Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida – Aharei Mot- Kedoshim

Aharei Mot

 

Nossa Parashá começa nos contando sobre os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado com um “fogo estranho” na parte mais sagrada do Mishkan.

 

A Parashá termina nos ensinando que existe uma situação em que a Terra Santa “vomita” seus habitantes devido ao comportamento deles em relação a “casamentos” e a santidade daquele lugar.

 

Existe uma ligação entre esses dois assuntos que fazem parte de uma mesma categoria, mas em níveis diferentes.

 

Quando AShem  (D’us) nos deu a Torá no Monte Sinai, pediu para Moshe avisar nosso povo para não subir naquela montanha e nem tocar nela enquanto estivesse acontecendo lá a entrega da Torá.

 

A linguagem do versículo naquele caso é de que todo aquele que tocar em qualquer parte daquela montanha, mesmo em sua parte mais extrema, vai falecer.

 

E também os animais deveriam ser impedidos de pastar no Monte Sinai no momento da entrega da Torá, porque eles morreriam também se estivessem naquele momento naquele local.

 

A Torá nos conta mais adiante que Nadav e Avihu, os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado no Mishkan com o “fogo estranho”, eram pessoas muito elevadas espiritualmente como o próprio Moshe diz ao seu irmão Aharon que Nadav e Avihu estavam em um nível superior ao deles.

 

O “fogo estranho era o incenso feito de acordo com a Torá, mas esse trabalho deveria ter sido feito pelo pai deles, por Aharon que era o sumo sacerdote, e não pelos seus dois filhos, por uma pessoa e não por duas.

 

Mas o fato de o Midrash ter nos contado que eles faleceram por ter entrado no Mishkan bêbados já nos ensina que o fato de eles terem entrado no Mishkan com o incenso no lugar de Aharon não justificaria a morte deles.

 

Sendo assim, é óbvio que o motivo do falecimento deles naquela ocasião não tinha relação com o nível espiritual deles, que era elevado o suficiente.

 

Pelo fato de Moshe ter avisado os Cohanin para não entrarem “bêbados” no Mishkan, surge a possibilidade de eles terem bebido muito vinho antes de terem entrado lá, e pode ser que foi isso o que causou a morte deles.

 

Essa hipótese trazida pelo Midrash é vista como uma lição de moral, mas não é a prova de que esse foi o motivo verdadeiro, sendo que em relação à conduta moral  Nadav e Avihu estavam dentro dos padrões e não havia nenhuma base para suspeitar de alguma conduta negativa em relação à eles.

 

Também o fato de não ter sido possível encontrar vinho naquele lugar nos leva a conclusão de que o Midrash está usando essa hipótese como lição de moral, mas não como prova de que o motivo do falecimento deles foi esse.

 

Então qual foi o motivo real da morte de Nadav e Avihu.

 

A Torá nos conta que no momento da entrega da Torá AShem  (D’us) chamou Moshe para subir na montanha, dando à ele por meio desse chamado uma proteção especial para que ele pudesse presenciar a intensidade da revelação Divina sem que sua Alma deixasse seu corpo.

 

Mas qualquer pessoa ou animal que tocasse naquela montanha naquele momento, mesmo que fosse somente no extremo da montanha, a Alma sairia do corpo devido ao nível da revelação Divina que estava acontecendo lá.

 

Depois da entrega da Torá, a revelação Divina deixou definitivamente o Monte Sinai.

 

O Monte Sinai voltou a ser uma montanha como qualquer outra, e não haveria mais nenhum problema para os pastores com seus animais subirem até o ponto mais alto dela, e eles já poderiam fazer isso sem que nada acontecesse.

 

Aprendemos daqui que quando a revelação Divina paira sobre um lugar, todo o tempo que ela se encontra lá, nem as pessoas e nem os animais conseguem manter as almas nos corpos a não ser que ele seja chamado para, lá como foi o caso de Moshe Rabeinu no Monte Sinai na hora em que a presença Divina pairou sobre ele.

 

Quando o Mishkan, nosso “Templo-móvel” foi construído no deserto, a revelação Divina pairou sobre ele se revelando na sua parte mais sagrada chamada de “Kodesh a Kodashim”.

 

O sinal de que a revelação Divina pairou sobre o Mishkan foi o mesmo que aconteceu no Monte Sinai, a nuvem baixou sobre ele.

 

A regra em relação ao Mishkan foi a mesma que no monte Sinai. Quando a nuvem pairava sobre o Mishkan mostrando claramente que a revelação Divina estava acontecendo lá, Moshe era chamado para o Mishkan e AShem  (D’us) falava com ele. Se Moshe não fosse chamado ele não iria lá por si só.

 

Por outro lado, Aharon e seus filhos faziam parte da estrutura do Mishkan. Ou seja, o Templo-móvel tinha os seus sacerdotes que eram Aharon e seus filhos, e por isso está escrito em relação à entrada no Kodesh HaKodashim “o estranho que entrar vai falecer. E quem está na categoria de estranho.

 

A Guemará nos conta que certa vez alguém estava passando por trás de uma Sinagoga, escutou do lado de fora uma descrição sobre as roupas do Cohen, entrou na Sinagoga e perguntou :- Quem vai vestir essas roupas? :- O Cohen Gadol, respondeu o professor.

 

A pessoa que não era judeu tomou uma decisão consigo próprio: – vou me converter ao judaísmo com a condição de ser o Cohen Gadol.

 

Chegou ao tribunal rabínico onde se encontrou com Shamai, que ouvindo esse argumento concluiu que a pessoa não tinha uma boa intenção.

 

Mas aquela pessoa não desistiu e foi procurar o outro grande Rabino da época que se chamava Hilel. Hilel fez para ele um curso de Cohen Gadol.

 

Quando chegaram nesse assunto de “o estranho que se aproximar vai morrer” a pessoa perguntou:- Quem é considerado “estranho” em relação ao “Kodesh HaKodashim”.

 

Até David, o rei de Israel que também era a pessoa mais elevada espiritualmente da sua geração e também a mais rica e poderosa, nada disso adiantaria em relação ao “Kodesh HaKodashim”, e se ele entrasse lá ele morreria como qualquer outro.

 

Aquela pessoa descobriu que não poderia ser Cohen Gadol e se tornou um bom judeu.

 

Nadav e Avihu não estavam na classificação de “o estranho que se aproximar vai morrer” sendo que eles eram Cohanin, eles eram os sacerdotes.

 

Mesmo assim, a permissão para eles entrarem lá era restrita aos trabalhos específicos que deveriam fazer. Incluindo detalhes como roupas específicas para eles poderem trabalhar lá.

 

Cada ação no nosso mundo material tem uma sincronização com o mundo espiritual, e de acordo com essa sincronização acontece uma reação.

 

O Cohen, por meio do seu trabalho, sincroniza entre o mundo de baixo e o mundo de cima, trazendo para cá fartura e abundância.

 

Isso acontece por meio da sincronização entre as Dez Sefirót lá em cima. A fartura e abundância lá de cima é repassada por meio da Sefirá chamada de Yessod para a Sefirá chamada de Mal’hut, a Mal’hut transforma a abundância espiritual em bens materiais.

 

Um exemplo para isso é uma mãe que após comer um jantar de Shabat completo, com vinho, pão, peixe e saladas, carne com batata, sucos e sobremesa, transforma em seu corpo tudo isso em leitinho para o nenê.

 

Se ela desse todo esse jantar de Shabat para o nenê do jeito que foi oferecido para ela, o nenê simplesmente morreria de fome. Não por causa da qualidade desses alimentos, mas por causa da incapacidade do nenê em relação a esse nível de alimentação.

 

Então a mãe come toda essa comida, transforma ela em leitinho e depois dá de mamar para ele. Assim o nenê cresce saudável.

 

Dessa maneira a Sefirá chamada de Mal’hut transforma a fartura e abundância espiritual em bens materiais. Mas para que o repasse dessa fartura do Yessod para o Mal’hut aconteça, nós precisamos merecer.

 

E aí entra o trabalho do Cohen. Ele faz o trabalho Divino nos representando como se cada um de nós estivesse lá fazendo esse trabalho junto com ele. Esse trabalho é feito totalmente em sincronização com as forças ocultas espirituais.

 

Quando Moshe Rabeinu trouxe as dez pragas para o Egito, ele teve que fazer ação material que causasse a reação espiritual para cada uma das dez pragas separadamente.

 

Na primeira praga, quando AShem (D’us) pediu para ele dar uma cajadada no Rio Nilo, Moshe respondeu que não vai poder dar essa cajadada porque esse rio salvou a sua vida quando sua mãe o colocou lá em uma cestinha.

 

AShem  não cancelou a ordem da cajadada para trazer a praga, mas pediu para Moshe pedir ao seu irmão Aharon para ele dar essa cajadada.

 

Porque para trazer algo lá de cima precisamos fazer uma ação nesse mundo material para que aconteça a reação no mundo superior.

 

E essa ação precisa ser de acordo com os detalhes da ordem Divina que no caso da primeira praga foi a cajadada.

 

No caso da praga dos piolhos, AShem  pediu para Moshe jogar a terra do Egito para o alto. Moshe novamente se desculpou de não poder fazer isso sendo que aquela terra o ajudou quando ele salvou um judeu de ser assassinado por um soldado egípcio.

 

Novamente AShem  não cancelou essa ação, mas pediu para Moshe pedir à seu irmão Aharon para ele fazer esse ato material de jogar a terra do Egito para cima e assim começou a praga dos piolhos.

 

Se Aharon tivesse invertido a ordem Divina e tivesse jogado a água do Rio Nilo para cima e dado uma cajadada na terra, nada aconteceria.

 

E assim é o trabalho dos nossos Cohanin que são os nossos sacerdotes. Cada trabalho tem que ser feito da maneira correta, e se não for feito da maneira correta a sincronização não acontece e nada de bom desce para baixo.

 

Sendo que é permitido para o cohen entrar no Mishkan e ele não está na classificação de “o estranho que entrar vai falecer”, e se o trabalho dele não for feito certo ele não traz as bênçãos celestiais para nós, o fato de Nadav e Avihu terem falecido ainda precisa de uma explicação.

 

Por isso, dia o Zohar, o motivo que restou foi o fato de eles não terem se casado.

 

E por esse motivo, quando a Torá se refere a pessoa que vai fazer o korban, o sacrifício, ela usa a palavra Adam.

 

Quando AShem  criou o ser humano, diz o Zohar, ele fez uma pessoa que era um lado homem e o outro mulher. Essa pessoa foi chamada de Adam.

 

AShem  fez Adam adormecer profundamente, separou entre os dois lados, e assim surgiu Hava, a Eva da Torá.

 

(A estória de que D’us criou a mulher da costela não tem fonte judaica).

 

Por isso Nadav e Avihu faleceram, diz o Zohar, eles eram somente “meio corpo”. Cada um deles era “meio corpo”, e mesmo assim eles decidiram fazer o trabalho mais sagrado de todos os trabalhos do Mishkan.

 

E por causa do contraste entre a fraqueza de eles serem “meio corpo”, de não serem casados, e a intensidade do Ketoret, do trabalho de trazer o incenso para o Kodesh HaKodashim que deveria ter sido feito pelo pai deles, eles faleceram.

 

E por isso, diz Rabi Aba no Zohar, pelo fato de eles serem “meio corpo” e terem feito o mais importante de todos os trabalhos do Mishkan, por isso eles faleceram.

 

Mas se eles fossem casados ou se tivessem feito outro trabalho do Mishkan que não fosse esse, não teriam falecido.

 

Nossa Parashá começa nos contando os procedimentos tomados depois que faleceram os dois filhos de Aharon, e termina nos contando sobre as relações íntimas proibidas.

 

Nos revelando por meio disso que de acordo com o nosso comportamento a Terra Santa pode chegar ao extremo de “Vomitar os seus habitantes como vomitou os povos que estavam lá antes de nós” por terem tido essas relações íntimas proibidas.

 

Daqui aprendemos que da mesma maneira que aqueles povos foram tirados da nossa terra por meio de sete anos de guerra que fizemos com eles, nós também podemos ser tirados de lá da mesma forma, e isso é a expressão do conceito da Torá de “a terra vomitar os seus habitantes”.

 

Sendo que a Torá não está falando sobre outras terras mas somente sobre a “Terra Santa”, entendemos que também no nosso nível pode acontecer um curto circuito espiritual, entre a santidade da terra e a falta de santidade do nosso comportamento.

 

Por isso a Torá nos avisa isso antecipadamente. Para sabermos que cada ação no mundo material causa uma reação no mundo espiritual.

 

Quando essa ação aqui embaixo se compara ao comportamento dos povos que foram “vomitados” da nossa terra, estamos trazendo para nós por meio desse comportamento essa mesma consequência que esse comportamento trouxe para eles.

 

Então vamos estudar muita Torá e fazer muitas Mitzvot para trazer imediatamente a Gueulá

 

Kedoshim

 

Nossa Parashá nos conta (entre inúmeros assuntos) sobre a proibição de guardar rancor.

 

Toda pessoa que guarda rancor contra um judeu principalmente se ele for o cônjuge, transgride uma Mitzvá da Torá, como está escrito na nossa Parashá: “Ló titor”, não guarde rancor.

 

Exemplo: Você pede um favor para alguém e a pessoa não quis fazê-lo. No dia seguinte, essa pessoa precisou de você e você responde: “Eu não sou como você. Eu não vou lhe negar um favor como você me fez”!

 

Isso acontece porque a pessoa estava guardando aquele rancor e achou o momento exato para revelar isso. Em outras palavras, “jogar na cara” é proibido pela Torá.

 

O Baal Shem Tov explicou que nossos sábios comparam a pessoa que fica brava a alguém que está fazendo idolatria porque no momento da fúria, a fé em D’us desaparece automaticamente, e quando não se acredita em D’us consequentemente se está acreditando em outra coisa”.

 

Porque se ele soubesse que tudo o que acontece com ele vem de D’us, ele nunca ficaria bravo.

 

E mesmo que uma pessoa que por livre-arbítrio optou por fazer-lhe o mal, e amaldiçoa ou bate nele, ou lhe causa prejuízo monetário sendo condenada pelo tribunal humano ou Divino pela maldade da sua escolha, mesmo assim, à quem foi prejudicado já estava decretado pelos Céus que assim seria.

 

O tribunal Divino apenas usou a pessoa ruim para cumprir o decreto Divino por meio dela, e mesmo nesse momento em que a pessoa bate em alguém ou o amaldiçoa, o pensamento que cai na cabeça dessa pessoa para nos prejudicar ou o sentimento que a impulsionou a fazer isso veio lá de cima.

 

D’us faz as coisas boas acontecerem por meio de pessoas boas e as coisas ruins por meio de pessoas ruins.

 

O agente causador do nosso infortúnio foi apenas uma ferramenta usada por D’us para cumprir o decreto Divino que veio para nos purificar de alguma coisa ruim que fizemos na reencarnação atual ou em outra.

 

Tudo vem lá de cima, e as pessoas que nos fazem o mal são os verdadeiros “bobos” que estão sendo usados para nos prejudicar e depois serem castigados por terem nos prejudicado.

 

Se tudo isso foi dito sobre qualquer pessoa, imagine marido e mulher ou pais e filhos que são o grupo de risco nesse assunto por terem mais intimidade entre si, quanto temos que tomar cuidado com isso.

