Kora’h
Nossa Parashá nos conta sobre a primeira “revolução” na histĂłria do nosso povo que foi feita por Kora’h da tribo de Levi, Datan, Aviram e On ben Pelet da tribo de Reuven vizinhos de Kora’h, e mais duzentos e cinquenta rabinos de todas as tribos.
Kora’h era visto pelo nosso povo como um grande estudioso da Torá, e por ser muito rico era, consequentemente, muito influente.
Datan e Aviram eram famosos por sua maldade. Agora eles aparecem para desmoralizar Moshe e Aharon com o apoio de duzentos e cinquenta rabinos que representavam todas as tribos de Israel, todos alegando que estĂŁo lutando por uma “causa nobre”, mas visivelmente com “segundas intenções”.
A tenda de Moshe era muito grande, e foi feita assim para receber todos aqueles que queriam estudar a Torá diretamente de quem a recebeu.
Esse grupo de revoltos aparece na tenda de Moshe acusando-o de ter feito as nomeações do nosso povo de acordo com sua própria preferência e não por determinação Divina, colocando em cheque a veracidade da profecia de Moshe Rabeinu e de tudo o que ele ensinava diariamente à todos aqueles que procuravam a palavra de D’us.
Cada um deles representava uma visĂŁo diferente, mas todos estavam unidos contra um “inimigo em comum”, que no caso, D’us nos livre, eram Moshe e Aharon.
Por trás da revolução
Desde que o mundo é mundo, desde Adão e Eva, o primogênito tinha privilégios que os outros filhos não tinham.
Sendo que cada primogênito iria ser o sucessor de seu pai, o primogênito do faraó seria o próximo faraó, o primogênito do médico seria o próximo médico, e assim por diante, os pais investiam na educação dos primogênitos o que não investiam na educação dos outros filhos. Em outras palavras, os primogênitos eram a estrutura da sociedade antiga.
Quando AShem (D’us) trouxe a praga dos primogĂŞnitos para abalar a estrutura do Egito para que eles deixassem o nosso povo sair de lá, AShem “pulou” os nossos primogĂŞnitos mesmo eles nĂŁo tendo nenhum mĂ©rito para isso naquele momento, mas no mĂ©rito de que mais futuramente eles seriam os sacerdotes do nosso povo, estariam ocupados totalmente com o trabalho Divino.
Quando o povo de Israel fez o bezerro de ouro, acontecimento que não incluiu a tribo de Levi, AShem trocou os primogênitos do nosso povo pelos membros da tribo de Levi. Kora’h era da tribo de Levi, filho de Itzhar, neto de Kehat.
Kehat teve quatro filhos:
Amram, pai de Moshe e Aharon, era o primogênito de Kehat. Depois dele vinha Itzhar, pai de Kora’h, depois Hevron, e por final Uziel, pai de Elitzafan.
Enquanto tudo acontecia de acordo com uma hierarquia, os filhos de Amram, primogĂŞnito de Kehat, Moshe e Aharon, se tornaram respectivamente o lĂder do nosso povo e o Sumo Sacerdote, Kora’h nĂŁo reclamou, mas esperou na fila pela prĂłxima nomeação.
Mas quando Moshe nomeou Elitzafan, filho de Uziel que era o filho mais novo de Kehat, para liderar a famĂlia de Kehat, Kora’h viu que nĂŁo havia uma hierarquia, sendo que Elitzafan era o filho do irmĂŁo mais novo do seu pai, e aqui começa o problema.
Kora’h não acreditou que AShem pediria para Moshe nomear Elitzafan ben Uziel fora dessa ordem hierárquica, e concluiu que Moshe Rabeinu fez as nomeações de acordo com sua própria preferência.
Kora’h se sentiu vĂtima de discriminação, e foi lutar pela igualdade. Alegou que o sumo sacerdĂłcio que foi dado Ă Aharon poderia ter sido dado Ă ele sendo que ele Ă© tĂŁo primogĂŞnito quanto Aharon.
Datan, Aviram e On ben Pelet, todos da tribo de Reuven, tambĂ©m se sentiram vĂtimas dessa mesma discriminação, sendo que Reuven era o primogĂŞnito de Yaakov, e portanto o justo seria dar o sacerdĂłcio de volta para a tribo de Reuven.
