O Cajado de Moshe 

 

Nossa Parashá nos conta, entre muitos assuntos interessantes, que D’us pede para Moshe pegar “o cajado”, reunir o povo , falar com uma rocha na frente de todos e dela vai sair água para o povo inteiro.

 

No começo da história da saída do Egito, quando AShem (D’us) se revelou à Moshe no monte Sinai na ocasião do ”arbusto incandescente” e pediu para ele tirar nosso povo do Egito , Moshe estava com esse cajado.

 

AShem pede para ele jogar o cajado no chão e ele vira uma serpente , Moshe pega a serpente e ela volta a ser cajado.

 

AShem diz para ele levar esse cajado para o Egito e com ele fazer os milagres. Agora, próximos à conclusão da história , próximos à entrar definitivamente na terra prometida depois de ter ficado no deserto por quase quarenta anos, AShem pede para ele pegar “o cajado” e falar com a rocha.

 

Qual é a importância tão grande desse cajado que na nossa Parashá ele é chamado por AShem simplesmente de “o cajado” ?

 

Rabi Levi no Midrash nos conta que esse cajado foi criado no sexto dia da criação do mundo “bein ashmashot” (depois do pôr do sol mas antes de saírem as estrelas , horário após o término da criação em que o que foi criado nele era meio espiritual).

 

Esse cajado foi dado para Adam a Rishon (o primeiro homem) no Gan Éden (paraíso) . Adam deu ele para Hanoch que o deu para Noa’h que o deu para Shem que o entregou à Avraham Avinu.

 

Avraham o deu para Itzhak , Itzhak o deu para Yaakov que o levou ao Egito e o entregou à Yossef.

 

Quando Yossef faleceu, tudo o que havia na sua casa foi levado para o palácio do faraó, inclusive “o cajado”.Ytró era um dos assessores do Faraó. Ele viu que esse cajado tinha letras hebraicas , e mesmo sendo ele um dos grandes sábios dos povos da época, aquelas palavras ele não conseguiu decifrar.

 

Quando ele se demitiu do Faraó, pegou aquele cajado e o levou para Midian. Enfiou ele na terra no jardim de sua casa e não conseguiu mais arrancar ele de lá. Sempre que alguém pedia sua filha Tzipora em casamento ele colocava como condição arrancar aquele cajado do chão, mas por mais forte que fosse o pretendente ninguém conseguiu arrancar o cajado (olha de onde os ingleses copiaram a estória do rei Arthur).

 

Quando Moshe fugiu do Egito e chegou à casa de Ytró , leu o que estava escrito no cajado, tirou ele do jardim e se tornou o genro de Ytró.Diz o Zohar que nesse cajado estava lapidado o nome explícito de AShem dos dois lados e representavam dois tipos diferentes de atuação Divina no mundo, um lado despertaria a Hessed (bondade) e a Guevurá (severidade) e o outro lado despertaria Guevurá com Guevurá quando fosse necessário.

 

Por isso nas pragas do Egito aparece a linguagem “incline seu braço”, o braço esquerdo, o lado da Guevurá.

 

Diz o Zohar que esse é o motivo que AShem pediu para Aharon jogar o cajado dele na frente do Faraó.

 

Naquela ocasião o cajado de Aaron se transformou em cobra , e voltando a ser cajado comeu os cajados dos feiticeiros do Egito que tinham se transformado em cobras.

 

O cajado de Aaron tinha que fazer isso porque AShem não queria impurificar seu nome lapidado no cajado de Moshe quando o cajado engolisse as “varinhas mágicas” dos feiticeiros.

 

Outro motivo que tinha que ser o cajado de Aaron era para subjugar todos aqueles que eram do lado esquerdo, “Guevurá”, porque Aharon era o Coen, “homem da bondade”, nas Sefirot a Hessed, “lado direito” que subjuga a Guevurá que é o lado esquerdo.

 

Diz o Zohar que AShem quis que seus nomes lapidados no cajado fizessem os milagres , mas quando Moshe bateu com ele na pedra duas vezes AShem disse para ele que não era para isso que ele tinha esse cajado.

 

A Torá nos conta que esse é o motivo que Moshe não entrou na terra prometida, publicando a grandeza de Moshe que não teve outro motivo a não ser esse motivo tão pequeno.

 

Diz o Rebe de Lubavitch que aprendemos com o cajado de Moshe uma coisa muito importante:

 

Nesse mesmo cajado estavam lapidados os nomes das nossas seis matriarcas e seus doze filhos que deram origem ao povo de Israel.

 

E ao mesmo tempo estavam lapidadas nele em forma de iniciais as dez pragas que eram o nível mais baixo da atuação Divina, a revelação Divina em forma de pragas , e que aconteceram no Egito que era o país mais depravado do mundo .

 

E nesse mesmíssimo cajado estava lapidado o nome mais sagrado de AShem, o mais importante dos sete nomes de D’us que não podem ser apagados, o nome que se refere à “essência Divina” , e quando nos unimos à um pouco da essência Divina nos unimos à ela inteira.

 

Diz o Baal Shem Tov que a Divina providência não recai somente à assuntos globais, mas AShem se relaciona à menor coisa do mundo da mesma maneira que se relaciona à maior coisa do mundo.

 

E não só à menor coisa como também a menor das menores, porque o menor detalhe completa a mais suprema perfeição da intenção Divina.

 

AShem mesmo sendo o Todo Poderoso está cuidando de cada detalhe de uma criança pequena nesse mundo.

 

E até de coisas ainda menores como uma folhinha que cai de uma árvore , a Divina Providência está acompanhando ela e determinado quantas voltas ela vai dar , e se é por meio do vento ou de outra forma.

 

Vimos no comportamento do Baal Shem Tov esses dois extremos.

 

Por um lado ele revelava aos seus alunos os segredos mais profundos da Torá, e junto com isso ele conversava com as pessoas mais simples sobre os assuntos mais simples da Torá e das Mitzvot, e ele próprio ensinava as crianças pequenas a falar o Amém do Kadish.

 

Aprendemos daqui que por mais que estejamos ocupados com assuntos importantíssimos temos que nos ocupar da mesma maneira com assuntos de Torá e Mitzvot que parecem para nós muito pequenos , porque se até AShem faz assim, quanto mais nós!

 

Diz o Midrash que o cajado de Moshe chegou até o rei David e dele passou para os reis da Judéia , na destruição do primeiro Beit Hamikdash ele desapareceu.

 

Mas esse mesmo cajado que estava nas mãos de Moshe vai estar nas mãos do Mashia’h e com ele o Mashia’h vai tirar o povo de Israel do Galut (exílio que inclui dez tribos perdidas e judeus que se misturaram com os povos do mundo e perderam sua identidade judaica. E de acordo com todos os sinais que nos trás a Guemará tudo isso já está para acontecer !

 

Rabino Gloiber

Sempre correndo

Mas sempre rezando por você

 

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