 

Então, não vamos ser bobos de brigar em casa!

 

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Vort israelense: (dugri)

 

O rancor é comparado à fezes espirituais. Guardar rancor é prisão de ventre espiritual, você está com rancor de alguém? Baixe a descarga! Porque quanto mais acumula pior fica!

 

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Nossa Parashá nos conta entre muitos assuntos interessantes que não devemos olhar para a idolatria.

 

Diz o Ari Zal que quando olhamos para alguém ou para alguma coisa, recebemos a “energia” dessa pessoa ou dessa coisa ruim.

 

Quando olhamos para uma coisa boa, a energia boa que tem nela se une à nós e gera dentro de nós uma energia positiva.

 

Mas se olhamos para uma coisa ruim recebemos dela a energia ruim que  ela contém. Essa energia ruim se une à nós tirando de nós a energia boa.

 

E esse é o segredo que está por trás desse mandamento da Torá de não olhar para a idolatria. Porque quando olhamos para uma coisa impura como a idolatria, a impureza dela se adere à nós tirando a nossa santidade e nos atraindo para a impureza.

 

Conclusão:

 

Vamos encher a nossa casa de quadros de Tzadikim que hoje na nossa geração Google é fácil de baixar, mandar revelar e colocar uma moldura.

 

No nosso perfil do Pinterest baixei uma variedade de fotos do Rebbe de Lubavitch

 

Perguntei para vários rabinos de Israel se é permitido baixar uma foto do Rebe pelo Google. A resposta foi sempre a mesma: O Rebe pertence aos Hassidim!

 

E fora isso, com certeza ninguém nunca pagou ao Rebe direitos autorais pela foto que tirou dele. Isso se refere somente à fotos e não à desenhos, pinturas, ou fotos decoradas.

 

Certa vez o Rebe disse sobre o Rabino que eu tinha escolhido para fazer as minhas perguntas difíceis, o Rav Moshe Weber de Yerushaláim (Jerusalém): “É o suficiente olhar para ele para receber “Irát Shamaim” (temor aos céus, ou seja, reverência à D’us).

 

Rav Moshe Weber

 

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Nossa Parashá nos conta sobre a Mitzvá de amar ao próximo como a si mesmo.

 

O Ari Zal explica que está por trás disso se encontra o segredo de que todo o povo de Israel é uma Alma só e cada um de nós é uma ramificação dessa Alma Divina que AShem  (D’us) deu ao Adam a Rishon (o primeiro homem) e por isso cada um de nós é responsável pela transgressão do outro.

Por isso, diz o Ari Zal, a reza chamada de “Vidui” na qual falamos uma lista de pecados (que geralmente não fizemos) foi instituída no plural, sendo que temos cumplicidade pelas transgressões de todos os judeus por fazermos parte de uma Alma só.

Por isso, mesmo quando rezamos sozinhos falamos essa reza no plural, sendo que o pecado que um judeu faz é como se todos nós tivéssemos feito, pelo motivo de sermos a mesma Alma ramificada.

 

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Nossa Parashá também nos ensina que devemos dar uma advertência à qualquer judeu que está fazendo uma coisa ruim.

 

Na maioria dos casos a pessoa se comporta errado por não saber o que é certo, e por isso, no lugar de dar uma bronca causando uma revolta nessa pessoa, devemos ensinar  à ela com muito amor e carinho o que é certo e assim estamos cumprindo essa Mitzvá com eficiência.

 

Isso também aprendi com o Rav Moshe Weber, que com oitenta anos de idade dedicava várias horas do dia para ensinar os soldados israelenses a colocarem Tefilin, e muitas vezes ele me contou sobre soldados que colocaram o Tefilin pela primeira vez na vida.

 

Ou seja, temos que advertir cada judeu, mas dessa maneira. Ensinando ele a cumprir as Mitzvót (Mandamentos Divinos) com muito amor e carinho.

 

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Nossa Parashá nos conta que devemos amar o “guer” (alguém que se converteu ao judaísmo).

 

O Rebe de Lubavitch nos ensina que a linguagem da Torá que se refere ao “guer” diz “guer shemitgaier” (convertido que se converte) nos ensinando que ele já tinha uma Alma judia, mas que se revelou no dia da sua conversão.

 

Sendo assim, tudo o que o Ari Zal explicou sobre o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo se aplica ao guer também, mas com mais intensidade sendo que a Torá acrescenta no caso do guer mais uma Mitzvá.

 

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Nossa Parashá nos conta que é proibido se vingar e proibido guardar rancor. Sendo que a Torá já nos proíbe assassinar, ferir e etc, e não podemos pegar a lei com as mãos mas temos que procurar o tribunal rabínico que vai cobrar do agressor o que é devido pela Torá, então o que sobrou para nós nos vingarmos que a Torá precisa acrescentar esses dois mandamentos?

 

O Midrash Sífra nos traz a explicação para esses dois mandamentos.

 

O que é considerado vingança pela Torá?

 

Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice. Mas a outra pessoa não emprestou.

 

No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice.

 

A resposta foi:- Não vou te emprestar a minha enxada da mesma maneira que você não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido se vingar”.

 

O que é considerado guardar rancor pela Torá?

 

Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice? A outra pessoa não emprestou.

 

No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice, e a resposta foi:- pode pegar, não sou como você que não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido guardar rancor”.

 

Em outras palavras, o rancor é comparado à uma “prisão de ventre” espiritual. Você só tem a perder com isso, nesse mundo você sofre e no próximo você ainda é julgado por causa disso.

 

Se até uma prisão de ventre material quanto mais tempo passa mais duro fica de tirar e mais perigoso fica, quando mais uma prisão de gente espiritual!

 

Então vamos fazer todo dia a nossa higiene espiritual e baixar a descarga sobre todas as nossas mágoas antes que elas fiquem duras demais e precisemos de mais esforço para removê-las!

 

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O lado oculto da Contagem do Omer 

 

Como nos dias da saída do Egito AShem  vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.

 

Isso foi o que nos contou o profeta Mi’há que viveu na Judéia há 2.600 anos atrás.

 

A Gueulá, nossa redenção final, vai acontecer no mérito do trabalho duro que fizemos para  refinar o nosso caráter, para deixarmos de sermos animais, mesmo que animais racionais, e nos tornarmos gente, filhos de AShem  revelando as nossas Almas Divinas que são verdadeiramente partes de AShem.

 

Nossa primeira Gueulá (redenção) que foi a saída do Egito começou quando Moshe estava no Monte Sinai e viu o arbusto incandescente que estava em chamas mas não queimava, ao contrário , ele estava crescendo saudável alimentando pelas chamas.

 

Moshe Rabeinu tinha estudado a Torá oculta que já tinha sido revelada por AShem  (D’us) para o nosso patriarca Avraham que escreveu o Sefer Yetzirá, livro clássico da Kabala.

 

Moshe Rabeinu entendeu imediatamente que aquele fenômeno de o arbusto estar crescendo saudável alimentado pelo fogo, só pode acontecer no nível mais elevado, acima das próprias Sefirót, que é o nível chamado de “Keter”.

 

Ele entendeu imediatamente que no lado espiritual daquele espaço material estava acontecendo a revelação do keter, e isso é o que estava causando essa mudança extrema nas coisas materiais daquele lugar.

 

Ele se aproximou de lá para ver o motivo dessa revelação tão elevada. D’us se revelou para ele e pediu para ele tirar os dois sapatos dizendo que o lugar onde ele se encontrava era um lugar sagrado.

 

Quarenta anos depois, quando o Anjo Gavriel se revelou para Yehoshua (Josué) em Yeri’hó, ele pediu para Yehoshua tirar um sapato só, alegando esse mesmo motivo.

Diz o Zohar que o motivo que D’us pediu para Moshe tirar os dois sapatos era para demonstrar que todo o comportamento Divino em relação à ele seria totalmente sobrenatural.

 

Sendo que o profeta antigo tinha que fazer uma ação para sincronizar entre o mundo material e o mundo espiritual para que a profecia acontecesse, D’us pediu para Moshe fazer a ação de tirar os dois sapatos para trazer à esse mundo o nível de comportamento Divino sobrenatural em relação à nós. Ou seja, AShem  (D’us) vai lutar por nós e nós vamos ficar quietos, ou seja, não só que não vamos precisar participar da guerra, mas também que nem rezar vamos precisar.

 

D’us vai fazer à Moshe nessa ocasião o pedido de tirar o povo de Israel do Egito e levá-los à Terra prometida, e isso vai acontecer de maneira surreal e totalmente sobrenatural.

 

Mas no caso de Yehoshua (Josué), o comportamento Divino em relação à ele seria parcialmente natural e parcialmente sobrenatural.

 

Por isso o anjo pediu para ele tirar um sapato só, para sincronizar entre o mundo espiritual e o mundo material e fazer com que a partir desse momento o comportamento Divino em relação à ele fosse parcialmente sobrenatural.

Sendo que o comportamento Divino em relação à Yehoshua seria parcialmente natural, ele teve que mandar espiões por motivos de estratégia militar, enquanto que no caso de Moshe não havia necessidade de preparar uma estratégia militar da mesma maneira que no Egito não houve necessidade de estratégia militar para que nosso povo saísse de lá.

 

A saída do Egito aconteceu de maneira sobrenatural, os egípcios receberam dez pragas sobrenaturais e ao final o mar se abriu milagrosamente para nós e se fechou milagrosamente encima do exército egípcio, não havendo necessidade de nenhuma estratégia militar para que isso acontecesse.

 

O mesmo aconteceria para os 31 reis de Canaã com seus exércitos caso aquela terra fosse conquistada pelo próprio Moshe Rabeinu. Diz o Ari Zal que o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, ou seja, a Gueulá vai acontecer de forma totalmente sobrenatural e surreal, sem absolutamente nenhuma participação militar de nossa parte.

 

O parto da Gueulá, os sofrimentos que acontecem antes de a Gueulá acontecer, estão ligados à etapa do nosso processo de refinamento. A Gueulá não é parte desse processo de refinamento, ela é a recompensa Divina por termos trabalhado duro para nos refinar.

 

E essa é a ligação entre a saída do Egito que foi o pior de todos os exílios, e o recebimento da Torá que foi a maior de todas as revelações Divinas.

 

O profeta Mi’há nos revelou que os milagres da Gueulá vão ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito, AShem  vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.

 

Quando chegar esse dia que estamos cada vez mais próximos dele, não vamos precisar mais do exército de Israel e nem da ajuda dos americanos.

 

AShem  vai lutar por nós, e nem rezar por isso vamos precisar, sendo que já fizemos o nosso trabalho de refinamento e a Gueulá é a recompensa pelo trabalho que já tínhamos feito antes.

 

Nosso trabalho Divino no exílio é comparado à Sefirát HaOmer, e a Gueulá é comparada à entrega da Torá no Monte Sinai.

 

E sendo que o nosso refinamento agora já chegou ao nível mais profundo, as revelações da Gueulá vão ser extremamente maiores do que as que aconteceram para que pudéssemos sair totalmente do Egito, como por exemplo as dez pragas e a abertura do mar vermelho.

 

E da mesma forma que para sair do Egito não tivemos a necessidade de lutarmos contra os egípcios, e se tivéssemos tido essa necessidade teríamos perdido essa guerra por estarmos em um número desproporcionalmente menor ao deles e também não termos o equipamento e o treino que eles tinham, quanto mais para sair do nosso exílio atual.

 

Quando falamos sobre o trabalho do Mashia’h temos que nos lembrar que:

 

Ele vai ter que desapropriar os patrimônios tombados da Unesco incluindo as mesquitas que se encontram no lugar do nosso Beit a Mikdash que é o Templo sagrado de Jerusalém.

 

Ele vai ter que demolir todas as igrejas e outras idolatrias que se encontram na nossa Terra Santa.

 

Ele vai ter que expandir as nossas fronteiras para as fronteiras da Terra Santa que a Torá determinou que vai do Rio Nilo até o Rio Eufrates.

 

Ele não vai poder deixar alguém que não assuma cumprir os sete mandamentos de Bnei Noa’h morando dentro dessas fronteiras.

 

Ele vai trazer de volta as nossas dez tribos perdidas e todos os descendentes dos judeus que se misturaram entre os povos do mundo.

 

De maneira natural não dá para fazer nenhuma dessas coisas, e se ele não fizer isso ele ainda não é considerado Mashia’h de verdade mas ainda é classificado como candidato a Mashia’h.

 

Daqui entendemos porque os milagres da Gueulá precisam ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito.

 

E assim também conseguimos entender a profecia do profeta Yermiahu que diz que no futuro já não vamos mais usar a expressão “Viva AShem  (D’us) que nos tirou do Egito.

 

Mas vamos dizer: “Viva AShem  que tirou o povo de Israel da terra do norte e de todas as terras que ele os exilou, e os trouxe de volta para a terra deles que AShem  deu para os seus patriarcas (Yermiahu capitulo 16)

 

Os vínculos entre Pessa’h e Shavuot

 

Nosso povo tinha que ser libertado do Egito que era o extremo da escravidão, e depois receber a Torá no Monte Sinai para se libertar da escravidão espiritual, a escravidão  do “yetzer hará”, a escravidão nas mãos das nossas más inclinações.

 

A liberdade de Pessa’h por si só não é o suficiente. Não adianta se libertar da escravidão do Egito para cair na escravidão das nossas próprias más qualidades. Ou seja, sair do Egito e levar o Egito junto.

 

O Korban do Omer era uma oferenda de cevada e era feito em Pessa’h, época da saída do Egito.

 

Naquela época a cevada era usada como ração animal, nos lembrando que a saída do Egito ainda não nos dá a garantia de deixarmos de nos  comportar como animais.

 

Em Shavuot era feito o Korban dos dois pães de trigo que é o alimento humano básico e essencial, nos ensinando que agora que recebemos a Torá, já temos as ferramentas necessárias para nos comportar como gente, agora só depende de nós próprios, as ferramentas já estão nas nossas mãos.

 

O significado simbólico dessas duas oferendas, primeiro a cevada e depois o trigo, vem nos mostrar a ligação entre o nível que nos encontrávamos na saída do Egito e o nível ao qual chegamos por meio do recebimento da Torá.

 

Quando saímos do Egito, éramos escravos em fuga e todos e estávamos em uma situação na qual os fins justificam os meios.

 

Achávamos qualquer coisa que fizéssemos seria permitido contando que conseguíssemos alcançar o que desejávamos alcançar.

 

Quando recebemos a Torá no Monte Sinai nos tornamos gente, deixamos de ser os animais em fuga que tínhamos sido antes.

 

Nos tornamos concientes de que o fim não justifica os meios.

 

Recebemos as ferramentas necessárias para podermos chegar aos mesmos objetivos que queríamos chegar antes, mas dessa vez sem latir, morder ou dar coices em tudo e em todos que aparentemente estão nos impedindo de chegarmos ao nosso objetivo final.

 

Os 49 dias da Contagem do Omer são uma viajem pelo grande deserto, são o caminho das buscas.

 

Os caminhos que vivenciamos quando passamos do primeiro estágio de libertação até adquirir a liberdade verdadeira.

 

Essa jornada é necessária, pois seria impossível alcançar o Monte Sinai diretamente após sair do Egito. Uma transformação espiritual desse tamanho não acontece da noite para o dia.

