Bamidbar
Nossa Parashá nos conta que AShem (D’us) pediu para Moshe Rabeinu contar o povo de Israel.
Rashi explica que o motivo dessa contagem é o grande amor que AShem tem por nós.
Durante os quarenta anos que estávamos no deserto nosso povo foi contado três vezes.
A primeira vez foi quando saímos do Egito. Antes de recebermos a Torá no Monte Sinai, Moshê Rabeinu contou nosso povo, como diz o versículo: ” e o povo de Israel viajou de Ramsés à Sucot seiscentos mil homens andando, fora as crianças.
Porque Moshê fez esse senso? Para receberem a Torá. Como foi feita essa contagem não está explícito na Torá. O versículo nos conta sobre ela de maneira indireta nos trazendo apenas o resultado final desse primeiro senso.
Quando o povo de Israel saiu do Egito, eles ainda tinham que cumprir somente 7 Mitzvot de Bnei Noa’h.
Talvez nesse nível ainda não houvesse a necessidade de contá-los de maneira indireta por meio de cada um trazer meio shekel e os shekalim serem contados, como aconteceu nas contagens posteriores.
Três censos foram feitos. O primeiro para que o povo de Israel recebesse a Torá e os outros dois para que a “Presença Divina” pairasse sobre eles.
Quando muitas pessoas morreram por causa do bezerro de ouro foram contados novamente, “aparentemente” para saber quantos sobreviveram.
Quando foi feito o Mishkan (o Templo móvel) para que pairasse sobre nós a She’hiná (a Presença Divina), novamente foram contados. E essa é a contagem da nossa Parashá.
No primeiro dia do primeiro mês da Torá, que é o mês de Nissan, foi montado o Mishkan. E por causa disso, no primeiro dia do segundo mês da Torá, que é o mês de Iyar citado aqui na nossa Parashá, nosso povo foi novamente contado.
E porque não foram contados imediatamente quando a Presença Divina pairou sobre nós por meio do Mishkan, mas AShem esperou um mês inteiro para contar o nosso povo?
Porque pela Torá um mês inteiro determina que algo é fixo, no caso, a She’hiná que é a Presença Divina que pairou sobre nós.
A contagem determina limites, e a fonte de todos os limites é o primeiro Tzimtzum, a grande ocultação Divina.
A partir desse fenômeno espiritual entramos em um esquema de “Luzes” e “receptáculos” até chegar à nós. Nossa Alma está na categoria de “Luz” e nosso corpo de “receptáculo”.
O problema com os limites é que eles descem até a “sitra a’hara” que é o “lado espiritual impuro”.
Os limites se tornam limites desnecessários, excessos de limite. Como por exemplo uma epidemia, que é desde um limite de saúde até um limite de vida, ou seja, a morte.
Por isso, quando o rei David pediu para fazer o censo do nosso povo de maneira direta, a consequência disso foi uma epidemia que dizimou dezenas de milhares do nosso povo.
O Rei David não achou que isso fosse uma coisa tão grave até ver com os próprios olhos a tragédia que aconteceu como consequência da contagem direta, algo que não teve precedentes por não ter sido feito de outra forma desde que recebemos o nosso upgrade com a entrega da Torá e nos tornamos oficialmente o povo escolhido.
Depois que o nosso povo recebeu a Torá e se tornou o povo sagrado no sentido da palavra, AShem pediu para contar o nosso povo indiretamente, e o motivo para isso foi exatamente esse, para que não acontecesse uma epidemia.
Ou seja, pediu para contar o nosso povo por causa do carinho que Ele tem por nós, e por outro lado pediu para Moshe nos contar de maneira indireta, por meio de cada um trazer uma moeda de meio Shekel. As moedas foram contadas e assim ficamos sabendo quantos éramos.
