A Parashá da Minha Vida 🌻Kora’h

Kora’h

Nossa Parashá nos conta sobre a primeira “revolução” na histĂłria do nosso povo que foi feita por Kora’h da tribo de Levi, Datan, Aviram e On ben Pelet da tribo de Reuven vizinhos de Kora’h, e mais duzentos e cinquenta rabinos de todas as tribos.

Kora’h era visto pelo nosso povo como um grande estudioso da Torá, e por ser muito rico era, consequentemente, muito influente.

Datan e Aviram eram famosos por sua maldade. Agora eles aparecem para  desmoralizar Moshe e Aharon com o apoio de duzentos e cinquenta rabinos que representavam todas as tribos de Israel, todos alegando que estĂŁo lutando por uma “causa nobre”, mas visivelmente com “segundas intenções”.

A tenda de Moshe era muito grande, e foi feita assim para receber todos aqueles que queriam estudar a Torá diretamente de quem a recebeu.

Esse grupo de revoltos aparece na tenda de Moshe acusando-o de ter feito as nomeações do nosso povo de acordo com sua própria preferência e não por determinação Divina, colocando em cheque a veracidade da profecia de Moshe Rabeinu e de tudo o que ele ensinava diariamente à todos aqueles que procuravam a palavra de D’us.

Cada um deles representava uma visĂŁo diferente, mas todos estavam unidos contra um “inimigo em comum”, que no caso, D’us nos livre, eram Moshe e Aharon.
Por trás da revolução
Desde que o mundo é mundo, desde Adão e Eva, o primogênito tinha privilégios que os outros filhos não tinham.

Sendo que cada primogênito iria ser o sucessor de seu pai, o primogênito do faraó seria o próximo faraó, o primogênito do médico seria o próximo médico, e assim por diante, os pais investiam na educação dos primogênitos o que não investiam na educação dos outros filhos. Em outras palavras, os primogênitos eram a estrutura da sociedade antiga.

Quando AShem  (D’us) trouxe a praga dos primogĂŞnitos para abalar a estrutura do Egito para que eles deixassem o nosso povo sair de lá, AShem  “pulou” os nossos primogĂŞnitos mesmo eles nĂŁo tendo nenhum mĂ©rito para isso naquele momento, mas no mĂ©rito de que mais futuramente eles seriam os sacerdotes do nosso povo, estariam ocupados totalmente com o trabalho Divino.

Quando o povo de Israel fez o bezerro de ouro, acontecimento que não incluiu a tribo de Levi, AShem  trocou os primogênitos do nosso povo pelos membros da tribo de Levi. Kora’h era da tribo de Levi, filho de Itzhar, neto de Kehat.
Kehat teve quatro filhos:
Amram, pai de Moshe e Aharon, era o primogênito de Kehat. Depois dele vinha Itzhar, pai de Kora’h, depois Hevron, e por final Uziel, pai de Elitzafan.

Enquanto tudo acontecia de acordo com uma hierarquia, os filhos de Amram, primogênito de Kehat, Moshe e Aharon, se tornaram respectivamente o líder do nosso povo e o Sumo Sacerdote, Kora’h não reclamou, mas esperou na fila pela próxima nomeação.

Mas quando Moshe nomeou Elitzafan, filho de Uziel que era o filho mais novo de Kehat, para liderar a família de Kehat, Kora’h viu que não havia uma hierarquia, sendo que Elitzafan era o filho do irmão mais novo do seu pai, e aqui começa o problema.

Kora’h não acreditou que AShem  pediria para Moshe nomear Elitzafan ben Uziel fora dessa ordem hierárquica, e concluiu que Moshe Rabeinu fez as nomeações de acordo com sua própria preferência.

Kora’h se sentiu vítima de discriminação, e foi lutar pela igualdade. Alegou que o sumo sacerdócio que foi dado à Aharon poderia ter sido dado à ele sendo que ele é tão primogênito quanto Aharon.

Datan, Aviram e On ben Pelet, todos da tribo de Reuven, também se sentiram vítimas dessa mesma discriminação, sendo que Reuven era o primogênito de Yaakov, e portanto o justo seria dar o sacerdócio de volta para a tribo de Reuven.

