Aharei Mot
Nossa Parashá começa nos contando sobre os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado com um “fogo estranho” na parte mais sagrada do Mishkan.
A Parashá termina nos ensinando que existe uma situação em que a Terra Santa “vomita” seus habitantes devido ao comportamento deles em relação a “casamentos” e a santidade daquele lugar.
Existe uma ligação entre esses dois assuntos que fazem parte de uma mesma categoria, mas em níveis diferentes.
Quando AShem (D’us) nos deu a Torá no Monte Sinai, pediu para Moshe avisar nosso povo para não subir naquela montanha e nem tocar nela enquanto estivesse acontecendo lá a entrega da Torá.
A linguagem do versículo naquele caso é de que todo aquele que tocar em qualquer parte daquela montanha, mesmo em sua parte mais extrema, vai falecer.
E também os animais deveriam ser impedidos de pastar no Monte Sinai no momento da entrega da Torá, porque eles morreriam também se estivessem naquele momento naquele local.
A Torá nos conta mais adiante que Nadav e Avihu, os dois filhos de Aharon que faleceram por terem entrado no Mishkan com o “fogo estranho”, eram pessoas muito elevadas espiritualmente como o próprio Moshe diz ao seu irmão Aharon que Nadav e Avihu estavam em um nível superior ao deles.
O “fogo estranho era o incenso feito de acordo com a Torá, mas esse trabalho deveria ter sido feito pelo pai deles, por Aharon que era o sumo sacerdote, e não pelos seus dois filhos, por uma pessoa e não por duas.
Mas o fato de o Midrash ter nos contado que eles faleceram por ter entrado no Mishkan bêbados já nos ensina que o fato de eles terem entrado no Mishkan com o incenso no lugar de Aharon não justificaria a morte deles.
Sendo assim, é óbvio que o motivo do falecimento deles naquela ocasião não tinha relação com o nível espiritual deles, que era elevado o suficiente.
Pelo fato de Moshe ter avisado os Cohanin para não entrarem “bêbados” no Mishkan, surge a possibilidade de eles terem bebido muito vinho antes de terem entrado lá, e pode ser que foi isso o que causou a morte deles.
Essa hipótese trazida pelo Midrash é vista como uma lição de moral, mas não é a prova de que esse foi o motivo verdadeiro, sendo que em relação à conduta moral Nadav e Avihu estavam dentro dos padrões e não havia nenhuma base para suspeitar de alguma conduta negativa em relação à eles.
Também o fato de não ter sido possível encontrar vinho naquele lugar nos leva a conclusão de que o Midrash está usando essa hipótese como lição de moral, mas não como prova de que o motivo do falecimento deles foi esse.
Então qual foi o motivo real da morte de Nadav e Avihu.
A Torá nos conta que no momento da entrega da Torá AShem (D’us) chamou Moshe para subir na montanha, dando à ele por meio desse chamado uma proteção especial para que ele pudesse presenciar a intensidade da revelação Divina sem que sua Alma deixasse seu corpo.
Mas qualquer pessoa ou animal que tocasse naquela montanha naquele momento, mesmo que fosse somente no extremo da montanha, a Alma sairia do corpo devido ao nível da revelação Divina que estava acontecendo lá.
Depois da entrega da Torá, a revelação Divina deixou definitivamente o Monte Sinai.
O Monte Sinai voltou a ser uma montanha como qualquer outra, e não haveria mais nenhum problema para os pastores com seus animais subirem até o ponto mais alto dela, e eles já poderiam fazer isso sem que nada acontecesse.
Aprendemos daqui que quando a revelação Divina paira sobre um lugar, todo o tempo que ela se encontra lá, nem as pessoas e nem os animais conseguem manter as almas nos corpos a não ser que ele seja chamado para, lá como foi o caso de Moshe Rabeinu no Monte Sinai na hora em que a presença Divina pairou sobre ele.
Quando o Mishkan, nosso “Templo-móvel” foi construído no deserto, a revelação Divina pairou sobre ele se revelando na sua parte mais sagrada chamada de “Kodesh a Kodashim”.
O sinal de que a revelação Divina pairou sobre o Mishkan foi o mesmo que aconteceu no Monte Sinai, a nuvem baixou sobre ele.
