Hametz e as forças do mal

Hametz e as forças do mal

A tradição judaica de espalhar pela casa dez pedacinhos de pão antes da verificação do Hametz é bastante antiga, e o motivo dela é prático

 

Se não fosse pelos dez pedacinhos, o chefe da família talvez não encontrasse nenhum vestígio de Hametz em sua casa e a bênção que fazemos antes de começar a verificação teria sido em vão.

 

Mas existe também um motivo cabalístic para espalhar os dez pedaços de pão antes da verificação.

 

Eles também nos lembram as Dez Pragas do Egito e também representam que no lado espiritual impuro existem dez sefirót que correspondem às Dez Sefirot do lado puro.

 

Essas sefirot do lado impuro são chamadas de “dez coroas da impureza”, e são simbolizadas pelos dez pedacinhos de pão que buscamos na verificação do hametz para depois queimar.

 

Na Guemará e na Cabalá, o hametz geralmente é usado como símbolo para o mal.

 

Rabi Moshe Chaim Luzzatto, o Ramhal, dizia que o Hametz simboliza o Yetzer a-Rá, o instinto do mal que existe dentro de todos os seres humanos exceto daqueles que estão em um nível espiritual completamente elevado que são os Tzadikim.

 

O Zohar, clássico da Kabalá, compara o hametz à idolatria, com as seguintes palavras: “Aquele que come hametz em Pessa’h se compara a quem faz idolatria ” (Zohar 2: 182).

 

Alguns comentaristas explicam que o hametz representa o Yetzer Ha-Rá porque, ao contrário da Matzá, ele cresce e incha, simbolizando o orgulho, que é a suprema fonte das forças do mal.

 

O fato de que o hametz faça outro tipo de massa crescer é análogo à maneira pela qual o mal age sobre as funções da alma da pessoa, arruinando-a, e arruinando a alma das pessoas que estejam ao seu redor.

 

Como o hametz é um símbolo de arrogância, podemos entender a razão para o Zohar o comparar à idolatria. Porque, o que é a idolatria?

 

Para o judaísmo, não significa apenas acreditar em mais de um D’us. Significa, também, atribuir poder a qualquer coisa no mundo que não seja a D’us.

 

A arrogância é uma forma de autoidolatria, porque é a crença de que a pessoa é melhor do que os demais, que sabe mais do que todos, e que não deve nada a ninguém.

 

A Guemará nos ensina que se há algo que afaste de nós a Presença Divina, esse algo é a arrogância, porque a pessoa arrogante acha que não existe nada acima dela, ou seja, se auto-idolatra. Somente pode haver um único D’us no mundo. D’us aguenta um pecador, mas não alguém que se julgue um deus.

 

Ninguém personificou a arrogância mais do que o Faraó, o vilão na história de Pessa’h. O rei egípcio, que era idólatra e genocida e desafiava a D’us, proclamava ser uma divindade que havia criado sua própria pessoa.

 

O oposto do Faraó, o herói de Pessa’h, foi Moshe Rabeinu, que a própria Torá atesta que ele foi o “homem mais humilde que jamais se viu”.

 

A pureza e a santidade estão associadas à humildade, enquanto que a impureza e a auto idolatria, ou seja, a prepotência, estão associadas à arrogância.

 

Matzá, o pão da pobreza, que não cresce e não fermenta, simboliza a humildade. O hametz, que fermenta, representa justamente o oposto.

 

A festa de Pessa’h é uma época para agradecermos, pois se D’us não nos tivesse salvado, nossos antepassados e todas as gerações judaicas subsequentes, incluindo a nossa, ainda seríamos escravos ou teríamos sido exterminados pelo Faraó. O reconhecimento e a gratidão vem da humildade.

 

Pessa’h é a “Festa da Liberdade” e quem é vitima de seu próprio ego, quem vive para satisfazer seus desejos e seu orgulho, jamais poderá ser realmente livre. Os temas dessa festa, simbolizados pela Matzá, são a antítese do que representa o hametz

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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