Então porque AShem pediu para nos contar indiretamente por causa do carinho que Ele tem por nós? Melhor não pedir para nos contar e evitar o risco…
Luzes e receptáculos
Como vimos antes, para as “Luzes espirituais” descerem à esse mundo elas precisam de um receptáculo que as contenham, como por exemplo nossa Alma que precisa nosso corpo para viver aqui neste mundo.
O corpo nos limita, mas sem ele não temos como interagir nesse mundo, e uma Alma neste mundo sem um corpo não é uma pessoa viva.
Assim também as grandes Bênçãos Divinas que pairaram sobre nós por meio da entrega da Torá e da construção do Mishkan precisavam de um recipiente, um limite que as comtesse nesse mundo, e esse recipiente foi a contagem.
Por isso, depois do bezerro de ouro fomos novamente contados, para que as grandes Bençãos Divinas que nos deixaram por causa da idolatria voltassem para nós depois que AShem desculpou o nosso povo.
E por isso AShem pediu para nos contar, por causa do carinho que Ele tem por nós. Mas a contagem teve que ser de maneira indireta para criar um receptáculo para que as Bençãos Divinas pudessem pairar sobre nós, mas que não fosse um receptáculo tão direto a ponto de dar a possibilidade de a “sitra ahara”, as forças do lado impuro, transformarem esse receptáculo que é um “limite”, em “limite de vida”.
E por isso nosso povo só foi contado nessas ocasiões e não foi contado quando realmente deveria ter sido contado, como no caso das guerras contra Midiã, Sihon e Og.
Daqui vemos que o único motivo verdadeiro dessas contagens foi para fazer um receptáculo para que as Bençãos Divinas pudessem pairar sobre nós.
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Nossa Parashá nos conta que AShem pediu para Moshe Rabeinu contar o povo de Israel junto com Aharon e com o presidente de cada tribo
Diz o Zohar que a Benção Divina não paira sobre uma coisa contada, e quando a Benção Divina deixa de pairar sobre algo, a “sitra ahara” (o lado impuro) paira sobre isso podendo trazer um prejuízo e até mesmo a morte e por isso não devemos contar as pessoas do jeito normal, um dois três quatro….
Então como pode ser que o próprio D’us pede para contar o nosso povo?
Dizem nossos Sábios que nesse caso foi pedido de cada homem de vinte anos para cima no caso de todas as tribos for a a tribo de Levi, e no caso da tribo de Levi de um mês de idade para cima, darem uma moeda de dez gramas de prata chamada de “beka”.
Somente as moedas foram contadas, e sendo que cada um deu uma moeda, sabemos a contagem do nosso povo sem precisar contá-los.
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A tribo de Levi foi contada a partir de um mês de idade e mesmo assim o número dela foi menor do que a metade de qualquer uma das outras tribos.
Dizem nossos Sábios que a tribo de Levi não foi escravizada pelos egípcios.
As tribos que foram escravizadas receberam uma Benção Divina sobrenatural, e quanto mais os egípcios afligiam eles, mais eles cresciam e se multiplicavam.
A tribo de Levi cresceu de maneira natural, e todas as outras tribos seriam também pequenas como ela se não tivessem sofrido.
Diz o Zohar que na ordem das Sefirot, a Guevurá que é a fonte dos sofrimentos antecede a Tiféret, chamada de “corpo”, que é a fonte da coisas boas. Se não passamos pela Guevurá não temos como chegar à Tiféret.
Por esse motivo está escrito que relativo ao que eles sofreram, assim eles cresceram e se multiplicaram.
Quem sofreu mais, cresceu mais e se multiplicou mais, quem sofreu menos, como a tribo de Levi, cresceu menos esse multiplicou menos.
Por isso devemos sempre agradecer à AShem pelos sofrimentos da mesma maneira que agradecemos pelas coisas boas, sendo que por meio deles chegamos à Tiféret que é a fonte de todas as coisas boas.
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Nossa Parashá nos conta sobre a descendência de Aharon e Moshe, e na continuação ela fala sobre os filhos de Aharon e não cita os filhos de Moshe.
