O erro de avaliação dos espiões
A Parashá nos conta que os doze espiões voltaram depois de quarenta dias.
Dez deles opinaram que os povos da terra são muito fortes, o rio Jordão é muito fundo…etc etc etc
Eles se impressionaram com as muralhas das cidades e contaram que elas eram muito grandes esquecendo totalmente de que isso é um sinal de fraqueza
No final deram sua própria avaliação que era a de não termos a capacidade de conquistar a terra, se esquecendo de mais uma coisa:De que eles foram mandados para nos dar um relato sobre a terra e não uma opinião própria de sermos ou não sermos capazes de conquistá-la!
Kaleb – um espião com uma visão diferente
Aprendemos com Kaleb que quando observamos um lugar não temos que procurar nele problemas mas sim soluções!
Os espiões eram pessoas importantes e influentes e a eficiência deles era reconhecida por todos.
Kaleb também aparentava pertencer a essa estrutura e a essa “mentalidade”
Ele começou a falar como se fosse “mais um” que aparentemente iria acrescentar mais alguma dificuldade, mas ao contrário dos outros, revela que podemos conquistar a terra e ainda com facilidade.
Kaleb lembra ao povo que Moshe abriu o mar vermelho e que fez milhões de aves aterrizarem no acampamento e virarem “frango assado”
Kaleb era visto pelo povo como alguém tão qualificado como os outros, e por isso era esperado dele relatar de maneira profissional e objetiva o que viu na terra prometida, mas aparentemente seus relatos não tinham nada a ver com sua missão.
Os outros espiões contaram sobre o que espionaram e Kaleb contou sobre os feitos anteriores de Moshe.
Qual era a lógica de Kaleb?
Para entender os argumentos de Kaleb vamos imaginar esse mesmo caso em uma situação atual.
Imagine um almirante de um porta aviões próximo a uma ilha desconhecida no oceano Pacífico mandar um barquinho com os mais altos oficiais do porta aviões para inspecionar a ilha
Na volta eles dizem que não temos capacidade de entrar nessa ilha porque ela tem cinco mil índios enormes, cada um com cinco arcos e cinqüenta flechas.
Nessa hora um dos soldados que foi explorar a ilha diz:- Pessoal, antes de começarmos essa viagem o almirante carregou esse navio com mísseis, aviões, helicópteros e canhões, vai ser muito fácil entrar nessa ilha!
Será que algum dos espiões diria para ele:- você foi mandado para ver o que tem na ilha e não para falar sobre o equipamento que foi colocado no navio, você não está sendo nada profissional?
Isso foi o que fez Kaleb
Lembrou à todos que Moshe abriu o mar vermelho para o nosso povo passar, e o que é um rio Jordão para quem já abriu um mar?
Que Moshe fez aterrizar no acampamento milhares de aves que a natureza delas era voar para cima e não descer para baixo, e o que é para ele uma muralha de pedras que já tem a natureza de afundar no chão
E assim foi. Quarenta anos depois quando o povo de Israel entrou na terra prometida, o rio Jordão se abriu e as muralhas de Jerichó afundaram na terra.
Aqui vemos o profissionalismo de Kaleb. Claro que ele acreditava no total poder de AShem que poderia fazer o rio Jordão desaparecer e as muralhas de Jeri’hó saírem voando por aí, mas o raciocínio lógico dele foi profissional e realista:
Ele listou os milagres que já tinham acontecido e concluiu:
Se Moshe já tinha feito milagres tão grandes, o que seria para ele fazer milagres menores?
Conclusão: Cada um de nós já passou durante a sua vida por verdadeiros milagres.
Aprendemos com Kaleb que sempre temos que ter em mãos a lista de todos os milagres que nos aconteceram e usá-la como base para o nosso dia a dia
Não olhar para as dificuldades que temos à frente mas sim para os milagres que temos atrás, nos lembrando a cada instante que AShem está cuidando hoje de cada um de nós com o mesmo amor e carinho que sempre cuidou de nós no passado.
E como Kaleb que no mérito desse raciocínio correto, mais futuramente entrou na terra prometida, cada um de nós exercitando dia a dia esse tipo de raciocínio vai receber de AShem tudo o que precisar
Como uma mãe não esquece o seu nenê no supermercado AShem também não se esquece de nós, e o amor que AShem tem por cada um de nós é infinitamente maior do que uma mãe tem pelo seu próprio nenê.
Mas de nós é exigido fazer a nossa parte, como Kaleb que no mérito disso recebeu a cidade de Hebron.
Isso se chama “Bitahon”, mais do que uma simples confiança, uma segurança. Não temos como pensar errado e receber o certo, temos que pensar certo, ter plena segurança em AShem, e aí os milagres acontecem!
O Rebe de Lubavitch sempre deixou claro que nós somos a geração da redenção final e estamos prestes a entrar em uma era onde tudo vai ser bom
Todos os sinais que os nossos sábios deram sobre essa última geração aconteceram e não há dúvida nenhuma que Mashia’h está bem próximo.
Então, mais um pouquinho de Bitahon e no lugar de remediar todo dia um mundo crônico entramos imediatamente em um mundo melhor, em uma nova era!
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