 

Mashia’h Gueulá é Sefirat a Omer

 

A Mitzvá da contagem do Ômer tem um aspecto muito especial que não ocorre em nenhuma outra Mitzvá.

 

O versículo que nos traz a Mitzvá da contagem do Omer começa com as palavras: “E contem para vocês”.

 

Das palavras “para vocês” vemos, que cada um deve contar seus próprios dias da contagem do Omer e ter o seu próprio cálculo dos dias que se passaram.

 

E quando chega o quinquagésimo dia da sua contagem, essa pessoa comemora a festa de Shavuot.

 

Shavuot é a festa que celebra o recebimento da Torá no Monte Sinai. Ela é uma festa judaica diferente de todas as outras .

 

Todas as festas judaicas têm uma data fixa para começar , enquanto que pela Torá a festa de  Shavuot é comemorada ao término da contagem do Ômer.

Por esse motivo é possível que uma pessoa comemore a festa de Shavuot no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, mesmo que a grande maioria das pessoas vai comemorar essa festa no dia 6 de Sivan que seria a data certa para comemorá-la.

 

Se durante a contagem do Omer cruzarmos a “Linha Internacional da Data” (LID) que é o meridiano localizado na longitude de 180°, exatamente do lado oposto ao Meridiano de Greenwich, a pessoa aumenta ou diminui um dia no calendário, mas não altera sua contagem na contagem do Omer.

 

Alterando a data do quinquagésimo dia no calendário, ela automaticamente altera a data da festa de Shavuot, sendo que o dia de Shavuot não é determinado pelo dia do calendário mas sim pela contagem dos 49 dias do Omer.

 

Nesse caso, a festa de Shavuot dele pode cair no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, dependendo para qual lado ele foi.

 

Mas mesmo que ele esteja cumprindo o que a Torá determina, ou seja, comemorar Shavuot no quinquagésimo dia da “sua” contagem, mesmo assim ele ainda difere do resto do povo.

 

Porque na Tefilá de Shavuot dele, ele não vai poder dizer “Zeman Matan Torateinu” (Momento da entrega da nossa Torá), porque isso é algo que não depende somente de um número pequeno de pessoas, mas depende da maioria do povo judeu.

 

Por esse motivo a festa de Shavuot por um lado é uma festa totalmente individual e específica para cada um de nós, e ao mesmo tempo ela é uma festa fixada por D’us para todo o nosso povo.

 

Ou seja, cada um de nós é obrigado a fazer a sua própria contagem durante este período e assim refinar as 49 ramificações das suas midot, das suas qualidades, dos seus sentimentos, do seu caráter, e essa é a finalidade espiritual da “Contagem do Omer”, e no mérito desse refinamento recebemos a Torá de presente de AShem .

 

Exatamente assim vai acontecer agora que já estamos no final do nosso último exílio.

 

Por meio do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvot refinamos os 49 aspectos do nosso caráter, das nossas qualidades, dos nossos sentimentos, e assim fazemos a nossa parte como nosso povo fez no passado.

 

E do mesmo jeito que AShem  recompensou o trabalho individual deles com a maior revelação Divina que já aconteceu na história da humanidade que foi a entrega da Torá no Monte Sinai, assim também AShem  vai nos recompensar por termos feito cada um de nós individualmente o trabalho do nosso refinamento pessoal.

 

E sendo que o nosso refinamento determina o final de dois mil anos de Trabalho Divino durante a última Galut, a recompensa para isso é a maior de todas, extremamente maior do que a revelação Divina que aconteceu na entrega da Torá.

 

A recompensa pelo nosso trabalho é a chegada do Mashia’h e a nossa Gueulá, que vai ultrapassar de longe a saída do Egito e a entrega da Torá no Monte Sinai.

 

E essa é a ligação entre a contagem do Ômer e a vinda do Mashia’h em breve em nossos dias amén

Rabino Gloiber 

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Nega Tzaraat não é lepra

A Torá nos conta sobre manchas que poderiam aparecer nas paredes das casas, nas roupas e nas pessoas. Essa mancha é chamada de “Nega Tzaraat” , a pessoa portadora dela é chamada de “Metzorá” .

 

Isso foi traduzido erroneamente como lepra, doença causada pelo Mycobacterium leprae , mas é um verdadeiro erro de tradução como veremos a seguir:

 

Don Itzhak Abarbanel foi o grande Tzadik que encorajou os judeus espanhóis na época da inquisição a deixarem a Espanha e não fazerem idolatria .

 

Ele nos explicou que a “Tzaraat” não é uma doença física mas sim uma “praga” mandada dos céus que aparecia de uma maneira sobrenatural e sua cura era por meio de um ritual espiritual como ele explica detalhadamente:

 

1- O Cohen começa a purificação do “Metzorá” com o abate de um pássaro​ em um pote de barro , nos mostrando que o ser humano é como um pote de barro na mão do seu artesão que vai modelando ele de acordo com a sua vontade, nos indicando que a Tzaraat vem de AShem (D’us) para melhorar nossa forma , nosso caráter.

 

2- Dentro desse pote de barro aonde é feito o abate do pássaro são colocadas águas​ de fonte (em hebraico “águas vivas”) representando a Torá que está no coração de cada um de nós , e por não termos guardado ela da maneira correta morre o pássaro abatido. (representando que a Tzaraat aparece por meio de nossas ações e não por contágio).

 

3- Um pássaro vivo é mergulhado (mas continua vivo) no sangue do pássaro​ morto , nos ensinando que a “Tzaraat” por natureza não é doença e nem é contagiosa (como no caso da lepra pelas vias respiratórias) mas sim um decreto Divino ligado ao comportamento errado daquela pessoa (representando pelo pássaro morto).

 

4- A cura de “Tzaraat” não acontece de maneira natural mas sim de maneira milagrosa, e por isso o “Metzorá” vai para o Cohen e não para o médico.

 

5- A “Tzaraat” da roupa e da casa é a mesma que a das pessoas e ela não tem nenhum vínculo à doenças do corpo humano, o fato de que a mesma Tzaraat pode aparecer em paredes (mineral) e em roupas (vegetal e animal) nos obriga a ver a Tzaraat como expressão​ sobrenatural, milagrosa .

 

Conclusão: depois dessa explicação tão detalhada do don Itzhak Abarbanel vemos que o certo é transcrever a palavra Tzaraat e não pegar uma tradução errada que a fonte dela é aquela mesma idolatria que por causa dela don Itzhak Abarbanel teve que sair da Espanha com seiscentos mil judeus na inquisição !

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Aharei Mot

 

Parashat Aharei Mot

 

Nossa Parashá nos conta sobre as instruções Divinas dadas por consequência da morte dos dois filhos de Aharon.

 

O Ari Zal, (última palavra em assuntos cabalísticos) nos conta que Adam a Rishon (o primeiro homem) “continha todas as almas do mundo.

 

Quando Adam a Rishon fez o primeiro pecado , seu nível espiritual despencou e ficou nele somente somente a “Trumá” (dois centésimos) do número de almas que ele tinha antes, pouquíssimas mas de altíssima qualidade.

 

Essas almas elevadíssimas passaram para Caim que era o primogênito e tinha nascido no Gan Eden (paraíso terrestre) depois do pecado de Adam.

 

Essa alma elevadíssima do Caim se reencarnou nos dois filhos de Aharon que faleceram, Nadav e Avihu, eles são a ”Trumá” (a melhor parte) da alma de Adam.

 

O Zohar nos conta, que o lado principal da alma de Cain vem da impureza que a cobra colocou em Hava (Eva), e o lado principal da Alma de Hevel (Abel) vem do lado de Adam (da Alma Divina de Adam)

 

O Ari Zal explica a intenção do Zohar:

 

A transgressão de Adam a Rishon fez com que o bem e o mal se misturassem nesse mundo, e tanto Cain quanto Hevel estão vinculados à árvore do bem e do mal, ou seja, os dois tinham um lado bom e um lado ruim.

 

Sendo que Cain veio do aspecto de guevurá de Adam ele era quase inteiramente ruim (impureza espiritual recebida da cobra) e um pouquinho bom (tinha uma Alma espiritual elevadíssima herdada de Adam)

 

Hevel era na sua maior parte bom (Alma herdada de Adam) e um pouquinho ruim (impureza herdada da cobra).

 

Mas a diferença entre eles era que o lado bom de Cain, mesmo sendo muito pequeno em relação ao lado mal dele, era extremamente superior ao lado bom de Hevel ele herdou essa alma tão elevada por ter sido o primeiro a nascer, pegou a melhor parte da alma de Adam.

 

A “impureza da cobra”

 

Essa expressão espiritual à qual chamamos de “impureza da cobra” acompanha a humanidade até hoje.

 

É ela que causa atrações eróticas estranhas em todas as suas categorias como atração íntima por animais e etc.

 

Essa é a diferença entre o ser humano, que recebeu a “impureza da cobra” , e o animal. Ou seja, o animal não tem esses problemas estranhos.

 

Dizem nossos Sábios que com o recebimento da Torá no monte Sinai a “impureza da cobra deixou o nosso povo.

 

No monte Sinai estavam as Almas de todos os judeus que iriam nascer até Mashia’h chegar, e nos conta o Tossfot que também estavam lá as almas de todos aqueles que iriam se converter ao judaísmo até Mashia’h chegar

 

Na hora da entrega da Torá no monte Sinai aconteceu um grande milagre e essa impureza da cobra saiu de todas as nossas Almas.

 

Quando foi feita a idolatria do bezerro de ouro, essa impureza da cobra voltou para o nosso povo, longe de ter a mesma intensidade de antes, fraca mas voltou.

 

Por causa da origem da Alma deles, de Nadav e Avihu ser relacionada com o começo da “impureza da cobra”, essa volta parcial da “impureza da cobra” prejudicou principalmente eles, enfatizando espiritualmente os erros que eles cometeram.

 

Por isso Moshe Rabeinu pediu para todo o povo de Israel se enlutar pela morte dos filhos de Aharon, sendo que se não tivesse sido feito o bezerro de ouro eles não teriam falecido.

 

Vort:

 

Disse o rav Moshe Veber, grande Tzadik que viveu em Jerusalém:

 

O que aprendemos da união dessas duas Parashiot, Aharei mot (depois de morrerem) e Kedoshim (santos)?Aprendemos que devemos falar sempre bem de qualquer pessoa que já faleceu (porque com certeza antes de ele falecer ele se arrependeu de todas as coisas erradas que fez, e as coisas boas que fez são eternas!)

 

Ou seja, Aharei mot Kedoshim, depois de morrerem, todos são santos!!!

 

 

Rabino Gloiber

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A Parashá da Minha Vida 🌻 Tazria 🌻 Metzorá

 

Tazria

Nossa Parashá nos conta que quando a mulher tem o grande mérito de fazer a importante Mitzvá de dar a luz a um filho, ela se torna impura para o marido por sete dias.

 

Depois disso, mesmo já estando pura para o marido depois ter mergulhado no Mikve, ela continua impura por mais 33 dias em relação ao Beit a Mikdash. Ou seja, por mais 33 dias fora os sete anteriores ela não pode entrar no lugar sagrado

 

Como pode ser que depois de ter feito uma Mitzvá tão grande de dar a luz a um menino, ela ficou impura por quarenta dias.

 

Nossa Parashá continua nos contando que quando a mulher tem um mérito ainda maior e faz a importante Mitzvá de dar a luz a uma menina, ela se torna impura por quatorze dias para o marido.

 

Depois disso, mesmo já estando pura para o marido depois de ter mergulhado no Mikve, ela continua impura por mais 66 dias em relação ao Beit a Mikdash.

 

Ou seja, como pode ser que depois de ela ter feito uma Mitzvá ainda maior e ter dado a luz a uma menina, como consequência disso ela fica impura por oitenta dias?

 

Impureza material, impureza espiritual e purificação das impurezas

 

Rav Yeshayahu ben Avraham HaLevi Horowitz conhecido como HaShlá HaKadosh por causa do seu livro Shnei Lu’ḥot HaBrit, foi um grande Tzadik e estudioso da Kabalá.

 

Ele nasceu em Praga (hoje república Tcheka) por volta de 1555 e faleceu em Tvéria (Tiberíades) por volta de 1630.

 

Em 1621, após a morte de sua esposa Haya, ele se mudou para Jerusalém onde se casou novamente e se tornou o Rabino da cidade.

 

Por ser um Rabino tão grande e famoso, o paxá (governador da província) Muhamed ibn Farouk, aplicou sobre ele um golpe de extorsão usual no Oriente Médio.

 

O paxá mandou colocar o Shlá na prisão junto com os quinze judeus mais importantes de Jerusalém, e exigiu uma grande fortuna para soltá-los.

 

Depois que ele foi libertado, por motivos de segurança mudou-se para Tzfat (Safed). Três anos depois ele se mudou para Tiberíades onde viveu mais cinco anos. Lá ele faleceu e lá se encontra o seu túmulo. Tzfat e Tvéria eram naquela época as cidades dos cabalistas e lá também viveram o Ramak e o Ari Zal.

 

O Shlá nos conta que existem três categorias de impureza:

 

Impureza espiritual

 

Como por exemplo o “espírito de impureza” que entra no nosso corpo durante o nosso sono, quando nossa Alma tem acesso ao mundo superior.

 

Essa categoria de impureza é retirada por meio da “Netilat Yadaiim”. Lavamos as mãos de maneira intercalada pelas manhãs e assim nos purificamos dessa impureza.

 

Você pega com a mão direita um recipiente cheio de água e passa para a mão esquerda. Então você despeja um pouco dessa água inicialmente sobre a mão direita. Depois você segura novamente o recipiente com a mão direita, despejando um pouco dessa água na mão esquerda. Faça isso três vezes, alternadamente.

 

Caso não haja água suficiente você pode despejar a água sobre os dedos (até a junção dos dedos com as mãos) mas o ideal é ter água o suficiente para cada vez jorrar a água sobre todo o punho.

 

Essa netilá deve ser feita sempre com um recipiente. Compre um pote redondo e grande, encha ele de água e coloque ele dentro de uma bacia ao lado da sua cama. De manhã, sem descer da cama, faça a Netilat Yadaiim.

 

A água utilizada para a netilá não poderá ser usada para nenhuma outra finalidade porque um espírito de impureza paira sobre ela. E também não deve ser jogada em lugares por onde transitam pessoas que possam entrar em contato com ela.

 

Impureza parcialmente espiritual e

parcialmente material

 

A impureza parcialmente espiritual e parcialmente material é a causada quando mexemos em animais mortos, sendo que quando o animal morre, mesmo tendo sido ele em vida um animal puro, após a morte paira sobre ele um espírito impuro.

 

O animal que passou por um abate Kasher não impurifica, porque sendo que o abate foi feito da maneira que a Torá pede para ser feito, nesse caso no lugar de pairar sobre ele um espírito impuro, paira sobre ele um espírito puro.

 

Impureza material

 

A impureza material é aquela que é causada pelo sangue que saiu do útero da mulher, como no caso da nossa Parashá e tudo o que é comparado a isso.

 

A purificação desses tipos de impureza citados acima é por meio do mergulho no Mikve.

 

O Rambam nos conta que as purezas e impurezas citadas pela Torá são um “decreto do versículo”. Ou seja, mandamentos Divinos que estão acima da nossa capacidade de entendimento, e por isso são chamados de hukim חוקים.

