O que estamos fazendo aqui nesse país ?

 

Nossa Parashá nos conta sobre o exército do nosso povo.

 

Um exército no qual o Cohen antes da guerra anunciava à todos, entre outras coisas, que quem teme morrer na guerra por ter feito algum pecado que justifique o fato de D’us não ajudá-lo por causa disso, deve voltar para a retaguarda e dar apoio ao exército, como o conserto dos caminhos e etc, mas não ir para a frente de batalha para não morrer.

 

Nossa própria Parashá conta na continuação que assuntos ligados à relações ilícitas distanciam de nós a ajuda Divina, e com certeza a pessoa que tinha uma “caidinha” para um assunto desses era o primeiro a voltar por saber que sem a ajuda Divina na guerra ele poderia morrer.

 

Ou seja, só participava da guerra quem não tinha feito pecados ou quem já tinha se arrependido dos pecados que fez e com certeza tinha decidido que já não iria mais fazer, principalmente em assuntos relacionados à relacionamentos ilícitos.

 

O costume na época antiga era de se casar com dezoito anos mas ir para a guerra só com vinte, o que garantia também a responsabilidade e o bom comportamento do soldado, principalmente em relação à mulheres da cidade conquistada.

 

Nesse ambiente de guerra feroz contra um inimigo cruel a ponto de justificar uma guerra, ambiente nada romântico, nossa Parashá prevê que pode acontecer o despertar de uma verdadeira paixão entre um soldado judeu e a própria inimiga.

 

Como em um ambiente desses um homem pode se apaixonar?

 

E ainda, pela própria inimiga?

 

E a Torá dá a opção de eles se casarem!

 

Explica o Ari ZaL que quando Adam a Rishon, o primeiro homem, fez a primeira transgressão comendo a fruta da árvore do bem e do mal, causou para o mundo a mistura espiritual entre o bem e o mal.

 

Todas as almas Divinas que iriam futuramente nascer nesse mundo estavam no Adam a Rishon, e muitas dessas Almas caíram nesse momento no lado espiritual impuro como consequência dessa mistura entre o bem e o mal.

 

O mapa da queda dessas “Almas Divinas” que afundaram nas impurezas é uma cópia espiritual impura do Adam a Rishon chamada de “Adam de Bliial”.

 

A cabeça dele representa o exílio da Babilônia, os braços representam os exílios da Pérsia e Média que sucederam o exílio da Babilônia e o corpo representa o império grego que sucedeu a Pérsia.

 

Até aqui tudo bem definido e mapeado, em cada exílio toda a comunidade judaica se encontrava nele e as fronteiras eram bem definidas.As duas pernas desse Adam de Bliial representam dois exílios paralelos.

 

O exílio de Edom que são os descendentes de Essav, e o exílio de Ishmael.

 

Dois exílios totalmente distintos e longos, e por isso representados pelas pernas dessa figura que são as partes mais longas do corpo e separadas uma da outra .

 

Ishmael deu origem aos árabes e posteriormente se misturou com os persas.

 

Edom deu origem aos povos europeus e suas ramificações étnicas coloniais, como no caso dos americanos que são descendentes dos ingleses.

 

Ou seja, mesmo tendo sido a Índia colônia inglesa, sua população não é de origem inglesa como os Estados Unidos e a Austrália, e mesmo tendo sido a Indonésia colônia holandesa, sua população não é de origem holandesa.

 

O que determina a nossa Galut, nosso exílio, é o povo que habita aquela terra e não o seu espaço geográfico.

 

Galut na prática

 

Por incrível que pareça, vemos que os judeus nos últimos dois mil anos viveram em países árabes e europeus, posteriormente incluindo suas colônias étnicas.

 

Não ouvimos que tivesse alguma comunidade judaica muito relevante na índia, na China, ou no Japão.

 

E mesmo que judeus fugindo dos nazistas ficaram algum tempo na China, mesmo assim tiveram que se mudar para países de etnia européia como Estados Unidos e Austrália onde hoje existem comunidades judaicas com toda a estrutura montada.

 

Mesmo países muito ricos como Coréia ou Japão não conseguiram atrair uma migração judaica.

