
Nossa Parashá nos conta sobre como devemos ajudar à nossos semelhantes em várias situações.
E quem melhor para explicar esse assunto do que Don Itzhak Abarbanel que foi um dos maiores comentaristas da Torá e junto com isso foi ministro das finanças de três países em uma das épocas mais conturbadas que o nosso povo já passou.
Don Yitzhak ben Yehuda Abarbanel
(יצחק בן יהודה אברבנאל)
Don Itzhak Abarbanel foi um grande Sábio do nosso povo.
Ele nasceu em 1437 em Lisboa, filho de Yehuda Abarbanel que era o tesoureiro (ministro da finanças) do rei Afonso V de Portugal. A família de Don Itzhak Abarbanel tinha ascendência até o Rei David.
Depois do falecimento de seu pai, o rei Afonso V o nomeou como ministro das finanças de Portugal. Sua alta posição e as grandes riquezas herdadas do seu pai só aumentaram nele o amor pelos pobres e oprimidos.
Em 24 de agosto de 1471, durante o reinado de Afonso V, a cidade de Arzila no Marrocos foi conquistada pelos portugueses que empregaram nesse assalto cerca de 500 navios e 30.000 soldados.
Arzila era uma cidade estratégica nas rotas comerciais antigas e por isso viviam naquela cidade centenas de judeus que foram aprisionados pelos portugueses e colocados à venda como escravos.
Don Itzhak Abarbanel contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também coletas em favor dessa causa nobre entre todos os judeus de Portugal. Centenas de judeus foram resgatados e ele os bancou até que pudessem se manter sozinhos.
Após a morte do rei Dom Afonso V, seu filho, Dom João II, se tornou o novo rei de Portugal. Ele foi um grande tirano, concentrou o poder em volta de si retirando-o da aristocracia por meio de muitas penas de morte por qualquer mínima suspeita possível e imaginável.
Nas conspirações que se seguiram suprimiu o poder da casa de Bragança e apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo, o Duque de Viseu, e assim, depois de assassinar todos os seus opositores, João II governou o país sem nenhuma oposição.
Don Itzhak Abarbanel foi obrigado a fugir de Portugal, tendo sido acusado pelo rei de cumplicidade com o Duque de Bragança que o rei executou por suspeita de conspiração.
Avisado a tempo, ele conseguiu fugir com a sua família para Toledo no reino de Castela. De Toledo, Don Itzhak Abarbanel enviou uma carta ao rei provando a sua inocência. O rei se recusou a ouvir e a grande fortuna de Don Itzhak Abarbanel foi confiscada por decreto real.
Depois disso o rei João II perdeu o herdeiro do seu trono, seu filho único de 16 anos que morreu em uma misteriosa queda de cavalo, e por fim o próprio rei João II morreu com 40 anos de idade provavelmente envenenado.
Em Toledo Don Itzhak Abarbanel se ocupou inicialmente com o estudo da Torá, e no decorrer de seis meses escreveu uma grande quantidade de comentários sobre os livros de Josué, Juízes e Samuel.
Pouco depois ele foi convidado pelos reis de Castela para administrar as receitas do país e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, ele se tornou o ministro das finanças para satisfação total de Isabel de Castela.
Durante as guerras, Don Itzhak Abravanel emprestou quantias enormes de dinheiro ao rei. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus da
Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei à revogar o decreto, inclusive oferecendo ao rei 30.000 ducados que era uma fortuna exorbitante na época. A rainha influenciou o rei à não ceder e em 1492 os judeus da Espanha foram expulsos.
Don Itzhak Abarbanel deixou a Espanha com 600.000 judeus que fugiram para todas as direções para poder continuar professando sua fé.
Ele foi para Nápoles e lá ele foi convidado para trabalhar com o rei. Por um pequeno período ele viveu em paz, mas no fim a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o rei de Nápoles para Messina e mais tarde para Corfu.
Em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde trabalhou na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza. Faleceu em Veneza em 1508 com 71 anos e foi enterrado em Pádua.
