data Judaica

Rosh HaShaná nas Sefirót

Os Dez Dias de Teshuvá, dez dias de retorno para Hashem (D’us), também conhecidos como “Yamim Noraim” (“Os Dias Temíveis”) começam no primeiro dia de Rosh Hashaná e terminam no final de Yom Kipur.

 

A Guemará nos conta que durante esses dez dias todas as criaturas são julgadas individual e coletivamente, e o que vai acontecer no próximo ano é determinado para cada um de nós e para o mundo inteiro.

 

Não é coincidência o fato de o período mais definitivo no ano judaico consistir em um período de dez dias.

 

Hashem (D’us) criou o mundo por meio de Dez Frases, e essas Dez Frases  estão sincronizadas com os Dez Mandamentos Divinos que são a raiz das 613 Mitzvót da Torá.

 

Segundo a Kabalá, o número Dez tem destaque na Torá porque Hashem (D’us) cria e mantém o mundo por meio de dez canais, dez categorias de emanação Divina diferentes, chamadas de as “Dez  Sefirot”.

 

Essas emanações Divinas constituem a interface por meio da qual Hashem, o D’us Infinito, se relaciona com Sua Criação finita.

 

Nossos Sábios da Torá oculta ensinam que as Dez Sefirót correspondem às Dez frases com as quais Hashem (D’us) criou o Universo.

 

A conexão entre os Dez Dias de Teshuvá e as Dez Sefirotsão explicadas pelo Ari Zal,  Rabi Yitzhak Luria Ashkenazi.

 

As Dez Sefirot são divididas em duas categorias: Três Sefirot intelectuais e sete Sefirot emocionais.

 

As três Sefirot intelectuais são Ho’hmá (Sabedoria), Biná (Entendimento) e Da’at (Conscientização).

 

As sete Sefirót emocionais são:

 

Hessed (Bondade), Guevurá (Força), Tiferet (Harmonia), Netza’h (Vitória), Hod (Esplendor), Yessod (Fundamento) e Mal’hut (Soberania).

 

Há uma 11ª Sefirá, chamada de Keter (Coroa), que fica acima das outras dez.

 

Diz o Sefer Yetzirá que as Dez Sefirot são sempre 10 e não 11, porque sempre que a Keter se revela a Daat se oculta.

 

Arizal nos ensina que os Dez Dias de Teshuvá são associados com todas as 11 Sefirot, inclusive Keter e Da’at.

 

Cada um dos Dez Dias de Teshuvá é associado com uma Sefirá diferente, começando com Keter.

 

O Yom Kipur é associado com as duas últimas SefirotYessod Mal’hut juntas, e aí elas voltam a ser dez.

 

Rosh Hashaná – 1º Dia – Keter

 

Na Árvore da Vida que representa o conjunto das Dez Sefirót, a Keter  é a primeira Sefirá.

 

Keter representa a Vontade de Hashem (D’us), incorporando Seu desejo de criar o universo.

 

Keter é a “intermediária” entre o Infinito (Ein Sof) e o finito.

 

Representa o ponto de transição onde o potencial ilimitado de Hashem (D’us) começa a tomar forma.

 

Sefirá de Keter está acima da compreensão humana e é simbolizada por uma coroa que está no corpo mas acima dele.

 

Ou seja, mesmo tempo que ela está conectada ao corpo que é representado pelas Dez Sefirót, ela está acima dele e não faz parte dele.

 

Quando entendemos o vínculo da Keter  com Árvore da Vida quite é o conjunto das Dez Sefirót, entendemos também o que nos explicou o Ari Zal que a Kéter é a Sefirá predominante no 1º dia de Rosh Hashaná.

 

A Keter representa a Vontade Divina e o potencial para novos começos, e esse é o significado de Rosh Hashaná (literalmente, “a cabeça do ano”) o início do ano judaico.

 

Cada Rosh Hashaná reproduz o ato original da Criação Divina: ano após ano, nessa data, Hashem (D’us) decide se renovará o mundo para um novo ano de existência.

 

Por isso o primeiro dia de Rosh Hashaná é profundamente conectado com a Sefirá de Keter, simbolizando a Vontade Divina de que o mundo exista.

 

Em Rosh Hashaná, a nossa missão é a de reafirmar a soberania Divina coroando Hashem como Rei. Confirmamos Sua autoridade suprema e Sua atuação por trás dos bastidores criando novamente a cada instante todo o Universo.

 

Fazendo isso nos asseguramos que Hashem renove Seu compromisso com a Criação para mais um ano.

 

O potencial para o ano inteiro está contido em Rosh Hashaná, particularmente em seu primeiro dia, fazendo com que seja o dia mais influente do ano, com o poder de influenciar todos os demais.

 

Outra clara conexão entre a Sefirá de Keter e Rosh Hashaná se encontra no principal mandamento dessa data: ouvir os sons do Shofar, que simbolizam a coroação de Hashem como Rei e nossa aceitação de Sua soberania, que é o tema principal nas rezas de Rosh Hashaná, nosso reconhecimento de que Hashem é o Rei do Universo.

 

Sefirá de Keter  vem antes de todas as Sefirot, porque ela representa à vontade, o desejo e o mais alto nível de consciência, servindo como base para as demais.

 

Por isso, nossos desejos que são as manifestações da Keter da nossa Alma dão origem a nossos pensamentos e emoções, que se tornam palavras e atos.

 

Assim sendo, o primeiro dia de Rosh Hashaná é um momento para reflexão sobre nossa vida e nossos planos para o ano que se inicia.

 

É o dia mais adequado do ano para decidirmos que queremos nos tornar pessoas melhores e transformar o nosso mundo em um mundo melhor.

 

Em Rosh Hashaná, utilizar a Sefirá de Keter de forma adequada significa alinhar-nos com a Vontade Divina e planejar objetivos que contribuam para a contínua renovação e melhora de nós mesmos e do mundo inteiro.

 

 

Rabino Gloiber

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Por que precisamos de um Milagre tão grande para pagarmos as nossas contas no fim do mês?

 

O Rav Berel Volf Kazevnikov de Yekatrineslav costumava perguntar:

 

Por que é tão difícil para um judeu ter parnassá?

 

Ou seja, porque o aspecto financeiro da nossa vida é sempre tão difícil?

 

A Guemará nos conta que o milagre que tem que Hashem tem que fazer para que cada um de nós tenhamos com o que viver é tão difícil quanto o milagre da abertura do Mar Vermelho!

 

Mas a Guemará também diz que tudo o que precisamos durante todo o ano já é decretado em Rosh Hashaná.

 

Se já está decretado que vamos receber  por que é tão difícil de recebermos a ponto de precisarmos de um milagre nível abertura do mar vermelho?

 

E ele respondeu:

 

Quando os oceanos e os mares foram estabelecidos no terceiro dia da criação, o Criador fez uma estipulação com o anjo designado sobre eles:

 

Que quando os Filhos de Israel chegassem ao Mar Vermelho, ele separaria suas águas.

 

Mas quando os Filhos de Israel finalmente chegaram, o Mar Vermelho inicialmente esse anjo se recusou a abrir o mar.

 

D’us perguntou ao anjo nomeado: “Por que o mar não está se dividindo?”

 

O anjo respondeu: “Vai se partir. Assim que os Filhos de Israel chegarem lá, ele se dividirá. ”

 

Veja, o anjo tinha visto todas as Almas judias enquanto elas estavam no céu.

 

Mas agora, essas eram as Almas judias depois que desceram a este mundo e suportaram a opressão e a humilhação do exílio e da escravidão.

 

Então D’us teve que explicar ao anjo que essas eram as mesmas Almas.

 

Mas explicar a um anjo o que o exílio e a opressão podem fazer a uma Alma é muito difícil.

 

Da mesma forma, quando somos julgados em Rosh HaShaná, todos os anjos designados para a distribuição das Bênçãos divinas e abundância são instruídos a “encher o nosso prato”  todos os dias do ano.

 

Mas quando chega a hora de essas Bênçãos fluírem, os anjos afirmam que a pessoa que viram em Rosh Hashaná não se encontra em nenhum lugar.

 

E então D’us tem que explicar àqueles anjos que você  é o mesmo que eles viram de pé na sinagoga quando o Shofar foi tocado no dia sagrado de Rosh HaShaná.

 

Acontece que você teve que sair para o mundo e trabalhar para viver.

 

E isso é algo muito difícil: explicar a um anjo o que trabalhar para viver em um mundo físico pode fazer a uma Alma divina.

 

Temos que viver em dois mundos ao mesmo tempo, e conectar esses dois mundos.

 

Esse é o nosso trabalho neste mundo:

 

Nos agarrar firmemente a essa essência de nossa Alma em sua origem e trazê-la para baixo para refinar todas as atividades humanas que os fazemos durante todo o ano. Para tornar todas as coisas sagradas.

 

E por isso que é tão vital que durante os Dez Dias de Teshuvá, de Rosh Hashaná a Yom Kipur, trazer toda a nossa inspiração para os detalhes práticos da nossa vida judaica, que aparentemente são pequenos detalhes.

 

Como por exemplo, colocar uma Mezuzá kasher em uma porta de sua casa que ainda está faltando.  Colocar uma caixinha de Tzedaká em seu local de trabalho. Falar uma bênção em voz alta antes de comer.

 

Aparentemente são pequenas coisas, fáceis de cair pela porta quando você sai daqueles dias de reza e volta para o trabalho nesse mundo.

 

Mas quando você se lembra de fazer essas pequenas coisas você está nomeando Hashem (D’us) como o Rei do universo

 

Elas são a assinatura Divina na criação do mundo que também é o tema de todo este universo, o objetivo pelo qual foi criado.

 

 

Ketivá Ve’hatimá Tová Leshaná Tová uMetuká

Rabino Gloiber

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Hai Elul e a Emuná

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Hai Elul e a Emuná

 

A palavra hebraica para fé, Emuná, pertence à mesma raíz que a palavra hebraica imun, que significa “treinamento”.

 

Ou seja, para desenvolver a fé precisamos fazer exercícios diários treinando nosso cérebro para pensar da maneira correta, alinhando diariamente nossos à Emuná.

 

Por que a natureza do nosso corpo é a de sempre tentar escapar para raciocínios e pontos de vista mais acomodados e que exijam menos concentração.

 

O Baal Shem Tov trouxe a vitalidade da emuná para todas as dimensões de nossas vidas, revelando o potencial que existe em cada um de nós para mantermos um relacionamento dinâmico contínuo com D’us.

 

Ele nos ensinou um modo de vida que nos permite expressar nosso poder espiritual infinito.

 

Seus ensinamentos nos colocaram no nível do versículo dito pelo profeta Habakuk: “O Tzadik vai viver na Emuná, porque os ensinamentos do Baal Shem Tov fazem da fé uma força vibrante que abrange todas as dimensões do nosso comportamento.

 

A qualidade única da fé é que ela permite uma conexão com D’us que transcende os limites do intelecto.

 

Mas essa vantagem ainda tem um limite, porque a dimensão espiritual na qual vivemos por meio da fé é muito mais elevada do que seu nível da nossa consciência.

 

Atingimos uma dimensão da Alma que transcende os limites da nossa identidade, surge um espaço vazio entre o potencial infinito possibilitado pela fé e nossa mente que é limitada pelos limites do nosso corpo material.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe nos permitem preencher esse espaço, porque ele nos ensina como trazer nossos potenciais espirituais que transcendem o intelecto para o nível da nossa compreensão.

 

O Alter Rebe nos ensina como introduzir a emuná que transcende as categorias intelectuais para dentro do nosso intelecto por meio de uma metodologia chamada de Habad.