Os 250 rabinos que participaram dessa “mahloket” (discĂłrdia) tambĂ©m se sentiram vĂ­timas dessa discriminação. Eles eram primogĂŞnitos das outras tribos e alegavam que sendo que Moshe na opiniĂŁo deles estava fazendo as nomeações de acordo com seu prĂłprio gosto, o justo seria que ele desse o sacerdĂłcio de volta para os primogĂŞnitos de todo o povo e nĂŁo para quem ele quisesse.
A explicação do Zohar
Mesmo que essa história pode ser entendida de maneira simples, nossos Sábios no livro do Zohar nos revelam nela um assunto maravilhoso.

D’us criou o mundo em sete dias e cada um dos dias da criação está ligado Ă  uma Sefirá lá de cima.

A Sefirá do primeiro dia Ă© a Hessed que Ă© a bondade, a uniĂŁo, a expansĂŁo. No primeiro dia D’us criou o cĂ©u e a terra coberta por água, no primeiro dia D’us criou a luz.

A Sefirá do segundo dia Ă© a Guevurá que Ă© a rigidez, a separação, a contração. No segundo dia D’us criou a separação. Separou entre as águas de cima e as águas de baixo. Criou o firmamento.

O terceiro dia é Tiféret. O equilíbrio entre a Hessed e a Guevurá. No terceiro dia as águas de baixo deram espaço à terra que tirou árvores e frutos, a conciliação convívio e a harmonia entre a Hessed e a Guevurá.

A Hessed Ă© necessária, mas nĂŁo em excesso, como a chuva que Ă© uma imensa bondade Divina mas em excesso ela se torna uma inundação. E essa era a situação do primeiro dia da criação, “água para tudo quanto Ă© lado”

No segundo dia D’us separou entre as águas de cima e as águas de baixo. Aqui encontramos detalhadamente o segredo da separação, de acordo com o Zohar, o segredo da “esquerda”, o segredo da Guevurá que Ă© a Sefirá da esquerda.

A direita, a Hessed, Ă© a perfeição de tudo, e por causa disso sobre a direita está escrito a palavra “tudo”, por que dela depende toda a perfeição

Quando a esquerda desperta, desperta a separação, e se não for contida pela Tiféret que à coloca na medida certa, ela pode descer ao precipício, ao lado impuro, se tornando fogo e fúria, dando origem ao guehinon, ao inferno

Moshe na sua grande sabedoria olhou para isso, olhou para os dias da criação. Viu que o gehinon estava vinculado Ă  Guevurá e quiz fazer o equilĂ­brio entre a Hessed e a Guevurá como vimos mais futuramente nas discussões entre os Sábios de “Beit Shamai” que eram a Guevurá e os Sábios de Beit Hilel que eram Hessed.

Naquele caso a Guevurá ficou dentro do equilĂ­brio, e mesmo sendo as duas opiniões válidas, a lei judaica foi de acordo com Beit Hilel, e sendo que esse tipo de “mahloket”(discĂłrdia) nĂŁo tinha “segundas intenções” ela sĂł trouxe coisas boas para o nosso povo.

No caso de Kora’h e os que se uniram Ă  ele, sendo que haviam “segundas intenções”, eles perderam o controle e escorregaram para baixo, e esse Ă© o grande risco da Guevurá sendo que o guehinon está vinculado Ă  ela.

Diz o Rav Haim Vital no seu livro “Etz Hadaat Tov” que Moshe na sua imensa bondade, sempre querendo o bem atĂ© dos piores judeus, propĂ´s Ă  eles em primeira instância oferecer o incenso no Mishkan dizendo que dessa maneira AShem  vai mostrar quem Ă© o escolhido por Ele.

Moshe imaginou fazer algo como fez mais futuramente Eliahu Hanavi no Monte Carmel quando o fogo desceu do cĂ©u para o Korban de Eliahu revelando que AShem  Ă© o D’us verdadeiro e Eliahu Ă© o seu profeta.

Se acontecesse dessa forma, todos veriam que AShem  escolheu Aharon para ser o Cohen Gadol e ninguém morreria.

