Mensagem da Parashá

A Parashá da Minha Vida 🌻 Shela’h

שְׁלַח

Shela’h

 

Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu, atendendo aos pedidos do nosso povo, mandou os presidentes de doze tribos, ou seja, das que receberiam uma parte da nossa Terra Santa, irem à ela pessoalmente para constatar a veracidade da promessa Divina.

 

A tribo de Levi que não receberia uma parte da nossa terra não teve representação.

 

Moshe Rabeinu deu algumas instruções aos nossos “espiões” e pediu para eles verificarem se havia lá uma árvore, um pedido aparentemente muito estranho sendo que qualquer terra habitável tem árvores.

 

Então, com certeza a intenção de Moshe não era a de eles verificarem se essa terra tem árvores, porque Hashem (D’us) nos prometeu aquela terra e com certeza tudo de bom havia nela, e uma terra sem árvores está mais próxima de ser um deserto do que ser uma terra fértil.

 

E mais, se Moshe quisesse saber se existem árvores naquela terra, ele pediria para os espiões verificarem se a terra tem árvores, e não pediria para eles verem se há lá uma árvore, uma única árvore.

A explicação da Guemará

 

A Guemará nos conta que a intenção de Moshe Rabeinu não era a de eles verificarem se existe lá uma árvore, mas sim de eles verificarem se ainda se encontra lá uma pessoa que teve uma vida tão longa como a vida de uma árvore, e essa pessoa era Yov (Jó).

 

Yov nasceu quando Yaakov desceu com toda a sua família para o Egito, e faleceu quando nossos “espiões” entraram na nossa terra prometida.

 

Moshe pediu para verificar se Yov ainda estava vivo, porque o mérito que ele tinha devido ao grande teste que ele passou em meio a grandes sofrimentos, seria uma proteção especial para toda aquela região.

 

Moshe é comparado ao Sol e Yov à árvore que protege do Sol todos aqueles que estão embaixo dela. Enquanto Yov ainda estivesse vivo não conseguiríamos conquistar a nossa terra prometida,

 

Por isso Hashem fez o milagre de Yov terminar seus longos 210 anos de vida quando os meraglim, nossos espiões, chegaram lá.

 

Também para que todos estivessem ocupados com o cortejo do enterro de Yov para o qual muitas pessoas vieram de muitos lugares, e não despertaria suspeita o fato de pessoas desconhecidas como os meraglim, nossos espiões, terem entrado naquela região.

A explicação do Zohar

 

O Zohar nos conta que a intenção de Moshe era mais profunda ainda. Diz o Zohar que Moshe pediu para os espiões verificarem se a árvore da vida que é a sincronização entre o Paraíso de baixo e o Paraíso de cima já se encontra lá.

Moshe Rabeinu tinha certeza de que ele entraria na Terra Santa com toda aquela geração, e ele também tinha certeza de que a Gueulá, nossa redenção final, aconteceria naquele momento.

 

Mas os espiões fizeram a leitura errada do que viram. Eles voltaram e disseram que os povos daquela terra são mais fortes do que D’us. A consequência disso foi que todos os homens do nosso povo choraram e decidiram que vão voltar para o Egito.

 

Mas as mulheres não! As mulheres continuaram na plena fé de que Hashem (D’us) dirige o mundo a cada instante e vai fazer para nós milagres sobrenaturais.

 

Por causa disso, Hashem (D’us) decretou para o nosso povo que todos os homens daquela geração que tivessem de vinte anos para cima, iriam morrer no deserto, sendo que a maioridade penal no judaísmo é vinte anos.

 

Mas as mulheres não, elas iriam entrar com as crianças na nossa terra prometida.

 

O Zohar nos conta que o Paraíso das mulheres no mundo superior é maior do que o Paraíso dos homens.

 

No nosso mundo físico os prazeres se encontram nas coisas materiais, e se os prazeres do mundo superior que desceram até o nosso nível já são chamados de grandes prazeres, imaginem esses prazeres lá em cima, na própria fonte!

 

Não há como descrever esses prazeres de tão grandes que eles são, e em tão grande intensidade.

 

O Zohar nos conta que no Paraíso no mundo de cima existe uma Yeshivá, um lugar onde se estuda Torá, a Yeshivá do Gan Eden.

 

Obviamente o prazer que se sente em estudar Torá na Yeshivá do Gan Eden é infinitamente maior do que qualquer prazer dos maiores prazeres desse nosso mundo material.

 

O Zohar nos conta que Rabi Shimon bar Yohai no Zohar recebeu a visita de um dos membros da Yeshivá do Gan Eden que veio responder às perguntas dele sobre a grandeza das mulheres no Paraíso superior, e também sobre as relações íntimas entre as mulheres e seus maridos que acontecem no Paraíso todas as noites à meia noite, e tudo isso no Gan Eden no mundo superior.

 

Para responder às perguntas de Rabi Shimon bar Yohai, o Shelia’h, o enviado da Yeshivá lá de cima, precisou entrar em seis níveis diferentes de Gan Eden, um superior ao outro. Cada um desses níveis é chamado de hei’hal que quer dizer um grande palácio, isso para termos uma leve idéia do que se trata.

 

Ele contou para Rabi Shimon que em cada um desses níveis os prazeres ficavam mais intensos, mas em um certo nível já havia uma “cortina” impedindo a entrada dos homens. De lá para cima somente as mulheres poderiam subir .

 

O Shelia’h contou para Rabi Shimon que depois dessa “cortina”, em um grande palácio se encontra Batya, a filha do faraó que se converteu ao judaísmo e salvou a vida de Moshe.

 

Junto com ela no Paraíso se encontram dezenas de milhares de mulheres que usufruem lá os mais intensos prazeres. E fora o fato de estarem lá juntas, cada uma delas tem seus próprios lugares de luzes e prazeres sem nenhum aperto entre elas.

 

Três vezes ao dia é anunciado naquele hei’hal que Moshe Rabeinu veio visitar sua mãe espiritual, Batya. Nessa hora ela sai ao encontro dele. Vendo a grandeza de Moshe no mundo superior, ela diz: Que maravilha que eu tive o mérito de cuidar de uma luz tão grande! E esse prazer para ela é o maior de todos.

 

Todos se encontram lá em cima com a aparência que tinham aqui nesse mundo. Mas sendo que velhice e problemas de saúde são defeitos do mundo de baixo mas não do mundo de cima, lá em cima voltamos às configurações “originais de fábrica”. Ou seja, aparência real de quando tínhamos vinte anos de idade com tamanho e peso ideais!

 

E mesmo recebendo lá um “corpo de luz”, ou seja, um corpo espiritual, mantemos nossa fisionomia, porque ela também é “original de fábrica”.

 

Todas essas mulheres que se encontram junto com Batya são mulheres que não precisaram passar pelo gehinom, sendo que elas já tinham passado por sofrimentos aqui neste mundo material e suas Almas já estavam puras, reluzentes e refinadas.

 

Em outro palácio se encontra Sera’h, a filha de Asher, e dezenas de milhares de mulheres juntas com ela.

 

Três vezes por dia é anunciado lá que Yossef veio visitá-la. Ela vai ao seu encontro com muita alegria e diz: que maravilha que fui eu que trouxe para o meu avô (Yaakov) a notícia de que você estava vivo e era o governador de todo o Egito.

 

Depois ela volta para as outras mulheres e juntas cantam melodias lindas, cânticos de agradecimento para Hashem de beleza surreal. A alegria lá é muito grande, e cada uma delas tem seus próprios espaços.

 

Depois elas estudam os segredos profundos que estão por trás dos mandamentos Divinos e o prazer que elas sentem nesses estudos é sublime.

 

Em outro palácio se encontra Yo’heved, a mãe de Moshe, o maior de todos os profetas, e dezenas de milhares de mulheres estão lá juntas com ela. Três vezes por dia ela agradece o criador do mundo junto com todas as mulheres que estão lá com ela.

