz”, antes mesmo de ter começado a leitura do versículo seguinte, fui libertado, na paz, pelo D’us de Paz.

 

É um dia de Farbrenguen e de boas decisões como fixar um tempo para o estudo da parte revelada da Torá e da hassidut, um dia para se fortalecer nos caminhos dos hassidim, e acrescentar no amor ao próximo.

 

HAYOM YOM – TRATAMENTO DE CHOQUE: hassidut!

 

Salvar o povo judeu do estado de coma e prepará-lo para a chegada de Mashia’h.

 

A única solução: ha-ssi-dut!

 

Quando o Admor Hazaken estava na prisão, o Maguid de Mezeritch e o Baal Shem Tov desceram do Gan Eden para visitá-lo fisicamente (nessa cela havia lugar suficiente apenas para 3 homens de carne e ossos).

 

Esses 2 mestres da Torá vieram visitá-lo e o Admor Hazaquen perguntou à eles porque ele tinha que passar por isso, porque estava na prisão?

 

E eles lhe responderam que havia um decreto muito forte contra ele porque havia revelado demais a hassidut.

 

Então ele perguntou para eles se deveria deixar de dizer palavras de hassidut quando saísse da prisão.

 

Eles responderam: “Sendo que você já começou, agora você não deve mais parar.

 

E mais do que isso, quando você sair da prisão deverá divulgar ainda mais a hassidut, quem começa deve continuar”.

 

O decreto contra a difusão da hassidut havia também existido na época do Maguid de Mezeritch, quando ele era o Rabi da sua geração, e a história aconteceu assim :

 

“O Maguid ensinava hassidut e também difundia muito os escritos da hassidut.

 

Um dia foi encontrado um documento de hassidut que havia rolado chegando até um lugar sujo.

 

Isto fez com que no tribunal Divino se levantasse um decreto contra o Maguid que difundiu a hassidut de tal maneira que os escritos hassídicos chegaram a lugares impróprios.

 

O Admor Hazaken, na época era um dos seus discípulos.

 

Ele conseguiu sozinho anular aquele decreto contra seu mestre graças ao fato de contar a seguinte história:

 

Um grande rei tinha um filho que estava doente, vítima de uma grave doença e nenhum médico encontrava um remédio para curar o príncipe.

 

Finalmente o maior dos médicos descobriu o remédio para salvar a vida do príncipe.

 

Mas para fazer esse remédio era preciso estragar a coroa do rei tirando dela a pedra mais preciosa, moer essa pedra até ela virar pó e depois diluir este pó na água.

 

Era preciso dar para príncipe doente a jóia da coroa. Se ele conseguisse tomar esse remédio ele ficaria curado.

 

Mas o filho já estava tão doente que nem engolir o remédio ele não conseguia.

 

Então jogaram o remédio nos lábios do príncipe.

 

Grande parte daquela mistura foi desperdiçada, mas valeu a pena.

 

Porque se uma gota entrasse na boca do príncipe iria salvar a vida dele.

 

O povo judeu, explicou o Admor Hazaken, é o príncipe doente e sua doença é espiritual. Sua vida espiritual está em perigo.

 

O único remédio para esta doença é a hassidut.

 

Apenas uma gota de hassidut que entrar no coração de um Judeu salvará a sua vida da doença espiritual.

 

Por isso precisamos divulgar ao máximo a hassidut, mesmo que a maioria dessa publicação acaba em desperdício.

 

Ou seja, mesmo existe o risco de as escrituras hassídicas chegarem a um lugar impróprio, mas tudo isso vale a pena na esperança de que talvez uma gota de hassidut chegue ao lugar ver.

 

Nos céus aceitaram o exemplo que o Admor Hazaquen deu, e o decreto que havia contra o Maguid foi anulado.

 

Rabino Gloiber

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O segredo do Mazal

O segredo do Mazal

O Zohar nos conta que de vez em quando vemos um Tzadik sem “Mazal” .

 

O motivo para isso é que D’us “refina” o Tzadik nesse mundo por meio de sofrimentos para que ele tenha um “gan éden” maior e isso é chamado de “sofrimentos de amor”.

 

Sabemos que a She’hiná (Presença Divina) não paira onde há tristeza mas somente onde há alegria proveniente do lado da pureza, “Alegria de Mitzvá”.

 

Como vemos no caso do profeta Elishá que precisou de um músico para alegrá-lo para que a She’hiná pairasse sobre ele e ele pudesse falar a sua profecia.