 

Esta palavra é um acrônimo formado pelas iniciais das palavras hebraicas, Ho’hmá, Biná e Daat; literalmente, “sabedoria, entendimento e conscientização”.

 

A Habilidade de Tomar a Iniciativa

 

Quando você desenvolve um relacionamento consciente com D’us, você vive esse relacionamento na vida real, no dia a dia.

 

Enquanto seu Trabalho Divino estiver centrado apenas na fé, você depende da inspiração, um estado em que a Alma desperta.

 

Mas quando vamos de acordo com os ensinamentos do Alter Rebe conseguimos aos poucos chegar ao controle dos nossos pensamentos e podemos usar nossas mentes conforme desejamos. Assim nossa fé fica direcionada pelo nosso intelecto, e podemos tomar a iniciativa de nosso crescimento espiritual.

 

Ou seja, como disse o Rebe Anterior, “O Baal Shem Tov revelou que devemos servir a D’us, e o Alter Rebe revelou como devemos servir a D’us”.

 

Os ensinamentos do Alter Rebe tem como objetivo equipar cada um de nós com a energia vital interior revelada pelo Baal Shem Tov mesmo que esse potencial espiritual esteja fundamentalmente além do alcance do ser humano.

 

A palavra Elul é formada pelas iniciais das palavras “Eu sou do meu Amado” se referindo a você que toma a iniciativa de intensificar o relacionamento de amor que você compartilha com Hashem.

 

Esse amor recebe maior expressão quando você faz o Trabalho Divino por sua própria iniciativa. E cada um de nós pode chegar a isso por meio dos ensinamentos do Alter Rebe.

 

A vitalidade que Hai Elul nos traz aumenta as bênçãos que receberemos no próximo ano novo, assegurando a todos um Ketivá Ve’Hatimá Tová, com cada um de nós inscrito para um ano bom e doce, incluindo a maior de todas as bênçãos que é a nossa Gueulá .

 

A vitalidade transmitida por esse dia de Hai Elul e seu efeito total em nosso Trabalho Divino também se reflete no fato de que esta data é o primeiro dos doze dias finais do ano.

 

O Rebe anterior, Rabi Yossef Yitzhak Shneerson nos contou que esses dias são muito especiais porque em cada um desses doze dias, somos capazes de compensar qualquer falta em nosso Trabalho Divino correspondente a cada mês do ano.

 

A vinda do Mashia’h é uma consequência direta da importância espiritual de Hai Elul, porque é uma data diretamente ligada à divulgação das fontes dos ensinamentos do Baal Shem Tov que trará a vinda do Mashia’h como vocês podem ver na carta que o Baal Shem Tov escreveu para o seu cunhado Rabi Guershon Kitover sobre a subida que ele teve aos mundos superiores há trezentos anos atrás.

Ketivá Ve’Hatimá Tová Leshaná Tová UMetuká

Rabino Gloiber

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Rosh Hashaná está chegando 🍎🍯


Rosh HaShaná, o ano novo judaico de 5786 começa ao pôr do sol do dia 22 de setembro e termina na saída das estrelas do dia 24 de setembro

 

Nesses dois dias de Rosh Hashaná tocamos o Shofar durante o dia de três formas diferentes

 

O primeiro toque é chamado Tekiá, um toque de nove segundos sem interrupção.

 

O segundo toque é chamado de Shevarim, são três toques de três segundos cada um que parecem como três suspiros.

 

O terceiro toque é chamado Truá, são nove toques de um segundo cada um, que se parecem como soluços breves.

 

O que os Toques do Shofar representam?

 

A Tekiá nos lembra que já fomos um todo. Cada um de nós nasceu inteiro.

 

Os Shevarim nos lembram que conforme vamos crescendo vamos quebrando, nos tornamos fragmentados, dispersos, provocando suspiros existenciais.

 

A Truá nos lembra que nossas vidas foram abaladas e quebradas em pedaços através de várias experiências negativas, e por isso estamos chorando consciente ou inconscientemente.

 

Mas o que fazemos depois de cada vez que tocamos a Truá? Tocamos a Tekiá novamente. Isso nos lembra que podemos ser restaurados novamente à integridade.

 

Tekiá Guedolá toca os sons dispersos… Os locais onde estamos colados juntos são locais onde a luz de Hashem (D’us) pode entrar.

 

Depois de tocarmos todos os toques do shofar, chegamos à Tekiá Guedolá.

 

Atingimos o nível de Tekiá Guedolá, “a grande Tekiá”, um toque que dura enquanto quem toca o Shofar tiver fôlego, um toque muito mais longo do que o toque inicial que iniciou o ciclo.

 

A Guemará nos conta que um vaso de barro pode receber tumá que é a impureza espiritual, através do contato com determinadas substâncias impuras.

 

Se um recipiente de barro se torna tamê, ou seja, impuro, a maneira de deixá-lo novamente tahor, novamente puro, é quebrá-lo e então colar os pedacinhos juntos novamente.

 

Através da quebra do recipiente sua integridade é restaurada, ele se torna puro novamente.

 

Nós também somos feitos de barro, como a Torá nos conta que “D’us criou o ser humano de terra.”

 

Quando aceitamos nossa própria fragilidade, nossa própria vulnerabilidade, chegamos a conclusão de que estamos totalmente quebrados, nos tornamos capazes de uma integridade mais profunda e mais poderosa que aquela que conhecíamos antes.

 

A Tekia Guedola é o último dia toques do Shofar porque ela reúne em um só toque todos os toques que estavam dispersos.

 

Nossos pedacinhos, agora colados juntos, são locais onde a luz de D’us pode entrar.

 

E esse nível tão elevado só vem para nós depois de termos passado por essa quebra em pequenos pedacinhos

 

 

Faça o seu próprio Shofar

O Shofar pode ser feito de chifre de carneiro, antílope, gazela, ou cabra.

 

Esses chifres não são ossos sólidos, mas contém cartilagem que pode ser removida.

 

A palavra shofar significa “oco”. Os animais acima são kosher, uma vez que têm cascos fendidos e ruminam.

 

Chifres de carneiro podem ser obtidos em matadouros. Os donos de açougues podem obtê-los de seus fornecedores.

1- Ferva o chifre em água (em uma panela que não é usada para comida Kasher) entre duas e cinco horas.

 

Um pouco de carbonato de sódio adicionado à água facilita a limpeza posterior.

 

A cartilagem pode ser arrancada com o auxílio de uma ferramenta. Se os chifres forem pequenos, a cartilagem pode ser removida em cerca de meia hora.

 

2- Depois que ele secar corte a ponta dele com uma serra.

3 – Faça um furo de 1/8” com uma furadeira elétrica a partir da extremidade serrada até que a broca atinja a cavidade do chifre.

 

4 – Usando uma furadeira elétrica fure um bocal na extremidade do shofar. Alise as bordas do bocal.

 

Você pode esculpir a parte externa do shofar. Não deve haver nenhum buraco nas laterais do shofar.

 

Não pinte o seu Shofar e nem cole nada sobre ele.

 

Ketivá ve’Hatimá Tová LeShaná Tová Umetuká

 

Rabino Gloiber
Sempre rezando por você

O que fazemos agora no mês de Elul



Shalom uVra’há pessoas maravilhosas
🥰🌻❤️

 

Desde o mês de Elul até Hoshaná Rabá que é o último dia da festa de Sucot costumamos ler o Tehilim 27 LeDavid Hashem Ori de manhã e de tarde.

 

O Baal Shem Tov foi um grande Tzadik, uma pessoa altamente elevada, que viveu há mais de trezentos anos atrás.

 

Ele foi o fundador da Hassidut que trouxe para nós os mais profundos segredos cabalísticos em uma linguagem fácil e acessível.

 

Em Rosh Hashaná do ano Judaico de 5.507 (1746) o Baal Shem Tov fez uma subida de Alma para os mundos superiores e depois disso ele escreveu uma carta para o cunhado dele, Rav Guershon de Kitov.

 

Nessa carta o Baal Shem Tov descreve que viu lá pessoas que o Rav Guershon conheceu pessoalmente, pessoas que ninguém nunca imaginaria que estariam lá no Gan Éden, no Paraíso Superior, e que a Teshuvá deles foi aceita.

 

O Baal Shem Tov nos deu uma dica infalível para que a nossa Teshuvá seja aceita também, e a dica é:

 

Acrescentar todo dia três capítulos de Tehilim desde o começo do mês de Elul até Yom kipur. Durante o dia do Yom kipur lemos os trinta capítulos que faltam para terminar todo o Tehilim, e essa é uma dica infalível!

 

No mês de Elul costumamos levar a Mezuzá da porta da nossa casa para um Sofer que é a pessoa que escreve e verifica as Mezuzot (plural de Mezuzá).

 

Uma vez por ano levamos as nossas Mezuzot e o nosso Tefilin para o Sofer verificar para nós se não quebrou nenhuma letra no pergaminho da Mezuzá e se todas as  Mezuzot da nossa casa e também o nosso Tefilin continuam Kasher.

 

No mês de Elul fazemos um balanço espiritual. Durante os trinta dias do mês de Elul fazemos um check-up espiritual anual.

 

Verificamos quais Mitzvót estão saudáveis, quais estão precisando de uma “vitamina”, e quais estão em estado grave e precisam ser “tratadas” imediatamente.

 

Ou seja, a cura da nossa Alma que somos nós próprios, não deve ser menos importante do que a cura do nosso corpo que é somente o acessório da Alma.

 

No mês de Elul acrescentamos na Tzedaká sendo que por meio de três coisas podemos recorrer às “multas do tribunal Divino” que são os maus decretos que pairam sobre nós por coisas que fizemos esse ano, nos anos anteriores ou em vidas anteriores.

 

Esses decretos não desaparecem sendo que eles são representados por anjos promotores que são criaturas espirituais chamados de Kitruguim.

 

Mas por meio de três coisas fazemos esses Kitruguim desaparecerem com tudo o que eles tem vinculado à nós.

 

Por meio da Teshuvá que é o remorso que temos pelas coisas ruins que fizemos e a decisão que tomamos de não fazer novamente essas coisas ruins.

 

Por meio da Tefilá, e por isso acrescentamos tantos Tehilim no mês de Elul.

 

E por meio da Tzedaká que representa que a vitalidade que demos para o lado espiritual ruim por meio das nossas transgressões, agora estamos retificando e dando a nossa vitalidade para o lado bom por meio da nossa Tzedaká.

 

No mês de Elul acrescentamos no estudo da Torá e no cumprimento das Mitzvót.

 

Sendo que nos últimos anos o mundo inteiro se tornou um grande “Home Office”, o costume hoje é participar de um grupo de estudos de Torá como por exemplo o nosso grupo de amigos da ONG, caprichar mais nas Mitzvót que fazemos e acrescentarmos pouco a pouco outras Mitzvót que ainda não fazemos.

 

Na última semana de Elul acrescentamos mais ainda na Tefilá e começamos a falar as rezas chamadas de Seli’hót (pedidos de desculpas) que esse ano começam a partir da meia-noite do dia 13/09

Costumamos ouvir o Shofar durante o mês de Elul com exceção do dia anterior a Rosh Hashaná

 

Na véspera de Rosh Hashaná lemos a Atarat Nedarim que é a declaração de anulação de promessas.

 

Costumamos dizer uns aos outros:

Ketivá Ve’Hatimá Tová Leshaná Tová UMetuká

Que todos vocês sejam escritos e selados

para um ano Bom e Doce

🥰🌻❤️

Tu B’Av , um dos dias mais felizes do ano Judaico

 TU (15) BEAV (de Av)

 

Na Língua Santa que é o hebraico clássico não há números, porque as próprias letras tem um valor numérico.