 

Todo dia elas cantam o cântico do mar vermelho e todos os Tzadikim do Gan Eden se concentram na profunda doçura dos seus cânticos. Muitos anjos sagrados se unem aos seus cânticos e cantam para Hashem juntos com ela.

 

Em outro palácio se encontra Dvora a profetiza. Ela e todas as mulheres que se encontram lá com ela cantam o cântico que ela cantou nesse mundo.

 

O Shelia’h continua contando para Rabi Shimon que quem não ouviu os cânticos que as mulheres cantam para Hashem no Gan Eden e não viu a extrema alegria delas dentro e mais dentro daqueles palácios não sabe o que é alegria.

 

Bem dentro daqueles inacabáveis palácios, se encontram quatro palacios inacessíveis que são os palácios das nossas matriarcas. Mas não foi dada a permissão para o Shelia’h revelar a grandeza desses lugares, e não há alguém que teve o mérito de ver esses lugares de tão lindos que são.

Relações íntimas no Gan Eden

 

Toda noite, à meia noite, cada uma dessas mulheres que estão no Gan Eden se unem aos seus maridos, sendo que eles são dois aspectos de uma mesma Alma.

 

E isso acontece à meia noite, porque o horário mais apropriado espiritualmente para se ter uma relação, tanto no mundo de cima quanto no mundo de baixo, é meia noite.

 

A relação íntima naquele mundo é, na linguagem do Zohar, um “grude” de Alma com Alma e um “grude” de corpo de luz (corpo espiritual) com corpo de luz.

 

Uma relação entre marido e mulher neste mundo é uma relação de corpo com corpo. Diz o Zohar, cada coisa é feita da maneira como deve ser feita, cada mulher se une ao seu marido na dimensão em que os dois se encontram.

 

Se for nesse mundo material, a união é de corpo material com corpo material. No Gan Éden (no Paraíso) a união é de corpo de luz (corpo espiritual) com corpo de luz e de Alma com Alma.

 

O Shelia’h da Yeshivá do Gan Éden agradeceu ao Rabi Shimon bar Yohai por ter feito essas perguntas e dessa maneira dado a ele a oportunidade de visitar todos os palácios do Gan Éden para poder responder.

 

Depois ele continuou explicando sobre as relações íntimas entre as mulheres que se encontram lá no Gan Eden e seus maridos que também estão lá. O Shelia’h contou para Rabi Shimon que as relações íntimas no Gan Eden dão mais frutos do que as relações íntimas aqui nesse mundo.

 

Ele contou que quando as mulheres no Gan Eden se “colam nos seus maridos” que estão junto com elas no Gan Eden, elas engravidam e dão à luz ao mesmo tempo.

 

E quem são os filhos que nascem dessa relação tão sublime que acontece toda meia noite?

 

Quando essas Almas puras das mulheres que estão no Gan Éden tem uma relação com seus maridos, elas engravidam e dão a luz às Almas dos Guerim, que são as Almas das pessoas que vão se converter ao judaísmo.

 

E todas essas Almas que nascem no Gan Éden sobem para um palácio no próprio Gan Éden. Elas são os “frutos” dos Tzadikim, e essas são as Almas dos Guerim.

 

Por isso um Guer, que é alguém que se converte ao judaísmo, é chamado de “Guer Tzedek”. Porque ele é fruto da união entre a Alma de um Tzadik e a Alma de uma Tzadeket que se encontram no Gan Eden, sendo que para chegar ao Gan Eden cada um de nós tem que passar por um refinamento e se tornar um Tzadik ou uma Tzadeket por meio desse refinamento.

 

Às vezes conseguimos fazer esse refinamento de maneira positiva, estudando Torá e cumprindo os mandamentos Divinos com muita alegria. Às vezes esse refinamento acontece por meio dos sofrimentos que passamos.

 

E essa é a explicação do versículo que diz ” o fruto do Tzadik é a árvore da vida.

 

E esse foi o sinal que Moshe Rabeinu nos revelou quando pediu para os espiões verificarem se existe lá uma árvore. Se você vê pessoas se aproximando do judaísmo esse é o sinal de que o mundo de baixo está sincronizado com o mundo de cima, com a árvore da vida, e esse é o sinal de que a Gueulá, nossa redenção final, já está na porta!

Rabino Gloiber

Sempre rezando por você

Shela’h, qual era a Árvore que Moshê pediu para os espiões irem ver?

Shela’h

 

Nossa Parashá nos conta que Moshe Rabeinu, atendendo aos pedidos do nosso povo, mandou os presidentes de doze tribos, ou seja, das que receberiam uma parte da nossa Terra Santa, irem à ela pessoalmente para constatar a veracidade da promessa Divina. A tribo de Levi que não receberia uma parte da nossa terra não teve representação.

 

Moshe Rabeinu deu algumas instruções aos nossos “espiões” e pediu para eles verificarem se havia lá uma árvore, um pedido aparentemente muito estranho sendo que qualquer terra habitável tem árvores.

 

Então, com certeza a intenção de Moshe não era a de eles verificarem se essa terra tem árvores, porque AShem (D’us) nos prometeu aquela terra e com certeza tudo de bom havia nela, e uma terra sem árvores está mais próxima de ser um deserto do que ser uma terra fértil.

 

E mais, se Moshe quisesse saber se existem árvores naquela terra, ele pediria para os espiões verificarem se a terra tem árvores, e não pediria para eles verem se há lá uma árvore, uma única árvore.

 

A explicação da Guemará
A Guemará nos conta que a intenção de Moshe Rabeinu não era a de eles verificarem se existe lá uma árvore, mas sim de eles verificarem se ainda se encontra lá uma pessoa que teve uma vida tão longa como a vida de uma árvore, e essa pessoa era Yov (Jó).

 

Yov nasceu quando Yaakov desceu com toda a sua família para o Egito, e faleceu quando nossos “espiões” entraram na nossa terra prometida.

 

Moshe pediu para verificar se Yov ainda estava vivo, porque o mérito que ele tinha devido ao grande teste que ele passou em meio a grandes sofrimentos, seria uma proteção especial para toda aquela região.

 

Moshe é comparado ao Sol e Yov à árvore que protege do Sol todos aqueles que estão embaixo dela. Enquanto Yov ainda estivesse vivo não conseguiríamos conquistar a nossa terra prometida

Por isso AShem fez o milagre de Yov terminar seus longos 210 anos de vida quando os meraglim, nossos espiões, chegaram lá.

 

Também para que todos estivessem ocupados com o cortejo do enterro de Yov para o qual muitas pessoas vieram de muitos lugares, e não despertaria suspeita o fato de pessoas desconhecidas como os meraglim, nossos espiões, terem entrado naquela região.

 

Rabino Gloiber

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Tzaraat – O castigo para quem suspeita de alguém que não fez o que ele suspeita

 

Tzaraat, o castigo para quem faz um erro de suspeita

 

A Parashá nos conta que Miriam, por ter falado de Moshe ficou “metzoraat” como neve por uma semana

 

A tzaraat não é um tipo de lepra, não é uma doença mas sim uma manifestação espiritual

 

Don Itzhak Abarbanel nos conta que se a tzaraat fosse doença a Torá pediria para encaminhar o portador dela para o médico sendo que a Torá deu permissão, ou seja, deu uma força espiritual para o médico curar.

 

No caso da tzaraat a pessoa não é levada para o médico em nenhuma etapa mas é feito um diagnóstico pelo Cohen (o sacerdote) e no final um ritual religioso.

 

A fonte desse erro de tradução que entrou na nossa cultura foi a tradução da Bíblia para português feita por João Ferreira de Almeida que morava na Indonésia portuguesa.

 

Naquela época não haviam judeus nem em Portugal onde ele nasceu e nem na Indonésia para onde ele se mudou com 14 anos.