Don Itzhak Abarbanel ficou conhecido em nome do seu livro “Abarbanel sobre a Torá” e daí para frente todas as gerações o chamaram de Abarbanel.
A explicação do Abarbanel
Nossa Parashá nos conta sobre a Shemitá, o ano sabático no qual os campos são abertos aos pobres.
A Parashá nos conta também sobre o resgate das terras que foram vendidas pelos seus donos originais que empobreceram e as venderam por necessidade, sobre o ano do Yovel em que as terras voltam automaticamente aos seus donos originais que as tinham vendido por necessidade, e todos esses mandamentos Divinos vem favorecer aos empobrecidos.
Por final a Parashá fala sobre o último estágio da pobreza no qual todos se igualam, tanto o que chegou à ela depois de ter vendido o que tinha e ter ficado sem fonte de renda, quanto aqueles que não tinham nenhuma fonte de renda desde o começo, como por exemplo alguém que se converteu ao judaísmo vindo de outro povo.
Ou até mesmo o “guer toshav” que assumiu no Beit a Din sete mandamentos, e por causa disso, diz o Abarbanel, ele também é chamado de “o seu povo” e a ordem Divina é de que “ele vai viver com você”, ou seja, por meio da sua ajuda ele vai viver e não vai morrer.
E sendo que a linguagem do versículo é de que todas essas categorias de pobres “vão viver com você”, a Torá está nos indicando que os pobres da sua cidade são prioridade, não podemos abandoná-los, não podemos deixá-los.
E eles vão ser esses aos quais devemos emprestar nosso dinheiro à eles sem juros e também fazer para eles Tzedaká do nosso dinheiro. E quando o versículo fala sobre a proibição de pegar juros ele usa as palavras “e você vai ter temor à D’us”.
Porque talvez (D’us nos livre) um dia nós próprios ou nossos filhos ou nossos netos poderemos estar nessa situação, porque a pobreza é um círculo que roda pelo mundo. E então nossos irmãos vão estar ao nosso lado.
E por isso a Torá diz para darmos à ele nosso apoio como presente, como Tzedaká. E nesse caso o versículo usa a frase “Eu sou AShem seu D’us que tirei de do Egito”, onde vocês estavam no aperto e na pressão, na extrema pobreza, para dar à vocês a terra de Canaã, uma terra boa e ampla, uma herança sem limites, e não dei ela para vocês com juros mas para ser o D’us de vocês.
O primeiro estágio da pobreza
A primeira fase da pobreza é a venda da própria fonte de renda, por isso a Torá começa nos dando a lei em relação à pessoa que empobreceu à ponto de ter que vender o campo e o vinhedo da sua herança – pobreza nível 1
O segundo estágio da pobreza
A segunda fase da pobreza é venda da própria casa, por isso a Torá continua nos dando a lei em relação à pessoa que teve que vender a própria casa – pobreza nível 2
O terceiro estágio da pobreza
A terceira fase da pobreza é a pessoa deixar seus objetos de valor como hipoteca para pegar um empréstimo em dinheiro ou em mantimentos por isso a Torá continua nos dando as leis em relação aos empréstimos, leis de juros – pobreza nível 3
O quarto estágio da pobreza
A quarta fase da pobreza é a pessoa se vender a si próprio ou roubar e ser vendido como escravo por causa do seu roubo, por isso a Torá continua nos dando a lei do escravo judeu – pobreza nível 4
A reversão da pobreza
Primeira etapa – Em primeiro lugar a Torá nos proíbe de dar à um escravo judeu um trabalho escravo como se ele fosse um escravo de verdade, mas ele tem que ser para nós como um cidadão, como se você tivesse contratado alguém para trabalhar com você.
Ou seja, a primeira etapa é levantar a moral do pobre.
Segunda etapa – até o ano do Yovel ele vai trabalhar com você, e não mais do que isso, e então ele sai livre e volta para a sua família.
Ou seja, no máximo até o ano do Yovel o empobrecido vai trabalhar com você, mas se os seis anos que ele precisa trabalhar com você terminaram antes do Yovel, ele sai no sétimo ano.
