Mensagem da Parashá

Erros de avaliação

Na nossa Parashá Yaakov chega ao Egito e é apresentado por Yossef ao faraó.

 

Quando o Faraó pergunta à Yaakov qual é a sua idade ele responde :- “Os dias da minha vida foram poucos e ruins.”..

 

Porque a vida de um Tzadik tão grande como Yaakov , o maior dos patriarcas, foi tão ruim?

 

Diz o Ari Zal que os patriarcas são chamados de patriarcas porque o primeiro homem, Adam Harishon, que era o patriarca da humanidade inteira se reencarnou como Avraham , Itzchak e Yaakov.

 

Esse primeiro homem, por meio de ter comido a famosa fruta proibida cometeu as três maiores transgressões que estão em um nível de “preferível morrer do que transgredir”, fazendo com que sua Alma Divina nos seus três níveis de “Nefesh” , “Rua’h” e “Neshamá” caísse dentro das impurezas

 

Sabemos que o primeiro homem antes de fazer a primeira transgressão da história do mundo não tinha Yetzer Hará (inclinação para o mal) .

 

Se ele não tinha “yetzer hará” como pode ele ter feito uma transgressão tão grande?

 

Simples assim! Ele fez um erro de avaliação!

 

o primeiro homem. Mesmo tendo sido diretamente criado por D’us (e não cópia de cópia como nós) e o tempo em que ele foi criado era antes de comer a fruta proibida e receber o “yetzer a rá” (má inclinação) , mesmo assim tropeçou e caiu no caso “escândalo da fruta proibida”.

 

Com certeza tinha uma justificativa, como ele próprio disse :- “a mulher que você me deu….”.

 

Ou seja, o primeiro homem que não tinha Yetzer a rá achou que D’us iria ficar feliz de ele ter obedecido à Havá que era a “Mãe de todas as criaturas” ,

 

Havá imaginou que se ela comesse a fruta e ficasse como D’us seria um orgulho para o Criador

 

e erraram porque D’us queria que eles ficassem como D’us em “Kedoshim Tihiu” , em coisas boas , não em vivenciar a “coisa ruim”.

 

Fizeram um erro de avaliação sem ter feito ainda o primeiro pecado e ter recebido uma má inclinação .

 

Ou seja, ninguém é perfeito, todos nós somos passíveis de erros de avaliação.

 

Um ser humano criado pelo próprio D’us sem Yetzer a rá faz um erro de avaliação , o que dizer sobre nós , geração descartável , será que existe entre nós alguém que D’us não criou e portanto é perfeito ?

 

Mais provável que alguem se ache perfeito , ou se achava até ler o Rashi do Midrash Rabá !

 

A nós só resta não cobrar perfeição do nosso próximo , não cobrar dele o que D’us não criou e julgar ao nosso próximo com bons olhos porque da mesma maneira que julgamos o nosso próximo assim somos julgados lá em cima.

 

Qualquer criatura, mesmo um Anjo ou uma criatura mais elevada é impossível que seja totalmente perfeito , como diz a conhecida explicação de Rashi no Midrash Rabá sobre o versículo “Asher Bará Elokim Láassot”.

 

Rashi traduz a palavra “Laassot” como consertar. Ou seja, tudo o que D’us fez ainda precisa de um consertozinho

 

E se ainda é preciso fazer alguma coisa em tudo o que D’us fez quer dizer que nada é perfeito, portanto tudo o que D’us fez é  passível de erro e será que existe alguma coisa que D’us não fez?

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

 

🌷🌷🌷🌷🌷

 

 

Os dias estão chegando

Vaygash

 

Eis que os dias estão chegando

 

O Zohar nos traz um conceito chamado de Ketz hayamim, o extremo dos dias, se referindo ao extremo do mal, e Ketz hayamin, o extremo da direita, se referindo ao extremo das Sefirót que é a Mal’hut representando nesse caso o extremo do bem.

 

Explica o Rebe que antes da redenção final, durante o período chamado de “calcanhares do Mashia’h” que é o período no qual estamos vivendo, o mal aumenta no mundo em forma de disputas entre judeus e também entre não judeus.

 

Isso entre outros sinais negativos que acontecem nessa época e que não aconteceram em épocas anteriores.

 

Sinais para sabermos que estamos próximos à nossa Gueulá, à nossa redenção final.

 

Por outro lado o bem também aumenta.

 

Novas formas de estudar a Torá são reveladas e ações de caridade e bondade são feitas em uma escala sem precedentes.

 

Como podemos entender essa tão grande contradição no comportamento das pessoas da nossa época?

 

Em relação ao povo de Israel, e em particular agora que estamos no final do nosso exílio, depois de termos passado por todas as previsões em relação aos prazos finais dele incluindo a condição de fazer “Teshuvá” antes da Gueulá, da redenção final.

 

Como atestou o Rebe Yossef Yitzhak, o Rebe Anterior de Lubavitch, que também esse requisito nosso povo já cumpriu.

 

E com tudo isso esperamos todo dia pela nossa verdadeira e completa redenção final, e ela ainda não chegou!

 

A palavra “Ketz”, é traduzida como “extremo”, mas também pode ser traduzida como “final”. Assim também a ligação entre o conceito de “Ketz” e a nossa redenção é dupla.

 

“Ketz” se refere ao extremo final da escuridão do nosso exílio, “final dos dias”, final do nosso exílio.

 

E junto a isso, a palavra “Ketz” também está se referindo à uma nova era, a era da Gueulá. “Ketz hayamin, o extremo do bem.

 

E assim nos conta o Zohar que a palavra Ketz pode estar representando o extremo do bem, e ao contrário, pode também estar representando o extremo do mal.

 

Esses dois extremos, sendo um o extremo da direita que representa a Hessed, a bondade, e o outro que é o extremo da esquerda que representa a Guevura, a rigidez, são os dois caminhos que temos à nossa frente nesse mundo. O bem e o mal.

 

Portanto, a preparação do mundo para a redenção é a de se separar totalmente do mal causando com que o bem e o mal se tornem claramente separados e isolados um do outro.

 

Dessa forma há até uma vantagem na situação trágica que previram nossos Sábios em relação aos acontecimentos que antecedem a nossa redenção final, situação em que o mal predomina completamente.

 

Por que dessa forma ele se torna totalmente visível, claro e definido, e está mais exposto ao seu final do que em uma situação na qual o mal está menos forte por estar misturado com o bem.

 

Por isso dizem nossos Sábios no tratado de Sanedrin que na geração que antecede a Gueulá os governos se tornarão totalmente corruptos, indicando que o mal que se encontra no mundo se tornará cada vez mais “reconhecível”.

 

E a verdade de que qualquer governo que não se comporta de acordo com o “governo Divino” é uma “corrupção absoluta” estará claramente visível.

 

A verdadeira crença na unidade de D’us é encontrada apenas entre os judeus. Esta é a preparação para a redenção, quando todos conhecerão a pura verdade e seguirão a verdadeira fé que o nosso povo representa.

 

Essa também é a explicação para o que disseram nossos Sábios, que Mashia’h chegará em uma geração totalmente boa ou totalmente ruim.

 

A redenção, conforme mencionado, virá quando o trabalho de diferenciar o bem do mal for concluído.

 

Nosso trabalho é separar o mal que se misturou com o bem e estabelecer limites claros entre o que é bom e o que é ruim.

 

Enquanto o bem e o mal estiverem misturados, a redenção completa não pode vir.

 

Mas virá quando uma das duas possibilidades ocorrer:

 

Ou nos refinamos causando com que o nosso lado ruim gradativamente nos deixe

 

Ou, D’us nos livre, o lado ruim nos domina por não encontrar em nós uma resistência compatível com a sua intensidade.

 

O Rebe nos contou que nos nossos tempos, coisas assustadoras estão acontecendo no mundo, tanto para o bem quanto para o mal.

 

A começar pela questão da disputas

 

Hoje em dia vemos disputas até entre tais judeus que nunca foi possível supor que haveria uma disputa entre eles.

 

Isso causou para eles uma real mudança de perfil, e eles até tentaram disfarçar isso dizendo que tinham entrado nessas discussões por motivos religiosos e etc…

 

E por outro lado, em relação as coisas boas

 

Em nossos tempos vemos atos de bondade e amor ao próximo tão grandes que não imaginávamos antes que isso poderia um dia se tornar uma realidade.

 

Doações para a caridade em tão grande proporção, dedicação tão grande em benefício de outros judeus.

 

Temos histórias de gerações passadas, e em todas as gerações houve caridade e benevolência entre os judeus, mas nunca tínhamos alcançado níveis tão altos em relação à Tzedaká, em relação a caridade.

 

E também em relação ao estudo e ensino da Torá

 

Justamente nas gerações mais recentes conseguimos revelar por meio do intenso estudo da Torá assuntos profundos que ninguém imaginou que poderiam ser decifrados. E não vemos esses assuntos nos livros das gerações anteriores.

 

Também a forma de ensinar e aprender em nossos tempos é especial, uma nova forma de estudar.

 

Mas a mudança é tanto para o bem, quanto vice-versa.

Entre os sinais que mencionamos sobre o período da redenção, a questão de “países que se provocam” também aconteceu no passado

 

Mas hoje em dia a situação nesta categoria é de uma forma que não se imaginava, com uma crueldade desproporcional

 

Como vemos acontecer na prática em muitos países nesses dias mesmo e que não existia nas gerações anteriores, e ninguém está se importando muito com isso.

 

Sendo que a nossa Torá é uma Torá “luz”, tudo tem uma resposta na Torá e de forma clara e esclarecedora. E se assim for, a explicação para esta situação alarmante também deve estar na Torá. E em relação a nós, não há necessidade de pesquisar muito, porque a Guemará fala abertamente sobre esse assunto

 

De acordo com todos os sinais que foram ditos no final do Tratado Sota, nosso tempo está próximo do ‘final dos dias’, tão próximo que não existe mais próximo do que isso, porque nunca houve uma existência real de todos os sinais como nestes dias.

