Ki Tetze
Nossa Parashá nos conta sobre o exército do nosso povo.
Um exército no qual o Cohen antes da guerra anunciava à todos, entre outras coisas, que quem tem medo de morrer na guerra por ter feito algum pecado que justifique isso, deve voltar para a retaguarda e dar um apoio ao exército como o conserto dos caminhos e etc, mas não ir para a frente de batalha.
Nossa prĂłpria Parashá continua nos contando que assuntos ligados Ă relações ilĂcitas distanciam de nĂłs a ajuda Divina, e com certeza a pessoa que tinha uma “caidinha” para um assunto desses era o primeiro a voltar por saber que sem a ajuda Divina na guerra ele poderia morrer.
Ou seja, sĂł participava da guerra quem nĂŁo fazia pecados (principalmente desse tipo) e com certeza nem tinha vontade de fazer.
Nesse ambiente de guerra feroz contra um inimigo cruel a ponto de justificar uma guerra contra ele, ambiente nada romântico, acontece o despertar de uma paixão entre um soldado judeu e a própria inimiga .
Como em um ambiente desses um homem se apaixona? E pela inimiga? E a Torá deixa em aberto a opção de eles se casarem!
A explicação do Ari Zal
Explica o Ari ZaL que quando Adam a Rishon, o primeiro homem, fez a primeira transgressão que foi a ação de comer a fruta da árvore do bem e do mal, ele misturou o bem e o mal no mundo.
Todas as Almas Divinas que iriam nascer estavam no Adam a Rishon, e muitas dessas Almas caĂram no lado espiritual impuro como consequĂŞncia dessa mistura entre o bem e o mal.
O mapa da queda dessas “Almas Divinas” que afundaram nas impurezas é uma cópia espiritual impura do Adam a Rishon, do primeiro homem, chamada de “Adam de Bliaal” .
A cabeça dele representa o exĂlio da BabilĂ´nia, os braços representam os exĂlios da PĂ©rsia e MĂ©dia que sucederam o exĂlio da BabilĂ´nia, e o corpo representa o impĂ©rio grego que sucedeu a PĂ©rsia.
AtĂ© aqui tudo bem definido e mapeado e em cada um desses exĂlios a maior parte da comunidade judaica se encontrava naquele lugar e as fronteiras eram bem definidas.
As duas pernas desse “Adam de Bliaal” representam dois exĂlios paralelos. O exĂlio de Edom que sĂŁo os descendentes de Essav, e o exĂlio de Ishmael.
Dois exĂlios totalmente distintos e longos, e por isso sĂŁo representados pelas pernas que sĂŁo as partes mais longas do corpo e separadas uma da outra .
Ishmael se misturou com os persas antigos que são o Irã e suas ramificações no mundo árabe, e Edom deu origem aos povos europeus e suas ramificações .
Por incrĂvel que pareça, vemos que os judeus nos Ăşltimos dois mil anos viveram em paĂses árabes e europeus incluindo suas colĂ´nias.
NĂŁo ouvimos que tinha alguma comunidade judaica muito relevante na Ăndia, na China ou no JapĂŁo, e mesmo que judeus fugindo dos nazistas ficaram algum tempo na China como foi o caso dos alunos da Yeshivá da cidade de Mir na BielorrĂşssia, mesmo assim tiveram que se mudar para paĂses de etnia europĂ©ia como Estados Unidos e Austrália de colonização europĂ©ia onde hoje existem comunidades judaicas com toda a estrutura montada, enquanto que na China, na ĂŤndia, na CorĂ©ia ou no JapĂŁo, sĂł existem Batei Chabad visitados por turistas e comerciantes que ficam temporariamente nesses lugares.
Quase seis milhões de judeus moram em Israel que faz parte de um oriente médio, “galut Ishmael”, e mais de seis milhões vivem nos Estados Unidos , “galut Edom”.