 

Vendo que está escrito que Miriam ficou “metzoraat como neve” e sem ter um Rabino para se consultar sobre as escrituras Judaicas, ele fez um enorme erro de tradução traduzindo a tzaraat como lepra que é uma doença na qual a Indonésia está entre os três países mais afetados por ela no mundo inteiro.

 

Don Itzhak Abarbanel também nos conta que se a tzaraat fosse doença ela seria encontrada em seres humanos, e o fato da mesma manifestação aparecer igualmente nas roupas, nas paredes e nas pessoas é mais uma prova de que ela é um assunto espiritual e não um tipo de lepra.

 

Em algumas traduções da Torá esse erro já está corrigido e a maior dificuldade em corrigi-lo é assumir que isso é um erro que erramos sessenta anos em seguida! Mas “antes tarde do que mais tarde”!

 

Aprendemos do que aconteceu com Miriam que se até Miriam a profetiza fez um erro de avaliação em relação à alguém tão próximo à ela como o próprio irmão, quanto mais nós que estamos longe de estar no nível dela e que avaliamos pessoas que estão longe de estarem próximas a nós.

 

Então o certo é sempre nos apoiar no ”benefício da dúvida” e julgar o nosso próximo de maneira positiva.

 

E mesmo quando não temos a mínima dúvida temos que saber que talvez o fato de não termos dúvida é erro nosso causado pela nossa nossa falta de informação, como foi no caso de Miriam.

 

Então, com o benefício da dúvida ou até mesmo quando não há dúvida nenhuma temos que julgar o nosso próximo somente de maneira positiva e assim também seremos julgados lá em cima.

 

 

Rabino Gloiber

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Nassó

 

Nassó

 

 

Quando a Torá nos ensina uma regra , se há nessa regra alguma exceção, ela tem que estar na própria Torá.

 

A Torá nos ensina a proibição de apagar o nome de D’us, e aqui na nossa Parashá ela traz a exceção.

Não só uma permissão para apagar o nome de D’us, mas uma obrigação de apagá-lo em um certo caso que a Torá especifica.

 

E o que seria tão importante para a Torá justificar uma coisa dessas? O “Shalom Bait”! Ou seja, a harmonia familiar.

 

É permitido apagar o nome de D’us para salvar um casal do divórcio!

 

Daqui vemos a grandeza do Shalom Bait na Torá. Poderíamos imaginar que uma permissão para apagar o nome de D’us, fazer uma coisa tão grave, seria possível somente em casos raros e específicos. Mas não!

 

A Torá nivela por baixo. Ou seja, a Torá está permitindo isso para salvar o Shalom Bait de uma mulher que estava sendo assediada por alguém e o marido disse para ela não se trancar com o suspeito.

 

Imagine uma situação assim: Um belo dia (ou uma bela noite) o marido chega de viagem, bate na porta, e quem destranca a porta por dentro. E quem era ele? O próprio suspeito!

 

E a mulher aparece para justificar que esse mês ele não tinha onde dormir……então veio dormir em casa!

 

O marido com razão suspeita que algo tenha acontecido e quer divórcio!

 

Ele leva ela para o Beit Hadin (tribunal rabínico), ela diz que não traiu e o Beit Hadin não tem como verificar.

 

Consequentemente o Beit Hadin não pode tomar uma decisão, sendo que mandamentos da Torá que envolvem em certos casos até uma pena de morte, não são julgados por deduções e é necessário ter duas testemunhas oculares que sejam judeus religiosos e viram pessoalmente o próprio ato.

 

Na linguagem da Guemará, “o pincel dentro do tinteiro”, uma coisa dentro da outra, e isso é quase impossível de acontecer na frente desse tipo de testemunhas

 

Não tendo o que fazer, o Beit Hadin encaminha os dois para o Beit Hamikdash em Yerushaláim. No Beit Hamikdash os Cohanim (sacerdotes daquele turno) avisam que podem escrever a “Meguilat Sotá” copiando a “Parashat Sotá” da nossa Parashá com os nomes de D’us contidos nela, dissolver essa Parashá com os nomes de D’us dentro de um copo de água e dar para a mulher beber.

 

Se nada acontecer para ela, o marido pode ficar tranquilo porque foi só uma simples desobediência ao pedido dele mas nada aconteceu na prática.

 

Mas o Cohen avisa a mulher que caso ela tenha traído, se beber isso ela falece, e dá as últimas chances para ela não beber aquela água. No lugar disso ela pode receber o divórcio sem o valor da Ketubá e não assumir esse risco.

 

Se ela sabe que não traiu, ela pode beber essa água tranquila e o fato de ela não falecer vai ser a prova para o marido de que nada aconteceu, fora o susto.

 

E não só isso, se ela não tinha filhos, agora ela recebe uma indenização Divina pela vergonha que passou e recebe a bênção Divina para ter muitos filhos.

 

Aqui vemos a Infinita Bondade de D’us:

 

Não só que AShem pede para apagar o nome dele para fazer o Shalom Bait, mas ainda indeniza a mulher milagrosamente pela vergonha que ela passou!

 

 

É proibido proibir…

 

 

Por causa disso, depois que o Beit Hamikdash foi destruído é proibido proibir a mulher de se trancar com uma pessoa específica, mas deve-se falar para ela que os nossos Sábios instituíram o “Issur Yhud” que é a proibição genérica de uma mulher não se trancar sozinha com um homem que não seja seu marido, seu pai, seu avô, seu bisavô, seu filho, seu neto ou seu bisneto

 

 

Fique longe da mentira!

 

 

Quando você for convidado para um casamento, mesmo se a noiva for feia e antipática você deve dizer para o noivo que ele teve sorte de encontrar uma noiva tão bonita e simpática!

 

E essa é a Hala’há e de acordo com Beit Hilel!

 

O motivo para isso é porque na Torá, mais especificamente na nossa Parashá que é a Parashá que fala sobre esse assunto, não está escrito que é proibido mentir. Está escrito “fique longe da mentira”, deixando uma dica de que em certos casos é permitido mentir ou ainda mais, é uma Mitzvá mentir.

 

Explica o Baal Shem Tov que a mentira é como um veneno que quando usado na dose correta se torna um remédio que seria impossível fazer com outra coisa a não ser com o veneno.

 

Aharon Hacohen era esse especialista que conseguia usar a mentira na dose certa para fazer as pazes entre marido e mulher e entre as pessoas.

 

Mas a mentira na overdose volta a ser um veneno, e por isso, se não está claro que sabemos usar ela na composição certa, temos que ficar longe dela.

 

Quase como continuação do assunto da mulher que se “desviou” aparece a Parashat Nazir que nos ensina que, quando houver necessidade, podemos fazer um juramento de não beber vinho e não cortar o cabelo por um tempo determinado.

 

Esse tipo de juramento chamado de Nezirut não pode ser feito hoje em dia, depois da destruição do Beit Hamikdash, porque se for feito hoje não temos como desfazê-lo.

 

Dizem nossos sábios que o motivo da proximidade entre essas duas Parashiot é para sabermos quando chegou a hora de fazer esse juramento.

 

Quando vemos a Sotá (a mulher que se desviou) passar pelo que está passando, devemos aprender com isso a nos proteger de coisas que podem causar o nosso próprio desvio, como é o caso da embriaguez e da vaidade obsessiva.

 

Daqui aprendemos como nos relacionar ao que acontece à nossa volta. Não devemos pensar na pessoa que fez a coisa errada e acharmos que somos melhores do que ela por ainda não termos feito a coisa errada também.

 

Mas quando vemos alguém fazendo uma coisa errada devemos pensar que nós também não estamos imunes desse tipo de comportamento e investir no nosso próprio refinamento, pensar em como nos vacinar para não chegarmos a uma situação semelhante.

 

Depois da Parashat Nazir, como se fosse uma continuação dela, a Parashá nos trás as Bênçãos dos Cohanim, mostrando que esses três assuntos estão interligados.