E também, ouvindo essa proposta eles poderiam optar por voltar atrás até antes de trazerem o incenso e o milagre acontecer, vendo que Moshe está convicto de que AShem  vai escolher Aharon e eles iriam passar vergonha. Dessa maneira eles poderiam voltar atrás respeitosamente antes que isso acontecesse.

Mas sendo que eles acrescentaram Guevurá à Guevurá, e a Guevurá é o escorregador para o guehinon, eles causaram uma situação em que a terra se abriu e o guehinon espiritual se revelou de forma material.

E esse é o problema com a Guevurá, ela é comparada pelo Zohar ao fogo. Você acende um fogo pequeno e em poucos minutos ele se torna um fogo grande e incontrolável.

E sendo que a Guevurá desce com tanta facilidade direto para o inferno, aprendemos da nossa Parashá que não devemos ser como Kora’h.

Não devemos correr o risco de nos sincronizar com uma conexão espiritual tão perigosa como a Guevurá.

Sempre que nos sentimos oprimidos devemos nos lembrar do que nos contou o Baal Shem Tov, de que até uma folha que cai de uma árvore, quantas cambalhotas ela vai dar, e se isso vai ser por meio do vento ou por meio de uma pessoa, tudo isso já está pré-determinado lá de cima, tudo isso acontece por Divina Providência.

Não podemos deixar a Guevurá despertar dentro de nós, e logo que sentimos a menor inclinação para ela devemos eliminá-la imediatamente sendo que ela nos conecta diretamente ao gehinon, ela se expande rapidamente e o controle sobre ela é dificílimo.

Mas como uma doença que deve ser tratada imediatamente quando diagnosticada para salvar a nossa vida, dessa mesma maneira quando diagnosticamos a Guevurá despertando dentro de nós não podemos dar a ela nem uma mínima chance e devemos tirá-la de dentro de nós no mesmo instante.
🌻🌻🌻🌻
Nossa Parashá começa com as palavras “E pegou Kora’h”.

Nossos sábios analisam essa linguagem dizendo que ele ”pegou uma mercadoria ruim”. E aparentemente por causa da continuação da história onde Kora’h faz uma revolução inteira contra Moshe, a “mercadoria ruim” provavelmente seria a Mahloket fazer intrigas e causar brigas.

Ou seja,  ele pegou uma “mercadoria” que se compara à uma maçã podre que apodrece as que estão próximas a ela. Kora’h pegou a “Mahloket” e contaminou com ela todos os que estavam geograficamente próximos à ele.

Mas como dissemos, tudo isso é aparentemente. O Ari Zal diz que por trás da expressão dos nossos Sábios está um assunto muito mais profundo.

Moshe Rabeinu era a reencarnação do lado bom da alma de Hevel (Abel) e as Almas de toda a geração que saiu do Egito e faleceu no deserto eram ramificações da alma de Moshe.

Todos fora um: YtrĂł, que era a parte boa da alma de Caim.

Ytró trouxe Tzipora para Moshe e se converteu ao judaísmo fazendo o “Tikun” (o conserto) do lado ruim da alma de Hevel (Abel), ou seja, a parte da alma de Hevel que foi mais afetada pela mistura espiritual entre o bem e o mal causada por Adam Harishon.

Mesmo vindo Kora’h de uma linhagem privilegiada dentro de uma tribo privilegiada e mesmo tendo ele estudado muita Torá, por meio de suas más ações ele recebeu uma encarnação em vida do lado ruim da alma de Cain.

D’us não  dá para alguém um trabalho que ele não tenha recebido as forças para fazê-lo, e ao contrário de Ytró que não nasceu judeu mas nasceu em uma família idólatra e fez todas as idolatrias tendo que se esforçar ao extremo para se tornar um bom judeu, Kora’h já nasceu um judeu religioso e de linhagem privilegiada.

Todo o teste dele nesse mundo era sĂł o de nĂŁo jogar fora tudo o que recebeu, e assim seriam consertados por ele os lados ruins das Almas de Cain e Hevel elevando ele aos mais altos nĂ­veis.

As almas de quase todo o povo de Israel eram ramificações da alma de Moshe e por isso de maneira natural Moshe era o líder do nosso povo e não outro.

Dizem nossos Sábios que a Torá é um remédio para a nossa Alma, mas a mesma Torá pode ser um veneno se a pessoa que a estuda causar isso.