Os 250 rabinos que participaram dessa “mahloket” (discĂłrdia) tambĂ©m se sentiram vĂtimas dessa discriminação. Eles eram primogĂŞnitos das outras tribos e alegavam que sendo que Moshe na opiniĂŁo deles estava fazendo as nomeações de acordo com seu prĂłprio gosto, o justo seria que ele desse o sacerdĂłcio de volta para os primogĂŞnitos de todo o povo e nĂŁo para quem ele quisesse.
A explicação do Zohar
Mesmo que essa história pode ser entendida de maneira simples, nossos Sábios no livro do Zohar nos revelam nela um assunto maravilhoso.
D’us criou o mundo em sete dias e cada um dos dias da criação está ligado Ă uma Sefirá lá de cima.
A Sefirá do primeiro dia Ă© a Hessed que Ă© a bondade, a uniĂŁo, a expansĂŁo. No primeiro dia D’us criou o cĂ©u e a terra coberta por água, no primeiro dia D’us criou a luz.
A Sefirá do segundo dia Ă© a Guevurá que Ă© a rigidez, a separação, a contração. No segundo dia D’us criou a separação. Separou entre as águas de cima e as águas de baixo. Criou o firmamento.
O terceiro dia Ă© TifĂ©ret. O equilĂbrio entre a Hessed e a Guevurá. No terceiro dia as águas de baixo deram espaço Ă terra que tirou árvores e frutos, a conciliação convĂvio e a harmonia entre a Hessed e a Guevurá.
A Hessed Ă© necessária, mas nĂŁo em excesso, como a chuva que Ă© uma imensa bondade Divina mas em excesso ela se torna uma inundação. E essa era a situação do primeiro dia da criação, “água para tudo quanto Ă© lado”
No segundo dia D’us separou entre as águas de cima e as águas de baixo. Aqui encontramos detalhadamente o segredo da separação, de acordo com o Zohar, o segredo da “esquerda”, o segredo da Guevurá que Ă© a Sefirá da esquerda.
A direita, a Hessed, Ă© a perfeição de tudo, e por causa disso sobre a direita está escrito a palavra “tudo”, por que dela depende toda a perfeição
Quando a esquerda desperta, desperta a separação, e se nĂŁo for contida pela TifĂ©ret que Ă coloca na medida certa, ela pode descer ao precipĂcio, ao lado impuro, se tornando fogo e fĂşria, dando origem ao guehinon, ao inferno
Moshe na sua grande sabedoria olhou para isso, olhou para os dias da criação. Viu que o gehinon estava vinculado Ă Guevurá e quiz fazer o equilĂbrio entre a Hessed e a Guevurá como vimos mais futuramente nas discussões entre os Sábios de “Beit Shamai” que eram a Guevurá e os Sábios de Beit Hilel que eram Hessed.
Naquele caso a Guevurá ficou dentro do equilĂbrio, e mesmo sendo as duas opiniões válidas, a lei judaica foi de acordo com Beit Hilel, e sendo que esse tipo de “mahloket”(discĂłrdia) nĂŁo tinha “segundas intenções” ela sĂł trouxe coisas boas para o nosso povo.
No caso de Kora’h e os que se uniram Ă ele, sendo que haviam “segundas intenções”, eles perderam o controle e escorregaram para baixo, e esse Ă© o grande risco da Guevurá sendo que o guehinon está vinculado Ă ela.
Diz o Rav Haim Vital no seu livro “Etz Hadaat Tov” que Moshe na sua imensa bondade, sempre querendo o bem atĂ© dos piores judeus, propĂ´s Ă eles em primeira instância oferecer o incenso no Mishkan dizendo que dessa maneira AShem vai mostrar quem Ă© o escolhido por Ele.
Moshe imaginou fazer algo como fez mais futuramente Eliahu Hanavi no Monte Carmel quando o fogo desceu do cĂ©u para o Korban de Eliahu revelando que AShem é o D’us verdadeiro e Eliahu Ă© o seu profeta.
Se acontecesse dessa forma, todos veriam que AShem escolheu Aharon para ser o Cohen Gadol e ninguém morreria.
E também, ouvindo essa proposta eles poderiam optar por voltar atrás até antes de trazerem o incenso e o milagre acontecer, vendo que Moshe está convicto de que AShem vai escolher Aharon e eles iriam passar vergonha. Dessa maneira eles poderiam voltar atrás respeitosamente antes que isso acontecesse.