 

Nesse caso ouvir a música se tornou a Mitzvá de fazer com que a She’hiná pairasse sobre ele por meio da alegria.

 

Aprendemos isso de Yaakov , que por estar triste em achar que Yossef tinha falecido causou à She’hiná deixá-lo , e quando ele se alegrou com a notícia de Yossef estar vivo a She’hiná voltou para ele.

 

Então , pergunta o Zohar , como pode D’us deixar o Tzadik sofrer se isso causa a ele a falta de alegria.

 

E também , por outro lado, vemos Tzadikim que tudo na vida deles dá certo , eles tem “Mazal”, e se o motivo de ele ter mazal é o fato de ser um Tzadik filho de um Tzadik (o mérito do pai ajuda ele) Yaakov que era filho e neto de Tzadikim , por que sofreu tanto ?

 

O Zohar nos conta sobre um livro da antiguidade chamado “livro dos antepassados”. Esse livro revela que o segredo do Mazal é ligado às Sefirot .

 

Tem vezes que o Mal’hut (Sefirát Hamal’hut) que é o nível de Revelação Divina chamado de She’hiná está com uma falha causada pelas más ações do mundo e não se une a Tiféret para receber dela novas Neshamot (almas judias) (o Zohar chama o Zeer Anpin de Tiferet).

 

Mesmo assim o Mal’hut tem que enviar para o mundo as Neshamot que já recebeu da Tiféret quando estava unida a ela e que ficam no Mal’hut por doze meses.

 

Essas Neshamot que descem para o mundo quando o Mal’hut está em estado de Guevurá e separado da Tiféret vão estar sempre sofrendo nesse mundo .

 

A pobreza e os problemas a perseguem continuamente por toda a sua vida tanto se ele é um Tzadik ou não ele não tem “Mazal “.

 

O único jeito dele “repor” essa falta crônica de Mazal é investindo na Tefilá sendo que por meio da nossa Tefilá causamos uma união entre a She’hiná e a Tiféret e essa união faz com que a Tiféret que é comparada pelo Zohar ao sol ilumine o Mal’hut que é comparado pelo Zohar à lua que só tem o que recebe do sol .

 

A Tiféret repassa um “brilho” de riqueza para a She’hiná, esse “brilho” ilumina na raiz da nossa Neshamá e por meio disso a She’hiná inverte o que nos foi decretado de pobreza e sofrimento para riqueza e sucesso em tudo.

 

Sendo que o Mazal dessa pessoa não se transforma totalmente por meio da Tefilá mas é “remediado” essa pessoa sempre vai ter que rezar “forte” diariamente toda a sua vida para repor essa “falta” .

 

A Neshamá que desce para o mundo quando o Mal’hut está unido com a Tiféret sempre vai ter sucesso em tudo!

 

Família , saúde , dinheiro e tudo o que precisar por causa de uma das Sefirot que fazem parte desse grupo que o Zohar chama Tiferet, essa Sefirá é chamada de Yessod que é apelidado de “Mazal”.

 

Ela que repassa fartura e prosperidade quando o Mal’hut está unido com esse conjunto chamado Tiféret , toda a felicidade, riqueza e tudo de bom está ligado à Sefirá chamada de Yessod que é o Mazal.

A falta dessa ligação causa uma falta de “Mazal” em tudo, e sobre isso estudamos que :- Filhos, saúde e dinheiro não dependem das nossas ações mas dependem do Mazal.

 

Sendo que a falha na She’hiná (Mal’hut) causou isso para esses Tzadikim , D’us está sempre unido à eles , não deixa eles nem por um momento e sofre com os sofrimentos deles. Isso é o que está escrito : “D’us está próximo dos que tem o coração quebrado” , porque eles sofreram junto com Hashem a falha da She’hiná causada pelas más ações desse mundo.

 

Sendo que o Mal’hut é comparado a lua e esses Tzadikim sofrem por causa dessa falha , quando a falha da lua (Mal’hut ) for consertada e a luz da lua ficar como a luz dos sete dias da criação (extremamente maior que a luz da lua) esses Tzadikim também usufruirão desse nível de revelação que é extremamente maior do que os outros níveis .

 

Essa falta de Mazal não precisa ser aplicada ao extremo, por isso o Zohar coloca o Rabi Shimon Bar Yo’hái também nessa classificação como Yaakov sendo que Rabi Shimon teve que fugir dos romanos por treze anos.