A regra em relação ao Mishkan foi a mesma que no monte Sinai. Quando a nuvem pairava sobre o Mishkan mostrando claramente que a revelação Divina estava acontecendo lá, Moshe era chamado para o Mishkan e AShem (D’us) falava com ele. Se Moshe não fosse chamado ele não iria lá por si só.
Por outro lado, Aharon e seus filhos faziam parte da estrutura do Mishkan. Ou seja, o Templo-móvel tinha os seus sacerdotes que eram Aharon e seus filhos, e por isso está escrito em relação à entrada no Kodesh HaKodashim “o estranho que entrar vai falecer. E quem está na categoria de estranho.
A Guemará nos conta que certa vez alguém estava passando por trás de uma Sinagoga, escutou do lado de fora uma descrição sobre as roupas do Cohen, entrou na Sinagoga e perguntou :- Quem vai vestir essas roupas? :- O Cohen Gadol, respondeu o professor.
A pessoa que não era judeu tomou uma decisão consigo próprio: – vou me converter ao judaísmo com a condição de ser o Cohen Gadol.
Chegou ao tribunal rabínico onde se encontrou com Shamai, que ouvindo esse argumento concluiu que a pessoa não tinha uma boa intenção.
Mas aquela pessoa não desistiu e foi procurar o outro grande Rabino da época que se chamava Hilel. Hilel fez para ele um curso de Cohen Gadol.
Quando chegaram nesse assunto de “o estranho que se aproximar vai morrer” a pessoa perguntou:- Quem é considerado “estranho” em relação ao “Kodesh HaKodashim”.
Até David, o rei de Israel que também era a pessoa mais elevada espiritualmente da sua geração e também a mais rica e poderosa, nada disso adiantaria em relação ao “Kodesh HaKodashim”, e se ele entrasse lá ele morreria como qualquer outro.
Aquela pessoa descobriu que não poderia ser Cohen Gadol e se tornou um bom judeu.
Nadav e Avihu não estavam na classificação de “o estranho que se aproximar vai morrer” sendo que eles eram Cohanin, eles eram os sacerdotes.
Mesmo assim, a permissão para eles entrarem lá era restrita aos trabalhos específicos que deveriam fazer. Incluindo detalhes como roupas específicas para eles poderem trabalhar lá.
Cada ação no nosso mundo material tem uma sincronização com o mundo espiritual, e de acordo com essa sincronização acontece uma reação.
O Cohen, por meio do seu trabalho, sincroniza entre o mundo de baixo e o mundo de cima, trazendo para cá fartura e abundância.
Isso acontece por meio da sincronização entre as Dez Sefirót lá em cima. A fartura e abundância lá de cima é repassada por meio da Sefirá chamada de Yessod para a Sefirá chamada de Mal’hut, a Mal’hut transforma a abundância espiritual em bens materiais.
Um exemplo para isso é uma mãe que após comer um jantar de Shabat completo, com vinho, pão, peixe e saladas, carne com batata, sucos e sobremesa, transforma em seu corpo tudo isso em leitinho para o nenê.
Se ela desse todo esse jantar de Shabat para o nenê do jeito que foi oferecido para ela, o nenê simplesmente morreria de fome. Não por causa da qualidade desses alimentos, mas por causa da incapacidade do nenê em relação a esse nível de alimentação.
Então a mãe come toda essa comida, transforma ela em leitinho e depois dá de mamar para ele. Assim o nenê cresce saudável.
Dessa maneira a Sefirá chamada de Mal’hut transforma a fartura e abundância espiritual em bens materiais. Mas para que o repasse dessa fartura do Yessod para o Mal’hut aconteça, nós precisamos merecer.
E aí entra o trabalho do Cohen. Ele faz o trabalho Divino nos representando como se cada um de nós estivesse lá fazendo esse trabalho junto com ele. Esse trabalho é feito totalmente em sincronização com as forças ocultas espirituais.
Quando Moshe Rabeinu trouxe as dez pragas para o Egito, ele teve que fazer ação material que causasse a reação espiritual para cada uma das dez pragas separadamente.
Na primeira praga, quando AShem (D’us) pediu para ele dar uma cajadada no Rio Nilo, Moshe respondeu que não vai poder dar essa cajadada porque esse rio salvou a sua vida quando sua mãe o colocou lá em uma cestinha.
AShem não cancelou a ordem da cajadada para trazer a praga, mas pediu para Moshe pedir ao seu irmão Aharon para ele dar essa cajadada.
