As sete Sefirot emocionais e a Sefirat a Omer

As sete Sefirot emocionais e a retificação de alma do ser humano

 

Sefirat a Omer é a época para as pessoas se fortalecerem e refinarem a sua alma. Esse período é também conhecido por ser uma época de luto – não se realizam casamentos ou festas, nem sequer cortamos os cabelos. 

 

Para os sefaradim, este período de luto dura até Lag baOmer (o 33º dia do Omer); para muitas comunidades ashquenazim, dura até Shavuot. 

 

A explicação popular para essa ser uma época sombria no ano judaico é que estamos lembrando a morte de 24.000 alunos de Rabi Akiva, que pereceram nessa época do ano.  

 

Mas se trata de uma explicação superficial, pois, como se sabe, mesmo o período de luto pela destruição do Templo Sagrado e o consequente exílio do Povo Judeu não dura mais do que três semanas – de 17 de Tamuz a 9 de Av. 

 

A razão profunda para a não realização de casamentos ou festas e nem cortar os cabelos durante Sefirat a Omer é que se trata de semanas que exigem total concentração e empenho na elevação espiritual da pessoa. 

 

São semanas nas quais não há tempo nem espaço para frivolidade, diversão ou eventos mundanos, como cortar os cabelos.

 

Além das necessidades do cotidiano, como o trabalho, a família e o cuidado com nosso bem-estar, toda a nossa energia deve ser dedicada ao processo de autoexame e refinamento espiritual.  

 

À parte de Sefirat a Omer, há um outro período durante o ano judaico em que nos dedicamos à autorretificação e purificação – os Dez Dias de Teshuvá, que se iniciam em Rosh Hashaná e culminam e finalizam na conclusão do Yom Kipur. Contudo, há uma diferença significativa entre esses dez dias e o Sefirat a Omer.

 

Sefirat a Omer não é uma época de correção de nosso comportamento, mas de retificação da nossa Alma.

 

Durante esse período, temos que examinar não tanto nossos atos externos, mas nosso “eu profundo”: somos obrigados a melhorar não nossas ações, mas quem somos. Sob muitos aspectos, isso requer esforço ainda maior do que se exige de nós durante os Dez Dias de Teshuvá, os Dez Dias de Penitência.

 

Pois mesmo uma pessoa da mais alta estirpe espiritual – que age da melhor maneira possível, tanto com seus semelhantes quanto com D’us – sempre pode aperfeiçoar-se espiritualmente. 

 

Mesmo quem realiza uma abundância de atos de bondade necessita corrigir defeitos de caráter e falhas espirituais. Para podermos receber a Torá adequadamente, não basta melhorarmos nossos atos e nos arrependermos de nossos erros, como fazemos nos Dez Dias de Teshuvá. Há que ocorrer um processo relativamente longo e sincero de autorreflexão e autorrefinamento. 

 

É notável que os três Patriarcas do Povo Judeu – Avraham, Itzhak e Yaacov, os fundadores de nosso povo – viveram centenas de anos antes de a Torá ser ofertada; e, mesmo assim, nossos Sábios ensinam que eles cumpriam seus mandamentos antes mesmo de a termos recebido.

 

 O Talmud explica que se alguém tem o elevado nível de refinamento espiritual de nossos Patriarcas – que eram verdadeiros gigantes de espírito – essa pessoa tem condições de cumprir a Torá espontaneamente, sem ter que recebê-la dos Céus.

 

A razão para tal é que quanto mais refinada espiritualmente a pessoa fica, mais sintonizada com a Vontade e a Sabedoria de D’us estará – realmente integrada à Torá.

 

Os dias de Sefirat a Omer – período de preparação para receber a Torá  – são dias de crescimento interior – uma época de autoaperfeiçoamento e de luta contra todos os traços de nossa personalidade que impedem nosso desenvolvimento espiritual. Como a pessoa realiza o processo de retificar seu caráter?

 

Ela o faz aperfeiçoando as sete Sefirot emocionais, por meio das quais a alma de cada um de nós se manifesta.

 

Sefirat a Omer dura 49 dias – sete semanas.  Cada uma delas corresponde e é dedicada a uma das sete Sefirot emocionais: hessed, Guevurá, Tiferet, Netza’h, Hod, Yessod e Mal’hut.

 

Cada um dos 49 dias corresponde a uma combinação diferente das Sefirot: por exemplo – o segundo dia da primeira semana de Omer corresponde à Guevurá de hessed, ao passo que o primeiro dia da segunda semana corresponde à hessed de Guevurá. 

 

Definimos hessed como Bondade e Generosidade; Guevurá como Severidade e Julgamento; Tiferet como Beleza e Harmonia; Netza’h como Ambição e Vitória; Hod como Glória e Humildade; Yessod como Carisma; e Mal’hut como Nobreza e Liderança.