 

O próprio exílio de quatrocentos anos que foi decretado no pacto com Avraham Avinu começou com o nascimento de Itzhak e as mudanças de lugar que eles fizeram foi considerada como exílio e poderia ter passado assim por quatrocentos anos diz o Zohar , não fosse o ódio dos irmãos por Yossef que causou um agravamento total no exílio.

 

Em nosso exílio atual que foi causado por ódio gratuito isso fica mais grave ainda, sendo que sairemos desse exílio por meio de amor gratuito,

 

Sendo assim o principal trabalho da nossa geração é despertar o amor ao próximo e ajudarmos uns aos outros como é a característica natural do nosso povo de sermos tímidos , bondosos e gostarmos de fazer favores.

 

Conclusão :

 

A Tefilá e o amor ao próximo podem transformar o nosso Mazal é até uma viagem de férias pode ser considerada um exílio !

 

D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , e por isso , mesmo que o nosso Mazal não é dos bons não temos com o que nos preocupar.

 

Acrescentando em Tefilá e boas ações qualquer decreto pode ser substituído por meios que só D’us sabe fazer

 

Rabino Gloiber

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Os sonhos de Yossef e os sonhos do faraó

Nossa Parashá nos conta sobre os sonhos de Yossef e a próxima Parashá vai nos contar sobre os sonhos do Faraó.

 

Yossef teve dois sonhos que compartilhavam um mesmo tema, de que um dia sua família se curvaria perante ele.

 

No primeiro sonho, Yossef e seus irmãos foram representados por grãos de trigo. Onze feixes de trigo se inclinaram perante um único feixe, o de Yossef.

 

No segundo sonho, sua família, representada pelo sol, a lua e as estrelas, voltou a se curvar na frente dele.

 

Como Yossef na nossa Parashá, na próxima Parashá o Faraó também vai ter dois sonhos, e seus sonhos também irão compartilhar um mesmo tema, de que o Egito iria passar por sete anos de abundância seguidos de sete anos de fome.

 

E como nos sonhos de Yossef, nos sonhos do Faraó as imagens também  mudaram de um sonho para o outro.

 

No primeiro sonho, os anos de abundância e fome foram representados por sete vacas bem alimentadas  indicando uma grande fartura, e sete vacas mal alimentadas indicando uma grande escassez.

 

No segundo sonho, os sete anos de abundância foram representados por sete espigas de grãos saudáveis ​​e gordurosos e os anos de escassez representados por sete espigas secas e atrofiadas.

 

Nos sonhos de Yosef apareceram assuntos celestiais como o sol, a lua e as estrelas, os sonhos de Yossef progrediram do terrestre para o celestial.

 

Nos sonhos do Faraó não apareceram assuntos celestiais.

 

Seu primeiro sonho (do faraó) envolveu a vida animal, mas seu segundo sonho já desceu para a vegetal, uma forma de vida muito menor.

 

Podemos dizer que os sonhos do Faraó  “se deterioraram”!

 

O contraste entre esses dois conjuntos de sonhos realça as diferenças entre os sonhadores.

 

Os sonhos do faraó estavam desprovidos de qualquer coisa celestial, simbolizando uma pessoa cuja mente estava inteiramente absorvida em atividades terrestres.

 

Não é surpresa que essa pessoa gradualmente se torne mais e mais enraizada em suas obsessões materiais, como é representado pela seqüência “degenerativa” dos sonhos do faraó.

 

Os sonhos de Yosef, no entanto, eram diferentes. Um judeu, mesmo interagindo com o mundo físico, tem que estar sempre pensando nos aspectos celestiais de sua vida, seu desenvolvimento espiritual e propósito espiritual.

 

Yossef, portanto, sonhou tanto com o mundo material quanto com o celestial, e em uma ordem de “progressão”, porque sua vida como um todo estava em constante crescimento.

 

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O casamento do Rebe


O casamento do Rebe

 

Em 14 de kislev (27 de novembro de 1928) o Rebe se casou com a Rabanit Haya Mushka (1901-1988), que era segunda filha do Rabi Yossef Yitzhak.

 

O casamento do nosso Rebe com a Rabanit Haya Mushka aconteceu em Varsóvia, Polônia, na terça-feira à tarde, em 14 de Kislêv de 1928.

 

Centenas de hassidim da Polônia , da Lituânia e da Rússia Branca vieram para o casamento, e também grandes Rebes e grandes rabinos.