A mesma Torá que  foi o remédio que tirou Ytró da idolatria, essa mesma Torá nas mãos de Kora’h se tornou um veneno que contaminou duzentas e cinquenta pessoas, e se não fosse o milagre da terra se abrir contaminaria o povo inteiro.

A Alma de Cain, por não ter sido refinada por Kora’h acrescentou maldade à maldade dele causando com que ele se revoltasse contra Moshe e influenciando vizinhos estudiosos a fazer igual, “envenenando” a Torá deles também.
Porque a terra tinha que se abrir?
Quando Ytró ouviu que os egípcios afundaram no mar vermelho ele disse: Agora eu sei que AShem  é maior do que todos os ”deuses”, porque o que eles fizeram, afundaram as crianças judias no Nilo, aconteceu para eles!

Aprendemos com Ytró que quando a pessoa não faz o “Tikun”, “o conserto da Alma”, de maneira positiva como fez Ytró, o Tikun acontece de maneira negativa, o que a Torá chama de “midá knegued midá”, ou seja, “o que eles fizeram acontece para eles”.

Por isso Moshe disse para eles:- “Se essas pessoas morrerem como qualquer pessoa nĂŁo foi D’us que me mandou, mas se a terra se abrir… etc”.

Terminando de falar essas palavras a terra se abriu e Kora’h com todos os seus cúmplices foram absorvidos por ela.

Isso era o “midá knegued midá” de Cain e Hevel.

Cain matou Hevel por vaidade, e a terra se abriu milagrosamente para receber o sangue de Hevel.

Agora Kora’h, a reencarnação de Cain, por vaidade tenta novamente matar Moshe, classificando Moshe como falso profeta, e a terra se abre para receber Cain e seus cúmplices, “midá knegued midá”.

Aharon Hacohen era o contrário de Kora’h. Toda sua vida ele se dedicou a fazer as pazes entre as pessoas e entre maridos e mulheres, mesmo que para isso tivesse que ser “aparentemente” um pouquinho menos “religioso” do que Kora’h, falando de vez em quando uma ”mentirinha” para fazer as pessoas se reconciliarem.

A Torá diz para ficarmos longe da mentira, mas Aharon Hacohen era o médico especialista que sabia dosar a mentira na dose correta transformando o veneno em remédio, enquanto que Kora’h conseguiu transformar a Torá, que é o remédio para tudo, em um veneno mortal.

AShem  fez o cajado de Aharon florir e dar frutos mostrando que essa pessoa que transformou corações duros em flores e frutos de reconciliação ele tem que ser o Cohen Gadol, ele que é o escolhido por D’us !

A explicação do Ari Zal

Nossa Parashá começa com as palavras “e pegou Kora’h” mas continua o assunto sem dizer o que ele pegou mas dizendo somente o que ele fez.

O que ele “pegou” que causou para ele fazer o que ele fez?
Os cinco nĂ­veis da Alma Divina
Nossa Alma Divina tem cinco nĂ­veis, mas sĂł trĂŞs deles se revestem no nosso corpo, os outros dois estĂŁo sempre em um aspecto de “luz envolvente”

O nĂ­vel mais baixo da nossa Alma Divina Ă© chamado de Nefesh

O nível acima da Nefesh é chamado de Rua’h

O nível acima do Rua’h é chamado de Neshamá

O nível acima da Neshamá é chamado de Haia

O nível da Haia é chamado de Ye’hida

Muitas vezes as escrituras sagradas usam uma linguagem genérica para a Nossa Alma chamando ela de Nefesh ou de Neshamá, sem nenhuma intenção em relação àquele nível da Alma.

Ou seja, Ă s vezes a palavra Nefesh ou Neshamá querem dizer simplesmente “Alma”, e Ă s vezes as palavras Nefesh e Neshamá estĂŁo se referindo ao nĂ­vel Nefesh e ao nĂ­vel Neshamá.

O Zohar nos conta que Adam Harishon, o primeiro homem, fez as três maiores transgressões que são:

idolatria, assassinato e relações ilícitas

Idolatria, porque o argumento da cobra foi que se ele comesse a fruta da Etz HaDaat ele viraria D’us, e ele comeu aquela fruta para virar D’us. Essa transgressĂŁo afetou o nĂ­vel mais baixo da Alma dele, o nĂ­vel Nefesh.