 

O dia 15 do mês judaico chamado de Av é representado pela letra  “Têt” ״ט״ cujo valor numérico é 9, e a letra “Vav” ״ו״ cujo valor numérico é 6. Essas duas letras juntas formam a palavra Tu.

 

Por isso no lugar de dizermos quinze de Av falamos Tu BeAv, para mostrar que esse dia não é um dia 15 qualquer mas é um dia 15 especial.

 

O certo nesse caso seria usar a letra “Yud” ״י״ que tem o valor numérico de 10 e a letra “Hei” ״ה״ que tem o valor numérico de 5.

 

Mas a união da letra “Yud” com a letra “Hei” forma um dos nomes de Hashem (D’us) que não pode ser apagado e nem pronunciado em vão.

 

Por isso usamos a letra “Tet” (9) ״ט״ no lugar da letra “Yud” (10), e a letra “Vav”  (6) “ו” no lugar da letra “Hei” ״ה״ (5).

 

 

Porque Tu B’Av é um dos dias mais felizes do ano Judaico ?

 

 

A Guemará nos conta que na época do Beit Hamikdash que era o Tempo Sagrado de Jerusalém, nessa data de 15 de Av, as “filhas de Jerusalém” que ainda não tinham conseguido se casar iam dançar nos vinhedos, e quem ainda não tinha se casado ia lá para encontrar uma noiva”.

 

 

Sendo que a educação que eles receberam era uma educação judaica religiosa, e tanto eles quando elas eram pessoas extremamente tímidas, e isso era um dos motivos que eles e elas ainda estavam solteiros, nesse caso nossos Sábios liberararam as mulheres de dançarem na frente dos homens com a intenção de “fisgarem” um marido sem ter medo de que essa dança terminasse em algo que não fosse somente um compromisso de casamento.

 

A “dança das solteiras” de Israel em Tu B’Av se tornou um grande evento. Elas dançavam formando um grande círculo que em hebraico é chamado de ma’hol.

 

A Guemará em Taanit termina com uma metáfora e revela que, no futuro, na Gueulá, na nossa redenção final, Hashem (D’us) vai dançar com todo o  nosso povo e essa dança também será em forma de círculo.

 

Mas o que a Guemará vem nos ensinar com isto, sendo que Hashem é infinito?

 

A metáfora da dança do círculo é utilizada para ilustrar como será o relacionamento de Hashem com  cada um de nós.

 

O círculo, não tem nem começo nem fim,  por isso quando se dança em círculo, não há primeiro, nem último. Ou seja, a união é total.

 

Não há quem esteja em cima e quem esteja embaixo, e por isso não existem motivos para ciúmes e divisões.

 

Não existem diferenças, e por isso a união e harmonia entre todos é muito grande.

 

Qualquer ponto em um círculo é paralelo ao centro, nos ensinando que todos nós estaremos em igual proximidade à Hashem (D’us).

Nossos Sábios nos contaram que todas as mulheres que participavam dessa dança tinham que usar roupa branca.

 

A Guemará nos conta que a verdadeira beleza se revela quando há uma variedade de cores. Então porque nesse caso todas tinham que estar de branco se isso era desfavorável ao objetivo final dessa dança que era o de “encantar” os possíveis pretendentes?

 

Seria de esperar que quando essas mulheres solteiras se reunissem para serem escolhidas pelos potenciais noivos, elas ressaltassem sua beleza física usando roupas com cores atraentes. Então porque para participar dessa “dança das futuras noivas” em  Tu BeAv era proibido para elas vestirem roupas de qualquer cor a não ser o branco?

 

A grandeza da simplicidade

 

O motivo para elas se vestirem de branco era porque o branco é uma cor neutra e simples, que lembra a paz e a pureza. Isto ressaltava mais uma vez a união e a pureza, eliminando ciúmes e rivalidades.

 

Havia um último requisito em relação às roupas das participantes dessa dança.  Elas tinham que pegar as roupas emprestadas. Nenhuma delas poderia usar as próprias roupas, e todos os futuros noivos sabiam que as roupas das suas futuras noivas não eram delas.

 

Desta forma as mulheres solteiras das famílias mais humildes estariam tão bem vestidas quanto as das famílias mais ricas.

Por todos esses motivos, o dia de 15 de Av , Tu B’Av – é considerado, junto com Yom Kipur, o dia mais feliz do ano.

 

Yom Kipur é o dia em que nosso povo é comparado com os anjos no céu. Não comemos nem bebemos, e passamos o tempo todo rezando para Hashem nosso Criador e seguindo Suas ordens.

 

Tu B’Av ensina que a maior das alegrias é atingida não apenas no dia mais sagrado e solene do ano, quando Hashem desculpa nossas transgressões e sentimos uma aproximação maior a ele, mas também quando há união, igualdade e o principal, muito amor e respeito entre todos nós.

 

Por todos esses motivos, o dia de 15 de Av – Tu B’Av – é considerado, junto com Yom Kipur, o dia mais feliz do ano.

 

TU B’Av um dia muito muito especial no calendário judaico! Vamos aproveitar este dia tão especial rezar para Hashem e fazer para ele todos os nossos pedidos. E também falando um Tehilim para quem precisa achar sua cara metade

 

 

Rabino Gloiber
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Mas sempre rezando por você 🥰❤️🌻

 

 

data Judaica

Bein HaMeitzarim בין המיצרים (entre os apertos)

 

 

Bein HaMeitzarim בין המיצרים (entre os apertos)

 

As “Três Semanas” entre os dias 17 de Tamuz e 9 de Av representam um período de luto anual no qual lembramos a destruição do primeiro e do segundo Beit HaMikdash (o Templo Sagrado de Jerusalém) e o início de nosso exílio.

 

Nessas três semanas não fazemos casamentos e nem cortamos o cabelo, também não ouvimos musicas tocadas por instrumentos musicais verdadeiros e ao vivo.

 

Esse período tem início no dia 17 do mês hebraico  de Tamuz, data que marca a destruição das muralhas de Jerusalém pelos romanos em 69 da EC.

 

Essa época termina com o jejum de Tishá BeAv,  dia 9 do mês de Av, data da destruição do Beit Hamikdash.

 

Este é o dia mais triste do calendário judaico, e é também a data em que muitas outras tragédias aconteceram para o  nosso povo

 

Um pouquinho de Guemátria

 

O número 21 que é a soma dos dias dessas “Três Semanas” forma a palavra hebraica A’h que significa somente

 

O dia 17 de Tamuz tem o valor numérico da palavra hebraica “Tov”, que quer dizer “bondade”

 

Essas duas palavras juntas são o começo do versículo : “A’h tov Leisrael”, que quer dizer “Apenas o bem para Israel”

 

Isto mostra que, de modo mais profundo, os acontecimentos desagradáveis das Três Semanas, na realidade, levarão somente à coisas boas.

 


17 de Tamuz

 

Cinco acontecimentos trágicos aconteceram nesse dia na história do nosso povo:

 

No dia 6 de Sivan recebemos os Dez Mandamentos no Monte Sinai. No dia 7 de Sivan Moshe Rabeinu subiu bem cedinho no Monte Sinai para receber o resto da Torá, e ficou lá quarenta dias e quarenta noites.

 

No dia 17 de Tamuz Moshe Rabeinu desceu do Monte Sinai, depois de 40 dias de “altas revelações” carregando as duas Lu’hot que eram lousas de pedra preciosa gravadas por Hashem (D’us) com os Dez Mandamentos e juntas formavam um cubo de pedra preciosa.

 

Quando Moshe viu o povo dançando em volta do Bezerro de Ouro, as essas Lu’hot que Moshe Rabeinu conseguia carregar somente por milagre de Hashem, caíram das suas mãos e se quebraram. Essa tragédia aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Na época do primeiro Beit Hamikdash que era o Templo Sagrado de Jerusalém, no dia de 17 de Tamuz as oferendas do Beit Hamikdash foram anuladas por causa do cerco em volta da cidade.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz, Nebuzaradan, que era o general da Babilônia, quebrou a muralha de Jerusalém e seu exército invadiu a cidade de Jerusalém onde todos os judeus tinham se refugiado, fazendo um verdadeiro holocausto, assassinando uma quantidade enorme de pessoas.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz foi colocada uma estátua no Beit Hamikdash.

 

 

O Talmud Yerushalmi nos traz duas opiniões em relação a essa estátua:

 

Uma opinião é de que na época do primeiro Beit Hamikdash, Menashe, que era o rei da Judéia  naquela época, colocou um ídolo no Beit Hamikdash, e isso aconteceu no dia 17 de Tamuz.

 

Outra opinião é de que “Apostomos o Rashá” (Apostomos o criminoso) que era um governador dos gregos da Síria que dominava a nossa terra na época do segundo Beit Hamikdash, colocou uma estátua no Beit HaMikdash.

 

Nesse dia de 17 de Tamuz “Apostomos o Rashá” ordenou queimar o Sefer Torá.

 

Não sabemos se o motivo para esse acontecimento ter entrado na nossa história é pelo fato de isso ter acontecido pela primeira vez ou pelo fato de eles terem confiscado nossos Sifrei Torá durante muito tempo e no dia 17 de Tamuz terem feito um evento público de queima de todos os Sifrei Torá apreendidos.

 

A diferença entre as primeiras e as últimas Lu’hot :

 

As primeiras eram a obra de Hashem (D’us) , as segundas eram obra de Moshe, como está escrito:“faça para você” (Moshe as fez).

 

A milagrosa escrita Divina gravada nas primeiras Lu’hot nunca mais foi recuperada.
Essa forte revelação Divina cujas letras estavam gravadas de lado à lado de forma legível sob qualquer ângulo e cuja mensagem podia ser claramente transmitida, sem qualquer possibilidade de distorção da escrita

 

Quando as primeiras Lu’hot foram dadas, nosso povo estava em um nível de “Tzadikim” (pessoas altamente elevadas) porque ao acamparem em frente ao Monte Sinai, a impureza que eles tinham antes desapareceu.
Quando eles receberam as segundas Lu’hot eles estavam em um nível de Baalei Teshuvá, ou seja, de pessoas que ficaram com remorso do que fizeram.

 

Mas as segundas Lu’hot tinham uma grande qualidade: elas foram dadas com as Hala’hot, o Midrash e as Agadot. Elas foram assim “uma dupla doação de sabedoria da Torá”, como o explica a Guemará em Nedarim (22B).

 

Além disso, a partir da hora que recebemos essas segundas Lu’hot, um raio de luz iluminou o rosto de Moshe.

 

Em breve em nossos dias todos esses dias de sofrimento vão se transformar em dias de festa com a chegada do Mashia’h e a Gueulá, nossa redenção final .

 

Rabino Gloiber
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O Rebe Yossef Itzhak de Lubavitch

 

O Rabi Yossef Itzhak era um ardente defensor da nossa coletividade na época do império russo e posteriormente da união soviética.

 

Ele lutou incansavelmente pela nossa autonomia, tanto material quanto espiritual.

 

Sua ação o opôs ao regime anti-semita tsarista e mais tarde aos comunistas, que negavam D’us.

 

A consequência disso foi que ele conheceu as prisões russas, onde ele foi encarcerado algumas vezes.

 

12-13 de Tamuz
Aniversário do Rabi Yossef Itzhak (1880-1950), sexto líder de Chabad-Lubavitch.