 

Logo após o casamento, o pai da Rabanit Haya Mushka, o Rebe Yossef Itzhak, pediu para o jovem casal morar em Berlim que era naquela época a capital intelectual da Europa Ocidental.

 

Em Berlim o Rebe atuou como Tzadik Nistar, um Tzadik oculto. Tudo o que o jovem casal fez em Berlim foi orientado pelo seu sogro. Uma dessas missões ocultas foi o fato de o Rebe ter ido estudar na universidade de Berlim.

 

Rabi Yossef Ber Soloveichik também se encontrava em Berlim naquela época e os dois estudaram na universidade juntos.

 

Rabi Soloveichik contou que o Rebe trazia uma Guemará ou outros livros sagrados nas aulas da universidade, e o colocava o livro  dentro dos livros da universidade.

 

Uma vez um dos professores viu que o Rebe estava lendo um livro judaico no  falta no meio da sua palestra, e disse ao Rebe:- “você pode repetir alguma palavra daquilo que eu disse?” Humildemente, o Rebe se levantou e repetiu a palestra inteira, palavra por palavra!

 

Em 1933 o Rebe teve que deixar a Alemanha por causa do nazismo. Em Heidelberg o Rebe recebeu um diploma de engenharia superior, e de lá o jovem casal se mudou para Paris.

 

Em Paris o Rebe entrou na universidade de Sorbonne e recebeu um diploma de engenharia mecânica, com especialização em engenharia naval.

 

Em Paris o Rebe dava aulas de Guemará, e o rabino Eliyáhu Reichman contou que quando era jovem participava todo dia da aula de Guemará do Rebe.

 

Uma vez, depois da aula, foram à estante do Rebe para ver o livro de Guemará que ele estava usando para dar a aula, e descobriram que o livro do Rebe não era aquela Guemará que o Rebe estava ensinando.

 

Ou seja, para que os alunos pudessem usar a Guemará certa, o Rebe usava outro livro, fingia que estava lendo aquela Guemará, mas na verdade ele estava falando tudo decor!

 

O estudo na universidade de Berlim e Sorbonne ajudou o Rebe a resolver dúvidas halá’hicas que surgiram com a fundação do Estado de Israel nos anos posteriores, problemas halá’hicos que não existiram antes disso, aí entendemos porque o Rebe teve que estudar nesses lugares.

 

Muitos desses problemas foram em relação à frota israelense de navegação. Os capitães dos navios alegaram que um navio com tripulação de judeus poderia viajar no Shabat por motivos de perigo de vida.

 

Sendo que eram problemas de segurança em alto mar, o Rebe era obrigado a ter um diploma de engenharia mecânica e naval de uma universidade renomada para que a sua opinião disse levada em conta pelos responsáveis pela frota.

 

O Rebe publicou que a alegação de que certos trabalhos proibidos poderiam ser realizados automaticamente no navio, e de que o navio não poderia parar no meio do mar, demonstrava não somente a ignorância do capitão do navio em relação aos princípios halá’hicos sobre trabalhos automáticos, mas também uma ignorância total em relação à engenharia naval.

 

Com esses diplomas o Rebe conseguiu convencer os rabinos de Israel a não acreditarem nas justificativas dos capitães dos navios israelenses que tinha outros interesses e se aproveitavam da ignorância do rabinato em relação à engenharia naval para acionar os navios no Shabat e até destilar água do mar para o consumo dos passageiros no meio do próprio Shabat .

 

 

 

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Por que marido e mulher não podem ser iguais?

Rav Moshe Weber explica o que era a caça de Essav:

 

No versículo :- “E amou Itzhak a Essav porque a caça dele estava na sua boca, mas Rifka gostava de Yaakov”. A palavra “caça” geralmente é relacionada ao fato de Essav fazer agrados à seu pai caçando para ele , demonstrando ser um filho prestativo e assim despertando ainda mais o amor natural que o pai já tinha por ele.

 

O Rav Moishe Weber, grande Tzadik que viveu em Jerusalém , explica que a palavra “caça na sua boca” se refere ao próprio Essav que possuía “aprisionada” dentro de si as Almas de grandes Tzadikim que iriam nascer no futuro, como Rabi Akiva e Rabi Meir Baal a Nés entre outros .

 

Itzhak sabia que de Essav iria sair o grande Rabi Akiva e achava que por isso Essav iria fazer Teshuvá. Isso foi o que impulsionou Itzhak a querer dar a Brahá para Essav.