Assassinatos, porque AShem  (D’us) tinha avisado Ă  ele que se ele comesse aquela fruta ele morreria e todos morreriam por causa dele. Essa transgressĂŁo afetou o nĂ­vel Rua’h da Alma dele.

Relações ilícitas, porque depois que ele comeu aquela fruta ele culpou a mulher por ter causado isso para ele e teve durante 130 anos relações ilícitas com duas demônias que se materializavam para ter a relação com ele. Mas sendo que elas eram demônias materializadas, não conseguiam engravidar  crianças materiais mas engravidavam demônios.

Uma delas era a “Li…” que Ă© o aspecto feminino do anjo da morte. Ou seja, a esposa da “coisa ruim”. A outra era a “Na…”, outra demĂ´nia. (Usamos somente as primeiras duas letras do nome delas para nĂŁo atrair elas por meio de pronunciar o nome delas inteiro)

Essa transgressão afetou o nível mais elevado da Alma que se reveste no corpo e portanto pode ser afetado pelas nossas transgressões, o nível Neshamá da nossa Alma.

Para retificar essas três transgressões Adam Harishon se reencarnou simultaneamente em três pessoas que viveram na mesma época, que são os nossos três patriarcas

Avraham Avinu retificou o nĂ­vel Nefesh de Adam Harishon.

Itzhak Avinu retificou o nível Rua’h de Adam Harishon.

Yaakov Avinu retificou o nível Neshamá de Adam Harishon.

Diz o Ari Zal que essa Alma pôde se reencarnar simultaneamente em três pessoas que viveram na mesma época sendo que são três níveis diferentes da mesma Alma.

Mas se fosse o mesmo nĂ­vel sĂł teria como se reencarnar se a pessoa anterior falecesse, sĂł assim ele poderia se reencarnar em outra pessoa.

Mas como sĂŁo trĂŞs nĂ­veis diferentes podem se reencarnar simultaneamente.

O Ari Zal nos conta que depois do conserto da Alma de Adam Harishon pelos nossos três patriarcas, começa o conserto da Alma de Caim que também se reencarna em seus três níveis em três pessoas diferentes simultaneamente.

Ytró era o nível Neshamá, o nível mais alto da Alma de Caim.

Kora’h era o nĂ­vel Rua’h da Alma de Caim, e o “Mitzri”, o egĂ­pcio que Moshe matou para salvar o judeu que estava sendo assassinado por ele, era o nĂ­vel Nefesh, o nĂ­vel mais baixo da Alma de Caim.

Quando uma Alma volta para consertar o que fez em uma reencarnação passada, ela volta com a mesma vontade de fazer a coisa errada que fez na reencarnação anterior.

Mas dessa vez, ou ela conserta o que fez na reencarnação anterior se controlando para não fazer aquela coisa errada novamente.

SenĂŁo ela passa por esse conserto recebendo o castigo “medida por medida” do que fez.

Adam Harishon impurificou o nĂ­vel Nefesh da sua Alma por meio da idolatria. Avraham Avinu retificou a Nefesh de Adam Harishon por meio de ter nascido filho de Tera’h que era fabricante e vendedor de estátuas para a idolatria.

E não só pelo fato de ter deixado a idolatria do seu pai, mas também por ter dedicado toda a sua vida ensinando os idólatras à deixarem a idolatria e rezarem somente para AShem .

O Midrash nos conta que a linguagem do versĂ­culo que fala sobre o nascimento de Caim e Abel nos indica que com Caim nasceu uma irmĂŁ gĂŞmea e com Abel nasceram duas, como diz o versĂ­culo: “ela deu Ă  luz à…”e” Caim” “e ela deu Ă  luz…”e”… Ă  seu irmĂŁo…”e”…Abel”. Cada “e” no versĂ­culo vem acrescentar uma irmĂŁ gĂŞmea, como dizendo “ela “e” Caim.

Sendo que Havá era parte de Adam Harishon podemos dizer que Adam Harishon se casou com si próprio sendo que ela era um lado dele.