 

Você se comporta bem com a esposa mesmo ela não dando motivo para isso, e no caso da mulher, você se comporta bem com o seu marido mesmo ele não dando motivo para isso, evitam beber para esquecer as mágoas mas esquecem as mágoas por motivo religioso de ser proibido guardar rancor, principalmente entre cônjuges.

 

E no mérito desse amor gratuito e união incondicional, AShem te dá todas as Bênçãos. Te dá muito dinheiro e te protege dos ladrões, te dá todas as Bênçãos e te protege para que você sempre possa ter proveito delas com muita saúde e alegria!

 

Rabino Gloiber

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🌻🌻🌻

A mentira que vira Mitzvá

https://youtu.be/9Sko2KtVTaw?si=9q5-jB1-TDGPglEk

 

Nossa Parashá nos revela a grandeza do Shalom Bait e a importância da harmonia Familiar

 

Mesmo que a linguagem da Torá é : “fique longe da mentira”, mesmo assim quando você for convidado para um casamento, mesmo se a noiva for feia e antipática você deve dizer para o noivo que ele teve sorte de encontrar uma noiva tão bonita e simpática!

 

E essa é a lei judaica na prática e foi instituída de acordo com Beit Hilel!

 

Porque na Torá não está escrito que é proibido mentir?

 

Está escrito “fique longe da mentira”, deixando uma dica que em certos casos é permitido mentir, e não só que é permitido, mas também que a mentira se torna uma grande Mitzvá

 

Explica o Baal Shem Tov que a mentira é como um veneno que quando é usado na dose correta ele se torna um remédio que seria impossível fazer com outra coisa a não ser com o veneno.

 

Aharon a Cohen era esse especialista que conseguia usar a mentira na dose certa para fazer as pazes entre marido e mulher e entre pessoas brigadas.

 

Mas a mentira na overdose volta a ser um veneno, e por isso, se não está claro que sabemos usar ela na composição certa, temos que ficar longe dela.

 

Quase como continuação do assunto da mulher que se “desviou”, a Parashá nos conta sobre o Nazir.

 

A mensagem do Nazir é que quando houver necessidade, podemos fazer um juramento de não beber vinho e não cortar o cabelo por um tempo determinado para abaixar um pouquinho a nossa prepotência, enfraquecer um pouco o nosso ego.

 

Esse tipo de juramento chamado de Nezirut não pode ser feito depois da destruição do Beit a Mikdash porque se for feito hoje não temos como desfazê-lo.

 

Dizem nossos sábios que o motivo da proximidade entre essas duas Parashiot  é para sabermos quando chegou a hora de fazer esse juramento.

 

Quando vemos a Sotá (a mulher que se desviou) passar pelo que está passando, devemos aprender com isso a nos proteger de coisas que podem causar o nosso próprio desvio.

 

Como é o caso da vaidade obsessiva que por si só já é uma grande tragédia, e quando ela é acompanhada pela obsessão pelo vinho ela fica muito maior.

 

Daqui aprendemos como nos relacionar ao que acontece à nossa volta.

 

Não devemos pensar na pessoa que fez a coisa errada e acharmos que somos melhores do que ela por ainda não termos feito a coisa errada também.

 

Mas quando vemos alguém fazendo uma coisa errada devemos pensar que nós também não estamos imunes desse tipo de comportamento e investir no nosso próprio refinamento.

 

Pensar em como nos vacinar para não chegarmos a uma situação semelhante.

 

Depois da Parashat Nazir,  como se fosse uma continuação dela, a Parashá nos trás as Bênçãos dos Cohanim, mostrando que esses três assuntos estão interligados.

 

Você se comporta bem com a esposa mesmo ela não dando motivo para isso (e no caso da mulher, você se comporta bem com o seu marido mesmo ele não dando motivo para isso), evitam beber para esquecer as mágoas mas esquecem as mágoas pelo motivo religioso de ser proibido guardar rancor principalmente entre cônjuges, e no mérito desse amor gratuito e união incondicional AShem te dá todas as Bênçãos, te dá muito dinheiro e te protege dos ladrões.

 

Te dá todas as Bênçãos e te protege para que você sempre possa ter proveito delas com muita saúde e alegria

 

 

Rabino Gloiber

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🌻🌻🌻🌻

A coisa mais importante do mundo

Quando a Torá nos ensina uma regra , se há alguma exceção ela tem que estar na própria Torá.

A Torá nos ensina a proibição de apagar o nome de D’us . Aqui na nossa Parashá ela traz a excessão.

Não só uma permissão para apagar o nome de D’us mas uma obrigação de apagá-lo.

E qual é o caso tão importante para justificar uma coisa assim? É o “Shalom Bait”!

É permitido apagar o nome de D’us para salvar um casal do divórcio.

Daqui vemos a grandeza do Shalom Bait (harmonia familiar) na Torá.

E a Torá está permitindo isso para fazer o Shalom Bait de uma mulher que estava sendo assediada por alguém e o marido disse para ela não se trancar com a pessoa que estava dando encima dela.

Um belo dia (ou uma bela noite) o marido chega de viagem, bate na porta , e quem destranca a porta por dentro?………o cara!

E a mulher aparece para justificar que esse mês ele não tinha onde dormir……então veio dormir em casa!

O marido suspeita que algo tenha acontecido e quer divórcio. Ele leva ela para o Beit a din (tribunal rabínico) e ela diz que não traiu.

O Beit a din não tem como verificar, sendo que a Torá não aceita deduções como prova e é necessário ter duas testemunhas oculares que viram “o pincel dentro do tinteiro” (uma coisa dentro da outra, ou seja, o próprio ato.

Não tendo o que fazer, o Beit a din encaminha os dois para o Beit a Mikdash em Yerushaláim.

No Beit a Mikdash os Coanim (sacerdotes daquele turno) avisam que podem escrever a “Maguilat Sotá” copiando a “Parashat Sotá” da nossa Parashá com os nomes de D’us contidos nela, dissolver essa Parashá com os nomes de D’us dentro de um copo de água e dar para a mulher beber.

Se nada acontecer para ela, o marido pode ficar tranquilo porque nada aconteceu na prática.

O Coen avisa que caso ela tenha traido, se beber isso ela falece, e dá as últimas chances para ela não beber aquela água .

Se ela sabe que não traiu , ela pode beber essa água tranquila e o fato de ela não falecer vai ser a prova para o marido de que nada aconteceu, fora o susto.

E não só isso, se ela não tinha filhos agora ela vai receber uma indenização Divina pela vergonha que passou e ter muitos filhos.

Infinita Bondade Divina:

Não só que AShem pede para apagar o nome dele para fazer o Shalom Bait mas ainda indeniza a mulher milagrosamente pela vergonha que ela passou.

Hoje que não temos o Beit a Mikdash é proibido dizer para a esposa não se trancar com alguém porque se ela se trancar não temos o Beit a Mikdash para salvar o casamento da crise.

Nossos Sábios explicam que o capítulo 125 do Tehilim está garantindo para nós que se um homem não teve uma relação com uma mulher casada com outro AShem protege ele para que isso não aconteça com a esposa dele. D’us não vai colocar uma mulher ruim no destino dessa pessoa.

Rabino Gloiber
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Mensagem da Parashá

Bamidbar 🌻 No deserto

 

Começamos um novo livro, o quarto livro do pergaminho de Moshe que contém cinco livros em um único pergaminho.

 

Nosso livro atual se chama Bamidbar que quer dizer “no deserto ‘

 

 

Na nossa Parashá AShem pede para Moshe Rabeinu fazer a contagem do nosso povo.

Rashi explica que por causa do amor que AShem tem por nós Ele nos conta o tempo todo.

 

E ainda sobre a contagem do nosso povo, sendo que no começo da nossa história como povo fomos contados, em breve, na época do Mashia’h seremos tão numerosos como a areia do mar que não tem como ser contada.