 

A Rabanit Miriam , esposa do Rav Moishe acrescentou:- Se Essav tivesse recebido a Brahá de Itzhak, com certeza Rabi Akiva não seria nem Rabi e até mesmo nem judeu.

 

Por que Rifká pensava diferente?

 

O Zohar nos conta que Itzhak era a Guevurá intensa e Rifka era “Guevurá leve com um fio de Hessed pendente”. Por causa desse ” fio de Hessed” Itzhak não se apaixonou por ela logo que se casou , mas com o tempo o amor surgiu , como está escrito :- “Ele se casou e a amou”. Primeiro se casou e depois a amou .

 

O Zohar nos conta que D’us faz por milagre as pessoas se casarem dessa maneira , uma diferente da outra, como no caso de Itzhak e Rifka , ele Guevurá e ela uma leve guevura com um fio de Hessed pendente, para que um equilibre o outro criando harmonia no mundo.

 

 

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Mensagem da Parashá

Como rezar para a nossa reza ser atendida?

 

Nossa Parashá nos conta que Yaakov lutou contra um anjo e venceu.

 

Como pode Yaakov ter lutado contra um anjo, uma criatura espiritual, e porque Yaakov precisou da benção desse anjo que era nada mais nada menos que o anjo de Essav?

 

Diz o Zohar que o anjo para poder interagir nesse mundo é obrigado a se revestir em uma forma material e por isso Yaacov conseguiu materialmente lutar contra ele e vencer.

 

Yaakov insistiu para que o anjo concordasse com o fato de as Bra’hót pertencerem à ele para que esse anjo não se tornasse lá encima um Kitrug (um anjo promotor) contra o povo de Israel acusando no tribunal Divino de termos roubado a prosperidade de Essav.

 

O Zohar nos conta que Yaakov não quis ter proveito dessas Bra’hót nesse mundo e as guardou para os tempos do Mashia’h.

 

Por enquanto Essav se aproxima com 400 homens para atacar Yaakov….. e agora?

 

Como se faz para receber um milagre e ainda guardar os méritos para os tempos do Mashia’h?

 

Tefilá! Yaakov rezou para D’us ajudá-lo e não precisa usar seu mérito e dele.

 

Aprendemos algumas regras básicas em relação às nossas rezas:

 

Aprendemos que quando rezamos devemos explicar e especificar o que queremos de maneira clara e detalhada.

 

D’us está em todo lugar e sabe o que queremos mesmo sem pedirmos, mas aprendemos com Yaakov que para recebermos alguma coisa sem pedir necessitamos de um grande mérito lá em cima que até o próprio Yaakov, o maior dos patriarcas preferiu não usá-los enquanto não fossem extremamente necessários.

 

E se até Yaakov que tinha de verdade esse mérito preferiu guardá-lo para que possamos usá-lo nos tempos do Mashiach e por isso rezou detalhadamente para não precisar usar aquele mérito, quem somos nós para esperar que D’us faça um milagre sem pedirmos.

 

E mesmo que muitas vezes D’us nos faz verdadeiros milagres em coisas que nem chegamos a saber, mesmo assim o certo é pedirmos detalhadamente quando sabemos o que precisamos, e isso por dois motivos:

 

1 – Se não rezarmos talvez o milagre não aconteça.

 

2 – E se acontecer, ele poderá ser descontado dos nossos méritos.

 

Por isso, diz o Zohar, Yaakov detalhou a sua reza dizendo: – “Me salve por favor” (talvez de Lavan?) “do meu irmão” (parentes eram chamados de irmãos!) “de Essav” (e o motivo que eu preciso disso?) “para que ele não venha e ataque mulheres e crianças”.

 

Mesmo que essa reza foi curta, somente três versículos, vemos que ela conteve todos esses detalhes e foi eficiente. Nós próprios somos a prova ”viva” de que a Tefilá dele funcionou !

 

Se é assim, porque a melhor reza para resolver qualquer problema de saúde, financeiro, de família, social ou de qualquer outro tipo , é ler Tehilim que não estão especificando nenhum dos seus pedidos, como pode ser que ele serve para tudo?

 

Como pode ser que você lendo uma súplica do rei David pedindo para D’us o salvar de Shaul isso vai ser considerado como se você tivesse pedido detalhadamente e da maneira mais correta possível tudo o que você tinha intenção em pedir?