 

Libertação do Rabi Yossef Itzhak Schneerson da prisão bolchevique de Leningrado, 1927.

 

Seu encarceramento foi resultado da sua luta implacável para preservar a vida religiosa judia dentro da União Soviética.

 

Ajudado por fiéis seguidores, estabeleceu uma ampla rede clandestina de escolas de Torá, e de ajuda financeira para a observância do Shabat e a compra de artigos religiosos, construção e manutenção de Mikves (banho ritual para pureza familiar) e fortalecimento de todos os assuntos judaicos dentro da cortina de ferro,

 

Embora a sentença inicial que os russos lhe deram tenha sido pena de morte, a pressão internacional fez com que a pena fosse comutada a 10 anos de trabalhos forçados no Ártico e depois a três anos de exílio nos Urais.

 

Depois de uns poucos dias de exílio, ele foi libertado em Tamuz 12-13 e logo depois, forçado a deixar a Rússia.

 

Sua libertação foi considerada, nessas circunstâncias, milagrosa.

 

Sua luta assegurou que a chama de judaísmo, esmagada quase até a extinção, permanecesse iluminando clandestinamente e se tornasse a fonte da surpreendente onda moderna de retorno ao judaísmo entre os milhares de judeus intelectuais soviéticos, criados por quatro gerações de ateísmo e materialismo marxista!

 

12 de TAMUZ 12 Tamuz no Hayom Yom, o Dia de Hoje

 

Festa da liberação – Não se fala o Tachanun – Aniversário do Rebe Yossef Itzhak nascido em 5640 (1880).

 

Neste dia, ele recebeu em 5687 (1927) a boa notícia da sua liberação do exílio que tinha lhe sido aplicado depois do seu encarceramento, por ter reforçado a Torá e o judaísmo. (Sabe-se que durante o dia do seu aniversário, o Mazal do homem domina e vem ajudá-lo.)

 

Extrato de uma carta do Rebe Yossef Itzhak:

 

“Nestes dois dias de libertação, os 12 e 13 de Tamuz próximos, os hassidim farão um Farbrenguen, para o bem e para a benção, material e espiritual, como instituiu o nosso primeiro pai, o Admor Hazaquen, possa o mérito do santo Tzadik ser uma benção para a vida do mundo futuro.

 

Sua Alma reside nos palácios celestiais. Possa seu mérito proteger-nos.

 

Durante este Farbrenguen, os hassidim discutirão, num ambiente fraterno, como reforçar os momentos do estudo.

 

Dirijo-lhes a minha benção para que D’us lhes dê muito, tanto material quanto espiritualmente.

 

Sexta 13 Tamuz 5703 Festa da liberação Foi neste dia que o Rebe Yossef Itzhak foi libertado.

 

O encarceramento começou às duas horas e quinze da manhã, na quarta feira 15 de Sivan 5687 (15 de julho de 1927).

 

Ele ficou exilado na cidade de Kostrama até meio dia e trinta de quarta feira 13 de Tamuz 5687 (13 de julho de 1927).

 

Extrato de uma carta do Rebe Yossef Itzhak de escrita na ocasião da festa da liberação:

 

“Envio-lhes um discurso hassídico… Ele constitui a minha participação aos meus caros amigos, os hassidim, no lugar onde se encontrarem, para que possam ter muito sucesso.

 

Desta maneira, estarei com vocês durante o seu Farbrenguen para reforçar as práticas da hassidut, para fixar um tempo para estudá-la, para respeitar este tempo, para ser estimulado a cumprir o que resulte deste estudo…

 

Nosso D’us e o D’us dos nossos pais abençoará toda a comunidade dos hassidim, eles mesmos, sua família, seus filhos e seus netos, no seio de nossos irmãos, os filhos de Israel, a quem D’us outorgará longa vida e todo o bem da alma e do corpo.”

 

12 de Tamuz, o nascimento e a vida de um grande Líder

 

Uma vez em muitas gerações, quando Seu povo Israel está muito aflito, quando no seu amargo exílio ele recebe uma dose suplementar de sofrimento e de opressão, o Todo-Poderoso envia uma alma elevada para ajudá-lo nessas horas críticas.

 

Líder único, assim, foi o sexto Rebe de Lubavitch, o Rabi Yossef Itzhak Schneerson, filho único dos seus santos pais, Rabi Shalom-Ber (RaShaB) e a Rabanit Shterna Sara.

 

Foi certamente a Providência Divina que enviou um homem tão grande, com seu amor insondável pelos Judeus, sua Messirut Nefesh (devoção total) sem limites por eles, seus talentos e suas qualidades excepcionais de espírito e de personalidade para salvar o judaísmo russo em tempos de grave perigo.

 

E quando a horrível catástrofe do nazismo engoliu o Judaísmo Europeu, foi o Rebe, com seu idealismo sem compromisso e sua absoluta devoção à Torá e à Tradição judaica o escolhido pela Providencia Divina para fazer dos Estados Unidos um porto para a Torá.

 

Rabi Yossef Itzhak Schneerson, o sexto Rebe de Lubavitch, nasceu no dia 12 de Tamuz de 5640 (1880) em Lubavitch na Rússia e faleceu em 10 de Shevat de 5710 (1950) em Brooklin, Nova Iorque.

 

Em 1927 ele foi detido pelas autoridades soviéticas por causa do seu trabalho incansável para preservar o judaísmo e as instituições da Torá sob o regime soviético.

 

Após um encarceramento doloroso e aterrador na célebre prisão “Shpalerca” em Leningrado, durante dezoito dias e meio, no curso dos quais sua vida estava em jogo, a sentença do prisioneiro foi comutada para deportação para Costroma por um período de três anos. Mas dez dias depois, ele foi liberado.

 

A notícia da sua liberação iminente foi comunicada a ele no dia do seu aniversário e no dia seguinte ele já era um homem livre.

 

Sua mãe, a Rabanit Shterna Sara, contou um dia a seguinte história: “Já tinham passado muitos anos desde o meu casamento mas eu ainda não tinha sido abençoada com uma criança.

 

Isso me deprimia um pouco, especialmente por eu ser ainda muito jovem e por estar longe da casa da minha família.

 

No dia de Sim’hat-Torá do ano de 5640 estávamos no Kidush com alguns convidados na casa do meu sogro o Rebe de Lubavitch da época, Rabi Shmuel (o MaHaRaSh).

 

No momento culminante da celebração foi feita uma bênção “Mi Shebera’h” para aqueles que prometessem contribuir para uma certa causa de Tzedaká.

 

Tendo terminado com os homens, os “oficiantes” se dirigiram para a sala onde estavam as mulheres e muitas mulheres foram abençoadas com um “Mi Shebera’h”.

 

Parece que me esqueceram pois não foi dito nenhum “Mi Shebera’h” para mim!

 

Fiquei muito decepcionada porque gostaria de ter sido particularmente abençoada nesta ocasião tão especial.

 

Alguns instantes depois, alguém, aparentemente, percebeu o esquecimento. O oficiante voltou para dizer um Mi Shebera’h para mim.

 

Mas senti que não era a mesma coisa, isso estava me parecendo um “remendo”. O Kidush não durou muito.

 

Meu santo sogro voltou para seu quarto e os hassidim, inclusive meu esposo, se dirigiram à casa do Rabi Shulem Reich, genro do Rabi Baruch Shalom, o filho mais velho do Tzema’h Tzedek, para ali prosseguirem a festa.

 

Depois da saída dos hassidim, me retirei para o meu quarto onde sentei-me, lamentando a minha sorte.

 

Eu estava me sentindo triste por não ter filhos ainda; e me sentia completamente só.

 

Para coroar tudo, o incidente do Mi Shebera’h também me irritava. Abaixei a cabeça e comecei a chorar, encostada na mesa. Então adormeci.

 

Nesse momento um venerável Judeu entrou no meu quarto e me perguntou: ‘Porque choras assim, minha filha?’

 

Abri meu coração para ele e lhe disse o que havia provocado minhas lágrimas.

 

O visitante me disse então: ‘Não chore. Eu lhe prometo para este ano a bênção de um filho. Mas tem duas condições: primeiro, logo depois de Iom-Tov será preciso dar hai (18) rublos de caridade, do seu dinheiro pessoal; segundo ….’ Não lembro exatamente qual foi a segunda condição, mas acho que tinha algo a ver com o segredo que eu devia guardar sobre a gravidez pelo maior tempo possível.

 

O visitante inesperado deixou então o quarto para voltar pouco depois na companhia de dois outros veneráveis Judeus.

 

Em sua presença, ele me repetiu sua promessa, bem como as condições necessárias; os outros dois deram o seu consentimento.

 

Os três então me abençoaram e foram embora.

 

Acordei com o coração palpitando. Pouco depois o meu marido voltou.

 

Ele estava visivelmente feliz e de bom humor e mal entrou no quarto, fez uma travessura.

 

Falei-lhe imediatamente do meu sonho. Ele ficou muito sério e foi se consultar com seu pai.

 

Quando voltou, disse que seu pai desejava ver-me imediatamente. Fui falar com meu sogro.

 

Ele me pediu para repetir o sonho com os mínimos detalhes e me questionou depois com respeito à aparência dos três homens que eu tinha visto no meu sonho.

 

Descrevi-os, e ele então explicou: ‘o primeiro era meu pai (o santo Tzema’h Tzedek) e os dois outros: meu avô (o Miteler Rebe) e meu bisavô (o Alter Rebe), bendita seja sua memória.

 

Após Yom Tov, eu deveria me submeter à primeira condição. Mas como juntar os 18 rublos para Tzedaká?

 

Recordei que possuía um vestido novo caro, feito na última moda, que meu sogro não queria me ver usando; portanto ele ficava pendurado num armário.

 

Chamei uma mulher judia influente que era ativa na cidade em obras de caridade e lhe pedi, confidencialmente, para vender meu vestido.

 

Não ficaria bem se corresse a voz que a nora do Rebe de Lubavitch estava vendendo alguma coisa do seu guarda-roupa.

 

O produto dessa venda e de outros objetos pessoais me permitiram reunir os 18 rublos que distribuí em dinheiro para Tzedaká.

 

Neste mesmo ano de 5640 (1880), no dia 12 de Tamuz, meu filho Yossef Itzhak nasceu.”

 

12-13 TAMUZ

 

O Shloh nos ensinou que todas as festas judaicas, inclusive aquelas de origem rabínica, estão ligadas à porção semanal da Torá em que ocorrem.

 

Entendemos que isso também se aplica à “festa da libertação” de 12 e 13 de Tamuz, que celebra a libertação do Rebe precedente de Lubavitch das prisões soviéticas onde fora encarcerado unicamente por ter se dedicado à propagação do judaísmo.

 

Esta festa está, portanto, ligada à Sidra de Balak, já que acontece na mesma semana.

 

Qual a ligação entre as duas?

 

Nossos sábios nos contam que Balak odiava o povo judeu ao máximo.

 

Consequentemente ele fazia questão de prejudicá-lo de todas as maneiras possíveis até chegar a contratar os serviços do feiticeiro Bilam.

 

Isto também ocorreu no arresto e liberação do Rebe precedente de Lubavitch.

 

Como ele próprio escrevera numa carta, “o seu trabalho religioso era permitido de acordo com as leis do país ”.

 

Ele foi detido por aqueles que procuravam atrapalhar “aqueles que observam as leis de Moisés e de Israel”, embora isso estivesse “em oposição com as leis do país ”.

 

O ódio destas pessoas pelo judaísmo e pelos judeus religiosos era similar ao de Balak, a ponto de estarem prontos a ir contra as leis da natureza, destruindo o trabalho sagrado do Rebe Yossef Itzhak.