Mas sendo que eles acrescentaram Guevurá à Guevurá, e a Guevurá é o escorregador para o guehinon, eles causaram uma situação em que a terra se abriu e o guehinon espiritual se revelou de forma material.
E esse é o problema com a Guevurá, ela é comparada pelo Zohar ao fogo. Você acende um fogo pequeno e em poucos minutos ele se torna um fogo grande e incontrolável.
E sendo que a Guevurá desce com tanta facilidade direto para o inferno, aprendemos da nossa Parashá que não devemos ser como Kora’h.
Não devemos correr o risco de nos sincronizar com uma conexão espiritual tão perigosa como a Guevurá.
Sempre que nos sentimos oprimidos devemos nos lembrar do que nos contou o Baal Shem Tov, de que até uma folha que cai de uma árvore, quantas cambalhotas ela vai dar, e se isso vai ser por meio do vento ou por meio de uma pessoa, tudo isso já está pré-determinado lá de cima, tudo isso acontece por Divina Providência.
NĂŁo podemos deixar a Guevurá despertar dentro de nĂłs, e logo que sentimos a menor inclinação para ela devemos eliminá-la imediatamente sendo que ela nos conecta diretamente ao gehinon, ela se expande rapidamente e o controle sobre ela Ă© dificĂlimo.
Mas como uma doença que deve ser tratada imediatamente quando diagnosticada para salvar a nossa vida, dessa mesma maneira quando diagnosticamos a Guevurá despertando dentro de nĂłs nĂŁo podemos dar a ela nem uma mĂnima chance e devemos tirá-la de dentro de nĂłs no mesmo instante.
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Nossa Parashá começa com as palavras “E pegou Kora’h”.
Nossos sábios analisam essa linguagem dizendo que ele ”pegou uma mercadoria ruim”. E aparentemente por causa da continuação da história onde Kora’h faz uma revolução inteira contra Moshe, a “mercadoria ruim” provavelmente seria a Mahloket fazer intrigas e causar brigas.
Ou seja, ele pegou uma “mercadoria” que se compara à uma maçã podre que apodrece as que estão próximas a ela. Kora’h pegou a “Mahloket” e contaminou com ela todos os que estavam geograficamente próximos à ele.
Mas como dissemos, tudo isso é aparentemente. O Ari Zal diz que por trás da expressão dos nossos Sábios está um assunto muito mais profundo.
Moshe Rabeinu era a reencarnação do lado bom da alma de Hevel (Abel) e as Almas de toda a geração que saiu do Egito e faleceu no deserto eram ramificações da alma de Moshe.
Todos fora um: YtrĂł, que era a parte boa da alma de Caim.
YtrĂł trouxe Tzipora para Moshe e se converteu ao judaĂsmo fazendo o “Tikun” (o conserto) do lado ruim da alma de Hevel (Abel), ou seja, a parte da alma de Hevel que foi mais afetada pela mistura espiritual entre o bem e o mal causada por Adam Harishon.
Mesmo vindo Kora’h de uma linhagem privilegiada dentro de uma tribo privilegiada e mesmo tendo ele estudado muita Torá, por meio de suas más ações ele recebeu uma encarnação em vida do lado ruim da alma de Cain.
D’us nĂŁo dá para alguĂ©m um trabalho que ele nĂŁo tenha recebido as forças para fazĂŞ-lo, e ao contrário de YtrĂł que nĂŁo nasceu judeu mas nasceu em uma famĂlia idĂłlatra e fez todas as idolatrias tendo que se esforçar ao extremo para se tornar um bom judeu, Kora’h já nasceu um judeu religioso e de linhagem privilegiada.
Todo o teste dele nesse mundo era sĂł o de nĂŁo jogar fora tudo o que recebeu, e assim seriam consertados por ele os lados ruins das Almas de Cain e Hevel elevando ele aos mais altos nĂveis.
As almas de quase todo o povo de Israel eram ramificações da alma de Moshe e por isso de maneira natural Moshe era o lĂder do nosso povo e nĂŁo outro.
Dizem nossos Sábios que a Torá é um remédio para a nossa Alma, mas a mesma Torá pode ser um veneno se a pessoa que a estuda causar isso.
A mesma Torá que foi o remédio que tirou Ytró da idolatria, essa mesma Torá nas mãos de Kora’h se tornou um veneno que contaminou duzentas e cinquenta pessoas, e se não fosse o milagre da terra se abrir contaminaria o povo inteiro.