 

Sobre isso diz o Zohar na nossa Parashá:- “Venha e veja, nesses Tehilim que falou David existem segredos e assuntos elevados nos segredos da sabedoria, sendo que todos foram ditos por meio do Rua’h a kodesh que era um nível de revelação Divina que pairava sobre David e então ele escrevia os Tehilim. Portanto todos os Tehilim foram ditos por meio de segredos da sabedoria” .

 

Ou seja, quando você lê os Tehilim em hebraico você está expressando o seu sentimento e o pedido do seu coração da maneira mais profunda possível.

 

Mesmo assim é bom depois do Tehilim fazer o seu pedido explicito e detalhado como o fez Yaakov!

 

Fora a reza Yaakov se preparou para uma guerra e também mandou presentes para Essav. A Tefilá tem que recair sobre uma ação material, rezamos para que o nosso trabalho dê frutos, pedimos para D’us nos dar sucesso no que fizermos.

 

Essav aceitou os presentes e depois quis devolvê-los mas Yaakov não os aceitou de volta porque sendo sua Tefilá aconteceu por meio desses presentes , se os presentes fossem devolvidos talvez a Tefilá tivesse que recair sobre a guerra que era a outra opção.

 

Daqui aprendemos que quando perdemos algo é porque estamos ganhando lá de cima uma bondade ainda maior mesmo que não percebemos

 

 

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Mensagem da Parashá

Por que Essav não se intimidou dos anjos que Yaakov mandou para ele ?

No começo da Parashá anterior Yaakov vê Anjos na visão profética que teve no seu sonho. No final da Parashá anterior ele se encontra pessoalmente com esses anjos e os reconhece como sendo aqueles Anjos que ele viu no seu sonho.

 

Na nossa Parashá ele manda esses Anjos para Essav como primeira tentativa de fazer com ele as pazes.

 

Qualquer pessoa normal se intimidaria em uma situação dessas, mas Essav não se intimida. Os Anjos voltam para Yaakov e dizem que Essav vem atacá-lo com quatrocentos homens.

 

Como pode ser que essas criaturas Divinas não surtiram efeito e Yaakov é obrigado a dividir o povo em dois acampamentos, se preparar para uma guerra, rezar pedindo detalhadamente para D’us salvar ele do seu irmão, de Essav, para que ele não venha e mate as mulheres e as crianças. E Yaakov se vê obrigado até a mandar presentes para ”subornar” Essav?

 

E ainda mais, no final de todos esses preparativos Yaakov acaba ficando sozinho e é atacado pelo próprio anjo de Essav que é um dos setenta ”Sarim” responsáveis pelos povos do mundo, um anjo do nível impuro.

 

Para entender isso vamos pular para o final da nossa Parashá que nos conta sobre os sete reis que reinaram em Edom antes de ter um Rei no povo de Israel.

 

A Torá não conta para nós quantos faraós reinaram no Egito e nem quantos reis reinaram em outros países onde vivemos, e por que a Torá nos conta sobre os reis de Edom, um país onde nunca estivemos?

 

Mas na verdade a história dos reis de Edom é a explicação da estrutura espiritual de Essav com toda a expressão que ela tem no mundo, culminando com nosso “Galut Edom” na qual vivemos no momento. E também nos esclarece o fato de Essav não ter se intimidado com os Anjos que mandou Yaakov.

 

Olam a Tou, o mundo vazio

 

O Zohar nos conta que a história dos reis de Edom aparece na Torá para nos indicar um fenômeno Cabalistico que aconteceu antes de surgir o mundo de Atzilut, chamado de Olam aTikun, o mundo do conserto.

 

A quebra dos receptáculos

 

Antes do mundo de Atzilut existia o Olam a Tou. No Olam a Tou as “Luzes” , a revelação Divina, eram grandes e os receptáculos pequenos.

 

Cada Sefirá no Olam a Tou iluminava intensamente e não dava espaço para outras Sefirot.

 

Por causa disso aconteceu a “quebra dos receptáculos” e as luzes se separaram até caírem nos mundos de Briá Yetzirá e Assiá

 

Por meio do cumprimento dos mandamentos Divinos “consertamos” essas “Luzes” que caíram nos mundos de Briá Yetzirá e Assiá e fazemos elas subirem para o mundo de Atzilut que é o Olam a Tikun, o “mundo do conserto”

 

Na história dos sete reis de Edom encontramos a linguagem “e reinou e morreu” representando as sete Sefirot de Tou aonde aconteceu a quebra dos receptáculos, por isso está escrito “e reinou e morreu” porque uma queda de nível tão grande é comparada à morte.