Porque para trazer algo lá de cima precisamos fazer uma ação nesse mundo material para que aconteça a reação no mundo superior.
E essa ação precisa ser de acordo com os detalhes da ordem Divina que no caso da primeira praga foi a cajadada.
No caso da praga dos piolhos, AShem pediu para Moshe jogar a terra do Egito para o alto. Moshe novamente se desculpou de não poder fazer isso sendo que aquela terra o ajudou quando ele salvou um judeu de ser assassinado por um soldado egípcio.
Novamente AShem não cancelou essa ação, mas pediu para Moshe pedir à seu irmão Aharon para ele fazer esse ato material de jogar a terra do Egito para cima e assim começou a praga dos piolhos.
Se Aharon tivesse invertido a ordem Divina e tivesse jogado a água do Rio Nilo para cima e dado uma cajadada na terra, nada aconteceria.
E assim é o trabalho dos nossos Cohanin que são os nossos sacerdotes. Cada trabalho tem que ser feito da maneira correta, e se não for feito da maneira correta a sincronização não acontece e nada de bom desce para baixo.
Sendo que é permitido para o cohen entrar no Mishkan e ele não está na classificação de “o estranho que entrar vai falecer”, e se o trabalho dele não for feito certo ele não traz as bênçãos celestiais para nós, o fato de Nadav e Avihu terem falecido ainda precisa de uma explicação.
Por isso, dia o Zohar, o motivo que restou foi o fato de eles não terem se casado.
E por esse motivo, quando a Torá se refere a pessoa que vai fazer o korban, o sacrifício, ela usa a palavra Adam.
Quando AShem criou o ser humano, diz o Zohar, ele fez uma pessoa que era um lado homem e o outro mulher. Essa pessoa foi chamada de Adam.
AShem fez Adam adormecer profundamente, separou entre os dois lados, e assim surgiu Hava, a Eva da Torá.
(A estória de que D’us criou a mulher da costela não tem fonte judaica).
Por isso Nadav e Avihu faleceram, diz o Zohar, eles eram somente “meio corpo”. Cada um deles era “meio corpo”, e mesmo assim eles decidiram fazer o trabalho mais sagrado de todos os trabalhos do Mishkan.
E por causa do contraste entre a fraqueza de eles serem “meio corpo”, de não serem casados, e a intensidade do Ketoret, do trabalho de trazer o incenso para o Kodesh HaKodashim que deveria ter sido feito pelo pai deles, eles faleceram.
E por isso, diz Rabi Aba no Zohar, pelo fato de eles serem “meio corpo” e terem feito o mais importante de todos os trabalhos do Mishkan, por isso eles faleceram.
Mas se eles fossem casados ou se tivessem feito outro trabalho do Mishkan que não fosse esse, não teriam falecido.
Nossa Parashá começa nos contando os procedimentos tomados depois que faleceram os dois filhos de Aharon, e termina nos contando sobre as relações íntimas proibidas.
Nos revelando por meio disso que de acordo com o nosso comportamento a Terra Santa pode chegar ao extremo de “Vomitar os seus habitantes como vomitou os povos que estavam lá antes de nós” por terem tido essas relações íntimas proibidas.
Daqui aprendemos que da mesma maneira que aqueles povos foram tirados da nossa terra por meio de sete anos de guerra que fizemos com eles, nós também podemos ser tirados de lá da mesma forma, e isso é a expressão do conceito da Torá de “a terra vomitar os seus habitantes”.
Sendo que a Torá não está falando sobre outras terras mas somente sobre a “Terra Santa”, entendemos que também no nosso nível pode acontecer um curto circuito espiritual, entre a santidade da terra e a falta de santidade do nosso comportamento.
Por isso a Torá nos avisa isso antecipadamente. Para sabermos que cada ação no mundo material causa uma reação no mundo espiritual.
Quando essa ação aqui embaixo se compara ao comportamento dos povos que foram “vomitados” da nossa terra, estamos trazendo para nós por meio desse comportamento essa mesma consequência que esse comportamento trouxe para eles.
Então vamos estudar muita Torá e fazer muitas Mitzvot para trazer imediatamente a Gueulá
Kedoshim
Nossa Parashá nos conta (entre inúmeros assuntos) sobre a proibição de guardar rancor.