 

Do mesmo modo que Balak e Bilam falharam nas suas tentativas a ponto de, em vez de maldizer os judeus, Bilam acabou por abençoá-los, do mesmo modo o Rebe Yossef Itzhak foi liberado.

 

As pessoas que eram responsáveis pela sua prisão foram forçadas a assistir à sua liberação e até participaram para ajudar o Rebe a deixar o país.

 

Deste modo, o Rebe Yossef Itzhak mereceu este milagre porque seu ser inteiro, bem como suas ações pelo judaísmo estavam totalmente penetradas pelo sacrifício total de si mesmo.

 

Foi especialmente assim já que sua obra para difundir o judaísmo “neste país” precisava do sacrifício de si para cada aspecto da Torá e das Mitzvot.

 

Sua liberação milagrosa podia estar revestida em fatos naturais.

 

Mais que anular as leis da natureza este milagre foi tão elevado que ocorreu naturalmente.

 

D’us tem, em geral, três modos de dirigir o mundo:

 

a) de acordo com as leis da natureza

 

b) com milagres que transcendem e anulam as leis naturais

 

c) com uma revelação divina tal que o milagre está envolto na própria natureza.

 

Com referência a este último ponto, a própria natureza está tão penetrada de espiritualidade que concorda com o milagre e se torna disponível para que ele aconteça por meio dela.

 

Assim foi o milagre de Purim. Apesar de envolto pelas leis da natureza, é claro para todos que as causas foram sobrenaturais.

 

Isto também ocorreu com o milagre de 12 e 13 de Tamuz, em que as mesmas pessoas que deram a ordem de prisão ao Rebe pronunciaram a sua liberação.

 

Nossos Rebes de Chabad nos ensinam que o auto-sacrifício, sacrifício de si próprio, é tão elevado que ele transforma a natureza num receptáculo para a divindade.

 

A abnegação constante do Rebe Yossef Itzhak de Lubavitch foi soldada por um milagre cuja fonte era mais alta.

 

O QUE DEVE FAZER AQUELE QUE É “PRESO” PELO DESÂNIMO

 

Contando sobre seu encarceramento, o Rebe Yossef Itzhak disse ter sido invadido pelo desespero ao pensar nos membros da sua família.

 

De repente, uma ideia surgiu na sua mente:

 

“Basta! Tudo vem de D’us. Não tenho direito de ter um pensamento desses.

 

Devo me lembrar da face do meu pai, o Rebe”.

 

Disso podemos deduzir o que devemos fazer quando somos “presos” pelo desânimo:

 

Devemos imaginar a face do Rebe.

 

De fato, cada um de nós deve fazer isso de vez em quando, se lembrar dos propósitos que foram ouvidos dele, saber que o Rebe vai sempre nos ajudar e por isso é preciso se preocupar.

 

(Palavras do Rebe em Lag Baomer 5710, 1950)

 

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Hoje é o dia da libertação do Rebe 🌻 12 e 13 de Tamuz


 
Bom dia pessoas maravilhosas ❤️🥰
 
Hoje é dia 12 de Tamuz, 5640 (1880) – 10 de Shevat, 5710 (1950)
 
Os Primeiros Anos
 
Rabi Sholom DovBer, o quinto líder do crescente Movimento Chabad, estava sempre ocupado com o crescente número de encontros públicos, conferências e importantes convocações rabínicas aos quais tinha de comparecer.
 
O desfile interminável de delegações hassídicas, pessoas em busca de conselhos e orientação, a necessidade de supervisionar e instruir seus seguidores, além de sua necessidade pessoal de estudos bíblicos e hassídicos, aumentavam cada vez mais seus dias de trabalho, que já se alongavam do início da manhã até tarde da noite.
 
Ele resolveu designar um secretário pessoal para aliviá-lo de parte do seu pesado fardo.
 
Sua escolha recaiu no seu filho de quinze anos, Rabi Yossef Yitschac Schneersohn.
 
Nascido a 12 de Tamuz de 5640 (1880) em Lubavitch, na Rússia, o jovem já provara sua capacidade no campo dos estudos, e era reconhecido como um brilhante erudito. Ele em breve provaria ser também um competente administrador, com enorme talento para atividades comunitárias e cívicas.
 
Em 5655 (1895), o jovem Rabino participou da grande conferência de líderes religiosos e leigos em Kovno, e novamente no ano seguinte em Vilna.
 
No dia 13 de Elul de 5657 (1897), aos dezessete anos, Rabi Yossef Yitschac Schneersohn casou-se com Nehamah Dinah, filha de Rabi Abraham Schneersohn, um homem importante de grande erudição e religiosidade (e neta do Tsêmach Tsêdec).
 
Durante a semana de festividades que se seguiu à cerimônia de casamento, Rabi Sholom DovBer anunciou a fundação do famoso seminário Yeshivá Tomchei Temimim, e no ano seguinte nomeou seu filho como diretor executivo.
 
Sob a hábil direção de Rabi Yossef Yitschac Schneersohn, e orientado pelo seu pai sempre atento, a Yeshivá Lubavitch floresceu e desenvolveu-se em muitos seminários em toda a Rússia.
 
As duas primeiras décadas do século vinte foram para testar ao máximo a ilimitada energia, zelo e capacidade do jovem rabino. Pode-se somente fazer uma breve menção dos eventos mais importantes contidos naqueles vinte anos.
 
Como parte dos extenuantes esforços feitos para melhorar o status econômico dos judeus na Rússia, Yossef Yitschac Schneersohn foi incumbido pelo pai de conduzir uma intensa campanha para o estabelecimento de uma indústria têxtil em Dubrovna.
 
Esta campanha, em 5661 (1901), levou Rabi Schneersohn a Vilna, Lodz e Koenigsberg.
 
Ele obteve a cooperação de rabinos importantes e de famosos filantropos, os irmãos Jacob e Eliezer Poliakoff, e a tecelagem foi realmente aberta, com cerca de 2.000 empregados judeus.
 
Intercessão em Prol dos Judeus da Rússia
Já conhecemos a situação difícil dos judeus sob o regime czarista e como os Rebes de Lubavitch intercederam continuamente em prol de seus irmãos, tanto com o Governo como com o Tribunal.
 
Rabi Yossef Yitschac Schneersohn aceitou muitas dessas missões e viajava freqüentemente para S. Petersburgo e Moscou.
 
Quando a Guerra Russo-Japonesa irrompeu no Leste em 5664 (1904), Rabi Yossef Yitschac Schneersohn tornou-se ativo na campanha iniciada por seu pai para prover os soldados judeus na Frente Leste com Matzot para Pêssa’h.
 
Na confusão que se formou no desenrolar daquela guerra, uma nova onda de pogroms varreu os Assentamentos Judaicos.
 
Rabi Yossef Yitschac Schneersohn foi enviado pelo pai à Alemanha e Holanda, e conseguiu obter a intercessão de importantes homens de estado em prol dos judeus da Rússia.
 
No ano 5668 (1908), ele participou novamente na convocação rabínica em Vilna, No ano seguinte, foi à Alemanha para reunir-se com líderes judeus locais.
 
Na volta, ele tomou parte nos preparativos para a convocação rabínica de 5670 (1910).
 
Suas atividades públicas enérgicas e abrangentes, sua vigilante defesa dos direitos dos judeus russos e sua luta constante contra as autoridade locais e centrais despertaram a inimizade do regime czarista da época.
 
Entre os anos de 5662 e 5671 (1902-1911), Rabi Schneersohn foi preso em Moscou e S. Petersburgo em quatro ocasiões.
 
Como as investigações do Governo nada descobrissem de ilícito em suas atividades, ele foi libertado todas as vezes com uma severa advertência.
 
Estes incidentes não detiveram Rabi Schneersohn de continuar sua obra, mas o estimularam a esforços ainda maiores.
 
Nos anos de 5677 (1917) e 5678 (1918) ele novamente tomou parte na assembléia de Rabinos e leigos em Moscou e Kharkov.
O Czar, a KGB, etc.
 
O corpo físico de Rabi Yossef Yitschac Schneersohn, sexto Rebe de Lubavitch, foi encarcerado na infame Prisão Spalerno, porém seu espírito indomável continuou completamente livre.
 
Apesar das severas torturas físicas e psicológicas a ele infligidas pelos cruéis e rudes carcereiros, ele jamais vacilou na sua crença em D’us e na sua devoção ao Judaísmo.
 
Em 15 de Sivan, após uma noite interminável de tortura, ele exigiu que lhe entregassem seus tefilin. “Esqueça!” riram os torturadores. “Jamais os receberá enquanto estiver aqui!”
 
“Nesse caso, declaro que vou entrar em greve de fome. Até que me entreguem meus tefilin, não vou comer nem beber nada, e os prisioneiros da minha cela serão testemunhas do meu jejum.”
 
O Rebe ficou na cela escura rezando em voz alta, enquanto seus companheiros de cela permaneciam num silêncio respeitoso.
 
Nem o ambiente assustador nem as coisas profanas gritadas pelos guardas conseguiam permear as profundas meditações do Rebe.
 
O Rebe continuou sua greve de fome durante os dois dias e noites seguintes. Às dez horas daquela noite foi levado para um interrogatório.
 
Havia três interrogadores: dois judeus – Lulov e Nachmanson – e um não-judeu, Dachtriov.
 
A sala era grande e as paredes de mármore alinhavam-se tubos grandes que permitiam aos agentes da GPU na sala adjacente ouvir e transcrever o interrogatório.
 
Quando o Rebe entrou na sala, voltou-se aos seus interrogadores e disse:
 
“Esta é a primeira vez que entro numa sala e nem uma única pessoa se levanta do seu lugar!”
 
“Você sabe onde está?” perguntaram a ele.
 
“Claro. Sei que este é um lugar onde NÃO é preciso colocar uma mezuzá.
 
Existem outros locais assim, como por exemplo, um estábulo e um banheiro.”
 
O Rebe recusou-se a ficar intimidado e declarou furioso: “Vocês não têm o direito de acusar-me! Devolvam meus objetos!”
 
Porém eles começaram a ler as acusações contra o Rebe.
 
Enfrentar as forças reacionárias da URSS; contra-revolução; exercer influência sobre judeus russos; divulgar a religião; corresponder-se com estrangeiros e passar informação sobre a União Soviética, etc.
 
O Rebe explicou que ele não impunha sua vontade sobre ninguém; a hassidut influencia pelo exemplo, não pela força ou poder.
 
Cento e oitenta anos antes, seu ancestral, Rabi Shneur Zalman, tinha sido forçado a explicar os dogmas da hassidut aos interrogadores do Czar; agora Rabi Yossef Yitschac tinha de fazer o mesmo aos interrogadores soviéticos.
 
O Rebe respondeu a todas as acusações, e então lançou palavras duras a Lulov, dizendo: “Escute. Talvez você pense que vai dar início a um novo caso Beilis [a infame acusação de libelo de sangue], mas lembre-se como aquela tentativa falhou.”
 
O Rebe continuou a refutar dessa maneira todas as palavras deles.
 
Naquele momento, Nachmanson entrou na sala e relatou o seguinte caso: “Lulov, você sabia que meus pais não tinham filhos até que foram pedir uma bênção ao Rebe de Lubavitch?
 
Este é o homem, bem aqui… e eu sou o filho que nasceu.”
 
Os interrogadores riram desbragadamente pela ironia.
 
O interrogatório durou a noite toda.
Ao final, Lulov explodiu furioso: “Mais 24 horas e você será fuzilado!” Esta era uma possibilidade real naquela época.
 
