Nitzavim
Parashat Nitzavim, é sempre lida no Shabat antes de Rosh a Shaná porque o Shabat envolve espiritualmente os dias posteriores e Rosh a Shaná é o dia do julgamento no qual todas as Neshamot, as nossas Almas, se apresentam na frente de AShem.
Nossa Parashá cita diferentes níveis de pessoas, como os presidentes das tribos, lenhadores e aguadeiros.
Nos indicando que tanto os presidentes das tribos que representam as pessoas mais importantes, quanto o lenhador e o aguadeiro, que representam as pessoas menos importantes são julgados juntos com total igualdade
E o motivo para isso é que somos comparados à um corpo onde cabeça e pés se completam, nenhuma parte pode faltar, e cada uma é julgada de acordo com a sua função.
O dia de Rosh a Shaná foi escolhido por D’us para ser o aniversário da criação do mundo.
O mundo foi criado em seis dias e cada um deles é o dia da criação do mundo, mas o sexto dia que é o dia no qual o homem foi criado, foi escolhido para ser o aniversário do mundo porque o ser humano é o objetivo da criação.
Porque então D’us falou para os anjos façamos o homem se somos mais importantes que os anjos?
Diz o Midrash que foi para nos ensinar a importância da humildade.
Se até D’us quando fez o homem compartilhou essa informação com os anjos porque eles teriam ligação com essa nova criatura, quanto mais nós devemos nos comportar com humildade.
Um dos vínculos que encontramos entre nós e os anjos é o chamado “Tribunal Divino”. Ele é composto de anjos e Neshamot de Tzadikim.
Quando fazemos uma coisa boa criamos naquele tribunal um anjo à nosso favor, quando fazemos algo ruim criamos um anjo contra nós. Consequentemente o Tribunal Divino de cada um de nós é personalizado.
Diferente das outras “religiões” onde a divindade faz o que quer, no judaísmo, antes de D’us nos criar ele já tinha criado o tribunal Divino que fiscaliza nossas ações usando a Torá como referencial, e por mais que D’us seja a essência do bem, ele não pode ser tirano com esse tribunal e obrigá-los a mudar um decreto à nosso favor sem um motivo que justifique isso.
Rezando por nós próprios
Sendo assim, como conseguimos por meio das nossas rezas anular os decretos do tribunal Divino?
Rabi Yossef Albo que viveu na Espanha no ano de 1400 nos explica que quando nos arrependemos do que fizemos e rezamos, nos tornamos pessoas melhores e aquele decreto que tinha sido feito para uma pessoa pior perde o efeito porque essa pessoa pior deixou de existir, e para a pessoa melhor que você ficou agora é feito um decreto melhor.
Rezando por outras pessoas
O Baal Shem Tov tinha um mestre que descia do céu para ensinar à ele Torá.
Esse mestre era o profeta Ahia a Shiloni que viveu na época do Rei Salomão e foi posteriormente o mestre de Eliahu a Naví.
Disse o Baal Shem Tov que o profeta Ahia revelou para ele que a Sefirá chamada Mal’hut é chamada de din, decreto rígido, e a raíz dos dinim é a sefirá chamada de Biná.
Por meio da reza elevamos o “din” até a Biná e lá adoçamos ele, ou seja, mudamos o DNA dele na sua fonte e transformamos ele em bondade.
Quando rezamos por outra pessoa ligamos ela a essa raiz espiritual, à Biná, e lá ela já é outra pessoa.
Então vamos aproveitar o Rosh a Shaná e rezar bastante para que nós e todos os que estão ligados à nós tenhamos um ano bom e doce e que Mashia’h chegue já!
Vaiele’h
Encontramos na nossa Parashá um dos cinco versículos que são exceção de regra na leitura da Torá.
Sendo que o Sefer Torá não tem pontos, nos baseamos nos sinais de música chamados de Teamim que vem desde a época de Moshe Rabeinu para saber onde começa ou acaba o versículo .
O motivo de precisarmos saber isso é porque não podemos dizer meio versículo quando há nele o nome de AShem para não falarmos o nome de D’us em vão.
Sendo assim nos baseamos no sinal de música chamado etna’hta que representa um ponto e vírgula, ou no sinal sof passuk que representa um ponto final, para sabermos aonde o versículo termina.
A Guemará em Yoma nos conta que o grande Sábio Issi ben Yehuda nos ensinou que cinco versículos na Torá inteira saem dessa regra. Um deles está na nossa Parashá .
O versículo diz:- “E disse D’us à Moshe, você se deita com seus pais e levanta esse povo e…..etc. (Nesse versículo AShem comunica à Moshe que esse é o dia da morte dele).
O ponto e vírgula, chamado de etna’hta, se encontra na palavra “seus pais”, aparentemente determinando que lá termina o assunto (mas que nesse caso não vai determinar por causa da exceção de regra).
Dizem nossos sábios na Guemará em Sanedrin que desse nosso versículo :- “Você se deita com os seus pais e levanta”, ultrapassando o ponto e vírgula, aprendemos a ressurreição dos mortos pela Torá escrita .
O Ari Zal nos explica que, sendo que esse versículo não tem determinação e se aplica tanto ao antes do etna’hta (Moshe) e ao depois (esse povo) , que tanto Moshe quanto esse povo se reencarnam e se tornam à última geração.
Diz o Ari ZaL, que Moshe Rabeinu e toda sua geração eram a “Dór Deá”, a geração do conhecimento, e a raíz das almas deles era o lado oculto da Sefirat Daat que é chamado no “Etz Haim” de “Leáh”.
A geração paralela chamada “erev rav” também tinha a raíz na Daat, mas era afetada pela mistura do bem e do mal nesse mundo.
Na última geração, Moshe Rabeinu se reencarna e se torna Mashia’h, e a geração dele também se reencarna e se tornam a geração do Mashia’h .
Até a “erev rav” também se reencarna por também ser “dór deá” e à ela se refere o final do versículo que diz:- “esse povo vai se levantar e ….(……)”.
O sinal dessa última geração, diz o Ari ZaL, é o fato de as mulheres mandarem nos maridos.
O motivo para isso é porque na reencarnação anterior, no deserto, os maridos deram os anéis para fazer o bezerro de ouro, e as mulheres não quiseram dar.
Por isso, na reencarnação daquela geração elas mandam neles. (Chegamos à conclusão que essa geração é a nossa!!!)
Diz o Maguid de Mezritch que uma característica da”dór deá” é que o assunto principal deles era o conhecimento que se expressa pela fala, e eles não tinham a característica da ação.
Até o próprio Moshe, para abrir o mar vermelho levantou o cajado mas não bateu no mar.
Quando Moshe chegou perto da Terra Santa na qual o trabalho principal seria a ação expressada pelo cumprimento das Mitzvot, AShem disse para ele falar para a pedra para que saia dela água para todo o nosso povo que chegava a milhões de pessoas.
Mas Moshe bateu na pedra para começar o trabalho da próxima geração que seria a ação.
AShem queria que Moshe falasse com a pedra para elevar a próxima geração, a geração da ação, ao nível elevado da geração de Moshe que era a geração do conhecimento, a geração da fala.
Toda aquela geração com Moshe Rabeinu e a “erev rav” tiveram que falecer no deserto, e esse é o trabalho de Moshe: voltar como Mashia’h e elevar toda a “geração do conhecimento”, incluindo a erev rav, por meio do estudo Torá e o cumprimento das Mitzvót, “fala e ação” .
O Rebe de Lubavitch disse que essa geração somos nós
Rabino Gloiber
Sempre rezando por você
כתיבה וחתימה טובה לשנה טובה ומתוקה