E se o ano do Yovel chegou antes, ele sai antes. E até se ele quiser ficar escravo a vida inteira, ele sai no Yovel e volta para a sua dignidade por voltar para a sua família.
E também os campos que ele vendeu, sua fonte de renda, vai voltar para ele, ele volta para a herança dos seus pais.
Então por que nesse meio tempo D’us deixaria você tratá-lo como escravo, um trabalho duro e humilhante, e quanto mais pelo fato de isso ser uma profanação da honra de D’us sendo que todos os judeus são escravos de D’us que os tirou do Egito, então como você pode tratar ele como se fosse seu escravo, como se tivesse roubado o escravo de D’us?
Por isso você tem que tratar ele como se fosse alguém que trabalha por um salário, ter temor à D’us que é o único que tem o poder de diminuir alguém e também engrandecer, e é possível que também você ou um descendente seu pode futuramente (D’us nos livre) estar nessa mesma situação.
Conclusão
Em primeiro lugar D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar o campo, a fonte de renda que o nosso semelhante teve a necessidade de vender, e devolver à ele.
Se o nosso semelhante já caiu mais do que isso e teve a necessidade de vender sua própria casa também, D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar a sua casa e devolver à ele.
Em terceiro lugar, se o nosso semelhante já está em uma situação de hipotecar os seus pertences para comprar mantimentos D’us nos dá a oportunidade de dar à ele toda a Tzedaká necessária para que ele não precise hipotecar seus pertences.
Em quarto lugar, se ele já se tornou um escravo, D’us nos dá a oportunidade de resgatá-lo e torná-lo novamente um homem livre e voltar a viver junto à sua família com toda a dignidade.
E por final, se não aproveitarmos a oportunidade de participar da interação Divina no mundo e não fizermos nada disso, o próprio D’us vai fazer tudo isso sozinho sem a nossa participação.
Mas sendo que a pobreza é um círculo que gira pelo mundo, mesmo agora estando são e salvos, ou seja, estando na parte de cima desse círculo, ninguém nos garante que não estejamos futuramente na parte de baixo. Ninguém a não ser D’us que não nos deixaria cair se tivéssemos levantado quem já caiu.
A Torá é eterna e todos os assuntos dela se encontram espiritualmente em cada etapa da nossa vida.
Na época da Torá a fonte de renda era a nossa terra que nos foi dividida aparentemente por sorteio, mas nesse sorteio a interação Divina foi de 100%.
Dessa mesma forma hoje em dia quando encontramos a fonte de renda dos nossos sonhos e acreditamos que tivemos sorte em encontrar, na verdade isso nos foi dado totalmente lá de cima.
E o mesmo D’us que nos deu a nossa fonte de renda aparentemente por “sorteio”, mas na verdade por Divina Providência, nos dá a oportunidade de interagir com essa Divina Providência em relação ao nosso próximo
Essa Parashá é tão atual para os nossos dias! Como dizem nossos Sábios, que precisamos nos relacionar à Torá como se ela nos tivesse sido entregue hoje
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Nossa Parashá nos conta que um judeu não pode emprestar nada com juros para outro judeu. A Torá usa duas palavras diferentes para os juros, uma ao lado da outra simultaneamente, o que é aparentemente desnecessário.
Dizem nossos sábios que essas duas palavras querem dizer a mesma coisa, mas a Torá nos traz simultaneamente as duas palavras para nos indicar que um judeu que empresta com juros para outro judeu está transgredindo duas proibições. Ou seja, recebe um castigo em dobro pela mesma coisa.
O pagamento pelo que fizemos de bom neste mundo não está explícito na Torá porque o bem é eterno, e portanto a recompensa por ele, não só que também é eterna, mas mais do que isso, ela também é imensamente maior do que o bem que fizemos.
Por isso não tem como recebermos essa recompensa no nosso mundo material do jeito que ele é hoje. Primeiro recebemos um Gan Éden a Ta’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale a setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, e de lá vamos para o Gan Éden a Elion onde uma hora lá equivale a setenta anos no Gan Éden a Ta’hton.