 

Nossa Aftará nos trás a profecia de Oshea (Oséias) que fala sobre o enorme número de judeus que vai se revelar quando Mashia’h chegar e também sobre o amor que AShem tem por cada um de nós.

 

Nessa Aftará vemos isso de maneira bem clara.

 

A Guemará nos conta que AShem disse ao profeta Oshea que o povo de Israel não está se comportando de maneira correta (para que ele rezasse pelo nosso povo como fez Moshe Rabeinu).

 

A profecia de Oshea no lugar de rezar por nós, propõe  à AShem trocar nosso povo por outro.

 

O desencadeamento dessa profecia é que o país das dez tribos conhecido como “reino de Israel” onde o profeta Oshea se encontrava e atuava, se perdeu no meio dos povos do mundo mas volta de maneira imensurável na época do Mashia’h.

 

Geralmente os profetas tinham que ligar sua profecia à uma ação. No caso de Oshea, AShem pediu para ele se casar e ter filhos com uma prostituta.

 

Ele se casa com Gomer bat Dvalim que era prostituta filha de prostituta e que estava feliz com o que fazia.

 

Ela tinha filhos com os clientes e assim montou sua família, já havia se acomodado nessa profissão sem sonhar em sair dela e montar uma família normal.

 

Eles se casam e tem um filho que D’us pede para chamá-lo de Izreel profetizando que o nosso povo (aquelas dez tribos judaicas) vai ser semeado  (espalhado) entre os povos do mundo.

 

Depois eles tiveram uma filha que D’us pede para chamá-la de “LoRuhama” profetizando que D’us não vai ter piedade do nosso povo, “no more chance”!

 

Depois eles tem mais um filho que D’us pede para chamar de “LóAmi” profetizando que o povo de Israel não é mais o povo de AShem.

(Vemos na prática que tudo isso aconteceu com o país das dez tribos).

No final D’us pede para ele se divorciar…

 

O profeta não concorda e diz para AShem:-Eu tenho filhos com ela, como posso tirar ela de casa ou me divorciar? No way!

 

Então AShem diz para o profeta:- Se até você que não tem certeza se sua esposa é só sua e se os filhos são realmente seus, mesmo assim já não é capaz de quebrar a família, como poderia Eu trocar o povo de Israel por outro povo?

 

Nessa hora o profeta entende que fez um erro de avaliação e reza forte para que AShem inverta a profecia.

 

Sendo que uma profecia negativa não é obrigada a acontecer, a profecia se inverte e AShem diz para o profeta que no lugar de Ló Ami, “não é meu povo”, eles serão chamados de filhos do D’us vivo. (Filhos, ou seja, ainda mais queridos do que povo, seguindo a regra da Torá de que depois de cada descida obrigatoriamente acontece uma grande subida).

 

E a profecia continua, dizendo que nós (que somos chamados de judeus porque somos descendentes da tribo de Yehudá e Beniamin) vamos chamar nossos irmãos (das dez tribos) de “nosso povo” e nossas irmãs (das dez tribos) de Ruhama (nosso consolo).

 

Conclusão, quem está triste em acreditar que o povo de Israel se limita aos poucos milhões da contagem oficial vai ficar maravilhado quando em breve essa profecia acontecer!

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Be’ar 🌻 Shemitá e Monte Sinai


Nossa Parashá nos conta sobre como devemos ajudar à nossos semelhantes em várias situações.

 

E quem melhor para explicar esse assunto do que Don Itzhak Abarbanel que foi um dos maiores comentaristas da Torá e junto com isso foi ministro das finanças de três países em uma das épocas mais conturbadas que o nosso povo já passou.

 

Don Yitzhak ben Yehuda Abarbanel

(יצחק בן יהודה אברבנאל)

 

Don Itzhak Abarbanel foi um grande Sábio do nosso povo.

 

Ele nasceu em 1437 em Lisboa, filho de Yehuda Abarbanel que era o tesoureiro (ministro da finanças) do rei Afonso V de Portugal. A família de Don Itzhak Abarbanel tinha ascendência até o Rei David.

 

Depois do falecimento de seu pai, o rei Afonso V  o nomeou como ministro das finanças de Portugal. Sua alta posição e as grandes riquezas herdadas do seu pai só aumentaram nele o amor pelos pobres e oprimidos.

 

Em 24 de agosto de 1471, durante o reinado de Afonso V,  a cidade de Arzila no Marrocos foi conquistada pelos portugueses que empregaram nesse assalto cerca de 500 navios e 30.000 soldados.

 

Arzila era uma cidade estratégica nas rotas comerciais antigas e por isso viviam naquela cidade centenas de judeus que foram aprisionados pelos portugueses e colocados à venda como escravos.

 

Don Itzhak Abarbanel contribuiu largamente com os fundos necessários para os libertar e organizou também coletas em favor dessa causa nobre entre todos os judeus de Portugal. Centenas de judeus foram resgatados e ele os bancou até que pudessem se manter sozinhos.

 

Após a morte do rei Dom Afonso V, seu filho, Dom João II, se tornou o novo rei de Portugal. Ele foi um grande tirano, concentrou o poder em volta de si retirando-o da aristocracia por meio de muitas penas de morte por qualquer mínima suspeita possível e imaginável.

 

Nas conspirações que se seguiram suprimiu o poder da casa de Bragança e apunhalou pelas suas próprias mãos o seu primo, o Duque de Viseu, e assim, depois de assassinar todos os seus opositores, João II governou o país sem nenhuma oposição.

 

Don Itzhak Abarbanel foi obrigado a fugir de Portugal, tendo sido acusado pelo rei de cumplicidade com o Duque de Bragança que o rei executou por suspeita de conspiração.

 

Avisado a tempo, ele conseguiu fugir com a sua família para Toledo no reino de Castela. De Toledo, Don Itzhak Abarbanel enviou uma carta ao rei provando a sua inocência. O rei se recusou a ouvir e a grande fortuna de Don Itzhak Abarbanel foi confiscada por decreto real.

 

Depois disso o rei João II perdeu o herdeiro do seu trono, seu filho único de 16 anos que morreu em uma misteriosa queda de cavalo, e por fim o próprio rei João II morreu com 40 anos de idade provavelmente envenenado.

 
Em Toledo Don Itzhak Abarbanel se ocupou inicialmente com o estudo da Torá, e no decorrer de seis meses escreveu uma grande quantidade de comentários sobre os livros de Josué, Juízes e Samuel.

 

Pouco depois ele foi convidado pelos reis de Castela para administrar as receitas do país e fornecer abastecimentos ao exército real, com contratos que ele executou bem, ele se tornou o ministro das finanças para satisfação total de Isabel de Castela.

 

Durante as guerras, Don Itzhak Abravanel emprestou quantias enormes de dinheiro ao rei. Quando foi decretada a expulsão dos Judeus da
Espanha, ele tentou por todos os meios convencer o rei à revogar o decreto, inclusive oferecendo ao rei 30.000 ducados que era uma fortuna exorbitante na época. A rainha influenciou o rei à não ceder e em 1492 os judeus da Espanha foram expulsos.
 

Don Itzhak Abarbanel deixou a Espanha com 600.000 judeus que fugiram para todas as direções para poder continuar professando sua fé.
 

Ele foi para Nápoles e lá ele foi convidado para trabalhar com o rei. Por um pequeno período ele viveu em paz, mas no fim a cidade foi tomada pelos franceses, ele foi roubado de todas as suas possessões e seguiu o rei de Nápoles para Messina e mais tarde para Corfu.
 

Em 1496 instalou-se em Monopoli, e finalmente em 1503 em Veneza, onde trabalhou na negociação de um tratado comercial entre Portugal e a República de Veneza. Faleceu em Veneza em 1508 com 71 anos e foi enterrado em Pádua.
 

Don Itzhak Abarbanel ficou conhecido em nome do seu livro “Abarbanel sobre a Torá” e daí para frente todas as gerações o chamaram de Abarbanel.

