
Noa’h🌻🌻🌻
Nossa Parashá nos conta que Ashem (D’us) abençoou Noa’h e seus filhos
O Zohar nos conta sobre o que escreveu o rei Salomão, que “a benção Divina ela é que traz as riquezas e não precisamos acrescentar sofrimentos e esforço para receber essas riquezas, porque é o suficiente a benção Divina, e dela somente vem as riquezas.
A “She’hiná”, traduzido como “a presença Divina”, é a Sefirá chamada de Mal’hut.
Ela é comparada pelo Zohar a uma grande represa que recebe águas de muitos lugares e repassa essas águas para as nós de acordo com as nossas necessidades, sem nos causar uma inundação.
A palavra “represa”, em hebraico bre’há בְּרֵכָה , vem da mesma raiz que a palavra benção em hebraico, Bra’há בְּרָכָה nos mostrando que a Mal’hut é uma represa em relação às Sefirot que a antecedem, e isso se transforma para nós na benção Divina que nos traz todas as riquezas.
O conjunto de Sefirot (plural de Sefirá) chamado de Zeir Anpin é composto pelas Sefirot: Hessed, Guevura, Tiféret, Netza’h Hod e Yessod.
Esse conjunto de Sefirót que também é chamado de “Kudsha Brih’hu”, repassa para a Mal’hut, que também é chamada de “She’hinta”, todas as coisas boas lá de cima.
Esse repasse acontece quando o Zeir Anpin e a Mal’hut se unem.
O Zeir Anpin é comparado ao noivo, a Mal’hut comparada a noiva, e a união dessas Sefirot lá em cima é comparada ao casamento.
Yhud (a união) de Kudsha Brih’hu e She’hinta
A união do Zeir Anpin e Mal’hut lá em cima só acontece no mérito do nosso estudo da Torá e do nosso cumprimento das Mitzvot (dos Mandamentos Divinos).
Quando estudamos Torá e cumprimos os Mandamentos Divinos, estamos fazendo o vestido e as joias da noiva.
Espiritualmente falando, preparando a noiva para o casamento.
Quando essa união acontece, a Mal’hut recebe a fartura do Zeir Anpin por meio da Yessod e a repassa para nós, e essa é a benção Divina que nos trás as riquezas.
Podemos comparar a Mal’hut a uma mãe amamentando seu nenê.
Depois que ela comeu tudo o que precisava, deu tudo aquilo para o nenĂŞ, mas no nĂvel dele.
Naquele leitinho que ele está mamando estĂŁo todas as variedades de comida que ela comeu, e ela consegue fazer com que tudo isso chegue atĂ© o nenĂŞ, mas no nĂvel dele.
Se ela desse para o nenĂŞ diretamente os alimentos que ela recebeu, ele nĂŁo conseguiria comer e morreria de fome na frente de todos aqueles alimentos.
Mas essa Ă© a caracterĂstica da mĂŁe, o pai nĂŁo conseguiria fazer isso, essa Ă© a caracterĂstica da Mal’hut e nĂŁo do Zeir Anpin.
Essa formação de Sefirot chamado de Zeir Anpin representa o lado espiritual masculino, o pai que traz a comida para casa.
A Mal’hut nas Sefirot representa o lado espiritual feminino, a mĂŁe que, depois de ter comido, amamenta o nenĂŞ repassando para o nĂvel dele a comida que ela recebeu do marido.
Ou seja, não temos como receber a fartura lá de cima a não ser dessa forma.
Depois que essa fartura chega ao Mal’hut, a Mal’hut nos repassa tudo isso em forma de bens materiais.
Somente assim conseguimos usufruir aqui nesse mundo o que recebemos do mundo de cima.
E essa é a benção Divina que nos traz as riquezas.
Mas se a mĂŁe nĂŁo se alimenta, ela nĂŁo tem como amamentar.
Por isso, quando não estudamos Torá e não cumprimos os Mandamentos Divinos, causamos a separação entre o Zeir Anpin e a Mal’hut.
A Mal’hut não recebe do Zeir Anpin e não tem como nos repassar o que ela não recebeu.
A “sitra ahara”, o outro lado”.
A pequena cota de bençãos que recebe o lado de trás
Nossa Parashá nos conta sobre a geração que fez a Torre de Babel.
Aparentemente o comportamento deles foi muito estranho.
Eles queriam fazer uma torre que chegasse atĂ© os cĂ©us, mas no lugar de procurar um lugar alto como ponto de partida viajaram atĂ© o lugar mais baixo do oriente mĂ©dio para fazer essa torre. Eles poderiam colocar pedras sobre pedras para fazer essa torre, mas optaram por fazer ela de tijolos, um trabalho mais difĂcil e menos eficaz.