Sofrendo dores lancinantes pelas surras que tinha recebido, o Rebe continuou sua greve de fome até sexta-feira, quando seus tefilin e livros lhe foram devolvidos.
 
Naquela hora, o Rebe anunciou que comeria apenas alimentos trazidos de sua casa.
 
Naquele Shabat, recebeu três halot inteiras assadas em casa (um exemplo do novo tratamento que passaria a receber).
 
O guarda que anteriormente tinha sido tão cruel, agora saía de seu caminho para acomodar o Rebe.
 
Como o Rebe tinha pedido, o guarda batia à sua porta para indicar a hora da prece noturna, e na conclusão daquele Shabat, o
Rebe recebeu dois fósforos para a santidade do Shabat e a semana mundana.
 
Em 12 de Tamuz, Rebe Yossef Yitschac foi libertado da prisão e da morte certa.
 
Treze anos depois, o Rebe chegou aos Estados Unidos.
 
Sua chegada assinalou o início de uma nova era no Judaísmo. Tinha-se presumido que a Torá jamais poderia florescer na América como tinha feito na Europa, mas com seu famoso pronunciamento “A América não é diferente”, o Rebe.
 
Lidando Com as Autoridades Comunistas
Com o falecimento de seu pai em 2 de Nissan de 5680 (1920), Rabi Yossef Yitschac Schneersohn foi convidado por todo o mundo Chabad a aceitar a liderança do Movimento e tornar-se o próximo Rebe de Lubavitch
 
Naquela época as condições tinham mudado bastante. Como resultado da Guerra e da Revolução de Outubro, a Rússia estava em constante conflito interno. Como sempre, os judeus eram quem mais sofria.
 
Naqueles dias, Rabi Schneersohn viu-se praticamente sozinho, enfrentando uma tarefa que exigia um esforço sobre-humano – a reabilitação da vida comunitária e religiosa dos judeus na Rússia.
 
Ele enfrentou sua luta em duas frentes, a material e a religiosa.
 
Os judeus russos tinham sido reduzidos à mais abjeta pobreza e sofrimento, e o futuro do Judaísmo tradicional era ameaçado pela política atéia da Yevsektzia (o ramo judaico do Partido Comunista Soviético, responsável pelas atividades anti-judaicas.
Posteriormente foi dissolvido pelo Governo Soviético).
 
Durante sua luta solitária pela preservação do Judaísmo tradicional na Rússia, Rabi Yossef Y. Schneersohn percebeu que um novo país teria de superar a Rússia como grande centro de Torá.
 
Portanto, ele fundou um Seminário Talmúdico Lubavitch (yeshivá) em Varsóvia, em 5681 (1921), e ali continuou sua obra.
 
A yeshivá Lubavitch na Polônia, como sua similar na Rússia, desenvolveu-se rapidamente num sistema completo de seminários, e centenas de estudantes foram matriculados em suas várias filiais.
 
Enquanto isso, Rabi Yossef Y. Schneersohn conduzia corajosamente sua obra na Rússia, fundando e mantendo seminários, escolas de Torá e outras instituições religiosas.
 
Naquela época Rabi Schneersohn tinha sua sede principal em Rostov sobre o Don, mas devido a acusações caluniosas foi preciso mudar-se dali.
 
Ele fixou residência em Leningrado (S. Petersburgo), de onde continuou incansavelmente a dirigir suas atividades.
 
Ele organizou um comitê especial para ajudar artesãos judeus e operários que desejavam observar o Shabat, e enviou professores, pregadores e outros representantes às mais remotas comunidades judaicas na Rússia, para fortalecer sua vida religiosa.
 
Percebendo a necessidade de organizar comunidades Chabad fora da Rússia, o Rebe formou a Agudat Chassidei Chabad dos Estados Unidos e Canadá, mantendo contato regular com seus seguidores no Novo Mundo.
 
Em 5687 (1927), o Rebe fundou o seminário Lubavitch no Usbequistão, uma província remota da Rússia.
 
Sua posição contra aqueles que desejavam minar a religião judaica tornou-se ainda mais arriscada.
 
A Yevsektzia estava determinada a contê-lo, e recorreu até mesmo a intimidação e tortura mental.
 
“Certa manhã, quando o Rebe estava observando yahrzeit pelo seu pai, três membros da Yevsektzia entraram na sinagoga, armados de revólveres, para prendê-lo. Calmamente, o Rebe terminou suas preces e seguiu-os.
 
Enfrentando um conselho de homens armados e determinados a tudo, o Rebe novamente reafirmou que não desistiria de suas atividades religiosas, sem temer ameaças.
 
Quando um dos agentes apontou um revólver para ele, dizendo: “Este brinquedinho já fez muitos homens mudarem de idéia”, o Rebe respondeu calmamente: “Este brinquedinho pode intimidar somente o homem que tem muitas paixões e deuses, e apenas um mundo – este mundo.
 
Como eu tenho somente um D’us e dois mundos, não estou impressionado pelo seu brinquedinho.”
 
Sua luta chegou ao auge no verão de 5687 (1927), quando o Rebe foi preso e colocado em confinamento solitário na famosa prisão Spalerno em Leningrado.
 
Ele foi sentenciado à morte, mas a intervenção oportuna de estadistas estrangeiros salvou sua vida. Em vez de ser executado, ele foi banido para Kostroma, nos Urais, por três anos.
 
Cedendo à pressão feita por aqueles estadistas, as autoridades decidiram libertar o Rebe. Ele foi informado desta decisão no dia de seu aniversário, 12 de Tamuz.
 
No dia seguinte ele teve permissão de partir e se alojar na aldeia de Malachovka, nas vizinhanças de Moscou. Outra intervenção resultou na permissão para o Rebe deixar a Rússia e ir para Riga, na Latvia.
 
No dia seguinte à Festa de Sucot, juntamente com sua família e sua biblioteca histórica e valiosa, o Rebe partiu para Riga.
 
Sem fazer uma pausa para descansar, ele retomou suas atividades, estabelecendo um seminário talmúdico em Riga, Em 5688 e 5689 (1928/29), ele assegurou a provisão de matsot para os judeus da Rússia.
 
Irrompe a Segunda Guerra
 
No ano de 5689 (1929), o Rebe visitou Israel e em seguida foi aos Estados Unidos.
 
Em Nova York ele teve uma recepção cívica, e lhe foi concedida liberdade na cidade. Centenas de rabinos e líderes leigos deram as boas vindas ao Rebe, e pediram entrevistas pessoais com ele. Durante esta visita, ele foi recebido pelo Presidente Hoover na Casa Branca.
 
Voltando à Europa, ele continuou suas diversas atividades, mas para ter melhores facilidades em seu trabalho ele fixou residência em Varsóvia em 5694 (1934).
 
As atividades dos seminários Lubavitch na Polônia tinham agora recebido um impulso considerável.
 
O seminário central em Varsóvia e na vizinha Otwosk atraíam centenas de eruditos de todas as partes da Polônia e de outros países, incluindo os Estados Unidos.
 
Dois anos depois, o Rebe fixou residência em Otwosk e passou a dirigir suas atividades daquele local.
 
Quando irrompeu a Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939 (5699), o Rebe recusou muitas oportunidades de deixar o inferno de Varsóvia até que tivesse cuidado de seus seminários e feito todo o possível para ajudar seus irmãos sofredores da capital polonesa.
 
Ele permaneceu lá durante todo o terrível cerco e bombardeio a Varsóvia e sua capitulação final aos invasores nazistas.
 
Mesmo durante esta época, ele conseguiu evacuar muitos de seus alunos para regiões mais seguras, e todos os meninos americanos que estavam estudando no seminário Lubavitch em Otwosk foram transportados em segurança de volta para os Estados Unidos.
 
Sua coragem e temeridade (ele teve uma sucá construída e cumpriu a Mitzvá de “habitar na sucá” no auge do bombardeio) foram uma fonte de inspiração para a sofrida comunidade judaica de Varsóvia.
 
Com a cooperação do Departamento de Estado em Washington, os amigos e seguidores do Rebe trabalharam incansavelmente para organizar sua viagem de Varsóvia a Nova York.
 
Finalmente, o Rebe e sua família receberam uma salvo-conduto para Berlim e dali para Riga na Latvia, que ainda era neutra na ocasião.
 
Uma vez lá, o Rebe continuou a auxiliar os numerosos refugiados que tinham conseguido escapar da Polônia para a Lituânia e Latvia.
 
Em 9 de Adar Sheni de 5700 (19 de março de 1940), o Rebe chegou a Nova York no S.S.
Drottningholm.
 
Foi entusiasticamente recebido por milhares de seguidores e muitos representantes de diversas organizações, bem como autoridades civis.
 
Chegada aos Estados Unidos
Quando o Rebe chegou aos Estados Unidos, não perdeu tempo para estabelecer um fundo de ajuda para os judeus do outro lado do oceano.
 
Entrou em contato com funcionários do governo e dos departamentos de Estado, fazendo enorme pressão para validar o máximo possível de vistos, à medida que a guerra ficava mais perigosa e mais portões de fuga se fechavam.
 
Ele trabalhou com organizações humanitárias para tentar conseguir ajuda para muitos dos campos, antes que se soubesse sobre o genocídio em massa.
 
Uma ênfase especial foi dada aos judeus nos Países Bálticos e na União Soviética, de onde milhões fugiam em busca de segurança.
 
Estes refugiados não tinham alimentos, um local para viver ou para onde fugir.
 
O governo russo os mandava executar ou deportar para a Sibéria, onde milhões estavam desaparecendo.
 
O Rebe enviava secretamente pacotes de alimentos e itens religiosos para estes judeus através de operações subterrâneas, enquanto fazia campanhas oficiais juntamente com outros rabinos proeminentes e organizações judaicas para receber permissão oficial e acesso à União Soviética durante o tempo de duração da Guerra.
 
O Rebe respondeu a muitos pedidos de campos de refugiados judeus durante a Guerra, enviando-lhes artigos religiosos vitais, bem como representantes para encorajá-los a não desistir, dizendo que haveria um futuro para a nação judaica.
 
A década que se passara entre a primeira e a segunda visitas do Rebe aos estados Unidos tinha deixado cicatrizes em sua saúde.
 
Porém, embora ele estivesse minado pelo sofrimento e martírio, Rabi Schneersohn devotou-se à nova missão de transformar os Estados Unidos num centro vibrante de estudo de Torá.
 
O Seminário Talmúdico Central “Tomchei Temimim Lubavitch” logo foi fundado, e tornou-se o precursor de muitos seminários e escolas em todos os Estados Unidos.
 
O Rebe continuou seus esforços em prol de seus irmãos afligidos pela guerra do além-mar, e ao mesmo tempo concentrou-se na sua intenção de provocar um renascimento religioso nos Estados Unidos.
 
Após uma breve estadia em Nova York, o Rebe transferiu a sede para o Brooklyn. A primeira edição da revista mensal Hakriah Vehakdusha fez sua aparição como órgão oficial da Agudat Chassidei Chabad Mundial e continuou durante toda a Guerra.
 
Durante os dez anos de sua vida nos Estados Unidos, a influência e as realizações de Rabi Yossef Yitschac Schneersohn no fortalecimento do Judaísmo, na melhoria da educação judaica, e na criação de instituições de estudos judaicos foram tão notáveis, que o Judaísmo e o estudo de Torá nos Estados Unidos, e posteriormente em outros países, assumiram uma feição totalmente diferente.
 
