Tzom Guedália
3 de Tishrei (jejum de Guedália)
O dia seguinte a Rosh a Shaná marca o Jejum de Guedaliá. O jejum começa ao alvorecer e termina ao cair da noite.
Lembrando que se alguém não nasceu de uma mãe judia ou ainda não se converteu ao judaísmo, não precisa fazer esses jejuns.
Meu pedido pessoal para todos os nossos queridos amigos da ONG é de que vocês não façam os jejuns derabanan antes da conversão, nem voluntariamente.
Mas recomendo trocar esse jejum por Tzedaká, que no caso de alguém que ainda não se converteu ao judaísmo esse é um jejum voluntário, e o Alter Rebe explica no Tanya que todos os jejuns voluntários descritos pelo Ari Zal não devem ser feitos na prática mas devem ser trocados por Tzedaká no valor de três refeições que naquela época eram 18 rublos poloneses.
O objetivo do jejum não é a aflição, mas o arrependimento, e o jejum é apenas um meio para esse fim.
Por isso devemos fazer um check-up espiritual nesse dia, examinar nossas ações nos dias de jejum, e consertar o que precisa ser consertado
Qual é o significado desse jejum, e por que ocorre durante os dias intermediários entre Rosh a Shaná e Yom Kipur?
A história de Guedaliá
Após a destruição do Primeiro Templo há 2.500 anos, a maioria do povo judeu foi exilada para a Babilônia.

O conquistador, Nabucodonosor, terminou por facilitar algumas de suas restrições mais severas e permitiu que alguns judeus permanecessem na Terra de Israel.
Ele chegou a designar um judeu Tzadik, chamado Guedaliá, para administrar o território.
Aos poucos, mais judeus que tinham escapado dos horrores da guerra para os países vizinhos começaram a voltar aos seus lares em Israel.
Guedaliá era realista sobre as limitações da soberania judaica. Ele compreendia que para sua auto-preservação, os judeus em Israel precisavam cooperar plenamente com a nação que tinha conquistado o seu país.
Porém esta política de subserviência era intolerável para alguns judeus. Um homem chamado Yishmael ben Netaniah, motivado pela inveja e influência estrangeira, promoveu um levante para ignorar o Rei da Babilônia.
Em 3 de Tishrei, Yishmael traiçoeiramente assassinou Guedaliá e muitos outros judeus e babilônios que se encontravam com ele.
Após o assassinato de Guedaliá, os judeus temiam uma reação do Rei da Babilônia. Pensaram em fugir ao Egito para se salvarem.
Mas como o Egito era uma sociedade moralmente corrupta, os judeus estavam num dilema, era a ameaça física contra o perigo espiritual.
Eles foram ao Profeta Yirmiyáhu, que se encontrava lá em luto, para pedir conselhos.
Durante uma semana inteira, Yirmiyáhu implorou a D’us por uma resposta. Finalmente, em Yom Kipur, ele teve um retorno.
Yirmiyáhu chamou os judeus e disse a eles para permanecerem em Israel, e tudo daria certo.
D’us estava planejando fazer com que os babilônios não prejudicassem os judeus, e que em breve, todos os judeus exilados teriam permissão de voltar para a terra de Israel .
Mas, Yirmiyáhu avisou que se os judeus decidissem ir para o Egito, a espada da qual eles estavam correndo os mataria lá.
Infelizmente, as palavras do Profeta não causaram efeito, e o povo se recusou a acreditar.
Todos os judeus que ainda estavam em Israel naquela época fugiram para o Egito.
Chegaram a seqüestrar Yirmiyáhu e levá-lo com eles! Agora a destruição estava completa; a Terra de Israel ficou completamente estéril.
É fácil prever o que aconteceu em seguida. Alguns anos depois, a Babilônia conquistou o Egito e dezenas de milhares de exilados judeus foram completamente dizimados.
O único sobrevivente deste massacre foi Yirmiyáhu, sua profecia tinha se provado tristemente verdadeira.
O evento inicial – o assassinato de Guedaliá – tem sido comparado à destruição do Templo Sagrado, porque custou vidas judaicas e foi o fim da colonização judaica em Israel durante muitos anos.
Por isso nossos Profetas declararam que o aniversário dessa tragédia deveria ser um dia de jejum. É o terceiro dia de Tishrei, imediatamente depois de Rosh a Shaná .
Lições do Jejum
O povo judeu tinha caído a um de seus níveis mais baixos na História. O Beit a Mikdash, o Templo Sagrado de Jerusalém, tinha sido destruído, a maioria dos judeus tinha sido exilada, e tudo parecia desesperador.
Mas D’us mudou esta situação desesperada e fez com que o Tzadik Guedaliá fosse nomeado pelo governo da Babilônia como responsável pela terra de Israel. Mas Guedaliá foi assassinado e toda a esperança se perdeu.
Foi a essa altura que Yirmiyáhu rezou, pedindo a D’us alguma visão e certeza. Isso foi durante os 10 dias entre Rosh a Shaná e Yom Kipur.
Esta história é relembrada para nos ensinar uma importante mensagem para os dias de hoje:
Não importa a situação que você está , sempre dá para fazer Teshuvá, voltar para o caminho certo e AShem (D’us) vai te desculpar .
Os judeus que foram pedir conselho a Yirmiyáhu tinham certeza de que D’us iria dar a resposta que eles desejavam ouvir.
Portanto, quando D’us respondeu de modo diferente do que eles queriam, eles se rebelaram. Eles não eram pessoas ruins, o que aconteceu?
O problema deles era que mesmo que eles naquele momento dependiam totalmente da vontade dos babilônios, isso para eles não importava tanto. O que eles não queriam é depender da vontade de AShem (D’us).
Aprendemos daqui que se apegar a D’us significa estar junto com ele o tempo todo e fazer o que ele está pedindo para fazermos , não somente quando isso coincide com aquilo que nós desejamos fazer.
Uma boa regra na vida, quando estamos em uma situação difícil, é perguntar a si mesmo: “O que o Rebe faria se estivesse no meu lugar ? O que AShem (D’us) me aconselharia a fazer nessa situação ?