Toda pessoa que guarda rancor contra um judeu principalmente se ele for o cônjuge, transgride uma Mitzvá da Torá, como está escrito na nossa Parashá: “Ló titor”, não guarde rancor.
Exemplo: Você pede um favor para alguém e a pessoa não quis fazê-lo. No dia seguinte, essa pessoa precisou de você e você responde: “Eu não sou como você. Eu não vou lhe negar um favor como você me fez”!
Isso acontece porque a pessoa estava guardando aquele rancor e achou o momento exato para revelar isso. Em outras palavras, “jogar na cara” é proibido pela Torá.
O Baal Shem Tov explicou que nossos sábios comparam a pessoa que fica brava a alguém que está fazendo idolatria porque no momento da fúria, a fé em D’us desaparece automaticamente, e quando não se acredita em D’us consequentemente se está acreditando em outra coisa”.
Porque se ele soubesse que tudo o que acontece com ele vem de D’us, ele nunca ficaria bravo.
E mesmo que uma pessoa que por livre-arbítrio optou por fazer-lhe o mal, e amaldiçoa ou bate nele, ou lhe causa prejuízo monetário sendo condenada pelo tribunal humano ou Divino pela maldade da sua escolha, mesmo assim, à quem foi prejudicado já estava decretado pelos Céus que assim seria.
O tribunal Divino apenas usou a pessoa ruim para cumprir o decreto Divino por meio dela, e mesmo nesse momento em que a pessoa bate em alguém ou o amaldiçoa, o pensamento que cai na cabeça dessa pessoa para nos prejudicar ou o sentimento que a impulsionou a fazer isso veio lá de cima.
D’us faz as coisas boas acontecerem por meio de pessoas boas e as coisas ruins por meio de pessoas ruins.
O agente causador do nosso infortúnio foi apenas uma ferramenta usada por D’us para cumprir o decreto Divino que veio para nos purificar de alguma coisa ruim que fizemos na reencarnação atual ou em outra.
Tudo vem lá de cima, e as pessoas que nos fazem o mal são os verdadeiros “bobos” que estão sendo usados para nos prejudicar e depois serem castigados por terem nos prejudicado.
Se tudo isso foi dito sobre qualquer pessoa, imagine marido e mulher ou pais e filhos que são o grupo de risco nesse assunto por terem mais intimidade entre si, quanto temos que tomar cuidado com isso.
Então, não vamos ser bobos de brigar em casa!
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Vort israelense: (dugri)
O rancor é comparado à fezes espirituais. Guardar rancor é prisão de ventre espiritual, você está com rancor de alguém? Baixe a descarga! Porque quanto mais acumula pior fica!
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Nossa Parashá nos conta entre muitos assuntos interessantes que não devemos olhar para a idolatria.
Diz o Ari Zal que quando olhamos para alguém ou para alguma coisa, recebemos a “energia” dessa pessoa ou dessa coisa ruim.
Quando olhamos para uma coisa boa, a energia boa que tem nela se une à nós e gera dentro de nós uma energia positiva.
Mas se olhamos para uma coisa ruim recebemos dela a energia ruim que ela contém. Essa energia ruim se une à nós tirando de nós a energia boa.
E esse é o segredo que está por trás desse mandamento da Torá de não olhar para a idolatria. Porque quando olhamos para uma coisa impura como a idolatria, a impureza dela se adere à nós tirando a nossa santidade e nos atraindo para a impureza.
Conclusão:
Vamos encher a nossa casa de quadros de Tzadikim que hoje na nossa geração Google é fácil de baixar, mandar revelar e colocar uma moldura.
No nosso perfil do Pinterest baixei uma variedade de fotos do Rebbe de Lubavitch
Perguntei para vários rabinos de Israel se é permitido baixar uma foto do Rebe pelo Google. A resposta foi sempre a mesma: O Rebe pertence aos Hassidim!
E fora isso, com certeza ninguém nunca pagou ao Rebe direitos autorais pela foto que tirou dele. Isso se refere somente à fotos e não à desenhos, pinturas, ou fotos decoradas.
Certa vez o Rebe disse sobre o Rabino que eu tinha escolhido para fazer as minhas perguntas difíceis, o Rav Moshe Weber de Yerushaláim (Jerusalém): “É o suficiente olhar para ele para receber “Irát Shamaim” (temor aos céus, ou seja, reverência à D’us).