A Alma de Cain, por não ter sido refinada por Kora’h acrescentou maldade à maldade dele causando com que ele se revoltasse contra Moshe e influenciando vizinhos estudiosos a fazer igual, “envenenando” a Torá deles também.
Porque a terra tinha que se abrir?
Quando YtrĂł ouviu que os egĂpcios afundaram no mar vermelho ele disse: Agora eu sei que AShem é maior do que todos os ”deuses”, porque o que eles fizeram, afundaram as crianças judias no Nilo, aconteceu para eles!
Aprendemos com Ytró que quando a pessoa não faz o “Tikun”, “o conserto da Alma”, de maneira positiva como fez Ytró, o Tikun acontece de maneira negativa, o que a Torá chama de “midá knegued midá”, ou seja, “o que eles fizeram acontece para eles”.
Por isso Moshe disse para eles:- “Se essas pessoas morrerem como qualquer pessoa nĂŁo foi D’us que me mandou, mas se a terra se abrir… etc”.
Terminando de falar essas palavras a terra se abriu e Kora’h com todos os seus cúmplices foram absorvidos por ela.
Isso era o “midá knegued midá” de Cain e Hevel.
Cain matou Hevel por vaidade, e a terra se abriu milagrosamente para receber o sangue de Hevel.
Agora Kora’h, a reencarnação de Cain, por vaidade tenta novamente matar Moshe, classificando Moshe como falso profeta, e a terra se abre para receber Cain e seus cúmplices, “midá knegued midá”.
Aharon Hacohen era o contrário de Kora’h. Toda sua vida ele se dedicou a fazer as pazes entre as pessoas e entre maridos e mulheres, mesmo que para isso tivesse que ser “aparentemente” um pouquinho menos “religioso” do que Kora’h, falando de vez em quando uma ”mentirinha” para fazer as pessoas se reconciliarem.
A Torá diz para ficarmos longe da mentira, mas Aharon Hacohen era o médico especialista que sabia dosar a mentira na dose correta transformando o veneno em remédio, enquanto que Kora’h conseguiu transformar a Torá, que é o remédio para tudo, em um veneno mortal.
AShem fez o cajado de Aharon florir e dar frutos mostrando que essa pessoa que transformou corações duros em flores e frutos de reconciliação ele tem que ser o Cohen Gadol, ele que é o escolhido por D’us !
A explicação do Ari Zal
Nossa Parashá começa com as palavras “e pegou Kora’h” mas continua o assunto sem dizer o que ele pegou mas dizendo somente o que ele fez.
O que ele “pegou” que causou para ele fazer o que ele fez?
Os cinco nĂveis da Alma Divina
Nossa Alma Divina tem cinco nĂveis, mas sĂł trĂŞs deles se revestem no nosso corpo, os outros dois estĂŁo sempre em um aspecto de “luz envolvente”
O nĂvel mais baixo da nossa Alma Divina Ă© chamado de Nefesh
O nĂvel acima da Nefesh Ă© chamado de Rua’h
O nĂvel acima do Rua’h Ă© chamado de Neshamá
O nĂvel acima da Neshamá Ă© chamado de Haia
O nĂvel da Haia Ă© chamado de Ye’hida
Muitas vezes as escrituras sagradas usam uma linguagem genĂ©rica para a Nossa Alma chamando ela de Nefesh ou de Neshamá, sem nenhuma intenção em relação Ă quele nĂvel da Alma.
Ou seja, Ă s vezes a palavra Nefesh ou Neshamá querem dizer simplesmente “Alma”, e Ă s vezes as palavras Nefesh e Neshamá estĂŁo se referindo ao nĂvel Nefesh e ao nĂvel Neshamá.
O Zohar nos conta que Adam Harishon, o primeiro homem, fez as três maiores transgressões que são:
idolatria, assassinato e relações ilĂcitas
Idolatria, porque o argumento da cobra foi que se ele comesse a fruta da Etz HaDaat ele viraria D’us, e ele comeu aquela fruta para virar D’us. Essa transgressĂŁo afetou o nĂvel mais baixo da Alma dele, o nĂvel Nefesh.
