Tzaraat – O castigo para quem suspeita de alguém que não fez o que ele suspeita

 

Tzaraat, o castigo para quem faz um erro de suspeita

 

A Parashá nos conta que Miriam, por ter falado de Moshe ficou “metzoraat” como neve por uma semana

 

A tzaraat não é um tipo de lepra, não é uma doença mas sim uma manifestação espiritual

 

Don Itzhak Abarbanel nos conta que se a tzaraat fosse doença a Torá pediria para encaminhar o portador dela para o médico sendo que a Torá deu permissão, ou seja, deu uma força espiritual para o médico curar.

 

No caso da tzaraat a pessoa não é levada para o médico em nenhuma etapa mas é feito um diagnóstico pelo Cohen (o sacerdote) e no final um ritual religioso.

 

A fonte desse erro de tradução que entrou na nossa cultura foi a tradução da Bíblia para português feita por João Ferreira de Almeida que morava na Indonésia portuguesa.

 

Naquela época não haviam judeus nem em Portugal onde ele nasceu e nem na Indonésia para onde ele se mudou com 14 anos.

 

Vendo que está escrito que Miriam ficou “metzoraat como neve” e sem ter um Rabino para se consultar sobre as escrituras Judaicas, ele fez um enorme erro de tradução traduzindo a tzaraat como lepra que é uma doença na qual a Indonésia está entre os três países mais afetados por ela no mundo inteiro.

 

Don Itzhak Abarbanel também nos conta que se a tzaraat fosse doença ela seria encontrada em seres humanos, e o fato da mesma manifestação aparecer igualmente nas roupas, nas paredes e nas pessoas é mais uma prova de que ela é um assunto espiritual e não um tipo de lepra.

 

Em algumas traduções da Torá esse erro já está corrigido e a maior dificuldade em corrigi-lo é assumir que isso é um erro que erramos sessenta anos em seguida! Mas “antes tarde do que mais tarde”!

 

Aprendemos do que aconteceu com Miriam que se até Miriam a profetiza fez um erro de avaliação em relação à alguém tão próximo à ela como o próprio irmão, quanto mais nós que estamos longe de estar no nível dela e que avaliamos pessoas que estão longe de estarem próximas a nós.

 

Então o certo é sempre nos apoiar no ”benefício da dúvida” e julgar o nosso próximo de maneira positiva.

 

E mesmo quando não temos a mínima dúvida temos que saber que talvez o fato de não termos dúvida é erro nosso causado pela nossa nossa falta de informação, como foi no caso de Miriam.

 

Então, com o benefício da dúvida ou até mesmo quando não há dúvida nenhuma temos que julgar o nosso próximo somente de maneira positiva e assim também seremos julgados lá em cima.

 

 

Rabino Gloiber

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