A palavra “tzela” que quer dizer “lado” foi traduzida pela igreja erroneamente como costela, mas o Midrash nos conta que quando AShem  fez o primeiro homem, um lado era Adam e o outro Havá, e para criar a mulher AShem  somente separou esses dois lados.

A segunda geração que eram Caim e Abel se casariam com as próprias irmãs, e por isso Caim nasceu com uma gêmea e Abel com duas.

O nĂ­vel Nefesh de Caim se reencarnou no “Mitzri”, no egĂ­pcio que estava tentando assassinar um judeu Ă  chicotadas.

Quando Moshe saiu do palácio do Faraó para ver de perto o que está acontecendo com o nosso povo ele tinha vinte anos.

Moshe viu o egĂ­pcio tentando assassinar um judeu Ă  chicotadas. Diz o versĂ­culo que Moshe olhou para um lado e para o outro.

O Midrash diz que Moshe olhou para um lado e viu o que o egĂ­pcio fez na casa e o que ele fez no campo.

Depois disso Moshe falou o nome de AShem  de quarenta e duas letras que sĂŁo as iniciais das quarenta e duas palavras da reza “Ana Bekoa’h” tirando dessa forma a alma do egĂ­pcio do corpo.

Diz o Ari Zal que o que Moshe viu que o egĂ­pcio fez no campo nĂŁo se referia ao egĂ­pcio mas sim ao nĂ­vel Nefesh da Alma de Caim que estava nele.

Ou seja, Caim matou Abel no campo para roubar dele a gêmea que tinha nascido a mais, e esse egípcio que era a reencarnação de Caim (nível Nefesh) tinha passado a noite na casa do judeu violentando a esposa dele, e agora estava assassinando o marido para pegar ela definitivamente.

Moshe matou o egĂ­pcio e o escondeu dentro da terra, e essa foi a retificação “midá kneged midá”, “medida por medida” sendo que Caim matou Abel e “a terra se abriu para receber o sangue dele”.

Depois desse acontecimento, Moshe fugiu, e posteriormente chegou em  Midian e se encontrou com Ytró que precisaria retificar o nível Neshamá de Caim que foi afetado pela relação ilícita que Caim teve com a gêmea que roubou de Abel. Aquela gêmea se reencarnou como Tzipora, a filha de Ytró.

Ytró deu sua filha Tzipora para se casar com Moshe, e depois da saída do Egito ele levou Tzipora pessoalmente para Moshe no deserto, fazendo o conserto do nível Neshamá da Alma de Caim.

YtrĂł retificou Caim por meio de uma ação positiva, e por isso nĂŁo precisou passar pela retificação “medida por medida” como o egĂ­pcio
O que Kora’h pegou?
Kora’h, diz o Ari Zal, pegou o Rua’h de Caim. O que estava faltando nessa retificação é o fato de Caim ter assassinado Abel porque o korban, o sacrifício de Abel, foi aceito por AShem  e o dele não.

O fato de Caim ter assassinado Abel também por esse motivo foi o que afetou o nível Rua’h da Alma de Caim.

Kora’h não retificou o nível Rua’h de Caim por meio de uma ação positiva, mas muito pelo contrário.

Ele tentou fazer com que Moshe fosse condenado como falso profeta para que ninguĂ©m mais do que Kora’h se tornasse o “Cohen Gadol”, o sumo sacerdote, o responsável por todos os assuntos religiosos do nosso povo.

Por isso Moshe disse para ele que se a terra se abrir esse Ă© o sinal de que a profecia de Moshe foi dada por AShem . Ou seja, medida por medida.

Como a terra se abriu para receber o sangue de Abel, agora ela vai se abrir para receber Kora’h, ou seja, para receber Caim.

O “Tikun”(conserto) de Caim, diz o Ari Zal, está indicado no seu prĂłprio nome. Daqui vemos que Havá tinha visto isso quando deu Ă  luz Ă  ele e o chamou de Ca-i-m que sĂŁo as iniciais de Cora’h (Kora’h), ItrĂł (YtrĂł), e Mitzri (o egĂ­pcio).
🌻🌻🌻
Mais detalhes sobre o assunto anterior:

O que leva uma pessoa extremamente rica, muito inteligente e de boa família como era Kora’h tentar abalar toda a estrutura do nosso povo?