Assassinatos, porque AShem (D’us) tinha avisado Ă ele que se ele comesse aquela fruta ele morreria e todos morreriam por causa dele. Essa transgressĂŁo afetou o nĂvel Rua’h da Alma dele.
Relações ilĂcitas, porque depois que ele comeu aquela fruta ele culpou a mulher por ter causado isso para ele e teve durante 130 anos relações ilĂcitas com duas demĂ´nias que se materializavam para ter a relação com ele. Mas sendo que elas eram demĂ´nias materializadas, nĂŁo conseguiam engravidar crianças materiais mas engravidavam demĂ´nios.
Uma delas era a “Li…” que Ă© o aspecto feminino do anjo da morte. Ou seja, a esposa da “coisa ruim”. A outra era a “Na…”, outra demĂ´nia. (Usamos somente as primeiras duas letras do nome delas para nĂŁo atrair elas por meio de pronunciar o nome delas inteiro)
Essa transgressĂŁo afetou o nĂvel mais elevado da Alma que se reveste no corpo e portanto pode ser afetado pelas nossas transgressões, o nĂvel Neshamá da nossa Alma.
Para retificar essas três transgressões Adam Harishon se reencarnou simultaneamente em três pessoas que viveram na mesma época, que são os nossos três patriarcas
Avraham Avinu retificou o nĂvel Nefesh de Adam Harishon.
Itzhak Avinu retificou o nĂvel Rua’h de Adam Harishon.
Yaakov Avinu retificou o nĂvel Neshamá de Adam Harishon.
Diz o Ari Zal que essa Alma pĂ´de se reencarnar simultaneamente em trĂŞs pessoas que viveram na mesma Ă©poca sendo que sĂŁo trĂŞs nĂveis diferentes da mesma Alma.
Mas se fosse o mesmo nĂvel sĂł teria como se reencarnar se a pessoa anterior falecesse, sĂł assim ele poderia se reencarnar em outra pessoa.
Mas como sĂŁo trĂŞs nĂveis diferentes podem se reencarnar simultaneamente.
O Ari Zal nos conta que depois do conserto da Alma de Adam Harishon pelos nossos trĂŞs patriarcas, começa o conserto da Alma de Caim que tambĂ©m se reencarna em seus trĂŞs nĂveis em trĂŞs pessoas diferentes simultaneamente.
YtrĂł era o nĂvel Neshamá, o nĂvel mais alto da Alma de Caim.
Kora’h era o nĂvel Rua’h da Alma de Caim, e o “Mitzri”, o egĂpcio que Moshe matou para salvar o judeu que estava sendo assassinado por ele, era o nĂvel Nefesh, o nĂvel mais baixo da Alma de Caim.
Quando uma Alma volta para consertar o que fez em uma reencarnação passada, ela volta com a mesma vontade de fazer a coisa errada que fez na reencarnação anterior.
Mas dessa vez, ou ela conserta o que fez na reencarnação anterior se controlando para não fazer aquela coisa errada novamente.
SenĂŁo ela passa por esse conserto recebendo o castigo “medida por medida” do que fez.
Adam Harishon impurificou o nĂvel Nefesh da sua Alma por meio da idolatria. Avraham Avinu retificou a Nefesh de Adam Harishon por meio de ter nascido filho de Tera’h que era fabricante e vendedor de estátuas para a idolatria.
E não só pelo fato de ter deixado a idolatria do seu pai, mas também por ter dedicado toda a sua vida ensinando os idólatras à deixarem a idolatria e rezarem somente para AShem .
O Midrash nos conta que a linguagem do versĂculo que fala sobre o nascimento de Caim e Abel nos indica que com Caim nasceu uma irmĂŁ gĂŞmea e com Abel nasceram duas, como diz o versĂculo: “ela deu Ă luz à …”e” Caim” “e ela deu Ă luz…”e”… Ă seu irmĂŁo…”e”…Abel”. Cada “e” no versĂculo vem acrescentar uma irmĂŁ gĂŞmea, como dizendo “ela “e” Caim.
Sendo que Havá era parte de Adam Harishon podemos dizer que Adam Harishon se casou com si próprio sendo que ela era um lado dele.
A palavra “tzela” que quer dizer “lado” foi traduzida pela igreja erroneamente como costela, mas o Midrash nos conta que quando AShem fez o primeiro homem, um lado era Adam e o outro Havá, e para criar a mulher AShem somente separou esses dois lados.