E quando acontecer o décimo terceiro dos treze princípios da fé judaica e os mortos ressuscitarem, o lado espiritual deste nosso mundo material vai se revelar e ultrapassar de longe a intensidade dos prazeres dos mundos espirituais, e consequentemente todos que estão no Gan Éden vão querer ressuscitar para usufruir da revelação do “Keter” que vai acontecer aqui embaixo.
Ao contrário disso, a regra da Torá em relação ao castigo do tribunal Divino que recebemos por termos feito algo proibido é limitada ao nível máximo de acontecer para nós somente exatamente o que fizemos de mal, e nunca jamais mais do que isso.
Como diz a Torá de maneira figurativa “olho por olho e dente por dente”. Ou seja, não podemos receber um castigo que ultrapasse em um único milímetro o mal que fizemos.
Ou seja, ao contrário da regra Divina em relação à recompensa pelas coisas boas que fazemos, o castigo pelas coisas ruins que fizemos pode ser sempre menor do que o que fizemos, mas nunca maior.
E sendo que essa é a regra geral da Torá, quando uma regra tem exceção, a própria Torá que determinou essa regra tem que trazer um versículo indicando que esse caso é uma exceção.
E por isso a nossa Parashá repete a proibição dos juros por meio de dois sinônimos, para nos indicar a gravidade dessa transgressão, sendo que nesse caso recebemos castigo em dobro.
E sendo que essa proibição só acontece no caso que os dois são judeus, é permitido pegar um empréstimo com juros de alguém que não é judeu mas não de alguém que nasceu judeu ou se converteu ao judaísmo.
Uma das diferenças entre o nosso povo e os outros povos é que quando alguém se converte ao judaísmo ele se torna um judeu de etnia Judaica.
Diferente de um africano que se naturalizou alemão e se tornou um alemão afrodescendente, esse mesmo africano quando se converte ao judaísmo se torna um judeu semita de etnia Judaica e deixa de ser um afro descendente, como está escrito na Guemará: “Guer shemitgaier ketinok shenolad” (um convertido que se converte é como um nenê que nasce).
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Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento Divino da Shemitá (ano Sabático).
Quando Adão e Eva fizeram a primeira transgressão trazendo a morte ao mundo receberam uma maldição.
Para Adam (Adão) foi dito:- “com o suor da sua face você vai comer pão”, ou seja, ele vai ter que trabalhar duro para ter o que comer.
Para Havá (Eva) foi dito:- “com sofrimento você vai dar a luz”. Ou seja, sendo que ela não vai precisar trabalhar porque o marido é o responsável por ela, o sofrimento dela vai ser na hora do parto.
Essas maldições que começaram com o primeiro homem e a primeira mulher se estendem até a Gueulá (a redenção final).
Sendo que todos nós somos ramificações da Alma do primeiro homem e da primeira mulher, todos nós temos que trabalhar duro e todas as mulheres têm dores de parto.
Ou seja, enquanto vemos que a mulher precisa de um anestesista na hora do parto que dizer que o homem ainda tem que trabalhar.
A Guemará nos conta que cada pai tem a obrigação de ensinar para cada um de seus filhos uma profissão fácil e limpa, porque, diz a Guemará, se o pai não ensina seu filho à trabalhar ele está ensinando ele à roubar.
Nossa Parashá nos conta que o mandamento da Shemitá (ano Sabático) foi dado no Monte Sinai. Sendo que a Torá foi dada no Monte Sinai, porque nossa Parashá tem que nos lembrar que esse mandamento foi dado no Monte Sinai?
O Mandamento da Shemitá consiste em não fazemos nenhum trabalho na terra que AShem nos deu (a Terra Santa) durante o sétimo ano.
Diz a Mishná que se mesmo assim decidirmos trabalhar na terra durante o sétimo ano, seremos exilados pelos nossos inimigos.
Ou seja, pode acontecer uma guerra e AShem não nos ajudar.