Rav Moshe Weber
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Nossa Parashá nos conta sobre a Mitzvá de amar ao próximo como a si mesmo.
O Ari Zal explica que está por trás disso se encontra o segredo de que todo o povo de Israel é uma Alma só e cada um de nós é uma ramificação dessa Alma Divina que AShem (D’us) deu ao Adam a Rishon (o primeiro homem) e por isso cada um de nós é responsável pela transgressão do outro.
Por isso, diz o Ari Zal, a reza chamada de “Vidui” na qual falamos uma lista de pecados (que geralmente não fizemos) foi instituída no plural, sendo que temos cumplicidade pelas transgressões de todos os judeus por fazermos parte de uma Alma só.
Por isso, mesmo quando rezamos sozinhos falamos essa reza no plural, sendo que o pecado que um judeu faz é como se todos nós tivéssemos feito, pelo motivo de sermos a mesma Alma ramificada.
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Nossa Parashá também nos ensina que devemos dar uma advertência à qualquer judeu que está fazendo uma coisa ruim.
Na maioria dos casos a pessoa se comporta errado por não saber o que é certo, e por isso, no lugar de dar uma bronca causando uma revolta nessa pessoa, devemos ensinar à ela com muito amor e carinho o que é certo e assim estamos cumprindo essa Mitzvá com eficiência.
Isso também aprendi com o Rav Moshe Weber, que com oitenta anos de idade dedicava várias horas do dia para ensinar os soldados israelenses a colocarem Tefilin, e muitas vezes ele me contou sobre soldados que colocaram o Tefilin pela primeira vez na vida.
Ou seja, temos que advertir cada judeu, mas dessa maneira. Ensinando ele a cumprir as Mitzvót (Mandamentos Divinos) com muito amor e carinho.
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Nossa Parashá nos conta que devemos amar o “guer” (alguém que se converteu ao judaísmo).
O Rebe de Lubavitch nos ensina que a linguagem da Torá que se refere ao “guer” diz “guer shemitgaier” (convertido que se converte) nos ensinando que ele já tinha uma Alma judia, mas que se revelou no dia da sua conversão.
Sendo assim, tudo o que o Ari Zal explicou sobre o mandamento de amar ao próximo como a si mesmo se aplica ao guer também, mas com mais intensidade sendo que a Torá acrescenta no caso do guer mais uma Mitzvá.
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Nossa Parashá nos conta que é proibido se vingar e proibido guardar rancor. Sendo que a Torá já nos proíbe assassinar, ferir e etc, e não podemos pegar a lei com as mãos mas temos que procurar o tribunal rabínico que vai cobrar do agressor o que é devido pela Torá, então o que sobrou para nós nos vingarmos que a Torá precisa acrescentar esses dois mandamentos?
O Midrash Sífra nos traz a explicação para esses dois mandamentos.
O que é considerado vingança pela Torá?
Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice. Mas a outra pessoa não emprestou.
No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice.
A resposta foi:- Não vou te emprestar a minha enxada da mesma maneira que você não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido se vingar”.
O que é considerado guardar rancor pela Torá?
Uma pessoa disse para a outra :- Me empresta a sua foice? A outra pessoa não emprestou.
No outro dia aconteceu o contrário. A pessoa que não emprestou a foice pediu a enxada emprestada para aquele que tinha pedido a foice, e a resposta foi:- pode pegar, não sou como você que não quis me emprestar a sua foice. Sobre isso foi dito : “É proibido guardar rancor”.
Em outras palavras, o rancor é comparado à uma “prisão de ventre” espiritual. Você só tem a perder com isso, nesse mundo você sofre e no próximo você ainda é julgado por causa disso.
Se até uma prisão de ventre material quanto mais tempo passa mais duro fica de tirar e mais perigoso fica, quando mais uma prisão de gente espiritual!
Então vamos fazer todo dia a nossa higiene espiritual e baixar a descarga sobre todas as nossas mágoas antes que elas fiquem duras demais e precisemos de mais esforço para removê-las!
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O lado oculto da Contagem do Omer
Como nos dias da saída do Egito AShem vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.
Isso foi o que nos contou o profeta Mi’há que viveu na Judéia há 2.600 anos atrás.
A Gueulá, nossa redenção final, vai acontecer no mérito do trabalho duro que fizemos para refinar o nosso caráter, para deixarmos de sermos animais, mesmo que animais racionais, e nos tornarmos gente, filhos de AShem revelando as nossas Almas Divinas que são verdadeiramente partes de AShem.