E mais, tentar dessa maneira também assassinar à Moshe Rabeinu sendo que pela Torá o falso profeta é passível de pena de morte!
Caim e Abel, Kora’h e Moshe
Para entendermos isso temos que voltar ao começo do mundo quando aconteceu o primeiro assassinato da história. Caim tinha nascido antes de Abel e com ele nasceu uma irmã gêmea que seria sua esposa.

Abel nasceu depois e com ele nasceram duas irmĂŁs gĂŞmeas que seriam suas duas esposas.

Caim ficou com inveja e planejou matar seu irmĂŁo para pegar essa esposa que ele achava merecer mais do que seu irmĂŁo

Caim fez um sacrifício para D’us. Ele plantou linho, pegou a pior parte da sua colheita, a parte que ele iria descartar de qualquer jeito, essa parte ele queimou no altar.

Ou seja, no lugar de jogar fora ele fez dela uma oferenda para D’us, a primeira “reciclagem” da história da humanidade!

A fumaça do linho oferecido no altar foi dispersa por um vento forte mesmo que naquele dia não houve nenhum vento em nenhum lugar a não ser esse diretamente em cima do altar de Caim demonstrando claramente que AShem  não quer o sacrifício oferecido por ele.

Abel criava ovelhas. Ele também fez uma oferenda para D’us, trouxe o melhor carneiro do seu rebanho e fez dele um sacrifício no altar.

Mesmo sendo aquele dia um dia de forte ventania, a fumaça do sacrifício de Abel milagrosamente subiu direto para o céu em uma linha reta, demonstrando que D’us aceitou o sacrifício de Abel.

Por esses dois motivos Caim matou Abel, por achar que, sendo que ele é mais importante do que o seu irmão ele deve estar mais próximo à D’us do que o seu irmão e também merece ter mais mulheres do que seu irmão.

Várias passagens da Torá são verdadeiras incógnitas que somente são decifradas como sendo referência à assuntos espirituais muito profundos.

Entre essas passagens estão o versículo “olho por olho e dente por dente” e também o versículo no qual D’us cobra até a quarta geração dos que fazem o mal.

O versículo olho por olho e dente por dente não tem como ser aplicado na prática porque o castigo na prática de quem quebrou o dente de alguém é pagar o médico, a indenização pela vergonha que a vítima passou, e os dias de trabalho que perdeu por causa do ferimento, mas não retirar o dente do agressor.

E ainda mais, nada justificaria alguém que não tem dentes ser absolvido desse tipo de julgamento.

Sendo assim nossos sábios aprendem desse versículo que a indenização cobrada por um olho não é a mesma cobrada por um dente.

Mas sendo que a indenização tem que ser determinada por meio de um julgamento, o tribunal rabínico já determinaria por motivos lógicos que a indenização de um olho não é a mesma que a indenização de um dente.

O versículo que diz que D’us cobra até a quarta geração de quem faz o mal também não é aplicável, sendo que a própria Torá determina que os filhos não pagam pelos pecados dos pais.

E mais, o fato de o filho ter sido educado de maneira errada não é culpa do filho mas sim do pai, então absolutamente não há como cobrar dos filhos nem o comportamento do próprio filho, quanto mais o comportamento dos pais, e quanto mais o comportamento dos netos e dos bisnetos.
A explicação do Zohar
No lado oculto da Torá a explicação desse dois versículos e a ligação entre eles é clara.

Quando alguém fere uma pessoa e causa a perda do seu olho ou do seu dente, naquele momento é imediatamente decretado lá encima que o agressor vai perder o olho ou o dente, e essa é a explicação do versículo “olho por olho e dente por dente”.

AShem  (D’us) na sua infinita bondade dá para aquele agressor o longo prazo de quatro reencarnações para ele retificar o que fez.

Ou seja, as quatro gerações do versículo não são quatro gerações biológicas, mas sim quatro reencarnações da mesma pessoa.

Ou ele consegue retificar o que fez de maneira positiva, ou vai acontecer para ele o que ele fez para o outro, “olho por olho dente por dente”.