A explicação do Abarbanel 

Nossa Parashá nos conta sobre a Shemitá, o ano sabático no qual os campos são abertos aos pobres.
 
A Parashá nos conta também sobre o resgate das terras que foram vendidas pelos seus donos originais que empobreceram e as venderam por necessidade, sobre o ano do Yovel em que as terras voltam automaticamente aos seus donos originais que as tinham vendido por necessidade, e todos esses mandamentos Divinos vem favorecer aos empobrecidos.


Por final a Parashá fala sobre o último estágio da pobreza no qual todos se igualam, tanto o que chegou à ela depois de ter vendido o que tinha e ter ficado sem fonte de renda, quanto aqueles que não tinham nenhuma fonte de renda desde o começo, como por exemplo alguém que se converteu ao judaísmo vindo de outro povo.
 

Ou até mesmo o “guer toshav” que assumiu no Beit a Din sete mandamentos, e por causa disso, diz o Abarbanel, ele também é chamado de “o seu povo” e a ordem Divina é de que “ele vai viver com você”, ou seja, por meio da sua ajuda ele vai viver e não vai morrer.
 

E sendo que a linguagem do versículo é de que todas essas categorias de pobres “vão viver com você”, a Torá está nos indicando que os pobres da sua cidade são prioridade, não podemos abandoná-los, não podemos deixá-los.

 

E eles vão ser esses aos quais devemos emprestar nosso dinheiro à eles sem juros e também fazer para eles Tzedaká do nosso dinheiro. E quando o versículo fala sobre a proibição de pegar juros ele usa as palavras “e você vai ter temor à D’us”.

 

Porque talvez (D’us nos livre) um dia nós próprios ou nossos filhos ou nossos netos poderemos estar nessa situação, porque a pobreza é um círculo que roda pelo mundo. E então nossos irmãos vão estar ao nosso lado.

 

E por isso a Torá diz para darmos à ele nosso apoio como presente, como Tzedaká. E nesse caso o versículo usa a frase “Eu sou AShem seu D’us que tirei de do Egito”, onde vocês estavam no aperto e na pressão, na extrema pobreza, para dar à vocês a terra de Canaã, uma terra boa e ampla, uma herança sem limites, e não dei ela para vocês com juros mas para ser o D’us de vocês.

 

O primeiro estágio da pobreza

 

A primeira fase da pobreza é a venda da própria fonte de renda, por isso a Torá começa nos dando a lei em relação à pessoa que empobreceu à ponto de ter que vender o campo e o vinhedo da sua herança – pobreza nível 1

 

O segundo estágio da pobreza

 

A segunda fase da pobreza é venda da própria casa, por isso a Torá continua nos dando a lei em relação à pessoa que teve que vender a própria casa – pobreza nível 2

 

O terceiro estágio da pobreza

 

A terceira fase da pobreza é a pessoa deixar seus objetos de valor como hipoteca para pegar um empréstimo em dinheiro ou em mantimentos por isso a Torá continua nos dando as leis em relação aos empréstimos, leis de juros – pobreza nível 3

 

O quarto estágio da pobreza

 

A quarta fase da pobreza é a pessoa se vender a si próprio ou roubar e ser vendido como escravo por causa do seu roubo, por isso a Torá continua nos dando a lei do escravo judeu – pobreza nível 4

 

A reversão da pobreza

 

Primeira etapa – Em primeiro lugar a Torá nos proíbe de dar à um escravo judeu um trabalho escravo como se ele fosse um escravo de verdade, mas ele tem que ser para nós como um cidadão, como se você tivesse contratado alguém para trabalhar com você.

 

Ou seja, a primeira etapa é levantar a moral do pobre.

 

Segunda etapa – até o ano do Yovel ele vai trabalhar com você, e não mais do que isso, e então ele sai livre e volta para a sua família.

 

Ou seja, no máximo até o ano do Yovel o empobrecido vai trabalhar com você, mas se os seis anos que ele precisa trabalhar com você terminaram antes do Yovel, ele sai no sétimo ano.

 

E se o ano do Yovel chegou antes, ele sai antes. E até se ele quiser ficar escravo a vida inteira, ele sai no Yovel e volta para a sua dignidade por voltar para a sua família.

 

E também os campos que ele vendeu, sua fonte de renda, vai voltar para ele, ele volta para a herança dos seus pais.

 

Então por que nesse meio tempo D’us deixaria você tratá-lo como escravo, um trabalho duro e humilhante, e quanto mais pelo fato de isso ser uma profanação da honra de D’us sendo que todos os judeus são escravos de D’us que os tirou do Egito, então como você pode tratar ele como se fosse seu escravo, como se tivesse roubado o escravo de D’us?

 

Por isso você tem que tratar ele como se fosse alguém que trabalha por um salário, ter temor à D’us que é o único que tem o poder de diminuir alguém e também engrandecer, e é possível que também você ou um descendente seu pode futuramente (D’us nos livre) estar nessa mesma situação.

 

Conclusão

 

Em primeiro lugar D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar o campo, a fonte de renda que o nosso semelhante teve a necessidade de vender, e devolver à ele.

 

Se o nosso semelhante já caiu mais do que isso e teve a necessidade de vender sua própria casa também, D’us nos dá a oportunidade de participarmos da interação Divina no mundo nos dando a oportunidade de resgatar a sua casa e devolver à ele.

 

Em terceiro lugar, se o nosso semelhante já está em uma situação de hipotecar os seus pertences para comprar mantimentos D’us nos dá a oportunidade de dar à ele toda a Tzedaká necessária para que ele não precise hipotecar seus pertences.

 

Em quarto lugar, se ele já se tornou um escravo, D’us nos dá a oportunidade de resgatá-lo e torná-lo novamente um homem livre e voltar a viver junto à sua família com toda a dignidade.

 

E por final, se não aproveitarmos a oportunidade de participar da interação Divina no mundo e não fizermos nada disso, o próprio D’us vai fazer tudo isso sozinho sem a nossa participação.

 

Mas sendo que a pobreza é um círculo que gira pelo mundo, mesmo agora estando são e salvos, ou seja, estando na parte de cima desse círculo, ninguém nos garante que não estejamos futuramente na parte de baixo. Ninguém a não ser D’us que não nos deixaria cair se tivéssemos levantado quem já caiu.

 

A Torá é eterna e todos os assuntos dela se encontram espiritualmente em cada etapa da nossa vida.

 

Na época da Torá a fonte de renda era a nossa terra que nos foi dividida aparentemente por sorteio, mas nesse sorteio a interação Divina foi de 100%.

 

Dessa mesma forma hoje em dia quando encontramos a fonte de renda dos nossos sonhos e acreditamos que tivemos sorte em encontrar, na verdade isso nos foi dado totalmente lá de cima.

 

E o mesmo D’us que nos deu a nossa fonte de renda aparentemente por “sorteio”, mas na verdade por Divina Providência, nos dá a oportunidade de interagir com essa Divina Providência em relação ao nosso próximo

 

Essa Parashá é tão atual para os nossos dias! Como dizem nossos Sábios, que precisamos nos relacionar à Torá como se ela nos tivesse sido entregue hoje

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta que um judeu não pode emprestar nada com juros para outro judeu. A Torá usa duas palavras diferentes para os juros, uma ao lado da outra simultaneamente, o que é aparentemente desnecessário.

 

Dizem nossos sábios que essas duas palavras querem dizer a mesma coisa, mas a Torá nos traz simultaneamente as duas palavras para nos indicar que um judeu que empresta com juros para outro judeu está transgredindo duas proibições. Ou seja, recebe um castigo em dobro pela mesma coisa.

 

O pagamento pelo que fizemos de bom neste mundo não está explícito na Torá porque o bem é eterno, e portanto a recompensa por ele, não só que também é eterna, mas mais do que isso, ela também é imensamente maior do que o bem que fizemos.