Então porque a Parashá nos diz que esses são os filhos de Aharon e Moshe ?
Para nos ensinar que todo aquele que ensina uma pessoa Torá, é como se tivesse dado a luz à ela.
Então não vamos perder essa oportunidade, sempre que pudermos ensinar alguém Torá vamos fazer isso com muita alegria!
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Na nossa Parashá AShem pede para Moshe Rabeinu fazer a contagem do nosso povo.
Rashi explica que por causa do amor que AShem tem por nós Ele nos conta o tempo todo.
E ainda sobre a contagem do nosso povo, sendo que no começo da nossa história como povo fomos contados, em breve, na época do Mashia’h seremos tão numerosos como a areia do mar que não tem como ser contada.
Como nos conta nossa haftará que trás a profecia de Oshea (Oséias) que fala sobre o enorme número de judeus que vai se revelar quando Mashia’h chegar e também sobre o amor que AShem tem por cada um de nós.
Nessa Aftará vemos isso de maneira bem clara.
A Guemará nos conta que AShem disse ao profeta Oshea que o povo de Israel não está se comportando de maneira correta (para que ele rezasse pelo nosso povo como fez Moshe Rabeinu).
A profecia de Oshea começa depois de ele, no lugar de rezar por nós, ter proposto à AShem trocar nosso povo por outro.
O desencadeamento dessa profecia é que o país das dez tribos conhecido como “reino de Israel” onde o profeta Oshea se encontrava e atuava se perdeu no meio dos povos do mundo mas volta de maneira imensurável na época do Mashia’h.
Geralmente os profetas tinham que ligar sua profecia à uma ação. No caso de Oshea, AShem pediu para ele se casar e ter filhos com uma prostituta.
Ele se casou com Gomer bat Dvalim que era prostituta filha de prostituta e que estava feliz com o que fazia.
Ela tinha filhos com os clientes e assim montou sua família, já havia se acomodado nessa profissão sem sonhar em sair dela e montar uma família normal.
Eles se casaram e tiveram um filho que D’us pediu para chamá-lo de Izreel, e assim o profeta Oshea profetizou que o nosso povo (aquelas dez tribos judaicas) seriam semeados (espalhados) entre os povos do mundo.
Depois eles tiveram uma filha que D’us pediu para chamá-la de “LoRuhama” profetizando que D’us não vai ter piedade do nosso povo, no more chance.
Depois eles tiveram mais um filho que D’us pediu para chamar de “LóAmi” profetizando que o povo de Israel não é mais o povo de
AShem.
Vemos na prática que tudo isso aconteceu com o país das dez tribos.
No final D’us pede para ele se divorciar…
O profeta não concordou e disse para AShem (D’us):-Eu tenho filhos com ela, como posso tirar ela de casa ou me divorciar? No way!
Então AShem disse para o profeta:- Se até você que não tem certeza se sua esposa é só sua e se os filhos são realmente seus, mesmo assim já não é capaz de quebrar a família, como poderia Eu trocar o povo de Israel por outro povo?
Nessa hora o profeta entendeu que fez um erro de avaliação e rezou forte para que AShem invertesse sua profecia.
Sendo que uma profecia negativa não é obrigada a acontecer, a profecia se inverte e AShem diz para o profeta que no lugar de Ló Ami, “não é meu povo”, eles serão chamados de filhos do D’us vivo. (Filhos, ou seja, ainda mais queridos do que povo! Seguindo a regra da Torá de que depois de cada descida obrigatoriamente acontece uma grande subida)
E a profecia continua, dizendo que nós (que somos chamados de judeus porque somos descendentes da tribo de Yehudá e Beniamin) vamos chamar nossos irmãos (das dez tribos) de “nosso povo” e nossas irmãs (das dez tribos) de Ruhama (nosso consolo).
Conclusão, quem está triste em acreditar que o povo de Israel se limita aos poucos milhões da contagem oficial vai ficar maravilhado quando em breve essa profecia acontecer!
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