Até o Brasil tem uma comunidade judaica que justifica a existência de três Yeshivot .
Mas a Índia ou a China com mais de um bilhão de habitantes cada uma, não tem uma comunidade judaica que justifique nem sequer uma Yeshivá.
A explicação do Ari Zal
Diz o Ari ZaL que o motivo do nosso povo ter passado por esses exĂlios, inclusive os que estamos agora de Edom e Ishmael, Ă© para elevar as “centelhas Divinas” que afundaram nas impurezas.
De acordo com todos os sinais que traz a Guemará, já estamos nos calcanhares dessa figura.
Ou seja, sĂł sobrou dela os calcanhares, Ăşltimos refinamentos.
Sobre essa figura dizem os nossos Sábios que Mashia’h não chega até terminarem as almas do “corpo”.
De acordo com o Ari Zal, isso quer dizer que Mashia’h vai chegar quando todas as Almas que estĂŁo afundadas nesse “corpo espiritual de impureza” se refinarem por causa desses exĂlios.
Diz o Ari ZaL que só dessa maneira conseguimos entender esse assunto da nossa Parashá.
Os judeus que iam para aquela guerra eram Tzadikim perfeitos e não existia a possibilidade de eles se apaixonarem por alguém por motivos de “Yetzer Hará”, má inclinação.
Consequentemente o que despertou aquela paixĂŁo foi a Alma Divina dela que se misturou no DNA espiritual daquele povo.
Essa Alma Divina estava naquela mulher e tinha um vĂnculo espiritual com a alma do judeu que se apaixonou por ela, e essa era a Ăşnica possibilidade de esse amor surgir.
Ela era “bonita” só para ele, por motivo de a Alma dela estar vinculada à Alma dele .
Talvez isso justifique tambĂ©m o fato de que agora que estamos na Ă©poca em que a nossa redenção final está para acontecer, muitas pessoas quererem se converter ao judaĂsmo, pegando as comunidades judaicas despreparadas pelo fato de isso nĂŁo ter sido uma coisa comum antes da nossa geração.
E mesmo que tivemos na nossa histĂłria pessoas que se converteram e atĂ© se tornaram grandes Sábios de Israel, e tambĂ©m ouvimos falar de um povo ou outro que se converteu ao judaĂsmo, mas nĂŁo foi uma coisa tĂŁo grande que podemos apontar e dizer que aqui esses povos moravam e esses sĂŁo os seus descendentes.
Nunca esse fenĂ´meno foi tĂŁo grande e tĂŁo diversificado, despertando uma verdadeira confusĂŁo em todas as comunidades judaicas do mundo.
ConclusĂŁo:
O fato de estarmos aqui no galut Ă© para elevarmos as centelhas Divinas que estĂŁo no nosso paĂs que Ă© o nosso Galut personalizado.
Por meio do estudo da Torá, muitas vezes usando a lĂngua do prĂłprio paĂs para explicá-lá, e do cumprimento das MitzvĂłt, usando as coisas materiais que temos aqui nesse paĂs para o trabalho Divino, por meio disso elevamos todas as ramificações dessas “Centelhas Divinas” que caĂram nesses lugares fazendo com que a Gueulá, nossa redenção final, aconteça imediatamente, em breve em nossos dias de verdade.
EntĂŁo, no lugar de pensar no que precisamos e pedir nas nossas rezas sĂł o que precisamos e fazer disso uma condição para ficarmos felizes, devemos nos perguntar: – Para que AShem precisa de nĂłs aqui nesse mundo?
Será que faltava alguma coisa para nós lá em cima que por causa disso tivemos que descer para cá?
EntĂŁo, vamos nos dedicar!
Cumprir mais Mitzvót com muita alegria e pedir nas nossas rezas para que Mashia’h venha imediatamente e já aconteça o término do galut!

Shabat Shalom
Rabino Gloiber
Sempre rezando por vocĂŞ