 

Por isso não tem como recebermos essa recompensa no nosso mundo material do jeito que ele é hoje. Primeiro recebemos um Gan Éden a Ta’hton (Baixo Paraíso) onde uma hora lá equivale a setenta anos dos maiores prazeres aqui nesse mundo, e de lá vamos para o Gan Éden a Elion onde uma hora lá equivale a setenta anos no Gan Éden a Ta’hton.

 

E quando acontecer o décimo terceiro dos treze princípios da fé judaica e os mortos ressuscitarem, o lado espiritual deste nosso mundo material vai se revelar e ultrapassar de longe a intensidade dos prazeres dos mundos espirituais, e consequentemente todos que estão no Gan Éden vão querer ressuscitar para usufruir da revelação do “Keter” que vai acontecer aqui embaixo.

 

Ao contrário disso, a regra da Torá em relação ao castigo do tribunal Divino que recebemos por termos feito algo proibido é limitada ao nível máximo de acontecer para nós somente exatamente o que fizemos de mal, e nunca jamais mais do que isso.

 

Como diz a Torá de maneira figurativa “olho por olho e dente por dente”. Ou seja, não podemos receber um castigo que ultrapasse em um único milímetro o mal que fizemos.

 

Ou seja, ao contrário da regra Divina em relação à recompensa pelas coisas boas que fazemos, o castigo pelas coisas ruins que fizemos pode ser sempre menor do que o que fizemos, mas nunca maior.

 

E sendo que essa é a regra geral da Torá, quando uma regra tem exceção, a própria Torá que determinou essa regra tem que trazer um versículo indicando que esse caso é uma exceção.

 

E por isso a nossa Parashá repete a proibição dos juros por meio de dois sinônimos, para nos indicar a gravidade dessa transgressão, sendo que nesse caso recebemos castigo em dobro.

 

E sendo que essa proibição só acontece no caso que os dois são judeus, é permitido pegar um empréstimo com juros de alguém que não é judeu mas não de alguém que nasceu judeu ou se converteu ao judaísmo.

 

Uma das diferenças entre o nosso povo e os outros povos é que quando alguém se converte ao judaísmo ele se torna um judeu de etnia Judaica.

 

Diferente de um africano que se naturalizou alemão e se tornou um alemão afrodescendente, esse mesmo africano quando se converte ao judaísmo se torna um judeu semita de etnia Judaica e deixa de ser um afro descendente, como está escrito na Guemará: “Guer shemitgaier ketinok shenolad” (um convertido que se converte é como um nenê que nasce).

 

🌻🌻🌻

 

Nossa Parashá nos conta sobre o mandamento Divino da Shemitá (ano Sabático).

 
Quando Adão e Eva fizeram a primeira transgressão trazendo a morte ao mundo receberam uma maldição.

 
Para Adam (Adão) foi dito:- “com o suor da sua face você vai comer pão”, ou seja, ele vai ter que trabalhar duro para ter o que comer.

 
Para Havá (Eva) foi dito:- “com sofrimento você vai dar a luz”. Ou seja, sendo que ela não vai precisar trabalhar porque o marido é o responsável por ela, o sofrimento dela vai ser na hora do parto.

 
Essas maldições que começaram com o primeiro homem e a primeira mulher se estendem até a Gueulá (a redenção final).

 
Sendo que todos nós somos ramificações da Alma do primeiro homem e da primeira mulher, todos nós temos que trabalhar duro e todas as mulheres têm dores de parto.

 
Ou seja, enquanto vemos que a mulher precisa de um anestesista na hora do parto que dizer que o homem ainda tem que trabalhar.

 
A Guemará nos conta que cada pai tem a obrigação de ensinar para cada um de seus filhos uma profissão fácil e limpa, porque, diz a Guemará, se o pai não ensina seu filho à trabalhar ele está ensinando ele à roubar.

 
Nossa Parashá nos conta que o mandamento da Shemitá (ano Sabático) foi dado no Monte Sinai. Sendo que a Torá foi dada no Monte Sinai, porque nossa Parashá tem que nos lembrar que esse mandamento foi dado no Monte Sinai?

 
O Mandamento da Shemitá consiste em não fazemos nenhum trabalho na terra que AShem nos deu (a Terra Santa) durante o sétimo ano.

 
Diz a Mishná que se mesmo assim decidirmos trabalhar na terra durante o sétimo ano, seremos exilados pelos nossos inimigos.

 

Ou seja, pode acontecer uma guerra e AShem não nos ajudar.

 
Sendo que os anestesistas ainda não estão desempregados, as mulheres ainda tem dores de parto, e isso é a prova de que a maldição do primeiro homem ainda não terminou e ainda devemos trabalhar para ter o nosso sustento, como pode a Torá nos ordenar a ficar um ano inteiro sem trabalhar na terra que era a principal fonte de renda da maioria dos judeus?
Um ajuste para trazer equilíbrio.

 

O trabalho tem um aspecto muito bom e um aspecto muito ruim.

 
O lado bom do trabalho é que por meio dele, não só que temos uma vida digna de “povo escolhido” que somos, ou seja, uma vida digna de acordo com o nosso nível, mas também ele é o meio de podermos cumprir os mandamentos Divinos começando pela Tzedaká que a Guemará considera um mandamento que equivale à todos os outros juntos.
 

O lado ruim do trabalho é que ele nos materializa, nos causa apego aos assuntos desse mundo nos tornando totalmente obcecados pelos bens materiais
 

Poderíamos dizer que:

 
No primeiro ano de trabalho na terra sentimos que o trabalho é um castigo dos céus e que nunca conseguiríamos trabalhar se D’us não estivesse nos ajudando a cada instante.

 
No segundo ano sentimos que D’us ajuda a quem se ajuda e a minha parte de ajudar à mim próprio estou fazendo com um ótimo desempenho e espero que D’us não esqueça de fazer a parte dele também.

 
No terceiro ano nos sentimos tão eficazes que estamos convencidos que nem precisamos mais da ajuda Divina.

 
No quarto ano já estamos confiando tanto na nossa alta performance à ponto de pedir para D’us só não atrapalhar e o restante deixar para nós fazermos.

 
No quinto ano já estamos tão obcecados pelo trabalho que nem nos lembramos mais que D’us existe.

 
No sexto ano já chegamos à conclusão que D’us somos nós próprios e nos comportamos assim em relação à todos os outros, simples mortais, que não chegam aos nossos pés de tão insignificantes que são!

 
Ou seja, quanto mais trabalhamos maior fica a nossa prepotência.

 
Aí, no sexto ano quando a terra estaria mais fraca depois de ter sido cultivada diretamente durante seis anos, não só que ela não produz menos, mas ainda mais, ela produz em um ano a quantidade de três anos, nos surpreendendo e nos lembrando não só que D’us existe, mas também que ele trabalha muito mais do que nós.

 
No sétimo ano não trabalhamos, no oitavo plantamos, e a safra do sexto ano dura até que a safra do nono ano seja colhida, nos surpreendendo ainda mais!

 
Aí voltamos a nos lembrar que D’us existe e dirige o mundo inteiro com infinita bondade.

 

E por isso a Mitzvá da Shemitá é lembrada junto com o Monte Sinai.

 
O Monte Sinai era a menor montanha do mundo. A Torá foi entregue nele para nos lembrar que, ao mesmo tempo que somos o povo escolhido e temos um nível a zelar, junto com isso não podemos ter a prepotência das montanhas altas e frias com seus picos cheios de neve, mas temos que manter a proporção certa, sermos uma montanha sim, mas humildes e quentes.

 

Quando AShem nos deu a Torá, ele fez o Monte Sinai florescer, um verdadeiro milagre.

 

Por isso a Shemitá está ligada diretamente ao Monte Sinai. Para nos lembrarmos que nós não somos os maiores, mas é D’us que nos coloca e nos mantém no alto.

