Pêgo no flagra catando galhos no Shabat 😱

 

*Shavua tov*, uma semana incrível para todos nós, cheia de boas notícias e muita alegria !!

 

Nossa Parashá nós conta a história de um homem que foi pego catando galhos e recolhendo lenha no Shabat !!

 

O que tem em comum o catador de galhos de mais de três mil anos atrás com a Nossa Geração?

 

Quando lemos a Torá, parece estranho que um homem tenha sido punido por recolher alguns galhos.

Alguns galhos.

Nada mais.

 

*Mas o Zohar nos convida a olhar além da madeira que estava em suas mãos.*

 

A pergunta não é quantos galhos ele carregava.

A pergunta é:

Por que ele estava catando galhos justamente no Shabat?

 

O Shabat é o dia em que Ashem cessou Sua obra criadora.

Não porque estivesse cansado.

AShem não se cansa.

Ele parou para revelar ao mundo uma verdade eterna:
a criação não pertence ao homem.

Durante seis dias nós construímos.

Plantamos.

Vendemos.

Compramos.

Planejamos.

Consertamos.

Produzimos.

 

Mas chega o Shabat e Hashem nos diz:

 

“Agora pare.”

“Olhe para Minha criação.”

“Observe o que Eu já fiz.”

“Confie que o mundo continuará existindo sem você por vinte e cinco horas.”

 

E é justamente aí que muitos de nós nos tornamos catadores de galhos.

 

Não galhos de árvores. Galhos da mente !

Quais são os galhos que carregamos?

Há quem carregue o galho da preocupação.

“Como vou pagar aquela conta?”

“E se eu perder o emprego?”

“E se não der certo?”

“E se acontecer alguma coisa?”

 

O corpo está sentado à mesa do Shabat.

Mas a mente continua trabalhando.

Continua recolhendo lenha.

 

Continua alimentando o fogo da ansiedade.

Há quem carregue o galho do controle.

Quer resolver tudo.

Organizar tudo.

Consertar tudo.

Controlar tudo.

Controlar os filhos.

Controlar o marido.

Controlar a esposa.

Controlar os alunos.

Controlar a comunidade.

Controlar o futuro.

 

Controlar até aquilo que pertence somente a Ashem.

 

Há quem carregue o galho do celular.

O mundo moderno transformou milhões de pessoas em catadores profissionais de galhos.

 

Notificações.

Mensagens.

Vídeos.

Comentários.

Curtidas.

Notícias.

Escândalos.

Discussões.

Mais notícias.

Mais vídeos.

Mais preocupações.

 

A Alma não descansa.

O coração não descansa.

A mente não descansa.

A pessoa passa o dia inteiro recolhendo gravetos para alimentar um fogo que nunca fica satisfeito.

 

Há também o galho do passado.

Pessoas que vivem revivendo erros antigos.

Culpa.

Vergonha.

Mágoas.

Feridas.

Discussões de anos atrás.

Elas não estão vivendo o presente.

Estão recolhendo lenha em um bosque que já queimou há muito tempo.

 

E existe o galho do ego.

O mais pesado de todos.

“O que pensam de mim?”

“Reconheceram meu trabalho?”

“Recebi elogios?”

“Fui valorizado?”

“Ganhei destaque?”

A pessoa se torna escrava da própria imagem.

E o Shabat vem quebrar essa prisão.

 

*O Grande Convite do Shabat*

 

O Shabat não é apenas um dia sem trabalho.

É um dia sem escravidão.

Durante a semana somos servos das nossas necessidades.

 

No Shabat nos lembramos que somos servos apenas de Ashem.

 

Durante a semana corremos atrás do sustento.
No Shabat lembramos Quem envia o sustento.
Durante a semana tentamos construir o mundo.

 

No Shabat contemplamos o mundo já construído.

 

Durante a semana tentamos controlar tudo.

 

No Shabat aprendemos a confiar.

 

*A Pergunta da Parashá*

 

Por isso a história do catador de galhos continua viva.
Porque a Torá não está perguntando sobre aquele homem.

Ela está perguntando sobre nós.

Quando chega o Shabat…

Nós realmente descansamos?

 

Ou apenas trocamos os galhos das mãos pelos galhos da cabeça?

 

Será que estamos entrando no palácio do Rei?
Ou continuamos andando pela floresta recolhendo preocupações?

 

Será que estamos contemplando a criação?

 

Ou ainda estamos tentando administrá-la melhor do que o próprio Criador?

 

Talvez o maior milagre do Shabat não seja parar de trabalhar.

Talvez o maior milagre seja parar de acreditar que tudo depende de nós.

 

Quando o Shabat entra, Ashem parece nos dizer:

 

“Filho, largue os galhos.”

“Por um dia, solte os pesos.”

“Solte os medos.”

“Solte as preocupações.”

“Solte a necessidade de controlar.”

“Solte a ansiedade.”

 

“Eu continuei sustentando o universo antes de você nascer.”

 

“Continuo sustentando enquanto você vive.”

 

“E continuarei sustentando depois.”

 

A pergunta da Parashá não é:

“Quem era o catador de galhos?”

 

A pergunta é:

 

“Quais galhos eu ainda me recuso a largar quando o Shabat chega?”

 

Esse é o ponto onde a mensagem deixa de ser uma história do deserto e se transforma em um espelho para cada um de nós , que amamos a Torá de Ashem e nos sentimos atraídos por ela.

 

E se vocês se sentem atraídos é porquê sua alma tem raiz lá no deserto.

 

Será que esse catador de galhos no Shabat não somos nós?

 

Um beijo no coração de todos vc e tudo de bom!