 

O mundo do Tou é a raiz de Essav e o mundo do Tikun é a raíz de Yaakov. Pelo motivo de a raíz do mundo de Tou ser mais alta do que a raíz do mundo de Tikun está escrito “antes de reinar um Rei em Israel”, demonstrando que os reis de Edom são mais elevados do que os reis de Israel, mas somente na sua raiz.

 

No mundo de Atzilut as Sefirot são divididas em receptáculos separados mas cada Sefirá é englobada em segundo plano dela própria junto com todas outras Sefirot também, mas com uma intensidade menor que não oculta o aspecto principal de cada Sefirá.

 

O fato de o Olam a Tou anteceder o Olam a Tikun está lembrado em Parashat Bereshit também: “o mundo estava Tou vaVou e escuridão sobre a face do abismo”.

 

Descubrimos assim porque Essav não se intimidou com os Anjos de Yaakov, porque a raiz dele era mais alta do que os Anjos.

 

Por outro lado ele se deixou subornar pelos animais que Yaakov mandou de presente para ele, sendo que as “Luzes” de Tou caíram tão baixo, até o aspecto mais materializado desse nosso mundo material.

 

Aprendemos com a nossa Parashá que cada um de nós quando começa o trabalho Divino descobre muitas luzes, mas nossos receptáculos ainda são pequenos, e podemos achar que qualquer meio justifica o fim, fazendo do nosso trabalho Divino uma grande mistura entre o bem e o mal, como diz o Pirkei Avot: “estuda, revisa o estudo, e chuta seu pai e sua mãe e quem é maior do que ele”.

 

Aprendemos com a nossa Parashá que não devemos ser como Essav, muitas luzes mas que tem como consequência a quebra dos receptáculos.

 

Mas devemos ser como Yaakov, menos Luzes e mais receptáculos, uma história mais difícil, mas com um final feliz.

 

 

 

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Aprendendo com Yaakov

Nossa Parashá nos pergunta por que Yaacov fez uma promessa condicional para D’us , quando o certo seria fazer o trabalho Divino sem querer nada em troca ?

 

A resposta para isso é:

 

Yaakov não achava que podia confiar em seus próprios méritos e também não estava esperando que D’us o recompensasse pelo fato de ele estar cumprindo as Mitzvot , por isso ele optou por acrescentar coisas que se entendiam além das obrigações básicas da lei judaica .

 

Aparentemente uma coisa assim parece ir contra a ideologia dos nossos Patriarcas .

 

Nossos sábios ensinaram que nossos Patriarcas eram tão dedicados à D’us, a ponto de abrir mão de suas vontades pessoais para fazer o trabalho Divino.

 

Eles são comparados a uma “carruagem” que está totalmente submissa a quem a conduz.

 

Assim como no caso de Avraham, quando D’us pediu para ele que fazer uma ação, um “ato físico” para reforçar sua futura posse da terra , através do seu comprimento e amplitude, pediu para ele se levantar e caminhar pela terra , porque aquela terra seria dada para ele” .

 

Também aqui no caso de Yaacov, D’us compactou fisicamente toda a terra de Israel embaixo de Yaacov enquanto ele dormia para enfatizar a futura posse da terra por seus descendentes.

 

O fato de Yaacov ter “dormido” sob a terra , mostraria que Yaacov iria conquistar essa terra de modo fácil .

 

D’us mostrou para Yaacov que para os descendentes dele essa terra seria tão facilmente conquistada como uma área de 4 amot (2 metros) que era a medida do espaço onde Yaacov dormiu.

 

D’us mostrou para Yaacov que a terra que Ele estava prometendo aos seus descendentes não necessitaria de qualquer esforço para conquista-la , assim como dormir sobre o solo.

 

Ou seja, quando chegar a hora da Gueulá a nossa terra prometida desde o rio Eufrates no oriente até o rio Nilo no Egito será nossa com tanta facilidade como o esforço que alguém precisa fazer para deitar e dormir.

 

Então vamos rezar forte para a Gueulá chegar imediatamente e assim vamos receber com toda a facilidade possível e imaginável a Terra que D’us prometeu aos nossos patriarcas dar para os seus filhos que somos nós.

 

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