 

Nosso sucesso no trabalho não deve aumentar a nossa prepotência, mas ao contrário, deve aumentar a nossa percepção de que D’us está nos levando pela mão e portanto aumentar a nossa humildade frente à essa grande revelação Divina que está sempre com a gente.

 

AShem (D’us) é quem nos faz florescer para que possamos atingir o objetivo real do trabalho que é o de mantermos um nível que possamos cumprir a Torá e as Mitzvót de um jeito agradável, e o principal: com muita alegria.

 

Hoje a maioria de nós não trabalha na terra, mas o ensinamento da Shemitá nos acompanha em cada uma das nossas profissões e recai sobre cada um de nós.

 

Rabino Gloiber

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Mensagem da Parashá

Shemitá

https://www.instagram.com/reel/DX34S3aM19T/?igsh=MTE4emY1dHhyZzExaw==

 

 

Nossa Parashá nos conta que AShem falou com Moshe no monte Sinai e lá nos deu uma Mitzvá chamada “Shemitá”.

 

Todas as Mitzvót (Mandamentos Divinos) foram dadas no monte Sinai, não só a Shemitá. Então, porque nossa Parashá nos conta que essa Mitzvá foi dada no Monte Sinai?

 

Sendo que a Shemitá foi dada no monte Sinai com todos os seus detalhes e não foi revisada e explicada por Moshe Rabeinu no sefer Dvarim (quinto livro da Torá onde foram acrescentados mais detalhes sobre as Mitzvót), ela aparece aqui como tendo sido dada unicamente no monte Sinai.

 

Mas o que é Shemitá?

 

Simples! Você compra uma fazenda linda com vinhedos que produzem uvas carésimas, não deixa suas crianças se aproximarem dos cachos de uva para não estragá-los, por seis anos você vende as uvas por preços não convencionais e não deixa ninguém mexer nelas, mas no sétimo ano você descobre que a terra só era sua por seis anos e agora ela volta a pertencer ao verdadeiro dono, que por sinal é muito bonzinho e deixa você e todo mundo pegarem todas as uvas de graça!

 

E ainda mais, ninguém, (nem você) pode vender essas uvas!

 

Podem pegar só o que vão comer, e totalmente grátis!

 

Por trás da Shemitá

 

Para entender como isso funciona temos que nos lembrar que D’us nos deu a terra de Israel que foi dividida entre doze tribos das treze que existiam no nosso povo (a tribo de Levi e os Coanim que tiveram origem nela não participaram da divisão da terra).

 

Essa terra foi passando por herança até você aparecer e achar que comprou ela, e que por isso ela é sua…..

 

E aí você descobre que não é o verdadeiro dono!

 

E não só isso, mas quando você coloca tudo no papel você vê que, não só que não teve prejuízo, mas que ainda saiu no lucro porque a terra produziu no sexto ano uma quantidade que produziria em três anos! (E o sexto ano deveria ser o ano mais fraco depois de cinco de desgaste)

 

E também descobre não só que existe alguém dirigindo o seu negócio mas também que ele está fazendo isso muito melhor do que você!

 

Mas porque D’us nos coloca nessa situação que parece que estamos perdendo e no fim saímos ganhando ?

 

A resposta é simples! Para nos lembrar que esse mundo é de D’us e é ele somente que dirige o mundo e não nós , e mesmo que a nossa participação fazendo um trabalho para ganhar dinheiro e pagar as contas é uma ordem Divina, mesmo assim não podemos nos “endeusar” e achar que tudo depende de nós!

 

Aí vem a Mitzvá da Shemitá para nos lembrar que esse mundo não é nosso mas tem alguém dirigindo ele e só deixando nós, crianças pequenas , segurarmos na direção e pensarmos que estamos dirigindo o carro do papai !

 

Aprendemos com essa Mitzvá a ultrapassar todas as crises nos lembrando a cada instante que só D’us dirige o mundo, que D’us é a essência do bem e a natureza de quem é bom é fazer o bem e que D’us ama cada um de nós mais do que o amor de um casal que teve um filho único com cem anos de idade tem por esse filho, e cuida de nós com todo o amor e carinho.

 

 

Rabino Gloiber
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Mensagem da Parashá

O vazo chinês

 

https://youtu.be/PxohG1V-Mvs?si=Fpmc0l43dB_8VC1c

“O vazo chinês”

 

Um comerciante judeu muito rico tinha alguns filhos. Cada filho ficando adulto entrava no mundo dos negócios e tinha muito sucesso.

 

Certa vez o comerciante desabafou com o seu Rebe e disse:- Graças a D’us não me falta dinheiro , muito pelo contrário, tenho muito mais do que possa usar em vida, fora o dinheiro que meus filhos fizeram com seus próprios negócios ainda vou deixar para eles uma bela herança, mas uma coisa me magoa.

 

Temos dinheiro mais do que o suficiente e cada filho que cresce quer fazer mais dinheiro , gostaria muito que um filho meu se tornasse um grande rabino, escrevesse livros e vinculasse o nome da nossa família à obras de literatura imortais.

 

Mas meu filho caçula , minha última esperança, também já está dando sinais de que vai ser mais um comerciante e fazer mais dinheiro . Por que eles só pensam em dinheiro? Rebe , me explique, como isso me aconteceu?

 

O Rebe sofreu com o sofrimento do rico comerciante e um momento antes dos dois começarem a chorar o Rebe exclamou :- Me convide para o Shabat, eu quero ver o que está acontecendo na sua casa !

 

No Shabat, depois do Kidush, o filhinho começa a brincar com as velas de Shabat apagando uma vela . A mãe quase que reclamou mas o pai a acalmou imediatamente dizendo :- Ele só é uma criança pequena !

 

O filhinho continuou brincando e arrancou uma folha do livro de rezas, novamente o pai diz :- Ele é uma criança pequena !

 

A criança continuou brincando e quebrou sem querer um vazo chinês. O pai ficou paralisado, ficou branco, a respiração parou, o filhou ficou com medo dessa estranha mudança no pai e parou assustado.

 

O pai, com voz tremula, mistura de choro e medo, encarou a criança cara a cara, e com uma voz tremula cheia de temor disse :- Filho, você sabe o que você fez ? Você sabe o que é um vaso chinês ? Você sabe quanto esse vaso custa ? Você sabe quanto esse vaso viajou até chegar aqui e que cuidados tivemos com ele para que não quebrasse durante toda a viajem? Você sabe que o papai foi para a China comprar esses vasos e a mamãe ficou dois meses sozinha esperando o papai chegar com os vasos? Você sabe que…..!

 

Mas antes de ele dizer mais uma palavra , a “criança pequena” , rompeu em prantos e prometeu que nunca mais vai quebrar um vaso chinês e que sempre vai se comportar com o devido respeito aos vasos chineses e etc etc etc ….E os dois se abraçaram e choraram juntos pela grande tragédia que tinha acontecido.

 

Agora estava claro, a criança já tinha entendido que a única coisa valiosa no mundo , que justifica deixar a mamãe sozinha por dois meses, que merece atenção e cuidado, que faz o papai ficar sério e atordoado, não é a Torá mas sim…..o vaso chinês !

 

Moshe , em suas ultimas semanas de vida poderia passear com a família , comer, beber, jogar conversa fora.

 

Mas, quando a família e o povo viram que Moshe ,a pessoa mais importante do mundo , nas ultimas semanas da sua vida está tão ocupado com o que?

 

Traduzindo a Torá para setenta línguas para facilitar o estudo da Torá aos judeus , para dar mérito a judeus que só sabem falar outras línguas , para tornar o acesso à Torá mais fácil , empenhado e dedicado para que pessoas que nem sabem falar a “Língua Santa” possam saber o motivo que D’us criou o mundo e o motivo pelo qual nós estamos aqui.

 

Moshe Rabeinu não só nos deu a Torá mas também mostrou para nós que ela é a coisa mais importante que existe no mundo .

 

Rabino Gloiber

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