 

E em relação ao ‘final dos dias’, tempo em que se aplicarão muitas mudanças no mundo até a grande mudança concernente ao mundo inteiro que será a redenção final, está explícito no final do livro do profeta Daniel:

 

“Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.

 

Termina o profeta Daniel com as palavras: “e os sábios entenderão do que se trata

 

Ou seja, há coisas que até o final dos tempos existem na realidade, mas não estão claras.

 

Ou que se tornaram claras, mas ainda estão misturadas com outras coisas e ainda não se separaram delas e por isso ainda não são totalmente reconhecíveis. Ou que já são reconhecíveis mas não de maneira claramente explícita.

 

Mas, quando chegarem muito perto do final dos dias, e este é um dos principais sinais de que já estamos na etapa em que isso vai começar a acontecer, vai se cumprir a profecia do profeta Daniel de que “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.

 

Ou seja, não se trata de algo que vai acontecer para um grupo pequeno de pessoas, mas como diz o profeta Daniel, Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, se trata do mundo inteiro. E conclui que “os sábios entenderão”.

 

Ou seja, para entender porque isso está acontecendo é preciso ser um Sábio, mas para ver que isso está acontecendo, qualquer um pode ver.

 

O Rebe nos explicou por que existe a necessidade de o bem e o mal se revelarem separadamente em sua maior potência antes da Gueulá, como o mundo inteiro está vendo isso acontecer diariamente.

 

O motivo para isso, diz o Rebe, é que cada um de nós tem forças ocultas que não poderiam ser refinadas porque não sabíamos da existência delas.

 

Nessa situação todas as nossas forças ocultas se revelam, se tornam forças reveladas, e se existe nelas um lado ruim que precisa ser refinado.

 

Ou seja, excluído de nós que somos parte de D’us que é a essência do bem, imediatamente reconhecemos sua existência e o consertamos, ou o excluímos, ou direcionamos ele para o bem.

 

Não teríamos como retificar nossas forças ocultas se elas não se revelassem e portanto não saberíamos que elas existem.

 

Porque afinal das contas somos obrigados a refinar o mal das nossas forças ocultas, e se elas continuassem ocultas estaríamos ocupados com outras coisas, mesmo sendo elas coisas boas, e não consertaríamos o que precisamos consertar.

 

E assim conseguimos entender que quando o profeta Daniel fala sobre essa época de refinamento, ele está nos indicando o lado bom que ela nos traz

 

Porque somente assim conseguimos descobrir o lado ruim das nossas forças ocultas e fazer nelas o reparo necessário.

 

O fato de a revelação das nossas forças ocultas acontecer somente agora nessa época está ligado aos dois “extremos”, Ketz hayamim e Ketz hayamin.

 

Porque à medida que nos aproximamos do “final dos tempos”, do final do nosso exílio, a escuridão no mundo se fortalece e aumenta cada vez mais.

 

As forças negativas que até agora estavam ocultas se revelam, e por isso há necessidade de revelarmos forças superiores, por meio das quais você pode superar a escuridão e resistir.

 

E mais uma razão para isso:

 

Já que nos aproximamos do “Ketz Hayamin”, da nossa redenção final, começa a se materializar o fenômeno do fortalecimento do bem, que também se torna “claro” e se revela em toda a sua intensidade.

 

Uma das manifestações disso é a descoberta dos segredos da Torá, a Torá oculta, a categoria da Torá que é comparada ao azeite que se transforma em luz.

 

Por isso, já começamos agora por meio do estudo da Hassidut a provar um pouquinho dos segredos da Torá oculta que o Mashia’h vai nos revelar. A palavra Mashia’h quer dizer ungido, como diz o Tehilim (89/21)

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org

A Parashá da Minha Vida – Miketz

Miketz

 

Nossa Parashá nos conta sobre os sonhos do faraó que por causa deles Yossef foi tirado da prisão e se tornou o vice rei do Egito.

O versículo diz: “e foi do final de dois anos e o faraó sonhou”. A Parashá usa a palavra Miketz que quer dizer “do final” no lugar de dizer “no final”.

Sempre que a Torá usa uma linguagem não usual ela está nos indicando que existe algo oculto por trás dessas palavras.

Diz o Zohar que essa linguagem quer dizer “depois do final”, e o “final” é o “Satan” que em hebraico quer dizer desviador .

 

Ele é o próprio anjo da morte que é o final de todos os que caem em suas mãos.

O Zohar nos ensina que o versículo usa a linguagem “depois do final” querendo dizer: depois de ter saído do esquecimento do ministro das bebidas que tinha prometido conversar sobre ele com o faraó, e dos sofrimentos na prisão.

Tanto o esquecimento que é um limite de memória quanto os sofrimentos que são limite de saúde, de dinheiro e etc sempre são causados pelo “satan” que é o extremo de baixo da Guevura que é a raiz dos limites.

O satan atua no mundo por meio de suas inúmeras ramificações, e o fato de o ministro das bebidas ter esquecido Yossef, também foi “trabalho” dele.

Depois de Yossef ter saído do “final”, aí aconteceu uma reviravolta de um extremo ao outro.

Diz o Zohar que esse “anjo do mal” é chamado de final porque ele é o extremo dos resquícios da Guevurá, ou seja, pior do que isso não existe.

No começo do mundo ele “baixou” na cobra e a cobra começou a falar.

Ela escolheu falar com Havá (Eva) por que sentiu mais proximidade com ela sendo que a raiz do aspecto feminino da Alma começa na Sefirá chamada de Biná que também é raiz da Sefirá chamada de Guevurá.

Trapaceando dessa forma, o Satan conseguiu roubar as bençãos de Adam. Esse é o cartão de visitas desse “satan”, desse desviador.

 

Ele se une às coisas ruins para interagir no mundo por meio delas, e sempre encontra alguém ou alguma coisa compatível para que por meio dela possa roubar as nossas bençãos também.

 

Por isso, dizem nossos Sábios, que quando tem que acontecer uma coisa ruim no mundo o tribunal Divino dá autorização ao “satan” para fazer essa coisa ruim acontecer somente por meio de uma pessoa ruim.

O Zohar nos conta que todo esse “sistema” chamado de “sitra ahara” que quer dizer “o outro lado”, funciona da seguinte forma:

Em primeiro lugar o “satan” pessoalmente ou por meio de algumas das suas inúmeras ramificações, aborda a pessoa de várias maneiras para tentar seduzi-la a fazer uma coisa errada.

Nessa etapa ele também “joga baixo” como fez com “Adam a Rishon”, o primeiro homem, que comeu a fruta do Etz a Daat pressionado por sua própria esposa sem saber que por trás disso estava “a cobra”, ou seja, o satan encarnado na cobra.

Cada um de nós é abordado diariamente por alguma ramificação dessa coisa ruim que “baixou” em alguém ou em alguma coisa para nos seduzir.

Se a pessoa se deixa seduzir, esse anjo ruim registra o B.O. imediatamente no tribunal Divino, e pede a autorização para castigar severamente essa pessoa por meio dele próprio que tem o maior prazer em castigar cruelmente a pessoa que ele próprio seduziu.

Como fazer para nos proteger do “satan”?

 

Quando D’us perguntou para Adam a Rishon (Adão) por que ele comeu a fruta do Etz a Daat, Adam jogou culpa em Havá (Eva) e Havá jogou a culpa na cobra. A justificativa é o maior privilégio do satan.

Porque se eles tivessem assumido que fizeram uma coisa errada e pedido para D’us desculpá-los, com certeza eles não teriam recebido castigo nenhum.

O que a “cobra” queria era isso mesmo, que Adam jogasse a culpa na Eva e Eva na cobra, porque a cobra já tinha uma resposta automática: D’us pediu para não comer aquela fruta, e uma conta pediu para eles comerem, a quem eles deveriam escutar?

E essa é a resposta que devemos dar para nós próprios sempre que recebemos uma sedução, como por exemplo quando alguém por qualquer motivo te tirou do sério e se trata de uma pessoa fraca em todos os aspectos a ponto de, se você “pisar nela”, ela simplesmente quebra e nada vai te acontecer por causa disso.

E você está com toda a vontade de quebrar essa pessoa com muito prazer, e só assim você vai dormir melhor!

Nessa hora  você tem que dizer para si próprio :- D’us falou para não maltratar nem um animal, e essa pessoa está “pedindo” para ser maltratada, a quem eu devo ouvir?

O Zohar nos conta que tanto esse “anjo ruim” quanto todo o lado ruim já não vão mais existir no futuro quando D’us tirar o lado ruim do mundo.

Então vamos rezar forte para que isso aconteça o mais rápido possível!

🌻🌻🌻🌻🌻

Os dias estão chegando

 

O Zohar nos traz um conceito chamado de Ketz hayamim, o extremo dos dias, se referindo ao extremo do mal, e Ketz hayamin, o extremo da direita, se referindo ao extremo das Sefirót que é a Mal’hut representando nesse caso o extremo do bem.

Explica o Rebe que antes da redenção final, durante o período chamado de “calcanhares do Mashiah” que é o período no qual estamos vivendo, o mal aumenta no mundo em forma de disputas entre judeus e também entre não judeus.

Isso entre outros sinais negativos que acontecem nessa época e que não aconteceram em épocas anteriores. Sinais para sabermos que estamos próximos à nossa Gueulá, à nossa redenção final.

Por outro lado o bem também aumenta, novas formas de estudar a Torá são reveladas e ações de caridade e bondade são feitas em uma escala sem precedentes.

Como podemos entender essa tão grande contradição no comportamento das pessoas da nossa época?

Em relação ao povo de Israel, e em particular agora que estamos no final do nosso exílio, depois de termos passado por todas as previsões em relação aos prazos finais dele incluindo a condição de fazer “Teshuvá” antes da Gueulá, da redenção final.