 

Diferente da categoria de leis da Torá chamadas de “Mishpatim” que são leis que conseguimos entender, como por exemplo “não assassinar”, “não roubar” e etc, os “hukim” são leis da Torá que estão acima do nosso entendimento, e todas as leis da Torá relacionadas a assuntos de pureza e impureza estão nessa categoria.

 

Quando fazemos uma Mitzvá, ou seja, quando cumprimos um mandamento Divino, trazemos para nós próprios uma grande pureza espiritual. E não somente para a nossa Alma, mas principalmente para o nosso corpo.

 

E esse é o motivo da descida da nossa Alma para esse mundo, cumprir os Mandamentos Divinos. Como por exemplo, dar a luz a uma menina ou a um menino, e por meio disso trazer uma enorme pureza espiritual para o nosso corpo e também para a nossa Alma.

 

Ao mesmo tempo que a mulher por meio de cumprir o Mandamento Divino de dar a luz recebe toda aquela imensa pureza espiritual para seu corpo e sua Alma, uma pureza que vai reluzir eternamente nela, junto com isso ela recebe uma impureza material não detectável que veio para ela por meio de uma ação material e vai sair dela por meio de outra ação material, e não por meio de rezas ou outros assuntos espirituais.

 

Como nos conta o Rambam que todo o assunto da pureza e impureza não é detectável, e por isso é chamado de “hok”, uma lei da Torá que está acima do nosso entendimento. Assim também a sua purificação por meio do mergulho no Mikve é um “hok”.

 

Da mesma maneira que a impureza não é detectável, sua purificação por meio da água também não é detectável, e todo esse assunto é chamado pelo Rambam de “decreto do versículo” por estar acima do nosso entendimento.

 

No caso da impureza e sua purificação, esse “decreto do versículo” vem nos revelar a impureza que existe nesse mundo material e não temos como saber que ela existe a não ser pelo fato de o versículo nos revelar a existência dela.

 

Ela aparece no nosso corpo por meio de uma ação material como no caso da mulher que deu a luz. Nesse caso a impureza material surge por consequência do corrimento de sangue para fora do ventre, e desaparece por meio de outra ação material que é o mergulho no Mikve após sete ou quatorze dias.

 

Mas nem a entrada dessa impureza material no nosso corpo e nem a sua saída são materialmente detectáveis.

 

Morte e impureza

 

Rabi Yehudah Halevi nos ensinou que a impureza está sempre ligada à morte e o caso mais grave de impureza é um judeu ou judia que faleceram.

 

Abaixo disso está a mulher que dá à luz uma menina. Antes de dar a luz ela era um conjunto de dois corpos e duas Almas, no parto ela volta a ser um corpo e uma Alma, ou seja, menos vida.

 

E sendo que essa vida que saiu dela vai dar origem à outras vidas, ela fica impura 66 dias por causa da vida que saiu do seu próprio corpo, mesmo que a menina que saiu dela não só que tem vida própria mas também futuramente vai dar a luz à mais vidas.

 

Abaixo disso está a mulher que dá à luz a um menino. Antes de dar à luz ela era um conjunto de dois corpos e duas Almas, no parto ela volta a ser um corpo e uma Alma, ou seja, menos vida.

 

Abaixo disso está a mulher que perdeu o óvulo e por isso ficou Nidá. O óvulo era vida, e ele saiu dela, agora ela é menos vida.

 

Abaixo disso está o marido que teve relação com a mulher. O que saiu dele entrou nela, mas quem ficou impuro foi ele e não ela, porque dele saiu vida, e nela entrou.

 

Nessa regra se aplica também no caso da “nega tzaraat”, a manifestação espiritual que se revelava na pele da pessoa causando a morte das células, e onde há morte há impureza, e por isso a pessoa ficava impura por causa da “nega tzaraat”.

 

Quando acordamos de manhã estamos impuros porque durante o sono nossa Alma sobe para os céus nos colocando em uma situação de 1/60 da morte. Ou seja, durante o sono estamos menos vivos.

 

A purificação dessa impureza é fazer a “netilat yadaim” jogando água nas nossas mãos por meio de um recipiente seis vezes intercaladamente.

 

Quando cortamos as unhas ou os cabelos ou quando fazemos uma doação de sangue, também devemos fazer a “netilat yadaim” jogando água nas nossas mãos por meio de um recipiente seis vezes intercaladamente para tirar a impureza que pairou sobre nós por causa da perda de uma pequena parte de vida, uma pequena parte do nosso sangue, dos nossos cabelos ou das nossas unhas.

 

Mas porque a impureza paira sobre nosso corpo sempre que há nele um pouquinho de redução de vida, ou, D’us nos livre, a própria morte que traz com ela a maior de todas as impurezas?

 

A explicação do Zohar

 

Diz o Zohar que a pessoa não morre antes de ver a “She’hiná” (Presença Divina) e por causa do intenso desejo da nossa Alma em se unir à She’hiná, nossa Alma sai do corpo ao seu encontro.

 

Depois que a Alma sai do corpo e consequentemente aquele corpo se torna um corpo morto, é proibido deixá-lo sem que seja enterrado.

 

O Zohar traz vários motivos para isso:

 

1- Porque se deixamos passar 24 horas entre a morte e o enterro causamos uma fraqueza nas Sefirot do mundo superior, sendo que a “imagem e semelhança” Divina descritas pela Torá em relação à criação do homem se refere às Sefirot lá de cima e por isso cada um de nós está sincronizado com essas Sefirot.

 

E da mesma maneira que existe a infiltração do lado espiritual negativo no corpo do falecido aqui em baixo, se ele não é enterrado em 24 horas esse lado espiritual negativo acessa ao mundo superior e suga vitalidade das Sefirot lá de cima.

 

2- Outro motivo que não podemos atrasar o enterro é para não atrasar a ajuda Divina decretada para aquela pessoa. Porque talvez AShemtenha decretado para o bem daquela pessoa que ela vai se reencarnar naquele mesmo dia que faleceu, explicitamente para o bem dela.

 

E enquanto o corpo não é enterrado, a Alma não pode se apresentar na frente de Hashem, e consequentemente não pode entrar em uma próxima reencarnação. Isso pelo motivo de que não é dado para a Alma um segundo corpo enquanto o primeiro não é enterrado.

 

O Zohar compara esse caso à uma pessoa cuja esposa faleceu. Não é correto ele se casar com outra mulher enquanto a esposa falecida não é enterrada, assim também não é correto ele receber um novo corpo enquanto o corpo anterior não é enterrado.

 

3- Outro motivo para que a pessoa seja enterrada no mesmo dia é porque quando a Alma sai do corpo e precisa ir para o mundo superior, para o Gan Éden (o Paraíso) e ela não pode entrar lá enquanto não é dado a ela um novo corpo.

 

Mas sendo que o Gan Éden fica no mundo superior, esse novo corpo é infinitamente melhor do que o nosso corpo atual, e é denominado pelo Zohar como um “corpo de luz”.

 

Um corpo espiritual para usufruir do Gan Éden HaTa’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale à setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, ou do Gan Éden HaElion (Alto Paraíso) onde uma hora lá é comparada à setenta anos no Gan Éden HaTa’hton.

 

Mas só depois que a Alma recebe esse corpo espiritual ela pode entrar no mundo superior, e isso só acontece depois que o corpo material que ela usou aqui embaixo é enterrado. Somente depois disso ela recebe o corpo espiritual e pode entrar no mundo superior.

 

Diz o Zohar que aprendemos isso de Eliahu Hanavi (o profeta Elias) que tem dois corpos. Um corpo que ele usa para aparecer para as pessoas aqui nesse mundo, mas com esse corpo ele não consegue subir para o mundo superior. Outro corpo ele usa para aparecer lá em cima entre os Anjos do céu.

 

4- Mais um motivo que traz o Zohar é o de que todo o tempo em que o corpo ainda não foi enterrado, a Alma, mesmo já não estando mais nele, sofre por causa do espírito impuro que aparece para habitar nele causando com que o corpo morto fique impuro.

 

E sendo que o espírito impuro aparece por causa da morte, a pessoa não deve deixar aquele corpo por uma noite sem enterrá-lo porque o espírito impuro se encontra com mais intensidade durante a noite e vaga por toda a terra procurando um corpo sem Alma para impurificá-lo, e de noite ele impurifica com muito mais intensidade

 

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METZORÁ

 

A Torá nos conta sobre manchas que poderiam aparecer nas paredes das casas, nas roupas e nas pessoas.

 

Essa mancha é chamada de “Nega Tzaraat” , a pessoa portadora dela é chamada de “Metzorá”.

 

Isso foi traduzido erroneamente como lepra, doença causada pelo Mycobacterium leprae, mas é um verdadeiro erro de tradução como veremos a seguir:

 

Don Itzhak Abarbanel foi o grande Tzadik que encorajou os judeus espanhóis na época da inquisição a deixarem a Espanha e não fazerem idolatria.

 

Ele nos explicou que a “Tzaraat” não é uma doença física, mas sim uma “praga” mandada dos céus que aparecia de uma maneira sobrenatural, e sua cura era por meio de um ritual espiritual como ele explica detalhadamente:

 

1- O Cohen começa a purificação do “Metzorá” com o abate de um pássaro em um pote de barro, nos mostrando que o ser humano é como um pote de barro na mão do seu artesão que vai modelando ele conforme a sua vontade.

 

Isso vem nos indicar que a Tzaraat vem de AShempara melhorar nossa forma espiritual, ou seja, nosso caráter.

 

2- Dentro desse pote de barro onde é feito o abate do pássaro são colocadas águas de fonte, em hebraico “águas vivas”, representando a Torá que está no coração de cada um de nós, e por não a guardarmos da maneira correta morre o pássaro abatido, representando que a Tzaraat aparece por meio de nossas ações e não por contágio.

 

3- Um pássaro vivo é mergulhado (mas continua vivo) no sangue do pássaro morto, nos ensinando que a “Tzaraat” por natureza não é doença e nem é contagiosa (como na lepra pelas vias respiratórias) mas sim um decreto Divino ligado ao comportamento errado daquela pessoa (representando pelo pássaro morto).

 

4- A cura de “Tzaraat” não acontece de maneira natural, mas sim de maneira milagrosa, e por isso o “Metzorá”, o portador da tzaraat, vai para o Cohen e não para o médico.

 

5- A “Tzaraat” da roupa, e da casa é a mesma que a das pessoas, e ela não tem nenhum vínculo a doenças do corpo humano, porque o fato de que a mesma Tzaraat poder aparecer em paredes (mineral) e em roupas (vegetal e animal) nos obriga a ver a Tzaraat como expressão sobrenatural, milagrosa, sendo que uma doença humana não pega em animais vegetais ou minerais.

 

Conclusão:

 

Depois dessa explicação tão detalhada de Don Itzhak Abarbanel, vemos que o certo é transcrever a palavra Tzaraat, e não pegar uma tradução errada, e ainda mais que essa tradução errada tem como fonte aquela mesma idolatria que por causa dela Don Itzhak Abarbanel teve que sair da Espanha com seiscentos mil judeus na inquisição!

 

A “Tzaraat” era um decreto Divino que afetava principalmente pessoas que causavam intrigas entre marido e mulher ou entre uma pessoa e outra, pessoas que causavam separações.

 

Por isso, primeiro o Metzorá era separado do acampamento (porque causou separações) e depois sua purificação envolvia dois passarinhos sendo que o passarinho tem a característica de piar na casa de um e na casa de outro, representando as intrigas que ele fazia.

 

Mas nem sempre a Tzaraat era um decreto Divino para corrigir a personalidade da pessoa (enriquecê-la espiritualmente), às vezes a Tzaraat era um decreto Divino para enriquecer a pessoa materialmente.

 

O Midrash nos conta em nome de Rabi Shimon Bar Yohái, que quando os povos de Canaã ouviram que o povo de Israel estava se preparando para vir conquistá-la, se prepararam para nos “receber” e, entre outras coisas, esconderam nas paredes e embaixo do piso das casas todos os seus tesouros para caso precisassem fugir da cidade, quando eles voltassem a reconquistá-la eles pegariam esses tesouros de volta.

 

Conta o Midrash que o bom D’us disse:- Prometi para o povo de Israel casas repletas com tudo de bom, e quem vai avisar eles sobre os tesouros que eles têm em casa?

 

Portanto, continua o Midrash, quando aparecerem sinais de Tzaraat na parede e a pessoa era obrigada a demolir aquela parede, ela encontrava os tesouros escondidos e ficava rica!

 

Nesse caso a Tzaraat era uma grande alegria para eles porque dessa maneira eles encontravam fortunas escondidas.

 

Daqui aprendemos um ensinamento básico para todos os acontecimentos de nossa vida:

 

Quando temos “tzarot” (sofrimentos) e achamos que estamos passando por uma fase ruim e que D’us esqueceu de nós, temos que nos lembrar que por causa dessas “tzarot” vamos descobrir tesouros de todos os tipos que não descobriríamos a não ser por causa dessas tzarot.

 

Como disse o rei David no Tehilim:-“de noite dormimos chorando e de manhã acordamos cantando”.

 

Ou seja, o mesmo sofrimento que por causa dele dormirmos chorando, ele próprio vai nos fazer acordar cantando!

 

E aqui não se trata de pegar experiência com as “tzarot”, o lucro real que temos delas não é o aprendizado mas sim de receber tesouros verdadeiros. Ou seja, depois que a casa pega fogo ficamos ricos de verdade!

 

Principalmente agora que já passamos por todos os sofrimentos, já está na hora de Mashia’h chegar, e veremos com nossos próprios olhos que nunca existiram sofrimentos, mas tudo era a embalagem da bondade Divina que estava oculta dentro dela,  e agora chegou a hora de ela se revelar,  em breve em nossos dias !

 

Shabat Shalom 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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Alef grande e Alef pequeno

 

Nossa Parashá começa com a palavra Vaykrá que quer dizer “e chamou”, fazendo com que essa palavra se torne tanto o nome da nossa Parashá quanto o nome desse nosso terceiro livro do Humash, dos cinco livros de Moisés..

 

Algumas letras no Sefer Torá tem que ser escritas obrigatoriamente maiores do que o normal e algumas são escritas obrigatoriamente pequenas.

 

Uma dessas letras aparece na nossa Parashá, uma letra “Alef” pequena que é a última letra da palavra Vaykrá.

 

Quando o terceiro Rebe de Lubavitch era uma criança e fez três aninhos de idade , seu avô , o “Baal a Tanya” o levou ao “heider” (escolinha de meninos) pediu para o “Melamed” (professor dos meninos) estudar com ele, como é o costume a primeira parte da nossa Parashat Vaykrá .

 

Depois de estudarem , a criança perguntou ao avô :- Porque a letra “Alef” da palavra Vaykrá é pequena?

 

A pergunta da criança despertou no Baal a Tanya um profundo entusiasmo de devoção , e depois de alguns instantes explicou :

 

– A Torá tem letras normais, tem letras pequenas como essa da nossa Parashá e letras grandes como a letra “Alef” da palavra “Adam” no Divrei a Yamim.

 

Tanto o Adam do “Alef” grande, quanto Moshe Rabeinu do “Alef” pequeno foram pessoas únicas, pessoas que não existiram igual a elas.

 

Adam foi criado pessoalmente por D’us e dele saiu toda a humanidade. Moshe Rabeinu foi quem recebeu a Torá diretamente de AShem , falou com D’us “face a face”.