A segunda geração que eram Caim e Abel se casariam com as próprias irmãs, e por isso Caim nasceu com uma gêmea e Abel com duas.
O nĂvel Nefesh de Caim se reencarnou no “Mitzri”, no egĂpcio que estava tentando assassinar um judeu Ă chicotadas.
Quando Moshe saiu do palácio do Faraó para ver de perto o que está acontecendo com o nosso povo ele tinha vinte anos.
Moshe viu o egĂpcio tentando assassinar um judeu Ă chicotadas. Diz o versĂculo que Moshe olhou para um lado e para o outro.
O Midrash diz que Moshe olhou para um lado e viu o que o egĂpcio fez na casa e o que ele fez no campo.
Depois disso Moshe falou o nome de AShem de quarenta e duas letras que sĂŁo as iniciais das quarenta e duas palavras da reza “Ana Bekoa’h” tirando dessa forma a alma do egĂpcio do corpo.
Diz o Ari Zal que o que Moshe viu que o egĂpcio fez no campo nĂŁo se referia ao egĂpcio mas sim ao nĂvel Nefesh da Alma de Caim que estava nele.
Ou seja, Caim matou Abel no campo para roubar dele a gĂŞmea que tinha nascido a mais, e esse egĂpcio que era a reencarnação de Caim (nĂvel Nefesh) tinha passado a noite na casa do judeu violentando a esposa dele, e agora estava assassinando o marido para pegar ela definitivamente.
Moshe matou o egĂpcio e o escondeu dentro da terra, e essa foi a retificação “midá kneged midá”, “medida por medida” sendo que Caim matou Abel e “a terra se abriu para receber o sangue dele”.
Depois desse acontecimento, Moshe fugiu, e posteriormente chegou em Midian e se encontrou com YtrĂł que precisaria retificar o nĂvel Neshamá de Caim que foi afetado pela relação ilĂcita que Caim teve com a gĂŞmea que roubou de Abel. Aquela gĂŞmea se reencarnou como Tzipora, a filha de YtrĂł.
YtrĂł deu sua filha Tzipora para se casar com Moshe, e depois da saĂda do Egito ele levou Tzipora pessoalmente para Moshe no deserto, fazendo o conserto do nĂvel Neshamá da Alma de Caim.
YtrĂł retificou Caim por meio de uma ação positiva, e por isso nĂŁo precisou passar pela retificação “medida por medida” como o egĂpcio
O que Kora’h pegou?
Kora’h, diz o Ari Zal, pegou o Rua’h de Caim. O que estava faltando nessa retificação Ă© o fato de Caim ter assassinado Abel porque o korban, o sacrifĂcio de Abel, foi aceito por AShem e o dele nĂŁo.
O fato de Caim ter assassinado Abel tambĂ©m por esse motivo foi o que afetou o nĂvel Rua’h da Alma de Caim.
Kora’h nĂŁo retificou o nĂvel Rua’h de Caim por meio de uma ação positiva, mas muito pelo contrário.
Ele tentou fazer com que Moshe fosse condenado como falso profeta para que ninguĂ©m mais do que Kora’h se tornasse o “Cohen Gadol”, o sumo sacerdote, o responsável por todos os assuntos religiosos do nosso povo.
Por isso Moshe disse para ele que se a terra se abrir esse Ă© o sinal de que a profecia de Moshe foi dada por AShem . Ou seja, medida por medida.
Como a terra se abriu para receber o sangue de Abel, agora ela vai se abrir para receber Kora’h, ou seja, para receber Caim.
O “Tikun”(conserto) de Caim, diz o Ari Zal, está indicado no seu prĂłprio nome. Daqui vemos que Havá tinha visto isso quando deu Ă luz Ă ele e o chamou de Ca-i-m que sĂŁo as iniciais de Cora’h (Kora’h), ItrĂł (YtrĂł), e Mitzri (o egĂpcio).
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Mais detalhes sobre o assunto anterior:
O que leva uma pessoa extremamente rica, muito inteligente e de boa famĂlia como era Kora’h tentar abalar toda a estrutura do nosso povo?
E mais, tentar dessa maneira tambĂ©m assassinar Ă Moshe Rabeinu sendo que pela Torá o falso profeta Ă© passĂvel de pena de morte!