Como atestou o Rebe Yossef Yitzhak, o Rebe de Lubavitch anterior, que também esse requisito nosso povo já cumpriu. E com tudo isso esperamos todo dia pela nossa verdadeira e completa redenção final, e ela ainda não chegou!

A palavra “Ketz”, é traduzida como “extremo”, mas também pode ser traduzida como “final”. Assim também a ligação entre o conceito de “Ketz” e a nossa redenção é dupla.

“Ketz” se refere ao extremo final da escuridão do nosso exílio, “final dos dias” final do nosso exílio, e junto a isso, a palavra “Ketz” também está se referindo à uma nova era, a era da Gueulá. “Ketz hayamin, o extremo do bem.

E assim nos conta o Zohar que a palavra Ketz pode estar representando o extremo do bem, e ao contrário, pode também estar representando o extremo do mal.

Esses dois extremos, sendo um o extremo da direita que representa a Hessed, a bondade, e o outro que é o extremo da esquerda que representa a Guevura, a rigidez, são os dois caminhos que temos à nossa frente nesse mundo.

O extremo da direita que é o extremo do bem é citado no final do livro do profeta Daniel, e o extremo da esquerda é citado no livro de Yov (Jó), quando diz que D’us colocou um final para a escuridão.

Também em relação a Yossef, quando a Torá usa a palavra “Ketz” se referindo ao final dos dois últimos anos que Yossef estava na cadeia encontramos esses dois significados.

Por um lado o versículo está se referindo ao final da “estadia” de Yossef na prisão, e por outro se referindo ao começo da “redenção” de Yossef que se torna o vice rei do Egito.

Esses dois conceitos, mesmo aparecendo juntos, representam duas coisas totalmente opostas, como nos conta o Tzema’h Tzedek que foi o terceiro Rebe de Lubavitch no seu livro chamado de “explicações sobre o Zohar”:

Diz o Tzema’h Tzedek que “Ketz hayamim representa a parte final da “Klipá”, o extremo do lado ruim, indicando o fortalecimento do lado ruim antes de ele desaparecer totalmente. Ou seja, o “extremo de baixo” do lado “esquerdo”, o mal em sua maior intensidade. Enquanto que “Ketz hayamin” representa o supremo bem da Gueulá, da nossa redenção final.

Se trata de dois opostos que chegam ao mesmo tempo. Com o começo do brilho da luz da Gueulá, “Ketz hayamin”, começa também o fortalecimento do mal ao encontro do seu final definitivo. “Ketz hayamim”, a extrema intensidade do mal.

A ligação entre esses dois opostos se encontra em muitas citações dos nossos Sábios, como por exemplo no final do tratado de Sotá que nos conta sobre a depravação que acontece no mundo na época que antecede a Gueulá, e isso vemos hoje com os nossos próprios olhos.

Essas citações aparecem também em algumas partes do tratado de Sanedrin, como por exemplo: “o filho de David não chegará a não ser em uma geração que seja totalmente boa ou totalmente ruim”, nos indicando que a geração da Gueulá vai ser caracterizada por esses dois extremos. Diz o Rebe que eles acontecem simultaneamente.

E qual é realmente a ligação entre esses dois “extremos”?

A separação entre o bem e o mal.

O principal problema causado pelo primeiro homem quando ele fez a primeira transgressão foi a mistura entre o bem e o mal. Ele causou a indefinição entre os limites da “luz” e da “escuridão”.

Mesmo no início da criação havia uma realidade de ‘mal’ no mundo como consequência da quebra dos receptáculos do mundo de Tohu, mas esse mal estava separado e isolado, sem nenhum contato e ligação com o lado bom, com o lado puro.

Em tal situação, o mal estava claramente definido e as criaturas não cometeriam um erro seguindo algo que é claramente visto como mal, visto como uma coisa negativa.

O que levou ao fortalecimento do mal e da impureza foi o pecado da árvore do conhecimento que misturou os conceitos e criou uma situação em que não há bem sem mal e não há mal sem bem.

Em tal situação, quando não há uma definição clara de quem é bom e de quem é ruim, o mal engana, prevalece e domina. Além disso, o mal entrelaçado na realidade do bem o impede de atingir sua perfeição.

O papel da redenção é acabar com essa mistura e confusão, e criar limites claros e definidos para a realidade do mal como última etapa antes de ele desaparecer totalmente.

Quando a verdade for revelada com a chegada da redenção, o mal será visto em seu verdadeiro estado.

A mentira por si só “não tem pernas”, a única coisa que permite a existência da mentira e do engano, é um pouquinho de verdade que existe nela.

Quando essa centelha do bem que existe no mal é removida, o mal perde toda a sua capacidade de existência, e então retorna às suas dimensões originais e verdadeiras.

E assim escreveu Rabi Shneior Zalman que foi nosso primeiro Rebe, “O trabalho do Mashiah vai ser o de separar entre o bem e o mal. Portanto, a preparação do mundo para a redenção é a de se separar totalmente do mal causando com que o bem e o mal se tornem claramente separados e isolados um do outro.

Dessa forma há até uma vantagem na situação trágica que previram nossos Sábios em relação aos acontecimentos que antecedem a nossa redenção final, situação em que o mal predomina completamente.

Por que dessa forma ele se torna totalmente visível, claro e definido, e está mais exposto ao seu final do que em uma situação na qual o mal está menos forte por estar misturado com o bem.

Por isso dizem nossos Sábios no tratado de Sanedrin que na geração que antecede a Gueulá os governos se tornarão totalmente corruptos, indicando que o mal que se encontra no mundo se tornará cada vez mais “reconhecível” e a verdade de que qualquer governo que não se comporta de acordo com o “governo Divino” é uma “corrupção absoluta” estará claramente visível.

A verdadeira crença na unidade de D’us é encontrada apenas entre os judeus. Esta é a preparação para a redenção, quando todos conhecerão a pura verdade e seguirão a verdadeira fé que o nosso povo representa.

Essa também é a explicação para o que disseram nossos Sábios que Mashiah chegará em uma geração totalmente boa ou totalmente ruim. A redenção, conforme mencionado, virá quando o trabalho de diferenciar o bem do mal for concluído. Nosso trabalho é separar o mal que se misturou com o bem e estabelecer limites claros entre o que é bom e o que é ruim.

Enquanto o bem e o mal estiverem misturados, a redenção completa não pode vir. Mas virá quando uma das duas possibilidades ocorrer: ou nos refinamos causando com que o nosso lado ruim gradativamente nos deixe, ou, D’us nos livre, o lado ruim nos domina por não encontrar em nós uma resistência compatível com a sua intensidade.

O Rebe nos contou que nos nossos tempos, coisas assustadoras estão acontecendo no mundo, tanto para o bem quanto para o mal.

A começar pela questão da disputas – hoje em dia vemos disputas até entre tais judeus que nunca foi possível supor que haveria uma disputa entre eles. Isso causou para eles uma real mudança de perfil, e eles até tentaram disfarçar isso dizendo que tinham entrado nessas discussões por motivos religiosos e etc…

E por outro lado, em relação as coisas boas, em nossos tempos vemos atos de bondade e amor ao próximo tão grandes que não imaginávamos antes que isso poderia um dia se tornar uma realidade.

Doações para a caridade em tão grande proporção, dedicação tão grande em benefício de outros judeus.

Temos histórias de gerações passadas, e em todas as gerações houve caridade e benevolência entre os judeus, mas nunca tínhamos alcançado níveis tão altos em relação à Tzedaká, em relação a caridade.

E também em relação ao estudo e ensino da Torá, justamente nas gerações mais recentes conseguimos revelar por meio do intenso estudo da Torá assuntos profundos que ninguém imaginou que poderiam ser decifrados e não vemos esses assuntos nos livros das gerações anteriores. Também a forma de ensinar e aprender em nossos tempos é especial, uma nova forma de estudar.

Mas a mudança é tanto para o bem, quanto vice-versa. Entre os sinais que mencionamos sobre o período da redenção, a questão de “países que se provocam” também aconteceu no passado, mas hoje em dia a situação nesta categoria é de uma forma que não se imaginava, com uma crueldade desproporcional, como vemos acontecer na prática em muitos países nesses dias mesmo e que não existia nas gerações anteriores, e ninguém está se importando muito com isso.

Sendo que a nossa Torá é uma Torá “luz”, tudo tem uma resposta na Torá e de forma clara e esclarecedora. E se assim for, a explicação para esta situação alarmante também deve estar na Torá. E em relação a nós, não há necessidade de pesquisar muito, porque a Guemará fala abertamente sobre esse assunto.

De acordo com todos os sinais que foram ditos no final do Tratado Sota, nosso tempo está próximo do ‘final dos dias’, tão próximo que não existe mais próximo do que isso, porque nunca houve uma existência real de todos os sinais como nestes dias.

E em relação ao ‘final dos dias’, tempo em que se aplicarão muitas mudanças no mundo até a grande mudança concernente ao mundo inteiro que será a redenção final, está explícito no final do livro do profeta Daniel: “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”. Termina o profeta Daniel com as palavras: “e os sábios entenderão do que se trata”.

Ou seja, há coisas que até o final dos tempos existem na realidade, mas não estão claras. Ou que se tornaram claras, mas ainda estão misturadas com outras coisas e ainda não se separaram delas e por isso ainda não são totalmente reconhecíveis. Ou que já são reconhecíveis mas não de maneira claramente explícita.

Mas, quando chegarem muito perto do final dos dias, e este é um dos principais sinais de que já estamos na etapa em que isso vai começar a acontecer, vai se cumprir a profecia do profeta Daniel de que “Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, e os maus farão maldades”.

Ou seja, não se trata de algo que vai acontecer para um grupo pequeno de pessoas, mas como diz o profeta Daniel, Muitos se definirão, se purificarão e se retificarão, se trata do mundo inteiro. E conclui que “os sábios entenderão”. Ou seja, para entender porque isso está acontecendo é preciso ser um sábio, mas para ver que isso está acontecendo, qualquer um pode ver.

