Shoftim
D’us a essĂŞncia do bem e a natureza de quem Ă© bom Ă© fazer o bem, e toda a intenção Divina Ă© sempre a de nos ajudar de todas as formas possĂveis e imagináveis.
Mesmo que Ă s vezes, para o nosso bem, essa ajuda se compara Ă uma mĂŁe bondosa e generosa, mas junto a isso obrigada a trocar a fralda da criança contra a vontade da prĂłpria criança que preferiria continuar com a fraldinha “cheia” sem estar consciente do que isso poderia causar para ela…
Â
E sendo Moshe Rabeinu o mais humilde de todos os homens que já existiram sobre a face da terra, o lĂder que nĂŁo pensa no prĂłprio bem, mas somente no bem do povo, como pode ser a linguagem da Torá Ă s vezes tĂŁo ameaçadora ?
Â
A ponto de dar uma impressĂŁo de D’us e de Moshe totalmente contrária ao que vimos anteriormente, dando margem a erros de avaliação de achar que D’us Ă© cruel, o que Ă© o contrário da essĂŞncia Divina.
A resposta para isso está na nossa Parashá, que diz: “…e todo o povo vai escutar e ver, e nĂŁo vĂŁo fazer o mal novamente”
Â
Ou seja, a Torá faz uma enorme propaganda da gravidade de certos assuntos para que o povo fique longe das coisas erradas.
Â
Contudo, essa linguagem preventiva nĂŁo deve nos dar a impressĂŁo de D’us como alguĂ©m autoritário e rancoroso, ou de Moshe como um lĂder severo.
Mas a cada instante devemos nos lembrar de que D’us Ă© a essĂŞncia do bem e a natureza de quem Ă© bom Ă© fazer o bem, e toda a intenção Divina Ă© sempre a de nos ajudar de todas as formas possĂveis e imagináveis.
Â
Moshe sempre foi e sempre será o mais humilde de todos os homens, o lĂder bondoso, sempre pensando no bem de todos nĂłs
Â
É importante sempre nos lembrarmos disso e tambĂ©m repassarmos para as crianças o conceito certo desde o começo para nĂŁo causar um trauma para as nossas crianças de terem uma idĂ©ia errada do que Ă© D’us e de quem Ă© Moshe.
🌻🌻🌻🌻
Nossa Parashá nos conta sobre os direitos e deveres do Rei, terminando com o versĂculo de que esses direitos e deveres sĂŁo para que ele tenha um longo reinado.
Â
Imediatamente depois disso, a Parashá conta sobre direitos e deveres do Cohen e do Levi. O denominador comum entre eles Ă© o de que eles tĂŞm o patrocĂnio do povo.
Sobre o rei está escrito que ele não pode ter mais cavalos do que o necessário, ou seja, realeza não é exibicionismo.
Â
O Rambam diz que hoje em dia, todos aqueles que se dedicam ao estudo e ensino da Torá e Ă divulgação do judaĂsmo estĂŁo fazendo o trabalho daquela tribo de Levi que ensinava a Torá para o povo, e portanto podem receber o patrocĂnio do povo.
Como o Levi que nĂŁo recebeu uma parte na terra de Israel mas a parte dele era o trabalho Divino patrocinado pelo povo.
O Rebe nos conta que o motivo desse denominador comum Ă© o de nos ensinar que da mesma maneira que o rei nĂŁo poderia ter mais cavalos do que o necessário, tambĂ©m as pessoas que se ocupam com o estudo e ensino da Torá e a divulgação do judaĂsmo tem o direito de receber o patrocĂnio da comunidade, mas junto Ă isso tambĂ©m tem todo o dever de usar esse patrocĂnio apenas da maneira correta.
🌻🌻🌻🌻
Nossa Parashá diz: “Seja Tamim com AShem seu D’us.”
A palavra “Tamim” quer dizer: inocente, puro, simples, Ăntegro.
Â
O Shul’han Aru’h coloca esse versĂculo na prática determinando que nĂŁo Ă© permitido para nĂłs judeus consultarmos astrĂłlogos, e quanto mais feiticeiros e videntes.
Â
A Guemará nos conta que quando nasceu o grande Sábio de Israel, Rabi Na’hman bar Itzhak, os astrĂłlogos disseram para a mĂŁe dele :- Seu filho vai ser um ladrĂŁo!
Â
Ouvindo isso, ela decidiu que nunca iria deixar ele andar com a cabeça descoberta, e dizia para ele :- cubra a sua cabeça para que você tenha “Irat Shamaim”, temor à D’us, e peça sempre à D’us para que o seu “yetzer a rá”, sua má inclinação, não te domine.
Â
Ele não sabia porque ela insistia tanto nisso até que uma vez ele estava sentado embaixo de uma tamareira que não era dele, e a “glimá”, a kipá da época, que cobria a cabeça dele, caiu.
O “yetzer a rá” despertou, e por incrĂvel que pareça ele conseguiu escalar a tamareira e roubar um cacho de tâmaras arrancando ele com os prĂłprios dentes!