 

E mesmo existindo nesses lugares sinagogas como por exemplo o Beit Chabad de Tókio e de Kyoto, mesmo assim esses países são visitados geralmente por turistas e comerciantes que ficam temporariamente nesses lugares e não representam uma comunidade judaica verdadeira com toda a sua estrutura.

 

Milhões de judeus moram em Israel que faz parte de um oriente médio árabe.
“Galut Ishmael”, nosso exílio no meio dos descendentes de Ishmael.

 

Outros milhões vivem nos Estados Unidos e na Europa, “Galut Edom”, exílio entre os descendentes de Edom.

 

E até o Brasil tem uma comunidade judaica que justifica a existência da Yeshivá de Petrópolis e outras duas Yeshivot.

 

Mas tanto a Índia quanto a China, ambas com mais de um bilhão de habitantes, não tem uma comunidade judaica que justifique nem sequer a existência de uma única Yeshivá.

 

Diz o Ari ZaL que o motivo do nosso povo ter passado por esses exílios, inclusive os que estamos agora de Edom e Ishmael, é para elevar as “centelhas Divinas” que afundaram nas impurezas.

 

De acordo com todos os sinais que traz a Guemará já estamos nos calcanhares dessa figura.

 

Ou seja, só sobrou dela os calcanhares, os últimos refinamentos.

 

Sobre essa figura dizem nossos Sábios que Mashia’h não chega até terminarem as almas do “corpo”.

 

De acordo com o Ari Zal isso quer dizer:

 

Até todas as Almas afundadas nesse “corpo espiritual de impureza” serem refinadas desses exílios, e esse processo já chegou ao seu final.

 

Diz o Ari ZaL que só dessa maneira conseguimos entender esse assunto da nossa Parashá.

 

Os judeus que iam para aquela guerra eram Tzadikim perfeitos e não existia a possibilidade de eles se apaixonarem por alguém por motivos de “Yetzer a rá”, má inclinação.

 

Consequentemente, o que despertou neles aquela paixão foram as Almas Divinas que se misturaram no DNA espiritual daquele povo.

 

Essa Alma Divina estava naquela mulher e tinha um vínculo espiritual com a Alma do judeu que se apaixonou por ela, e essa era a única possibilidade de esse amor surgir.

 

Ela era ”bonita” só para ele, só pelo motivo de a Alma Divina dela estar vinculada à Alma Divina dele .

 

Talvez isso justifique também o fato de agora que estamos na época em que a nossa redenção final está para acontecer muitas pessoas quererem se converter ao judaísmo, pegando as comunidades judaicas despreparadas pelo fato de isso não ter sido uma coisa comum antes da nossa geração.

 

E mesmo que tivemos na nossa história pessoas que se converteram ao judaísmo e até se tornaram grandes Sábios de Israel, e também ouvimos falar de um povo ou outro que se converteu ao judaísmo, mas não foi uma coisa tão grande que podemos apontar e dizer que aqui esses povos viviam e esses são os seus descendentes.

 

Nunca esse fenômeno foi tão grande e tão diversificado, despertando uma verdadeira confusão em todas as comunidades judaicas do mundo.

 

Conclusão:

 

O fato de estarmos aqui no galut é para elevarmos as centelhas Divinas que estão no nosso país, nosso Galut personalizado.

 

Por meio do estudo da Torá, muitas vezes usando a língua do próprio país para explicá-lá, e do cumprimento das Mitzvót, usando as coisas materiais que temos aqui nesse país para o trabalho Divino, por meio disso elevamos todas as ramificações dessas Centelhas Divinas que caíram nesses lugares fazendo com que a Gueulá, a redenção final, aconteça imediatamente, em breve em nossos dias de verdade.

 

Conclusão: No lugar de pensar no que precisamos e pedir nas nossas rezas só o que precisamos, e fazer disso uma condição para ficarmos felizes, devemos nos perguntar:- Para que AShem precisa de nós aqui nesse mundo?

 

Faltava alguma coisa para nós lá em cima que tivemos que descer para cá?

 

Então, vamos nos dedicar!

 

Cumprir mais Mitzvót com muita alegria e pedir nas nossas rezas para que Mashia’h venha imediatamente e já aconteça o término do galut!

 

Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você

www.RabinoGloiber.org