O Rebe nos explicou por que existe a necessidade de o bem e o mal se revelarem separadamente em sua maior potência antes da Gueulá, como o mundo inteiro está vendo isso acontecer diariamente.

O motivo para isso, diz o Rebe, é que cada um de nós tem forças ocultas que não poderiam ser refinadas porque não sabíamos da existência delas. Nessa situação todas as nossas forças ocultas se revelam, se tornam forças reveladas, e se existe nelas um lado ruim que precisa ser refinado.

Ou seja, excluído de nós que somos parte de D’us que é a essência do bem, imediatamente reconhecemos sua existência e o consertamos, ou o excluímos, ou direcionamos ele para o bem.

Não teríamos como retificar nossas forças ocultas se elas não se revelassem e portanto não saberíamos que elas existem. Porque afinal das contas somos obrigados a refinar o mal das nossas forças ocultas, e se elas continuassem ocultas estaríamos ocupados com outras coisas, mesmo sendo elas coisas boas, e não consertaríamos o que precisamos consertar.

E assim conseguimos entender que quando o profeta Daniel fala sobre essa época de refinamento ele está nos indicando o lado bom que ela nos traz, porque somente assim conseguimos descobrir o lado ruim das nossas forças ocultas e fazer nelas o reparo necessário.

O fato de a revelação das nossas forças ocultas acontecer somente agora nessa época está ligado aos dois “extremos”, Ketz hayamim e Ketz hayamin.

Porque à medida que nos aproximamos do “final dos tempos”, do final do nosso exílio, a escuridão no mundo se fortalece e aumenta cada vez mais. As forças negativas que até agora estavam ocultas se revelam, e por isso há necessidade de revelarmos forças superiores, por meio das quais você pode superar a escuridão e resistir.

E mais uma razão para isso: já que nos aproximamos do “Ketz Hayamin”, da nossa redenção final, começa a se materializar o fenômeno do fortalecimento do bem, que também se torna “claro” e se revela em toda a sua intensidade.

Uma das manifestações disso é a descoberta dos segredos da Torá, a Torá oculta, a categoria da Torá que é comparada ao azeite que se transforma em luz.

Por isso já começamos agora por meio do estudo da Hassidut a provar um pouquinho dos segredos da Torá oculta que o Mashiah vai nos revelar. A palavra Mashiah quer dizer ungido, como diz o Tehilim (89/21)

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

A Parashá da minha vida – Vayeshev


Vayeshev

O segredo dos sofrimentos

 

Nossa Parashá nos conta sobre os sofrimentos do nosso terceiro patriarca, Yaakov. Mesmo sendo Yaakov o maior dos três patriarcas, ele foi o que mais sofreu.

 

A Guemará nos conta que se alguém é um Tzadik completo, ou seja, estuda Torá e cumpre os Mandamentos Divinos, Hashem (D’us) dá para ele uma vida muito boa nesse mundo e um grande Paraíso no próximo mundo.

 

A Guemará também nos conta que um Tzadik que é filho de um Tzadik tem uma vida muito boa nesse mundo e o Paraíso garantido.

 

Pergunta o Zohar, como pode ser que Yaakov que foi o principal dos nossos três patriarcas, que também estava em um nível de Tzadik perfeito e também era um Tzadik, filho de Tzadik e neto de Tzadik, passou por terríveis sofrimentos durante 130 anos da sua vida contradizendo tudo o foi dito anteriormente ?

 

Quando Yaakov chegou ao Egito, o faraó perguntou a ele qual era a sua idade. Yaakov sabia que o faraó recebia antecipadamente todas as informações sobre aqueles que iriam se encontrar com ele, o faraó sabia que Yaakov tinha 130 anos.

 

Então porque fez à ele essa pergunta? Porque as informações não batiam, Yaakov aparentava ser muito mais velho do que realmente era. Pela resposta de Yaakov vemos que ele entendeu certinho o que o faraó estava perguntando.

 

Naquela época, há mais de 3.500 anos atrás, as pessoas eram muito fortes, e às vezes tinham uma vida excepcionalmente longa, e esse era o caso do próprio faraó. Pela cara de Yaakov, o faraó pensou que ele era nosso primeiro patriarca, Avraham.

 

Yaakov justificou o espanto do faraó com a seguinte resposta:- “Os dias da minha vida foram poucos e ruins, e não alcançaram os dias de vida de meus pais”.

 

Ou seja, Yaakov justificou o porquê de sua aparência não ser compatível com a sua idade em relação a sua época.

 

A resposta de Yaakov para o faraó foi que os dias da sua vida, mesmo tendo sido poucos relativos à sua época, foram ruins, e por isso ele aparentava ser muito mais velho do que realmente era.

 

Ou seja, o próprio Yaakov concordou que sofreu 130 anos até aquele momento da sua vida.

 

Sendo que Hashem (D’us) é a essência do bem e a natureza do bem é fazer o bem, como pode ser que Yaakov, que de acordo com a própria Torá deveria ter vivido uma vida extremamente boa, foi a pessoa que mais sofreu?

 

O Zohar nos traz algumas possibilidades que justificam o fato de uma pessoa boa ter uma vida ruim.

 

Sofrimentos de amor

 

A Guemará nos conta que quando alguém está sofrendo, a primeira coisa que deve fazer é um check-up espiritual.

 

Verificar se está fazendo alguma coisa errada que justifique esses sofrimentos e voltar para o caminho certo. Deixar de fazer coisas ruins e se arrepender de tê-las feito.

 

Se mesmo assim os sofrimentos continuarem, essa pessoa deve acrescentar no estudo da Torá, porque talvez esteja fazendo alguma coisa errada sem saber, ou está em falta com o próprio estudo da Torá.

 

Diz a Guemará que se depois disso os sofrimentos ainda continuarem, saiba que eles são sofrimentos de amor.

 

Sofrimentos que não são ligados a coisas erradas que fizemos e que não são uma retificação para as nossas transgressões sendo que elas já foram retificadas.

 

A corrida de obstáculos

 

Nossa vida é uma corrida de obstáculos. Quando entramos nesse mundo estamos entrando nessa corrida, e de acordo com a intensidade dos obstáculos, assim será a grandeza da vitória e a recompensa por termos vencido.

 

Diz o Zohar que por causa do grande amor que Hashem tem por cada um de nós, ele nos dá uma vida mais difícil.

 

Ou seja, aumenta o tamanho dos obstáculos que temos que ultrapassar para que a nossa recompensa por ultrapassá-los seja muito maior.

 

E por isso esses sofrimentos são chamados de “sofrimentos de amor”, sendo que o único objetivo dessa categoria de sofrimentos é a de recebermos uma recompensa muito maior no próximo mundo.

 

Às vezes o motivo desses sofrimentos de amor é para nos refinar.

 

Quando nascemos, a primeira alma que se revela em nosso corpo é a nossa alma animal. Um óvulo só é fecundado se Hashem colocar nele essa alma animal, e assim começa a vida.

 

Nós próprios somos a Alma Divina, mas se a Alma Divina se revestisse diretamente no corpo, nosso corpo se desintegraria, sendo que o nível espiritual da Alma Divina e o do corpo são totalmente desproporcionais.

 

Para nossa Alma Divina se revestir no nosso corpo é necessário uma alma animal que é uma alma espiritual do nível mais baixo.

 

Esse nível mais baixo é o lado espiritual desse nosso mundo material chamado de mundo da Assiá.

 

A alma animal é a intermediária entre a Alma Divina que somos nós, e o nosso corpo.

 

A Alma Divina se encontra de maneira envolvente  “Makif” desde que a alma animal se reveste no óvulo fecundado, e a partir disso ela vai se revestindo por etapas na alma animal e por meio dela no corpo.

 

Quando o menino faz treze anos ou a menina faz doze, nossa Alma Divina finalmente se reveste totalmente em nossa alma animal, que por sua vez está revestida no nosso corpo.

 

Nessa etapa nossa Alma Divina assume o controle deles, e assim nossa alma animal e nosso corpo se transformam em acessórios para nós que somos a Alma Divina.

 

Mas as vezes nossa alma animal está tão forte, que no lugar de ela se tornar nosso acessório e nossa vestimenta, nós é que nos tornamos o acessório dela.

 

Como uma pessoa que montou em um cavalo, e no lugar de o cavalo ir para onde essa pessoa quer conduzi-lo, o cavalo leva essa pessoa para o pasto e ainda obriga ela a ficar o dia inteiro cortando grama e trazendo para ele enquanto ele está deitado no pasto sem ter o que fazer.

 

A consequência disso é que nesse caso essa pessoa pode até ser um judeu religioso que estuda Torá e cumpre os Mandamentos Divinos, mas o comportamento dele lembra muito mais um animal que está mais interessado no pasto do que na Torá que estuda e nos Mandamentos Divinos que cumpre.

 

Deixando todos à sua volta intrigados com a contradição entre o que ele representa sendo um judeu religioso e a forma dele se comportar que lembra mais o comportamento animal do que o comportamento humano.

 

E para ajudar essa pessoa, diz o Zohar, pelo grande amor que D’us tem por ele, aumenta para ele a intensidade dos obstáculos da vida dela.

 

Devido aos sofrimentos, o lado animal dessa pessoa enfraquece, e consequentemente o lado espiritual dela se fortalece. Essa é uma categoria de sofrimentos de amor.

 

E por esse motivo, diz o Zohar, Unkelus traduziu o versículo em (Deuteronômio 7) “e paga seus inimigos, etc”. – Ele recompensa seus inimigos neste mundo pelas coisas boas que fazem para não receberem nenhuma recompensa no mundo de cima.