Diz o Zohar que da mesma forma que existem dez Sefirot no lado puro existem dez Sefirot no lado impuro também.
Mas no lado puro elas são dez e não nove, dez e não onze, na linguagem do Sefer Yetzirá, e no lado impuro elas são onze. Por que?
A origem do mal está na quebra dos receptáculos do mundo do Tohu. Toda a descida de nĂvel Ă© chamada de mal. Mas tudo o que Ă© ruim sĂł existe porque uma pequena Luz Divina está envolvendo a “coisa ruim” fazendo ela existir sem se revestir nela, e por isso as dez Sefirot do lado ruim sĂŁo dez e mais uma pequena Luz Divina que faz com que elas existam. Por isso elas nunca sĂŁo dez mas sempre onze.
No lado puro a revelação Divina se reveste nas Sefirót, por isso elas são somente dez.
Por que o lado espiritual das coisas ruins, as dez Sefirot do lado impuro, Ă© chamado de sitra ahara, o outro lado?
Será que lá em cima existem dois lados como nas idolatrias, o deus do bem lutando contra o deus do mal?
Absolutamente nĂŁo! AShem (D’us) Ă© a essĂŞncia do bem. AShem está em todo lugar e nĂŁo existe nada que tenha vida prĂłpria, mas cada criatura material ou espiritual nos seus mĂnimos detalhes está recebendo sua vitalidade somente de AShem, e se AShem nĂŁo repassar a vitalidade para o lado ruim ele desaparece.
E isso vai acontecer no futuro, quando todo o lado impuro deixar de existir. Então o que é a “sitra ahara”, o que é o outro lado ?
O lado da frente e o lado de trás
O Zohar nos traz como exemplo um rei bom e piedoso que precisa de um carrasco ruim e cruel para executar o assassino que foi condenado a morte.
O rei bom e piedoso precisa manter o carrasco temporariamente até que não hajam mais assassinos, mas o bom rei não é capaz de olhar para o carrasco que é uma pessoa ruim e cruel.
Então, quando o carrasco vem receber o seu salário, o rei joga o dinheiro do carrasco pelas costas, sem olhar para ele, e isso o Zohar chama de “be’hinat ahoraim” , “aspecto de trás”.
E por isso o Zohar chama as coisas ruins de “o outro lado” , o lado de trás.
Enquanto existe a necessidade de esse outro lado, desse lado de trás, existir, ele recebe uma cota de vitalidade “pelas costas”.
Mas se nĂłs nos comportamos errado, esse lado de trás suga o que deveria ser repassado para nĂłs. Ou seja, se nĂłs caĂmos eles levantam, se nĂłs nos levantamos eles caem.
Se a Mal’hut se eleva e se une ao Zeir Anpin no mérito do nosso estudo de Torá e cumprimento das Mitzvot, nós recebemos tudo de bom.
Mas se o Mal’hut desce de nĂvel por causa das nossas transgressões, eles tem acesso ao Mal’hut quando ela está nesse nĂvel baixo, e sugam o que deveria chegar para nĂłs.
E isso Ă© o que aquelas pessoas que construĂram a torre de Babel queriam. Um acesso Ă fartura de cima sem precisar fazer nada de bom que justifique recebĂŞ-la.
Eles queriam interceptar essa fartura por meio dos anjos responsáveis por fazer esse repasse. Eles procuraram intermediários.
Por isso eles não queriam nenhuma ajuda Divina como uma montanha ou uma pedra, mas fizeram a torre em um lugar baixo e fizeram tijolos de barro “feitos por eles”, não quiseram usar as pedras “feitas por D’us”.
Eles falavam a LĂngua Santa, o hebraico da criação do mundo, e conseguiram invocar dessa forma os anjos responsáveis pelo repasse dessa abundância que desce do Mal’hut para o nosso mundo.
Por causa que eles estavam unidos, o tribunal Divino nĂŁo pĂ´de decretar nada contra eles.
AShem foi obrigado a fazer um milagre, o Anjo Gavriel se revelou e eles começaram milagrosamente a falar setenta lĂnguas que sĂŁo as raĂzes de todos os idiomas do mundo, e assim eles nĂŁo conseguiram mais invocar os anjos por meio dos seus nomes.
Mas no futuro AShem vai reverter isso para que todos os povos falem uma lĂngua clara, que Ă© a LĂngua Santa, o hebraico original, e toda a Terra vai se preencher com o conhecimento Divino como a água preenche o mar.
Como no mar um lugar é mais superficial e o outro é mais profundo, mas todos os lugares estão preenchidos pelas águas, dessa mesma forma no futuro. Alguns vão ter um conhecimento Divino mais superficiais e outros mais profundos, mas todos vão conhecer AShem.
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por vocĂŞ
www.RabinoGloiber.org
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