 

Mas Moshe Rabeinu , mesmo tendo toda essa grandeza, a Torá testemunha sobre ele que ele era o mais humilde de todas as pessoas do mundo.

 

Moshe Rabeinu era filho de Amram , o líder da geração, D’us se revelou para ele na ocasião do “arbusto incandescente”, D’us o chamou para subir ao monte Sinai, etc etc etc , e como com tudo isso como ele conseguiu se manter humilde?

 

Moshe imaginou que qualquer outra pessoa que estivesse nessas mesmas circunstâncias que ele estava e tivesse tido essas mesmas oportunidades que ele teve teria feito muito melhor do que ele, chegaria à níveis muito mais elevados e aproveitaria essas dádivas Divinas de uma maneira muito melhor.

 

Por isso , nesse versículo que está expressando o carinho que D’us tinha por Moshe, “e chamou Moshe”, a letra Alef é pequena mostrando a humildade de Moshe Rabeinu.

 

Temos que aprender com Moshe Rabeinu e usar esse raciocínio para nós também!

 

Uma incrível ligação entre a nossa Parashá e a festa de Pessa’h vem nos ensinar exatamente isso.

 

A Matzá é um pão que não fermentou e vem simbolizar a humildade. O hametz é um pão fermentado, um pão que “estufou” e representa a arrogância.

 

A verificação do hametz vem nos ensinar que devemos sempre verificar todas as nossas atitudes para ver se alguma delas não contém um pouquinho de “arrogância estufada”, e tirar totalmente a prepotência da nossa personalidade!

 

Os próprios preparativos de Pessa’h são um grande treino para se chegar à humildade. A gravidade de se comer hametz em Pessa’h (comer hametz em Pessa’h é uma transgressão a nível de “caret” com todas as suas consequências), e os rigores de Pessa’h que não se encontram em nenhuma outra festa judaica, colocam muitos de nós em um estado de “Pessa’h-fobia” com acréscimo de traumas acumulados de Pessa’h anteriores

 

E depois de limpar a casa inteira ainda é capaz que uma criança corra atrás da outra para os quartos limpos, com um sanduíche na mão, esfarelando no meio do caminho deixando os nervos dos pais à flor da pele.

 

Nessa hora devemos despertar o aspecto “Moshe Rabeinu” da nossa alma e manter a alegria em todos os instantes.

 

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

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A Parashá da Minha Vida- Vayakel-Pekudei

Vayakel

Nossa Parashá nos conta sobre os tipos de doações que AShem (D’us) pediu para Moshe pedir ao povo de Israel.

Nesse caso são citadas algumas cores desses materiais que seriam doados para a construção do “Mishkan que era o nosso Templo móvel no deserto, e também para tudo o que estava ligado à ele, incluindo as roupas dos Cohanin que eram os sacerdotes.

Nesse caso a Torá nos traz pequenos detalhes como o fato de certas lãs de carneiro terem sido tingidas com uma tonalidade de vermelho, outras lãs serem tingidas com uma tinta extraída de uma criatura marinha chamada de Hilazon que dava à essa lãs uma tonalidade azul e lãs tingidas com um tipo de tinta chamado de “argaman” que é uma cor polêmica, ninguém ainda conseguiu definir totalmente essa cor.

Também foram doadas peles de um animal chamado de Tahash que tinha um só chifre e sua pele tinha uma grande mistura de cores.

E sendo que a Torá dá um destaque para as cores das doações que foram feitas para construir o Mishkan, levamos em conta que as cores das doações de ouro, prata e cobre não foram citadas pelo fato de serem a própria cor desses metais, diferente das lãs que foram tingidas.

Sendo que o Mishkan e tudo o que era relacionado à ele tinha a função de sincronização entre os mundos de cima e o nosso mundo de baixo que é o “mundo da ação”, com certeza por trás dessas cores havia um motivo espiritual importante que justificava o fato de AShem pedir para o nosso povo fazer a doação desses materiais especificando suas cores.

E não só isso, mas também o fato de a Torá especificar que essas doações estavam sendo pedidas somente para as pessoas que quisessem doar de bom coração e de boa vontade, não deixando claro o motivo desse pedido, sendo que  seria difícil verificar quem estava doando de coração e quem estava doando por outros motivos.

Ação e intenção 

Nosso mundo é o mundo da ação, e por isso os Mandamentos Divinos são uma lista de boas ações que devemos fazer, e más ações que devemos não fazer.

Os mundos de cima estão em um nível muito superior, e esse nível superior está ligado à intenção que é mais profunda do que a ação.

Sendo que o Mishkan e tudo o que estava relacionado a ele seria uma sincronização entre o mundo da ação e o mundo da intenção, AShem colocou como condição o fato de as doações do Mishkan terem que ser feitas obrigatoriamente com uma boa intenção.

Sendo que não é possível cobrar esse nível de todos, as doações para o Mishkan foram voluntárias para aqueles que estavam doando com intenção, de bom coração e de boa vontade.

Enquanto que em outros casos todo o povo de Israel foi convocado a doar, nesse caso, sendo que o Mishkan teria a função de unir entre o mundo da ação e o mundo da intenção, à ação dessa doação precisaria obrigatoriamente conter uma intenção.

Sendo que quanto mais elevado o mundo, mais a característica de essência do bem que é a essência Divina está revelada, essas doações deveriam ser feitas de bom coração e de boa vontade.

As cores na representação das Sefirót 

Rabi Moshe ben Yaakov Cordovero, conhecido como “o Ramak” (1522 – 1570) foi um grande cabalista que viveu em Tzfat (Safed) no norte da Galileia na nossa Terra Santa.

Aquela época foi marcada pela inquisição espanhola e todo o império otomano que incluía a pequena cidade de Tzfat ficou cheio de judeus refugiados da Espanha.

Provavelmente Rabi Moshe também fazia parte de uma família de refugiados, e talvez mais particularmente de Córdoba, devido a seu apelido “Cordovero”, sendo que naquela época ainda não existiam sobrenome.

Depois de ter estudado toda a parte revelada das escrituras judaicas com Rabi Yosef Karo que foi o grande Sábio daquela época, aos vinte anos de idade ele se aprofundou no estudo da Kabalá e rapidamente se tornou a grande autoridade nesse assunto.

Nos seus 48 anos de vida, ele conseguiu escrever muitos livros, sendo o principal deles chamado de “Pardês”, no qual ele traz, entre muitos assuntos, a ligação entre as cores e as Sefirót do mundo superior.

Rabi Moshe Cordovero nos ensinou que toda Sefirá está caracterizada por uma cor. O Zohar chama isso de “tonalidade” evitando usar a palavra cor.

O motivo para isso é que, sendo que cada Sefirá se revela com mais intensidade ou menos intensidade, e também a Sefirá se inclina espiritualmente para todas as Sefirót que estão sincronizadas com ela.

Essa inclinação pode ser para a direita que são as cinco Sefirót chamadas de cinco bondades, ou para a esquerda que são as cinco Sefirót chamadas de cinco severidades.

E sendo que a cor representa o estado em que a Sefirá se encontra naquele momento, e isso depende das nossas boas ou más ações, nunca a Sefirá vai ser representada por uma cor única, mas sempre por uma tonalidade daquela cor que a caracteriza.

A cor lá em cima vai ser comparada à intenção aqui em baixo.

Rabi Moshe Cordovero deixa claro que o que a cor aqui em baixo é uma criação material, e quando falamos sobre cores em relação às Sefirót as cores materiais são somente um exemplo em relação à fonte dessas cores no mundo superior.

E assim nos conta o Ramak, nosso querido Rabi Moshe Cordovero, que a Sefirá chamada de Hessed que é a fonte da bondade, às vezes é representada pela cor branca, às vezes pela cor prata e às vezes pela cor azul, enquanto que a Sefirá chamada de Guevurá que é a fonte da rigidez varia entre vermelho claro, dourado e vermelho escuro.

Esse fato também demonstra que a prata está vinculada a Hessed e o ouro está vinculado a Guevurá.

Por isso, para fazer a sincronização espiritual entre o mundo de baixo e o mundo de cima, foram pedidos também ouro e também prata para as pessoas que doassem de bom coração e com uma boa intenção.

A função do Mishkan e de tudo o que estava vinculado a ele era a de fazer a harmonia entre as forças ocultas espirituais que são as Sefirót e o nosso mundo material, trazendo para esse nosso mundo material só coisas boas e impedindo as coisas ruins de chegarem aqui.

A exemplo da torre de comando do aeroporto que determina o que vai aterrizar e o que não pode aterrizar, assim também o Mishkan dava um acesso para a fartura e abundância do mundo superior “aterrizar” aqui e se transformar em bens materiais, e “segurava no ar” não deixando aterrizar aqui os maus decretos do tribunal Divino, para que tivéssemos tempo de fazer Teshuvá e fazer com que esses maus decretos desaparecessem.

Pekudei

Na nossa Parashá Moshe Rabeinu prestou contas de todo o ouro, prata e cobre doado para construir o Mishkan e todos os objetos necessários para o trabalho que seria feito nele

Diz  Rashi que a palavra Mishkan aparece duas vezes no versículo que fala sobre essa contagem, nos indicando os dois Templos de Jerusalém seriam futuramente destruídos, e dando a entender que isso aconteceu por causa dessa contagem

A Guemará em Baba Metzia nos conta que a bênção Divina não recai sobre uma coisa contada, pesada ou medida, o que reforça essa possibilidade

Diz o Zohar que o principal motivo para isso é que a Bênção Divina se encontra onde há união, e o “todo” está conectado à “raiz”

Quando uma coisa é contada, pesada ou medida, ela está sendo separada de um todo e por isso perde a benção

Na prática, esse “todo” é dividido em partes por meio da contagem, fazendo com que a benção Divina não recaia mais sobre ele

Será que isso é o que Rashi está nos indicando dizendo que o fato de a palavra Mishkan aparecer duas vezes no versículo que se refere à contagem das doações dos materiais do Mishkan nos indica que os dois futuros Templos de Jerusalém foram destruídos por causa dessa contagem

A explicação do “Or a Haim a Kadosh

O grande Tzadik Rabi Haim ben Atar, conhecido como “Or a Haim a Kadosh” devido ao seu livro principal chamado de “Or a Haim” sobre a Torá, nasceu no Marrocos há mais de trezentos anos.

Viveu no Marrocos 40 dos seus 47 anos de vida, em uma época conturbada e repleta de problemas como fome e guerras internas que tiveram como consequência perseguições aos judeus que muitas vezes tiveram que fugir de região para região

Rabi Haim ben Atar mudou-se para a Itália com a sua família, onde editou sua maior publicação, o “Or a Haim”, uma explicação da Torá que lhe deu reconhecimento mundial

O Rebe a Rashab de Lubavitch contou que Rabi Haim ben Atar escreveu seu livro “Or a Haim” enquanto estudava com as suas filhas Humash com Rashi

Disseram ao Rebe de Lubavitch anterior que Rabi Haim bem Atar não teve filhos, e ele respondeu que temos uma “kabalá”, um recebimento de Rebe para Rebe, que ele não teve filhos homens, mas filhas ele teve, e o seu livro é a coletânea das explicações do Humash que ele estudou com as suas filhas

Rabi Haim organizou na Itália um grupo de doadores para abrir uma Yeshivá na terra de Israel

Mudou-se para a Terra Santa com sua família e seus alunos, e no final da sua curta vida conseguiu abrir duas Yeshivot em Yerushalaim, uma para o estudo da parte oculta da Torá, e uma para o estudo da parte revelada

Rabi Haim nos ensinou que o fato de ter sido usada para a contagem das doações do Mishkan a palavra “Pekudei”, vem nos revelar que essa contagem não só que não retirou a Bênção Divina do que foi contado, mas ao contrário, veio acrescentar muitas e muitas bençãos para os doadores

E quanto mais detalhes foram acrescentados nessa contagem, mais bênçãos receberam os que acrescentaram nessas doações

A palavra Pekudei usada pela nossa Parashá para demonstrar a contagem das doações do Mishkan, é usada pela Torá em caso de grandes bênçãos, como, por exemplo, quando AShem dá um filho para Sarah, e como sinal de que chegou a hora da redenção do Egito. Mas ela também é usada em casos totalmente contrários a bênçãos

Diz o Or a Haim que sendo que aqui está se tratando das doações do Mishkan, a palavra “Pekudei” vem nos revelar que nesse caso não há nenhuma aversão Divina, mas ao contrário, grandes bênçãos

E esse é o motivo de que, mesmo que AShem não pediu para Moshe Rabeinu fazer essa prestação de contas, ele a fez isso para acrescentar Bênçãos Divinas aos doadores do Mishkan, fora as que eles receberam pelo próprio fato de terem doado

A explicação do Zohar

Diz o Zohar que o motivo para recaírem bênçãos sobre essa contagem foi o fato de o próprio Moshe Rabeinu tê-la feito, e isso foi o que trouxe bênçãos para ela

Mas se não fosse isso, essa contagem não teria saído da regra geral que é de que por meio da contagem separamos algo do “todo” e ele perde as bênçãos

Enquanto uma coisa não é contada, ela faz parte de um todo, e no todo há bênção, porque o todo está ligado à raiz e fonte das bênçãos, e de lá vem a vida para tudo

Por isso, Moshe Rabeinu que era o homem da fé; um homem, que está ligado à raiz a ponto de mesmo quando estava ocupado com assuntos relacionados à natureza desse mundo, (assuntos materiais), continuava todo o tempo consciente e se lembrando de que tudo é de AShem, e por isso as bênçãos pairaram sobre os seus feitos

E por isso, pelo fato de ele próprio ter feito a contagem, as bênçãos Divinas pairaram sobre o contado

? Será que “mau-olhado” existe de verdade

De uma maneira geral, uma pessoa normal não consegue contar, pesar e medir o que é nosso e comparar com o que é dele, provocando com a própria inveja a separação entre o que é nosso e o “todo”

E o pior é que se acreditarmos que isso possa acontecer realmente, ou seja, acreditarmos que alguém nos colocou um “mau-olhado”, conseguiremos por meio da nossa fé fazer com que a coisa ruim aconteça de verdade. Mas devido à nossa fé e não porque colocaram sobre nós um “mau-olhado”

Mesmo assim devemos evitar as “exceções de regra” não “esnobando” as pessoas à nossa volta, mas nos comportando com “pudor”, ocultando as coisas boas que AShem nos deu até que elas cresçam e apareçam e não tivermos mais como esconder

Por isso, uma mulher judia não costuma publicar que está grávida até o quinto mês, quando esse fato já fica visível para todos. Claro que podemos contar para nossas mães e sogras, mas é melhor pedir para elas também não publicarem até o quinto mês

Mesmo assim, se o mundo inteiro ficar sabendo, você não deve acreditar em um mau-olhado, porque a sua fé no mau-olhado é o maior motivo para ele acontecer de verdade. Então, por um lado não podemos acreditar no mau-olhado, mas por outro devemos ter pudor em relação aos nossos bens mais valiosos e não ficar nos exibindo para não atrair por engano alguma “exceção de regra”

O principal: não seja você essa pessoa que vai contar, medir e pesar o que os outros têm e comparar com o que você tem

Não seja você essa exceção de regra que pode prejudicar alguém. Não seja você a pessoa que só consegue imaginar uma mão fechada e tem dificuldade em imaginar uma mão aberta

Contando pessoas

Por esse mesmo motivo não devemos contar as pessoas

Para saber se já temos dez pessoas na Sinagoga não fazemos a contagem de um, dois, três, mas falamos o versículo 9 do Tehilim 28 , um versículo que tem dez palavras, e a cada palavra apontamos para uma pessoa diferente

Quando terminamos esse versículo sabemos que temos dez pessoas na Sinagoga.