 

Daqui vemos que quando sofremos neste mundo somos chamados de “amados por Hashem”, o contrário do inimigo de Hashem que recebe uma vida boa nesse mundo como recompensa pelas coisas boas que fez, e não tem direito ao paraíso superior.

 

Tikun

 

Esses sofrimentos de amor às vezes estão ligados ao que fizemos na reencarnação anterior, e nesse caso o Tzadik filho de um Tzadik não é visto do ponto de vista biológico mas sim do ponto de vista espiritual.

 

Sua reencarnação anterior é chamada de “pai” da sua reencarnação atual mesmo que se trata da mesma pessoa.

 

Está escrito no segundo dos “Dez Mandamentos” que Hashem (D’us) cobra dos filhos a transgressão dos pais até a quarta geração.

 

Essa linguagem nos leva diretamente ao lado oculto da Torá, sendo que pela Torá os filhos não pagam pelas transgressões dos pais.

 

Sendo assim, esse versículo não está falando sobre a parte revelada da Torá, mas sim nos indicando o que se esconde por trás dela.

 

Diz o Zohar que nesse versículo a Torá está nos revelando a profundeza da bondade Divina.

 

Ou seja, como uma boa mãe que tem a obrigação de limpar seu filho que foi “nadar no esgoto”, assim também Hashem na sua enorme bondade nos limpa das “fezes espirituais” que grudaram na nossa Alma por causa das nossas más ações.

 

Mas D’us na sua infinita bondade nos dá três chances de retificarmos nossas transgressões de maneira positiva, e isso acontece por meio de três reencarnações.

 

Em cada uma dessas reencarnações  somos chamados de filhos da nossa reencarnação anterior, e por isso a Torá usa a linguagem que Hashem “cobra dos filhos as transgressões dos pais”.

 

Não se trata de filhos biológicos, sendo que pela própria Torá o filho biológico não paga pela transgressão do pai, mas se trata de filhos espirituais.

 

Nossa segunda reencarnação é chamada de filho da nossa primeira reencarnação, e daí para diante.

 

O raciocínio que está por trás disso é de que aquele aspecto da Alma Divina que já se retificou, se separa da parte que ainda não se retificou, dando origem a uma nova Alma que é uma ramificação da Alma anterior e estará sempre ligada à ela como o filho estará sempre ligado ao pai.

 

E sendo que na ressurreição dos mortos elas ressuscitam como duas pessoas diferentes, elas são chamadas espiritualmente de pai e filho.

 

Sendo assim, a pessoa pode ser biologicamente filho de um Tzadik e neto de um Tzadik e mesmo assim ter uma vida ruim.

 

Porque o pai que é levado em conta nesse caso é a própria pessoa em uma reencarnação anterior.

 

Então por que eles são chamados de pai e filho?

Porque o aspecto daquela Alma que fez o bem, subiu para o paraíso, e o aspecto daquela Alma que está vinculado ao que precisa ser retificado nasce de novo, e agora é chamado de o filho da reencarnação anterior.

 

Uma Alma se ramifica em duas, e na ressurreição dos mortos elas vão ser duas pessoas.

 

A reencarnação anterior de Yaakov

 

Depois que Adam HaRishon, o primeiro homem, comeu a fruta do “etz hadaat”, ele acusou Hava, a primeira mulher, de tê-lo induzido a comer aquela fruta, e se separou dela por 130 anos.

 

O anjo da morte tem um aspecto feminino, tem uma esposa. Essa anja da morte chamada de Ly… que não falamos o nome dela para não atrair a coisa ruim, se materializava, e junto com outra demônia chamada de Na… tiveram relações conjugais com Adam HaRishon durante todos esses 130 anos.

 

Elas conseguiam se materializar para ter essas relações, engravidavam de Adam mas davam a luz à demônios.

 

Essas relações conjugais com as demônias afetaram o nível Neshamá de Adam, o nível mais alto da Alma Divina que ainda consegue se revestir no corpo.

 

Yaakov era a reencarnação do nível Neshamá de Adam, e por isso todos os sofrimentos dele foram ligados à assuntos familiares, medida por medida, para retificar o que fez Adam a Rishon.

 

Por isso Yaakov sofreu, e ele sabia que veio para esse mundo para fazer essa retificação.

Quando Yaakov contou para o faraó que seus anos foram 130, acrescentou que não chegaram aos anos de vida de seus pais.

 

Como Yaakov poderia afirmar que só viveria 130 anos e não chegaria a idade de seus pais? Porque ele sabia que veio para o mundo para retificar esses 130 anos que Adam se relacionou com as demônias.

 

Mesmo assim, D’us deu para ele 17 anos de vida a mais. E sendo que nesses 17 anos que recebeu de bônus ele não precisava retificar nada, Hashem deu para ele as revelações do Gan Éden aqui nesse mundo.

 

O mesmo acontece com cada um de nós. Sofremos somente pelo que fazemos errado conscientemente, e às vezes sofremos também por algo que fizemos conscientemente em uma reencarnação anterior.

 

Às vezes já retificamos a reencarnação anterior e também a atual, mas entramos na etapa dos sofrimentos de amor e achamos que ainda estamos na etapa retificação, e que a retificação está sendo desproporcional ao que fizemos.

 

Então vamos rezar forte para que já venha a Gueulá, nossa redenção final.

 

D’us vai tirar o espírito da impureza do mundo, o mal não vai mais existir e consequentemente ninguém mais vai sofrer.

 

No futuro esse nosso mundo vai se tornar mais alto Paraíso do que o Alto Paraíso, e esse futuro já está bem próximo de nós.

 

 

Rabino Gloiber

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O segredo do Mazal

O segredo do Mazal

O Zohar nos conta que de vez em quando vemos um Tzadik sem “Mazal” .

 

O motivo para isso é que D’us “refina” o Tzadik nesse mundo por meio de sofrimentos para que ele tenha um “gan éden” maior e isso é chamado de “sofrimentos de amor”.

 

Sabemos que a She’hiná (Presença Divina) não paira onde há tristeza mas somente onde há alegria proveniente do lado da pureza, “Alegria de Mitzvá”.

 

Como vemos no caso do profeta Elishá que precisou de um músico para alegrá-lo para que a She’hiná pairasse sobre ele e ele pudesse falar a sua profecia.

 

Nesse caso ouvir a música se tornou a Mitzvá de fazer com que a She’hiná pairasse sobre ele por meio da alegria.

 

Aprendemos isso de Yaakov , que por estar triste em achar que Yossef tinha falecido causou à She’hiná deixá-lo , e quando ele se alegrou com a notícia de Yossef estar vivo a She’hiná voltou para ele.

 

Então , pergunta o Zohar , como pode D’us deixar o Tzadik sofrer se isso causa a ele a falta de alegria.

 

E também , por outro lado, vemos Tzadikim que tudo na vida deles dá certo , eles tem “Mazal”, e se o motivo de ele ter mazal é o fato de ser um Tzadik filho de um Tzadik (o mérito do pai ajuda ele) Yaakov que era filho e neto de Tzadikim , por que sofreu tanto ?

 

O Zohar nos conta sobre um livro da antiguidade chamado “livro dos antepassados”. Esse livro revela que o segredo do Mazal é ligado às Sefirot .

 

Tem vezes que o Mal’hut (Sefirát Hamal’hut) que é o nível de Revelação Divina chamado de She’hiná está com uma falha causada pelas más ações do mundo e não se une a Tiféret para receber dela novas Neshamot (almas judias) (o Zohar chama o Zeer Anpin de Tiferet).

 

Mesmo assim o Mal’hut tem que enviar para o mundo as Neshamot que já recebeu da Tiféret quando estava unida a ela e que ficam no Mal’hut por doze meses.

 

Essas Neshamot que descem para o mundo quando o Mal’hut está em estado de Guevurá e separado da Tiféret vão estar sempre sofrendo nesse mundo .

 

A pobreza e os problemas a perseguem continuamente por toda a sua vida tanto se ele é um Tzadik ou não ele não tem “Mazal “.

 

O único jeito dele “repor” essa falta crônica de Mazal é investindo na Tefilá sendo que por meio da nossa Tefilá causamos uma união entre a She’hiná e a Tiféret e essa união faz com que a Tiféret que é comparada pelo Zohar ao sol ilumine o Mal’hut que é comparado pelo Zohar à lua que só tem o que recebe do sol .

 

A Tiféret repassa um “brilho” de riqueza para a She’hiná, esse “brilho” ilumina na raiz da nossa Neshamá e por meio disso a She’hiná inverte o que nos foi decretado de pobreza e sofrimento para riqueza e sucesso em tudo.

 

Sendo que o Mazal dessa pessoa não se transforma totalmente por meio da Tefilá mas é “remediado” essa pessoa sempre vai ter que rezar “forte” diariamente toda a sua vida para repor essa “falta” .

 

A Neshamá que desce para o mundo quando o Mal’hut está unido com a Tiféret sempre vai ter sucesso em tudo!

 

Família , saúde , dinheiro e tudo o que precisar por causa de uma das Sefirot que fazem parte desse grupo que o Zohar chama Tiferet, essa Sefirá é chamada de Yessod que é apelidado de “Mazal”.

 

Ela que repassa fartura e prosperidade quando o Mal’hut está unido com esse conjunto chamado Tiféret , toda a felicidade, riqueza e tudo de bom está ligado à Sefirá chamada de Yessod que é o Mazal.

A falta dessa ligação causa uma falta de “Mazal” em tudo, e sobre isso estudamos que :- Filhos, saúde e dinheiro não dependem das nossas ações mas dependem do Mazal.

 

Sendo que a falha na She’hiná (Mal’hut) causou isso para esses Tzadikim , D’us está sempre unido à eles , não deixa eles nem por um momento e sofre com os sofrimentos deles. Isso é o que está escrito : “D’us está próximo dos que tem o coração quebrado” , porque eles sofreram junto com Hashem a falha da She’hiná causada pelas más ações desse mundo.