Sendo que os anestesistas ainda não estão desempregados, as mulheres ainda tem dores de parto, e isso é a prova de que a maldição do primeiro homem ainda não terminou e ainda devemos trabalhar para ter o nosso sustento, como pode a Torá nos ordenar a ficar um ano inteiro sem trabalhar na terra que era a principal fonte de renda da maioria dos judeus?
Um ajuste para trazer equilíbrio.
O trabalho tem um aspecto muito bom e um aspecto muito ruim.
O lado bom do trabalho é que por meio dele, não só que temos uma vida digna de “povo escolhido” que somos, ou seja, uma vida digna de acordo com o nosso nível, mas também ele é o meio de podermos cumprir os mandamentos Divinos começando pela Tzedaká que a Guemará considera um mandamento que equivale à todos os outros juntos.
O lado ruim do trabalho é que ele nos materializa, nos causa apego aos assuntos desse mundo nos tornando totalmente obcecados pelos bens materiais
Poderíamos dizer que:
No primeiro ano de trabalho na terra sentimos que o trabalho é um castigo dos céus e que nunca conseguiríamos trabalhar se D’us não estivesse nos ajudando a cada instante.
No segundo ano sentimos que D’us ajuda a quem se ajuda e a minha parte de ajudar à mim próprio estou fazendo com um ótimo desempenho e espero que D’us não esqueça de fazer a parte dele também.
No terceiro ano nos sentimos tão eficazes que estamos convencidos que nem precisamos mais da ajuda Divina.
No quarto ano já estamos confiando tanto na nossa alta performance à ponto de pedir para D’us só não atrapalhar e o restante deixar para nós fazermos.
No quinto ano já estamos tão obcecados pelo trabalho que nem nos lembramos mais que D’us existe.
No sexto ano já chegamos à conclusão que D’us somos nós próprios e nos comportamos assim em relação à todos os outros, simples mortais, que não chegam aos nossos pés de tão insignificantes que são!
Ou seja, quanto mais trabalhamos maior fica a nossa prepotência.
Aí, no sexto ano quando a terra estaria mais fraca depois de ter sido cultivada diretamente durante seis anos, não só que ela não produz menos, mas ainda mais, ela produz em um ano a quantidade de três anos, nos surpreendendo e nos lembrando não só que D’us existe, mas também que ele trabalha muito mais do que nós.
No sétimo ano não trabalhamos, no oitavo plantamos, e a safra do sexto ano dura até que a safra do nono ano seja colhida, nos surpreendendo ainda mais!
Aí voltamos a nos lembrar que D’us existe e dirige o mundo inteiro com infinita bondade.
E por isso a Mitzvá da Shemitá é lembrada junto com o Monte Sinai.
O Monte Sinai era a menor montanha do mundo. A Torá foi entregue nele para nos lembrar que, ao mesmo tempo que somos o povo escolhido e temos um nível a zelar, junto com isso não podemos ter a prepotência das montanhas altas e frias com seus picos cheios de neve, mas temos que manter a proporção certa, sermos uma montanha sim, mas humildes e quentes.
Quando AShem nos deu a Torá, ele fez o Monte Sinai florescer, um verdadeiro milagre.
Por isso a Shemitá está ligada diretamente ao Monte Sinai. Para nos lembrarmos que nós não somos os maiores, mas é D’us que nos coloca e nos mantém no alto.
Nosso sucesso no trabalho não deve aumentar a nossa prepotência, mas ao contrário, deve aumentar a nossa percepção de que D’us está nos levando pela mão e portanto aumentar a nossa humildade frente à essa grande revelação Divina que está sempre com a gente.
AShem (D’us) é quem nos faz florescer para que possamos atingir o objetivo real do trabalho que é o de mantermos um nível que possamos cumprir a Torá e as Mitzvót de um jeito agradável, e o principal: com muita alegria.
Hoje a maioria de nós não trabalha na terra, mas o ensinamento da Shemitá nos acompanha em cada uma das nossas profissões e recai sobre cada um de nós.
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você
www.RabinoGloiber.org