Depois que ele colocou a Kipá de volta na cabeça ele foi procurar o dono da tamareira para devolver o cacho de tâmaras que ele tinha conseguido roubar.
Â
Afinal de contas, ele continuou seguindo os conselhos da sua mãe e se tornou um dos maiores Tzadikim da Guemará e Rosh Yeshivá de Pumbedita, uma das comunidades judaicas mais importantes da Babilônia.
Surge a pergunta:
Se Ă© proibido consultar os astrĂłlogos, porque a mĂŁe de Rabi Na’hman bar Itzhak levou em conta o que eles disseram e fez com que ele se esforçasse tanto para que isso nĂŁo acontecesse?
Â
O prĂłprio Shul’han Aru’h, na continuação desse assunto nos conta que, nas coisas que já sabemos que o “Mazal”, o destino, nĂŁo Ă© bom, temos que levar isso em conta e nos proteger, e nĂŁo confiar em um milagre.
Â
Mas o que Ă© proibido fazer Ă© o ato de nĂłs prĂłprios verificarmos as coisas dessa maneira.
Os astrólogos da Babilônia tinham feito o mapa astral da criança dela que tinha acabado de nascer mesmo que ela própria, por motivos religiosos, nunca iria pedir para eles fazerem isso.
Ou seja, quando uma coisa assim acontece, temos que fazer o que precisamos para nos proteger do que pode acontecer e nĂŁo esperar por um milagre.
ConclusĂŁo: NĂŁo tenha vergonha de andar na rua com a kipá, pode ser um bonĂ© tambĂ©m, porque isso nos traz muita “Irat Shamaim”, vocĂŞsĂł tem a ganhar!
🌻🌻🌻🌻
Leitura de mĂŁos
Os livros de Kabalá trazem assuntos como leitura de mãos.
O fato de isso estar na Kabalá mostra que isso não entra nessa proibição, mas diz o Rebe que isso se refere somente à alguém que tem esse recebimento de Kabalá prática de mestre para aluno desde a época em que os livros de Kabalá que tratam desse assunto foram escritos.
Â
O Rebe nos revelou que hoje em dia já não existem mais pessoas que tenham esse recebimento direto, e sendo que nesse caso não adianta estudar diretamente dos livros, a leitura de mãos atualmente é inválida.
🌻🌻🌻🌻
Nossa Parashá diz que devemos colocar juĂzes e guardas em todos os nossos portões.
O Rav Haim Vital que foi o principal aluno do Ari ZaL nos conta que a palavra portões aparece aqui no plural para nos indicar uma coisa mais profunda:
Os portões do nosso corpo!
1- O portĂŁo da visĂŁo, que sĂŁo nossos olhos:
Não olhar para coisas que a Torá, nosso referencial do que é luz e do que é escuridão, recomenda não olharmos, principalmente hoje na era do internet !
2- O portão da audição que são nossos ouvidos:
Â
Não dar ouvidos a coisas inadequadas como ouvir leshon a rá, ouvir alguém falando mal das pessoas (principalmente hoje, na era da informação)
Â
3- O portĂŁo da fala que Ă© a nossa boca: nĂŁo falar coisas feias e nem “leva e traz”, nĂŁo falar “leshon a rá” (principalmente hoje na nossa era do Facebook)
Â
4- O portĂŁo do olfato que Ă© o nosso nariz:
Â
Não cheirar o perfume da pessoa proibida para você (bons e velhos tempos quando não havia poluição e nem rinite alérgica e dava para cumprir essa Mitzvá com capricho)
Â
5- O portĂŁo do tato, do contato fĂsico, que sĂŁo nossas mĂŁos e pĂ©s:
Não tocar na pessoa proibida (fácil), não ir à um lugar inadequado que pode nos despertar desejos proibidos (principalmente na era do entretenimento)
Quando protegemos nossos “portões” das coisas ruins recebemos um enorme presente de AShem, como diz o profeta Yashaiahu :
-“Abram os portões e entre o povo sagrado …
Quando fechamos os nossos “portões” para as coisas ruins, os portões celestiais se abrem para nĂłs e ganhamos no paraĂso futuro 310 mundos paradisĂacos no qual cada mundo tem um portĂŁo que se abre para nĂłs.
Continua o rav Haim Vital que daqui para o paraĂso celestial existem muitos tipos de “anjos” que tentam nos impedir de chegar lá, e tambĂ©m os sete cĂ©us tem muitos e muitos portões com muitos guardas celestiais em cada portĂŁo e portĂŁo.
Depois dos 120, quando quando deixamos esse mundo (e infelizmente hoje em dia os 120 estĂŁo ficando modo de falar) esses anjos nos verificam.
Â
Se tivermos mérito, eles abrem os portões e nos deixam entrar.
Â
Se não tivermos, eles nos empurram para fora e trancam os portões na nossa frente não nos deixando entrar.
Por isso devemos ter a sabedoria de demarcar nossos limites e proteger nossos “portões”.
Quando nos conscientizamos disso durante a nossa vida neste mundo teremos o mérito de todos os portões celestiais serem abertos para nós no mundo vindouro
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por vocĂŞ
www.RabinoGloiber.org