Nossa primeira Gueulá (redenção) que foi a saída do Egito começou quando Moshe estava no Monte Sinai e viu o arbusto incandescente que estava em chamas mas não queimava, ao contrário , ele estava crescendo saudável alimentando pelas chamas.
Moshe Rabeinu tinha estudado a Torá oculta que já tinha sido revelada por AShem (D’us) para o nosso patriarca Avraham que escreveu o Sefer Yetzirá, livro clássico da Kabala.
Moshe Rabeinu entendeu imediatamente que aquele fenômeno de o arbusto estar crescendo saudável alimentado pelo fogo, só pode acontecer no nível mais elevado, acima das próprias Sefirót, que é o nível chamado de “Keter”.
Ele entendeu imediatamente que no lado espiritual daquele espaço material estava acontecendo a revelação do keter, e isso é o que estava causando essa mudança extrema nas coisas materiais daquele lugar.
Ele se aproximou de lá para ver o motivo dessa revelação tão elevada. D’us se revelou para ele e pediu para ele tirar os dois sapatos dizendo que o lugar onde ele se encontrava era um lugar sagrado.
Quarenta anos depois, quando o Anjo Gavriel se revelou para Yehoshua (Josué) em Yeri’hó, ele pediu para Yehoshua tirar um sapato só, alegando esse mesmo motivo.
Diz o Zohar que o motivo que D’us pediu para Moshe tirar os dois sapatos era para demonstrar que todo o comportamento Divino em relação à ele seria totalmente sobrenatural.
Sendo que o profeta antigo tinha que fazer uma ação para sincronizar entre o mundo material e o mundo espiritual para que a profecia acontecesse, D’us pediu para Moshe fazer a ação de tirar os dois sapatos para trazer à esse mundo o nível de comportamento Divino sobrenatural em relação à nós. Ou seja, AShem (D’us) vai lutar por nós e nós vamos ficar quietos, ou seja, não só que não vamos precisar participar da guerra, mas também que nem rezar vamos precisar.
D’us vai fazer à Moshe nessa ocasião o pedido de tirar o povo de Israel do Egito e levá-los à Terra prometida, e isso vai acontecer de maneira surreal e totalmente sobrenatural.
Mas no caso de Yehoshua (Josué), o comportamento Divino em relação à ele seria parcialmente natural e parcialmente sobrenatural.
Por isso o anjo pediu para ele tirar um sapato só, para sincronizar entre o mundo espiritual e o mundo material e fazer com que a partir desse momento o comportamento Divino em relação à ele fosse parcialmente sobrenatural.
Sendo que o comportamento Divino em relação à Yehoshua seria parcialmente natural, ele teve que mandar espiões por motivos de estratégia militar, enquanto que no caso de Moshe não havia necessidade de preparar uma estratégia militar da mesma maneira que no Egito não houve necessidade de estratégia militar para que nosso povo saísse de lá.
A saída do Egito aconteceu de maneira sobrenatural, os egípcios receberam dez pragas sobrenaturais e ao final o mar se abriu milagrosamente para nós e se fechou milagrosamente encima do exército egípcio, não havendo necessidade de nenhuma estratégia militar para que isso acontecesse.
O mesmo aconteceria para os 31 reis de Canaã com seus exércitos caso aquela terra fosse conquistada pelo próprio Moshe Rabeinu. Diz o Ari Zal que o Mashia’h é a reencarnação de Moshe Rabeinu, ou seja, a Gueulá vai acontecer de forma totalmente sobrenatural e surreal, sem absolutamente nenhuma participação militar de nossa parte.
O parto da Gueulá, os sofrimentos que acontecem antes de a Gueulá acontecer, estão ligados à etapa do nosso processo de refinamento. A Gueulá não é parte desse processo de refinamento, ela é a recompensa Divina por termos trabalhado duro para nos refinar.
E essa é a ligação entre a saída do Egito que foi o pior de todos os exílios, e o recebimento da Torá que foi a maior de todas as revelações Divinas.
O profeta Mi’há nos revelou que os milagres da Gueulá vão ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito, AShem vai fazer para nós verdadeiras maravilhas.
Quando chegar esse dia que estamos cada vez mais próximos dele, não vamos precisar mais do exército de Israel e nem da ajuda dos americanos.