 

Sendo que o Mal’hut é comparado a lua e esses Tzadikim sofrem por causa dessa falha , quando a falha da lua (Mal’hut ) for consertada e a luz da lua ficar como a luz dos sete dias da criação (extremamente maior que a luz da lua) esses Tzadikim também usufruirão desse nível de revelação que é extremamente maior do que os outros níveis .

 

Essa falta de Mazal não precisa ser aplicada ao extremo, por isso o Zohar coloca o Rabi Shimon Bar Yo’hái também nessa classificação como Yaakov sendo que Rabi Shimon teve que fugir dos romanos por treze anos.

 

O próprio exílio de quatrocentos anos que foi decretado no pacto com Avraham Avinu começou com o nascimento de Itzhak e as mudanças de lugar que eles fizeram foi considerada como exílio e poderia ter passado assim por quatrocentos anos diz o Zohar , não fosse o ódio dos irmãos por Yossef que causou um agravamento total no exílio.

 

Em nosso exílio atual que foi causado por ódio gratuito isso fica mais grave ainda, sendo que sairemos desse exílio por meio de amor gratuito,

 

Sendo assim o principal trabalho da nossa geração é despertar o amor ao próximo e ajudarmos uns aos outros como é a característica natural do nosso povo de sermos tímidos , bondosos e gostarmos de fazer favores.

 

Conclusão :

 

A Tefilá e o amor ao próximo podem transformar o nosso Mazal é até uma viagem de férias pode ser considerada um exílio !

 

D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem , e por isso , mesmo que o nosso Mazal não é dos bons não temos com o que nos preocupar.

 

Acrescentando em Tefilá e boas ações qualquer decreto pode ser substituído por meios que só D’us sabe fazer

 

Rabino Gloiber

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Os sonhos de Yossef e os sonhos do faraó

Nossa Parashá nos conta sobre os sonhos de Yossef e a próxima Parashá vai nos contar sobre os sonhos do Faraó.

 

Yossef teve dois sonhos que compartilhavam um mesmo tema, de que um dia sua família se curvaria perante ele.

 

No primeiro sonho, Yossef e seus irmãos foram representados por grãos de trigo. Onze feixes de trigo se inclinaram perante um único feixe, o de Yossef.

 

No segundo sonho, sua família, representada pelo sol, a lua e as estrelas, voltou a se curvar na frente dele.

 

Como Yossef na nossa Parashá, na próxima Parashá o Faraó também vai ter dois sonhos, e seus sonhos também irão compartilhar um mesmo tema, de que o Egito iria passar por sete anos de abundância seguidos de sete anos de fome.

 

E como nos sonhos de Yossef, nos sonhos do Faraó as imagens também  mudaram de um sonho para o outro.

 

No primeiro sonho, os anos de abundância e fome foram representados por sete vacas bem alimentadas  indicando uma grande fartura, e sete vacas mal alimentadas indicando uma grande escassez.

 

No segundo sonho, os sete anos de abundância foram representados por sete espigas de grãos saudáveis ​​e gordurosos e os anos de escassez representados por sete espigas secas e atrofiadas.

 

Nos sonhos de Yosef apareceram assuntos celestiais como o sol, a lua e as estrelas, os sonhos de Yossef progrediram do terrestre para o celestial.

 

Nos sonhos do Faraó não apareceram assuntos celestiais.

 

Seu primeiro sonho (do faraó) envolveu a vida animal, mas seu segundo sonho já desceu para a vegetal, uma forma de vida muito menor.

 

Podemos dizer que os sonhos do Faraó  “se deterioraram”!

 

O contraste entre esses dois conjuntos de sonhos realça as diferenças entre os sonhadores.

 

Os sonhos do faraó estavam desprovidos de qualquer coisa celestial, simbolizando uma pessoa cuja mente estava inteiramente absorvida em atividades terrestres.

 

Não é surpresa que essa pessoa gradualmente se torne mais e mais enraizada em suas obsessões materiais, como é representado pela seqüência “degenerativa” dos sonhos do faraó.

 

Os sonhos de Yosef, no entanto, eram diferentes. Um judeu, mesmo interagindo com o mundo físico, tem que estar sempre pensando nos aspectos celestiais de sua vida, seu desenvolvimento espiritual e propósito espiritual.

 

Yossef, portanto, sonhou tanto com o mundo material quanto com o celestial, e em uma ordem de “progressão”, porque sua vida como um todo estava em constante crescimento.

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Como rezar para a nossa reza ser atendida?

 

Nossa Parashá nos conta que Yaakov lutou contra um anjo e venceu.

 

Como pode Yaakov ter lutado contra um anjo, uma criatura espiritual, e porque Yaakov precisou da benção desse anjo que era nada mais nada menos que o anjo de Essav?

 

Diz o Zohar que o anjo para poder interagir nesse mundo é obrigado a se revestir em uma forma material e por isso Yaacov conseguiu materialmente lutar contra ele e vencer.

 

Yaakov insistiu para que o anjo concordasse com o fato de as Bra’hót pertencerem à ele para que esse anjo não se tornasse lá encima um Kitrug (um anjo promotor) contra o povo de Israel acusando no tribunal Divino de termos roubado a prosperidade de Essav.

 

O Zohar nos conta que Yaakov não quis ter proveito dessas Bra’hót nesse mundo e as guardou para os tempos do Mashia’h.

 

Por enquanto Essav se aproxima com 400 homens para atacar Yaakov….. e agora?

 

Como se faz para receber um milagre e ainda guardar os méritos para os tempos do Mashia’h?

 

Tefilá! Yaakov rezou para D’us ajudá-lo e não precisa usar seu mérito e dele.

 

Aprendemos algumas regras básicas em relação às nossas rezas:

 

Aprendemos que quando rezamos devemos explicar e especificar o que queremos de maneira clara e detalhada.

 

D’us está em todo lugar e sabe o que queremos mesmo sem pedirmos, mas aprendemos com Yaakov que para recebermos alguma coisa sem pedir necessitamos de um grande mérito lá em cima que até o próprio Yaakov, o maior dos patriarcas preferiu não usá-los enquanto não fossem extremamente necessários.

 

E se até Yaakov que tinha de verdade esse mérito preferiu guardá-lo para que possamos usá-lo nos tempos do Mashiach e por isso rezou detalhadamente para não precisar usar aquele mérito, quem somos nós para esperar que D’us faça um milagre sem pedirmos.

 

E mesmo que muitas vezes D’us nos faz verdadeiros milagres em coisas que nem chegamos a saber, mesmo assim o certo é pedirmos detalhadamente quando sabemos o que precisamos, e isso por dois motivos:

 

1 – Se não rezarmos talvez o milagre não aconteça.

 

2 – E se acontecer, ele poderá ser descontado dos nossos méritos.

 

Por isso, diz o Zohar, Yaakov detalhou a sua reza dizendo: – “Me salve por favor” (talvez de Lavan?) “do meu irmão” (parentes eram chamados de irmãos!) “de Essav” (e o motivo que eu preciso disso?) “para que ele não venha e ataque mulheres e crianças”.

 

Mesmo que essa reza foi curta, somente três versículos, vemos que ela conteve todos esses detalhes e foi eficiente. Nós próprios somos a prova ”viva” de que a Tefilá dele funcionou !

 

Se é assim, porque a melhor reza para resolver qualquer problema de saúde, financeiro, de família, social ou de qualquer outro tipo , é ler Tehilim que não estão especificando nenhum dos seus pedidos, como pode ser que ele serve para tudo?

 

Como pode ser que você lendo uma súplica do rei David pedindo para D’us o salvar de Shaul isso vai ser considerado como se você tivesse pedido detalhadamente e da maneira mais correta possível tudo o que você tinha intenção em pedir?

 

Sobre isso diz o Zohar na nossa Parashá:- “Venha e veja, nesses Tehilim que falou David existem segredos e assuntos elevados nos segredos da sabedoria, sendo que todos foram ditos por meio do Rua’h a kodesh que era um nível de revelação Divina que pairava sobre David e então ele escrevia os Tehilim. Portanto todos os Tehilim foram ditos por meio de segredos da sabedoria” .

 

Ou seja, quando você lê os Tehilim em hebraico você está expressando o seu sentimento e o pedido do seu coração da maneira mais profunda possível.

 

Mesmo assim é bom depois do Tehilim fazer o seu pedido explicito e detalhado como o fez Yaakov!

 

Fora a reza Yaakov se preparou para uma guerra e também mandou presentes para Essav. A Tefilá tem que recair sobre uma ação material, rezamos para que o nosso trabalho dê frutos, pedimos para D’us nos dar sucesso no que fizermos.

 

Essav aceitou os presentes e depois quis devolvê-los mas Yaakov não os aceitou de volta porque sendo sua Tefilá aconteceu por meio desses presentes , se os presentes fossem devolvidos talvez a Tefilá tivesse que recair sobre a guerra que era a outra opção.

 

Daqui aprendemos que quando perdemos algo é porque estamos ganhando lá de cima uma bondade ainda maior mesmo que não percebemos

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Por que Essav não se intimidou dos anjos que Yaakov mandou para ele ?

No começo da Parashá anterior Yaakov vê Anjos na visão profética que teve no seu sonho. No final da Parashá anterior ele se encontra pessoalmente com esses anjos e os reconhece como sendo aqueles Anjos que ele viu no seu sonho.

 

Na nossa Parashá ele manda esses Anjos para Essav como primeira tentativa de fazer com ele as pazes.

 

Qualquer pessoa normal se intimidaria em uma situação dessas, mas Essav não se intimida. Os Anjos voltam para Yaakov e dizem que Essav vem atacá-lo com quatrocentos homens.

 

Como pode ser que essas criaturas Divinas não surtiram efeito e Yaakov é obrigado a dividir o povo em dois acampamentos, se preparar para uma guerra, rezar pedindo detalhadamente para D’us salvar ele do seu irmão, de Essav, para que ele não venha e mate as mulheres e as crianças. E Yaakov se vê obrigado até a mandar presentes para ”subornar” Essav?