Caim e Abel, Kora’h e Moshe
Para entendermos isso temos que voltar ao começo do mundo quando aconteceu o primeiro assassinato da história. Caim tinha nascido antes de Abel e com ele nasceu uma irmã gêmea que seria sua esposa.
Abel nasceu depois e com ele nasceram duas irmĂŁs gĂŞmeas que seriam suas duas esposas.
Caim ficou com inveja e planejou matar seu irmĂŁo para pegar essa esposa que ele achava merecer mais do que seu irmĂŁo
Caim fez um sacrifĂcio para D’us. Ele plantou linho, pegou a pior parte da sua colheita, a parte que ele iria descartar de qualquer jeito, essa parte ele queimou no altar.
Ou seja, no lugar de jogar fora ele fez dela uma oferenda para D’us, a primeira “reciclagem” da história da humanidade!
A fumaça do linho oferecido no altar foi dispersa por um vento forte mesmo que naquele dia nĂŁo houve nenhum vento em nenhum lugar a nĂŁo ser esse diretamente em cima do altar de Caim demonstrando claramente que AShem nĂŁo quer o sacrifĂcio oferecido por ele.
Abel criava ovelhas. Ele tambĂ©m fez uma oferenda para D’us, trouxe o melhor carneiro do seu rebanho e fez dele um sacrifĂcio no altar.
Mesmo sendo aquele dia um dia de forte ventania, a fumaça do sacrifĂcio de Abel milagrosamente subiu direto para o cĂ©u em uma linha reta, demonstrando que D’us aceitou o sacrifĂcio de Abel.
Por esses dois motivos Caim matou Abel, por achar que, sendo que ele é mais importante do que o seu irmão ele deve estar mais próximo à D’us do que o seu irmão e também merece ter mais mulheres do que seu irmão.
Várias passagens da Torá são verdadeiras incógnitas que somente são decifradas como sendo referência à assuntos espirituais muito profundos.
Entre essas passagens estĂŁo o versĂculo “olho por olho e dente por dente” e tambĂ©m o versĂculo no qual D’us cobra atĂ© a quarta geração dos que fazem o mal.
O versĂculo olho por olho e dente por dente nĂŁo tem como ser aplicado na prática porque o castigo na prática de quem quebrou o dente de alguĂ©m Ă© pagar o mĂ©dico, a indenização pela vergonha que a vĂtima passou, e os dias de trabalho que perdeu por causa do ferimento, mas nĂŁo retirar o dente do agressor.
E ainda mais, nada justificaria alguém que não tem dentes ser absolvido desse tipo de julgamento.
Sendo assim nossos sábios aprendem desse versĂculo que a indenização cobrada por um olho nĂŁo Ă© a mesma cobrada por um dente.
Mas sendo que a indenização tem que ser determinada por meio de um julgamento, o tribunal rabĂnico já determinaria por motivos lĂłgicos que a indenização de um olho nĂŁo Ă© a mesma que a indenização de um dente.
O versĂculo que diz que D’us cobra atĂ© a quarta geração de quem faz o mal tambĂ©m nĂŁo Ă© aplicável, sendo que a prĂłpria Torá determina que os filhos nĂŁo pagam pelos pecados dos pais.
E mais, o fato de o filho ter sido educado de maneira errada não é culpa do filho mas sim do pai, então absolutamente não há como cobrar dos filhos nem o comportamento do próprio filho, quanto mais o comportamento dos pais, e quanto mais o comportamento dos netos e dos bisnetos.
A explicação do Zohar
No lado oculto da Torá a explicação desse dois versĂculos e a ligação entre eles Ă© clara.
Quando alguĂ©m fere uma pessoa e causa a perda do seu olho ou do seu dente, naquele momento Ă© imediatamente decretado lá encima que o agressor vai perder o olho ou o dente, e essa Ă© a explicação do versĂculo “olho por olho e dente por dente”.
AShem (D’us) na sua infinita bondade dá para aquele agressor o longo prazo de quatro reencarnações para ele retificar o que fez.
Ou seja, as quatro gerações do versĂculo nĂŁo sĂŁo quatro gerações biolĂłgicas, mas sim quatro reencarnações da mesma pessoa.
Ou ele consegue retificar o que fez de maneira positiva, ou vai acontecer para ele o que ele fez para o outro, “olho por olho dente por dente”.