Além do estabelecimento das yeshivot Tomchei Temimim Lubavitch nos Estados Unidos e Canadá, o Rebe fundou Machne Israel, Merkot L’Inyonei Chinuch, Beth Rivkah e Beth Sarah, escolas para meninas, e a Editora Kehot, dedicada à publicação de livros no verdadeiro espírito e tradição de Torá.
 
Foram criados também os grupos Mesibot Shabat para meninos e meninas, para tornar crianças e adolescentes judeus conscientes de seu grande legado espiritual.
 
Encontrar-se todo Shabat numa atmosfera agradável, ser liderados por uma pessoa na mesma faixa etária e de seu próprio bairro, imbui estas crianças com os fundamentos da religião judaica, da santidade do Shabat e de outros preceitos.
 
Ao final da Guerra em 5705 (1945), Rabi Yossef Y. Schneersohn estabeleceu sua Organização para Ajuda e Reabilitação a Refugiados, Ezras Oleitim Vesidurom, com um escritório regional em Paris.
 
Muitos refugiados foram ajudados por este escritório a emigrar para Israel. Em 5708 (1948), o Rebe estabeleceu a aldeia Chabad (Kfar Chabad) perto de Tel Aviv.
 
Pouco antes de sua morte, Rabi Yossef Y. Schneersohn voltou sua atenção às necessidades do Judaísmo na África do Norte.
 
Foi lançado o alicerce para uma rede de instituições educacionais, incluindo seminários, escolas primárias para meninos e meninas, das quais todas continuaram a prosperar sob o nome “Oholei Yossef Yitschac Lubavitch”.
 
Uma rede semelhante de instituições foi estabelecida em Israel, e escolas de tempo integral em Melbourne, Austrália.
 
Muitos líderes comunitários e trabalhadores judeus se inspiraram com o sucesso da obra de Rabi Yossef Y. Schneersohn e redobraram seus próprios esforços.
 
Novas organizações e instituições brotaram no campo da educação judaica e observância do Shabat, e sua influência está se fazendo sentir cada vez mais.
 
Pode-se dizer, sem sombra de dúvida, que este homem notável foi um dos pilares do Judaísmo mundial em nossa geração.
 
Rabi Yossef Y. Schneersohn faleceu no Shabat 10 de Shevat de 5710 (1950), após trinta anos de esforços infatigáveis como líder de Chabad e dos judeus de todo o mundo.
 
A notícia de sua morte entristeceu judeus em todos os países, que prantearam com uma sensação de perda pessoal o falecimento de um líder tão inspirador, iminente e devotado.
 
No entanto, eles encontraram consolo ao saber que seu espírito vive na corrente inquebrável de liderança Chabad; e que as instituições que ele fundou continuam a florescer e se expandir sob a liderança de seu sucessor, o atual Rebe e líder do Movimento Chabad, Rabi Menachem Mendel Schneerson, de abençoada memória.
 
Genealogia
 
O Rebe Anterior – Yossef Yitschac
5640 (1880): Nascimento do Rebe, a 12 de Tamuz.
 
5655 (1895): Inicia sua obra comunitária como secretário particular de seu pai, e participa da conferência de líderes comunitários em Kovno.
 
5656 (1896): Participa da reunião de Vilna.
 
5657 (1897): A 13 de Elul, desposa a Rebetzin Nechama Dina, filha de R. Avraham.
 
5658 (1898): Designado líder da Yeshivat Tomchei T’mimim.
 
5661 (1901): Para iniciar as fundações para estabelecer a fábrica de Dubrovna, viaja a Vilna, Brisk, Lodz e Koenigsberg.
 
5662 (1902): Viaja a Petersburgo para tratar de assuntos comunais.
 
5665 (1905): Participa na organização de um fundo para fornecer as necessidades de Pessa’h para as tropas no extremo Oriente.
 
5666 (1906): Viaja à Alemanha e Holanda, e lá persuade banqueiros a usarem sua influência para impedir os pogroms.
 
5668 (1908): Participa na organização da Conferência de Vilna.
 
5669 (1909): Vai à Alemanha para conferenciar com líderes comunitários.
 
5670 (1910): Ocupa-se em preparar o encontro de Rabinos. Entre 5662 e 5671 (1902 e 1911), é preso quatro vezes em diferentes ocasiões, em Moscou e Petersburgo, devido às suas atividades.
 
5677 (1917): Ajuda a organizar a Conferência de Rabinos em Moscou.
 
5678 (1918): Participa na organização do Encontro de Kharkov.
 
5680 (1920): Aceita o cargo de Rebe,
 
5681 (1921): Cria programas de atividades comunitárias para reforçar o judaísmo na Rússia; estabelece a Yeshivat Tomchei T’mimim em Varsóvia.
 
5684 (1924): Forçado pela Cheka (Polícia Secreta) a deixar Rostov, por calúnias feitas pela Yevsektzi (Seção hebraica do Partido Comunista). Estabelece-se em Petersburgo e trabalha para fortalecer a Torá e o judaísmo através de atividades envolvendo Rabinos, escolas de Torá para crianças, Yeshivot, shochtim, professores formados para ensinar Torá e a abertura de mikva’ot; forma um comitê especial para auxiliar trabalhadores manuais a cumprir o Shabat; estabelece Agudat Chabad nos Estados Unidos e Canadá.
 
5687 (1927): Cria yeshivot em Bukhara. A 15 de Sivan é preso e mantido na prisão de Shpalerno. A 4 de Tamuz, é exilado para Kostrama. A 12 de Tamuz é informado de sua liberdade; no próximo dia é realmente libertado e por ordens do Governo muda-se para Malachovka, perto de Moscou. No dia seguinte a Sucot, 5688 (1927), deixa a Rússia, indo para Riga, Latvia, e lá funda uma yeshivá.
 
5688-9 (1928-9): Cria com sucesso campanhas para enviar matsot à Rússia.
 
5689-90 (1929-30): Visita Erets Yisrael e os Estados Unidos.
 
5694 (1934): Transfere-se para Varsóvia; estabelece associação de t’mimim; cria filiais da Yeshivat Tomchei T’mimim em várias cidades afastadas na Polônia.
5695 (1935): Inicia a publicação do periódico Hatamim.
 
5696 (1936): Transfere a Yeshivá Tomchei T’mimim e sua residência de Varsóvia para a cidade de Otwock.
 
5699 (1939): Cria Agudat-Chabad no mundo todo.
 
5700 (1940): A 9 de Adar II, chega a New York e estabelece-se no Brooklyn; devota-se com sucesso a resgatar seus pupilos; funda a Yeshivat Central Tomchei T’mimim.
 
5701 (1941): Inicia a publicação do jornal Hak’ria V’hak’dusha; funda a Machne Israel.
 
5702 (1942): Funda Yeshivat Tomchei T’mimim com escolas preparatórias em Montreal, Canadá; estabelece Merkos L’inyonei Chinuch; funda Yeshivat Achei T’mimim em Newark, Worcester e Pittsburgh; estabelece a Sociedade Editora Kehot de Lubavitch.
 
5703 (1943): Cria a Biblioteca Otzar Hachassidim de Lubavitch.
 
5704 (1944): Estabelece um grupo Nichoach para compilar e publicar melodias de Chabad; inicia a publicação do jornal Kovetz Lubavitch; cria a Sociedade para Visitação aos Doentes (Bikur Cholim).
 
5705 (1945): Abre um escritório para refugiados, com uma filial em Paris; estabelece a Sociedade Eidenu para estudos avançados do Talmud, e Shaloh (instrução religiosa para alunos de escolas públicas); inicia esforços para melhorar a situação espiritual de fazendeiros judeus e outros em comunidades rurais na América.
 
5708 (1948): Funda a aldeia Chabad em Safaria, perto de Tel Aviv, para refugiados da Rússia.
 
5709 (1949): Apressa a organização de uma comissão para a educação dos filhos de olim para Erets Israel abrigados em maabarot (campos transitórios) e tem sucesso.
 
5710 (1950): Algumas semanas antes de seu falecimento lança as fundações e o programa para a obra educacional e o fortalecimento da Torá no norte da África. Como resultado, foram criados um seminário para professores, uma Yeshivá, uma Yeshivá júnior, um Talmud Torá para meninos e outro para meninas, todos sob a denominação geral de “Oholei Yosef Yitschac – Lubavitch.” No Shabat Parashat Bo, a 10 de Shevat de 5710 (1950) às oito da manhã, faleceu e foi enterrado em New York.
 
Seu genro, nosso Rebe de Lubavitch, assumiu a liderança um ano depois que ele faleceu e é o nosso Rebe até a nossa Gueulá completa em breve e em nossos dias Amén ❤️
 
Rabino Gloiber
Sempre correndo
Mas sempre rezando por você ❤️
 
www.RabinoGloiber.com
 

data Judaica

Guimel Tamuz


Guimel Tamuz — O Início da Redenção

 

NOVA YORK (EUA) — Uma compilação de excertos de discursos do
Lubavitcher Rebe, MH”M, Shlita sobre Guimel Tamuz.

 

O Rebe, Melech HaMashiach, que viva para sempre, nos diz que a Gueulá já está aqui, no sentido mais literal. Ele afirma que o evento que ocorreu em Yud Shevat, 5710, não acontecerá ao líder desta geração, pois o líder desta geração foi claramente revelado como Melech HaMashiach, e certamente viverá para sempre, de maneira física e tangível. Ele nos diz que a única coisa a fazer é saudar Mashiach, abrir os nossos olhos e perceber a verdadeira realidade da Gueulá.

 

À luz do que foi dito acima, então, podemos perguntar: O que é, então, Guimel Tamuz? Nós ouvimos essa data chamar tanta atenção — certamente deve haver algo extremamente profundo sobre ela. Como devemos reagir ao significado desse dia, e como ele deve ser observado? E mais: o que exatamente ocorreu em Guimel Tamuz?

 

As Sichot a seguir, todas proferidas pelo Rebe, Melech HaMashiach, em farbrenguens de Guimel Tamuz de vários anos, tratam dessa questão. Como veremos dessas Sichot, Guimel Tamuz é na verdade muito profundo. É um dos dias mais grandiosos e sublimes, um dia associado com o “início da Gueulá”…

 

Guimel Tamuz — O Início da Gueulá

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5751

 

Guimel Tamuz é o dia no qual o meu sogro, o Rebe (Anterior), foi libertado da prisão (em Leningrado, da famosa e infame penitenciária de “Shpolerke”), porém, sob a condição de que ele fosse diretamente para o exílio, por três anos, para a remota cidade de Kastrama.

 

Naquele momento, entretanto, ainda era desconhecido se esta nova situação provaria ser positiva (já que o exílio, ainda que seja uma sentença mais leve que o encarceramento, ainda assim é extremamente limitado, e sempre deixa uma brecha para o governo mudar de idéia e decidir sobre uma punição mais severa, etc.).

 

Porém, depois disso, no décimo segundo dia de Tamuz, ele foi notificado em Kastrama de que eles na verdade o libertariam, e que receberia um documento de emancipação no dia seguinte, no décimo terceiro dia. Então, quando ele foi enviado completamente livre, ficou claro e revelado como Guimel Tamuz era na verdade o “início da Gueulá”; além do fato de que ele realmente havia saído da prisão e lhe fora concedida uma sentença mais leve — o exílio — mais tarde ficou claro que seu exílio para Kastrama substituíra a pena de morte, D’us nos livre, o decreto anteriormente intencionado para ele. Isto, é claro, afetaria e ameaçaria, D’us nos livre, toda a perpetuação da propagação da Torá e do Judaísmo, e da Chassidut em particular. Em vez disso, o governo moderou sua punição e o expatriou. A tal ponto que isto finalmente causou a sua libertação total, em Yud Beit e Yud Guimel Tamuz. E por causa desse milagre, este mesmo dia foi estabelecido como “Festival da Gueulá”, para ser celebrado como tal a cada ano.