 

Toda emoção humana e os pensamentos, palavras e atos que desencadeiem estão relacionados com as sete Sefirot emocionais, em geral a uma combinação delas. 

 

É muito raro o ser humano manifestar uma Sefirá pura; com frequência, manifesta mais de uma combinada, produzindo diferentes resultados. Exemplificando: hessed de Guevurá é bem diferente de Guevurá de hessed. 

 

O primeiro trata de ser bondoso mesmo em uma situação que exige que ajamos com severidade. Por vezes temos que disciplinar uma criança (Guevurá), mas tem que ficar evidente que isso está sendo feito por amor e para o bem da criança (hessed); ao passo que a Guevurá de hessed trata de restringir nossa generosidade. Não podemos dar a nossos filhos tudo o que pedem (Guevurá) para não mimá-los; isso acabará sendo em seu próprio bem (hessed).

 

A primeira semana do Omer consiste em retificar a primeira Sefirá emocional de nossa alma, hessed. O primeiro dia da contagem desse período tão especial é época de refinar a hessed de Chessed; o segundo dia, a Guevurá de hessed; o terceiro dia, a Tiferet de hessed, e assim por diante. 

 

A segunda semana do Omer refere-se à Sefiráda Guevurá e, portanto, o primeiro dia corresponde à hessed de Guevurá; o segundo, à Guevurá de Guevurá; o terceiro dia à Tiferet de Guevurá, e assim por diante. A terceira semana é Tiferet; a quarta, Netzach; a quinta, Hod; a sexta, Yessod e, a sétima, Mal’hut.

 

O primeiro dia de cada semana da contagem do Omer é hessed; o segundo é sempre Guevurá; o terceiro, Tiferet; o quarto, Netzach; o quinto, Hod; o sexto, Yessod e, o sétimo, Mal’hut. 

 

Durante essas sete semanas, devemos nos refinar internamente, dia após dia, estágio após estágio, de modo a receber a Torá em Shavuot. 

 

Quando sinceramente corrigimos nossas Sefirot emocionais e suas combinações – quando há um verdadeiro aperfeiçoamento espiritual e não mera autoilusão – nossas almas se tornam mais refinadas; tornamo-nos seres humanos melhores.

 

Certamente é possível fazer contato com a Torá sem primeiro ter passado por esse processo de refinamento espiritual – qualquer pessoa pode ir à sinagoga em Shavuot e virar a noite estudando, ouvir os Dez Mandamentos e decidir que deseja estar mais conectado a D’us e à Sua Vontade e Sabedoria. 

 

Mas sem o preparo espiritual de Sefirat HaOmer, o impacto da Torá sobre nós não acontece em sua plenitude. Assim como quem refina seu paladar terá mais condições de discernir e apreciar os diferentes sabores, também aquele que refinar sua alma estará melhor preparado para se relacionar com a Torá, que é o alimento da alma.

 

Cada dia de Sefirat a Omer corresponde a uma outra dimensão de nossa alma. Contamos os 49 dias para cumprir um mandamento Divino, mas esse cumprimento deve ser repleto de significado, e não automático. 

 

A contagem dos 49 dias deve levar à preparação condigna para o recebimento da Torá. Sob esta óptica, essas sete semanas são um período solene do ano que servem como ponte que nos permite alcançar a festa de Shavuot. 

 

Nela, a luz passa a brilhar e irrompe a alegria – é o dia em que nós, assim como o fizeram nossos antepassados, postamo-nos perante o Eterno e recebemos a Sua Torá, o elo que liga o finito ao Infinito.

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Entre Pessach e Shavuot contamos durante 49 dias a “Sefirat Haomer” (contagem do omer).

Esse mandamento da Torá tem um lado muito profundo.

Em Pessach fomos libertados do Egito, terra das limitações materiais e espirituais e em Shavuot vamos receber a Torá.

Entre a saída das “limitações” e o recebimento da Torá temos que refinar 49 aspectos diferentes da nossa personalidade, 49 combinações diferentes dos nossos sentimentos.

Porque não esperamos até o recebimento das Torá para reinventar as nossas atitudes?

Porque se acrescentarmos a Torá à um mal caráter, somos capazes de usar essa Torá para justificar esse mal caráter, e no lugar de ela se tornar um remédio para a nossa alma ela se torna um veneno

Por isso temos sempre que revisar o nosso comportamento em todos os seus 49 aspectos e nunca errar achando que o fim justifica os meios

Como disse Raba na Guemará :- O objetivo da sabedoria é a Teshuvá e as boas ações, para que não aconteça de uma pessoa estudar Torá e depois sair por aí dando pontapés no seu pai, na sua mãe, no seu rabino e etc…

Então, vamos aproveitar essa abertura lá de cima e refinar o nosso caráter , muita generosidade , muita alegria e muita tranquilidade em todas as situações!

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você