AShem vai lutar por nós, e nem rezar por isso vamos precisar, sendo que já fizemos o nosso trabalho de refinamento e a Gueulá é a recompensa pelo trabalho que já tínhamos feito antes.
Nosso trabalho Divino no exílio é comparado à Sefirát HaOmer, e a Gueulá é comparada à entrega da Torá no Monte Sinai.
E sendo que o nosso refinamento agora já chegou ao nível mais profundo, as revelações da Gueulá vão ser extremamente maiores do que as que aconteceram para que pudéssemos sair totalmente do Egito, como por exemplo as dez pragas e a abertura do mar vermelho.
E da mesma forma que para sair do Egito não tivemos a necessidade de lutarmos contra os egípcios, e se tivéssemos tido essa necessidade teríamos perdido essa guerra por estarmos em um número desproporcionalmente menor ao deles e também não termos o equipamento e o treino que eles tinham, quanto mais para sair do nosso exílio atual.
Quando falamos sobre o trabalho do Mashia’h temos que nos lembrar que:
Ele vai ter que desapropriar os patrimônios tombados da Unesco incluindo as mesquitas que se encontram no lugar do nosso Beit a Mikdash que é o Templo sagrado de Jerusalém.
Ele vai ter que demolir todas as igrejas e outras idolatrias que se encontram na nossa Terra Santa.
Ele vai ter que expandir as nossas fronteiras para as fronteiras da Terra Santa que a Torá determinou que vai do Rio Nilo até o Rio Eufrates.
Ele não vai poder deixar alguém que não assuma cumprir os sete mandamentos de Bnei Noa’h morando dentro dessas fronteiras.
Ele vai trazer de volta as nossas dez tribos perdidas e todos os descendentes dos judeus que se misturaram entre os povos do mundo.
De maneira natural não dá para fazer nenhuma dessas coisas, e se ele não fizer isso ele ainda não é considerado Mashia’h de verdade mas ainda é classificado como candidato a Mashia’h.
Daqui entendemos porque os milagres da Gueulá precisam ser extremamente maiores do que os milagres da saída do Egito.
E assim também conseguimos entender a profecia do profeta Yermiahu que diz que no futuro já não vamos mais usar a expressão “Viva AShem (D’us) que nos tirou do Egito.
Mas vamos dizer: “Viva AShem que tirou o povo de Israel da terra do norte e de todas as terras que ele os exilou, e os trouxe de volta para a terra deles que AShem deu para os seus patriarcas (Yermiahu capitulo 16)
Os vínculos entre Pessa’h e Shavuot
Nosso povo tinha que ser libertado do Egito que era o extremo da escravidão, e depois receber a Torá no Monte Sinai para se libertar da escravidão espiritual, a escravidão do “yetzer hará”, a escravidão nas mãos das nossas más inclinações.
A liberdade de Pessa’h por si só não é o suficiente. Não adianta se libertar da escravidão do Egito para cair na escravidão das nossas próprias más qualidades. Ou seja, sair do Egito e levar o Egito junto.
O Korban do Omer era uma oferenda de cevada e era feito em Pessa’h, época da saída do Egito.
Naquela época a cevada era usada como ração animal, nos lembrando que a saída do Egito ainda não nos dá a garantia de deixarmos de nos comportar como animais.
Em Shavuot era feito o Korban dos dois pães de trigo que é o alimento humano básico e essencial, nos ensinando que agora que recebemos a Torá, já temos as ferramentas necessárias para nos comportar como gente, agora só depende de nós próprios, as ferramentas já estão nas nossas mãos.
O significado simbólico dessas duas oferendas, primeiro a cevada e depois o trigo, vem nos mostrar a ligação entre o nível que nos encontrávamos na saída do Egito e o nível ao qual chegamos por meio do recebimento da Torá.
Quando saímos do Egito, éramos escravos em fuga e todos e estávamos em uma situação na qual os fins justificam os meios.
Achávamos qualquer coisa que fizéssemos seria permitido contando que conseguíssemos alcançar o que desejávamos alcançar.
Quando recebemos a Torá no Monte Sinai nos tornamos gente, deixamos de ser os animais em fuga que tínhamos sido antes.
Nos tornamos concientes de que o fim não justifica os meios.