 

Um dia de Gueulá e alegria — aumenta a cada ano!

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5745

 

Já que o início da Gueulá foi em Guimel Tamuz, não se deve esperar até Yud Beit-Yud Guimel Tamuz; ao contrário, deve-se começar a fazer todo o serviço espiritual dos dias de Gueulá já em Guimel Tamuz.

 

Mas, alguém pode perguntar:

 

Por que querer que ele comece a se envolver em assuntos da Gueulá em Guimel Tamuz? No primeiro Guimel Tamuz ainda não estava claro que isto seria o início da Gueulá (mesmo para o Rebe Anterior)! Como podemos exigir algo que ainda nem existia?…

 

A resposta é, como já foi mencionado: depois de ter ficado claro que Guimel Tamuz era na verdade o início da Gueulá, este conhecimento afeta também o passado, que ele era de modo retroativo um dia de Gueulá e júbilo, mesmo naquele ano!

 

E, portanto, o serviço espiritual de Guimel Tamuz a cada ano deve ser condizente ao início da Gueulá. E mais: isto deve progredir e aumentar a cada ano…

 

Guimel Tamuz — Uma Gueulá Para todas as Dúvidas

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5748

Estas são as instruções dos dias da Gueulá, que começa com o “início da Gueulá”, Guimel Tamuz — “para aumentar no esforço de difundir a Torá e fortalecer o Judaísmo”.

 

E isto é especialmente enfatizado nas palavras do Rebe Anterior sobre Guimel Tamuz: “Que Hashem nosso D’us esteja conosco como Ele esteve com nossos antepassados…”

 

Alguém pode ter dúvidas e perguntar: nós realmente podemos cumprir a missão de propagar a Torá e o Judaísmo?

 

Então nós respondemos: Guimel Tamuz ocasiona uma Gueulá para todas as perguntas e todas as dúvidas, etc., pois o líder da geração anunciou: “Que Hashem nosso D’us esteja conosco…” Nós temos uma promessa clara de que “Hashem estará conosco”; e não apenas isso, mas “Como Ele esteve com nossos antepassados…” Portanto, nós certamente somos capazes de cumprir a Shelichut de forma correta e bem-sucedida. A questão depende inteiramente da vontade de cada pessoa…

 

A Gueulá precisa vir imediatamente, especialmente depois de terem se passado todos os prazos finais para a Gueulá, e nós termos terminado todo o serviço espiritual, inclusive o de “polir os botões…”

 

E que seja a vontade de Hashem, de que ao se falar sobre a Gueulá, particularmente nestes dias de Gueulá que começam em Guimel Tamuz, nós tenhamos o mérito de entrarmos diretamente na verdadeira e completa Gueulá que vem através de Mashiach Tsidkeinu, imediatamente Mamash, sem demorar nem mais um instante.

 

Acima de Todas as Limitações — O Mundo está pronto!

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5751

 

Contudo, pode surgir uma dúvida: já que a Gueulá foi um milagre de D’us (e portanto somos obrigados a “Louvar a D’us por Sua bondade e maravilhas que Ele concede ao homem”) — por que todo o milagre não ocorreu de uma só vez? Em vez de a Redenção se desdobrar em estágios separados, ela deveria ocorrer toda de uma vez só.

 

Certamente há um bom motivo pelo qual, por Providência Divina, a Gueulá veio em estágios — e particularmente que isto envolvia a prisão e libertação de um líder do povo judeu e, portanto, uma Gueulá inclusive para todos os judeus…

 

A resposta básica para esta questão é: a qualidade especial e fundamental do milagre de Guimel Tamuz foi que ele afetou a ordem natural do mundo…

 

Junto com o fato de que o milagre de Guimel Tamuz foi totalmente sobrenatural, acima e além dos desígnios normais da natureza, ele também afetou a natureza, que a própria natureza na realidade “concordou” com a ocorrência do milagre. Como é sabido, os homens responsáveis pela prisão do Rebe Anterior no início foram os mesmos responsáveis por sua Gueulá, a ponto de eles terem ajudado na sua libertação.

 

E, portanto, o milagre não ocorreu todo de uma vez, uma Gueulá completa, mas de um modo natural, em estágios. Ela ocorreu de acordo com a “natureza” da oposição. O próprio governo reconheceu que deveria, antes de mais nada, anular a sentença de morte, D’us nos livre, decidir enviá-lo ao exílio e, finalmente, libertá-lo completamente…

 

Entretanto, ainda podemos perguntar o seguinte, como muitos indagam: mesmo se eu realizo o meu serviço espiritual perfeitamente, a ponto de eu atingir o nível em que todo o meu ser está num estado de “disseminação” (o máximo estado de anulação), como isto poderia ajudar? — pois nós somos “o menor de todos os povos”, e estamos cercados por setenta nações, muito mais que o pequenino “um cordeiro”, o povo judeu. Em outras palavras, o que dirá o mundo e o que dirão as nações sobre o fato de que um judeu cumpre o seu serviço espiritual de disseminação das fontes da Chassidut e, particularmente, em trazer a verdadeira e completa Gueulá; eles não entendem o que isso significa?! Na verdade, isto é um serviço espiritual muito elevado; mas precisamos — ele argumenta — levar o mundo em consideração!

 

E a resposta para este argumento é: O mundo está preparado! Quando um judeu fizer o seu serviço espiritual da maneira adequada, acima de todas as restrições e autolimitações, e incorporar isto no reino da natureza, ele verá como o mundo, a natureza do mundo e as nações do mundo estão na verdade auxiliando-o em seu serviço espiritual.

 

Mesmo no passado, quando realmente havia impedimentos e obstáculos para este serviço espiritual, um chassid não reconhecia essas limitações e, conseqüentemente, anunciava isto abertamente. Então, ainda mais agora, quando muitas dessas limitações e barreiras não mais existem (como mencionado, que mesmo naquele país — Rússia — ocorreram extraordinárias mudanças para o bem). Ao contrário — nós vemos no próprio mundo incríveis milagres e maravilhas, tornados públicos especialmente nos anos mais recentes (o “Ano dos Milagres” e o “Ano no qual Eu mostrarei maravilhas”) — já chegou a hora que mesmo que precise ser sobrenatural, superior a todas as limitações, milagres e maravilhas, incluindo os milagres e maravilhas da verdadeira e completa Gueulá — isto agora também impregna a natureza do mundo, que o próprio mundo ajuda no florescer da Gueulá.

 

Uma Gueulá Para Todo o Povo Judeu

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5718

 

Sobre Guimel Tamuz — é bastante conhecido que em Guimel Tamuz eles libertaram o Rebe Anterior da prisão e permitiram que voltasse para casa, com a condição de que passasse três anos no exílio, em Kastrama.

 

Várias pessoas na ocasião ficaram em dúvida se isso era algo que trazia alegria ou não.

 

Porém, somente aqueles que não estavam presentes tinham essa dúvida; mas aqueles que lá estavam e conheciam todos os detalhes não tinham absolutamente quaisquer dúvidas. Eles sabiam que isto era a maior mudança para o bem.

 

Em Guimel Tamuz ele saiu da prisão para estar em seu próprio domínio, liberdade. Ele iria agora simplesmente ser enviado para o exílio, e havia dezenas, centenas e milhares de outras pessoas no exílio naquela época.

 

Quanto ao fato de o Rebe Anterior não ter estabelecido publicamente Guimel Tamuz como um Yom Tov, como Yud Beit Tamuz:

 

O ponto central e a ênfase do líder de uma geração — uma alma abrangente — é prover as almas de todos os membros de sua geração com amplo sustento espiritual. O líder e pastor do povo judeu antepõe as necessidades de até a mais inferior das pessoas às suas próprias, em tudo. Portanto, mesmo embora ele tivesse sido solto de sua própria prisão e recebido a sua Gueulá particular, já que a verdadeira gueulá para todos os seus seguidores ainda não tinha sido alcançada, ele absolutamente não a considerou um Yom Tov. Ele não ficava satisfeito se mesmo uma alma ainda estava ameaçada, pois aquela alma individual é uma parte de sua própria, e uma parte essencial.

 

Entretanto, tudo isso envolve apenas o Rebe em seu relacionamento com os chassidim. Mas para o próprio Rebe como um indivíduo, Guimel Tamuz foi certamente o dia mais extraordinário de Gueulá e júbilo.

 

Então, até onde concerne aos chassidim, já que eles precisam se subjugar e se conectar ao Rebe inteiramente, para o próprio Rebe também, como indivíduo…, eles precisam celebrar Guimel Tamuz com muita alegria, pois é a Gueulá do Rebe como indivíduo.

 

Além disso, para um líder, mesmo assuntos que aparentemente sejam pertinentes à sua própria vida pessoal certamente também envolvem o seu povo. E, como tal, mesmo Guimel Tamuz, embora tivesse sido apenas uma gueulá para um indivíduo, mas, sutilmente, já era de fato, mesmo então, uma gueulá para todos, que simplesmente teve de ser revelada mais tarde, em Yud Beit Tamuz.

 

Portanto, é claro que Guimel Tamuz deve causar ainda mais alegria aos chassidim do que ao próprio Rebe…

 

O Terceiro de Tamuz e o Terceiro Beit HaMicdash

 

Sichá de Guimel Tamuz, 5742

 

Esta é a lição especial associada a Guimel Tamuz a cada ano, pois “Estes dias são lembrados e revividos”, e aumenta a cada ano — uma alma judia não é subjugada à galut, absolutamente. Portanto, “Quando se trata de qualquer coisa ligada à nossa religião, nossa Torá, mitsvot e costumes, não há ninguém que possa forçar sua opinião sobre nós”, etc., como anunciou o Rebe Anterior.

 

E nós merecemos o Terceiro Beit HaMicdash, que está completamente construído em Cima. Hashem está apenas esperando pelo esforço final (seja em pensamento, fala ou ação) que penderá a balança e trará a gueulá instantaneamente, e o Beit HaMicdash então descerá imediatamente e aqui será revelado, neste mundo, em Jerusalém, no Monte do Templo.

 

E este é o significado básico do versículo “Reviva-nos dos últimos dois dias, e no terceiro dia erga-nos e deixe-nos viver diante de Ti”. Os “dois últimos dias” referem-se à destruição dos dois últimos Templos, e os períodos de galut que se seguiram. Através do serviço espiritual que conseguimos realizar durante essas eras de galut (a galut que se seguiu à destruição do primeiro Beit HaMicdash e a galut que se seguiu à destruição do segundo Beit HaMicdash), nós merecemos o “terceiro dia”, o terceiro Beit HaMicdash e a terceira gueulá, a última e eterna gueulá — “no terceiro dia levante-nos e deixe-nos viver diante de Ti”.

 

O “terceiro dia” está também associado com três caminhos gerais em kedushá, como afirma o Pirkei Avot, no capítulo que é estudado neste Shabat (a semana de Guimel Tamuz), o terceiro capítulo; “olhe para três coisas”.

 

A Mishná relata: “Olhe para três coisas e não chegará a pecar” — e o maior “pecado” de todos é o simples fato de que estamos ainda na galut (“Por causa de nossos pecados fomos exilados de nossa terra”). Assim, através de olhar as “três coisas”, o “pecado” da galut é anulado inteiramente…

 

Veja o que diz o Sêfer HaMin’haguim sobre Guimel Tamuz