O nĂ­vel mais baixo da nossa Alma Divina Ă© chamado de Nefesh. Caim matou Abel por dois motivos: ele achava que por ser mais importante do que Abel ele merecia ter aquela esposa a mais, e matou Abel para roubar dele a mulher.

O nĂ­vel Nefesh de Caim se reencarnou como o soldado egĂ­pcio que tinha colocado o judeu para trabalhar a noite inteira e enquanto isso aquele soldado passou a noite com a mulher daquele judeu, e de manhĂŁ estava tentando assassinar o judeu a chicotadas.

Não só que ele não retificou o que fez, mas tentou repetir o erro. Para salvar o judeu, Moshe teve que falar um nome de AShem  que faz a alma do egípcio sair do corpo, e depois enterrou o corpo morto dele na terra.

E assim, da mesma maneira que a terra se abriu para receber o sangue de Abel quando foi assassinado, agora ela recebe o sangue desse egĂ­pcio.

Ou seja, sendo que ele não retificou o que fez na reencarnação anterior mas ainda continuo insistindo no erro, aconteceu para ele agora o “olho por olho e dente por dente”, o que ele fez antes levou agora.

Um nĂ­vel superior da alma de Caim se reencarnou como YtrĂł, e a esposa de Abel que era o pivĂ´ da briga se reencarnou como Tzipora, a filha de YtrĂł.

A retificação desse nível da alma do Caim nesse caso aconteceu de maneira positiva. Ytró levou Tzipora para Moshe no deserto e deu para Moshe o conselho que salvou a sua vida.

Agora chegamos à parte mais complexa. Caim tinha assassinado Abel também porque ele achava que por ser mais importante do que Abel, D’us teria que aceitar o sacrifício que ele fez e não aceitar o de Abel, e essa foi a parte que pegou Kora’h.

O teste de Kora’h foi o de aceitar que Moshe estava mais próximo de D’us do que ele. Mas como poderia Kora’h aceitar esse fato?

Quando Moshe tinha três meses de idade a filha do faraó o levou para seu palácio e lá ele foi criado.

Moshe cresceu no palácio do faraó. Claro que a princesa trouxe para ele os melhores professores particulares da comunidade judaica, mas olha onde ele estava! Como comparar ele à Kora’h que cresceu no coração da comunidade judaica que era a terra de Goshen.

E ainda mais, depois de ter crescido entre os egípcios no palácio do faraó, Moshe foi morar em Midian e se casou com Tzipora, a filha do sacerdote de Midian!

Claro que ela se converteu ao judaísmo, mas comparar ela com a mulher de Kora’h que era judia religiosa de nobre linhagem…

Para Kora’h não faltavam motivos para justificar por que ele tinha que ser a pessoa mais próxima de D’us e não Moshe Rabeinu, da mesma forma que para Caim era óbvio que o sacrifício dele deveria ser aceito e não o de Abel.

E aqui chegamos à reta final da retificação de Caim. Ou Kora’h consegue se controlar, ou o que ele fez na vida anterior vai ser cobrado dele agora.

Por isso Moshe avisou Kora’h que se a terra se abrir para recebê-lo, esse é o Sinal de que Moshe é um profeta verdadeiro.

Por que Moshe Rabeinu precisava lembrar à Kora’h esse detalhe?

Moshe Rabeinu era a reencarnação de Abel, e Kora’h pegou o lado difícil do Caim.

Sendo que a Alma Divina tem a memória das reencarnações anteriores que se despertam no nosso subconsciente.

Moshe apelou para esse fator também, lembrando Kora’hque da mesma forma que a terra se abriu para receber o sangue de Abel, se ele não retifica isso de maneira positiva vai acontecer para ele o olho por olho e dente por dente, e milagrosamente a terra vai se abrir para receber Kora’h e todos os que estão dando apoio à ele, porque sem esse apoio ele não teria como fazer o que tentou fazer.

De Kora’h aprendemos que não devemos ser como Kora’h!

Muitas vezes achamos que merecemos muito mais e estamos recebendo muito menos enquanto que nossos amigos que na nossa opiniĂŁo merecem muito menos estĂŁo recebendo muito mais.

EntĂŁo vamos sempre nos controlar, sĂł temos a ganhar!
Shabat Shalom🌻
Rabino Gloiber
Sempre rezando por vocĂŞs