 

E ainda mais, no final de todos esses preparativos Yaakov acaba ficando sozinho e é atacado pelo próprio anjo de Essav que é um dos setenta ”Sarim” responsáveis pelos povos do mundo, um anjo do nível impuro.

 

Para entender isso vamos pular para o final da nossa Parashá que nos conta sobre os sete reis que reinaram em Edom antes de ter um Rei no povo de Israel.

 

A Torá não conta para nós quantos faraós reinaram no Egito e nem quantos reis reinaram em outros países onde vivemos, e por que a Torá nos conta sobre os reis de Edom, um país onde nunca estivemos?

 

Mas na verdade a história dos reis de Edom é a explicação da estrutura espiritual de Essav com toda a expressão que ela tem no mundo, culminando com nosso “Galut Edom” na qual vivemos no momento. E também nos esclarece o fato de Essav não ter se intimidado com os Anjos que mandou Yaakov.

 

Olam a Tou, o mundo vazio

 

O Zohar nos conta que a história dos reis de Edom aparece na Torá para nos indicar um fenômeno Cabalistico que aconteceu antes de surgir o mundo de Atzilut, chamado de Olam aTikun, o mundo do conserto.

 

A quebra dos receptáculos

 

Antes do mundo de Atzilut existia o Olam a Tou. No Olam a Tou as “Luzes” , a revelação Divina, eram grandes e os receptáculos pequenos.

 

Cada Sefirá no Olam a Tou iluminava intensamente e não dava espaço para outras Sefirot.

 

Por causa disso aconteceu a “quebra dos receptáculos” e as luzes se separaram até caírem nos mundos de Briá Yetzirá e Assiá

 

Por meio do cumprimento dos mandamentos Divinos “consertamos” essas “Luzes” que caíram nos mundos de Briá Yetzirá e Assiá e fazemos elas subirem para o mundo de Atzilut que é o Olam a Tikun, o “mundo do conserto”

 

Na história dos sete reis de Edom encontramos a linguagem “e reinou e morreu” representando as sete Sefirot de Tou aonde aconteceu a quebra dos receptáculos, por isso está escrito “e reinou e morreu” porque uma queda de nível tão grande é comparada à morte.

 

O mundo do Tou é a raiz de Essav e o mundo do Tikun é a raíz de Yaakov. Pelo motivo de a raíz do mundo de Tou ser mais alta do que a raíz do mundo de Tikun está escrito “antes de reinar um Rei em Israel”, demonstrando que os reis de Edom são mais elevados do que os reis de Israel, mas somente na sua raiz.

 

No mundo de Atzilut as Sefirot são divididas em receptáculos separados mas cada Sefirá é englobada em segundo plano dela própria junto com todas outras Sefirot também, mas com uma intensidade menor que não oculta o aspecto principal de cada Sefirá.

 

O fato de o Olam a Tou anteceder o Olam a Tikun está lembrado em Parashat Bereshit também: “o mundo estava Tou vaVou e escuridão sobre a face do abismo”.

 

Descubrimos assim porque Essav não se intimidou com os Anjos de Yaakov, porque a raiz dele era mais alta do que os Anjos.

 

Por outro lado ele se deixou subornar pelos animais que Yaakov mandou de presente para ele, sendo que as “Luzes” de Tou caíram tão baixo, até o aspecto mais materializado desse nosso mundo material.

 

Aprendemos com a nossa Parashá que cada um de nós quando começa o trabalho Divino descobre muitas luzes, mas nossos receptáculos ainda são pequenos, e podemos achar que qualquer meio justifica o fim, fazendo do nosso trabalho Divino uma grande mistura entre o bem e o mal, como diz o Pirkei Avot: “estuda, revisa o estudo, e chuta seu pai e sua mãe e quem é maior do que ele”.

 

Aprendemos com a nossa Parashá que não devemos ser como Essav, muitas luzes mas que tem como consequência a quebra dos receptáculos.

 

Mas devemos ser como Yaakov, menos Luzes e mais receptáculos, uma história mais difícil, mas com um final feliz.

 

 

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

nossa Parashá – Vayetzê

Vayetzê

 

Nossa Parashá nos conta que nosso terceiro patriarca, Yaakov, saiu de Beer Sheva e foi para Haran.

 

No meio do caminho, a Parashá nos conta que ele “se encontrou com o lugar”, sem especificar qual era o lugar, e depois dormiu lá porque o Sol se pôs.

 

Vemos que depois disso ele continuou sua viagem até Haran, e concluímos que o “lugar” não era o lugar para o qual ele estava viajando, mas que era um lugar tão importante que todos o conheciam como “o lugar”, sem precisar especificar o nome dele.

 

Yaakov estava no meio do caminho entre a Terra Santa e Haran, e não havia lá nenhum lugar de destaque nesse caminho.

Então porque nesse caso a Parashá usa somente a palavra “o lugar” como se estivesse nos contando sobre o lugar mais importante do mundo?

A linguagem do versículo é “se encontrou com o lugar”, nos indicando que um foi ao encontro do outro. Como pode um lugar ir ao encontro de alguém?

 

E também, por que a Parashá tem que nos contar que “o Sol se pôs” e por isso ele dormiu lá, sendo que aparentemente isso é uma coisa óbvia?

 

Fugindo de Essav para Lavan

 

Os dois motivos pelos quais Yaakov teve que sair de Beer Sheva e ir para Haran foram o fato de Rifka ter ouvido que Essav estava esperando seu pai falecer para assassinar Yaakov, e também para Yaakov se casar com a filha de Lavan que não era menos perigoso do que Essav.

 

Por esses motivos Yaakov estava atordoado, e por isso, mesmo tendo passado próximo ao Monte Moriá que era o lugar mais sagrado do mundo, ele não parou lá para rezar.

 

Nossos Sábios nos contam que quando ele chegou no final da Terra Santa, a caminho de Haran, Yaakov se questionou e disse:

 

:– Como pode ser que eu passei pelo lugar sagrado e não parei para rezar lá?

 

Yaakov decidiu viajar de volta para o Monte Moriá, para rezar, e depois voltar para continuar sua viagem à Haran.

 

O “despertar de baixo” causa o “despertar de cima”

 

Diz o Zohar que quando “despertamos” para fazer uma coisa boa nesse nosso mundo aqui em baixo, causamos o “despertar de cima”.

 

Ou seja, quando você toma a iniciativa para fazer uma coisa boa aqui nesse mundo, você desperta a ajuda Divina que é sempre imensamente maior do que a iniciativa que tínhamos tomado.

 

E foi isso o que aconteceu com Yaakov. No momento em que ele tomou a iniciativa de viajar de volta para o Monte Moriá, o Sol se pôs milagrosamente.

 

Por isso o versículo diz que o Sol se pôs, sendo que nesse caso não seria uma coisa óbvia porque não era o horário de o Sol se pôr.

 

E não só isso, mas também D’us fez mais um milagre sobrenatural e sincronizou toda a Terra de Israel embaixo dele, na linguagem dos nossos Sábios “dobrou embaixo dele toda a Terra de Israel”.

 

Por isso D’us disse para ele no sonho profético que ele teve naquele lugar : – “A Terra que você está deitado sobre ela, para você eu vou dar, e para todos os seus descendentes”.

 

Ou seja, a Terra que ele estava deitado sobre ela era toda a Terra de Israel.

 

Nosso primeiro patriarca, Avraham, tinha instituído a reza de Shaharit, a reza da manhã.

 

Seu filho, Itzhak, instituiu a reza de Min’há, a reza da tarde.

 

E agora seu neto, Yaakov, institui a reza da noite, a reza de Arvit.

 

Ele queria ir ao Monte Moriá, mas D’us fez com que o Monte Moriá viesse até ele!

 

O segredo da escada de Yaakov

 

Yaakov adormeceu naquele lugar e teve um sonho profético. Nesse sonho ele viu uma escada apoiada na terra e essa escada chegava até o céu. Ele também viu que os anjos subiam e desciam por ela.

 

Quando o profeta Yeshaiahu (Isaías) descreve a profecia da “Merkavá”, da “Carruagem Divina” do mundo de Briá, e o profeta Yehezkel (Ezequiel) descreve a Profecia da Merkavá do mundo de Yetzirá, eles descrevem os anjos como sendo criaturas com asas representando que absolutamente eles não precisam de escadas para subir e descer.

 

Quando os anjos são citados em qualquer escritura Judaica eles também aparecem e desaparecem “voando”, sem nenhuma necessidade de terem escadas para subir e descer de qualquer lugar, e o principal, sem precisarem de asas também sendo que eles “voam” de uma dimensão para outra.

 

Então uma coisa aqui é óbvia, a escada que Yaakov viu no seu sonho profético não era uma escada de verdade.

A palavra escada na Parashá veio somente para nos mostrar o raciocínio que está por trás desse assunto, e nesse caso, como em vários outros assuntos na Torá, somos obrigados a desmaterializar o conceito.

 

Como por exemplo no caso da criação do ser humano. Quando a Torá nos conta que D’us fez um homem de terra e “soprou” nele uma Alma, isso vai diretamente contra o segundo dos Dez Mandamentos onde está explícito que nenhum conceito material se aplica à D’us.

 

Nesse caso, diz o Zohar, a palavra soprou aparece somente para nos mostrar o raciocínio que está por trás desse assunto e facilitar o nosso entendimento.

 

Quem sopra, diz o Zohar, sopra o que tem dentro, e a palavra soprou aparece no lugar da palavra colocou, para nos mostrar que a nossa Alma Divina é uma parte de D’us.

 

Ou seja, a primeira raiz dela é a Sefirá chamada de Ho’hmá do mundo de Atzilut.