הוֹשִׁיעָה אֶת עַמֶּךָ וּבָרֵךְ אֶת נַחֲלָתֶךָ וּרְעֵם וְנַשְּׂאֵם עַד הָעוֹלָם.

Observação importante

Não há problema quando você verifica diariamente o extrato do banco, sendo que a escrita e o pensamento não entram nessa regra, mas somente o que foi contado verbalmente. Por isso não há problema em preencher formulários especificando o número de crianças. O problema é só falar o número
explicitamente 

As colunas do Mishkan

Somente Moshe Rabeinu conseguiu levantar as colunas do Mishkan

A maior prova para o nosso povo de que Moshe não precisaria prestar contas para eliminar suspeitas foi que quando tudo ficou pronto e ninguém conseguia levantar as colunas do Mishkan somente Moshe conseguiu

Nesse momento AShem pediu para Moshe fazer como se ele estivesse levantando as colunas e elas se levantaram milagrosamente, mostrando a todos que o Moshe de agora continua o mesmo Moshe de antes, o grande Tzadik que ele sempre foi, longe de qualquer suspeita de desonestidade

A explicação do Kli Yakar

Rabi Shlomo Efraim de Luntshits, conhecido como “Kli Yakar” em nome do seu livro principal; nasceu em Luntshits na Polônia no ano de 1540 sendo considerado um dos maiores rabinos da época, comparado ao Maharal de Praga que fez o Golem e ao Rabi Yeshayahu Horovitz de Praga conhecido como Shl’o em nome do seu livro principal

Após o falecimento do Maharal de Praga, Rabi Shlomo Efraim se tornou o Rabino de Praga com o Shl’o

Ele nos explicou que da mesma maneira que AShem pediu para Moshe se ocupar com o levantamento do Mishkan e AShem “fez acontecer”, assim também AShem faz com cada um de nós.

A nossa parte nesse mundo é somente a de nos ocupar com o que precisamos fazer, e a parte de AShem é “fazer acontecer”. Nós começamos, e AShem termina

Então, muita fé e mãos à obra

🌻🌻🌻🌻

Como começou a construção do Mishkan ?

Centenas de anos antes de ser construído, o Mishkan já estava em obras!

O Midrash Tan’huma nos conta que quando Yaakov, nosso terceiro patriarca, recebeu a notícia de que iria descer ao Egito com toda a família, entre outros preparativos para a viagem, Yaacov providenciou mudas de uma árvore chamada de Shitá. O plural é Shitim.

É com esse nome que essas árvores aparecem na Torá: Atzei Shitim, árvores de Shitá.

Rashi nos ensina que a Shitá é um tipo de cedro.

Ou seja, a árvore adequada para construir as colunas que formavam as paredes do Mishkan que  cada uma delas tinha cinco metros de altura e 75 centímetros por 50  de largura, na região onde nosso patriarca se encontrava eram aqueles cedros como os cedros do Líbano que foram usados para construir o Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalem.

Quando João Ferreira de Almeida, que era um padre português que viveu na Indonésia, traduziu a Torá para o português, ele escolheu uma árvore da Indonésia chamada em português de acácia como tradução para essa árvore que a Torá chama de Shitá.

A acácia é originária da Indonésia e regiões, como Austrália, Papua Nova Guiné e ilhas do pacífico.

O Midrash nos conta que nosso patriarca viu com o seu Rua’h a Kodesh, sua Divina Inspiração, que seria pedido ao nosso povo construir o  Mishkan no deserto.

E por isso ele levou com ele mudas de cedro para o Egito e ordenou aos seus filhos que quando eles voltassem para a terra prometida levassem esses cedros com eles.

Cada uma das 48 colunas do Mishkan tinha 10 “Amot” (5 metros) de altura e um “Amá” e meio de largura (75 centímetros).

Sendo que Yaakov tinha visto o Mishkan com seu Rua’h a Kodesh, pode ser que ele também  ordenou aos seus filhos o número de cedros que eles precisariam levar.

Dessa forma, eles teriam todos os materiais necessários em mãos quando viesse a ordem de construir o Mishkan.

Ou seja, somente há 3550 anos atrás os cedros da nossa Terra Santa chegaram ao Egito com o nosso patriarca que sabia que essas árvores não existiam no Egito e quanto mais no deserto.

Pelo menos uma parte desses cedros, a melhor parte, a parte que precisaríamos para construir o Mishkan, foi levada pelo nosso povo para o deserto e lá o Mishkan foi construído.

Conclusão :

O João Ferreira de Almeida nunca viu a explicação do Midrash, nunca estudou um Rashi e nunca viu  um cedro na vida, e por isso traduziu a Shitá como Acácia que era árvore nativa lá na Indonésia onde ele morava.

Mas por que nós que lemos o Midrash, estudamos Rashi e que vimos os cedros no norte de Israel, por que nós continuamos a traduzir errado como ele fez e não traduzimos certo como Rashi explica?

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Mensagem da Parashá

A Plata de Shabat

 

Nossa Parashá nos conta sobre o Shabat

 

Não se deve acender luz e ligar eletrônicos durante o shabat.

 

Sendo que está escrito que o Shabat tem que ser um prazer, nossos Sábios decretaram a obrigação de deixar a comida pronta e quente e acender as velas de Shabat antes do por do sol da sexta feira sendo que está escrito explicitamente para não acender fogo durante o Shabat .

 

A eletricidade foi classificada como sendo fonte de fogo e por isso acendemos tudo o que precisa estar aceso no Shabat antes de acender as velas (não podemos apagar essas coisas durante o Shabat a não ser em caso de perigo de vida) .

 

Ou seja, a luz da sala cozinha e banheiro e a chapa de Shabat que chamamos de plata devem ser acesas antes do Shabat.

 

A plata é uma placa de alumínio que pode ser encomendada em uma fabriquinha de calhas de acordo com a medida do seu fogão.

 

Você deve pedir para fazer uma dobradinha de um centímetro nas extremidades para ela não ficar cortante e deve ser dobrada uns 8 centímetros na frente para cobrir os botões do fogão.

 

A plata pode ser encomendada em qualquer fabriquinha de calhas (peça um material grosso para não entortar com o fogo nas 25 horas que vai estar encima do fogo baixo) .

 

Então acenda um fogo baixo , coloque a plata encima dele e as panelas com a comida pronta encima da plata.

 

A quantidade de água dentro da panela deve ser planejada de acordo com o número de horas que ela vai ficar encima da plata.

 

Uma janela deve estar um pouquinho aberta para entrar ar e todos os cuidados devem ser tomados para que o fogo não se apague sozinho no meio do Shabat e não haja vazamento de gás (não deixe panos ou plásticos perto dela para não pegar fogo).

 

Centenas de milhares de judeus religiosos fazem assim no mundo inteiro e com o tempo você pega experiência.

 

Se o seu gás é de botijão você pode comprar uma balança de banheiro e colocá-la fixamente embaixo do botijão para calcular quando ele vai acabar para trocar o botijão antes do Shabat.

 

 

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Mensagem da Parashá

Ki Tissá

ב”ה

 

Os Rabinos portugueses de centenas de anos atrás usaram a letra “H” para a transliteração da letra “ח” em Hebraico que equivale a dois erres “rr” em português

Na transliteração do hebraico nessa página vamos usar a letra “h” com um apóstrofo ( ‘ ) como dois erres (rr) assim: ‘h, e a letra “A” para a transliteração da letra “ה” em Hebraico que tem o som da letra A na língua portuguesa

 

Ki Tissá

 

Nossa Parashá nos conta que AShem (D’us) disse para Moshe que quando ele precisar contar o nosso povo, cada pessoa deve dar um “resgate” de si próprio para AShem quando forem contados, e dessa maneira eles não terão uma epidemia por terem sido contados.

 

A Parashá continua nos contando que cada um deveria dar meio shekel para essa contagem.

 

Ou seja, o dinheiro seria contado no lugar das pessoas, e assim se saberia quantas pessoas estavam lá sem precisar contá-las.

 

Rashi explica que o “olho mau” é a revelação da “Sitra Ahara”, do “outro lado”, ou seja, o lado ruim, tem domínio sobre o que é contado e as epidemias vem para as pessoas contadas por causa desse motivo, como aconteceu na época do rei David.

 

A explicação do Zohar

 

O Zohar nos explica que a Bênção Divina não paira sobre uma coisa contada medida ou pesada, e por isso foi pedido o “resgate” em dinheiro de cada pessoa que deveria ser contada, e o que foi contado foi o dinheiro do “resgate” e não as pessoas.

 

Pergunta o Zohar: Porque a morte paira sobre o que foi contado? E ele próprio responde que isso acontece pelo motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que é contado, medido ou pesado.

 

E sendo que a Bênção Divina abandona o que é contado, o “outro lado” paira sobre aquilo e por isso tem o poder de prejudicar.

 

Ou seja, quando cada um deu meio shekel, não foi um “prejuízo” para ele, mas um “prejuízo” no lugar dele. Ele perdeu meio shekel mas salvou a própria vida.

 

Diz o Zohar que o motivo de a Bênção Divina não pairar sobre o que foi contado é porque a “Sitra Ahara” que é o que apelidamos de “olho mau” tem domínio sobre o que foi contado, e se a Bênção Divina estivesse lá a “Sitra Ahara” teria a capacidade de usufruir dela, e por isso AShem é obrigado a tirar de lá a sua Benção quando a contagem acontece.

 

Ou seja, se a Bênção Divina caísse nas mãos da “Sitra Ahara”, seria como fazer uma bomba atômica e dar de presente para o inimigo.

 

O motivo de a “Sitra Ahara” , essa estrutura espiritual negativa que é chamada também de “olho mau”, ter acesso ao que foi contado medido ou pesado, é pelo fato de a contagem do número do peso ou do tamanho causar uma separação, e tudo o que é separado abre um acesso à “Sitra Ahara”.

 

Antes de algo ser contado, medido ou pesado, ele faz parte do “tudo”, e no “tudo” existe a Benção, porque o “tudo” está unido à raiz e fonte da Bênção, e de lá desce a vitalidade para todos.

 

Ou seja, no lado bom tudo é unido e no lado ruim todo é separado. O lado bom é infinito e ilimitado e o lado ruim é a fonte dos limites, limite de número de tamanho de peso e etc.

 

O exílio do Egito foi o nosso maior sofrimento e a palavra Egito, Mitzraim em hebraico, tem como raiz a palavra metzarim que quer dizer limitações.

 

Sendo assim, na hora em que algo é contado, medido ou pesado, é oficializada a separação daquilo em relação ao “todo” do qual fazia parte, e essa separação dá acesso à “Sitra Ahara”.

 

Mas antes disso acontece a saída da Benção Divina para que a “Sitra Ahara” não tenha acesso à ela.

 

Essa é a regra cabalística em relação a tudo o que é contado, medido ou pesado.

 

Mas quando Moshe fez todas as contas das doações do Mishkan e de tudo o que foi feito com essas doações, essa regra não se aplicou, sendo que Moshe está ligado ao mundo de Atzilut, o mundo oculto, e a “Sitra Ahara” como vimos só tem acesso ao que é revelado por meio da contagem pesagem ou medida.

 

🌻🌻🌻

 

Aprendemos na nossa Parashá que quando quisermos contar nosso povo, não devemos contá-lo de maneira convencional porque isso pode atrair coisas negativas, como vimos posteriormente na época do Rei David que após a contagem do povo muitas pessoas faleceram por uma epidemia que surgiu repentinamente.

 

Na nossa Parashá AShem pede para cada uma das pessoas que serão contadas doarem meio “Shekel”, e a conta dessas moedas vai nos mostrar o número de pessoas que foram contadas sem precisarmos contá-las de verdade. Esse assunto se aplica aos nossos tempos também e a qualquer quantidade de pessoas judias.

 

Quando não há uma extrema necessidade de contar as pessoas, podemos contar, como por exemplo dez pessoas para a reza, por meio de um versículo que tem dez palavras, dizendo cada palavra olhando para uma pessoa diferente.

 

Quando há necessidade de contar, como no caso de um ônibus levando crianças para a escola, contamos as camisas das crianças, e não as próprias crianças. Há muitas formas de saber quantas pessoas estão em um lugar sem precisar contá-las. Então, vamos usar a nossa criatividade!

 

Tudo isso foi dito quando contamos por meio de palavras enão recai sobre as contagens que fazemos por meio de pensamento.

 

🌻🌻🌻

 

Quando trabalhamos simplesmente para termos mais bens materiais, estamos “separando para nós”.

 

Mas quando trabalhamos para AShem e tudo o que temos vemos como equipamento para o trabalho Divino, estamos ligados à raiz, e a Bênção Divina recai sobre tudo o que fazemos.

 

Como a Tzedaká transforma todo o nosso trabalho em Mitzvá?

Não teríamos como fazer uma doação de parte do nosso dinheiro sem ter o dinheiro para fazê-la, e para ter esse dinheiro precisamos viajar até o trabalho, nos dedicar à ele de corpo e Alma, perder nele as melhores horas do dia e os melhores anos da nossa vida.
Mas quando damos uma parte desse dinheiro para a Tzedaká, sendo que ele é a consequência do nosso trabalho, todo nosso trabalho se transforma em Mitzvá. Ele se torna a parte principal desta Mitzvá, sem ele a Mitzvá não teria como acontecer.

 

Por isso nossa Torá chama a doação de “elevação”, nos mostrando que essa Mitzvá eleva todo o nosso trabalho, incluindo o tempo perdido para ir até ele e também para voltar dele, sendo que ele é a parte principal da Mitzvá da Tzedaká.

 

Então quando terminamos o nosso trabalho e voltamos para casa, podemos dizer confiantes que o dia inteiro estávamos fazendo uma Mitzvá. Por meio da Tzedaká todo o nosso trabalho se transforma em Mitzvá, todo o nosso trabalho se torna a Mitzvá da Tzedaká.

 

🌻🌻🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu desceu do monte Sinai com as “Tábuas da Lei”, em hebraico: Luhot Habrit.

 

A Guemará nos conta que essas Luhot eram dois quadrados de pedra de 48cm de comprimento, 48cm de altura e 24cm de largura ” ou seja , elas eram quadradas.

 

Em muitos casos elas aparecem arredondadas em cima, fato que não tem nada a ver com a nossa cultura judaica mas tem origem na cultura cristã.

 

Ou seja, os primeiros livros judaicos impressos após o século 15 foram impressos em gráficas de cristãos, a maioria delas na Itália.

 

As gráficas costumavam colocar um enfeite na página inicial, e sabendo que estavam imprimindo um livro religioso judaico, colocaram desenhos das “Tábuas da Lei” feitos por artistas de arte sacra cristã como por exemplo Michelangelo, no século 16, que era famoso na época.

 

Naquela época, a tecnologia de impressão recém descoberta baixava tanto o preço dos livros, que antes eram escritos a mão, que ninguém se importou com os desenhos dos enfeites, contanto que tivessem os livros impressos em hebraico.