O nĂvel mais baixo da nossa Alma Divina Ă© chamado de Nefesh. Caim matou Abel por dois motivos: ele achava que por ser mais importante do que Abel ele merecia ter aquela esposa a mais, e matou Abel para roubar dele a mulher.
O nĂvel Nefesh de Caim se reencarnou como o soldado egĂpcio que tinha colocado o judeu para trabalhar a noite inteira e enquanto isso aquele soldado passou a noite com a mulher daquele judeu, e de manhĂŁ estava tentando assassinar o judeu a chicotadas.
NĂŁo sĂł que ele nĂŁo retificou o que fez, mas tentou repetir o erro. Para salvar o judeu, Moshe teve que falar um nome de AShem que faz a alma do egĂpcio sair do corpo, e depois enterrou o corpo morto dele na terra.
E assim, da mesma maneira que a terra se abriu para receber o sangue de Abel quando foi assassinado, agora ela recebe o sangue desse egĂpcio.
Ou seja, sendo que ele não retificou o que fez na reencarnação anterior mas ainda continuo insistindo no erro, aconteceu para ele agora o “olho por olho e dente por dente”, o que ele fez antes levou agora.
Um nĂvel superior da alma de Caim se reencarnou como YtrĂł, e a esposa de Abel que era o pivĂ´ da briga se reencarnou como Tzipora, a filha de YtrĂł.
A retificação desse nĂvel da alma do Caim nesse caso aconteceu de maneira positiva. YtrĂł levou Tzipora para Moshe no deserto e deu para Moshe o conselho que salvou a sua vida.
Agora chegamos Ă parte mais complexa. Caim tinha assassinado Abel tambĂ©m porque ele achava que por ser mais importante do que Abel, D’us teria que aceitar o sacrifĂcio que ele fez e nĂŁo aceitar o de Abel, e essa foi a parte que pegou Kora’h.
O teste de Kora’h foi o de aceitar que Moshe estava mais próximo de D’us do que ele. Mas como poderia Kora’h aceitar esse fato?
Quando Moshe tinha três meses de idade a filha do faraó o levou para seu palácio e lá ele foi criado.
Moshe cresceu no palácio do faraó. Claro que a princesa trouxe para ele os melhores professores particulares da comunidade judaica, mas olha onde ele estava! Como comparar ele à Kora’h que cresceu no coração da comunidade judaica que era a terra de Goshen.
E ainda mais, depois de ter crescido entre os egĂpcios no palácio do faraĂł, Moshe foi morar em Midian e se casou com Tzipora, a filha do sacerdote de Midian!
Claro que ela se converteu ao judaĂsmo, mas comparar ela com a mulher de Kora’h que era judia religiosa de nobre linhagem…
Para Kora’h nĂŁo faltavam motivos para justificar por que ele tinha que ser a pessoa mais prĂłxima de D’us e nĂŁo Moshe Rabeinu, da mesma forma que para Caim era Ăłbvio que o sacrifĂcio dele deveria ser aceito e nĂŁo o de Abel.
E aqui chegamos à reta final da retificação de Caim. Ou Kora’h consegue se controlar, ou o que ele fez na vida anterior vai ser cobrado dele agora.
Por isso Moshe avisou Kora’h que se a terra se abrir para recebê-lo, esse é o Sinal de que Moshe é um profeta verdadeiro.
Por que Moshe Rabeinu precisava lembrar à Kora’h esse detalhe?
Moshe Rabeinu era a reencarnação de Abel, e Kora’h pegou o lado difĂcil do Caim.
Sendo que a Alma Divina tem a memória das reencarnações anteriores que se despertam no nosso subconsciente.
Moshe apelou para esse fator também, lembrando Kora’hque da mesma forma que a terra se abriu para receber o sangue de Abel, se ele não retifica isso de maneira positiva vai acontecer para ele o olho por olho e dente por dente, e milagrosamente a terra vai se abrir para receber Kora’h e todos os que estão dando apoio à ele, porque sem esse apoio ele não teria como fazer o que tentou fazer.
De Kora’h aprendemos que não devemos ser como Kora’h!
Muitas vezes achamos que merecemos muito mais e estamos recebendo muito menos enquanto que nossos amigos que na nossa opiniĂŁo merecem muito menos estĂŁo recebendo muito mais.
EntĂŁo vamos sempre nos controlar, sĂł temos a ganhar!
Shabat Shalom🌻
Rabino Gloiber
Sempre rezando por vocĂŞs