 

Quando a Torá nos conta que D’us “cheirou” o cheiro agradável dos sacrifícios de Noa’h, e jurou que nunca mais iria trazer um dilúvio para a humanidade, aqui também a intenção não é a de que D’us “cheirou”, sendo que nenhum conceito material se aplica à Ele.

 

Então por que a Torá usa a palavra “cheirou” se referindo à D’us, se ele está infinitamente acima de qualquer conceito material?

 

Novamente para facilitar o nosso entendimento, a Torá nos traz o raciocínio que está por trás desse assunto.

 

Ou seja, quando Noa’h transformou o animal que é a coisa mais grotesca do mundo, em Mitzvá, em Trabalho Divino, essa atitude chegou até o nível espiritual mais elevado.

 

Soprou é o contrário de cheirou. Quando a Torá nos conta que D’us soprou a Alma, ela está dizendo que a nossa Alma Divina desceu do nível espiritual mais elevado ao mundo mais baixo.

 

Quando a Torá nos conta que D’us “cheirou” o cheiro “agradável” dos korbanot (sacrifícios), ela está dizendo que o korban, o sacrifício que Noa’h fez, subiu do mundo mais baixo para o nível espiritual mais elevado.

 

Em resumo, D’us não soprou e D’us não cheirou, mas a Torá usa essas palavras para facilitar o nosso raciocínio.

 

Aqui na nossa Parashá, quando a Torá nos conta sobre uma escada, a intenção da Torá também é a de facilitar o nosso raciocínio.

 

Ou seja, os anjos não precisam de escada nem para subir e nem para descer. Então por que a Torá usa a palavra escada? Para facilitar o nosso entendimento.

 

Diz o Zohar que a escada nesse caso é a Sefirá chamada de Mal’hut.

 

Ela é comparada a uma escada que liga o nosso mundo ao mundo superior.

 

Quando nos comportamos da maneira correta, estudamos Torá e cumprimos os Mandamentos Divinos, a Mal’hut sobe e se une a Sefirá chamada de Yessod que está acima dela.

 

A Yessod recebe a fartura e a abundância das Sefirót que estão acima dela e repassa para a Mal’hut e a Mal’hut transforma a abundância espiritual em bens materiais.

 

Um exemplo para isso é uma mãe que após comer um jantar de Shabat completo, com vinho, pão, peixe e saladas, carne com batata, sucos e sobremesa, transforma tudo isso em leitinho para o nenê

 

Se ela desse todo esse jantar de Shabat para o nenê do jeito que foi oferecido para ela, o nenê simplesmente morreria de fome.

 

Não por causa da qualidade desses alimentos, mas por causa da incapacidade do nenê em relação a esse nível de alimentação

 

Então a mãe come toda essa comida, transforma ela em leitinho e depois dá de mamar para o nenê, e só assim ele consegue assimilar esse “jantar de Shabat” e crescer saudável.

 

Mas quando nosso comportamento decai, quando não encontramos mais tempo para estudar Torá e perdemos o interesse em cumprir os Mandamentos Divinos, enfraquecemos a Mal’hut lá em cima, e ela cai ao nível dos setenta anjos responsáveis pelos setenta povos que vem “mamar” da Mal’hut no nosso lugar.

 

Esses anjos pertencem ao lado impuro, e eles tem uma cota de vitalidade pré-determinada para repassar aos povos pelos quais eles são responsáveis.

 

Esses anjos estão na função de intermediários entre a fartura repassada pela Mal’hut e o povo que cada um deles representa.

 

Cada um deles serve como um “deus” para aquele povo que é representado por ele.

 

Quando a Mal’hut baixa de nível devido ao nosso comportamento ela desce ao nível deles.

 

Quando isso acontece eles acessam à ela, conseguem sugar a abundância Divina que estava guardada para nós e repassá-la para os povos aos quais eles são responsáveis.

 

E esses anjos, diz o Zohar, foram os anjos que Yaakov viu “subindo” por aquela escada. Primeiro subindo, sendo que o nível deles é baixo e eles só conseguiram subir devido a “queda” da Mal’hut.

 

Yaakov também viu que quando fazemos Teshuvá, voltamos para o bom caminho, encontramos tempo para estudar Torá e voltamos a cumprir os Mandamentos Divinos, a Mal’hut sobe novamente.

 

Então esses anjos que são chamados de “Sarim” (ministros), porque eles governam os povos do mundo, são obrigados a descer para não se desintegrarem com a subida do Mal’hut para o nível espiritual mais elevado.

 

E por isso Yaakov viu que os anjos que no começo estavam subindo naquela “escada”, depois estavam descendo.

 

Ele viu o ciclo dos “Sarim” e entendeu que D’us revelou tudo isso para ele porque agora que ele estava saindo da casa dos seus pais para dar origem ao nosso povo D’us mostrou para ele a responsabilidade que estava nas mãos dele e que posteriormente estaria nas nossas mãos.

 

As setenta faces da Torá

 

Encontramos outras explicações para essa passagem da Torá. Uma explicação não anula a outra, mas somente acrescenta mais detalhes à ela.

 

Rashi explica que nessa sincronização da Mal’hut também subiram os anjos que acompanhavam Yaakov da Terra Santa e desceram anjos de outra categoria para acompanhá-lo fora da Terra Santa.

 

Rabi Yeshaiau (Isaías) Horovitz (1565 – 1630) escreveu o livro chamado “Shnei Luhot a Brit” conhecido por suas iniciais “Shla”.

 

Em seu livro ele explica que os Anjos que estavam subindo para o céu eram os Anjos Refael e Gavriel, anjos do primeiro escalão, que levaram uma “suspensão” do tribunal Divino e ficaram na Terra desde a época do nosso primeiro patriarca Avraham até a “escada de Yaakov”.

 

Quando nosso patriarca Avraham fez o “Brit Milá”, a circuncisão, com 99 anos, os anjos Mihael, Refael e Gavriel vieram visitá-lo.

 

Saindo da tenda de Avraham, Mihael voltou para o céu, Gavriel foi destruir Sodoma e Gomorra, e Refael foi com ele para salvar Lot e sua família.

 

Chegando em Sodoma, Gavriel e Refael disseram aos seus habitantes que eles vieram destruir a cidade.

 

Eles achavam que dessa forma estavam fazendo a vontade Divina.

 

Ou seja, como pode ser que D’us que é a essência do bem mandou eles fazerem uma destruição dessas?

 

Mas na verdade eles estavam fazendo contra a vontade Divina, sendo que se eles dissessem que foi D’us quem mandou eles para destruírem a cidade, talvez aquelas pessoas tivessem feito Teshuvá, voltado para o bom caminho, como aconteceu posteriormente em Nínive na época do profeta Yona (Jonas).

 

Por terem feito contra a vontade Divina, esses Anjos receberam uma suspensão, foram obrigados a ficar nesse mundo, e só puderam voltar para o céu naquela revelação da Mal’hut que foi a “escada de Yaakov”.

 

Estamos falando sobre anjos do lado puro, anjos do lado bom. Não se trata do anjo da morte e suas ramificações ou outras categorias diferentes de anjos do lado impuro que não vão mais existir depois da Gueulá como os “setenta Sarim”, os anjos responsáveis pelos setenta povos.

 

Esses Anjos do “primeiro escalão” são anjos do lado bom. Eles são os Anjos do mais alto nível, Anjos do mundo de Briá onde o bem e o mal não se misturam, e, portanto, eles não tem o livre arbítrio.

 

Eles não têm nenhuma inclinação para fazer o mal. Eles não precisam optar entre fazer o bem fazer ou o mal, sendo que eles não têm o lado mal e nem a má inclinação conhecida como “yetzer a rá”.

 

Então como podem eles terem feito algo contra a vontade Divina?

 

Diz o Rebe, eles fizeram contra a vontade Divina achando que estavam fazendo a vontade Divina, fizeram um erro de avaliação.

 

Como pode ser que esses Anjos chamados de Serafim que são os Anjos principais, fazem um erro de avaliação?

 

Por que tudo o que D’us criou não é perfeito?

 

No término dos seis dias da criação a Torá nos conta que “D’us abençoou o sétimo dia e o santificou porque nele cessou todo o trabalho que D’us criou para fazer”.

 

Se D’us terminou todo o trabalho da criação, por que aparece no final do versículo a palavra “para fazer”? Diz o Midrash que a intenção de “para fazer” é para fazer um conserto, para consertar.

 

O Midrash nos conta que tudo o que D’us criou não é perfeito e até mesmo os Anjos do “primeiro escalão” podem fazer contra a vontade Divina por meio de um erro de avaliação causado pela imperfeição de tudo o que foi criado por D’us.

 

E esse é o nosso trabalho aqui nesse mundo, isso D’us deixou para nós. Vivemos neste mundo para nos refinar.

 

Estamos aqui para trabalhar continuamente o nosso intelecto e os nossos sentimentos, e pouco a pouco chegar à essa perfeição que D’us deixou intencionalmente para nós.

 

D’us fez o mundo dessa forma para que tenhamos o mérito de participar da criação do mundo junto com Ele, o mérito de termos feito a parte final da criação, a parte principal!

 

 

 

Shabat Shalom
Rabino Gloiber
Sempre correndo mas sempre rezando por você

 

 

 

Mensagem da Parashá

Quando um Tzadik sai da cidade isso é sentido por todos 🌻❤️🥰

 

Nossa Parashá nos conta que Yaakov Avinu saiu de Beer Sheva e foi para Haran.

 

Se ele estava em Beer Sheva, com certeza ele saiu de lá, então porque a Torá precisa nos contar que ele saiu de Beer Sheva?

 

Para nos ensinar que quando um Tzadik sai da cidade isso é sentido por todos, sendo que ele é o esplendor,ele é o brilho e a beleza da cidade!

 

As atitudes dos nossos patriarcas são um ensinamento para nós, cada um de nós também tem que ser essa pessoa tão especial que “faz a diferença” !

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org