 

Tempos depois, Judeus que nunca tiveram contato com arte sacra cristã acharam que, sendo que este desenho está em um livro judaico antigo, com certeza ele tem uma origem judaica.

 

E assim essas “Tábuas arredondadas” foram copiadas em todas as sinagogas, lapidadas na parede e no “Aron Hakodesh” que é o armário onde se guarda o Sefer Torá, bordadas na cortina do Aron Hakodesh, no “Meíl” que é o manto do Sefer Torá e na cobertura da “Bimá” que é a mesa na sinagoga onde se lê o Sefer Torá.

 

Sendo que essas Tábuas redondas estavam em livros e sinagogas antigas, com o tempo todos se acostumaram com elas e acharam que com certeza elas eram um símbolo judaico puro.

 

Até chegar o Rebe de Lubavitch e revelar essa história para nós, fazendo com que até o rabinato de Israel mudasse seu símbolo, de “Luhot” redondas para “Luhot” quadradas. Então, vamos tirar essas “Tábuas redondas” da nossa cultura!

 

Milagres revelados demonstrando a presença Divina entre nós

 

Alguns milagres aconteciam com essas Luhot. A escrita ultrapassava de lado a lado, mas aparecia do lado de trás e do lado da frente da mesma maneira, e as partes internas das letras que não tinham ligação com suas laterais ficavam paradas no ar no meio delas.

 

Quando Moshe Rabeinu estava nos trazendo as “Luhot”, o povo tinha sido induzido pela “erev rav” a fazer um “bezerro de ouro”, uma idolatria.

 

Moshe Rabeinu estava descendo do monte Sinai com as “Luhot”, e ao ouvir a festa da idolatria as “Luhot” caíram das suas mãos e se quebraram.

 

Depois que Moshe conseguiu resolver a situação e a idolatria parou, pediu para AShem desculpar o povo de Israel pelo acontecido, nos ensinando que o principal da Teshuvá é parar de fazer a coisa ruim e a próxima etapa é pedir desculpas por tê-la feita.

 

AShem revelou para Moshe uma mina de safira que, por incrível que pareça, estava embaixo da terra dentro da tenda de Moshe.

 

AShem pediu para Moshe lapidar duas “Luhot” como as anteriores e subir novamente ao monte Sinai. No Yom Kipur Moshe desceu com as segundas Luhot.

 

As novas “Luhot” foram guardadas dentro das “Arca da Aliança” junto com todos os pedaços das primeiras “Luhot” e acompanharam nosso povo até a destruição do primeiro Beit a Mikdash, quando foram escondidas nos túneis que construiu o Rei Salomão, e vão ser reveladas novamente quando Mashiach chegar.

 

🌻🌻🌻

O bezerro de ouro

 

Nossa Parashá nos conta que depois da entrega da Torá no Monte Sinai, Moshe Rabeinu avisou o povo de Israel que iria subir novamente ao Monte Sinai e ficar lá quarenta dias e quarenta noites.

 

Quando ele deu esse aviso já tinha passado uma parte do dia, e por isso ele não considerou o dia em que subiu como sendo o primeiro dos quarenta dias. O povo contou os quarenta dias incluindo o dia em que Moshe subiu, e por isso, depois de 39 dias eles acharam que chegou o dia de ele descer.

 

Existe um anjo chamado de “Satan” que em hebraico quer dizer “desviador”. Esse anjo é comparado a um fiscal do governo que entra em uma loja, compra uma coisa barata e diz que não precisa de nota fiscal. Depois disso manda um relatório para o tribunal de contas acusando o dono da loja de não ter dado essa nota fiscal.

 

Assim também trabalha o Satan, desce e nos seduz a transgredir um Mandamento Divino, e depois disso sobe e nos acusa no tribunal Divino. Delata a transgressão que fizemos mesmo tendo sido causada por ele.

 

O método de trabalho dele é simples. Quando AShem (D’us) criou Adam (Adão) e Havá (Eva), o Satan “baixou” na cobra, e todo o tempo que ele estava nela ela falava, era esperta e inteligente. Depois que ele saiu dela, ela voltou a ser o animal irracional que era desde o começo.

 

Caso fosse perguntado à ele porque ele falou para Havá comer a fruta proibida, ele responderia:- AShem pediu para não comer aquela fruta e uma “cobra” falou para comer, à quem eles deveriam escutar?

 

O tribunal Divino dá um limite para ele. Sempre que há uma revelação Divina, o Satan pode fazer alguma coisa paralela somente até aquele mesmo nível de revelação para que haja o livre arbítrio, nos dando a possibilidade de optar entre fazer o que AShem (D’us) pediu ou fazer o que a cobra pediu.

 

Ou seja, se o túmulo de um Tzadik foi aberto depois de centenas de anos do seu falecimento e o corpo dele estava intacto como se estivesse vivo, o mesmo tem que acontecer com o túmulo de um sacerdote da idolatria, para podermos ter o livre arbítrio para escolher entre AShem (D’us) e a idolatria.

 

Sendo que a revelação Divina que aconteceu com a entrega da Torá nos tirou esse livre arbítrio, porque vimos uma revelação Divina eternamente incontestável, agora chegou a vez do Satan fazer a revelação dele para podermos escolher entre AShem e a cobra.

 

E da mesma maneira que na entrega da Torá, Moshe Rabeinu teve uma participação fundamental, AShem falou os primeiros dois Mandamentos e o povo pediu para Moshe ouvir de AShem os outros oito Mandamentos e repassar para eles.

 

Agora chegou a vez do Satan e os representantes dele que naquele momento que eram os feiticeiros da “Erev Rav”.

 

Agora no lugar de escolher entre AShem e a cobra vamos ter que escolher entre AShem e um bezerrinho feito de ouro.

 

O plano “diabólico”

 

No começo o Satan fez uma revelação visual. Todos viram no “céu” uma “visão” do “enterro” de Moshe. E como acontece muitas vezes de pessoas verem discos voadores mas nunca conseguirem pegar um desses “marcianos” com as mãos, assim também aconteceu nesse caso.

 

O Satan mostrou o “enterro de Moshe” acontecendo no Céu, bem longe de alguém que quisesse ir lá para ver se é de verdade ou não.

 

Aí chegou a equipe dos feiticeiros da “Erev Rav” que fizeram a declaração oficial de que Moshe Rabeinu faleceu e a religião judaica terminou, agora a nova religião vai ser uma estátua, continuação da religião do Egito, país da “Erev Rav”.

 

E da mesma forma que os cristãos colocaram um “antigo testamento” no cristianismo para dizer que a idolatria deles é nada mais nada menos do que o nosso D’us que nos tirou do Egito, dando assim legitimidade à idolatria deles, assim também a “Erev Rav” precisou de Aharon para ser o Cohen da idolatria e dizer que esse bezerro de ouro é aquele D’us que tirou os judeus do Egito.

 

Depois de ver os setenta anciãos serem assassinados pela “Erev rav” por não concordarem em fazer idolatria, e depois de ver Hur, o filho de Miriam, também ser assassinado por não concordar em fazer idolatria, Aharon chegou a conclusão de que se matarem ele também, nosso povo estará perdido nas mãos da “Erev rav” e será levado de volta para o Egito sem que o faraó precise fazer o mínimo esforço.

 

O plano de Aharon

 

Quando Moshe Rabeinu subiu ao Monte Sinai, Aharon Hacohen e Hur, o filho de Miriam, ficaram responsáveis pelo nosso povo. Aharon Hacohen viu que Hur foi assassinado pela Erev Rav e que não conseguiria impedir a Erev Rav de fazer a idolatria batendo de frente com eles, então planejou sabotar a Erev Rav por dentro.

 

Ele pediu para os homens trazerem os brincos de ouro das mulheres para fazer a estátua. Ele sabia que as mulheres não iriam doar seus brincos para a idolatria, e assim a Erev Rav iria perder a moral.

 

E ele tinha razão! As mulheres se recusaram a apoiar a idolatria. Até aqui o plano de Aharon deu certo, mas o que Aharon não esperava que acontecesse foi exatamente o que aconteceu. Os homens arrancaram os brincos das mulheres a força e os trouxeram para fazer a estátua.

 

Diz o Ari Zal que a geração do Mashia’h é a reencarnação da geração que saiu do Egito e morreu no deserto, e o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, e por isso essa geração vai ser uma geração de intelectuais a exemplo da geração do deserto que estudou Torá durante quarenta anos.

 

E a principal característica dessa geração, diz o Ari Zal, vai ser o fato de todas as mulheres mandarem em todos os maridos. E o motivo para isso é o fato de elas terem ido contra a idolatria e os homens terem arrancado delas os brincos a força para doarem para a idolatria. O Rebe diz que essa geração somos nós! Precisamos de mais sinais para sabermos que estamos na geração da Gueulá?

 

O “yetser hará” da idolatria

 

A cobra falou para Havá que D’us se tornou D’us porque comeu a fruta da Etz Hadaat, e se eles comessem essa fruta eles também virariam D’us. Eles comeram a fruta proibida para se tornarem D’us, fazendo de si próprios uma idolatria.

 

Por causa disso, a Alma Divina de Adam Harishon se impurificou e recebeu o que chamamos de “yetzer hará” (mau instinto) da idolatria.

 

Ou seja, sendo que a raiz da Alma de cada um de nós no seu DNA é a Alma Divina do Adam Harishon, sendo assim todos tinham na própria natureza a vontade de fazer idolatria por causa da auto idolatria de Adam a Rishon, o primeiro homem.

 

Por isso o povo de Israel foi cúmplice da Erev Rav no bezerro de ouro, e por isso durante 790 anos, desde o falecimento de Josué até a destruição do primeiro Beit a Mikdash o principal problema do nosso povo foi a idolatria.

 

A Guemará nos conta que os “Anshei Knesset Hagdolá”, que eram os Sábios e profetas que viveram entre a destruição do primeiro Beit a Mikdash e a construção do segundo Beit a Mikdash, fizeram um jejum de três dias e três noites direto, e no final desse jejum pediram na Tefilá para que nesse mérito o “yetzer hará” da idolatria fosse anulado.

 

Nesse momento caiu um bilhetinho do céu com a palavra “Emet” confirmando essa anulação.

 

Tem quem diz que foram quarenta jejuns e tem quem diz que eles não precisaram fazer nenhum jejum, mas simplesmente o fato de eles terem instituído as Bênçãos matinais, as rezas que fazemos todos já deu à eles o direito de fazer esse pedido, e essa é a opinião do Hatam Sofer que foi um grande Tzadik que viveu na Hungria há duzentos anos atrás.

 

E sendo que por meio disso aconteceu novamente o mesmo desequilíbrio espiritual que tinha acontecido com a entrega da Torá, ou seja, o livre arbítrio desequilibrou, AShem (D’us) teve que reduzir a revelação Divina que acontecia por meio dos profetas para rrequilibrar novamente o livre arbítrio no mundo.

 

E por isso, a partir daquele momento não temos mais yetzer hará para fazer idolatria, mas também não temos mais profetas.

 

Conclusão:

 

Vamos rezar com muita alegria e pedir para AShem fazer com que a nossa Gueulá aconteça imediatamente, só temos a ganhar!

 

 

 

Rabino Gloiber
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Mensagem da Parashá

A Parashá da minha vida 🌻 Tetzavê


TETZAVÊ

 

Nossa Parashá começa com as palavras: “e você vai ordenar”. Essa linguagem não é usual na Torá, sendo que nesse caso esse “e” está adicionando alguém junto à Moshe Rabeinu.

 

Às vezes vemos na Torá que Moshe Rabeinu está falando em uma linguagem, como se fosse AShem (D’us) falando, e não ele. Diz o Zohar que nesse caso é a própria She’hiná (Presença Divina) falando por meio das cordas vocais de Moshe.

 

Às vezes Moshe discute com AShem (D’us), e pede para Ele desculpar o nosso povo. Diz o Zohar que nesse caso, Moshe é Moshe e não AShem falando por meio das cordas vocais de Moshe.

 

O Zohar nos conta, que a linguagem da nossa Parashá está nos indicando que nesse caso AShem e Moshe estão falando juntos.

 

Não é AShem sozinho falando por meio das cordas vocais de Moshe, e nem Moshe sozinho fazendo um pedido para AShem, mas os dois falando juntos.

 

Rabi Hiya no Zohar nos conta que todo lugar na Torá que está escrito “e você” está nos indicando que a presença Divina está com ele. Ou seja, este “e” vem nos indicar “alguém e você”, e esse “alguém” é AShem (D’us).

 

Rabi Itzhak no Zohar nos explica que essa linguagem aparece para nos indicar que nesse caso a luz de cima e a luz de baixo se unem se tornando uma só.

 

Moshe Rabeinu cumpriu a missão de repassar ao povo de Israel, os assuntos relacionados à construção do Mishkan, mas, na prática, cada um teve a inspiração Divina causada por essa sincronização entre o mundo de cima e o mundo de baixo.

 

Cada um dos “Sábios de coração” que trabalharam com a construção do Mishkan, e de todos os seus artefatos, fizeram o que precisava ser feito mesmo nos mínimos detalhes que Moshe Rabeinu não chegou a repassar.

 

E fizeram tudo tão perfeito a ponto de ele próprio se espantar com o fato de tudo ter sido feito como AShem havia mostrado para ele no Monte Sinai, e não para eles.

 

Mais a frente, o Zohar nos conta como esse fenômeno espiritual acontece com cada um de nós.

 

אי איהו קיימא בנהירו דאנפין מתתא, כדין הכי נהרין ליה מעילא, ואי איהו קיימא בעציבו, יהבין ליה דינא בקבליה

Diz o Zohar que “se estamos com um sorriso aqui embaixo, assim somos iluminados lá de cima”. Em outros termos, AShem (D’us) nos dá motivo para ficarmos alegres de verdade.

 

Mas se estamos tristes aqui embaixo (mesmo tendo um motivo justo para ficarmos tristes), trazemos para nós as severidades “lá de cima”.

וּמִמַּעַל לָרָקִיעַ אֲשֶׁר עַל רֹאשָׁם כְּמַרְאֵה אֶבֶן סַפִּיר דְּמוּת כִּסֵּא וְעַל דְּמוּת הַכִּסֵּא דְּמוּת כְּמַרְאֵה אָדָם עָלָיו מִלְמָעְלָה

O Alter Rebe nos traz uma explicação do Maguid de Mezritch sobre o versículo em Yehezkel que diz: “sobre a aparência do trono, uma aparência como a aparência humana”. Diz o Maguid, que isso quer dizer que como nos comportamos aqui em baixo, causamos a revelação Divina lá em cima. Isto significa que, a revelação Divina acontece para nós como a nossa aparência naquele momento.

 

A descrição do profeta Yehezkel sobre a revelação Divina ser comparada à aparência da pessoa, não é uma coisa material, sendo que AShem está acima dos conceitos materiais e não tem nenhuma comparação com o material. Mas a intenção é de que a revelação Divina que está sobre o trono reflete espiritualmente nossa aparência aqui em baixo.

 

Se estamos tristes, mesmo por motivos justos, a revelação Divina em relação a nós é Guevurá. Mas se estamos alegres, a revelação Divina em relação a nós é a Hessed, (bondade) e aí todos os milagres acontecem.