Recebemos as ferramentas necessárias para podermos chegar aos mesmos objetivos que queríamos chegar antes, mas dessa vez sem latir, morder ou dar coices em tudo e em todos que aparentemente estão nos impedindo de chegarmos ao nosso objetivo final.
Os 49 dias da Contagem do Omer são uma viajem pelo grande deserto, são o caminho das buscas.
Os caminhos que vivenciamos quando passamos do primeiro estágio de libertação até adquirir a liberdade verdadeira.
Essa jornada é necessária, pois seria impossível alcançar o Monte Sinai diretamente após sair do Egito. Uma transformação espiritual desse tamanho não acontece da noite para o dia.
Mashia’h Gueulá é Sefirat a Omer
A Mitzvá da contagem do Ômer tem um aspecto muito especial que não ocorre em nenhuma outra Mitzvá.
O versículo que nos traz a Mitzvá da contagem do Omer começa com as palavras: “E contem para vocês”.
Das palavras “para vocês” vemos, que cada um deve contar seus próprios dias da contagem do Omer e ter o seu próprio cálculo dos dias que se passaram.
E quando chega o quinquagésimo dia da sua contagem, essa pessoa comemora a festa de Shavuot.
Shavuot é a festa que celebra o recebimento da Torá no Monte Sinai. Ela é uma festa judaica diferente de todas as outras .
Todas as festas judaicas têm uma data fixa para começar , enquanto que pela Torá a festa de Shavuot é comemorada ao término da contagem do Ômer.
Por esse motivo é possível que uma pessoa comemore a festa de Shavuot no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, mesmo que a grande maioria das pessoas vai comemorar essa festa no dia 6 de Sivan que seria a data certa para comemorá-la.
Se durante a contagem do Omer cruzarmos a “Linha Internacional da Data” (LID) que é o meridiano localizado na longitude de 180°, exatamente do lado oposto ao Meridiano de Greenwich, a pessoa aumenta ou diminui um dia no calendário, mas não altera sua contagem na contagem do Omer.
Alterando a data do quinquagésimo dia no calendário, ela automaticamente altera a data da festa de Shavuot, sendo que o dia de Shavuot não é determinado pelo dia do calendário mas sim pela contagem dos 49 dias do Omer.
Nesse caso, a festa de Shavuot dele pode cair no dia 5 ou no dia 7 de Sivan, dependendo para qual lado ele foi.
Mas mesmo que ele esteja cumprindo o que a Torá determina, ou seja, comemorar Shavuot no quinquagésimo dia da “sua” contagem, mesmo assim ele ainda difere do resto do povo.
Porque na Tefilá de Shavuot dele, ele não vai poder dizer “Zeman Matan Torateinu” (Momento da entrega da nossa Torá), porque isso é algo que não depende somente de um número pequeno de pessoas, mas depende da maioria do povo judeu.
Por esse motivo a festa de Shavuot por um lado é uma festa totalmente individual e específica para cada um de nós, e ao mesmo tempo ela é uma festa fixada por D’us para todo o nosso povo.
Ou seja, cada um de nós é obrigado a fazer a sua própria contagem durante este período e assim refinar as 49 ramificações das suas midot, das suas qualidades, dos seus sentimentos, do seu caráter, e essa é a finalidade espiritual da “Contagem do Omer”, e no mérito desse refinamento recebemos a Torá de presente de AShem .
Exatamente assim vai acontecer agora que já estamos no final do nosso último exílio.
Por meio do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvot refinamos os 49 aspectos do nosso caráter, das nossas qualidades, dos nossos sentimentos, e assim fazemos a nossa parte como nosso povo fez no passado.
E do mesmo jeito que AShem recompensou o trabalho individual deles com a maior revelação Divina que já aconteceu na história da humanidade que foi a entrega da Torá no Monte Sinai, assim também AShem vai nos recompensar por termos feito cada um de nós individualmente o trabalho do nosso refinamento pessoal.
E sendo que o nosso refinamento determina o final de dois mil anos de Trabalho Divino durante a última Galut, a recompensa para isso é a maior de todas, extremamente maior do que a revelação Divina que aconteceu na entrega da Torá.
A recompensa pelo nosso trabalho é a chegada do Mashia’h e a nossa Gueulá, que vai ultrapassar de longe a saída do Egito e a entrega da Torá no Monte Sinai.
E essa é a ligação entre a contagem do Ômer e a vinda do Mashia’h em breve em nossos dias amén

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
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