 

וְאַתָּה תְּצַוֵּה אֶת בְּנֵי יִשְׂרָאֵל

Nossa Parashá começa com as palavras “e você”. Em Parashat Bereshit, AShem diz aos Anjos “façamos o homem”, e depois AShem faz o ser humano sem a mínima participação desses Anjos.

 

AShem não precisou falar para os Anjos “façamos um boi ou façamos um cavalo, então por que no caso da criação do ser humano AShem convidou os Anjos para participarem dela mesmo que no final eles não participaram?

 

Um dos motivos para isso, é para consolar os Anjos, sendo que até aquele momento eles eram as criaturas mais elevadas e agora seria criado o ser humano que seria superior aos Anjos. Assim dizendo, AShem teve que dizer para eles “façamos o homem” para dar um consolo a eles.

 

Outro motivo para isso, é porque os Anjos teriam várias responsabilidades em relação a nós, e por humildade Divina Hashem deu uma satisfação para eles, antes de nos criar, oferecendo a eles, até mesmo uma participação na nossa criação.

 

Na nossa Parashá, a intenção Divina na expressão “e você” é dizer “nós”, por que o versículo já não diz explicitamente “nós”, no mesmo estilo do versículo que fala sobre a criação do homem?

 

Porque aqui na nossa Parashá o “você”, é a pessoa principal desse versículo, e AShem aparece como secundário indicado indiretamente por um simples “e”. Nessa mesma Parashá o Zohar traz uma regra profunda que por meio dela podemos entender claramente todos esses porquês.

 

Diz o Zohar que o mundo de baixo está sincronizado com o mundo de cima, e está sempre dependendo dele para receber de lá tudo o que nosso mundo precisa. Mas tudo o que receberemos dependerá de nós, e não do mundo de cima.

 

Se aqui nesse mundo estamos com um sorriso no rosto, alegres e felizes, recebemos um sorriso lá de cima, e não precisamos mais nos preocupar com nada, porque somos queridos no mundo de cima e todos os nossos problemas serão resolvidos com muito amor e carinho.

 

Por isso, diz o Zohar, está escrito no Tehilim que devemos servir à D’us com alegria, porque a alegria da pessoa traz para ela outra alegria superior.

 

Isto é, quando você está triste, você desperta o lado esquerdo do mundo superior, o lado da guevurá (severidade), e atrai para você todos esses “dinim”, todos os decretos ruins que vem retificar a sua Alma da pior maneira possível e consequentemente a mais dolorosa.

 

Quando você se esforça e fica alegre, mesmo não tendo o mínimo motivo para isso, você desperta o lado direito no mundo superior, o lado da Hessed (a bondade Divina), e AShem te dá verdadeiros motivos para ficar alegre. Todos os seus problemas são resolvidos com muito amor e carinho, e você recebe todos os motivos do mundo para ser feliz.

 

Nesse processo, sua Alma é purificada de maneira positiva. AShem te dá muito dinheiro para dar para a Tzedaká, você consegue fazer muitos favores para muitas pessoas, e purifica a sua Alma dessa maneira sem precisar sofrer. Mas isso não dependerá lá de cima, mas sim de você.

 

E por isso nossa Parashá coloca a palavra você como principal, e a revelação Divina em segundo plano como algo que te acompanha, e você determina para qual direção ela vai te acompanhar. Você decidirá se AShem vai se revelar para você como um pai ou como um rei, e isso dependerá somente de você.

 

Conclusão: Fique sempre alegre, não importa a situação. Você só tem a ganhar!

 

🌻🌻🌻

 

 

AS ROUPAS DO COHEN GADOL

 

Muitos segredos se ocultam por trás dessas roupas, como por exemplo o pedido Divino de colocar dentro do Hoshen (peitoral sacerdotal) o Urim e o Tumim.

 

E nas doze pedras preciosas encaixadas no Hoshen estavam gravados os nomes dos doze filhos de Yaakov, patriarcas das treze tribos de Israel (no lugar dos nomes de Efraim e Menashe estava o nome de Yossef). Por trás das pedras preciosas, dentro do Hoshen, estavam o Urim e o Tumim.

 

Quando surgia uma pergunta de importância pública, como uma dúvida relativa à estratégia de guerra, ou outro assunto público importante, que necessitava de uma resposta Divina explícita, ela era perguntada em frente ao Cohen Gadol que vestia o Hoshen.

 

Nessa hora, por causa do Urim e Tumim, um milagre acontecia com as letras dos nomes lapidados nas pedras preciosas.

 

Rabi Yohanan na Guemará em Yoma diz que um conjunto de letras se destacava e o Cohen Gadol montava com elas palavras por meio de Rua’h aKodesh (Inspiração Divina). Reish Lakish diz que as letras se moviam milagrosamente e montavam palavras.

 

O Ramban, Rabi Moshê ben Na’hman explica que as letras se iluminavam para o Cohen Gadol, e assim elas se ressaltavam.

 

Urim e Tumim

 

Rashi esclarece que o Urim e o Tumim são o Nome explícito de AShem escrito e colocado dentro das dobras do Hoshen.

 

E por meio dele, as palavras Hoshen se tornavam perfeitas e iluminadas, e por causa desse Nome de AShem que estava nele, o Hoshen é chamado de Hoshen Mishpat (peitoral do juízo).

 

Porque por meio dessa escrita, as perguntas eram milagrosamente julgadas e as respostas do Hoshen eram explícitas determinando se fazer ou não fazer o que foi perguntado.

 

Urim

 

O Ari Zal explica que o Urim era o Nome de AShem conhecido como Nome “Mem Beit”, letra Mem e letra Beit do alfabeto hebraico cujo valor numérico delas juntas é 42.

 

Esse nome é chamado de “Mem Beit” por ser composto pelas iniciais de cada uma das 42 palavras da reza cabalística “Ana Bekoa’h”.

 

Tumim

 

O Ari Zal explica que o Tumim era o Nome de AShem conhecido como “Ain Beit” (72) que é assim chamado por ser o valor numérico do “Milui” (preenchimento) do nome de AShem de quatro letras conhecido como Tetragrama.

 

Quer dizer, o nome de cada letra é escrito literalmente e o resultado do valor numérico das letras que compõem os nomes das quatro letras é 72.

 

Quando o Cohen Gadol estava no Mishkan ou no primeiro Beit  a Mikdash, esses Nomes se encontravam dentro do Hoshen. Diz o Ari Zal que não era possível fazer perguntas dessa forma a não ser dentro do Beit  a Mikdash ou do Mishkan.

 

E por isso o Hoshen de Aviatar, o Cohen que fugiu da cidade de Nov que foi atacada por Shaul e se uniu à David antes de ele ser o rei de Israel, não tinha o Urim e Tumim. Ou seja, David recebia respostas Divinas do Hoshen de Aviatar por meio do Rua’h aKodesh do próprio David, e não por causa do Urim e Tumim.

 

🌻🌻🌻

 

AS ROUPAS DOS COHANIM

OS SACERDOTES DO NOSSO POVO

 

Rabi Anani bar Sasson na Guemará nos conta que essas roupas tinham uma característica espiritual muito interessante: elas faziam a reparação das nossas transgressões.

 

Sendo que D’us é a essência do bem, e a natureza de quem é bom, é fazer o bem, quando tomamos a decisão de não fazer mais uma coisa ruim, e nos arrependemos de tê-la feito, ele nos dá várias oportunidades de retificação para não precisarmos chegar à “medida por medida”.

 

Ou seja, para não precisarmos passar por um sofrimento relativo ao mal que fizemos.

 

Um exemplo disso é o Shabat que serve como reparação para a transgressão da idolatria.

 

Imagine um judeu que volta da Índia depois de ter rezado para todas as milhares de estátuas que tem lá, ter feito oferendas para as estátuas e etc.

 

E no final essa pessoa se arrepende de toda a idolatria que fez, e vai perguntar ao Rabino, o que fazer para retificar toda a idolatria que praticou.

 

:- Rabino, diz a pessoa, eu acabei de voltar de uma peregrinação religiosa de um ano na Índia. Não teve uma estátua que eu não me prostrei na frente dela, que não rezei, ou fiz uma oferenda para ela. Mas agora estou profundamente arrependido de ter feito isso. Como faço para consertar o que fiz? Vou sentar em um formigueiro?

 

:- D’us nos livre, responde o Rabino. Você vai consertar isso da seguinte maneira:

 

Compre uma roupa muito bonita para Shabat, faça quatro Halot (pães para Shabat), compre um peixe bem grande, tire as escamas e prepare ele bem gostoso para Shabat.

 

Compre dois quilos de uva e faça um suco de uva bem gostoso para o kidush. Faça muitas saladinhas e sobremesa, comemore o Shabat com a sua família com muita alegria, e essa é a sua retificação!

 

:- Mas Rabino, exclama o homem espantado, isso parece mais um prêmio do que um castigo!

 

:- Você decidiu que não vai mais fazer idolatria? Pergunta o Rabino, se arrependeu do que fez? Agora tem dois jeitos de retificar, um muito bom e o outro muito ruim. Qual você escolhe?

 

Como nesse exemplo verídico em relação à idolatria, assim também acontece com todas as transgressões da Torá.

 

Previamente temos de tomar a decisão de não fazer a coisa ruim novamente e se arrepender de tê-la feito. Assim, o que sobra é retificar o que fizemos.

 

Se não retificamos de maneira positiva, essa pendência continua.

 

E quando chega o limite, D’us nos livre, somos retificados contra a nossa vontade, e de maneira negativa, “medida por medida”. Ou seja, o que fizemos de errado conosco.

 

Rabi Anani nos conta que no livro de Vaykrá a Torá fala sobre os Korbanot, os sacrifícios de animais, e logo em seguida fala sobre as roupas dos Cohanim.

 

Nos indicando que da mesma maneira que os Korbanot vem para retificar as nossas transgressões, dessa mesma maneira as roupas dos Cohanim retificam as nossas transgressões.

 

Quando essas roupas eram usadas pelo Cohen Gadol no Mishkan que era um Templo móvel, e posteriormente no Beit a Mikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, cada uma delas reparava um tipo de transgressão diferente.
Cada roupa com a sua função:

 

●    Ktonet – a túnica do Cohen Gadol, retificava os assassinatos.

 

●    Mi’hnassaim – a calça do Cohen Gadol, retificava as relações ilícitas.

 

●    Mitznefet – o turbante do Cohen Gadol, retificava a prepotência.

 

●    Avnet – o cinturão do Cohen Gadol, retificava os maus pensamentos.

 

●    Hoshen – a jóia de doze pedras preciosas que o Cohen Gadol tinha sobre o peito, retificava os erros de legislação.

 

●    Efod – o avental do Cohen Gadol, retificava a idolatria.

 

●    Meil – o manto do Cohen Gadol, retificava a difamação.

 

●    Tzitz – como uma tiara de ouro sobre a testa do Cohen Gadol, retificava a arrogância.

 

 

A explicação do “Rosh”

 

Rabeinu Asher bem Yehiel, conhecido como “o Rosh”, nasceu em Colônia na Alemanha antiga aproximadamente no ano de 1250.

 

O Rosh era descendente do grande rabino, Rabi Eliezer bem Nathan, conhecido como o Raaban. Um dos seus oito filhos foi Rabi Yaacov Baal Haturim, autor do Arba’ah Turim, famoso código de lei judaica.

 

Seu principal professor foi o grande Rabi Meir de Rothenburg que naquela época vivia em Worms na Alemanha antiga. Naquela época o Rosh também trabalhava com empréstimos e a situação financeira dele era muito boa.

 

Quando Rabi Meir de Rothenburg foi preso pelo governo, que queria extorquir a comunidade judaica, o Rosh quis pagar uma fiança astronômica exigida por eles para libertá-lo, mas Rabi Meir recusou, com medo de que isso servisse de incentivo para a prisão de outros rabinos.

 

Após isso, o Rosh assumiu a posição do rabino Meir em Worms. Porém, foi obrigado a emigrar para a França e depois para Toledo na Espanha, onde se tornou o Rabino da cidade por recomendação de Rabi Shlomo ben Aderet conhecido como Rashba.

 

Rabeinu Asher faleceu em Toledo no ano de 1328. Ele trouxe o espírito Talmúdico rigoroso e estreito da Alemanha antiga para a Espanha antiga.

 

Em um dos seus comentários sobre a Guemará, o Rosh explica que as roupas do Cohen Gadol não conseguiram retificar as transgressões de idolatria, assassinatos e relações ilícitas na época do primeiro Beit a Mikdash. E o Beit  a Mikdash foi destruído e nosso povo exilado para a Babilônia por causa dessas transgressões.

 

O motivo para isso, explica o Rosh, é que eles não fizeram Teshuvá. Não se arrependeram das atrocidades que tinham feito e não tomaram a decisão de não fazê-las novamente.

 

Mas se tivessem feito Teshuvá, as roupas do Cohen Gadol retificariam as transgressões, o Beit  a Mikdash não seria destruído e nosso povo não seria exilado.

 

 

 
Shabat Shalom!

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

A pessoa que queria se converter ao judaísmo com a condição de ele ser o “Cohen Gadol”

A pessoa que queria se converter ao judaísmo com a condição de ele ser o “Cohen Gadol”

 

A Guemará nos conta que certa vez alguém estava passando por trás de uma sinagoga , escutou de fora uma descrição sobre essas roupas e perguntou :- Quem vai vestir essas roupas?

 

:- O Cohen Gadol, respondeu o professor.

 

A pessoa que não era judeu tomou uma decisão consigo próprio: – vou me converter ao judaísmo com a condição de ser o Cohen Gadol!

 

Chegou ao tribunal rabínico onde se encontrou com Shamai que ouvindo o argumento concluiu que a pessoa não tinha boa intenção…..

 

Mas aquela pessoa não desistiu e foi procurar o outro grande Rabino da época que se chamava Hilel.

 

Hilel fez para ele um curso de Cohen Gadol aonde a pessoa descobriu que não poderia ser Cohen Gadol e se tornou um bom judeu.

 

O que Hilel viu nele que Shamai não tinha visto?

 

Hilel viu que essa pessoa era muito caprichosa e queria fazer tudo do jeito mais certo possível, a pessoa deduziu que o fato de o Cohen Gadol ir com essas roupas demonstrava que ele era mais religioso do que os outros e isso despertou nele a vontade de ser o Cohen Gadol.

 

No curso de Cohen Gadol que Hilel fez para ele, ele aprendeu que até o Rei David, um Tzadik maior do que o Cohen Gadol , não poderia ser Cohen Gadol.

 

Ou seja, dá para ser um Tzadik maior ainda do que o Cohen Gadol sem precisar usar aquelas roupas.

 

Aprendemos daqui que as vezes acontece de alguém errar e medir o nível de religiosidade de alguém por causa das roupas que ele usa, achar que quanto mais sofisticada a roupa mais religiosa aquela pessoa é, isso é um erro de avaliação muito comum nos dias de hoje.

 

Ou seja, se você viu no noticiário um Rabino vestido de Rabino no congresso anti-semita no Irã,  saiba que aquelas roupas não representam nada mas sim as atitudes da pessoa é o que qualifica ou desqualifica ela quando se trata da nossa religião.

 

Ou seja, se ele estava no congresso anti-semita não precisamos dizer que um Rabino estava lá mesmo que ele estava vestido assim

 

Rabino Gloiber

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